domingo, 11 de setembro de 2011

A contemplação e a regra carmelitana

Pe. Geral da O. C.: Josepf Chalmers

Tradução:  Frei Wilson Gomes. ocd


Introdução

É maravilhoso estar com vocês nesse grande momento para o Carmelo na América Latina. Por um longo tempo vocês se prepararam para este encontro de várias formas e a preparação é muito importante para toda a Família Carmelitana.
O Carmelo é sinônimo de oração. Cabe a mim falar sobre a Contemplação e a Regra Carmelitana. Tentarei abordar essa questão a partir do ponto de vista de nossas vidas espirituais hoje. Em primeiro lugar, façamos uma breve memória da história. A “Formula Vitae”, redigida por santo Alberto de Jerusalém entre 1206-1214, foi escrita como uma carta e baseia-se no “propositum”, ou proposta dos eremitas no Monte Carmelo. O mesmo ocorre hoje quando uma ordem pede que o Papa escreva uma carta sobre algum evento importante. Normalmente a ordem faz uma proposta, enviando algumas sugestões nas quais o Papa poderá basear sua carta. É claro que o papa é livre para rejeitar a proposta e escrever algo completamente diferente. Contudo, num caso normal, a encíclica papal se baseará na proposta que a Ordem enviou.
Sabemos que Santo Alberto baseou-se na proposta recebida dos eremitas, pois ele mesmo nos conta isso: “Mas, uma vez que nos pedis que vos demos uma fórmula de vida de acordo com o vosso projeto comum e à qual deveis permanecer fiéis no futuro” (Regra 2 - OCD). Podemos imaginar o que estava na proposta e aquilo que vem da própria experiência de Alberto, mas não podemos ter certeza de onde vem exatamente cada idéia. Infelizmente, não possuímos uma cópia da “Formula Vitae”, escrita por Santo Alberto. O texto mais antigo da Regra que possuímos é o da bula papal “Quae Conditoris” de Inocêncio IV, de 1247. O papa Inocêncio escreveu essa bula em resposta a um pedido dos carmelitas para que a “Formula Vitae” fosse adaptada, a fim de que pudessem entrar para o novo movimento dos frades mendicantes, liderado pelos franciscanos e pelos dominicanos. È possível identificar o que foi escrito por Santo Alberto e o que foi acrescentado pelo Papa. No entanto, repito que o único texto que temos é o de 1247. Com a bula, a “Formula Vitae” torna-se uma Regra oficial, reconhecida pela Igreja e os eremitas leigos carmelitas tornaram-se religiosos.

Impulso da regra
Como sabemos, a “Formula vitae” foi escrita a pedido dos eremitas para dar uma estrutura oficial às suas vidas. O papa Inocêncio IV fez alguns acréscimos pequenos, porém significativos, que permitiram que os eremitas se tornassem uma ordem consagrada e se estabelecessem nas cidades que surgiam na Europa. Essas mudanças afetaram profundamente o curso que a Ordem Carmelita tomou, mas não alterou profundamente sua espiritualidade. Os homens que buscavam Deus no silêncio da caverna e na comunidade, ouvindo a Palavra de Deus e celebrando a Eucaristia juntos, fariam o mesmo, especialmente num cenário novo. A maioria dos irmãos vivia na cidade, mas levavam o Monte Carmelo com eles onde quer que fossem.
As Constituições das monjas carmelitas, afirma: “Desde sua chegada na Europa no século XIII, algumas mulheres se uniram ao espírito da Ordem de modo especial, e logo comprometeram suas vidas com os mesmos votos religiosos que os homens da Ordem professavam. O documento “Cum nulla” de Nicolau V (1452), enquanto aprovava uma situação já existente, estabeleceu as bases para um desenvolvimento sistemático do ramo feminino do Carmelo para que a ‘Bem-Aventurada Mãe de Deus’ pudesse ser venerada pelas religiosas, assim como era venerada pelos homens da Ordem” (Const. 19, citando uma carta das monjas carmelitas a João Soreth, Prior Geral, 12 de outubro de 1453). Lentamente surgiu um movimento mundial de mulheres que se dedicaram ao serviço de Deus e do próximo, vivendo alegremente na oração e na penitencia. Esse estilo de vida produziu muitas mulheres santas que, na sua maioria, permaneceram desconhecidas, exceto para Deus. No entanto, a filha mais famosa do movimento claustral carmelitano é a grande Santa Teresa de Jesus. Ela pegou os elementos tradicionais e com grande genialidade trabalhou-os de novo para suas muitas fundações. Vivendo numa época de grande fermentação e revolução, ela incorporou o melhor do passado numa visão nova e criativa da vida contemplativa. É esta visão que influencia todas as monjas carmelitas hoje. Na verdade, todos os homens e mulheres carmelitas olham para Santa Teresa como uma fonte incomparável de inspiração e guia para a vida espiritual. Nas constituições das monjas O.C., as palavras de Santa Teresa são usadas para expressar o chamado que receberam de Deus: “sentimo-nos ‘chamadas à oração e à contemplação. Este chamado explica nossa origem; somos as descendentes dos homens que sentiram este chamado, daqueles Padres Santos do Monte Carmelo que em grande solidão e desprezo pelo mundo procuraram este tesouro, esta pérola preciosa da contemplação’ (S. Teresa de Jesus, O Castelo Interior, 5as Moradas, Capítulo 1, parágrafo 2)” (Constituições n. 61). Isso testemunha que a espiritualidade da Ordem, apesar da maioria de seus membros estar envolvida com trabalhos apostólicos ativos nessa época, ainda era essencialmente contemplativa.
