terça-feira, 19 de setembro de 2017

Comunidades e Grupos compartilham suas atividades nas redes sociais

Comunidade  São José - Sete Lagoas/MG
Formação com Psicóloga Jaqueline.
 Comunidade  São José - Sete Lagoas/MG
Formação com o tema: " O Verbo", ministrado pelo Frei Claudiano no
 Carmelo da Imaculada Conceição.
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus - Caratinga/MG
 Formação sobre São João da Cruz. Foi através do prezi São João da Cruz: o
 doutor mistico.
 A comunidade foi muito participativa já que estão estudando sobre nosso
 Santo Padre nos grupos em casa.
Grupo São José - Petrópolis/RJ
Reunião de formação com o tema: " Virtudes em Santa Teresa",
ministrado pela Isis. 
 Comunidade Beata Elisabeth da Trindade - Montes Claros/MG
Retiro Anual da Comunidade.
Formação com o tema: "
Virtudes Teologais em São João da Cruz"
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face - Camaragibe/PE
Retiro anual, com o Frei Aurílio.
Comunidade Nossa Senhora do Carmo – Tijuca/RJ
Celebrando 98 anos de fundação da comunidade.
Grupo Vinha do Senhor - Ribeirão Preto/SP
Reunião de formação. 
 
Comunidade São José de Santa Teresa - Fortaleza/CE
A Comunidade se reuniu para o estudo e formação da 
Carta do Padre Geral
à OCDS.
Comentário da Comunidade sobre a carta " Essa carta realmente é uma riqueza
 porque aborda a identidade e a missão do carmelita secular em todos os seus
 aspectos, tudo fundamentado nos documentos da Igreja, em passagens bíblicas,
 nos pensamentos dos santos carmelitas e nos documentos da Ordem!"
Grupo Santa Teresa de Jesus - Taguatinga/DF
Reunião de formação com o tema: "São João da Cruz",
 ministrado pelo Frei Claudiano.
 
Comunidade Maria, Mãe e Rainha do Carmelo – Jabaquara/SP


Comunidade Santa Teresinha - Sete Lagoas/MG
Reunião de formação com o tema:" Liturgia Eucarística"
A reunião também contou com a presença de quatro pessoas que
estão conhecendo a Ordem.
 Comunidade Flor do Carmelo de Sta Teresinha - Fortaleza/CE

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Retiro Anual com Admissões e Promessas na OCDS Camaragibe!

    De 15 a 17 de setembro a OCDS Camaragibe realizou o seu Retiro Anual, cuja condução foi do Frei Aurílio Matias (ocd). O Retiro teve por base a Identidade do Carmelita Secular. 
    Além de membros da Comunidade, também tivemos a presença de membros do Grupo de João Pessoa, Douglas, Sérgio e Diego, além de uma postulante à Ordem Sumaya. 
    A emoção, como é de costume, sempre que sentimos a presença do Nosso Senhor Jesus Cristo, tomou conta dos Admitidos e Professos: Tiago e Serafim; Sena e Nicole; e Mônica, foram os admitidos, professos e professa definitiva, respectivamente. Três irmãs do Carmelo da Camaragibe, Ir. Mariana, Ir. Violeta e Ir. Maria José, esta última, co-fundadora da Comunidade, representaram as monjas. 
    A Ordem dos Carmelitas Descalços estava representada pelo Frei, pelas Monjas e pelo Seculares.      Familiares também participaram da solenidade, cujos ritos conduzidos pelo Frei Aurílio Matias (ocd), ocorreram em momentos oportunos da Missa.

 Frei Aurílio Matias conduziu o Retiro



Nicole, Serafim, Mozeiner, Gustavo, Martha, 
Sumaya, Célia, Sena e Mônica


 Roberval, Tiago, Marciano, Douglas, Sérgio
Lourdinha, Diego e Fred ("fotógrafo")



Douglas, Sérgio e Diego do Grupo de João Pessoa,
participaram do Retiro Anual da OCDS Camaragibe



 Irmãs Violeta (esquerda), Maria José (centro) e
Mariana (direita), do Carmelo da Imaculada Conceição,
de Camaragibe, vieram prestigiar o Retiro, bem como
as Admissões e Promessas




Altar da Igreja Maria Mãe da Unidade, do Centro Mariápolis Santa Maria; 
Frei Aurílio "na expectativa" do início da Missa; e
Tiago e Serafim, Nicole e Sena, e Mônica



 Momento da aposição do Escapulário em
Tiago e Serafim, por ocasião de suas Admissões



Promessas de Sena e Nicole, e
Promessas Definitivas de Mônica





 
 
 
Muita alegria e emoção nos cumprimentos aos admitidos
e aos que realizaram promessas!!



Missão em Santa Catarina - Ordem Secular presente!


Que sementes tu plantas?

