segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Liturgia - 01 de setembro - SANTA TERESA MARGARIDA REDI DO CORAÇÃO DE JESUS, Virgem






STA TERESA MARGARIDA REDI DO CORAÇÃO DE JESUS,
Virgem de nossa Ordem

Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória obrigatória na OCD ou
Liturgia das Horas: 1679-753


Oração das Horas: 1539-879

Leituras próprias: Ef 3,8-12.14-21 – Sl 33 – Jo 15,9-17
“Permanecei no meu amor.”
Em seu plano de amor, Jesus revela os preferidos de seu Pai: os pobres, os aprisionados, os cegos e os oprimidos .



Teresa Maragarida Redi do Sagrado Coração de Jesus, no século Anna Maria Redi, nasceu em Arezzo (Toscana – Itália) a 15 de julho de 1747. Freqüentou, como educanda, o mosteiro de Santa Apolônia de Florença até 1764. Decisiva para a sua vocação foi a inspiração atribuída a Santa Teresa de Ávila, graças à qual escolheu o Carmelo. Ingressou no convento carmelita de Florença em 1º de setembro de 1764, e tomou o hábito de carmelita descalça a 11 de março de 1765, com o nome de Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus.
A segunda grande inspiração de sua vida foi a passagem da Primeira Carta de João, "Deus é amor" (1Jo. 4,16), afirmação sobre a qual baseou sua vida.
Nas vésperas da festa de Nossa Senhora do Carmo de 1747, em Arezzo, na nobre família dos Redi, veio à luz Ana Maria, a segunda de um total de treze crianças. Em uma família profundamente cristã cresceu como um lírio branco: pediu repetidas vezes aos pais e tios que falassem para ela de Jesus e sempre perguntava sobre o que precisava ser feito para agradá-lo. Ela amava permanecer no seu quarto para rezar e admirar seus “santinhos”. Com nove anos, foi enviada a Florença com sua irmã Eleanor Catherine, para o Educandário de beneditino de Santa Apolônia. Recebeu a Primeira Comunhão no dia da Assunção de Nossa Senhora, em 1757. Fato significativo foi ter como seu maior confidente o próprio pai, Inácio Maria Redi, homem religioso e iluminado. Entre os dois iniciou-se uma relação intensa através de cartas que, infelizmente, foram quase totalmente perdidas, pois ambos se prometeram de dar fogo às letras. Ana Maria disse repetidamente que ela era imensamente agradecida ao seu pai, mais por aquilo que ele ensinou que por tê-la gerado.
De Margarida Maria Alacoque, nasceu-lhe uma grande devoção ao Sagrado Coração, um íntimo amor a Cristo. Aos dezessete anos, seguindo o exemplo da amiga Cecília Albergotti, sentiu a vocação para entrar no Carmelo, não obstante a dolorosíssimo processo de adeus à família. No dia 1º. de Setembro de 1764 foi aceita no Mosteiro de Maria dos Anjos, em Florença. Fez a profissão religiosa em 12 de março de 1766 e se tornou Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus.
Escrupulosa por querer viver em conformidade com a regra, amou a oração mental, até mesmo durante a noite. Um sorriso doce foi sempre impresso em seu rosto.
Com a amiga Cecília deu início a um santo desafio no amar o Cristo e assumiram o compromisso de, nos momentos de silêncio, confiarem-se cada falta, através de bilhetes. Pelo testemunho do seu pai e do diretor espiritual P. Idelfonso de S. Luís, conhecemos a sua escalada à santidade. Ainda jovem professa, sentiu um profundo desejo de conhecer a vida oculta de Jesus. Padre Ildefonso deu-lhe como tarefa a meditação de uma passagem da carta de S. Paulo aos Colossenses que diz: "Você está morto e vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Matar a sede de Deus através da imitação de Cristo tornou-se o objetivo da sua existência. Nasce assim aquela singular expressão: “Ó que bela escada, que escada preciosa e indispensável é o nosso bom Jesus!” Mestre, modelo e porta para entender e entrar no mistério divino. A sua contemplação era trinitária: O Espírito Santo é a fonte, Cristo o caminho para se alcançar o Pai. Sua contemplação foi a Santíssima Trindade: o Espírito Santo foi a fonte, e Cristo a caminho de alcançar o Pai.
No dia da profissão religiosa, por amor a Jesus, renunciou ao que mais amava: a relação epistolar com o pai. Isto custou-lhe muitíssimo, mas prometeram-se que daquele dia em diante, todas as noites, antes do repouso, encontrariam-se no Coração de Jesus. No domingo, 28 de junho de 1767, enquanto estava no coro para a Hora Terça, ouviu da leitura breve: “Deus charitas est et qui manet in charitate, in Deo manet” (Jo. 14,16). Um sentimento sobrenatural a invadiu e por diversos dias ficou numa crise positiva por isso. Doou o seu coração a Cristo, oferecendo-se para ser consumada por seu amor. Havia alcançado o último degrau da escada, transformando-se em Templo do Deus Vivo. Tudo o viveu na mais grande humildade, com o desejo porém de transmitir tal dom místico às irmãs. Pediu ao confessor a permissão de fazer a oferta de Alacoque: colocar a própria vontade nas chagas do lado do Cristo e entrar no seu Coração. Sentia-se, porém, pequena e a sua maior preocupação era a de amar bastante. O amor a Deus se concretizou na tarefa de auxiliar de enfermagem que exercitou com extraordinária abnegação, em particular em relação a uma irmã que, por problemas psíquicos, agia com violência. A sua caridade foi silenciosa e heróica. Além disso, naquele período as irmãs doentes e idosas eram muitas. A sua mesma comunidade transforma-se em instrumento de mortificação e assim, no último Capítulo da comunidade, irmã Teresa Margarida foi repreendida porque, pelo excessivo trabalho de enfermeira, parecia negligenciar a vida contemplativa. O total domínio de si, depois de um breve abatimento, a fez superar a repreensão com um pouco de bom humor.
De Santa Teresa Margarida possuímos poucos escritos: algumas cartas, vários bilhetes que gostava de dar às irmãs com pensamentos e máximas, os propósitos e para os retiros de 1768 e um outro breve propósito. Das cartas podemos apreender alguns momentos de desconforto: “encontrando-me assim, num estado de sumo desânimo, a todo momento cometo alguma falta”... “Faço tantos propósitos, mas nem sempre consigo praticá-los”. Por isso Teresa pedirá à priora que a trate com dureza.
A sua ardente devoção a fez alcançar uma altíssima experiência mística, testemunha do que a oração pode fazer em uma alma. Foi atenta por manter escondidas as suas virtudes e por humildade, com humor, desviava a curiosidade das irmãs, a ponto de ser considerada uma “espertinha”. Chegou, porém, a dizer ao diretor espiritual que deveria tornar público os seus defeitos. Mesmo não tendo muito conhecimento teológico, foi muito atenta à compreensão da Sagrada Escritura, entendida como dom do Espírito. Teve muito cara também a leitura das obras de Santa Madre Teresa e a sua exortação de dar lugar a Deus com o silêncio interior. Ardente foi o seu amor pela Eucaristia: “No ofertório, renovo a profissão: antes que se eleve o Santíssimo, oro a Nosso Senhor para que, assim como transforma o pão e o vinho no seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim digne-se de transformar-me toda em si mesmo. Ao ser elevado o adoro, e renovo ainda a minha profissão, e depois peço aquilo que desejo dele.” A seu pedido a comunidade celebrou pela primeira vez a festa do Sagrado Coração de Jesus, e empenhou-se em cada particular para que fosse solene. Nisto foi sustentada pelo pai e pelo tio, o jesuíta Diego Redi. Eram os anos nos quais nascia esta devoção, nem sempre bem acolhida por causa das influências jansenistas.
Uma peritonite fulminante, depois de 18 horas de atroz sofrimento, a fez encontrar com o seu Esposo Celeste, tão amado e desejado. Esquecida de si, poucas horas antes de morrer, continuava a preocupar-se das irmãs doentes. Morreu com menos de 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Seu corpo emanava um perfume suave e ainda hoje é conservado incorrupto no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença. No dia 19 de março de 1934, o Papa Pio XI a proclamou santa definindo-a “neve ardente”. A existência breve desta simples irmã, sem dotes particulares, é hoje exemplo à Igreja universal.