A Ordem sempre considerou que a contemplação está no coração de nossa vocação. O “Intitutio Primorum Monachorum”, que foi o documento de formação de todos os jovens carmelitas por centenas de anos, afirma: “O objetivo dessa vida é duplo: Uma parte... é oferecer a Deus um coração que seja santo e puro da verdadeira mancha do pecado... O outro objetivo dessa vida nos é garantido como um dom livre de Deus; ... provar de algum modo no coração e experimentar na mente o poder da presença divina e a doçura da glória celestial” (Livro I, cap. 3).
A tradição da Ordem sempre interpretou a Regra e o carisma fundador como expressões da dimensão contemplativa da vida, e os grandes mestres espirituais da Família Carmelitana sempre retornaram à esta vocação contemplativa.

Transformação em Cristo
O princípio fundamental da Regra Carmelitana é a transformação em Cristo. Ao permitir que os valores da Regra formem nossas vidas, seremos gradualmente transformados a fim de nos tornarmos uma nova criação em Cristo. Existem muitas formas de encarnar a Regra: como eremitas, frades, monjas de clausura, irmãs de vida ativa e leigos (as). Todos os carmelitas são fundamentalmente chamados à mesma vocação, apesar de viverem-na de maneiras diferentes. O Estilo de vida carmelitano é apenas um modo de seguir a Cristo, mas é o nosso modo. Jesus deixou bem claro quais eram as condições para seguí-lo. Aqueles que querem seguí-lo devem perder suas vidas para que possam salvá-las. Nossos modos humanos de pensar, amar e agir, que são limitados, devem ser transformados em modos divinos que são infinitos. Em outras palavras, a vocação cristã é tornar-se como Cristo, a imagem do Deus invisível.
As palavras “contemplação” ou “oração contemplativa” não aparecem na Regra. Em vez disso, aparecem outros termos como, “meditando dia e noite na Lei do Senhor” (n. 8 OCD); “o peito protegido por meditações santas” (n. 16 OCD); “A espada do Espírito que é a Palavra de Deus, habite abundantemente na sua boca e nos seus corações” (n. 16 OCD); “O apóstolo recomenda o silencio, quando manda que é nele que se deve trabalhar. E como afirma o profeta: a justiça é cultivada pelo silencio. E ainda: no silencio e na esperança estará a força de vocês” (n. 18 OCD); “procure com diligencia e cautela guardar o silencio, no qual está todo o culto da justiça” (n.18 OCD).

Lectio Divina
A Lectio Divina é o modo de rezar que não é ensinado e sim assumido pela Regra Carmelitana. Ela permeia toda a Regra. Esse modo de oração foi pratica por centenas de anos antes de qualquer tentativa de defini-lo. Os famosos quatro estágios ou fases da Lectio Divina (leitura, meditação, oração e contemplação) chegou a nós a partir do trabalho de Guigo, o Cartuxo, por volta do ano 1150 na “Escada dos Monges”. A Lectio Divina se perdeu para a grande maioria dos cristãos, especialmente devido ao medo da influencia do princípio protestante de “Só a Escritura” e a subseqüente desvalorização da Tradição durante a Reforma. O acesso às Escrituras foi negado à maioria das pessoas e a leitura da Bíblia não era considerada a coisa certa para os católicos. Graças a Deus, a Palavra de Deus foi mais uma vez colocada no centro da vida da Igreja. É obvio que ela nunca desapareceu totalmente e a Lectio Divina foi mantida viva principalmente nos ambientes monásticos.
Na época em que a Regra foi escrita, não havia muito interesse em definir estágios de oração. Os quatro degraus de Guigo: leitura, meditação, oração e contemplação, eram usados para ensinar os jovens que se uniam às comunidade monásticas. Nunca pretenderam ser definições fechadas e inflexíveis (no lugar de duras e firmes). A Lectio Divina é o modo comum de oração para os monges e eremitas e tenciona levar à transformação em Cristo. Esse é o ponto comum de todos os modos autênticos de oração ou de qualquer Regra. Se olharmos para a Regra meramente como uma lista de coisas que devemos fazer para viver uma vida boa, não compreendemos seu objetivo. Ao viver fielmente os valores da Regra, estamos sendo gradualmente transformados em Cristo para nos tornarmos o que Deus nos criou para ser.
