sexta-feira, 19 de abril de 2013

XXX CONGRESSO OCDS- CASTELO INTERIOR PRIMEIRA MORADA- Paulo Henrique Martins -


CASTELO INTERIOR
PRIMEIRA MORADA
(Evangelho Jo 4,6-25)
“Pedindo hoje a Nosso Senhor que falasse por mim, pois não achava assunto, nem sabia por onde começar, a fim de cumprir essa obediência, veio-me à mente o que agora vou explicar. Servirá para tudo o que eu disser.” (Castelo Interior-1M 1,1)
Comparar a alma a um Castelo. Comparar o amadurecimento espiritual/humano a uma metamorfose como a do bicho da seda. Eis Teresa com sua pedagogia das comparações.
Falar sobre a obra: Castelo Interior, mais especificamente sobre a primeira morada, não é uma tarefa das mais fáceis. Porém, essa dificuldade se torna insignificante comparada à luta, quando nos propomos e, principalmente, nos comprometemos a viver essa experiência que nos leva a vida interior, responsável pela nossa vida como um todo.
Santa Teresa nos apresenta um guia para um encontro/RE-encontro com Deus da maneira mais plena a que se pode alcançar nesta vida. Ela, que pela sua profunda e rica experiência de vida de oração provada sobreduto, na vida comunitária, nos leva para “dentro” apresentando as riquezas desse Castelo, mas também os perigos que podemos encontrar ao longo do caminho.
“Nada posso imaginar comparável à beleza de uma alma e a sua imensa capacidade. Por agudas que sejam, as nossas inteligências não chegam a compreendê-la verdadeiramente, assim como não compreendem a Deus. É Ele o próprio quem diz nos ter criado à sua imagem e semelhança.” (Castelo Interior- 1M 1,1)
O principal ponto abordado na primeira morada do Castelo é o autoconhecimento. A importância de irmos descobrindo quem realmente somos através da oração “Pelo que entendo, a porta para entrar neste castelo é a oração, meditação.” (Castelo Interior- 1M 1,7) e o que isso representa é fundamental para alcançarmos o essencial, a união com Deus. É importante ressaltar a atenção para a negligência ou preguiça na vida espiritual e transcendermos, irmos além do ensinamento da fé e, também, com relação ao que ouvimos falar sobre a alma e suas riquezas.
 “Não é pequena lástima e confusão não nos entendermos a nós mesmos, por nossa culpa, nem sabermos quem somos.”... “Bem maior, sem comparação, é a nossa insensatez, desconhecendo nosso valor e concentrando toda atenção ao corpo. Sabemos muito por alto que nossa alma existe, porque assim ouvimos dizer e a fé nos ensina. Mas as riquezas que há nesta alma, seu grande valor, quem nela habita__ eis o que raras vezes consideramos.” (Castelo Interior- 1M 1,2)  
Outro ponto abordado por Teresa é a humildade. A humildade que nos faz íntimos de Deus e nos permite trata-lo como amigo, sabendo quem Ele é. Quanto mais próximos de Deus, mais vamos deixando de lado os condicionamentos, as ideias, adquiridos através das formações equivocadas sobre religiosidade/espiritualidade, e somos devolvidos à Verdade.
“O que muito importa para qualquer alma que tenha oração, pouca ou muita, é não haver constrangimento, não se sentir obrigada a fixar-se num único lugar.”...
“Quero que me entendam bem: mesmo aquelas que o Senhor tiver atraído ao aposento íntimo em que ele se encontra, por elevadas que aí estejam, não se descuidem do conhecimento próprio. Nem poderão descuidar, ainda querendo, porque a humildade é como abelha, não fica ociosa, está sempre lavrando o mel na colmeia. Sem isso, vai tudo perdido. Por outro lado, consideremos que a abelha não deixa de sair e voar para sugar as flores. A alma ocupada em conhecer-se, alce voo algumas vezes.” (Castelo Interior-1M 2,8)