“O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado.”
São João da Cruz – D 113

Carta de Santa Teresa em 01

1571 – C 33 – Ao Senhor García de San Pedro, em Toledo – Felicita a uma religiosa pela sua tomada de véu. De como proceder a porteira nos conventos das Descalças.



Liturgia - SETEMBRO - 2009





LITURGIA DE SETEMBRO - 2009

“Assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.”
(Jo,3-14b.15)

“Se queres ser perfeito, vende a tua vontade, dá-a aos pobres de espírito e vem a Cristo pela mansidão e humildade e segue-o ao Calvário e ao sepulcro.”
São João da Cruz – D 175

“Ter verdadeira luz para guardar a lei de Deus com perfeição é todo o nosso bem; sobre isso se assenta devidamente a oração.”
Santa Teresa de Jesus – C 5,4

Intenção Geral: A Palavra de Deus mais conhecida
Para que a Palavra de Deus seja mais conhecida, acolhida e vivida como fonte de liberdade e alegria.

Intenção missionária do mês: Os cristãos no Laos, Camboja e Myanmar
Para que os cristãos no Laos, Camboja e Myanmar, que, com freqüência encontram grandes dificuldades, não desanimem de anunciar o Evangelho a seus irmãos, confiando na força do Espírito Santo.


DESTAQUES DO MÊS


01 – (3ª-feira) SANTA TERESA MARGARIDA REDI DO CORAÇÃO DE JESUS, Virgem
de nossa Ordem
08 – (3ª-feira) Natividade de Nossa Senhora
12 – (sábado)Bv. MARIA DE JESUS, Virgem de nossa Ordem
Santíssimo Nome de Maria
14 – (2ª-feira )Exaltação da Santa Cruz
15 – (3ª-feira0 Nossa Senhora das Dores
17 – (5ª-feira) SANTO ALBERTO DE JERUSALÉM, Bispo e Legislador de nossa Ordem
29 – (3ª-FEIRA0 Ss. Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos



domingo, 30 de agosto de 2009

Liturgia - 31 de agosto - 2a-FEIRA DA 22a. SEMANA DO TEMPO COMUM







2ª-FEIRA DA 22ª SEMANA DO TEMPO COMUM

Cor litúrgica: Verde

Ofício do dia de semana
Liturgia das Horas: 732
Oração das Horas: 865

Leituras: 1Ts 4, 13-18 – Sl 95(96) – Lc 4,16-30
“Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura.”
A leitura do texto é um programa de libertação de todas as formas de escravidão.

“Todo o poder e toda a liberdade do mundo, comparados com a soberania e a independência do espírito de Deus, são completa servidão, angústia e cativeiro.”
São João da Cruz


“Como sofre uma alma, valha-me Deus, por perder a liberdade de ser senhora de si mesma, e que tormentos padece! Hoje me admiro por ter podido viver com tanta aflição. Glória a Deus, que me deu vida para eu sair de uma morte tão mortal.”
Santa Teresa de Jesus – V 9,8


SANTO DO DIA


SÃO RAIMUNDO NONATO,
Presbítero



Ingressou, com 24 anos, na Ordem dos Mercedários, destinada ao resgate de cativos. Ofereceu-se voluntariamente para ficar escravo entre os mouros, a fim de permitir a libertação de um católico que estava periclitando na fé. Visava também exercer seu ministério entre os demais pobres cativos e, mais ainda, pregar a Religião católica aos próprios maometanos. Para impedi-lo de pregar, os mouros furaram-lhe os lábios com um ferro quente, e mantinham sua boca fechada com um cadeado. Passou oito meses prisioneiro, sofrendo atrozmente. Depois de libertado, foi nomeado cardeal, em reconhecimento pelos seus méritos. Faleceu com apenas 36 anos. Recebeu o nome de Nonato (do latim "non natus", isto é, não nascido) porque sua mãe morreu antes de dá-lo à luz e ele precisou ser extraído do corpo já inerte da mãe. É por isso invocado como padroeiro das parturientes e das parteiras.




Liturgia - 30 de agosto - Bv. Pe. EUSTÁQUIO



Beato Eustáquio van Lieshout SSCC
Um taumaturgo do século XX
Author: Pe. Pedro Paulo de Figueiredo, EP

Dotado dos carismas do conselho e da cura, pastor de almas e modelo de pároco, Padre Eustáquio suportou com humildade e fortaleza as muitas incompreensões que sofreu.
Pe. Pedro Paulo de Figueiredo, EPConselheiro Geral

"Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé. Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão por ela e curou seus doentes" (Mt 14, 13-14).Os últimos anos da vida do Beato Eustáquio van Lieshout no Brasil tiveram muita semelhança com essas cenas descritas no Evangelho: multidões que acorriam para lhe pedir ajuda espiritual ou cura de enfermidades, sendo todos atendidos com carinho de pai. E quando as autoridades eclesiásticas ou seus superiores, temerosos com as repercussões daquele movimento, mandavam-no para outros lugares, logo o povo descobria e acorria atrás de seu "santo".

Padre Eustáquio desembarca no Rio de Janeiro

Nascido na Holanda em 3 de novembro de 1890 e ordenado sacerdote em 1919, o Beato Eustáquio desembarcou no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1925. Seu destino: o povoado de Água Suja, no Triângulo Mineiro. Situado às margens do Rio Bagagem, aquele local sofria dos males comuns às regiões de mineração muito afastadas, sendo marcado por enormes necessidades espirituais e materiais. O farol que iluminava a vida dura dos mineiros era o antigo santuário de Nossa Senhora da Abadia, onde se fixou o padre vindo da Europa.Nos seus dez anos em Água Suja - cujo nome foi mudado para Romaria - ele iniciou a edificação do Santuário de Nossa Senhora da Abadia, que se tornou um grande centro de peregrinação.
Pai dos pobres e dos enfermos

Em Romaria, como nas cidades onde atuou depois, dedicou-se com extremo desvelo aos pobres e aos enfermos. Nas suas visitas às casas de seus paroquianos, servia até mesmo de médico e enfermeiro dos doentes.Certo dia, numa choupana de Romaria, encontrou um menino cujo corpo era todo uma só chaga. Nem a mãe da criança tinha coragem de cuidar do pobrezinho. O Padre Eustáquio assumiu pessoalmente essa incumbência: dava-lhe banho todos os dias, lavava suas roupas, tirava com uma pinça os vermes que lhe corroíam a carne, da qual se exalava um insuportável mau cheiro, e aplicava as pomadas que ele próprio havia preparado. Em pouco mais de um mês, o menino estava curado.Noutra ocasião, quando o pároco almoçava em companhia de seus auxiliares no modesto refeitório da casa paroquial, a campainha tocou, e um deles foi atender. Voltou pouco depois e sentou-se sem nada dizer.- O que houve? - pergunta o Beato Eustáquio.- Nada... nada de urgente. Estão querendo falar com o senhor... mandei esperar na sala de visitas.- Não! Mandar esperar, nunca! O pároco é o escravo de seus paroquianos. Dizendo isto, deixou na mesa a refeição inacabada e foi atender os visitantes.Assim comportou-se o Padre Eustáquio durante seus 24 anos de sacerdócio. Com uma diferença: ele era o escravo de todos os necessitados, e não apenas de seus paroquianos.
O carisma da cura

Em Romaria, o Padre Eustáquio já fez algumas curas consideradas milagrosas. Mas foi em Poá (SP), para onde foi transferido, tomando posse como pároco em fevereiro de 1935, que esse dom começou a brilhar com maior intensidade, e sua fama de santidade começou a se espalhar irresistivelmente pelo Brasil inteiro.Um dos maiores benefícios que o Padre Eustáquio fez à população daquela região foi vencer o indiferentismo religioso e resgatar numerosas almas que estavam se emaranhando nas teias da seita espírita. Multidões cada vez maiores procuravam assiduamente o homem de Deus para pedir o alívio de seus sofrimentos espirituais e físicos. A afluência de povo era tão grande que chegaram a passar por Poá cerca de dez mil pessoas por dia.A autoridade civil e a religiosa se inquietaram com isso. Por intervenção do Arcebispo de São Paulo - arquidiocese à qual pertencia então Poá - os superiores do Padre Eustáquio se viram obrigados a transferi-lo.Nosso beato ficou chocado com a notícia. Não conseguia entender como poderia ser impedido de exercer um carisma que claramente Deus lhe havia concedido para o bem do povo. Mas, como pessoa virtuosa que era, obedeceu sem pestanejar.
Sentindo-se um indesejado