Naquela época, a meditação não tinha nada a ver com o pensamento discursivo sobre Deus e sobre as coisas de Deus. Ao invés disso, a meditação era uma prática pela qual o corpo todo ficava envolvido na oração. Os eremitas murmuravam ou gritavam as palavras dos salmos (daí a necessidade de grutas separadas no Monte Carmelo). Os eremitas as repetiam várias vezes até que as palavras criassem raízes dentro deles e essas palavras viessem à mente espontaneamente durante seu trabalho diário. Santo Alberto meditou muito sobre a Palavra de Deus, pois a Regra está repleta de alusões às Escrituras e de citações diretas. A Palavra de Deus é parte dele e, por isso, torna-se o coração da Regra que escreveu. Ela foi o coração da vida que os eremitas se sentiram chamados a seguir e que propuseram a Alberto.
Nosso modo de rezar é diferente daquele utilizado pelos primeiros eremitas porque nossa vida é diferente, mas o objetivo é o mesmo. O conceito de contemplação foi profundamente afetado pela história da espiritualidade. Como resultado de diversos fatores históricos, a contemplação foi considerada com grave suspeita. Conhecemos as dificuldades que São João da Cruz e Santa Teresa tiveram com a Inquisição por causa da suspeita geral que rondava a contemplação. Tal suspeita durou pelo menos 400 anos e alguns de seus efeitos ainda estão conosco. Um dos efeitos mais graves foi que a contemplação foi proibida a grande maioria de cristãos e reservada a uma elite. Não havia ensinamento ou pregação sobre o objetivo da oração cristã e a maioria das pessoas nunca ouvira falar de contemplação. Isso foi parcialmente remediado recentemente com o aumento do interesse pela oração. Muitos cristãos se voltaram para as religiões orientais porque não encontravam nenhuma profundidade espiritual dentro do cristianismo. Essa situação provocou uma resposta entre os cristãos e agora existem muitos movimentos que ensinam a tradição contemplativa cristã.
A Regra não ensina a oração contemplativa. Ninguém pode ensinar a oração contemplativa. A Lectio Divina forma a base da oração na Regra. Ela nunca foi apenas um modo de oração. Ela foi e é um estilo de vida. As quatro fases da lectio Divina – leitura, meditação, oração e contemplação – emanam umas das outras e formam um todo sem costura. O mais importante de tudo é a compreensão da contemplação. Os eremitas não tinham quatro momentos separados durante os quais liam as Escrituras, meditavam sobre elas, rezavam sobre elas e, então, contemplavam. Eles liam sozinhos a Palavra de Deus em suas celas, juntos nas refeições, na celebração da Eucaristia ou na recitação dos salmos. Aqueles que não podiam ler, recitavam o Pai Nosso e a Ave Maria, que também são orações das Escrituras. Eles meditavam sobre a Palavra de Deus, murmurando as palavras repetidamente em suas celas, ou fora delas no trabalho, até que a Palavra se tornasse parte deles. Isso levava espontaneamente à oração que vinha do coração como uma resposta à Palavra que escutavam. A resposta poderia ser a ação de graças, a contrição, o louvor ou o que quer que fosse. Os momentos contemplativos poderiam emergir a qualquer instante durante o dia quando Deus assumia o comando e os eremitas se libertavam de suas próprias palavras, pensamentos e emoções.
Não podemos viver ou rezar como eremitas no Monte Carmelo, pela simples razão dos 800 anos de história que nos separam. Eles eram pessoas medievais e nós não. Não podemos rezar como se o mundo fosse plano ou como se nosso mundo não tivesse se tornado uma aldeia global. Os eremitas não sabiam que essa parte do mundo existia, nem se preocupavam com o que acontecia aqui. Devemos nos preocupar com o que está acontecendo na Indonésia ou na Africa porque seres humanos, nossos irmãos e irmãs, são afetados. Os eremitas eram filhos de sua época e nós somos filhos da nossa. Quando estudamos a Regra, não estamos tentando copiar a vida dos eremitas. Buscamos os valores que os inspiraram e permitimos que esses mesmos valores também nos inspirem.
Assim, o objetivo de nossa oração é o mesmo dos eremitas. Buscamos rezar incessantemente: Permaneça cada um na sua cela ou na proximidade dela, meditando dia e noite na Lei do Senhor e vigiando em orações, a não ser que esteja ocupado em outros justificados afazeres (Regra n. 8 OCD). Buscamos viver na presença de Deus, e estar em tal sintonia com Deus de maneira que, tudo que fazemos, dizemos ou pensamos, esteja de acordo com a vontade Deus. A Regra coloca isso desta maneira: “E que a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, habite abundantemente em sua boca e nos seus corações, e tudo que vocês tiverem de fazer, seja lá o que for, que seja feito na Palavra do Senhor (Regra n.16 OCD). Assim, somos gradualmente transformados em Cristo.

