domingo, 5 de dezembro de 2010

05/12/2010 - II DOMINGO do ADVENTO

“Ó Senhor! Que eu produza frutos de arrependimento” Mt 3,8
Através das profecias, a figura do Messias vai-se perfilando com maior transparência: Brotará uma vara do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes (Is 11,1). Quando a dinastia davídica parecer já extinta, semelhante a um tronco ressequido, da Virgem humilde de Nazaré, desposada com José, descendente de David, nascerá o Salvador. Isaías apresenta-O repleto do Espírito Santo, enriquecido com os Seus dons e enviado para julgar os pobres com justiças (Is 11,4), para levantar o ânimo dos humildes e oprimidos que encontrarão um lugar privilegiado na sua missão salvifica. Mais adiante, sob a alegoria da convivência pacífica entre os animais, inimigos por instinto, o profeta fala da paz que o Messias trará ao mundo, ensinando os homens a vencer as paixões que os fazem ferozes uns contra os outros e a amarem-se como verdadeiros irmãos. Então o rebento da raiz de Jessé, posto por estandarte dos povos, será procurado pelas nações e será gloriosa a sua morada (Is 11,10). É este o ambiente geral da salvação universal, sobre o qual insistirá, mais tarde, São Paulo, citando quase literalmente este último versículo de Isaías (Rom 15,12).
Cristo, afirma o Apóstolo, veio para salvar todos os homens: realizou a Sua obra, primeiramente em favor do povo hebreu, do qual Se fez servidor (Rom 15,8), para demonstrar a fidelidade de Deus às promessas feitas aos Patriarcas; no entanto, não rejeitou os pagãos, mas acolheu-os para que neles se manifestasse a sua imensa misericórdia (Rom 15,9). Volta a falar novamente do amor mútuo: Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu para glória de Deus (Rom 15,7).
O exemplo do Senhor, que acolhe e salva todos os homens, é o fundamento das relações de benevolência que devem existir entre eles. O amor, a concórdia e a paz anunciadas pelos profetas, como prerrogativas da era messiânica, são, na verdade, o centro da mensagem de Cristo; e, no entanto, após tantos séculos de cristianismo, a humanidade está ainda despedaçada por ódios, discórdias e lutas fratricidas. O mundo não se abriu nem converteu ainda ao Evangelho. Por isso, soa ainda hoje, e mais atual do que nunca, a voz de João Batista que ecoa no Advento: Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus (Mt 3,2). Todos os profetas tinham pregado a conversão, mas só o Precursor pode repisar a sua urgência ao anunciar a iminência da vinda do reino dos céus, com a presença do Messias no mundo. Apresentou-O aos que acudiam a escutar as suas palavras com as palavras seguintes: Eu batizo-vos em água...; mas Aquele que vem depois de Mim é mais poderoso do que eu...; Ele batizar-vos-á com o fogo do Espírito Santo (Mt 3,11). Jesus veio e instituiu o batismo no fogo do Espírito Santo, fruto da Sua Paixão, Morte e Ressurreição; mas, quantos batizados se converteram a Ele verdadeiramente, ao Seu Evangelho, ao Seu mandamento de amor? O Advento convida-nos a todos a uma conversão mais profunda porque está próximo o reino dos céus. Mais próximo hoje do que ontem, porque Cristo está presente no mundo há séculos, atuando nele com a Sua graça, com os sacramentos; nós, porém, não O recebemos em plenitude nem Lhe entregamos ainda totalmente o nosso coração e a nossa vida.
Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena

"Ó Senhor: se eu Te amasse com todas as minhas forças, em virtude desse amor, amaria também o meu próximo como a mim mesmo. Mas, pelo contrário, mostro sempre a minha indiferença perante os seus males quando sou tão sensível para com os meus, ainda que insignificantes. Sou frio em compadecer-me do próximo, lento para o socorrer, tíbio para o consolar... Onde está o ardor e a ternura de um São Paulo? Chorar com quem chora, alegrar-se com quem se alegra, ser fraco com os fracos, sofrer, como colocados no fogo para serem queimados, quando algum deles sofre o escândalo. Ó meu Deus; se nada disto tem o meu coração, devo concluir que não amo o meu próximo como a mim mesmo e que não Vos amo com todas as minhas forças, com todo o meu coração... Fazei-me compreender, meu Deus, a minha enfermidade e a necessidade que tenho de Vós para empregar bem as minhas forças, querendo realmente o que quero e começando a praticá-lo".
Jacques Bénigne Bossuet, Meditações sobre o Evangelho

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