segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Liturgia - 03 de novembro - SÃO MARTINHO DE LIMA










ou


SÃO MARTINHO DE LIMA,
Religioso

Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1433-871
Oração das Horas: 1431-958

Leituras: Rm 12,5-16a – Sl 130(131) – Lc 14,15-24
“Feliz aquele que tomar refeição no reino de Deus.”
Numa sociedade teocrática, como a da Palestina, na época de Jesus os enfermos e aleijados eram excluídos, não somente da vida social, mas, também, da vida religiosa.



Em Lima, no Peru, em 1639, o nascimento no céu de São Martinho de Lima (ou de Porres), irmão dominicano, que no cumprimento de sua função de enfermeiro deu provas de intensa abnegação. Grande taumaturgo, direcionava seus dons em favor dos sofredores.
Nasceu na cidade de Lima, Peru, nos dia 9 de dezembro do ano 1579. Foi filho do Juan de Porres, cavalheiro espanhol da Ordem de Calatrava, e da Ana Velásquez, negra livre panamenha.Martín é batizado na igreja de San Sebastián, onde anos mais tarde Santa Rosa de Lima também o fora.São misteriosos os caminhos do Senhor: foi um santo quem o confirmou na fé de seus pais. Foi Santo Turíbio de Mogrovejo, primeiro arcebispo de Lima, quem fez descender o Espírito sobre seu moreno coração, coração que o Senhor foi fazendo manso e humilde como o de sua Mãe. Aos doze Martínho ingressou como aprendiz de cabeleireiro, e assistente de um dentista. A fama de sua santidade corre de boca em boca pela cidade de Lima. Martínho conheceu o frade Juan de Lorenzana, famoso dominicano como teólogo e homem de virtudes, quem o convida a entrar no Convento de Nossa Senhora do Rosário. As leis naquele tempo lhe impediam de ser religioso pela cor e pela raça, por isso Martínho de Porres ingressou como Doado, mas ele se entrega a Deus e sua vida está presidida pelo serviço, a humildade, a obediência e um amor sem medida. São Martín tem um sonho que Deus lhe desbarata: "Passar desapercebido e ser o último". Seu desejo mais profundo sempre é de seguir a Jesus. Confia-lhe a limpeza da casa; por isso a vassoura será, com a cruz, a grande companheira de sua vida. Serve e atende a todos, mas não é compreendido por todos. Um dia cortava o cabelo de um estudante: molestado diante do melhor sorriso de Frei Martínho, não duvida em insultá-lo: Cão mulato! Hipócrita! A resposta foi um generoso sorriso. São Martínho já estava há dois anos no convento, e fazia seis que não via a seu pai, este o visita e… depois de dialogar com o P. Provincial, deste e o Conselho do Convento decidem que Frei Martínho se converta em irmão cooperador. Em 2 de junho de 1603 se consagra a Deus por sua profissão religiosa. O Pe. Fernando Aragonés declarará: "exercitava-se na caridade dia e noite, curando doentes, dando esmola a espanhóis, índios e negros, a todos queria, amava e curava com singular amor". A portaria do convento é um rastro de soldados humildes, índios, mulatos, e negros; ele estava acostumado a repetir: "Não há satisfação maior que dar aos pobres". Sua irmã Juana tinha boa posição social, por isso, em um imóvel dela, dava proteção a doentes e pobres. E em seu pátio acolhe a cães, gatos e ratos. Logo a virtude do moreno deixou de ser um segredo. Seu serviço como enfermeiro se estendia desde seus irmãos dominicanos até as pessoas mais abandonadas que podia encontrar na rua. Sua humildade foi provada na dor da injúria, inclusive de parte de alguns religiosos dominicanos. Incompreensão e invejas: caminho de contradições que foi assemelhando ao mulato a seu Reconciliador. Os religiosos da Cidade Virreinal vão de surpresa em surpresa, por isso o Superior o proíbe de realizar nada extraordinário sem seu consentimento. Um dia, quando retornava ao Convento, um pedreiro lhe grita ao cair do andaime; o Santo lhe faz gestos e corre a pedir permissão ao superior, este e o interessado ficam cativados por sua docilidade. Quando viu que se aproximava o momento feliz de ir gozar da presença de Deus, pediu aos religiosos que lhe rodeavam que entoassem o Credo. Enquanto o cantavam, entregou sua alma a Deus. Era 3 de novembro de 1639. Sua morte causou profunda comoção na cidade. Tinha sido o irmão e enfermeiro de todos, singularmente dos mais pobres. Todos se disputavam por conseguir alguma relíquia. Toda a cidade lhe deu o último adeus. Seu culto se estendeu prodigiosamente. Gregório XVI o declarou Beato em 1837. Foi canonizado por João XXIII em 1962. Recordava o Papa, na homilia da canonização, as devoções em que se distinguiu o novo Santo: sua profunda humildade que o fazia considerar a todos superiores a ele, seu zelo apostólico, e suas contínuas insônias por atender a doentes e necessitados, o que lhe valeu, por parte de todo o povo, o formoso apelativo de "Martínho da caridade". O amor inteligente de Martinho levou-o conceber e realizar uma obra profética. Retirou das ruas muitos meninos e meninas, destinados à marginalização e à delinqüência, e instituiu para eles o Colégio Santa Cruz, que ainda existe. Além da casa e da comida, proporcionou-lhes excelente educação humana e cristã, procurando os melhores professores assegurando-lhes, assim, um futuro. Sua generosidade e desprendimento conquistaram o coração e os recursos de famílias ricas e nobres, como a do vice-rei, para viabilizar as obras educacionais e caritativas.Não descansava. Passava praticamente toda a noite em oração, diante da Eucaristia e da imagem de Nossa Senhora. Muitas vezes foi surpreendido em êxtase, tão grande era sua familiaridade com Jesus, Maria e os Santos. Martinho de Porres, mulato, tornou-se a personagem principal em Lima. Simboliza a vitória do evangelho dos pobres na sociedade colonial, que discriminava e marginalizava. Encarregado da enfermaria do convento, auxiliava todos quantos se lhe dirigiam, fossem seus irmãos da comunidade, fosse pessoas da cidade. Além de cuidar da enfermaria, varria todo o convento, cuidava da rouparia, cortava o cabelo dos duzentos frades, e era o sineiro, dispensando ainda de seis a oito horas por dia à oração.