Com ar de muito abatimento, deixou sua querida Poá no dia 13 de maio de 1941 sem nem sequer despedir- se das pessoas mais chegadas. Teve de viver algum tempo oculto na cidade de São Paulo, numa situação humilhante, sob a vigilância de seus superiores, sendo até mesmo proibido de visitar seus amigos. Desde a saída de Poá, a vida do Beato Eustáquio foi como a de um migrante. Onde quer que estivesse havia pessoas que o procuravam para lhe pedir ajuda, consolo e cura. Logo as multidões se lhe punham ao encalço, e isso causava desagrados e incompreensões. Quase invariavelmente, pouco depois era convidado a se retirar do local. É verdade que também recebeu mostras de carinho, como do Arcebispo de Campinas. Mas a par disso houve cenas constrangedoras, como quando foi obrigado a se retirar sem demora do Rio de Janeiro, ocasião em que nem lhe queriam dar tempo de rezar o breviário.
De volta a Minas Gerais

Chamado pelo jovem superior da comunidade da Congregação, em Patrocínio, Padre Eustáquio pôde finalmente encontrar sossego. Havendo chegado à cidade em outubro de 1941, ele sentiu-se de fato aliviado, pois seus companheiros de hábito, além de não lhe colocarem obstáculos, ainda o ajudaram nos seus labores apostólicos. Ali ele recebeu a comunicação de que o Arcebispo de Belo Horizonte queria sua presença em sua arquidiocese. Na capital de Minas, onde chegou em 3 de abril de 1942, Padre Eustáquio assumiu a paróquia dos Sagrados Corações, na qual permanecerá até 30 de agosto de 1943, dia de sua morte. Após um início com algumas restrições, que fizeram temer a volta das sanções já aplicadas em outros lugares, o Beato pôde exercer com toda a liberdade os carismas da cura e do conselho, cumprindo a vocação para a qual o Senhor o destinara.

Acima de tudo, pastor de almas

Esse sacerdote exemplar, que sempre procurava remediar os males corporais, nunca se esquecia de que sua principal missão era salvar almas. E nesse apostolado "chegou a resultados que fazem lembrar os tempos da Igreja primitiva", escreve seu biógrafo, o Pe. Venâncio SSCC. Repercutiram sensacionalmente na imprensa os milagres atribuídos ao Padre Eustáquio e há documentos de várias curas para as quais a ciência não tem explicação. Mas ele operou "milagres" muito mais importantes, e numa quantidade que de fato "fazem lembrar os tempos da Igreja primitiva": a conversão de milhares de pecadores. Passava seis horas por dia atendendo confissões. Não tinha dotes oratórios, mas possuía em alto grau o dom da palavra ardente que move ao arrependimento e à mudança de vida. Na paróquia de Poá, muitas vezes três coadjutores eram insuficientes para atender os penitentes que faziam fila diante dos confessionários após ouvir uma recomendação desse homem de Deus. Durante um tríduo de pregações na maior igreja de Belo Horizonte, nos três dias verificou-se um fato inédito: terminado o sermão, centenas de homens de todas as classes e idades corriam ao confessionário, disputando o privilégio de serem os primeiros a se reconciliarem com Deus. Movimentação ainda maior ocorreu na páscoa dos funcionários públicos: mais de cinco mil pessoas obrigaram doze sacerdotes a socorrerem-no no atendimento de confissões. Donde lhe vinha esse poder de arrastar os pecadores à conversão? Do esplendor de sua santidade...
Vida interior exemplar

O Beato Eustáquio sabia que a alma de todo apostolado é a vida interior. Por isso, mesmo quando passava a noite em claro, começava o dia às cinco da manhã, para não se privar da hora de meditação quotidiana. Rezava o Rosário. Passava horas em adoração diante de Jesus Eucarístico. Nunca se dispensava de fazer seu exame de consciência nem de rezar o breviário.Em certa ocasião, após um dia estafante, era noite alta e ele tinha de partir de viagem imediatamente. Vendo seu enorme cansaço, disse-lhe um bispo:- Pe. Eustáquio, eu o dispenso de rezar o breviário hoje.- Não posso, Excelência. O dia inteiro trabalhei para os outros, agora preciso pensar um pouco em mim mesmo. Para esse religioso exemplar, a oração não era uma obrigação enfadonha, mas sim o alimento restaurador das energias. Fortalecido por ela, pôde ele realizar o empolgante lema de sua Congregação dos Sagrados Corações: "Para mim o trabalho, para o próximo a utilidade, para os Sagrados Corações a honra e a glória".

Morte serena em meio a lancinantes dores

No dia 20 de agosto de 1943, atendendo a um doente que sofria de tifo exantemático, o Pe. Eustáquio contraiu essa grave enfermidade, então incurável. Em dez dias partiria para a eternidade. Prostrado no leito do hospital, caminhando para a morte - que aliás ele mesmo profetizara - permaneceu sempre sereno em meio a sofrimentos atrozes, de tal modo que seus últimos dias foram dos mais edificantes de sua vida.Várias vezes foi visto rezando a oração que ele mesmo costumava ensinar aos outros:"Ó meu Jesus, eu Vos amo. Eu Vos amo com a vossa Cruz, com o vosso sofrimento, com o vosso amor imenso. Ó Jesus, pelo sangue que derramastes e pelas lágrimas de vossa Mãe Santíssima, dai vista aos cegos, andar aos paralíticos, saúde aos enfermos, paz a todos os que sofrem e padecem. Meu Jesus, vossos passos quero seguir, vossas palavras falar, vossos pensamentos pensar, vossa cruz carregar, vosso Corpo comer, vosso Sangue beber, o pecado detestar e o Céu alcançar." Nos seus derradeiros momentos, renovou os votos religiosos, e só deu o último suspiro depois de ver entrar em seu quarto, chorando e cansado por uma longa e estafante viagem, seu superior provincial, com quem queria estar de qualquer modo antes de morrer. Era 30 de agosto de 1943.

E Deus o glorificou

Suas exéquias foram uma apoteose nunca antes vista na capital mineira. Todos os jornais e emissoras de rádio lhe dedicaram grande espaço, comentando seus dons e transcrevendo sua biografia. Pode-se dizer que a quase totalidade da população compareceu para prestar-lhe as últimas homenagens. Sua tumba tornou-se desde logo local de peregrinação. Em 1949, seus restos mortais foram transladados para o interior da igreja que começara a construir.Infinitamente mais importante, porém, é a glória com que foi recebido no Céu, à qual a Santa Igreja acrescenta a glorificação dos altares, ao beatificá-lo no dia 15 deste mês. Assim o apresenta como modelo para os fiéis do mundo inteiro, especialmente os párocos e os religiosos.A cerimônia de beatificação será presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, Presidente da Congregação para as Causas dos Santos, concelebrada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória, e numerosos outros bispos e sacerdotes, e contará certamente com a assistência de muitos milhares de fiéis. *
* *Quem se interessar em conhecer com mais detalhes a biografia do Beato Eustáquio encontrará na Internet, no endereço www.padreeustaquio.com/historia.asp, o texto do livro de autoria de José Vicente Andrade.




sábado, 29 de agosto de 2009

Liturgia - 30 de agosto - 22o. DOMINGO DO TEMPO COMUM






22º. DOMINGO DO TEMPO COMUM

Cor litúrgica: Verde

Ofício dominical comum
II Semana do Saltério
Liturgia das Horas: 713-163
Oração das Horas: 853-711

Leituras: Dt 4,1-21.6-8 – Sl 14(15) – Tg 1,17-18.21b-22.37 – Mc 7,1-8.14-15.21-23
“É do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos.”
Quem nunca arrisca fazer coisas novas na vida, na comunidade, certamente nunca vai errar, mas também nada vai construir.

