segunda-feira, 9 de maio de 2011

I CICLA SUL OCDS Experiência como assistente e agora delegado da OCDS do norte e nordeste


Experiência como assistente e agora delegado da OCDS do norte e nordeste

Frei Wilson Gomes do Nascimento

A OCDS do Norte e Nordeste é composta por cinco comunidades e quatro grupos:

1. Belém/Pará: Comunidade santa Teresa dos Andes

2. Macapá/Amapá: Comunidade beata Teresa Maria da Cruz

3. Teresina Piauí: Comunidade santa Teresinha do Menino Jesus

4. Fortaleza/Ceará: Comunidade Rainha do Carmelo

5. São Luís/Maranhão: Comunidade são João da Cruz

6. Ibiapina/Ceará: Grupo são João da Cruz

7. Camaragibe/Pernambuco: Grupo santa Teresinha

8. Bananeiras?Paraíba: Grupo Flos Carmeli

9. Parnaíba/Piauí: Grupo Maria, Mãe e Mestra do Carmelo

O contato com a OCDS do Norte e Nordeste me fez pensar no sonho da santa Madre Teresa: ela desejou viver os conselhos evangélicos da melhor maneira possível, numa comunidade pequena, fraterna e orante, para glória de Deus e santidade da Igreja. Iniciou este sonho fundando o Convento de são José de Ávila, mas seu ideal cresce e se expande, diante das notícias do missionário franciscano fr.Maldonado, que no locutório falou às monjas sobre a realidade dos que viviam na América e que ainda não conheciam a Cristo e seu Evangelho. Creio que do céu, santa Teresa olha feliz a multidão de filhos e filhas que tem no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, só para falar na Cicla Sul.

Nosso país, devido suas dimensões, é um verdadeiro continente, imenso. As distancias, mas também as dificuldades de comunicação (telefone, internet etc), os gastos com despesas de viagem e o tempo necessário para deslocamentos, pedem de nós criatividade e generosidade, que constantemente observo nos membros da OCDS daquelas regiões participando dos encontros realizados no Sudeste, mas também nos encontros regionais do norte e nordeste.

Procuramos então, conjugar curso/retiro para monjas durante a semana e encontro/retiro com os leigos no final de semana. Acertamos dois alvos com um dardo só, dividindo despesas, presença e a alegria de sermos uma mesma família.

No retiro anual dos frades do ano passado, fr. Felipe Sainz de Baranda, falando sobre o nosso carisma, citou o documento Mutuae Relationes, que trata das relações entre bispos e religiosos na Igreja: “O próprio carisma dos fundadores (Evang. Nunt. 11) revela-se como uma experiência do Espírito, transmitida aos próprios discípulos a fim de ser por eles vivida, conservada, aprofundada e constantemente desenvolvida em sintonia com o corpo de Cristo em perene crescimento”. Cada nova geração de carmelitas teresianos: leigos, frades e monjas, recebe como herança essa experiência do Espírito e somos chamados a acolhe-la, assimilá-la, aprofundá-la e constantemente fazê-la crescer, para o serviço da Igreja e da humanidade com aquilo que nos é próprio. Em contato com a ordem secular e com as monjas pude crescer no conhecimento e vivencia do próprio carisma que recebi como membro desta família carmelitana.

Santa Madre diz no Caminho de Perfeição 26, 9 “A falta de trato com uma pessoa causa estranheza e embaraço, nem se sabe falar com ela. Mesmo sendo aparentada conosco, parece que não a conhecemos. Com a falta de comunicação pouco a pouco se perdem o parentesco e a amizade.” Ela nos fala do relacionamento com Deus, mas também do relacionamento humano que precisa de encontro e convivência para formar uma família. Penso que os congressos e retiros nos fizeram crescer como família do Carmelo teresiano, no conhecimento, assimilação e aprofundamento do carisma e na construção da fraternidade. Santa Madre dirá no livro da Vida que “A caridade cresce quando se comunica”. Podemos dizer a mesma coisa da fé e da Esperança, elas crescem quando nós as comunicamos, quando são partilhadas em nossos encontros, como na vigília pascal, onde o fogo é repartido e ascendemos as velas uns dos outros, fazendo crescer a luz e ao mesmo tempo afugentando as trevas.

Às vezes, ouço dizer que são João da Cruz não é para ser lido ou seguido pelos carmelitas seculares ou monjas. Às vezes, alguns dizem que santa Teresinha é muito bobinha para ser lida ou imitada/seguida. No entanto, várias pessoas e grupos, que não são “carmelitas oficiais”, admiram nossos santos, lêem seus escritos e se esforçam para viver o que eles viveram e ensinam. Nestas pessoas se cumpre a Palavra de Deus: “Comem e bebem sem pagar nada”. Esta situação pode provocar em nós certo ciúmes, mas também nos ajuda a discernir se estamos passando fome diante de uma mesa rica e farta de alimentos ou buscamos fora, em outros lugares, o alimento que abarrota nossa despensa.

Termino citando o Caminho de Perfeição 41, 7: “(...) tanto quanto puderdes sem ofensa de Deus, procurai ser afáveis. Portai-vos de tal sorte com todas as pessoas que vos cercam, que amem vossa conversação, desejem vosso modo de viver e tratar, e não se atemorizem e amedrontem de praticar a virtude.

(...) Quanto mais santas, tanto mais conversadas com vossas irmãs. (...) havemos de procurar ser afáveis, agradar e satisfazer às pessoas com quem vivemos, especialmente as nossas irmãs.”

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