segunda-feira, 10 de setembro de 2012

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM... UMA PEQUENA REFLEXÃO!


A segunda leitura deste XXIII domingo do tempo comum (Tg 2,1-5) é um grande convite para fazermos uma pausa e realizar um humilde exame de consciência. No fundo, toda a liturgia nos leva a esta direção.
Partindo do exemplo que Cristo deixou aos seus, Tiago exorta os primeiros cristãos sobre um aspecto fundamental da vida cristã, ou seja, o não fazer distinção entre os irmãos. Basta lembrarmo-nos que, todos somos iguais diante do Pai que nos criou à sua imagem e semelhança[1]. Sabemos que Ele, na sua perfeição, “não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo” (At 10, 34-35).
Para sermos de fato “comunidade cristã”, Tiago nos recorda este critério fundamental da nossa fé, ou melhor dizendo, da prática e do testemunho da fé em Cristo. Pois bem, entretanto, muitas vezes nos deparamos com grandes incoerências dentro da Igreja, nas pastorais, nos grupos de orações e, inclusive, das nossas comunidades e grupos da OCDS.
Frequentemente, e não é preciso procurar muito para encontrar, vemos alguns membros da hierarquia da Igreja, das lideranças de vários movimentos eclesiais, de coordenadores de pastorais e grupos se esquecerem de que foram CHAMADOS - e aceitaram LIVREMENTE - para SERVIR os irmãos, particularmente os mais necessitados, e NÃO PARA SEREM SERVIDOS. Ademais, muitos deixam explícito as suas preferências pelos “homens com anéis de ouro, trajados magnificamente” em detrimento do “pobre” (Tg 2,2). Esquecem que Jesus veio para TODOS e que nós, uma vez unidos a Ele pelo batismo, também devemos ir ao encontro de todos, “sem ver” o credo, o sexo, a raça, a cor ou a condição social e intelectual.
Um exemplo desta incoerência que comumente podemos encontrar no nosso meio é em relação à tolerância com os irmãos de outros credos. Apesar de todo esforço ecumênico da Igreja, de todos os documentos a respeito, de todos os encontros e congressos inter-religiosos, ainda hoje vemos bispos, padres e leigos criticarem e condenarem os irmãos que praticam, seguem e vivem outros credos como, o espiritismo, o candomblé, esta ou aquela doutrina evangélica. Cabe refletirmos se com esses discursos, muitas vezes repletos de preconceitos e dogmatismos, não estamos fazendo distinções entre pessoas.
Outras vezes, vemos dentro das nossas comunidades paroquiais, e mesmo das nossas comunidades e grupos da OCDS, o padre ou o conselho ter preferências por este ou por aquele membro. O que se torna mais grave se for pela sua condição social. Por vezes, vemos nas nossas comunidades paroquiais a exclusão de membros em segunda união; de irmãos que cometeram um erro grave, mas que está se esforçando para se reerguer; do irmão que tem alguma limitação, entre outros. A conclusão é só uma: a caridade fraterna e a coerência de vida passaram longe do coração daqueles que assim agem. Todo zelo neste ponto é pouco, pois todos nós também fazemos isto, muitas vezes sem se dar conta.
Resta-nos gritar ao Senhor e pedir-lhe que cure a nossa cegueira, a nossa surdes e escancare a nossa boca[2] para anunciar a fé que professamos. Anunciar não apenas com palavras, mas com a VIDA. Para que na sua infinita misericórdia tenha misericórdia dos nossos contratestemunhos, da nossa cegueira de não querer enxergar e ouvir os mais necessitados.
Certamente, o século XXI nos convida a voltarmos o olhar para a Sagrada Escritura, especialmente para o Evangelho, e ali redescobrir o verdadeiro sentido do que é SER CRISTÃO. Cremos que chegou o momento de olharmos MAIS para o Cristo e não para as coisas que falaram Dele,  ou ainda, para os costumes e tradições que entraram – consciente ou inconscientemente,  por conveniência ou não - na vida da Igreja.
Aproveitemos este mês de setembro, que a Igreja dedica à leitura orante da Sagrada Escritura, para pensarmos um pouco se estamos transformando em VIDA a palavra do MESTRE, nosso divino amigo e hóspede, que viveu na plenitude tudo aquilo que pregou e cujo sacrifício abarcou e abarca todo o universo.

Grande abraço,
José Eduardo Manfredini-
Comissão de Formação






[1] Cf. Gn 1, 26
[2]  Cf. Mc 7,31-37

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