O Caminho da Oração
Quando consideramos a contemplação e a oração contemplativa, devemos levar em conta o que os grandes místicos falaram sobre isso. Por exemplo, ao comentar sobre o processo da Lectio Divina, são João da Cruz escreveu que a buscamos na leitura e devemos encontrá-la na meditação; batemos à porta da oração e ela se abre para nós na contemplação (Dito 156). Os três primeiros elementos são ativos – o que podemos fazer – e o último, a contemplação, é passiva – o que Deus faz. A contemplação não está confinada a um momento específico da oração. De acordo com João da Cruz, a contemplação começa com a noite escura dos sentidos, o que não é um estado elevado. A contemplação começa quando assumimos seriamente a jornada espiritual e tentamos responder ao convite de Deus à intimidade com Ele, com todo nosso coração. Isso nos envolve necessariamente a nos afastarmos de certas coisas boas. Esse afastamento pode provocar uma certa escuridão dentro de nós. Se formos fiéis nessa hora, Deus nos conduz além e começa a assumir o controle do processo de nos transformar em Cristo. Nos primeiros estágios, ainda estamos muito ativos, evitando o pecado, fazendo boas obras, dizendo nossas orações e assim por diante. No entanto, à medida que o relacionamento com Deus evolui para uma amizade firme, dependemos menos de nós mesmos e confiamos mais em Deus. Temos muitas lições para aprender nessa jornada e muitas maneiras de desaprender. Existem muitos buracos nessa estrada e também muitos desvios interessantes do caminho reto e estreito. Não é fácil permanecer no caminho que leva à vida, especialmente quando cai a escuridão. São João da Cruz nos ensina claramente que esse é o caminho da fé, o que significa confiar em Deus, mesmo quando razões puramente humanas para confiar são tiradas de nós.
Ao crescermos na intimidade com Deus, nossa oração começa a se modificar. Existe um movimento sutil e gradativo de nosso esforço no trabalho de Deus. É claro que Deus atua em qualquer oração autentica, mas ao crescermos em intimidade com Deus, Ele começa gradualmente a assumir a direção. O motorista determina onde o carro vai. Se tentarmos interferir com a direção, provocaremos um acidente. É importante determinar quem vai dirigir o carro. Se nós simplesmente deixarmos a direção e Deus não assumir o comando, também provocaremos um acidente. Nesse ponto, devemos levar em consideração os três famosos sinais de João da Cruz. Eles apontam quando a pessoa deve deixar a direção e deixar que Deus assuma, e assim, desistir da meditação discursiva e passar para o estágio da contemplação. O primeiro sinal é perceber que não podemos fazer uma meditação discursiva, nem receber satisfação dela como antes. A aridez é o resultado da tentativa de prender os sentidos a temas que anteriormente nos deram satisfação. O segundo sinal é a consciência da relutância em fixar a imaginação em certos objetos, exteriores ou interiores. O terceiro, e mais certo sinal, é que a pessoa gosta de permanecer sozinha na percepção amorosa de Deus, sem considerações especiais, em paz interior, calma e repouso, sem os atos e exercícios (pelo menos discursivos, aqueles nos quais progredimos de ponto a ponto) do intelecto, da memória e da vontade (Subida livro 2, cap. 13, parágrafos 1-4). No livro da Noite Escura, os três sinais são dados a partir de outra perspectiva: a de julgar se a aridez que a pessoa está experimentando vem ou não da ação de Deus (Noite Escura livro 1, capítulo. 9).
Os três sinais são descritos com uma compreensão em especial da meditação discursiva, que era muito diferente do tipo de meditação praticada pelos eremitas no Monte Carmelo. Duvido que muitas pessoas ainda usem realmente a meditação discursiva. No entanto, penso que o termo meditação na compreensão de João da Cruz inclui qualquer tipo de oração onde permanecemos ativos de alguma maneira.
Após a oração ativa, não importa quanto essa atividade possa ser gentil, vem a contemplação, que é um influxo tranqüilo e amoroso de Deus na alma. A contemplação é o trabalho de Deus e não nosso. É Deus quem determina quando e se ela vai acontecer, não nós. Podemos e devemos nos preparar de toda maneira possível para o dom de Deus, quando e se Deus quiser dá-lo a nós. Por causa da suspeita colocada sobre a contemplação e que permaneceu na Igreja por muitos séculos, a maioria das pessoas foi ativamente desencorajada a qualquer tipo de oração silenciosa. No Caminho de Perfeição, Santa Teresa mostra como a pessoa pode se tornar uma grande contemplativa através da recitação do Pai Nosso (Caminho 25, 1). Deus não pode ser derrotado pelas regras humanas.