Com este tema aconteceu a VIII Jornada da Pastoral da Saúde de 12 a 14 de setembro na cidade de Seara, Santa Catarina.
Respondendo “sim” ao convite do padre Maurício Gris da Ordem dos Ministros dos Enfermos mais conhecida como Camiliano, o Carmelo Descalço Secular se fez presente nesta missão com a carmelita secular da comunidade Alegria da Sagrada Face de Itapetininga-SP, Marcia Andrade.



A missão Camiliana teve como objetivo visitar os doentes acamados, oferecer apoio espiritual e orientar para cuidar da saúde como presente de Deus a todos nós.
Além das visitas tivemos um dia na praça com aferição de pressão arterial, massagem, alongamento e conversa amiga com as pessoas que transitavam pela rua.
Na força da Eucaristia tivemos a missa com os doentes seguida de benção individual aos participantes, a missão encerrou-se com a Jornada da Pastoral da Saúde.



O tema: Que sementes tu plantas? , procurou conscientizar a população e os membros da pastoral da saúde para o cuidado com a alimentação e amor a si próprio e para com o outro que é irmão.
O espírito de Santa Teresa de Ávila arde nos corações e muito mais no nosso que somos Carmelitas, que nossos membros seculares possam sempre estar abertos ao chamado e com “ determinada determinação” seguirmos como “andarillos de Dios” para que o Senhor seja amado.
Estiveram na missão: padre Maurício Gris e seminarista Aécio - Ordem dos Ministros dos Enfermos.
Irmã Terezinha e irmã Eva - Filhas de São Camilo  
Marcia Andrade - Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares.

 
                                                 

















                

“ Vossa sou pra vós nasci, que mandais fazer de mim...”
Sta Teresa de Ávila



Marcia Andrade, OCDS.

domingo, 17 de setembro de 2017

17/09 - Santo Alberto de Jerusalém


"Um pai para o Carmelo"


São João de Acre, cabo norte do golfo de Haifa, 14 de setembro de 1214. O patriarca latino de Jerusalém, Alberto Avogrado, avançava em procissão, rodeado de cônegos do Santo Sepulcro e de outros clérigos, celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz, na qual participava toda a comunidade “franca”, ou seja, os cristãos latinos e outros cidadãos atraídos pelo acontecimento. De repente, uma pessoa da multidão atirou-se contra o patriarca, ferindo-o de morte. O homicida, que era o professor do hospital do Espírito Santo, quis vingar-se por ter sido destituído de sua função por motivos de imoralidade.

Assim morreu o patriarca Alberto, vítima de seu compromisso com uma igreja fiel ao Evangelho. Descendente dos Avogrado, de uma família de classe média, nascera uns 60 anos antes, por volta do ano 1150, provavelmente em Castel Gualtieri, na que hoje é província de Regio Emilia, naquele tempo território piemontês identificado com vários nomes: Lombardia, Itália… Sendo um jovem de 20 anos, depois de acabar os primeiros estudos de direito, optou pela vida religiosa: não por uma carreira eclesiástica cômoda, prometedora e remunerativa, mas pela austera vida comunitária dos Cônegos Regulares de Mortara, que se ocupavam da vida comunitária de pobreza e de oração litúrgica coral unida ao serviço pastoral. Tornou-se um intérprete autorizado se sua regra de vida, até ao ponto de obter a confiança de seus superiores e dos irmãos para converter-se em mestre de noviços e, posteriormente, prior, em 1180.

A fama de Alberto cresceu até ao ponto de, em 1184, ter sido eleito bispo de Bobbio, onde só permaneceu alguns meses, já que, no ano seguinte, foi destinado a presidir a igreja de Vercelli, onde permaneceu uns vinte anos. Este período foi rico em atividade pastoral e diplomática, aspectos fortemente unidos em sua vida. De fato, ele não só presidia a diocese, mas também representava o imperador, em cujo nome governava o condado de Vercelli. Sendo bispo acompanhou a igreja eusebiana na celebração de um sínodo diocesano (1191), no qual nasceram novos estatutos, fruto, ao menos em boa parte, da clarividência e da competência do próprio bispo. Esta antiga legislação, desafortunadamente desaparecida, esteve em vigor ao menos até o início do século XVII, sendo modelo de concreção e flexibilidade. Alberto teve outra preocupação, a formação do clero diocesano. Foi muito valorizado pelos papas, os quais enviaram-no como mediador para dirimir desavenças entre os bispos e os capítulos dos cônegos ou entre as dioceses vizinhas. Estes foram também anos de intensa atividade política: como bispo-conde manteve sempre boas relações com os imperadores Frederico I “Barbarocha” e seu filho Henrique IV, a quem acompanhou muitas vezes em suas viagens para Itália. Não foi fácil a relação com o município de Vercelli, cuja conhecida notoriedade ia crescendo. A sabedoria e a competência jurídica de Alberto também tornaram-se visíveis por ocasião da reforma dos estatutos dos capítulos dos Cônegos de Biella e Santa Ágata e Santa Maria Maggiore de Vercelli. O bispo também foi requerido para colaborar na revisão das constituições dos Humilhados, a nova ordem religiosa composta por leigos em continência e sacerdotes.