“Não sei se falei bem claro. É tão importante esse conhecimento de nós mesmas, que não quisera jamais descuido nesse ponto, por elevadas que estejais nos céus. Enquanto vivemos nesta terra, não há coisa que mais importe para nós do que a humildade.” ...”Se não procurarmos conhecer a Deus, jamais acabaremos de nos conhecer a nós mesmas. Olhando-lhe a grandeza, percebemos nossa objeção.” (Castelo Interior- 1M 2,9)
“Se ficarmos sempre metidos na miséria de nosso barro, nunca dele brotarão arroios limpos, sem a lama dos temores, da pusilaminidade, da covardia,... Por isso vos digo, filhas: ponhamos os olhos em Cristo, nosso bem. Dele e de seus santos aprendamos a verdadeira humildade. Nosso intelecto se enobrece e nosso conhecimento próprio não nos deixa rasteiros e covardes.” (Castelo Interior-1M 2,10-11)
(AUTOCONHECIMENTO/HUMILDADE)
Como agradecer uma graça sem conhecer as virtudes que nos foram dadas?
Como pedir uma graça sem conhecer os nossos limites?
Como conviver sem se autoconhecer?
“Quem se escandalizar de saber que Deus faz grandes graças, já neste exílio, tenho por certo que está muito desprovido de humildade e de amor ao próximo.” (Castelo Interior- 1M 1,3)
Graça Mística não é sinônimo de santidade. (Se você quer ver como anda sua relação com Deus, veja sua relação com o próximo) “...Com efeito, não temos certeza do nosso amor a Deus, conquanto haja indícios por onde se entende que o amamos. O amor ao próximo, por outro lado, logo se conhece.” (Castelo Interior-5M, 3-8), porém por meio das graças místicas (sinais) pode se tirar grande proveito, como ocorreu com Teresa quando teve a visão de como seria uma alma em pecado mortal. Ela nos relata dois. O primeiro é um temor grandíssimo de ofendê-lo e o segundo, é um espelho para a humildade (tudo que é bom procede de Deus)
“O Senhor faz estes favores a certas almas, não por serem mais santas que as outras, mas para dar a conhecer as grandezas divinas__ como, por exemplo, a São Paulo e a Madalena __e para que o louvemos em suas criaturas.” (Castelo Interior- 1M 1,3)
 “De fato, sempre ouvimos falar da excelência da oração. Pelas nossas constituições estamos obrigadas a ela durante várias horas por dia. Mas as constituições só nos exortam sobre aquilo que podemos fazer por nós mesmas. Pouco se fala dos prodígios que Deus realiza nas almas__quero dizer, por via sobrenatural.” (Castelo Interior- 1M 2,7)
Quanto mais próximos de Deus, mais somos devolvidos a nós mesmos e ao que realmente somos (imagem e semelhança de Deus) e na individualidade de cada um, Deus vai construindo o seu reino que começa aqui e a sua face se torna visível pelas obras que vamos deixando.
O principal legado de Teresa de Jesus é a sua experiência de Deus refletida nas suas obras, nas suas realizações, na sua vida. Com ela aprendemos que Deus esta perto, junto e que deseja que estejamos com Ele. O Deus apresentado por Teresa só pode ser encontrado dentro de nós e, mover-se para dentro é um ato de coragem e amor. É nessa aventura humana-espiritual que nos aperfeiçoamos encontrando a humildade, a obediência, a pobreza, as bem aventuranças, mas sobretudo o amor a Deus, no próximo
“Voltemos agora ao nosso castelo de muitos aposentos. Não haveis de imaginá-lo uns depois de outros, enfileirados. Não! Ponde os olhos no centro: aí está o salão principal, onde se encontra o Rei.... .” (Castelo Interior- 1M 2,8)
Paulo Henrique Martins - ORDEM DO CARMELO DESCALÇO SECULAR __COMUNIDADE SANTA FACE - TREMEMBÉ-SP

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