Escutar Deus
A mentalidade medieval era bem diferente da nossa. Nossa mentalidade moderna está sempre pensando as coisas profundamente, planejando o futuro, vivendo no passado. Nossas mentes não param. Temos uma fita cassete ou cd interior que nos acompanha durante o dia com um barulho incessante. Não emitimos comentários, nem reagimos a qualquer coisa. Muitas vezes nossa oração é simplesmente parte desse barulho incessante e não é verdadeiramente uma abertura de todo nosso ser ao Deus vivo. Queremos seguir nossa própria agenda, em vez de responder ao gentil convite de Deus para entrar na vida íntima da Santa Trindade. O ponto central do cristianismo é que somos chamados a um relacionamento íntimo com Deus e através de Jesus Cristo. Somos transformados nesse relacionamento e nos tornamos o que Deus sabe que podemos ser como Deus, capazes de ver a criação com os olhos de Deus e a amar a criação com o coração de Deus.
Para o sucesso de qualquer relacionamento humano, devemos dedicar algum tempo para estar com o outro e ouvi-lo profundamente. Contudo, não somos muito bons para ouvir. Ouvimos o que queremos ouvir. Filtramos o que nos é dito através da peneira de nossa própria agenda. Temos dificuldade em ouvir o outro por causa do barulho constante dentro de nós. Se agimos assim normalmente, o mesmo ocorre na hora de rezar. Parte do processo de transformação é que nossos modos humanos limitados de pensar e de amar devem ser transformados em modos divinos. Quando lemos, meditamos ou quando falamos espontaneamente com Deus, estamos no controle e é muito difícil para nós largarmos a direção para que Deus possa assumi-la. São João da Cruz escreveu que Deus pronunciou uma palavra e esta palavra é seu Filho. Deus repete essa Palavra num silencio eterno e ela dever se ouvida pela alma no silencio. A Lectio Divina se move em direção ao silencio. Esse silencio é a melhor forma de receber o dom da contemplação. Quando nossas palavras e nossos belos pensamentos já não são mais suficientes, apenas o silencio pode dar uma resposta adequada à Palavra de Deus. Somente com um silêncio interior podemos escutar Deus.
Para os carmelitas, o silencio é uma virtude muito importante. A partir de nossa Regra, sabemos que o silencio é o modo de cultivar a justiça e a santidade (Regra n. 18 OCD). As palavras e ações que não vêm de um coração silencioso tendem a levar à injustiça e simplesmente contribuem para os problemas do mundo e não para sua solução. Silêncio não significa não falar por estarmos assistindo televisão. Devemos ter uma prática sólida de oração diária na qual o silencio seja um elemento importante. A Lectio Divina é uma prática abençoada por muitos séculos de uso. Nesse método, há um tempo para ler, um tempo para meditar sobre o que lemos, um tempo para responder àquilo que lemos e um tempo para deixarmos a Bíblia de lado e, inclusive, de abandonarmos nossas palavras e pensamentos santos, quando permitimos que a Palavra de Deus se apodere de nossos corações. Permitimos que Deus fale conosco no silencio ou nos defendemos contra Deus? O que é falso dentro de nós odeia o silencio porque o silencio o coloca em foco e, portanto, sempre existirá a tentação de preencher o silencio com palavras, pensamentos ou qualquer coisa, desde que nos distraia deste terrível silencio! Qualquer que seja o tipo de oração que usemos diariamente, ela deve incluir o silencio para ser realmente eficaz no caminho da transformação.
Precisamos aprender a nos tornarmos silenciosos. O primeiro fruto da oração autentica é o auto-conhecimento, que permanece sempre como uma parte essencial de uma vida espiritual saudável (Castelo Interior 1as. Moradas, capítulo 2, parágrafos 8-9). Não podemos conhecer Deus sem aprender muito sobre nós mesmos, devemos tentar fazer algo quanto a isto. Nossa oração não será boa se nos recusarmos a deixar de lado algum pecado: “Não importa o quanto sua contemplação seja elevada, busque sempre começar e terminar sua oração com o auto-conhecimento” (Caminho de Perfeição 39, 5)

Amizade Íntima
Um (a) contemplativo (a) é uma pessoa numa amizade madura com Jesus Cristo. Alguém que passou por muitos altos e baixos e que tem agora um relacionamento firme e profundo com Ele. Esse relacionamento não é estático – longe disso – ele está sempre se movendo e se desenvolvendo. Quando chegamos a esse ponto nossas vidas se tornam realmente proveitosas porque elas estão de acordo com a mente e o coração de Deus. Vemos com os olhos de Deus e amamos com o coração de Deus. A Igreja e o mundo precisam de amigos maduros de Jesus Cristo. As pessoas têm sede de conhecer Deus. Elas necessitam de pessoas que as levem gentilmente às fontes de água viva e que lhes mostrem que é possível um relacionamento profundo com Deus no meio de uma vida muito atarefada.
