sábado, 22 de junho de 2013

"A INDIGNAÇÃO É SAUDE"

 Frei Patrício Sciadini, ocd

JOÃO DA CRUZ é um místico de quem não podemos duvidar. Ele diz que a saúde da alma é ser totalmente “ferida” pelos desejos da felicidade de Deus. Buscar a felicidade é o desejo mais profundo do ser humano. Não podemos viver sem ela. Nós a buscamos com todos os modos e por todos os caminhos. A felicidade não pode ser somente interior mas deve ser total, de todo o nosso ser. 

Aqui do Egito vi noticias alarmantes no amado Brasil e na amada São Paulo. O povo, os jovens, “indignados, insatisfeitos” por tantas coisas que acontecem por aí. É verdade que em todas as manifestações se intrometem baderneiros que gostam de ver “o circo pegar fogo” e andam sempre “com uma garrafa de gasolina e com fósforo” para que as chamas sejam maiores. Eu quando era mais jovem, o que mais gostava era de polêmica, de desentender-me com os outros..agora com 69 anos mais ou menos bem vividos a serviço dos outros e de Deus, prefiro a vocação de ser bombeiro. Apagar o fogo para acalmar os ânimos. 

Mas é necessário reconhecer que a vida não pode ser madrasta, deve ser mãe que cuida de nós. Em tudo. Como se pode ser feliz sem pão na mesa? Sem recursos na doença? Sem uma casinha onde se pode dizer “este pedacinho de terra é meu”. Ou sem ter como pagar as coisas e poder estar capacitado a acompanhar os aumentos em todos os setores? Os governantes tem o dever não de piorar a vida mas de melhorá-la. Não é só no Brasil, o movimento dos chamados “indignados” está se alastrando por todos os países, desde a Espanha, a Itália, a África, a Índia, o Japão...a América Latina, o Brasil. 

Colocar um freio? Sem duvida é possível mas não com a violência e a forca. Mas com leis que favoreçam o bem estar do povo. Que se “desinche” o bolso de quem tem mais para dar um pouco a quem não tem nada. Jesus não pregou nem a riqueza nem a miséria e nem a pobreza; pregou a justiça e disse: quem “gratuitamente recebeu, gratuitamente a deve dar”. E quem tem duas túnicas reparte com quem não tem nada. O caminho não é a violência nem do lado dos indignados e nem do lado do poder; o caminho é sentar juntos, olhos nos olhos e encontrar saídas que sejam dignas e respeitosas do ser humano nas suas necessidades básicas.

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