Todas estas atividades, junto com sua fama de homem espiritual, fizeram que os cônegos do capítulo do Santo Sepulcro sugerissem o seu nome ao papa para ser patriarca de Jerusalém. Inocêncio III (1198-1216) acolheu a proposta e, depois de vencer sua resistência como candidato, enviou-o como patriarca de Jerusalém e legado papal para a província da Terra Santa. Nos primeiros meses de 1206, Alberto permaneceu em São João de Acre, sede provisória do patriarcado, por estar impedida a entrada e a residência em Jerusalém, que estava em mãos dos sarracenos. Em seguida, ocupou-se em melhorar a situação da Igreja latina na Terra Santa. Como legado papal interviu no nomeamento de bispos e fomentou o diálogo com os sarracenos e entre os diversos grupos e autoridades cristãs.

Nessa ocasião, o reino latino de Jerusalém se limitava a pouco mais da costa do golfo de Haifa aos territórios libaneses e à ilha de Chipre. Depois da batalha de Hattin (1187) o domínio sarraceno fora restabelecido em quase toda a Terra Santa. Entre os territórios dominados pelos “francos” ficou o promotório do Carmelo. Justamente em sua vertente ocidental sul, no vale do Peregrino (la Wadi ‘ ain es Siah), nas ruínas da antiga capela bizantina, depois de 1189, estabeleceu-se um grupo de peregrinos latinos que se propuseram viver como eremitas em santa penitência.

Formavam uma de tantas comunidade nascidas durante aqueles anos na terra fecunda de uma sociedade em movimento e de uma Igreja em efervescência pelos interrogantes sobre a essencialidade, a simplicidade e a radicalidade de vida. A sociedade ocidental estava em profunda transformação: as antigas estruturas feudais, fechadas e baseadas numa agricultura de subsistência como mínimas mudanças sociais, iam dando espaço a novas aglomerações urbanas cujo centro vital era o mercado, o bispado, a administração municipal e inclusive a universidade. Novos grupos sociais compostos por mercadores, artesãos, profissionais, iam substituindo as antigas estratificações sociais dos cavaleiros e camponeses. Inclusive na própria Igreja, pululavam os movimentos de opção pela pobreza e os “evangélicos”, que eram pregadores populares que com frequência percorriam amplas regiões, alimentando a fome da Palavra de Deus; além desses, ainda havia os eremitas solitários e em grupo, que se estabeleciam em lugares desérticos, passando a ser um atrativo para muita gente. O desejo espiritual de uma vida cristã mais substancial e baseada no Evangelho mesclou-se com a explosão demográfica, o crescimento da riqueza e, como causa disto, as diferenças sociais, o aumento da cultura universitária, a mobilidade social e outros fatores, provocando uma imponente marcha à Terra Santa, o que levou às cruzadas. O desejo de trasladar-se àquela Terra para encontrar o Senhor, visitando os lugares de sua vida terrena, provocara efetivamente um movimento intenso no povo, que se transformou na peregrinação armada chamada cruzada.

Neste contexto nasceu a comunidade dos Irmãos Eremitas do Carmelo. Alberto lhes escreveu a Fórmula de Vida, autêntica coluna vertebral da vida carmelitana, que passou a ser a Regra Carmelita. Uma breve carta na qual se descrevia em poucas linhas seu propósito, ou seja, a vida e a fisionomia por as quais o grupo se decidira. Pretendiam ser uma fraternidade de eremitas obedientes ao prior, reunidos em torno de Jesus Cristo, em contínua e orante meditação de sua Palavra, alimentados pela Eucaristia, em silêncio, trabalho, pobreza, discernimento e diálogo fraterno.

Nela aparece, pela primeira vez, o DNA do grupo, ou seja, o carisma. Este era formado por dois elementos essenciais da vida cristã e religiosa, porém combinados de uma maneira original. Caridade, oração, centralidade de Cristo, serviço e algum outro elemento da vida espiritual, tudo isto articulado de maneira harmoniosa tal que proporcionava ao grupo e aos seus membros a graça de permanecerem em constante busca do rosto de Cristo, para serem transformados pelo Espírito e viverem em plena comunhão com o Pai e também com os irmãos. O ícone ideal da primeira comunidade de Jerusalém, como é descrito nos Atos dos Apóstolos ( 2,42-47; 4,32-35; 5, 12-16) constituía a firme referência estrutural dos primeiros Carmelitas. É difícil saber se a ideia foi sugerida por eles ou por Alberto, porém é certo que a composição da Fórmula de Vida e a articulação dos elementos são do patriarca.