“Não julgues que por não resplandecerem em alguém as virtudes que pensas, não seja ele precioso diante de Deus pelo que não pensas.”
São João da Cruz – D 60

“Entre outras coisas, Sua Majestade me concedeu a graça de, depois que comecei a comungar, jamais deixer de confessar qualquer coisa que eu considerasse pecado, mesmo venial.”
Santa Teresa de Jesus – V 5, 10



SANTO DO DIA



Bv. Joana Jugan,
Religiosa e Fundadora



Joana nasceu numa aldeia de Cancale, França, em 25 de outubro de 1792. Seu pai era um pescador e morreu no mar quando ela tinha quatro anos. Logo conheceu a pobreza e começou a trabalhar como empregada num castelo. Sustentava a família enquanto ajudava os idosos abandonados e pobres. Joana era sensível à miséria dos idosos que encontrava nas ruas, dividindo com eles seu salário, o pão e o tempo de que dispunha.Aos dezoito anos de idade, recusou uma proposta matrimonial de um jovem marinheiro, sinalizando: "Deus me quer para ele". Aos vinte e cinco anos, deixou sua cidade para ser enfermeira no hospital Santo Estêvão. Nesse meio tempo, ingressou na Ordem Terceira fundada por são João Eudes.Deixou o hospital em 1823 e foi residir e acompanhar a senhorita Lecoq, mais como amiga do que enfermeira, com quem ficou por doze anos. Com a morte da senhorita Lecoq, herdou suas poucas economias e a mobília. Assim, sozinha, associou-se à amiga Francisca Aubert e alugaram um apartamento, em 1839. Lá acolheu a primeira idosa, pobre, doente, sozinha, cega e paralítica. Depois dessa, seguiram-se muitas mais. Outras companheiras de Joana uniram-se a ela na missão e surgiu o primeiro grupo, formando uma associação para os pobres, sob a condução do vigário do hospital Santo Estêvão.Em 1841, deixam o apartamento e alugam uma pequena casa que lhes permite acolher doze idosos doentes e abandonados. Sozinha, Joana inicia sua campanha junto à população para recolher auxílios, tarefa que cumprirá até a morte. Mas logo sensibiliza uma rica comerciante e com essa ajuda consegue comprar um antigo convento. Ele se tornou a Casa-mãe da nascente Congregação das Irmãzinhas dos Pobres, sob a assistência da Ordem Hospedeira de São João de Deus, hábito que depois recebeu, tomando o nome de Joana Maria da Cruz. Adotando o voto de hospitalidade, imprimiu seu próprio carisma: "A doação como apostolado de caridade para com quem sofre por causa da idade, da pobreza, da solidão e outras dificuldades". Assim foi o humilde começo da Congregação, que rapidamente se estendeu por vários países da Europa. Quando Joana morreu na França, em 29 de agosto de 1879, na Casa-mãe de Pern, as irmãzinhas eram quase duas mil e quinhentas, com cento e setenta e sete casas em dez países.Em setembro de 1885, estabeleceram-se na América do Sul, fundando a primeira Casa na cidade de Valparaíso, no Chile, a qual logo foi destruída por um terremoto e reconstruída em Viña del Mar. Atualizando-se às necessidades temporais, hoje são quase duzentas casas em trinta e um países na Europa, América, África, Ásia e Oceania. Atualmente as irmãzinhas encontram-se presentes em mais de 30 nações, nos cinco continentes, e são cerca de 5 mil religiosas no mundo inteiro. Uma obra fruto da visão da fundadora, Joana Jugan, madre Joana Maria da Cruz, que "soube intuir as necessidades mais profundas dos anciãos e entregou sua vida a seu serviço", para ser festejada no dia de sua morte, como disse o papa João Paulo II quando a beatificou em 1982.




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Liturgia - 29 de agosto - MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA





MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA

Cor litúrgica: Vermelho

Ofício próprio da memória
Laudes: Liturgia das Horas: 1239-695
Oração das Horas: 1349-843
I Vésperas: Liturgia das Horas: 709-703-158
Oração das Horas: 848-710

Leituras próprias: Jr 1,17-19 – Sl 70(71) – Mc 6,17-29
“João Batista, primo e precursor do Messias, é assassinado.”
Muitos profetas incomodam porque não são coniventes com situações de morte e escravidão.


Memória da Paixão de São João Batista, o Precursor, que mostrou a Cristo a seus discípulos como sendo o Cordeiro de Deus, e se apagou humildemente diante d’Ele. Rendeu o supremo testemunho à Verdade ao defender a divina instituição do casamento.



João era primo de Jesus e foi quem melhor soube levar ao povo a palavra do Mestre. Jesus dedicou-lhe uma grande simpatia e respeito, como está escrito no evangelho de são Lucas: "Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher, nenhum foi maior que João Batista". João Batista foi o precursor do Messias. Foi ele que batizou Jesus no rio Jordão e preparou-lhe o caminho para a pregação entre o povo. Não teve medo e denunciou o adultério do rei Herodes Antipas, que vivia na imoralidade com sua cunhada Herodíades. A ousadia do profeta despertou a ira do rei, que imediatamente mandou prendê-lo. João Batista permaneceu na prisão de Maqueronte, na margem oriental do mar Morto, por três meses. Até que, durante uma festa no palácio daquela cidade, a filha de Herodíades, Salomé, instigada pela ardilosa e perversa mãe, dançou para o rei e seus convidados. A bela moça era uma exímia dançarina e tinha a exuberância da juventude, o que proporcionou a todos um estonteante espetáculo. No final, ainda entusiasmado, o rei Herodes disse que ela poderia pedir o que quisesse como pagamento, porque nada lhe seria negado. Por conselho da mãe, ela pediu a cabeça de João Batista numa bandeja. Assim, a palavra do rei foi mantida. Algum tempo depois, o carrasco trazia a cabeça do profeta em um prato, entregando-a para Salomé e para sua maldosa mãe. O martírio por decapitação de são João Batista, que nos chegou narrado através do evangelho de são Marcos, ocorreu no dia 29 de agosto, um ano antes da Paixão de Jesus. Ainda segundo o evangelista Marcos, João Batista, antes de ser decapitado, exultou em voz alta: "Agora a minha felicidade será completa; ele deve crescer, eu, ao contrário, diminuirei". Encerrou, com o martírio, a sua missão de profeta precursor do Messias.


“Quando alguns se juntam a conferir uma verdade, Deus está presente no meio deles para esclarecê-la e confirmá-la em seus espíritos, por meio da razão natural.”
São João da Cruz – 2S22,11

O que deve ter passado São Paulo, Santa Madalena e outros, cujo anseio de amor de Deus era tão intenso? Viver deve ter sido para eles um contínuo martírio.”
Santa Teresa de Jesus – V 21,7



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Liturgia - 28 de agosto - SANTO AGOSTINHO





SANTO AGOSTINHO,
Bispo e Doutor

Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1236-1645-675
Oração das Horas: 1345-1525-829

Leituras: 1Ts 4,1-8 – Sl 96(97) – MT 25,1-13
“Vós deveis vigiar, pois não sabeis o dia nem a hora.”
Preparar-se para a vinda de Jesus, que pode acontecer no momento menos esperado.

Aurélio Agostinho (do latim, Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona, São Agostinho ou Santo Agostinho (Tagaste, 13 de Novembro de 354 — Hipona, 28 de Agosto de 430) foi um bispo católico, teólogo e filósofo, considerado pelos católicos santo e Doutor da Igreja.

Vida

Agostinho cresceu no norte da África colonizado por Roma, educado em Cartago. Foi professor de retórica em Milão em 383. Seguiu o Maniqueísmo nos seus dias de estudante e se converteu ao cristianismo pela pregação de Ambrósio de Milão. Foi batizado na Páscoa de 387 e retornou ao norte da África, estabelecendo em Tagaste uma fundação monástica junto com alguns amigos. Em 391 foi ordenado sacerdote em Hipona. Tornou-se um pregador famoso (há mais de 350 sermões dele preservados, e crê-se que são autênticos) e notado pelo seu combate à heresia do Maniqueísmo. Defendeu também o uso de força contra os Donatistas, perguntando "Por que (...) a Igreja não deveria usar de força para compelir seus filhos perdidos a retornar, se os filhos perdidos compelem outros à sua própria destruição?" (A Correção dos Donatistas, 22-24). Em 396 foi nomeado bispo assistente de Hipona (com o direito de sucessão em caso de morte do bispo corrente), e permaneceu como bispo de Hipona até sua morte em 430. Deixou seu mosteiro, mas manteve vida monástica em sua residência episcopal. Deixou a Regula para seu mosteiro que o levou a ser designado o "santo Patrono do Clero Regular", que é uma paróquia de clérigos que vivem sob uma regra monástica. Agostinho morreu em 430, durante o cerco de Hipona pelos Vândalos. Diz-se que ele encorajou seus cidadãos a resistirem aos ataques, principalmente porque os Vândalos haviam aderido ao arianismo, que Agostinho considerava uma heresia.

