segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Liturgia - 10 de novembro - SÃO LEÃO MAGNO, Papa e Doutor




SÃO LEÃO MAGNO , Papa e Doutor

Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1644-1029-1442
Oração das Horas: 1523-1059-1433

Leituras: Sb 2,23-3,9 – Sl 33(34) – Lc 17,7-10
“Somos servos inúteis, fizemos apenas
o que devíamos fazer.”
Com esta parábola, Jesus se opõe à mentalidade dos fariseus que pensavam que com o cumprimento da lei obrigariam a Deus a nos premiar pelo nosso comportamento..


São Leão Magno faleceu em Roma em 461. Foi Papa durante 21 anos, num período agitado e difícil. Combateu as heresias do eutiquianismo e do donatismo e enfrentou, sozinho, Átila, rei dos Hunos, que não invadiu a Cidade Eterna porque ficou impressionado pela extraordinária força moral do Pontífice.
Nasceu na Toscana, no final do século IV, no ano 440. É considerado um dos papas mais eminentes da Igreja dos primeiros séculos. Assumiu o governo da Igreja numa época de grandes dificuldades, políticas e religiosas. A fé católica estava ameaçada pelas heresias que grassavam no Oriente.São Leão procurou a todo custo preservar a integridade da fé, defendendo a unidade da Igreja. Em 451, durante o concílio da Calcedónia, a sua carta sobre as duas naturezas de Cristo foi aplaudida pelos bispos reunidos que disseram: Pedro falou pela boca de Leão. Enquanto homem de Estado, contemporizou a queda eminente do Império Romano, evitando com sua diplomacia que a ruína e os prejuízos materiais e culturais fossem ainda maiores. Para salvar a Cidade Eterna das pilhagens dos bárbaros, não se intimidou em enfrentar Genserico e Átila, debelando assim o perigo que parecia irreversível. Deixou escritos 96 Sermões e 173 cartas e numerosas homilias que chegaram até nós. São Leão Magno pontificou durante 21 anos.


Dos Sermões de São Leão Magno, papa
O momento favorável


Devendo pregar-vos, amados filhos, sobre o mais sagrado e importante jejum, que introdução mais adequada poderia eu encontrar senão as palavras do Apóstolo, através do qual Cristo nos fala? Começarei, pois, dizendo o que foi lido anteriormente: É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6, 2). Sabemos que não existe momento algum que não esteja repleto dos dons de Deus, e que sua graça sempre nos possibilita acesso a sua misericórdia. Por conseguinte, é necessário que os corações dos fiéis se apliquem ao progresso espiritual com mais empenho e se animem com maior confiança. Pois o retorno do dia em que fomos redimidos nos convida a todos os deveres da piedade. Assim celebraremos com corpos e almas purificados o sacramento mais sublime de todos: a paixão do Senhor.
Certamente, tão grandes mistérios exigiriam uma devoção incessante e uma contínua reverência, de modo que permanecêssemos na presença de Deus tal como nos deveríamos encontrar na festa da Páscoa. Mas são poucos os que têm essa virtude. As práticas mais austeras se relaxam por causa da fragilidade da carne, e a solicitude espiritual esmorece em meio às várias ocupações da vida. Até mesmo os corações religiosos ficam embaçados pela poeira deste mundo. Por isso, uma instituição divina grandemente salutar, estabeleceu um exercício de quarenta dias para reparar a pureza de nossas almas e nos servir de remédio. Nesse período, as faltas outrora cometidas podem ser redimidas mediante as boas obras e os santos jejuns.
Estando, pois, filhos caríssimos, para entrar nos dias místicos consagrados pela prática dos jejuns salutares, cuidemos de obedecer aos preceitos do Apóstolo, purificando-nos de toda mancha do corpo e do espírito (2Cor 7, 1).
Reprimidas as lutas, que opõem uma a outra as duas substâncias de que somos constituídos, a alma, a quem compete dirigir o corpo sob o governo de Deus, conquiste a dignidade do deu domínio. Assim, sem ofender a quem quer que seja, não nos exporemos às censuras dos maledicentes.
Não é gratuitamente que seremos criticados pelos infiéis e, por nossa culpa, as línguas dos ímpios se armarão contra a religião, se os costumes dos que jejuam não estiverem de acordo com a pureza de uma perfeita moderação. Com efeito, todo o nosso jejum não consiste apenas na simples abstinência de comida, e é sem fruto que se subtrai o alimento ao corpo, se o espírito não se afasta da iniqüidade.
Sermo 29, 1-2(Sources Chrétiennes 49, 43-45)


