quarta-feira, 7 de julho de 2010

QUARTA FEIRA DA XIV SEMANA DO TEMPO COMUM = 07/07/2010

II Quarta Feira do Saltério – (Vésperas = Cântico)

Ant 3 Em Cristo é que tudo foi criado, e é por Ele que subsiste o universo

Cântico Cf. Cl 1, 12-20: Cristo, o Primogênito de toda criatura e o Primogênito dentre os mortos.

Entre os Colossenses corriam certas idéias heterodoxas: o homem, caído no cárcere do corpo, necessita mediadores que o dêem a conhecer o caminho até à luz cósmica. O dualismo gnóstico e seus perigos virtuais já estão sendo insinuados. Paulo responde incorporando um hino cristológico que apresenta o Redentor como Criador e, por conseguinte, como único Mediador. Interveio no âmbito intra-histórico, abrindo-nos o caminho até à Luz onde Deus habita (vv. 12-14). Esta confissão de fé serve de pórtico ao hino (vv. 15-20). A heterodoxia dos Colossenses se desvanece ao confrontá-la com Cristo.
Este Cântico é um admirável hino cristológico da “Carta de São Paulo aos Colossenses”, que canta a primazia absoluta de Cristo. A Liturgia das Vésperas o propõe, em cada uma de suas quatro semanas e o oferece aos fiéis como Cântico, reproduzindo-o na forma que teria provavelmente o texto desde suas origens. Com efeito, muitos estudiosos estão convencidos de que esse hino poderia ser a citação de um canto das Igrejas da Ásia Menor, incluído por São Paulo em sua carta dirigida aos cristãos de Colossos, uma cidade então florescente e populosa.
Demos glória a Deus Pai, que quis incorporar-nos a Seu Filho. Demos glória a Deus Filho que, já na Criação, como reflexo de Deus Pai, foi instrumento único através do qual o Pai realizou Sua obra; e que, depois da Criação, feito Homem por nós, com Seu Mistério Pascal e por Sua Igreja, devolveu à Criação todo seu sentido.
Este Cântico, que de maneira tão plena nos faz proclamar o papel de Cristo na eternidade e na história, seja o hino de nossa fé no Filho amantíssimo do Pai, o “Amado” da Igreja, segundo a expressão do “Cântico dos Cânticos”.
“A herança” é a salvação, reservada em outro tempo, a Israel e aos que também são agora chamados os gentios (Ef.1,11-13). “O Povo Santo” são os cristãos, chamados, desde agora, a viver na Luz da Salvação: os anjos que vivem com Deus na Luz escatológica (v. 12).
Paulo cita aqui um hino primitivo cristão, composto de duas estrofes: vv.15-17 e 18-20, que celebra o papel de Cristo na primeira e na nova Criação. Nos vv. 16-20 expõe o significado de “todas as coisas”, como reação contra a preeminência que os colossenses davam aos anjos. Expõe a primazia de Cristo, primeiro, na ordem da Criação natural (vv. 15-17) e segundo, na ordem da Re-criação sobrenatural, que é a Redenção (vv. 18-20). Trata-se do Cristo preexistente, porém considerado sempre na pessoa histórica e única do Filho de Deus, feito Homem. Este ser concreto, encarnado é a “imagem de Deus” enquanto reflete, numa natureza humana e visível, a imagem do Deus invisível, na qual - Cristo – pode ser denominado criatura, porém como Primogênito, na ordem da criação, com uma primícia de excelência e de causalidade muito superior à ordem do tempo.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...