A contemplação é um dom de Deus. Não podemos exigir que nos tornemos amigos íntimos de Deus. Nenhuma amizade pode ser forçada. Deus é completamente soberano, mas sabemos pelas Escrituras que Deus nos convida à vida da Trindade. Muitos Padres da Igreja enfatizaram que Deus tornou-se homem para que o homem pudesse se tornar Deus. Não poderíamos receber vocação mais profunda.
A contemplação não é uma experiência esotérica de satisfação. É um processo de amadurecimento. O processo de contemplação muda os modos humanos de pensar, amar e agir em modos divinos. Nossos modos humanos são muito limitados e, por isso, ao lermos a Palavra de Deus, somos limitados por nossa experiência de vida e por muitos outros fatores. Dizem que podemos encontrar razões na Bíblia para sustentar qualquer posição. Portanto, não basta apenas ler a Bíblia. Nosso modo de ver as coisas deve ser purificado. Quando meditamos sobre a Palavra de
Deus, tentamos compreender seu significado e que mensagem ela pode ter para nossas vidas. Mas, ao fazermos isso, ainda somos limitados. Nosso mundinho deve ser ampliado e nossas mentes reformadas de acordo com a mente de Cristo. Quando rezamos com o coração, ainda estamos usando palavras humanas. Nossas palavras e pensamentos, mesmo que sejam belas, ainda são palavras e pensamentos humanos. Por isso, é necessário que eles também sejam purificados pela Palavra de Deus.
A luz da Palavra de Deus irradia uma clarão poderosa nas margens escuras de nosso coração. É muito difícil aceitar o que a luz mostra, mas se aceitarmos, seremos livres para nos tornarmos o que Deus sabe que podemos ser. Somos chamados a ser contemplativos, o que significa ser amigos íntimos de Jesus Cristo. Não podemos fingir que respondemos ao chamado de Deus. Para entrarmos na intimidade é necessário que façamos um compromisso com a oração. Isso não significa falar com Deus, mas acima de tudo, escutar Deus.
Às vezes, a oração pode se tornar tediosa e somos tentados a desistir dela. A razão de nosso tédio pode ser o pecado pessoal, a indiferença ou uma incapacidade para ouvir. Contudo, ela também pode ser um chamado de Deus para que passemos para outro modo de relacionamento. É aqui que passamos da benevolência para a amizade. Normalmente existem diversas crises antes de nos estabelecermos firmemente numa amizade verdadeira. Santa Teresa nos diz que Deus às vezes trata seus amigos de modo estranho.
Uma parte muito importante da tradição cristã da oração é a experiência da noite escura, um conceito ligado ao nome de São João da Cruz para sempre. Esse é um momento de transição para uma amizade íntima e duradoura e pode durar muitos anos. A experiência é diferente para cada pessoa porque cada relacionamento é único. Fundamentalmente o que a noite escura experimenta é que somos convidados a deixarmos um modo de relacionamento com Deus onde temos o controle e nos mudarmos para uma nova terra onde Deus nos guia. A noite escura é uma experiência muito normal que ocorre tanto na oração quanto no dia a dia. Nossas meditações e nossos pensamentos santos só podem nos levar até aqui. Em algum momento devemos nos soltar e confiar que Deus nos levará adiante. Se nossa experiência de meditação sempre foi profunda e cheia de devoção, nunca desistiremos. Então, Deus vai secar essa fonte para nos alimentar de outro modo.
Mas por não estarmos acostumados com esse outro modo, começamos a protestar amargamente. Ler a Bíblia nesse momento é como ler uma lista telefônica. Nossos pensamentos profundos sobre os mistérios da fé são uma memória distante. Não podemos evocar um único pensamento ou sentimento santo. Muitas vezes nos deparamos com muitas dificuldades em nossos ministérios ou na vida doméstica.
Todos nós estamos numa jornada de transformação. Normalmente é uma longa jornada com muitas curvas e mudanças de direção enquanto tudo que é falso dentro de nós gradualmente se transforma em Cristo. A noite escura é uma grande benção de Deus. É o momento onde Deus está atingindo os lugares escondidos de nossos corações para nos transformar completamente. A noite escura não é completamente escura. Pelo contrário, ela é muito brilhante para nós e, por isso, parece escura. Essa sala pode parecer bem limpa, mas se usarmos luzes de alta potencia, poderemos ver toda sujeira que não está visível em condições normais.
Esse é um momento crucial na jornada espiritual. Muitos desistem e voltam porque não compreendem o que está acontecendo. Se realmente nos esforçarmos ao máximo, apesar de nossos pecados e se formos fiéis à oração, é muito provável que toda essa escuridão seja um resultado da ação de Deus, para nos guiar para fora da imaturidade espiritual, em direção a nos tornarmos seus amigos íntimos. Existe uma grande revolução acontecendo na vida espiritual quando finalmente descobrimos e aceitamos que Deus não é parte de nosso mundo, mas nós somos parte do mundo de Deus. Isso é realmente uma revolução.