Pedro e Paulo, germes da semente divina


É preciosa aos olhos do Senhor a morte de seus santos (Sl 115,15), e nenhuma crueldade pode destruir a religião fundada no mistério da cruz de Cristo. A Igreja não diminui pelas perseguições; pelo contrário, cresce. O campo do Senhor se reveste de messes sempre mais ricas, porque os grãos, que caem um a um, nascem multiplicados. Em quantos rebentos estes dois excelentes germes da divina semente brotaram são testemunhas os milhares de santos mártires que, rivais das vitórias apostólicas, envolveram com uma multidão coberta de púrpura nossa Urbe e a coroaram com um diadema de glória, cravejado de muitas pedras preciosas. Temos de alegrar-nos sumamente, caríssimos, com a comemoração de todos os santos por esta proteção, preparada por Deus, para exemplo e confirmação da fé. Mas, em vista da excelência destes patronos, é justo que glorifiquemos com ainda maior exultação, por que a graça de Deus, dentre todos os membros da Igreja, os elevou ao cume. Por isso, no corpo, cuja cabeça é Cristo, constituem como que os dois olhos. Não devemos pensar que os seus méritos e virtudes acima de toda a expressão sejam diferentes de algum modo ou tenham algo de peculiar, pois a eleição divina os tornou pares, o trabalho assemelhou-os e o fim da vida os igualou. Por experiência pessoal e pela afirmação de nossos antepassados, cremos e confiamos que, nas lutas da vida, temos sempre a intercessão destes especiais padroeiros para obter a misericórdia de Deus, e por mais abatidos que estejamos pelos próprios pecados, somos reerguidos pelos méritos apostólicos.


“Sobre esta pedra construirei a minha Igreja”


Nada escapava à sabedoria e ao poder de Cristo: os elementos da natureza estavam ao seu serviço, os espíritos obedeciam-lhe, os anjos serviam-no… E, contudo, no universo inteiro, só Pedro foi escolhido para presidir à chamada dos povos, à direção de todos os apóstolos e de todos os Padres da Igreja. Assim, embora haja no povo de Deus muitos padres e muitos pastores, Pedro governá-los-ia pessoalmente a todos, como Cristo também os governa com o título de chefe… O Senhor pergunta a todos os apóstolos qual é a opinião dos homens a seu respeito. E eles dizem todos a mesma coisa, bem como expõem longamente as dúvidas provenientes da ignorância humana. Mas assim que o Senhor exige conhecer os sentimentos dos próprios discípulos, o primeiro a confessar o Senhor é aquele que é o primeiro na dignidade de apóstolo. Como ele disse: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”, Jesus respondeu-lhe: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus”. Foi a inspiração do céu que te instruiu; não foi a carne nem o sangue que te permitiram descobrir-me, mas aquele do qual eu sou o Filho único. “E eu, declaro-te”, quer dizer; tal como meu Pai te manifestou a minha divindade, também eu te faço conhecer a tua superioridade. “Tu és Pedro”, quer dizer: Eu sou a rocha inabalável, a pedra angular que de dois povos fez um só (Ef 2,14), o fundamento que ninguém pode substituir por outro (1Co 3,11), mas também tu és pedra, porque és sólido pela minha força, e o que me é próprio pelo meu poder, tu o tens em comum comigo pelo fato de estares em comunhão comigo. “Sobre esta pedra, construirei a minha Igreja”. Sobre a solidez deste fundamento, disse ele, eu construirei um templo eterno, e a minha Igreja, cujo cume chegará ao céu, elevar-se-á sobre o fundamento desta fé.


