sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A torre fundamentada na fé


XXIX Congresso OCDS - São Roque
Tema: “Não façamos torres sem fundamentos”

A torre fundamentada na fé
Frei Fabiano Alcides, ocd



                A Igreja, motivada pela Papa Bento XVI, iniciou dia 11/10/2012 o Ano da Fé. Oportunidade para cada um se perguntar: Como está minha fé? É uma ocasião oportuna para fundamentar nossa torre sobre a base da fé. O imperativo teresiano “não façamos torres sem fundamentos” e a proposta do Papa, no documento Porta Fidei, são um incentivo a viver uma fé autêntica, livre e consciente.
                Perguntar como está minha fé significa questionar como está a relação com Deus. A fé, antes de tudo, é uma aderência pessoal a Jesus. Pode-se dizer que a fé cristã é acolhida de uma Pessoa: Jesus. Acolher a fé é viver em comunhão com Cristo, assumindo sua forma de viver, conhecer seus pensamentos, sua vida e seu grande desejo, que era fazer a “vontade do Pai” (Jo 4,34).
                A Igreja ensina que “a fé é um ato pessoal: a resposta livre do homem à iniciativa de Deus que se revela” (CIC 166). Deus se propõe ao homem e esse, na liberdade e com consciência, responde a Deus, mediante a fé. Para que o ato da fé seja humano, “o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado contra sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por natureza voluntário” (DH 10; CIC 160).
                O documento Porta Fidei, ao citar a Lumen Gentium, afirma que, a “Igreja ‘prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus’ anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (1Cor 11,26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu ministério, até que por fim se manifeste em plena luz” (PF 6; LG 8).
                Através desta perspectiva, “o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (At 5,31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem vida nova: “Pelo batismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova” (Rm 6,4; PF 6).
                “Em virtude da fé, essa vida nova plasma toda a existência humana, segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida de sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A “fé, que atua pelo amor” (Gl 5,6), torna-se um novo critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do homem” (Rm 12,2; 2Cor 5,17; PF 6).
                “Hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor de uma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de graça e de alegria. (...) ‘Os crentes - atesta Santo Agostinho - fortificam-se, acreditando’. Como sabemos, sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé, enquanto seu coração não encontrou descanso em Deus” (PF 7).
                “Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é ‘a meta para qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força’ (SC 10). Esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e refletir sobre o próprio ato com que se crê é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano” (PF9).

Um percurso que ajuda a compreender de maneira mais profunda a fé: (10)
ü  Professar a fé com a boca - implica um testemunho e um compromisso públicos. Crer não é um ato privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele.
ü  A profissão de fé é um ato simultaneamente pessoal e comunitário. O primeiro sujeito da fé é a Igreja.
ü  O conhecimento dos conteúdos da fé é essencial para aderir plenamente, com a inteligência e a vontade. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. 
ü  Pessoas que não conhecem o dom da fé, portanto vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um preâmbulo da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus.
ü  O CIC apresenta uma síntese orgânica e sistemática da fé.

“Será decisivo repassar, durante este ano, a história de nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Em Jesus, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação”: (13)
·         Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo, e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência de sua dedicação (Lc1 1,38).
·         Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (Mc 10,28).
·         Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida em torno do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (At 2,42-47).
·         Pela fé, os mártires deram sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho.
·         Pela fé, homens e mulheres consagraram sua vida a Cristo.
·         Pela fé, homens e mulheres de todas as idades, confessaram a beleza de seguir a Cristo na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram vocacionados.
“O Ano da fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade, pois a fé sem a caridade não dá fruto. A caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida” (14).
Que o Ano da fé ajude a “tornar cada vez mais firme a relação com o Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia de um amor autêntico e duradouro” (15). Em comunhão com a Igreja, os carmelitas seculares, “são chamado a assumirem, a partir da perspectiva da fé, da esperança e da caridade, a incerteza e as limitações da via humana, a enfermidade, a incompreensão e tudo aquilo que constitui o tecido de nossa existência terrena” (Const. Ocds 22).   

A fé nos documentos da ocds

"O carmelita secular assumirá a partir da perspectiva da fé, da esperança e do amor, os trabalhos e sofrimentos de cada dia..." (Const.22)

"Na Ordem Carmelita secular se dá um lugar especial à liturgia, entendida como Palavra de Deus celebrada na esperança ativa, depois de havê-la acolhido na fé e com compromisso de vivê-la no amor eficaz..." (Const. 23)

"As Constituições da Ordem Secular foram elaboradas para consolidar o projeto de vida de seus membros, que são parte da Ordem do Carmelo Teresiano. Eles são chamados a "dar testemunho de como a fé cristã [...] constitui a única resposta plenamente válida para os problemas e as expectativas que a vida põe a cada pessoa e a cada sociedade...” (Const. epílogo)

"Comprometer-se nesta vida de oração exige nutrir-se de fé, esperança e, sobretudo da caridade, para viver na presença e no mistério do Deus vivo" (R 44 c)

"Com verdadeiro interesse pelos ensinamentos da Igreja e pela espiritualidade de nossos Santos Carmelitas os leigos carmelitas tratem de ser homens e mulheres maduros na vida na prática da fé, esperança e do amor e na devoção à Virgem Maria..."(R 53)

"A origem do Carmelo Descalço acha-se na pessoa de Santa Teresa de Jesus. Ela viveu na profunda fé na misericórdia de Deus, que a fortaleceu para perseverar na oração, humildade, amor fraterno à Igreja..."(R 42)

Siglas:
PF - Porta Fidei
CIC - Catecismo da Igreja Católica
LG - Lumen Gentium
SC - Sacrosanctum Concilium
Const - Constituições ocds
R - Ratio Institutionis
DH - dignitatis humanae 

Um comentário:

Natália Durand, ocds disse...

Peço ao Nosso Amado Deus, que seja ELE mesmo a conduzir esse Congresso, que cada um saia de suas casas, participe e retorne para suas casas em segurança e em Paz, com uma bagagem transbordante de amor e formação!!! Santa Madre Teresa de Jesus, rogai por nós!!!
Beijos em todos!

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