sábado, 11 de dezembro de 2010

Madre Maria Angélica da Eucaristia e suas Esmeraldas


Madre Maria Angélica da Eucaristia e suas Esmeraldas
No dia 21 de novembro, festa da apresentação de Nossa Senhora, as carmelitas renovam a profissão de seus votos. Enquanto Elisabete pronuncia de novo com as companheiras a fórmula dos votos, sente um impulso de graça irresistível que a transporta à Santíssima Trindade. Ao voltar à cela, escreve num só lance e sem hesitação, como um grito emanado do coração, uma das mais belas declarações de elevação e amor aos seus Três: “Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade...; Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos....; Ó fogo devorador, Espírito de amor, vinde a mim para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo...; Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós como uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas”. E assim, no Carmelo de Dijon, no ano de 1904, a jovem Elisabete da Trindade encerra este tratado de diálogo com a Trindade.
Ao querer ser toda Dele, as vocações surgem e se concretizam. Assim, diversas filhas e filhos da Santa de Ávila vêm percorrendo os caminhos da chama viva de Amor, anunciada pelo seu discípulo, companheiro e amigo, São João da Cruz. E há exatamente 6 décadas uma destas criaturas chamada as fileiras do Carmelo, pode adentrar uma das casas de Oração, onde, como dito pela própria Teresa, “encerradas aqui, pelejaremos por Ele”. Trata-se da nossa querida Irmã Maria Angélica da Eucarística, conhecida como Madre Angélica e para suas filhas: “nossa Mãe”. Mas como recordar e percorrer aquele distante e próximo dia 12 de dezembro do ano de 1950. Vamos deixar a própria Madre Angélica, nos contar, como o fez no ano de 1957, ao definir o seu ideal como amor:
“Ó Mestre amado, é teu o meu segredo:
Amar-te muito, louvar-te em meu degredo,
Passar a vida inteira, ó celestial enlevo,
Dizendo sempre: “Sim” ao divinal apelo.
Viver silenciosa, oculta em meu Carmelo,
Sofrer, morrer de amor, é este o meu anelo
Travar o bom combate sobre a terra.
Maria, doce Mãe sem igual na terra.
E Cristo, meu Esposo, que triunfador impera!
E entrega ao Pai a nova Humanidade
Num hino de louvor e glória à Trindade!
O Louvor de Glória se fez e faz presente em sua caminhada. Se fez presente na decisão de deixar os seus entes queridos e adentrar o Carmelo Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Belo Horizonte. Se fez novamente vivo e presente quando da decisão de deixar a capital do Estado de Minas Gerais, rumo à cidade do Norte do Estado, Montes Claros e fundar com suas companheiras no dia 8 de setembro de 1977 a primeira casa contemplativa na região Norte do Estado. Assim, nasceu o Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI e mais uma vez Madre Angélica como a pequena Teresa do Menino Jesus concretizava o Evangelho: “ser missionária e pregar o Evangelho”. Da década de 70 para cá participou ativamente da família carmelitana e como sua Santa Madre, não se limitou a ficar somente em Montes Claros, levou o perfume carmelitano para duas Fundações, sendo o Carmelo da Ressureição e Beata Edith Stein, em Senhor do Bonfim, BA e o Carmelo Santíssima Trindade e Beata Elisabeth da Trindade, em Coronel Fabriciano, MG. Como a missão não pode ficar “escondida” participou e acolheu com carinho a fundação do Grupo Beata Elisabete da Trindade (OCDS) e atualmente elevado a categoria de Comunidade. Fez-se e continua fazendo Mãe de inúmeras filhas espirituais, e nesta relação de Mãe-Filhas, basta recordar (para se entender melhor) a mesma relação estabelecida entre uma jovem chilena, de nome Juanita e posteriormente elevada a honra dos altares com o nome de Santa Teresa de Jesus de Los Andes e sua Madre, coincidentemente