Alberto, sem que saibamos de que modo, porém certamente em diálogo com os próprios irmãos, conseguiu harmonizar as diversas aspirações que aparecem na Fórmula de Vida. Antes de tudo, aparece o forte chamado a seguir Jesus justamente ali onde ele viveu, consumou seu sacrifício e ofereceu a vida por sua ressurreição: este era o ideal da peregrinação a Jerusalém, contido na tradição cristã. Tratava-se de um caminho de transformação contínua, que conduzia os eremitas a fazer a experiência de ressuscitar da morte, a passar da vida carnal à espiritual. Deste modo, os carmelitas se fizeram irmãos, capazes de construir uma comunidade na qual é possível encontrar o Senhor e estar dispostos para servir os irmãos e irmãs do povo de Deus. Tinham o desejo de seguir Jesus na pobreza apostólica, como sinal da essencialidade da vida e da radical dependência de Deus, próprio de muitos movimentos do tempo que optavam pela pobreza. Havia um chamado à solidão do deserto, mesmo que mitigado por elementos comunitários e cenobíticos, que expressava o desejo de buscar o Senhor como o absoluto, para permanecer na intimidade com Ele. Havia a exigência da luta espiritual expressa no convite a revestir-se da armadura espiritual (Ef 6,11-17): uma interessante releitura da mentalidade do momento imbuída dos ideais cavalheirescos e do espírito da cruzada. O desejo de contribuir com a reforma da Igreja se expressou na escolha por venerar a Maria, a Mãe do Senhor, a Senhora do Lugar, ou seja do próprio Carmelo e da Terra Santa, conquistada pelo sangue de seu Filho: a ela foi dedicada a capela construída no meio das celas dos irmãos. Esta devoção mariana inicial continha todos os elementos que se desenvolveram ao longo da multissecular história da Ordem. À semelhança da escolha do modelo ideal do profeta Elias, ao qual estava unido o lugar no qual se estabeleceram os eremitas – “junto à fonte”, chamada popularmente de Fonte Elias -, a devoção mariana passou a ser motivo de identificação e chamado à dimensão profética ou seja, ao anúncio livre e visível do quanto Deus quer para a história humana.

Alguns autores têm tentado definir a contribuição específica de Alberto e seu papel na fundação do Carmelo; porém são somente hipóteses baseadas em provas frequentemente frágeis e não sempre suficientemente verificadas. Se bem que seja plausível atribuir a Alberto a redação da carta que contém a Fórmula de Vida (isto nunca foi posto em dúvida pelas fontes), e, além disso, se possa atribuir a Alberto as citações bíblicas diretas ou indiretas (são tantas que alguém chegou a dizer que a Fórmula de Vida se apresenta como fruto de uma lectio divina), sem embargo não se pode afirmar com certeza que partes ou que conselhos são fruto exclusivo da mente e do coração do patriarca e quais do desejo dos próprios eremitas. De fato, estes já viviam no Carmelo e haviam dado uma forma inicial a seu propositum (Regra 3). Ainda assim, creio que se pode atribuir à experiência de Alberto, cônego da Santa Cruz de Mortara, ao menos a indicação de São Paulo como modelo (Regra 20): um dom específico do patriarca Alberto aos Carmelitas. A menção do apóstolo foi, de maneira mais ou menos consciente, de grande ajuda para os irmãos na hora de orientar-se para o apostolado explícito e direto, sem que por isso fosse desprezada a dimensão contemplativa carismática, originária e própria. Por outra parte, o mesmo Paulo foi também um místico (cfr. 2Cor 12,1-10) e um homem de profunda oração (Rom 16,25-27; 2Cor 2,1; Ef. 3,14-21). Da mesma maneira se pode manter que é uma herança de Alberto a forte dimensão eclesial que percorre o texto da Fórmula de Vida, a qual conservou em todo tempo o esforço dos Carmelitas a favor da vida eclesial e da evangelização.

Tudo isto permitiu à comunidade eremítica do Carmelo não encerrar-se em si mesma num narcisismo conservador da própria escolha e do próprio estilo de vida. Os irmãos se abriram ao mundo e à história, sem perder, por isso, as próprias origens, seu DNA. Instigados pelo aumento de membros da comunidade, pela pressão sarracena e pela insegurança do lugar, decidiram iniciar a migração para o Ocidente, do qual procediam os primeiros peregrinos penitentes. Desta maneira, além das fundações na Terra Santa e em Chipre, formaram-se Carmelos na Sicília e na Itália (Messina e, depois, Pisa), na Inglaterra (Aylesford, em Kent, e Hulne, em Northumberland), em Provenza (Les Aygalades e Valenciennes), e na Alemanha (Colônia).

