sexta-feira, 23 de outubro de 2020

TRÍDUO EM HONRA A SANTA TERESA DE ÁVILA - 2020

 

50º Aniversário de Doutoramento

12 a 15 de Outubro de 2020

 

Acesse todos os dias do

Tríduo no canal YouTube da Província São José, AQUI!


    Sob a alegria e a responsabilidade de prestigiar o aniversário de 50 anos do doutoramento de Santa Teresa de Ávila, título proclamado por São Paulo VI em 27 de Setembro de 1970 com a Carta Apostólica Multiformis Sapientia Dei, a Província São José da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares celebrou o Tríduo em Honra a Santa Teresa – Mãe, Reformadora e Fundadora do Carmelo Descalço – de 12 a 15 de Outubro de 2020.

    Mais uma vez apostando em uma condução orante e formativa, 03 convidados da família carmelitana descalça apresentaram temas e reflexões que abrem as portas da mística teresiana para quem tem seus primeiros passos com a espiritualidade do Carmelo, e confirmam os passos daqueles que já se dedicam ao pensamento da família orante da Igreja:

     O tríduo foi organizado pela Comissão de História da Província São José, transmitida com as atividades da Comissão de Comunicação e sob apresentação da membro da Comunicação, André Fachetti:

 

    Abrindo a formação orante, participou, para alegria de toda a família carmelitana, o Provincial da Ordem, Frei Emerson Oliveira OCD, com o tema “50 anos do Doutorado de Santa Teresa de Jesus” - tendo sua apresentação sido honrosamente feita pela Presidente Provincial da OCDS Província São José, Rose Lemos:

 

 

 

 

 

    O frade, eleito Provincial para o triênio 2020-2022, destacou Teresa de Ávila como “Doutora da Experiência”, salientando que seu doutoramento não se deve a uma teologia das suposições, mas à expressão de sua relação de quedas e reerguimentos em Deus e com Deus, seu crescimento pessoal e a expressão desse crescimento para seus irmãos e irmãs de fé e espiritualidade.

 

    E fez uma advertência à família carmelitana: não devemos nos bastar no “status” de ser carmelitas, no “status” de conhecermos nossos doutores.

 

 

 

 


    O capixaba de Vitória, Frei Hudson Barcelos de Paula OCD, foi o formador do segundo dia com o tema “O Cristo de Santa Teresa e a Oração de Amizade”: aproveitando-se de densa bibliografia, ratificou que a oração é o carisma da vida carmelitana. E a oração como relacionamento íntimo de amizade é o ponto de chegada e de partida de toda a experiência teresiana.

 


 

 

 

 

 

 

    Finalmente, no terceiro dia, a OCDS se faz representar na condução da formação orante com Márcia Andrade OCDS, coordenadora da Comissão Missionária da Província São José e membro da Comunidade Alegria da Sagrada Face (Itapetininga-SP).

    A partir do tema “Santidade e Apostolado em Santa Teresa”, e utilizando-se de rico material didático, Márcia destacou a inquietude de Teresa no traçar caminhos e missões, qualidade que jamais a afasta do terno regressar e permanecer em Deus, na oração, na contemplação.

 

Daí que a contemplação da Igreja e de forma especial do Carmelita Secular, não é seu fechamento para o mundo, mas sua abertura à experiência com o outro e para o outro, em Deus.

 

 

 

 

    As atividades on-line foram concluídas em 15 de Outubro com a celebração e transmissão da Santa Missa diretamente do Convento Elisabeth da Trindade, Paranoá/DF, celebrada pelo Frei Cléber da Trindade OCD e que deram início, também, à I JORNADA CARMELITANA DE CASAIS (veja a Jornada AQUI)



12.10 Primeiro Dia -  “50 Anos do Doutorado de Santa Teresa de Jesus”

Frei Emerson, OCD - Provincial Carmelita

 

13.10  Segundo Dia - “O Cristo de Santa Teresa e a Oração de Amizade”

Frei Hudson, OCD - Delegado Provincial

 