denominada Irmã Angélica. Teresa de Los Andes nos mostra esta relação de ternura e carinho com sua Priora: Com 17 anos, Juanita relata seu desejo de viver naquele “pombalzinho” dos Andes, porém relata suas dificuldades, destacando-se a frágil saúde. Escreve ainda que nunca havia conhecido uma carmelita, exceto a vida de Santa Teresa de Jesus e de Elisabete da SS Trindade. E destaca que se dará por inteira ao seu Jesusinho. Logo na correspondência seguinte, Juanita friza que ao ler inúmeras vezes a carta recebida de Irmã Angélica, sente-se bem e pode apreciar todo o encanto da vida carmelitana. Pede a Priora que: “indique a maneira de ser inteiramente de Jesus, modelando seu amor e seus gestos com os do coração do Pai, afastando-se das vaidades do mundo”. Em seu contínuo diálogo com a Irmã Angélica ressalta o desejo ardente de encerrar-se no “ceuzinho” do mosteiro.
No ano seguinte, 1918, Juanita assegura que fica sem jeito com os carinhos recebidos de sua mãe espiritual, compreendendo que a jornada de uma carmelita é viver a união divina, vida do céu na terra, por Deus e em Deus e diz a Priora que lhe contará um segredo. Asseguro-lhe, Madre, que sinto uma confiança enorme na senhora, e é porque encontro em seu coração de mãe a ternura de N. Senhor para com minha alma. No mês de setembro, ainda de 1918, escreva a Irmã Angélica narrando sua imensa alegria, ao receber da mesma uma correspondência dizendo que havia um cantinho no “pombalzinho” dos Andes para ela. Pede que as orações da Priora levem a ela as três virtudes, da pureza, humildade e caridade.
Em sua primeira visita ao Carmelo de Los Andes, Juanita dirá que o conventinho é uma casa velha e feia, mas tal pobreza falou e comoveu seu coração. Ainda dirá que teve momentos de choro quando ouviu pela primeira vez a voz da Madrezinha. Não fazia um segundo que estava ali, e minha alma gozava de uma paz inalterável. Só Deus que via meu coração poderia compreender minha felicidade. A Priora disse a Juanita: “suas dúvidas quanto à vocação são infundadas, pois já nasceste carmelita”.
Assim, podemos plagiar a Priora de Juanita, dizendo para nossa Madre Angélica: já nasceste carmelita. E nestas suas Bodas de Esmeralda, temos certeza que suas virtudes e dedicação se confundem com a gema rara, esverdeada, livres de inclusões e com lapidação perfeita. Os estudiosos dizem: “cuidem de suas esmeraldas” pela raridade e beleza. As Irmãs nós dizemos cuidem de sua Priora. Receba, Madre Angélica, nestes 60 anos de caminhada no “pombalzinho” do Carmelo os mais caros sentimentos de vossas atuais filhas em Montes Claros: Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus, Maria Flávia de São José, Maria Aparecida do Menino Jesus, Myrian da Anunciação, Maria Inês de Jesus Eucaristia, Maria Benícia do Menino Jesus de Praga, Maria Cecília da Eucaristia, Maria Elisabeth da Santíssima Trindade, Maristella do Espírito Santo, Maria Verônica da Santa Face, Maria Bernadete da Imaculada Conceição, Maria Clara de Santa Teresa, Maria Luísa da Eucaristia, Maria dos Anjos da Divina Eucaristia, Maria Letícia da Santíssima Trindade e a mais recente delas Paula Graciele Guimarães. Também os agradecimentos e abraços de vossa OCDS – Beata Elisabete da Trindade. E que a Eucaristia, símbolo de vosso nome e de vossa caminhada, continue expressando o que nos ensinou o Apóstolo da Eucaristia, São Pedro Julião Eymar: “a Eucaristia é também a vida da alma e da sociedade humana, como o sol é a vida dos corpos e da face da terra. Sem o sol, a terra é estéril; ele alegra-a, adorna-a e enriquece-a; ele dá aos corpos a eficácia, a força e a beleza."

Comunidade Beata Elisabete da Trindade – OCDS – Montes Claros, Minas Gerais.

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