segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

COMO O CARMELITA SECULAR DEVE VIVER O ADVENTO


 
O tempo do Advento é o período litúrgico das quatro semanas que precedem o Natal.  É um tempo de expectativa, de espera, onde pela oração e penitência somos convidados a nos preparar para a vinda de Jesus Cristo.
 
O Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 524 nos explica que “ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: ‘É preciso que Ele cresça e que eu diminua’ (Jo 3,30)”.
 
Como cristãos, devemos viver esse tempo na certeza da presença de Cristo em nós, sendo sinal de sua ação no mundo, conforme reflete o Papa Bento XVI em sua catequese de 05/12/2012: “o tempo litúrgico do Advento nos coloca diante do luminoso mistério da vinda do Filho de Deus, ao grande ‘desígnio de benevolência’ com o qual Ele quer atrair-nos para Si, para fazer-nos viver em plena comunhão de alegria e de paz com Ele. O Advento nos convida, mais uma vez, em meio a tantas dificuldades, a renovar a certeza de que Deus é presente: Ele entrou no mundo, fazendo-se homem como nós, para trazer a plenitude do seu plano de amor. E Deus pede que também nós nos tornemos sinal da sua ação no mundo. Através da nossa fé, da nossa esperança, da nossa caridade, Ele quer entrar no mundo sempre de novo e quer sempre de novo fazer resplandecer a sua luz na nossa noite”.
 
Conforme consta em nossas Constituições da OCDS, em seu artigo 10, “Cristo é o centro da vida e da experiência cristã. Os membros da Ordem Secular são chamados a viver as exigências de seu seguimento em comunhão com Ele, aceitando seus ensinamentos e entregando-se a sua pessoa. Seguir Jesus é participar em sua missão salvífica de proclamar a Boa Nova e de instaurar o Reino de Deus (Mt 4,18-19)”.
 
Portanto, se Ele é centro de nossas vidas e se somos chamados a segui-Lo incondicionalmente, devemos ser anunciadores de seu primeiro advento, que foi sua Encarnação, a qual trouxe para nós a salvação, e do advento no final dos tempos, quando virá com todo o poder e glória.
 
Assim, para nos prepararmos para a vinda de Cristo, é necessária uma contínua conversão. Para tanto o Estatuto Particular da Província São José da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, em seu art. 11, “b”, nos orienta:
 
11. Porque a vida de oração e de união com Deus exige uma contínua conversão e purificação, o Carmelita Secular cultivará o espírito de penitência e de mortificação, segundo as indicações que se seguem:
(...)
b) praticará algum exercício de penitência, segundo a tradição da Ordem, especialmente nas sextas-feiras do Advento. (grifo nosso)
 
O Advento, portanto, é tempo de penitência, porém é menos rigoroso que a Quaresma. É um tempo de vigilância, de espera.
 
No Brasil, devido a cultura de se celebrar ou comemorar antecipadamente as festividades, vivemos um dilema ao participarmos das festinhas de páscoa realizadas durante a Quaresma e das confraternizações de Natal ou “de fim de ano” realizadas durante o período do Advento.
 
Em minha opinião, não vejo qualquer problema em participarmos de todas essas comemorações culturalmente impostas em vista da boa convivência social e familiar. Inclusive, acredito que a penitência deve ser vista hoje sob um novo olhar. Mortificações, jejuns e sacrifícios não farão qualquer sentido se não nos levarem a uma mudança interior, a uma mudança de mentalidade, a uma mudança de sentimento, a uma mudança de vida.
 
Dessa forma, vivamos esse tempo de espera na alegria e na certeza de que “Aquele que vem” virá para habitar em nossas almas, em nossos corações, entre nós e em nós!
 
Bom Advento e Feliz Natal!
 
Luciano Dídimo
 
 
 
“Quando os dias se tornam mais curtos, quando no inverno caem os primeiros flocos de neve, então, docemente, renasce a lembrança do Natal. Desta palavra emana um encanto misterioso ao qual dificilmente o coração pode resistir. Até aqueles para quem a evocação do Menino de Belém nada significa, crentes de outra Fé ou descrentes, preparam a festa e tentam acender aqui e além um raio de alegria. Durante semanas e meses, um rio de amor espalha-se pela terra.”.
 
(Edith Stein, O Mistério do Natal)
 

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