14.10 Terceiro Dia - "Santidade e Apostolado em Santa Teresa"

Marcia Andrade, OCDS - Coord. Comissão Missionária

 

15.10 Solenidade - Missa em honra a santa teresa

Transmitida do Convento Elisabeth da Trindade, Paranoá/DF

Frei Cléber da Trinda OCD

- abertura da I JORNADA CARMELITANA DE CASAIS

 

 (Comissão de Comunicação)

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

TRÍDUO EM HONRA A SANTA TERESA DE LISIEUX 2020

28 de Setembro a 01 de Outubro de 2020

 

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Tríduo no canal YouTube da Província São José, AQUI!

 


    A Província São José da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares preparou-se por três dias para celebrar com grande júbilo a festa de uma das mais admiradas santas da Igreja Católica: Teresa de Lisieux,  a Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.

    Com um tríduo orante-formativo, baseado em temas que reforçaram e aprofundaram a luta da sempre jovem Marie Françoise Thérèse Martin por encontrar a santidade em meio às rotinas e aos “comuns” da vida (inclusive os mais sofridos), o tríduo em honra a Santa Teresa de Lisieux contou com pregadores de grande experiência e dedicação aos temas teresianos: 


    No primeiro dia, Dom Milton Kenan Jr., Bispo da Diocese de Barretos, um dos grandes conhecedores brasileiros de Teresa e da família Martin na atualidade e com grande ligação afetiva ao Carmelo, apresentou a reflexão “A Pequena Via de Santa Teresinha":

     Admitindo e refletindo “o eterno duelo entre o nosso desejo e a nossa incapacidade”, Dom Milton realizou um estudo profundo da Pequena Via, seja a partir dos escritos de Teresinha, seja a partir de reflexões de outros autores que se debruçaram sobre o assunto: este, um tema de profunda importância em todo o roteiro de espiritualidade desenhado por Teresa


 

 

 

 

 

    Dom Milton pode ser visto, também, em uma série de vídeos formativos sobre Santa Teresinha, publicados no canal da Diocese de Barretos no YouTube (clique aqui para o primeiro dos vários vídeos)

 

    No segundo dia, a participação dos Frades Carmelitas Descalços aconteceu com a presença de Frei Gregório da Mãe de Deus OCD, falando em plena atividade de acompanhamento das monjas na cidade de Divinópolis-MG (atualmente Frei Gregório reside em Belo Horizonte-MG):

    A partir do tema “O Cristo de Teresa de Lisieux”, o jovem frade, reconhecidamente um dos mais apaixonados expositores dos temas carmelitanos, participou a todos um estudo detalhado do processo de descoberta e compreensão da figura do Cristo Jesus por Teresa, e como a reflexão do Cristo chagado – derrota e fracasso na visão dos homens, reflexo e exaltação do amor de Deus por nós, na visão da Trindade Santa – deve nos motivar a criar uma relação pessoal e direta com o Salvador, feito homem por nós, e assim como Teresa, “sair da mera devoção e partir para uma experiência própria com o Cristo”.

 

 

    No terceiro dia, foi a OCDS quem se fez participar na “formação orante”, com a participação de Ciça de São João da Cruz OCDS (Com.Santa Teresa de Jesus, Belo Horizonte-MG):

 


   A partir do tema “Se Todas as Flores Quisessem ser Rosas”, a carmelita secular atualizou a certeza de Teresa de Lisieux sobre o caminho de quedas e recomeços que a busca da santidade propõem, e a necessária consciência de que a diversidade no reino de Deus é certeza do valor que cada um possui no coração do Pai.

 

    As atividades on-line foram concluídas em 01 de Outubro com a celebração e transmissão da Santa Missa do Centro Teresiano de Espiritualidade-CTE (São Roque-SP) presidida pelo Frei Pierino Orlandini OCD.