Quando uma epidemia atingiu Lima, no convento do Rosário sessenta religiosos ficaram enfermos e muitos estavam numa seção fechada do convento. São Martinho teria passado a portas fechadas para cuidar deles, um fenômeno que encontraria residência. Martinho levava doentes para o convento, até que o Superior provincial, alarmado com o contágio, proibiu-o de continuar a fazê-lo. Sua irmã, que morava no país, ofereceu sua casa para alojar todos aqueles que a residência do religioso não poderia. Um dia ele encontrou na rua um pobre índio, sangrando até a morte por uma punhalada, e levou-o ao seu próprio quarto. O Superior, quando soube tudo isto, o repreendeu por desobediência. O Superior foi extremamente edificado pela sua resposta: "Perdoa meu erro, e por favor me instrui, porque eu não sabia que o preceito da obediência se sobrepõe ao da caridade." Então o Superior deu-lhe liberdade para seguir as suas inspirações posteriormente no exercício da misericórdia. Tinha uma horta na qual ele mesmo cultivava as plantas que utilizava para suas medicinas. Estando doente o Bispo de La Paz, de passagem por Lima mandou que chamassem Frei Martinho para que o curasse. O simples contato da mão do doado em seu peito o livrou de grave moléstia que o levava ao túmulo. Foi um precioso amigo e colaborador de Santa Rosa de Lima e de Juan Macias, igualmente dominicanos. Além de todas essas atividades, Martinho saía também do convento para pedir esmolas para os mais necessitados. Martinho, com o corpo gasto pelo excesso de trabalho, jejum contínuo e penitência, faleceu aos 60 anos de idade. Sua festa se celebra em 3 de Novembro


“Nesta desnudez acha o espírito sua quietação e descanso, pois nada é cobiçado, nada o fadiga para cima e nada o oprime para baixo, por estar no centro de sua humildade.”
São João da Cruz

“Para que esse edifício tenha bons alicerces, procure cada uma ser a menor de todas, e sua escrava, vendo como ou em que podeis servi-las e dar-lhes prazer. O que fizerdes nesse caso o fareis mais para vós do que elas. Assentareis pedras tão firmes que vosso castelo não desabará.”
Santa Teresa de Jesus – M 7,4,8

Carta de Santa Teresa de Jesus em 03

1576 – C 134 – Ao Pe. Ambrósio Mariano de S. Benito – Valdemoro, perseguidor da Reforma, solicita a amizade da Santa e a admissão de um irmão na Descalcez. A saúde do Pe. Padilla. Alegria da Santa à vista de uns colegiais Descalços muito fervorosos que a saudaram em Toledo.




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