domingo, 29 de janeiro de 2012

Como Deus me chamou ao Carmelo - Maria do Amparo Moura e Silva (OCDS de Teresina-PI)

                                                                                        ... Ouvi então a voz do Senhor que dizia: “
                                               Quem é que vou enviar? Quem irá de nossa parte? “ Eu respondi: “ aqui estou. Envia-me!”  (Is 6,8s)
A revelação de Deus é diferente para cada pessoa, Ele se revela a cada um conforme sua cultura, sua realidade, sua caminhada de fé e seu modo de ser e de viver. O chamado de Deus para mim se deu através de acontecimentos simples da minha vida, por meio dos quais procurei sempre escutar a mensagem ali contida na Palavra, no acontecimento e no outro. Muitas vezes, em coisas simples, pequenas, mas muito significativas. Tive a revelação da presença de Deus em minha vida.  
Sempre recebi de Deus muitas graças, mesmo sem merecer, mas por sua infinita misericórdia. Desde a minha infância fui orientada por meus pais a procurar o Senhor e assim o faço.
Recebi minha missão no batismo, continuei Te procurando no Sacramento da Eucaristia, na tua palavra e no outro. Procuro Te seguir como cristão, com minhas dificuldades e limitações, mesmo sabendo que o teu seguimento requer mudança radical, portanto Pai do céu sempre Te busquei e sinto que sempre estais perto de mim, me abençoando em tudo que faço, tua palavra guia os meus passos e, é luz para o meu caminho. (Sl 119, 105).
O meu chamado para o Carmelo aconteceu assim: era costume nos finais de semana nós, os irmãos, nos reunirmos na casa de nossos pais para visitá-los, conversar e nos confraternizarmos. Em um desses encontros, conversando sobre tudo, a minha irmã partilhou comigo a importância de seu serviço como ministra extraordinária da comunhão, e eu lhe falei do momento que estava vivendo, que embora fizesse trabalhos pastorais em minha Comunidade Paroquial (onde moro há 19 anos, e servi a meus irmãos em diversas pastorais como: do Batismo, da Liturgia, ministério da palavra e da Eucaristia, na formação, Conselho Pastoral etc), sentia que faltava alguma coisa. Estava inquieta, sentindo uma carência interior que não sabia explicar, mas pus-me a escutar. Sempre fui uma pessoa contida, gosto de silenciar e escutar. Sentia dentro de mim uma força que me impulsionava que me chamava e era muito forte, mas não entendia direito para onde ir ou como agir. Pensei que o engajamento em um grupo de oração, onde pudesse abrir meu coração para acolher na fé esse momento,  pudesse me ajudar. Ela (minha irmã) me ouviu e me falou de alguns grupos que eu poderia procurar: a Legião de Maria e o Apostolado da Oração, bem como o grupo que uma leiga ligada ao Carmelo estava criando. Informou-me também que já havia acontecido uma reunião desse grupo, perguntando-me se eu gostaria de ir à próxima reunião para conhecer, saber mais e como tudo ia ser. Fiquei de pensar e retornar para ela. Na semana seguinte, liguei, ela me informou que a próxima reunião do grupo do Carmelo seria no dia 07 de fevereiro de 1998. Disse a ela que rezei e escutei nessa intenção e que iria sim à próxima reunião, e fui à primeira, a segunda, a terceira a décima reunião... Estou há 11 anos na Ordem Secular, fiz minhas promessas Provisórias no dia 29 de Março de 2000; e as definitivas no dia 12 de Julho de 2003; e hoje, estou bebendo nessa fonte, e buscando a cada dia viver a espiritualidade carmelitana, mesmo em meio às tribulações que nos afligem no mundo de hoje na Igreja, na sociedade, na família, e até na nossa comunidade de fé. E, até que o Senhor chame-me definitivamente, não pretendo sair desse caminho, pois cada dia que passa, tenho mais convicção que aqui é meu lugar e é aqui que Deus quer que eu esteja. Lugar abençoado, que me reanima e me dá força.
Se me chamas Senhor, eu te digo sim, estou determinada a Te seguir. Aquietei meu coração.
Foi assim, simples, mas com muito significado. Pelo caminho passei momentos felizes, tive dificuldades, cruzes, no final de 2003 e início de 2004, enfrentei uma doença grave, um “Adenocarcinoma”, com 30% de chance de sobrevivência, me disse o médico. Tive que passar por uma cirurgia muito complicada, pedi a interseção da Virgem do Carmo, da Santa Madre Teresa e de santa Teresinha do Menino Jesus e elas intercederam. A cirurgia foi abençoada. Foram tantas as orações, que acordava a cada dia, melhor com mais força e vigor. Deus mais uma vez se revelou em minha vida. Estava caída e Ele mandou levantar, me deu vida.  Hoje estou bem, não sei se estou curada, acredito que sim, mas o que considero mais importante é que estou em paz, feliz por estar na OCDS, e com muita vida.
Da minha experiência de Deus, vivida durante esse tempo como membro da Ordem Secular e no serviço comunitário em minha comunidade Paroquial, aprendi muitas lições, quero aqui partilhar três:
Compreendi que a solidariedade e a partilha são os gestos mais bonitos que o cristão pode viver, são riquezas que ninguém pode roubar nem destruir, é o amor de Deus, revelado na ação humana, é a palavra de Deus encarnada na vida; percebi que é possível ter paz mesmo vivendo com dificuldades, problemas, dívidas, sofrimentos, pois a paz é interior; senti que diante das dificuldades, não devemos nos desesperar, antes rezar, pois a oração é como um guia que leva aquele que está perdido para onde ele jamais pensou chegar.
Em Cristo,
Maria do Amparo Moura e Silva-OCDS
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, Teresina – PI.

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