Agostinho e os Judeus

Agostinho escreveu, no Livro 18, Capítulo 46, da Cidade de Deus, "Os Judeus que O assassinaram, e não criam nele, porque coube a Ele morrer e viver novamente, foram ainda mais miseravelmente assolados pelos romanos, e completamente expulsos do seu reino, onde estrangeiros já os tinham dominado , e foram dispersos pelas terras (tanto que não há lugar onde eles não estejam), e são assim, pelas suas próprias Escrituras, um testemunho para nós de que não forjamos as profecias a respeito de Cristo." Escreveu também uma das principais obras que apóia a crença na Trindade. Agostinho considerou a dispersão importante, porque ele acreditava que isto era um cumprimento de certas profecias, provando assim que Jesus era o Messias. Isto deve-se ao fato de Agostinho crer que os judeus, que foram dispersados, eram inimigos da Igreja Cristã. Ele também cita parte da mesma profecia, que diz "Não os mates, para que o meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder". Algumas pessoas usaram as palavras de Agostinho para atacar os judeus, enquanto outros as usaram para atacar cristãos - cristianismo e anti-semitismo.

Influência como teólogo e pensador

Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o batismo do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual européia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Schopenhauer e Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho). É largamente, devido à influência de Agostinho, que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original e a Igreja Católica sustenta que batismo e ordenações feitos fora dela podem ser válidos (a Igreja Católica Romana reconhece ordenações feitas na Igreja Ortodoxa Oriental e Ocidental, mas não nas igrejas protestantes, e reconhece batismos de quase todas as igrejas cristãs). Os teólogos católicos, geralmente, concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no "presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado. O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo, portanto, mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação das escrituras deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, como o que chamaríamos hoje de um "texto alegórico", iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados. Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento grego e cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Jansen. O Calvinismo desenvolveu-se como parte da teologia da Reforma, enquanto que o Jansenismo foi um movimento dentro da Igreja Católica; alguns Jansenistas entraram em divisão e formaram a sua própria igreja. Agostinho foi canonizado por reconhecimento popular e reconhecido como um doutor da Igreja. O seu dia é 28 de Agosto, o dia no qual ele supostamente morreu. Ele é considerado o santo padroeiro dos cervejeiros, impressores, teólogos e de um grande número de cidades e dioceses.

Escritos

Da Doutrina Cristã, 397-426

Confissões, 397-398

A Cidade de Deus, iniciado c. de 413, terminado 426.

Da Trindade, 400-416

Enquirídio

Retratações De Magistro

Conhecendo a si mesmo


"Ó beleza sempre antiga e sempre nova. Tarde te amei".


"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.”

Além da sua notável literatura, escreveu também uma "Regra" para os seus companheiros de ideal. Em diversas partes do mundo, obedecendo a esta Regra, congregaram-se homens e mulheres, formando um grande número de Ordens e Congregações Religiosas, que têm o seu nome. As principais são:
AGOSTINIANOS ASSUNCIONISTAS; ORDEM DOS AGOSTINIANOS RECOLETOS; ORDEM DE SANTO AGOSTINHO; ORDEM DOS AGOSTINIANOS DESCALÇOS.

É certo, todavia, quando todo o bem do homem procede de Deus, e ele nenhuma coisa boa pode fazer de si mesmo, podemos verdadeiramente dizer que nosso despertar é despertar de Deus, e nosso levantar é levantar de Deus.”
São João da Cruz – Ch 4,9

Carta de Santa Teresa de Jesus em 28

1575 – C 85 – À Madre Maria Bautista, Priora em Valladolid – Chegam das Índias os irmãos da Santa. Virtude de D. Lorenzo de Cepeda. Assuntos do Convento de Medina e de algumas Descalças. “Desgosta-me que lhe pareça não haver quem olhe pelas coisas tão bem como vossa reverência.” Apreço em que tem o Padre Gracián. Sobre o Caminho da Perfeição. Conselhos espirituais em uns caderninhos




quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Liturgia - 27 de agosto - SANTA MÔNICA





SANTA MÔNICA

Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1731-656-1233
Oração das Horas: 1562-815-1344

Leituras: 1Ts 3,7-13 – Sl 89(90) – Mt 24,42-51
“Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”
Vigiar é atitude cristã de quem vive a vida em profundidade.



Santa Mônica nasceu em Tagaste no ano 331. Sua família era de classe média. O ambiente familiar em que Mônica nasceu e se criou era de fortes convicções cristãs. Em Mônica descobrimos um caráter decidido. Sempre a veremos pronta a enfrentar as situações mais diversas e a responder de forma moderada e definitiva. Será, sempre, mulher de uma só palavra. Enquanto a formação intelectual, Mônica não passou ensino primário. Em Roma capital, as mulheres podiam ascender com facilidade à cultura; com certeza nas províncias não tinham esta condição, pois estavam destinadas ao casamento e ao trabalho do lar. Mônica casou-se com um homem pagão de Tagaste, com o nome de Patrício. Dedicou-se a dirigir sua casa. Como toda mulher romana, tinha a missão de cuidar das compras, do encaminhamento das atividades, cuidar dos criados e tudo o que fosse necessário. Em suma, era a responsável pela sua vida interna da sua casa. A sua relação com Patrício foi muito difícil, porém exemplar. Mônica viveu numa sociedade tipicamente machista, onde acontecia com freqüência abusos e maus-tratos por parte dos maridos. Patrício tinha uma personalidade inconstante: era extremamente carinhoso, porém com a mesma intensidade era colérico. Por isso teve que exercitar com ele uma paciência e uma prudência heróicas. Mônica tinha em mente uma árdua tarefa: a conversão do seu marido. Patrício começou a preparar-se para o batismo quando Agostinho estava com 16 anos, e morreu depois de ter sido batizado, no ano de 371. Ela havia triunfado da única forma possível, com o verdadeiro amor. Ele terminou amando-a, admirando-a e aceitando a sua fé. Patrício e Mônica tiveram, não sabemos em que ordem, três filhos: Navígio, uma filha, cujo nome não se sabe, e Agostinho. Sua educação, como em toda família romana, foi dada pela mãe. Isto a tornou a grande catequista de seus filhos.O verdadeiro calvário de Mônica começou quando Agostinho terminou seus estudos e voltou de Cartago a Tagaste. Seu filho voltava para casa feito um maniqueísta. A partir deste momento Mônica não descansará até vê-lo convertido. Foram anos de lágrimas e de intensa oração. Para isso procurava um bispo para que a ajudasse, falando com ele. O bispo tinha sido discípulo dos maniqueístas, e renunciou e se converteu ao cristianismo de forma espontânea. Disse ele a Mônica: “Anda, vai-te e que vivas muitos anos, impossível que se perca o filho destas lágrimas”.
Contudo, Mônica queria estar sempre ao lado de Agostinho. Este foi ensinar em Cartago e ela o acompanhou. Ali ela sofreu a experiência mais dolorosa da sua vida. Agostinho decidiu ir embora para Roma. Mônica queria acompanhá-lo, porém ele não aceitava. Teve que recorrer a uma estratégia: disse para a sua mãe que ia ao porto se despedir de um amigo e, ao amanhecer, Mônica descobriu que Agostinho havia embarcado, abandonando a África e a ela mesma. Contudo, a mãe, fervorosa e fiel, nunca deixou de interceder com amor e ardor, durante 33 anos, e antes de morrer, aos 55 anos de idade, ela mesma disse ao filho, já convertido e cristão: “Uma única coisa me fazia desejar viver ainda um pouco, ver-te cristão antes de morrer”. Um ano depois Mônica foi também para a Itália. Encontrou-se com Agostinho em Milão e ele já havia abandonado o maniqueísmo. A partir daí seu filho decide não só batizar-se, mas também se tornar monge. É o ano de 386. Mônica viveu cheia de alegria a vigília pascal de 387. Naquela noite receberam o batismo seu filho e seu neto, junto com Alípio, o amigo de Agostinho. Depois todos eles deslocaram-se para Óstia, o porto de Roma e lá ficaram à espera do primeiro barco para África. Um dia na pousada, ela e Agostinho iniciaram uma conversa sobre o futuro depois da morte. Ambos estavam sedentos de Deus. Em escala ascendente, começaram a viver com mais intensidade o sentido de todas as coisas, de modo que, admirando tudo e como nada os saciava, chegam a aproximar-se da região da Sabedoria, que “nem foi, nem será; apenas é”. Esta experiência é conhecido como o “êxtase de Óstia”.Cinco dias depois, Mônica teve uma doença muito grave e, aos nove dias, junto de suas pessoas queridas, e feliz porque Deus lhe havia demonstrado que não abandona aos que nele confiam, ela partiu à outra vida. Era o verão do ano 387, tendo ela 56 anos. Por esta razão, o filho Santo Agostinho, que se tornara bispo e doutor da Igreja, pôde escrever: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.