    Este ano, o Tríduo de Santa Teresinha foi organizado pela Comissão de Comunicação e teve a apresentação de André Fachetti (de Cachoeiro de Itapemirim-ES, Grupo Caminho do Monte Carmelo OCDS)


28/09 A Pequena Via de Santa Teresinha

Dom Milton Kenan Junior | Bispo da Diocese de Barretos-SP

 

29/09 O CRISTO DE TERESA DE LISIEUX

Frei Gregório da Mãe de Deus OCD

 

30/09 SE TODAS AS FLORES QUISESSEM SER ROSAS

Ciça de São João da Cruz OCDS

 

01/10

Missa em honra a santa teresinha

Frades Carmelitas Descalços | Centro Teresiano de Espiritualidade (São Roque-SP)

 

 (Comissão de Comunicação)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Flor de paz, Teresa, que renasces entre as chamas! ( Súplica de filho para a mãe)


Quem conhece Teresa de Jesus certamente se deparou com uma mulher muito humana e muito mulher: com sua capacidade de amar, de ser amiga, de deixar-se amar, com sua sensibilidade aprimorada, com seu conhecimento profundo da vida e seu autoconhecimento, com sua coragem e determinação, com sua capacidade de trabalho e de relações, com seu senso de humor e de realismo, com seus pés no chão, construtora da história. De outro lado, ela é contemplativa por excelência, doutora mística, mestra nos caminhos do Espírito, aquela que atingiu a mais profunda comunhão com Deus e favorecida por Ele de experiências únicas em relação à Transcendência e à Encarnação de Jesus e de sua permanência entre nós. Teresa eminentemente humana e toda de Deus”.                             


Tu, Teresa, flor de paz, nasceste entre chamas...!

(Um “fogo especial do Espírito” nasceu na Espanha

quinhentos anos atrás... e gastou toda a sua vida

curando as feridas da Igreja, com seu amor, construindo comunidades de paz...!).

O teu mundo, Teresa,

 “ardia em chamas, pegando fogo”...!

O nosso mundo quebrado, despedaçado,

 e os nossos “tempos duros”

precisam ainda de ti.

É necessário que tu revivas entre nós.

Contigo, convictos, de “negócios importantes”

queremos tratar com “ Aquele que, sendo AMOR, só sabe amar”

e suplicar-lhe, com coração em chamas,

que seja restaurada na Igreja  a unidade partida

e reine enfim  a paz, sem divisão,  sem guerra nem dor.

Ó Teresa de Jesus santa, muito santa...

mulher, muito mulher, amiga...

 apaixonada, coração transverberado, mística...

 humana, muito humana, andarilha, ativa...

 propriedade de Deus, muito divina...            

“Filha da Igreja” e “Doutora”, Renovadora...

Fundadora do novo Carmelo, mãe e mestra...

ensina-nos a olhar para o Alto,

 caminhando centrados, seguindo teus passos

-  pois é sempre “hora de caminhar!”-

e a não contentar-nos de terra e  de charcos,

“rastejando e andando, sem rumo, quais lagartixas e sapos!”

Com Cristo, Amigo fiel e sincero, queremos tratar com santa ousadia,

dos seus interesses e dos nossos problemas...

De ti, Teresa, aprendemos que o interesse de Deus

 é o homem somente

e o homem, sem o interesse por Deus, é um problema.

Eis os assuntos que a ti, a Ele e a nós interessam:

- nossa vida e vida plena, em liberdade...

- as dimensões inexploradas da humanidade...

- o “caminhar na verdade”, com total dignidade

de filhos e simplicidade de irmãos...

- nós “morada de Deus”, em comunhão...

-  a oração, mergulho em Deus e na humanidade, em profundidade...

E queremos revelar para todos, em todos os espaços:

-  a misericórdia de Deus, um Deus que desce, um Deus humano...

- o amor,  luz que nos guia, o amor- caridade...

- a liberdade, o desapego, a  humildade...

 - o entreter-se com Deus em amizade, as obras ,a  santidade...

- o olhar posto no Homem-Deus, Cristo Jesus Senhor-Crucificado-Ressuscitado!

O mundo continua em chamas, Teresa!

- Necessária se faz outra chama!

