segunda-feira, 27 de maio de 2013

MENSAGEM DOS GERAIS OCARM E OCD


 
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Mensagem dos Conselhos Gerais da Ordem do Carmo e da Ordem dos Carmelitas Descalços a toda a família carmelita. 

No Ano da Fé, nós, membros dos dois Conselhos Gerais, O. Carm. e OCD, peregrinamos até Aylesford (Inglaterra), um lugar muito significativo para toda a Família do Carmelo. Desde aqui, escrevemo-vos esta carta-mensagem na festa de São Simão Stock, a partir do antigo convento carmelita, fundado em 1242 por alguns peregrinos-eremitas do Monte Carmelo. O seu regresso da Terra Santa para a Europa, a sua passagem da vida eremítica para a vida mendicante, a sua experiência de Deus, e sobretudo a sua humilde e fraterna confiança na Virgem num tempo de crise cultural foram para nós manancial de inspiração para repensar a nossa missão nos tempos actuais - tema a que dedicamos grande parte dos nossos trabalhos, orientados pelo Pe. Benito De Marchi, missionário comboniano.
Em Aylesford fomos hóspedes da comunidade local dos irmãos O. Carm., aos quais estamos sinceramente agradecidos pelo seu caloroso e atento acolhimento. Foi um tempo de oração, de fraternidade e de reflexão, durante o qual vivemos também duas significativas experiências ecuménicas. Em primeiro lugar, celebramos as primeiras vésperas do Domingo com os irmãos anglicanos na antiga catedral de Rochester (que remonta ao ano 604) e depois tivemos um encontro em Cambridge com o arcebispo-emérito de Canterbury, Dr. Rowan Williams, teólogo de renome e excelente conhecedor da espiritualidade dos santos do Carmelo. Estes dois encontros de oração e de reflexão teológica ajudaram-nos a entender melhor que a missão no dia de hoje deve ser desenvolvida em estreita colaboração com as demais confissões cristãs, numa atitude de abertura ecuménica.
Deste nosso peregrinar às fontes do Carmelo na Europa surgiu a humilde convicção de que este tempo, caracterizado pela globalização, o movimento em todas as direcções, a irrupção do “outro”, a afirmação do “indivíduo” e o esquecimento de Deus, pede-nos um novo espírito missionário. Ou seja, é necessário um coração cada vez mais evangélico e menos seguro de si. O que queremos compartilhar não são as visões do mundo e as atitudes do homem velho, mas a humanidade que nos foi dada por Deus Pai através do seu Filho morto e ressuscitado e constantemente moldada pelo Espírito Santo. Na muita apreciada intervenção no último Sínodo dos Bispos em Outubro de 2012, Rowan Williams quando se referiu a Santa Edith Stein, chamou a esta humanidade nova “a humanidade contemplativa”. Retomando esta feliz expressão, de sabor tão tipicamente carmelitano, nós descrevemo-la, nas nossas reflexões, como uma humanidade que se esquece de si, silenciosa, livre da procura afanosa de satisfações pessoais e do pretexto de fazer felizes os outros impondo-lhes as próprias concepções e os próprios projectos. Tal humanidade, orientada para Deus, é capaz de ver todos os homens, especialmente os pobres, os marginalizados e os sofredores, com um olhar cheio de compaixão. É uma humanidade acolhedora, disposta a iniciar uma incessante peregrinação para encontrar, junto de todos os homens e mulheres do nosso tempo, o caminho que nos introduza no coração da vida trinitária.
É impossível para nós imaginar esta nova humanidade sem “libertar o carisma para um tempo novo” (Pe. Benito De Marchi), quer dizer, libertar todo o potencial contemplativo e missionário de toda a superficialidade, soberba e egoísmo, que nos impedem de ver o amor trinitário e nos fecham num círculo auto-referencial. Desde um ponto de vista positivo, libertar o carisma quer dizer experimentar de maneira viva as relações trinitárias na vida fraterna e comunitária; quer dizer reencontrar a alegria evangélica e apreciar o sabor da unidade e da simplicidade existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para testemunhar em qualquer lugar, em cada momento e em cada situação a que somos enviados.
Em tudo isto acompanha-nos Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Para nós, carmelitas, Ela é o modelo humano mais sublime da escuta da Palavra e da contemplação do Deus vivo. Ela, contemplativa por excelência, aproxima-se de cada um de nós e torna-se peregrina do Deus vivo. Abraça-nos com o seu amor materno e fraterno e acende nos nossos corações a chama da Caridade. Pobre e humilde, com o simples sinal do Escapulário protege esta chama nos nossos frágeis corpos humanos e transforma-a numa grande paixão evangelizadora e missionária. A sua discreta mas eloquente presença na nossa vida faz com que todos os que vestem o Escapulário sejam chamados a empenharem-se no mesmo amor para com o próximo. Neste sentido e com toda a justiça a Virgem do Carmelo foi chamada “Missionária do povo” (Óscar Romero).
Queridos irmãos e irmãs, saímos de Aylesford com uma renovada consciência do dom da nossa vocação e da missão que esse dom leva consigo. O Senhor Ressuscitado convida-nos a não ter medo das dificuldades, a não desanimar perante as inevitáveis provações e possíveis fracassos. Existe em todos nós, pequenos e pobres, uma força maior, que venceu o mundo. É a força do amor com a qual o Pai nos ama, é a força da sua Palavra e do seu Espírito que nos impulsiona a ir pelo mundo fora, para nos abrirmos a todos os que o Senhor quiser colocar no nosso caminho. Muitos homens e mulheres esperam por nós, esperam que a Família do Carmelo manifeste a ternura do nosso Deus. Que o Senhor nos ajude a não frustrar a sua esperança.

Festa de S. Simão Stock
16 de Maio de 2013

Governos gerais da Ordem do Carmo e da Ordem dos Carmelitas Descalços 

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