A Fórmula de Vida de Santo Alberto continuou modelando a vida dos irmãos e passou a ser Regra reconhecida e aprovada, com alguns importantes acréscimos e modificações do papa Inocêncio IV (01 de outubro de 1247). A essencialidade, a flexibilidade e o dinamismo deste tesouro fizeram dele uma referência capaz de oferecer alimento e inspiração a muitos grupos de fiéis, religiosos e leigos, que constituem a Família Carmelitana.

A carta entregue por Alberto aos irmãos eremitas que viviam junto à fonte de Elias completa agora mais de 800 anos, porém não perdeu absolutamente seu frescor, e, como um fruto em tempos de mudança, conseguiu adaptar-se a situações sempre novas, abertas à esperança de Deus para os homens.

Por Pe. Giovanni Grosso, O.Carm.

Fonte: http://fradescarmelitas.org.br/santo-alberto-de-jerusalem-um-pai-para-o-carmelo/

*Texto enviado pela Comissão de Espiritualidade - OCDS

sábado, 16 de setembro de 2017

Papa: A vocação cristã é uma chamada de amor



 O êxodo, experiência fundamental da vocação
 Franciscus PP.
Amados irmãos e irmãs!
1. O ícone apresenta-nos o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, chama-as, alimenta-as e condu-las. Há mais de 50 anos que, neste domingo, vivemos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Este dia sempre nos lembra a importância de rezar para que o «dono da messe – como disse Jesus aos seus discípulos – mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). Jesus dá esta ordem no contexto dum envio missionário: além dos doze apóstolos, Ele chamou mais setenta e dois discípulos, enviando-os em missão dois a dois (cf. Lc 10,1-16). Com efeito, se a Igreja «é, por sua natureza, missionária» (Conc. Ecum. Vat. II., Decr. Ad gentes, 2), a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-Lhe a própria vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.
(Constituições OCDS, art. 25) A espiritualidade do Carmelo desperta no Secular o desejo de um compromisso apostólico maior, ao dar-se conta de tudo o que implica sua chamada à Ordem. Consciente da necessidade que tem o mundo do testemunho da presença de Deus[i], responde ao convite que a Igreja dirige a todas as associações de fiéis seguidores de Cristo, comprometendo-os com a sociedade humana por meio de uma participação ativa nas metas apostólicas de sua missão no horizonte do próprio carisma.

2. A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Por isso, neste 52º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de refletir precisamente sobre um «êxodo» muito particular que é a vocação ou, melhor, a nossa resposta à vocação que Deus nos dá. Quando ouvimos a palavra «êxodo», ao nosso pensamento acodem imediatamente os inícios da maravilhosa história de amor entre Deus e o povo dos seus filhos, uma história que passa através dos dias dramáticos da escravidão no Egito, a vocação de Moisés, a libertação e o caminho para a Terra Prometida. O segundo livro da Bíblia – o Êxodo – que narra esta história constitui uma parábola de toda a história da salvação e também da dinâmica fundamental da fé cristã. Na verdade, passar da escravidão do homem velho à vida nova em Cristo é a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé (Ef 4, 22-24). Esta passagem é um real e verdadeiro «êxodo», é o caminho da alma cristã e da Igreja inteira, a orientação decisiva da existência para o Pai.
(Constituições OCDS, Proêmio) Todos os homens são chamados a participar na caridade da única santidade de Deus: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

3. Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6).
(Constituições OCDS, art. 22). O caminho da oração cristã exige viver a abnegação evangélica (Lc 9,23) no cumprimento da própria vocação e missão, já que “oração e vida cômoda são incompatíveis”[ii]. O Secular assumirá a partir da perspectiva da fé, da esperança e do amor, os trabalhos e sofrimentos de cada dia, as preocupações familiares, a incerteza e as limitações da vida humana, a enfermidade, a incompreensão e tudo aquilo que constitui o tecido de nossa existência terrena.

