domingo, 29 de setembro de 2013

O GÊNIO ESPIRITUAL DE TERESA DE LISIEUX


Leio nestes dias que antecedem a festa de Santa Teresinha o livro de Jean Guitton  O gênio de Santa Teresinha. Foi publicado em italiano em 1995 (Società Editrice Internazionale, Turim), pouco antes das celebrações do Centenário de sua morte e da proclamação de seu doutorado em 1997. Partilho com vocês algumas ideias chave deste livro. Penso nos ajudará a aproximar-nos de Teresa. Ela, por  sua vez, nos levará a amar Jesus e fazê-Lo amado. Sigo as citações de Teresinha conforme às do autor.
..........................................................
O fascínio que Teresa exerce sobre as pessoas  que após a sua morte entram em contato com seus escritos, faz com que a amem imediatamente. São atraídos pela sua doutrina simples e essencial, porque ela narra o que  vive, é transparente, verdadeira, humilde. Seu saber   vem  da Fonte do amor, na qual ela se imergiu. 
Sua  doutrina pode ser vislumbrada através de sete palavras ou ideias chaves.

O realismo na vida do dia a dia
 Não existe outra coisa a  fazer  na noite desta vida, a única noite que não retorna nunca mais: amar Jesus (Carta 74). A condição da vida presente é um dom inestimável quando vivida na fé em Deus. Partilha na fé Nele os acontecimentos diários, que podem ser  um relâmpago, a morte de alguém, etc., pois sabe que apesar de tudo, além das nuvens que encobrem o Sol durante a tempestade, estes acontecimentos  trazem momentos de perfeita alegria: a Luz do Astro Amado mostra-se  encoberta pela  fé neles.

A busca incessante da verdade
Jesus, ilumina-me; Tu o sabes, eu busco a verdade (MB 259).  Teresa gosta mais de escutar falar sobre  Maria SS.  em sua vida real, não naquela imaginária. Na Bíblia busca as passagens essenciais, tais como o Sl 22, Is 53, Jo 17, I Cor 12-13... sinal de uma busca da verdade profunda das coisas que não admitem os exageros imaginativos nas realidades da fé. “Parece-me que sempre busquei somente a Verdade”, dirá no final de sua breve vida.

O valor do sofrimento
O Bom Deus, que nos ama muito, sofre bastante em ter que nos deixar nesta terra para o período de prova, sem que nós corramos continuamente a dizer-lhe que estamos sofrendo; não devemos dar a impressão de que somos conscientes disso (Conselhos 58). O sofrimento em si mesmo não tem valor; somente em vista de um fim, pois o Deus cristão é amor eterno e sofre pelo nosso sofrimento. Se o permite, é como remédio para que nos reaproximemos Dele depois do mau uso de nossa liberdade, que nos levou ao pecado. Entender isto é ver à  luz da fé que as cruzes não são em si mesmas um valor; somente à luz da misericórdia divina que nos associa a Jesus em seu amor por nós, cumpridor pleno da vontade divina. Assim o amor a Jesus até a loucura faz com que se abandone como ele no cumprimento sem reservas da vontade do Pai sobre si mesmo (MA 325).

Passar o céu fazendo o bem na terra
Sim , quero passar meu Céu fazendo o bem sobre a terra (NV 17 julho). Seu desejo de não estar inativa e de trabalhar pela Igreja e pelas almas, brota de um amor que partilha os sofrimentos dos outros. É um meio para exercitar a caridade em relação aos outros. O céu é  a vivência em plenitude de todas as vocações às quais aspirou Teresa, agora sem os condicionamentos terrenos. O amor pelo próximo poderá então estender-se a todos os espaços, circunstâncias históricas e socorrer às necessidades da  missão da Igreja.

 Purgatório como crescimento no amor
Se eu for ao Purgatório, serei bem contente; aliás farei como os hebreus, mas circularei na fornalha cantando o cântico de amor (NV 7 agosto). Teresa vê que as penas do Purgatório são as de um amor sempre em crescimento, alegre, e que deve chegar a ser puro, livre da angustia de poder agir mal e de ser mau. É a espera da visão definitiva do Amor!

Prática das virtudes sem esforço
Eu (Teresa) lhe serei próxima, a segurar a tua mão para que possa colher esta palma gloriosa sem esforço (Carta 225). É o convite que nos faz Teresa a uma ascese continua no exercício de pequenas virtudes e de sacrifícios, sem esforços heroicos que exigiriam uma heroicidade gigante.

A eternidade no tempo: amor
Jesus não olha ao tempo, que no céu não existe mais (Carta 92); cada instante é uma eternidade, uma eternidade de alegria... (Carta 74).  As perguntas de  Teresa sobre o tempo a fazem escrever na Carta a Celina (n. 88) que “O tempo não é senão uma miragem, um sonho. Desde agora Jesus nos vê na glória e se alegra por nossa beatitude eterna”. A eternidade está presente no momento em que se vive no amor, porque Deus é amor. Por isso o tempo vivido nele é já eternidade quando age com todas as forças e suporta tudo com amor, com “as vestes manchadas de sangue” da batalha de viver o amor. Este “lança fora todo temor”.
Teresa deixou-nos na poesia Só por hoje estas reflexões sobre o tempo que foge e o amor que se vive no hoje da terra a fim de chegar um dia a cantar o louvor de Deu no eterno hoje.
..............................
Enfim, o autor  faz uma aproximação de Teresa de Lisieux com Elisabete da Trindade e com Edith Stein. Reflete sobre a Virgem  Maria em S. Teresinha, sobre o protestantismo e a vida eterna, mostrando ao final que a santidade é possível a todos... justamente porque em Teresa não existe nada de extraordinário, como a música de Elisabete ou a ciência acadêmica de Edith. Teresa vive em profundidade o amor nos atos corriqueiros do dia a dia. Por isso ela é tão cativante!
Fr. Alzinir

Roma, 29 de setembro de 2013

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...