 O mundo está sedento de Água viva, Teresa!

-  “O Senhor – a Fonte- não nos deixará morrer de sede!

Olhem para Ele, que olha para nós, simplesmente”!

O mundo, nosso mundo, quer ver... ver Deus, para sempre!

Ensina-nos  a ver, contemplar, caminhar, viver...

 E anunciar!

Ensina-nos

a sair em missão, contagiando, convencendo,

 aquecendo com o fogo do  AMOR!

Quanta alegria em tua vida, Teresa!

Deus é a fonte!

Quantos trabalhos em tua vida, Teresa!

- O Crucificado é teu Mestre!

Quanto amor e esperança e experiência em tua vida, Teresa!

- A Igreja é teu campo de ação!

Quantas vitórias!

-  “Só Deus basta!”

Peregrina e feliz caminhando, Teresa, andarilha de Deus,

tua meta é o céu -  tão intenso teu   desejo!-

  a terra é  teu chão, firmemente pisado.

Caminhamos contigo, Teresa!        

Que saibamos  caminhar sem cansar...até chegar!

Ah! Teresa! Fogo que ardeu em terras de Espanha um dia,

fogo que arde ainda  e   brilha em nosso mundo todos os dias,

dá-nos a mão e leva-nos ao   “Castelo Interior”,

  e conduz-nos de morada em morada,

até o aposento mais íntimo, ao centro do ser.

Ali nos encontraremos

com “Sua Majestade”, nosso Deus e  nosso TUDO,

e, com Ele e com todos os seres,   poderemos, então, criar comunhão!

“Para sempre, para sempre, para sempre!”      

 

Frei Pierino Orlandini                  

 

 

 

15/10 - SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM, DOUTORA DA IGREJA E NOSSA MÃE.



Santa Teresa Doutora, “mestra das disciplinas sagradas”. 
(S. Paulo VI)

Todo o santo deve ser visto e compreendido no seu contexto histórico e eclesial, porque na realidade, todo o santo é um mensageiro de Deus e é uma palavra dita ao mundo, um fragmento do Evangelho de Cristo, a ser reordenado também no mosaico da santidade na histórica da Igreja. 

Assim foi com santa Teresa, sua vida desenvolve-se entre 1515 e 1582, o século de ouro da Espanha, com as suas conquistas no exterior, guerras, esplendor literário, reforma religiosa na qual intervêm o Papa e o Rei com notáveis conflitos jurisdicionais. É uma mulher, escritora e letrada, plenamente inserida na história eclesial e civil, embora seja monja, que sofre os valores e as sombras deste período, mesmo que reagindo contra esta situação em muitos aspectos: em nível social, nos temas do feminismo, nas críticas às violências da guerra; também no campo religioso-espiritual, que se coloca contra a mentalidade de sua época em temas de vida e doutrina cristãs, como a oração e o valor da humanidade de Cristo. O exemplo de santa Teresa, profundamente contemplativa e eficaz nas suas obras, leva-nos também a repensar e dedicar cada dia, o justo tempo à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho para procurar Deus, para O ver, para encontrar a sua amizade e assim a vida verdadeira. Pois, “a oração mental nada é para mim senão um relacionamento íntimo de amizade, um freqüente entretimento a sós com Aquele que sabemos que nos ama” (V 8,5). Por isso, o tempo da oração não é perdido, é tempo em que se abre o caminho da vida, para aprender de Deus um amor ardente a Ele, à sua Igreja, e uma caridade concreta para com os nossos irmãos. 