“A vontade deve colocar o seu gosto unicamente no que se refere à honra e a glória de Deus, e a maior honra que lhe podemos dar é servi-lo segundo a perfeição evangélica.”
São João da Cruz – 3S 17,2

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 27

1572 – C 44 – À D. Juana de Ahumada – Trata da saúde de Juan de Ovalle e dá notícias de como está. Cartas das Índias.

1582 – C 442 – À Madre Tomasina Bautista, Priora de Burgos – A Santa, razoável de saúde. Diversos assuntos da comunidade de Burgos. Sairá prontamente para Medina. “Esteja atenta para não apertar as noviças com muitos ofícios.”




O que a transverberação de Santa Teresa deve provocar em nós



A graça da Transverberação do coração de Santa Madre Teresa é tão considerada pelos seus filhos e filhas que a Ordem quis instituir o dia 26 de agosto para celebrá-lo na sagrada liturgia. O que poderia significar para nós aquele evento? Nos dá uma luz o Beato Enrique de Ossó.
Enrique andava sempre em Benicasim, na espanha, para passar as férias de verão com os tios. Ali perto encontra-se o Deserto de Las Palmas, eremitério dos Carmelitas Descalços, com quem começa a contatar-se. Mais tarde, como seminarista fazia suas férias naquele local carmelitano. No recinto do deserto, o lugar de sua preferência era a ermida de Santa Teresa de Jesus, que, como Montserrat, seria para ele lugar da experiência de Deus. Assim como Montserrat era a casa da Mãe Maria, mãe de Jesus e nossa, a ermida de Santa Teresa seria o “lugar do amor". Nela havia uma imagem que o “encantava, enamorava e extasiava”, uma pintura da transverberação do coração de Santa Teresa de Jesus.
A partir do verão de 1872, Teresa de Jesus irrompe na vida de Enrique de Ossó com uma força inexplicável. O que aconteceu a Enrique de Ossó em 1872 que o fez mudar tanto? Não sabemos exatamente. Porém, é evidente uma grande mudança. Até 1872 todas as suas atividades apostólicas tiveram um selo mariano. O mesmo sucedia com seus escritos e sua correspondência pessoal. Como exemplo, nas cartas que Enrique de Ossó escreveu a seu amigo Sardá y Salvany nota-se um crescimento na dinâmica de Ossó quanto ao seu teresianismo. Antes de 1872, Enrique de Ossó despedia-se do amigo Sardá com a expressão “Suyo in Corde Jesu” ou “Suyo em Jesús amigo” ou ainda “”Suyo em Jesús, Maria y José amigo”, etc. A partir de 1872, Ossó termina as cartas com expressões como: “Suyo em Jesús de Teresa”, “Suyo affmo em Jesus de Teresa”, “Em Jesús y su Teresa su mejor amigo”. Aos poucos nota-se que vai substituindo o “JHS” que costumava colocar no início de suas cartas a Sardá y Salvany pela expressão “¡Viva Jesús de Teresa!”
A partir da experiência teresiana, fortemente cristocêntrica, ligada à graça da transverberação, Enrique de Ossó vai desenvolver um apostolado teresiano centralizado no coração de Santa Teresa. Promoverá o amor divino cultivado pela oração pessoal, formando um coração eclesial e universal, capaz de grandes coisas para Deus. A força difusiva do amor, que chamará de zelo pelos interesses de Jesus, será o traço característico do coração teresiano. De fato o que contagia quem se aproxima de Teresa é o seu zelo e amor apostólico. Enrique de Ossó a apresenta como missionária do amor divino, enviada para trazer fogo ao mundo com o único interesse de inflamar os corações. Para ele, foi o fogo do amor de Deus que invadiu o coração de Teresa, que o transformou e o dilatou, tornando-o eclesial. Segundo Enrique de Ossó, a experiência mística da Transverberação é a realização e o cumprimento em Teresa do desejo de Jesus para com todas as pessoas, expresso por Lucas na imagem do fogo, Ele que disse ter vindo à terra para incendiá-la. Nós, Carmelitas Descalços, compreendemos como a Transverberação do Coração de Santa Teresa é fruto maduro de uma dilatação do coração que inflamado de amor pelo Cristo abraça com Ele a Igreja e o mundo. Ao celebrá-la queremos nos dispor à mesma graça e caminho que faça alargar nas chamas do amor de Jesus nosso próprio coração.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Liturgia - 26 de agosto - TRANSVERBERAÇÃO DO CORAÇÃO DE SANTA TERESA DE JESUS





TRANSVERBERAÇÃO DO CORAÇÃO DE

SANTATERESA DE JESUS

Cor litúrgica: Branco

Ofício próprio da memória nos Mosteiros de monjas OCD ou

Liturgia das Horas: 1679-637

Oração das Horas: 1539-802

Leituras próprias: 1Cor 12,31-1Cor 13,1-10,12-13 – Sl 39(40) – Jo 14,23-27
“Nele estabeleceremos morada.”
As virtudes fundamentais devem ser cultivadas por aqueles que querem viver unidos a Deus.


Eu vim lançar o fogo à terra e só quero que ele se ateie»
(Lc 12, 49).

Este fogo é o amor de Deus que em S. Teresa foi derramado com tal abundância que abrasou o seu coração. A transverberação é a manifestação da força do amor de Deus aceite, desejado e vivido pela Santa no seu matrimônio espiritual. Este fenômeno místico é-nos explicado por S. João da Cruz (cf. Ofício de Leitura) e apresentado no seu significado eclesial pelos textos da liturgia.

“Entre as virtudes de Teresa, ocupa lugar eminente o amor de Deus que, o próprio Jesus Cristo nela infundiu através de muitas visões e revelações. Duma feita, fê-la sua esposa, em outra ocasião, Teresa viu um anjo que lhe transverberava o coração com um dardo de fogo. Por estes dons celestes, a chama do divino amor ateou-se tão ardentemente nela, que emitiu voto de fazer sempre o que acreditasse ser mais perfeito, o que desse maior gloria a Deus.” - Gregório XV, Bula de Canonização




“Toma a Deus por esposo e amigo com quem andes constantemente e não pecarás, e saberás amar, e as coisas necessárias sucederão prosperamente para ti.”

São João da Cruz – D 66


Cartas de Santa Teresa de Jesus em 26


1581 – C 384 – À D. Juana Ahumada, em Alba de Tormes – Anuncia-lhe sua próxima chegada a Ávila, onde espera D. Juana e sua filha D. Beatriz.

1582 – C 441 – À Madre Ana de Los Angeles, Priora de Toledo – Avisa-a que irá a Toledo o Bispo de Palencia e recomenda-lhe encarecidamente que lhe faça bom acolhimento. Sobre a compra de uma casa na cidade imperial. A irmã de Brianda de S. José. Viagem a Ávila. Insiste na compra do prédio para a igreja da Descalças de Toledo.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Liturgia - 25 de agosto - Bv. MARIA DE JESUS CRUCIFICADO, Virgem










Bv. MARIA DE JESUS CRUCIFICADO,
Virgem

Cor litúrgica: Branco

Ofício próprio da memória na OCD ou
Liturgia das Horas: 1679-620
Oração das Horas: 1539-790


Leituras próprias: Rm 8,26-30 – Sl 44,11-16 – Mt 11,25-30
“Escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos.”


O reino dos Céus é dos pequenos e humildes.