Primeiro Sermão Sobre as Coletas (1) Por São Leão Magno, Papa.
Fonte: Col. Patrística Vol. 6 Ed. Paulus.



Em diversas oportunidades, as Sagradas Escrituras nos ensinam como e grande o mérito e a eficácia das esmolas. Com efeito, e comprovado que cada um de nos alivia sua alma sempre que, movido pela misericórdia, vai ao encontro da indigência do outro. Portanto, caríssimos, a nossa liberalidade deve ser fácil e imediata se pensar- mas que cada qual da a si mesmo aquilo que proporciona aos indigentes. Com efeito, aquele que alimenta o Cristo presente no pobre, constrói seu tesouro no céu. Reconhece, pois, neste fato, a bondade e o favorecimento da ternura divina que desejou te cumular de bens para que, graças a ti, o outro não passe necessidade e pelo serviço de tuas boas obras o indigente não se preocupe demasiado com sua pobreza, e tu próprio sejas libertado dos teus múltiplos pecados. Ó admirável providência e bondade do Criador que, com uma só ação, quis socorrer a um e a outro.
O próximo domingo será, pois, um dia de coletas. Exorto-vos e advirto vossa santidade para que cada um de vós se lembre dos pobres e de vós mesmos e que, na medida de vossas possibilidades, reconheçais o Cristo nos indigentes, ele, com efeito, nos recomendou de tal modo os pobres eu declarou ser vestido, acolhido, alimentado neles. Ele, o Cristo, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Nota
1 De origem latina, 0 termo "coleta" indica a colheita ou o recolhimento de dinheiro ou outras espécies entre as pessoas especialmente para fins beneficentes. Nos Sermões de s. Leão Magno, é um apelo ao exercício da misericórdia, uma exortação para que o cristão esteja comprometido com esse exercício, a se empenhar com maior generosidade na oferta de seus recursos para os necessitados. Nestes Sermões, São Leão mostra a grandeza, a dignidade e a eficácia das esmolas: sacia a fome do pobre e do indigente; alivia a consciência e apaga os pecados aos que doam.

São Leão Magno diante de Átila

Átila, chefe dos bárbaros hunos vinha saqueando a Itália toda. As autoridades de Roma imploraram ao Papa São Leão que fosse dissuadir o temível bárbaro. São Leão Magno foi revestido dos paramentos pontificais.
“Como um leão que não conhece medo nem tardança, este varão se apresentou para falar ao rei dos hunos em Peschiera, pequena cidade próxima de Mântua, e moveu o vencedor a voltar”, diz um cronista da época.
Átila prometeu a paz, fez cessar as hostilidades, e retornou à sua terra atravessando os Alpes. Os bárbaros perguntaram a seu chefe por que, contra seu costume, havia mostrado tanto respeito para com o Papa. Átila respondeu que “não foi a palavra daquele que veio me encontrar que me inspirou um medo tão respeitoso; mas eu vi junto a esse Pontífice um outro personagem, de um aspecto muito mais augusto, venerável por seus cabelos brancos, que se mantinha em pé, em hábito sacerdotal, com uma espada nua na mão, ameaçando-me com um ar e um gesto terríveis, se eu não executasse fielmente tudo o que me era pedido pelo enviado”.
Esse personagem era o Apóstolo São Pedro. Segundo outra tradição, o Apóstolo São Paulo estava também presente.


“Se a alma nada percebesse pelos sentidos – que são as janelas da prisão – nada poderia perceber por outro meio.”
São João da Cruz – 1S 3,3

“Aqueles que de fato amam a Deus amam tudo o que é bom, desejam tudo o que é bom, estimulam tudo o que é bom, louvam tudo o que é bom. Aos bons se unem sempre, favorecendo-os e defendendo-os; não amam senão a verdade e as coisas verdadeiramente dignas de amor.”
Santa Teresa de Jesus – C 40,3

Carta de Santa Teresa de Jesus em 10

1577 – C 207 – A Alonso de Aranda, em Madrid – Favorável solução de um pleito. Afeição da Santa para com Aranda. O conflito da Encarnação de Ávila. Recomenda o assunto ao Licenciado Padilha.




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