4. A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã, particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do Evangelho. Consiste numa atitude sempre renovada de conversão e transformação, em permanecer sempre em caminho, em passar da morte à vida, como celebramos em toda a liturgia: é o dinamismo pascal. Fundamentalmente, desde a chamada de Abraão até à de Moisés, desde o caminho de Israel peregrino no deserto até à conversão pregada pelos profetas, até à viagem missionária de Jesus que culmina na sua morte e ressurreição, a vocação é sempre aquela ação de Deus que nos faz sair da nossa situação inicial, nos liberta de todas as formas de escravidão, nos arranca da rotina e da indiferença e nos projeta para a alegria da comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, responder à chamada de Deus é deixar que Ele nos faça sair da nossa falsa estabilidade para nos pormos a caminho rumo a Jesus Cristo, meta primeira e última da nossa vida e da nossa felicidade.
(Constituições OCDS, 10). Cristo é o centro da vida e da experiência cristãs. Os membros da Ordem Secular são chamados a viver as exigências de seu seguimento em comunhão com ele, aceitando seus ensinamentos e entregando-se a sua pessoa. Seguir Jesus é participar em sua missão salvífica de proclamar a Boa Nova e de instaurar o Reino de Deus (Mt 4,18-19). Há diversos modos de seguir Jesus: todos os cristãos devem segui-lo, fazer dEle a norma de sua vida e estar dispostos a cumprir três exigências fundamentais: colocar os vínculos familiares abaixo dos interesses do Reino e da pessoa de Jesus (Mt 10,37-39; Lc 14,25-26); viver o desapego das riquezas para demonstrar que a chegada do Reino não se apoia em meios humanos e sim na força de Deus e na disponibilidade da pessoa humana diante dEle (Lc 14,33); levar a cruz da aceitação da vontade de Deus manifestada na missão que Ele confia a cada um (Lc 14,27; 9,23).

5. Esta dinâmica do êxodo diz respeito não só à pessoa chamada, mas também à atividade missionária e evangelizadora da Igreja inteira. Esta é verdadeiramente fiel ao seu Mestre na medida em que é uma Igreja «em saída», não preocupada consigo mesma, com as suas próprias estruturas e conquistas, mas sim capaz de ir, de se mover, de encontrar os filhos de Deus na sua situação real e compadecer-se das suas feridas. Deus sai de Si mesmo numa dinâmica trinitária de amor, dá-Se conta da miséria do seu povo e intervém para o libertar (Ex 3, 7). A este modo de ser e de agir, é chamada também a Igreja: a Igreja que evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta os pobres e os necessitados.
(Constituições OCDS, Epílogo) Como Seculares, filhos e filhas de Teresa de Jesus e João da Cruz, estão chamados a “ser perante o mundo testemunhas da ressurreição e vida do Senhor Jesus e sinal do Deus vivo”[iii], mediante uma vida de oração, de um serviço evangelizador e por meio do testemunho de uma comunidade cristã e carmelitana. “Todos juntos e cada um, na medida de suas possibilidades, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (cf. Gal 5,22) e difundir nele o espírito pelo qual são animados os pobres, os mansos e os pacíficos, que o Senhor, no Evangelho, proclamou bem-aventurados (cf. Mt 5,3-9). Numa palavra, ‘o que a alma é no corpo, isto sejam no mundo os cristãos [carmelitas]’”[iv].

6. Amados irmãos e irmãs, este êxodo libertador rumo a Cristo e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa existência e a põe ao serviço da construção do Reino de Deus na terra. Por isso, a vocação cristã, radicada na contemplação do coração do Pai, impele simultaneamente para o compromisso solidário a favor da libertação dos irmãos, sobretudo dos mais pobres. O discípulo de Jesus tem o coração aberto ao seu horizonte sem fim, e a sua intimidade com o Senhor nunca é uma fuga da vida e do mundo, mas, pelo contrário, «reveste essencialmente a forma de comunhão missionária» (Exort. ap. Evangelii Gaudium, 23).
(Constituições OCDS, Epílogo) Eles são chamados a “dar testemunho de como a fé cristã [...] constitui a única resposta plenamente válida para os problemas e as expectativas que a vida põe a cada pessoa e a cada sociedade”[v].  Isto o realizarão como Seculares se, a partir de uma contemplação comprometida, conseguem testemunhar em sua vida familiar e social de cada dia “a unidade de uma vida que no Evangelho encontra inspiração e força para se realizar em plenitude”

7. Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida de alegria e significado. Gostaria de o dizer sobretudo aos mais jovens que, inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos, sabem ser disponíveis e generosos. Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo futuro e a incerteza que afeta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade. Ao invés, queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á cada dia mais rica e feliz.
(Constituições OCDS, art. 18). A oração, diálogo de amizade com Deus, deve nutrir-se de sua Palavra para que este diálogo possa se realizar, pois “a Deus falamos quando oramos, a Deus escutamos quando lemos suas palavras”[vi]. A Palavra de Deus alimentará a experiência contemplativa do Secular e sua missão no mundo. Além da contemplação pessoal, a escuta da Palavra deve favorecer uma contemplação que leve a compartilhar a experiência de Deus na comunidade da Ordem Secular

