segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mensagem de natal 2010- de Nosso Provincial Frei Alzinir ocd


Do Verbo divino

A Virgem grávida

Está a caminho...

Pede-vos pousada!

Caros Irmãos e Irmãs no Carmelo Teresiano: Paz!

Inserida no tempo do Advento, a festa do Santo padre João da Cruz no dia 14 de dezembro nos premia com sua atitude de continua vigilância e atenção, de acolhida do mistério de Jesus, o Verbo encarnado no seio de Maria por obra do Espírito Santo.

Para o Santo, Jesus Cristo é o Deus que vem até nós. É o dom da proximidade de Deus, o Verbo encarnado para “estar conosco”, para dar o conhecimento e ser garantia do amor irreversível do Pai por nós: “Não me tirarás, Deus meu, o que uma vez me deste em teu único Filho, Jesus Cristo, em quem me deste tudo quanto quero...” Ele é o “espelho sem mancha do Eterno Pai”, em quem devemos contemplar o próximo e a quem João da Cruz dirige-se normalmente com os apelativos de “Palavra”, “Esposo” e “Amado”.

Jesus, a “Palavra” definitiva e eterna do Pai é a sua revelação mais perfeita, sua mais completa forma de dizer-se a nós. A palavra – oral, escrita ou testemunhal - é veículo de comunicação entre as pessoas. “Uma palavra falou o Pai, que foi seu Filho; e a pronunciou no eterno silêncio e em silêncio há de ser ouvida pela alma”. É o silêncio fecundo de Maria e que permite-nos à luz da fé, acolher docilmente, encarnar na própria vida a Palavra, “permanecer” nela, ter a “Vida em abundância” e a alegria que Jesus veio trazer a nós.

A partir da atitude de abertura por parte de Deus, podemos entender porque João chama frequentemente a Jesus de “Esposo”. É o “dulcíssimo Jesus, Esposo das almas fiéis...” que desposou a natureza humana consigo “debaixo da macieira”, isto é na cruz, redimindo a natureza humana, concedendo-lhe com isso a vida e “descobrindo-lhe as disposições de sua sabedoria” divina, “como só Ele sabe, tão sabiamente e formosamente tirar dos males bens”. A finalidade desta união esponsal com a natureza humana é a de fortalecê-la e enriquecê-la com as virtudes, a fim de que “seguindo as pegadas” do Verbo Esposo e “discorrendo pelos caminhos” com os companheiros, “cada alma ... conforme sua própria vocação, segundo o espírito e estado que Deus lhe dá, com muita diversidade de exercícios e obras espirituais”, siga pelo “caminho que consiste na perfeição evangélica...”. E esta consiste na “igualdade de amor com Deus” que aspira à vida eterna, “aquele peso de glória a que me predestinaste, ó Esposo meu, no dia de tua eternidade, em que houveste por bem determinar a criação de meu ser...”

O “Amado” que deixa o seio da Trindade para ser o Deus visível entre nós, está “escondido no íntimo ser da alma”; a fere com seu amor e a provoca a “sair de si e de todas as coisas” segundo “o afeto e a vontade”. Neste “sumo recolhimento dentro de si mesma”, entende que Ele “nunca falta à alma”. Mas ela há de buscá-Lo pela fé e pelo amor, em solidão e pobreza de todas as coisas, “não se contentando com nenhuma outra coisa fora Dele”. Este será o sinal de que O ama de fato e O tem como único Esposo.

O santo padre João da Cruz viveu aquele advento de 1577 no cárcere de Toledo. Lá ele compôs os Romances trinitários e cristológicos. Neles transparecem a ternura e o amor entre os “Três” divinos, que em sua condescendência vem até nós: Jesus assume nossos trabalhos, traz-nos a alegria; vem ser nosso Companheiro.

Faço votos que ele encontre acolhida em cada um e em suas comunidades! E que todos tenhamos um fecundo Advento e feliz festa de S. João da Cruz.


Desejo-lhes um feliz e Santo Natal e que o

Ano de 2011 seja repleto das graças do Senhor!

Fraternalmente,


Fr. Alzinir F. Debastiani - Advento - Natal 2010

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