Teresa distinguiu-se pela prudência e simplicidade evangélica, humildade de espírito, pela obediência aos superiores, mesmo nas coisas difíceis, no desprezo e na particular dedicação para o bem dos outros; não hesitou em se sacrificar em suas coisas. Levou uma vida austera e difícil, mas também brilhou com ardente piedade para com Deus, intimamente ligada pelo seu amor. Entre os seus compromissos e esforços contínuos encontrou também o tempo e a força para escrever obras literárias, a partir de suas experiências com Deus. Numa doença fatal que finalmente a atingiu em Alba, aquela que havia trabalhado tanto, a mãe magnânima morreu piedosamente em 04 de outubro de 1582, repetindo humildemente duas expressões: «No fim, morro como filha da Igreja» e «Meu Esposo, chegou a hora de nos vermos». Sua existência consumida na Espanha, mas despendida pela Igreja inteira. Beatificada pelo Papa Paulo V em 1614 e canonizada em 1622 por Gregório XV. Chega ao século XX com toda a sua autoridade no campo da mística, quando existem fermentos válidos no interior desta ciência, se trabalha numa proposta válida da teologia ascética e mística e torna-se preponderante o discurso sobre o problema místico com discussões bem animadas. No ano de 1962, um estudo do frei Tomás Álvares, é marcado o início de uma nova época no campo dos estudos teresianos. Encontrar-se-á outro veio característico: o estudo das fontes, com especial atenção à Bíblia e à Liturgia. 

“Louvem-Vos, Deus meu, todas as coisas, pois nos amastes de tal maneira que não faltaría­mos à verdade ao falar da comunicação que tendes com as almas ainda neste desterro! E mesmo com as que não são boas é grande vossa liberalidade e magnanimidade, porque, Senhor meu, dais como quem sois. Ó generosidade infinita, quão magníficas são Vossas obras!” 
(Vida 18,3) 

Notoriamente há cinqüenta anos, em 27 de setembro de 1970, a santa de Ávila é proclamada Doutora da Igreja e é confirmada a sua autoridade em matéria mística, pelo Papa Paulo VI na Carta Apostólica Multiformis Sapientia Dei. A grande e nobre virgem, de costumes simples e alheia à cultura literária, destacou-se tanto com palavras e escritos que estas palavras podem referir-se a ela: "ela abriu a boca no meio da Assembleia" (Sir 15, 5), e com razão foi proclamada santa pelos homens santos e também venerada como guia e mestre muito segura pelos doutores das ciências sagradas. “Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos, abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim, a Igreja na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações, tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita.” (DV 8). É posto em realce os valores dos místicos que são testemunhas carismáticas, para a Igreja, na experiência cristã desta insigne “Mestra de vida espiritual”, retomando o tema da experiência espiritual e, portanto, da mística teresiana. Dirá o apóstolo: “Ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta.” (2Ts 2,15) 


“O meu método de oração consistia em fazer tudo para ter presente dentro de mim Jesus Cristo nosso bem e Senhor. Se meditava uma cena de sua vida procurava representá-la na alma... Mesmo quando não conseguia representar-se a humanidade de Cristo sentia a sua presença.” (V 4,7). 

Dizemos, portanto, que a oração é o carisma de Santa Teresa na Igreja, o seu ensinamento específico. O Papa Paulo VI confirmou-o ao conferir-lhe o título de Doutora da Igreja e ao motivar a atualidade da sua mensagem com estas palavras: “Ornada por este título magistral (queremos que) ela tenha uma missão mais abalizada a realizar, na sua Família religiosa e na Igreja orante, e no mundo, com sua mensagem perene e presente: a mensagem da oração” (Paulo VI, Roma, 1970). A experiência viva de Cristo acha-se no centro da espiritualidade de Santa Teresa de Jesus. É ótimo que os estudiosos o tenham feito. Ao acentuar o cristocentrismo, encontra-se o fecho de abóbada de toda a espiritualidade teresiana; que é assim libertada de toda a suspeita de misticismo exotérico e toda tentativa de interpretação intimista. É claro que a oração permanece a mensagem central da Santa de Ávila, a sua especialidade carismática na Igreja; mas não se pode esquecer que a oração é uma procura de Cristo e um diálogo com Ele, para tornar-se imitação e para desabrochar, por dom gratuito de Deus, na experiência mística de “vida em Cristo”, em seu lógico desfecho no mistério trinitário. A oração, portanto, é toda relacionada a Cristo, à comunhão com Ele, à transformação n’Ele. O caminho da oração é um lento amadurecer da conformação a Cristo. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.” (Lc 9,24) “Quem me vê, viu o Pai”. (Jo 14,9) 