É fundamental nesse momento apenas esperar em Deus e ouvir o som da voz de Deus que muitas vezes nos vem de modo surpreendente e através de pessoas surpreendentes. Alberto escreveu sua “fomula vitae” para os eremitas que viviam ao lado da fonte. Ela é a fonte do profeta Elias e os eremitas estavam conscientes de seu grande exemplo. É muito útil reler as histórias no primeiro livro dos Reis, onde vemos Elias obtendo grande sucesso e, depois, o fracasso. Ele faz sua jornada através do deserto até o Monte Horeb, a montanha de Deus, para reacender sua fé. Lá ele se encontra com Deus de um modo inesperado, no som da brisa suave. Também devemos estar preparados para receber Deus como ele deseja se aproximar de nós e, portanto, devemos desenvolver um coração que saiba escutar.
Na contemplação nossos modos normais de conhecer e compreender estão suavizados e, a princípio, pode existir o sentimento de angústia de não estarmos fazendo coisa alguma. Então, a contemplação, que é uma nova terra, estranha, onde tudo que nos é natural parece ter sido virado de cabeça para baixo; lugar onde aprendemos uma nova linguagem, a linguagem do silencio. Aprendemos um novo modo de ser, não de estar sempre fazendo, mas simplesmente de ser, onde nossos pensamentos e conceitos, nossa imaginação, sentidos e sentimentos são abandonados e trocados pela fé no que não pode ser visto e sentido, onde a aparente ausência de Deus a nossos sentidos é a presença de Deus e o silencio de Deus à nossa percepção comum é o discurso de Deus. É entrar no desconhecido, deixando de lado tudo que nos é familiar e que nos apegamos por segurança. Entrar nessa nova terra é como entrar na escuridão e no vazio. É entrar num processo que é um tipo de morte, mas é a morte que Jesus nos diz que leva à vida (Mt. 10, 39).
A contemplação começa ao depositarmos nossa confiança em Deus, seja qual for a forma que Ele escolha de se aproximar de nós. A oração é a porta para a contemplação e sem a oração não podemos esperar conduzir qualquer tipo de vida espiritual. Contudo, estou convencido de que a contemplação é muito mais que oração, embora o coração da questão seja a oração. É um processo de transformação que leva o ser humano a se tornar uma nova criação ao ser transformado em Deus.
A contemplação não pode ser agarrada e sim, recebida. São João da Cruz nos diz: “Esse conforto interior é tão delicado que se alguém o deseja ou tenta experimentá-lo, não conseguirá; porque ele faz seu trabalho quando a alma está em repouso e livre de cuidado; ele é como o ar que escapa de nossas mãos ao desejarmos prende-lo”. (1º. Livro da Noite capítulo 9, parágrafo 6)

O teste
Não começemos o dia espiritual como se já estivéssemos transformados. Somos marcados por nossa natureza decaída e, por isso, fundamentalmente egoístas, não importa se nos sentimos santos e pareçamos santos aos outros. São João da Cruz nos mostra as muitas faltas do iniciante em seu livro A Noite Escura, de modo que ele ou ela compreenderá que a perfeição ainda está muito longe. Podemos estar totalmente concentrados em realizar nossas próprias necessidades e desejos egoístas, sem realmente ter consciência disso. É vital compreender que não nos tornamos santos simplesmente porque começamos a levar Deus a serio. Nossa parte egoísta está feliz numa situação religiosa, desde que possa usar seu novo ambiente para realizar seus próprios desejos.
Seremos testados muitas vezes e a razão para esse teste é que precisamos ser purificados para que sejamos capazes de servir aos outros de coração puro. No entanto, não começamos o dia com um coração puro. É um processo gradual. Portanto, muitas vezes nossa oração será seca, mas isso não significa que Deus não esteja conosco. Normalmente Deus fala fora do tempo da oração, no meio de nossa vida diária. O processo contemplativo é muito mais amplo do que o tempo que reservamos à oração, mas não podemos afirmar que somos contemplativos a menos que o tempo passado sozinhos com Deus seja uma parte importante de nossas vidas. É durante esse tempo que Deus gradualmente purifica nossos sentidos espirituais para que sejamos capazes de discernir a voz de Deus no meio de tantas outras vozes que ouvimos a cada dia. Às vezes Deus nos diz palavras de consolo, mas as vezes Deus nos mostrará algo que precisa ser mudado. É vital que aceitemos e que façamos algo a respeito isso, do contrário, não cresceremos. É claro que o egoísmo dentro de nós usará todos os tipos de argumento para não mudar e isso soará muito razoável. Devo permitir que qualquer tipo de emoção forte se acalme e depois me perguntar o que posso aprender com o que foi dito ou com o que percebi sobre mim mesmo. É muito útil perguntar por que surgiram as emoções fortes. Gradualmente me separarei de minhas próprias opiniões, de meu modo de realizar as coisas e serei capaz de discernir o que Deus está me dizendo.