Maria Baouardy, descendente de uma família grecomelquita católica. Veio à luz em Abellin, localidade da Galiléia, no dia 5 de janeiro de 1846.Em 1849, seus pais morreram e ela foi adotada por seu tio paterno. Entrou para o convento da carmelitas descalças de Pau (França), no dia 27 de julho de 1867, iniciando o noviciado. Em 21 de agosto de 1870 chegou, como cofundadora, Mangalore, cidade da Índia e se consagrou a Deus com os votos religiosos. Em 1872, voltou ao Monastério de Pau (França). Três anos depois, em 20 de agosto de 1875, transferiu-se para a fundação de Belém, na Terra Santa. Ali erigiu um monastério e entre maio/junho de 1878 foi a Meaux, Monte Carmelo e Tabor e, finalmente, procurou erigir outro Monastério em Nazaré. Foi provada com vários fenômenos sobrenaturais e dotada de graças extraordinárias, mas principalmente de humildade. Sobressaiu, ademais, por sua acendrada devoção ao Espírito Santo e pelo seu amor ardente pela Igreja e pelo Sumo Pontífice. Em 21 de agosto de 1878, fraturou seu braço esquerdo no horto conventual de Belém e entregou sua alma a Deus em 26 de agosto de 1878. Em 13 de novembro de 1983 foi beatificada por João Paulo II.


“A alma enamorada é suave, mansa, humilde e paciente.”
São João da Cruz

“Mas que destino o meu! Pôr-me a louvar a humildade e a mortificação estando elas tão louvadas pelo Rei da glória e tão confirmadas por tantos trabalhos seus!”
Santa Teresa de Jesus – C 10,4






Liturgia - A voz do Papa - 15 de agosto






VATICANO


OS SANTOS MOSTRAM O VERDADEIRO ROSTO DE DEUS E DO HOMEM

Bento XVI recordou o martírio de Edith Stein e de Maximiliano Kolbe nos lagers nazistas



No domingo, 9 de agosto, recitando a oração mariana do Angelus com os fiéis em Castel Gandolfo, o Papa faloudo martírio de Edith Stein e de Maximiliano Kolbe, e recordou que quando o homem se esquece de Deus e se substitui a Ele, abre-se na terra o inferno. Foi o que aconteceu nos lugares nazistas e em todos os campos de extermínio.

Queridos irmãos e irmãs!

Como no domingo passado, também hoje – no contexto do Ano sacerdotal que estamos a celebrar – nos detemos a meditar sobre alguns Santos e Santas que a liturgia recorda nestes dias. Exceto a virgem Clara de Assis, fervorosa de amor divino na oblação quotidiana de oração e da vida comum, os outros são mártires, dois dos quais mortos no lager de Auschwitz: Santa Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein, que, tendo nascido na fé judaica e conquistada por Cristo em idade adulta, se tornou monja carmelita e selou a sua existência com o martírio; e São Maximiliano Kolbe, filho da Polônia e de São Francisco de Assis, grande apóstolo de Maria Imaculada. Encontramos depois outras figuras maravilhosas dos mártires da Igreja de Roma, como São Ponciano Papa, Santo Hipólito sacerdote e São Lourenço diácono. Que excelentes modelos de santidade nos propõe a Igreja. Estes Santos são testemunhas daquela caridade que ama “até o fim”, e não tem em consideração o mal recebido, mas combate-o com o bem (cf. r Cor 13, 4-8). Deles podemos aprender, sobretudo nós, sacerdotes, o heroísmo evangélico que nos estimula, sem nada temer, a dar a vida pela salvação da almas. O amor vence a morte!
Todos os Santos, mas sobretudo os mártires, são testemunhas de Deus, que é Amor: Deus caritas est. Os lagers nazistas, como qualquer campo de extermínio, podem ser considerados símbolos extremos do mal, do inferno que se abre sobre a terra quando o homem esquece Deus e se substitui a Ele usurpando-lhe o direito de decidir o que é o bem e o que é o mal, de dar a vida e a morte. Mas infelizmente este triste fenômeno não se limite aos lagers. Eles são antes a ponta culminante de uma realidade ampla e difundida, muitas vezes em confins fugazes. Os santos, que recordei brevemente, fazem-nos refletir sobre as divergências profundas que existem entre o humanismo ateu e o humanismo cristão; uma antítese que atravessa toda a história, mas que no final do segundo milênio, com o niilismo contemporâneo, chegou a um ponto crucial, como grandes letrados e pensadores compreenderam, e como os acontecimentos demonstraram amplamente. Por outro lado, há filosofias e ideologias, mas há também cada vez mais formas de pensar e de agir, que exaltam a liberdade como único princípio do homem, em alternativa a Deus, e deste modo transformam o homem num deus, mas trata-se de um deus errado, que faz da arbitrariedade o próprio sistema de comportamento. Por outro lado, temos precisamente os santos que, praticando o Evangelho da caridade, dizem o motivo da sua esperança; eles mostram o verdadeiro rosto de Deus, que é Amor e, ao mesmo tempo, ao rosto autêntico do homem, criado à imagem e semelhança divina.
Querido irmãos e irmãs, peçamos à Virgem Maria, para que nos ajude a todos – em primeiro lugar aos sacerdotes – a serem santos como estas heróicas testemunhas da fé e da dedicação de si até ao martírio. Este é o único modo para oferecer às realidades humanas e espirituais, que a crise profunda do mundo contemporâneo suscita, uma resposta credível e completa: a da caridade na verdade.

Fonte: L´OSSERVATORE ROMANO , 15 de agosto de 2009



OS TRÊS CORAÇÕES QUE JESUS AMA

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Há momentos na vida que se faz necessário parar, mesmo que a gente não queira. Somos forçados a fazer silêncio, a descer no quarto interior do coração e permanecer sozinho sem ninguém, sem uma palavra de apoio, macerando na solidão e curtindo o sofrimento que é necessário para crescer. Nunca devemos esquecer as palavras sábias, já conhecidas, mas repetidas pelo Papa Bento XVI “não se pode fugir do sofrimento, da dor, são necessários na nossa vida”...Sabemos disto mas não nos convencemos disto. Nesta hora de deserto em que muitos tentam decepcionar a nossa esperança, se reassume que o único que nunca nos decepciona é Deus. Ele é amigo fiel, honesto, que promete e que cumpre e não esconde as dificuldades que podemos encontrar para seguir os seus passos e nos tornar semelhantes a ele.

Num destes desertos brabos que Deus me deu de presente sem procurá-lo mas que ele no seu amor me ofereceu e não teve jeito de recusá-lo vi que Deus ama e acolhe com imenso carinho três corações que devem estar presentes dentro de nós:

  1. UM CORAÇÃO DE POBRE: Deus quer que nós tenhamos de verdade um coração de pobre. Somente os pobres são livres. Eles não têm agenda, tudo está marcado no coração de Deus e sabe acolher a mensagem de esperança e de vida. Eles sabem que, ao confiar nos outros, um dia ou outro seremos abandonados e sozinhos devemos caminhar pela estrada que é nossa. Os discípulos de Emaús experimentaram toda a solidão e a decepção mas na solidão reencontraram o amigo companheiro de viagem Jesus, e nele colocaram toda a confiança e o reconheceram ao repartir o pão. Somente os que têm coração de pobre se abrem à esperança, à vida, à alegria, não como euforia, mas como consciência de que Deus é pastor amigo de todas as horas. Os ricos, os auto-suficientes não necessitam dele, têm tudo e tendo tudo se fecham sobre o próprio tudo.
  2. UM CORAÇÃO DE CRIANÇA: Deus ama corações que não se deixam contaminar pela malícia da idade adulta. Jesus amava imensamente as crianças porque nelas via sinceridade, amor e abandono pleno. Sabia que elas o amavam de verdade e corriam ao seu encontro não para ganhar alguma coisa mas pela alegria de “tocar” Jesus, estar com ele. Santa Teresinha reassumiu na sua vida a pobreza e infância espiritual numa forma magistral. “Vou me apresentar diante de Deus com as mãos vazias...” e “mesmo que vivesse 80 anos sempre seria uma criança.”
  3. UM CORAÇÃO DE PECADOR: Jesus ama os pecadores por isso veio fixar a sua tenda entre nós, veio para nos amar, para nos buscar e procurar em qualquer lugar onde nós estivermos. Como não se sentir reanimados nos desertos da vida quando vemos que Cristo nos procura como um dia procurou a ovelha perdida? Deus nos carrega nos seus braços.