8. A Virgem Maria, modelo de toda a vocação, não teve medo de pronunciar o seu «fiat» à chamada do Senhor. Ela acompanha-nos e guia-nos. Com a generosa coragem da fé, Maria cantou a alegria de sair de Si mesma e confiar a Deus os seus planos de vida. A Ela nos dirigimos pedindo para estarmos plenamente disponíveis ao desígnio que Deus tem para cada um de nós; para crescer em nós o desejo de sair e caminhar, com solicitude, ao encontro dos outros (cf. Lc 1, 39). A Virgem Mãe nos proteja e interceda por todos nós.
(Constituições OCDS, art. 30) Maria é também ideal e inspiração para o Secular. Ela vive próxima às necessidades dos irmãos, preocupando-se com elas (Lc 1,39-45; Jo 2,1-12; At 1,14). Ela, “o ícone mais perfeito da liberdade e da libertação da humanidade e do cosmos”[vii], ajuda a compreender o sentido da missão. Ela, Mãe e Irmã, que nos precede na peregrinação da fé e no seguimento do Senhor Jesus, acompanha a cada um, para que a imitem em sua vida escondida em Cristo e comprometida com o serviço aos outros.



Mensagem do Papa Francisco para o 52º dia mundial de oração pelas vocações
ARQUIVO-OCDS
Vaticano, 29 de Março – Domingo de Ramos – de 2015.






[i] Cf. Apostolicam Actuositatem 4.10. Christifidelis Laici 16.17.25.28.29.
[ii] Santa Teresa de Jesus: Caminho de Perfeição 4,2.
[iii] Lumen Gentium 38.
[iv] Lumen Gentium 38.
[v] Christifidelis Laici 34.
[vi] Dei Verbum 25. Santa Teresa de Jesus: Caminho de Perfeição 21,4; Conceitos do Amor de Deus 1,6.11.
[vii] Redemptoris Mater 37.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O CARMELO ABRAÇANDO SUA ESSÊNCIA; CAMINHANDO PARA FRENTE




 Oração, sopro de vida
(Fr. Alzinir Francisco Debastiani ocd)


 Essência do Evangelho: Reino de Deus presente já presente em Jesus

“Cristo é o centro da vida e da experiência cristãs (Cl 1,15-29); Ef 2,20). Ele, Filho de Deus, encarna-se para revelar-nos o desígnio do Pai e para comunicar-nos uma vida nova (Jo 1,1-18), a verdade de Deus e a nossa, Deus que se comunica conosco, nós que somos filhos, chamados à união com Ele.” (Cap. Geral OCD 2003, Voltar ao essencial,  18) .

Essência da Igreja: Vivência e anúncio do Evangelho do Reino: dom de felicidade e de libertação para todos, especialmente os últimos da sociedade.

Essência de um  carisma da uma família Religiosa na Igreja: atualização de um aspecto do Evangelho do Reino para uma época;

“A consagração é, em última análise, uma expressão de fé num Deus pessoal, único e absoluto, a quem devemos obediência amorosa; a comunhão é um meio apoiado na caridade que nos leva a formar uma família reunida em nome do Senhor. A missão é  anúncio e testemunho do Evangelho com suas conseqüências e exigências sociais, é vocação de todo cristão. O consagrado quer, por sua vez, sublinhá-lo com um compromisso de esperança ativa ao dedicar-se completamente ao serviço dos demais” (Voltar ao essencial 32).

“O número 15 das nossas Constituições apresenta sinteticamente o essencial de nosso carisma e espiritualidade. Refletir sobre ele nos ajudará a retomar o que é realmente básico em nossa vocação e missão.

“Considerando as origens de nossa vocação e carisma teresiano, cabe enumerar aqui os elementos primordiais de nossa profissão:

a) Abraçamos a vida religiosa "em obséquio de Jesus Cristo” apoiando‑nos no comum destino, na imitação e no patrocínio da Santíssima Virgem, cuja forma de viver constitui para nós um modelo de configuração com Cristo.

b) Nossa vocação consiste numa graça que no impele, numa comunhão fraterna de vida, a uma "misteriosa união com Deus" pelo caminho da contemplação e da atividade apostólica que se fundem indissoluvelmente no serviço da lgreja.

c) Somos chamados à oração que, alimentada pela escuta da palavra de Deus e a liturgia, nos conduz ao trato de amizade com Deus, não só quando rezamos, mas também na vida. Comprometemo‑nos nesta vida de oração, que se nutre da fé, da esperança e, sobretudo, da caridade divina, a fim de podermos, purificados os corações, nos aprofundar em nossa vocação cristã em nos dispor a uma efusão mais copiosa dos dons do Espírito Santo. Assim participamos do carisma teresiano e continuamos a inspiração primitiva do Carmelo, envoltos pela presença e pelo mistério  do Deus vivo.

d) Pertence a mesma razão de ser do nosso carisma animar de zelo apostólico a oração e toda a vida consagrada, trabalhar de diversas maneiras a serviço da Igreja e dos homens, para que verdadeiramente “a ação apostólica proceda da íntima união com o Cristo”; mais ainda, aspirar também à sublime forma de apostolado que flui da plenitude do "estado de união com Deus”.

e) Pretendemos realizar ambos os serviços, o contemplativo e o apostólico, formando uma comunidade fraterna. Desse modo, fiéis à idéia primitiva de Santa Teresa de fundar uma pequena família à imagem e semelhança do pequeno “colégio de Cristo”, graças à nossa comunhão de vida baseada na caridade, tornamo‑nos testemunhas da unidade da Igreja.