“Os que se aproximaram mais de nosso Senhor Jesus Cristo, sofreram também mais. Considerai os sofrimentos da sua santíssima Mãe, e dos seus Apóstolos... Felizes as existências que terminarão neste serviço da Igreja...” (7M 4,5; V 40,15) 


“Ide pelo mundo inteiro, e anunciai o Evangelho a toda criatura.” (Mc 16,15) Uma das lições fundamentais de Santa Teresa é o sentido da experiência mística na Igreja, a finalidade da oração, o seu valor para o apostolado e o sentido santificante da ação apostólica. A Santa não só propõe uma mística da oração, mas também e especialmente, uma mística do apostolado, ou melhor, procura que o sentido final da vida cristã convirja na oração e no apostolado. Essa tese acha-se presente em todos os seus escritos, a começar pelo livro da Vida e pelo Caminho de perfeição. Mas que a santa conseguiu expressar de modo denso e concreto no final do Castelo Interior, quando ela mesma vive imersa em Deus e vive dedicada ao serviço da Igreja. Pode dizer-se que em breves traços no último capítulo das sétimas moradas do Castelo Interior, Teresa nos ofereceu a síntese da sua doutrina (7M 4,4 e ss). Trata-se de uma lição atual que não só recorda a necessária unidade de vida em toda a espiritualidade cristã, sobretudo, o sentido da ação, e da caridade que transforma a pessoa e a lança rumo às obras do serviço do Senhor. “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo.” (Ad Gentes 2). Recolhamos o sentido profundo da mística cristã, mística da oração e da ação apostólica. 


É oportuno nos questionar, como exame pessoal, frente a este ano celebrativo: 

Santa Teresa é considerada mística e contemplativa na Igreja, com uma graça específica, testemunha a vida sobrenatural, o mistério de Deus revelado em Cristo. Sendo carmelita (ou mesmo, como cristão católico e batizado), como tenho me permitido formar pelos ensinamentos de Santa Teresa? O que preciso acrescentar neste caminho de formação? 

Santa Teresa ensina que a oração está toda relacionada a Cristo, à comunhão com Ele, à transformação n’Ele. O caminho da oração é um lento amadurecer da conformação a Cristo. Estou me permitindo transformar por Cristo através da oração? Quais são as mudanças que necessito para crescer na vida espiritual? 

Santa Teresa conseguiu expressar de modo denso e concreto no final do Castelo Interior, o quanto ela viveu imersa em Deus e dedicada ao serviço da Igreja. Como estou vivendo a mística cristã, através da oração e da ação apostólica? Minha oração tem dado frutos de santidade, pessoais e comunitários? 

Que esta solenidade, neste ano festivo dos 50 Anos do Doutorado de Santa Teresa de Jesus, possa trazer para a Igreja e para o Carmelo, as graças abundantes de vida mística e missionária para todos nós, como resposta Àquele que sabemos que nos ama (V 8,5). 


SANTA TERESA DE JESUS, DOUTORA DA IGREJA E NOSSA MÃE, 
ROGAI POR NÓS! 



Estela da Paz, OCDS. 
(Estela Maria Teresa de Jesus) 
Comissão de História. 
Comissão de Espiritualidade. 


Referências: 

. CARTA APOSTÓLICA MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS, SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM DE ÁVILA, É PROCLAMADA DOUTORA DA IGREJA. Papa Paulo VI, 1970. 
. CARTA DO PADRE GERAL – 28 de março de 2020. 
. CERVERA, OCD. Frei Jesus Catellano. 1996. Tradução de frei Antônio Perim, 2017. 
. MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO POR OCASIÃO DO QUINTO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE TERESA DE ÁVIL, Vaticano, 15 de Outubro de 2014. 
. PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL. Sala Paulo VI, 2 de Fevereiro de 2011- Santa Teresa de Ávila [de Jesus].
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