Não podemos em determinados momentos da vida não dizer para Deus “obrigado Senhor, por ser pobre, criança e pecador!” Nunca Deus se afasta destes três corações. Podemos sempre encontrar um espaço dentro dele e perto dele.

Sem estes corações nós sempre seremos grandes, fortes e poderosos, mas quando entramos nos desertos será necessário nos despedir de tudo, deixar tudo e assumir que somos pobres, necessitados de tudo, crianças necessitadas de amor e pecadores necessitados de misericórdia.


domingo, 23 de agosto de 2009

Frei Raul termina sua corrida












Faleceu na manhã deste domingo, dia do Senhor, dia 23 de agosto, um dia antes do aniversário da reforma Teresiana, nosso Fr. Raul de Lima Sertã, que estava internado em hospital em S. José dos Campos. Frei Raul nasceu em Carmo, na região serrana do Rio de Janeiro, a 4 de dezembro de 1917. No final da década de 30 entrou para a Ordem no convento do Rio, fez o noviciado em 33, assumindo o nome de Fr. Telésforo do Menino Jesus, e prosseguiu seus estudos de filosofia e teologia em Ceprano, na Itália, onde ordenou-se sacerdote em 1941.
De volta para o Brasil assumiu os seguintes cargos: Vigário Provincial, Pároco de São Roq
ue (SP), Professor no seminário do Marmeleiro em S. Roque, Superior no Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos no interior do Brasil nas missões populares, de moto primeiro, depois em sua famosa belina, depois de frequentar escola missionária dos Redentoristas. Escreveu muitos pequenos livros de devoção carmelitana e na década de 80 interessou-se pela pastoral da saúde, coletando receitas e escrevendo livros sobre saúde e plantas medicinais, o que o fez conhecido. Esteve como conventual em quase todos os conventos da Província. Possuía um temperamento alegre, de modo a parecer sempre um menino travesso, procurando ser para suas comunidades uma presença bem-humorada e feliz. Deixa saudades para os que puderam partilhar com ele a vida no Carmelo, e vai para junto de Deus para unir-se a nossos Santos Padres e seus filhos na intercessão por nós. Frei Raul era o frade mais antigo da Província e ajudou muito em fornecer-nos importantes memórias da nossa história. Vai em paz, fr. Raul. Que Deus o recompense pela sua fidelidade e dedicação. Ore por nós!


Liturgia - 24 de agosto - SÃO BARTOLOMEU, Apóstolo







SÃO BARTOLOMEU
Apóstolo

Cor litúrgica:Vermelho

Ofício festivo do Comum dos Apóstolos
Liturgia das Horas: 1223-1566-599
Oração das Horas: 1341-1479-777


Leituras próprias: Ap 21, 9b-14 – Sl 144(145) – Jô 1,45-51
“Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré.”
O grande desafio de todos nós é descobrir que Jesus é o dom que Deus faz a toda a humanidade


Festa de São Bartolomeu, Apóstolo. Originário de Caná, Bartolomeu (ou Natanael) foi apresentado por Filipe, seu íntimo amigo, a Jesus que o saudou como um “israelita sem artifícios”. Imediatamente proclamou sua fé em Cristo “Filho de Deus e Rei de Israel”, e foi contado entre os Doze. Depois da ressurreição, participou da pesca milagrosa. Segundo a tradição, evangelizou a Armênia, que o tem como seu Apóstolo.
São Bartolomeu era filho de Tholmai e um dos doze apóstolos. Muitos o identificam com Natanael, mencionado em João 1,45: Jesus viu Natanael vindo até ele, e disse a seu respeito: "Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fraude". Natanael exclamou: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". Jesus respondeu-lhe: "Crês só porque te disse: 'Eu vi-te sob a figueira'? Verás coisas maiores do que essas". Além de João, Mateus, Marcos, Lucas, os Atos referem-se a ele como um dos Doze. Uma antiga tradição armênia afirma que o apóstolo Bartolomeu, que era da Galiléia, foi para a Índia. Pregou àquele povo a verdade do Senhor Jesus segundo o Evangelho de São Mateus. Depois de, naquela região, ter convertido muitos a Cristo, sustentando não poucas fadigas e superando muitas dificuldades, passou para a Armênia Maior, onde levou a fé cristã ao rei Polímio, a sua esposa e a mais de doze cidades. Essas conversões, no entanto, provocaram uma enorme inveja nos sacerdotes locais, que, por meio do irmão do rei Polímio, conseguiram obter ordem para tirar a pele de Bartolomeu e depois decapitá-lo.

“O apetite e os gostos sensíveis impedem o conhecimento das verdades mais elevadas .”
São João da Cruz – Ch 3,73


“Sempre tive afeição pelas palavras dos Evangelhos, que me levam a maior recolhimento do que livros muito bem redigidos – especialmente se o autor não era muito aprovado, eu não tinha vontade de lê-los.”
Santa Teresa de Jesus – C 21,4





Missa de Admissão e Promessas dos membros da Comunidade Santa Teresinha-SL/MG
22/08/2009
Quem diz sim ao amor infinito de Deus, pode dizer como Maria: "O Poderoso fez em mim maravilhas e santo é o seu Nome."

sábado, 22 de agosto de 2009

Liturgia - 23 de agosto - 21o. DOMINGO DO TEMPO COMUM




21º. DOMINGO DO TEMPO COMUM

Cor litúrgica: Verde

Ofício dominical comum
I semana do Saltério
Liturgia das Horas
: 131-579
Oração das Horas: 709-763

Leituras próprias: IICor 10, 17-11,2 – Sl 148 – Mt 13,44-46
“Isto é muito difícil! Quem o pode admitir?”
O maior tesouro que alguém pode encontrar é o Reino dos Céus no mais profundo do coração do homem.


SANTO DO DIA




Santa Rosa de Lima,
Virgem e Padroeira da América Latina
(festa omitida hoje )



Em 1617, o nascimento no céu de Santa Rosa de Lima, a “Primeira Flor de Santidade” do Peru. Isabel Flores y de Oliva era o nome de batismo de Santa Rosa de Lima que nasceu em 1586, em Lima, Peru. Os seus pais eram espanhóis, que se haviam mudado para a rica colônia do Peru. O nome Rosa foi-lhe dado carinhosamente por uma empregada índia, Mariana, pois a mulher, maravilhada pela extraordinária beleza da menina, exclamou admirada: "Você é bonita como uma rosa!" Levada à miséria com a sua família, ganhou a vida com duro trabalho da lavoura e costura, até alta noite. Aos vinte anos, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, pediu e obteve licença de fazer os votos religiosos em sua própria casa, como terceira dominicana. Construiu para si uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais. A cama era um saco de estopa, levando uma vida de austeridade, de mortificação, de abandono à vontade de Deus. Vivia em contínuo contacto com Deus, alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística. Soube compreender em profundidade o mistério da paixão, morte de Jesus, completando na sua própria carne o que faltava à redenção de Cristo. Era muito caridosa e em especial com os índios e com os negros.Todos os anos, na festa de São Bartolomeu, passava o dia inteiro em oração: "Este é o dia das minhas núpcias eternas", dizia. E foi exatamente assim. Morreu depois de grave enfermidade no dia 24 de agosto de 1617, com apenas 31 anos de idade .



Uma vida austera e carregada de penitências. Construiu uma cela estreita nos fundos do quintal da casa de seus pais onde vivia uma vida religiosa. Foi extremamente caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença. Conta-se que era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus, que quis repousar certa vez entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, que se tornou seu símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda, com quem conversava. Ainda em vida lhe foram atribuídos muitos favores; milagres de curas, conversões, chuvas e até mesmo o impedimento do saque de Lima pelos piratas holandeses em 1615.
Assemelhou-se tanto ao seu divino mestre que teve a graça de ganhar a morte com os sofrimentos da Paixão de seu amado Senhor


“Podemos também entender por estas formosas grinaldas, as que por outro nome se chamam auréolas, de lindas e níveas flores, que são todas as almas virgens, cada uma com sua auréola de virgindade, as quais, unidas juntamente, serão uma só auréola para coroar o Esposo Cristo.”
São João da Cruz – C 30,7

“É verdade que essas virtudes têm a capacidade de se ocultar da pessoa que as possui, de modo que ela nunca as vê e nem chega a acreditar que as tem, mesmo que lho digam.”
Santa Teresa de Jesus – C 10,4



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