Finalmente esforçamo-nos por edificar a nossa vida sobre o fundamento da abnegação evangélica, conforme a Regra e ensinamentos dos nossos santos Padres.

 Santa Teresa delineou também o estilo concreto de viver essas realidades do carisma e da espiritualidade. Ela “quis marcar sua Obra com uma forma e estilo peculiares de vida: fomentando as virtudes sociais e demais valores humanos, cultivando a alegria e a suavidade da vida fraterna num cordial ambiente de família, inculcando a dignidade da pessoa humana e a nobreza de alma, elogiando e promovendo a formação dos religiosos jovens, o estudo e o culto das letras", ordenando a mortificação e os exercícios ascéticos da comunidade para uma mais profunda vida teologal e acomodando estas práticas ao ministério apostólico, alentando a comunhão entre as diversas casas e a amizade evangélica entre as pessoas" (Constituições OCD, 10).”
(Voltar ao essencial, 58-59).

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O CARISMA DO CARMELO TERESIANO

(Solicitado para apresentar brevemente o Carisma do Carmelo teresiano, o  P. Geral,       P. Luis Aróstegui Gamboa, escreveu a seguinte síntese sobre o argumento. Publicamo-la com a esperança de que possa  interessar).
Na história do que se chama o Carmelo (do monte com este mesmo nome na Palestina) existe um decorrer ao longo do tempo e de personagens, que também podemos dizer, pertencem ao exterior. E existe um caminho teológico para o profundo e o evangélico, que está representado por Teresa de Jesus e São João da Cruz e outros personagens do Carmelo, como Teresa de Lisieux ou Edith Stein (e Jerônimo Gracián  ou outros, entre os não canonizados). A realidade espiritual vivida por estas pessoas na Igreja mostra que não há somente  um suceder-se ano depois de ano, de século pós século, de um carisma que, estabelecido de uma vez para sempre, se repete a si mesmo uniformemente, mas que eles fizeram um caminho rumo ao centro originário do cristianismo, “al más profundo centro”, “entremos más adentro en la espesura”, convertendo-se, sem  pretender, em critérios carismáticos, em fontes de inspiração.
Este Carmelo guarda sempre no coração  a recordação da solidão e do silêncio, mas sobretudo guarda a contemplação, aquele olhar amoroso e profundo para a realidade humana à luz de Deus ( em que consiste a profundidade). Mas este Carmelo é também itinerante, e vive em meio das pessoas, em vilas e cidades. O deserto converteu-se sobretudo em espiritual, a consciência partilhada do deserto teológico do mundo, a dor desta consciência convertida em oração.
Este deserto espiritual chama-se também “noche” na experiência do Carmelo que  caminhou rumo ao centro originário, daquele que propriamente interessa e era o buscado.
E aquelas solidões históricas da natureza foram descobertas  como transparência da beleza divina, como rastro e reminiscência, “mil gracias derramando pasó por estos sotos con presura” “De aquellos santos padres nuestros” venimos, que en tan gran soledad buscaban “este tesoro, esta preciosa margarita”, evocava Teresa de Jesus, enquanto que na  realidade seus carmelos os fundava no estilo de fraternidade e recreação, na simplicidade, o bom sentido, a alegria e a naturalidade; e aos irmãos, os queria esmeradamente formados e empregados fervorosamente no serviço das necessidades da Igreja. Certamente, tendo no  coração o deserto ou a “noche amable más que el alborada”, buscando a “preciosa margarita” da contemplação (que finalmente, para Teresa de Jesus, acha sua verdade no amor a Deus e ao  próximo, amor traduzido em obras).
O Carmelo de Teresa de Jesus (e de outras testemunhas autênticas posteriores) tem como  raiz de sua maneira espiritual de ser, para dizê-lo brevemente, no tu a tu vivo  confiante com Jesus. E é um Carmelo que existe  para a Igreja e para a humanidade.
Todos os anseios, esperanças e sofrimentos desta humanidade os abraça (contemplação) como seus, de forma ativa e comprometida, sem reservas.
Este Carmelo pode renascer sempre a partir de hoje, com toda verdade, porque não depende tanto do passado, mas do “más profundo centro” do humano e do evangélico.
Luís Aróstegui Gamboa, ocd, Prepósito Geral

[www.ocd.pcn.net      Publicado en “Comunicationes” Nº 44, 1 de Junho de 2005 ]
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