O coração humano é muito sutil e requer uma purificação profunda. É esse o objetivo da jornada contemplativa. Ao crescermos mais e mais à semelhança de Cristo, aprendemos a ver como realmente somos. Ser contemplativo (a) significa ter penetrado no mistério de Deus através de um conhecimento amoroso. É esse o dom de Deus e o resultado da ação purificadora e transformadora de Deus dentro do ser humano.
O desagradável teste do progresso na jornada espiritual é se estamos nos tornando seres humanos melhores. Como realmente tratamos outras pessoas é o campo de provas de autenticidade da transformação que está acontecendo dentro de nós. Isso também está bem claro em Santa Teresa. Não podemos progredir na vida de oração a menos que avancemos no amor de Deus e num amor real de nosso próximo (Caminho de Perfeição capítulos 4, 7 e outros). Teresa tentou progredir no amor de Deus e do próximo. Ela escreveu: “quando vejo pessoas atenciosamente buscando descobrir que tipo de oração estão experimentando e tão envolvidas em sua oração que parecem ter medo de se mexer ou de se entregarem a um pensamento momentâneo, para que não percam o mínimo grau de ternura e de devoção que estão sentindo, percebo quão pouco elas compreendem o caminho para obter a união. Elas pensam que tudo consiste nisso. Mas não, irmãs, não; o Senhor deseja obras” (Castelo Interior 5as Moradas, Capítulo 3, parágrafo 11). João da Cruz diz numa de suas máximas: “Aquele que não ama seu próximo, a Deus abomina” (Ditos de Luz e Amor n. 177).
A transformação não é apenas uma mudança de um ou dois aspectos exteriores. É uma mudança profunda daquilo que nos motiva em nosso dia a dia. Nossa motivação está frequentemente escondida de nós, mas ela determina como agimos ou reagimos durante o cotidiano. É essa motivação que deve ser purificada em algum momento de nossa jornada. Nosso comportamento exterior pode ser angelical ou uma crucificação para nós e/ou para os outros, mas não podemos mudar muito até que tenhamos mudado a base. Mudar o comportamento exterior é muitas vezes necessário, mas nenhuma mudança será duradoura a menos que o motivo básico seja também modificado. Este último é muito mais difícil.
O coração humano é muito sutil e requer uma purificação profunda. É esse o objetivo da jornada contemplativa. Ao crescermos mais e mais à semelhança de Cristo, aprendemos a ver como realmente somos. Esse é o dom de Deus e o resultado da ação purificadora e transformadora de Deus no interior do ser humano.
A Regra Carmelitana não ensina a oração contemplativa. Ela prepara o caminho para ela. A Regra fornece os elementos de um modo de vida espiritualmente saudável que leva as pessoas à transformação em Cristo. Como já dissemos, a Regra assume o ritmo da Lectio Divina, que leva à contemplação. Podemos decidir ler a Palavra de Deus ou ponderar sobre ela. Nossa resposta à Palavra é geralmente espontânea e fruto do que aconteceu antes, mas ainda estamos no controle. A oração contemplativa acontece para nós. Não temos controle quanto à oração contemplativa. Ela é ação de Deus. De certo modo, somos colocados para dormir enquanto Deus, o grande Médico, opera profundamente dentro de nós para transformar aqueles lugares escondidos de nossos corações na imagem de Cristo. O processo de contemplação continua em nosso dia a dia, mas alcança seu ponto alto na oração contemplativa. A princípio, a contemplação é tão vaga e tão sutil que a pessoa, normalmente, não terá consciência de que algo incomum esteja acontecendo. Em algumas pessoas essa consciência cresce enormemente e podemos ver os resultados dessa consciência contemplativa na abundância da literatura mística através dos séculos. Somos felizes no Carmelo por termos vários homens e mulheres que receberam o dom da contemplação, assim como o dom de serem capazes de descrever suas experiências em benefício dos outros.
A contemplação é puro dom de Deus. Como a salvação, ela não pode ser merecida. Deus não é um ídolo a quem podemos controlar através de um ritual correto. Não podemos forçar Deus a nos conceder o dom da contemplação, em cujos estágios finais, estamos unidos a Deus de modo que as palavras não podem expressar e nossa compreensão não pode alcançar: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor. 2, 9). O conhecimento que obtemos com a contemplação é do tipo que nunca poderíamos aprender em anos de estudo ou de pensamento. Deus confere um conhecimento verdadeiro de si mesmo a nossos corações. Só podemos fazer tudo ao nosso alcance para nos prepararmos através da fidelidade à oração e, acima de tudo, mostrando nosso amor por Deus amando nosso próximo ativamente.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...