segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal 2013

Tela a óleo pintada por Celina, irmã de Santa Teresinha


O Tempo do Advento nos tem preparado para receber as graças que o Senhor Jesus nos reserva para este Natal 2013. Ele bem sabe do que mais necessitamos aqui na terra por estes dias. Mas a graça das graças, mais fundamental, graça fontal é recebê-Lo em nossos corações!
“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir, eu entrarei e cearemos juntos!” (Apocalipse 3,20)
Na plenitude dos tempos Ele já veio. Sua primeira vinda, iniciou-se pelas terras da Palestina, Nazaré, Belém, Cafarnaum, Jerusalém, por ali... Sua segunda vinda, acontecerá no fim dos tempos... Mas com esse “estou à porta e bato”, Jesus está no presente, Ele mesmo “ontem, hoje e sempre”. Ele nos pede um tempo, abertura do nosso coração, para entrar na nossa história pessoal, no dia a dia de nossas vidas. Um espaço em nossas vidas para conhecê-Lo, amá-Lo, segui-Lo.
Se abrirmos o coração à Sua voz, Ele “entrará e cearemos juntos...”! Quanta graça! A presença de Jesus – o Emanuel, Deus conosco – é realmente a Graça das graças. Natal não é bem isto? Ele renascer / nascer em cada coração e na sociedade?
Os outros aspectos culturais do Natal são composições agregadas ao fio dos tempos, sem dúvida, algumas delas marcadas pela decorrência dessa Graça maior: visitas aos amigos, luzes, presentes, abraços, expressões de carinho, socorro aos materialmente mais necessitados, atendimento aos que sofrem... Pois, este Menino – expondo na manjedoura de Belém, sua fragilidade de criança – vem a cada ano despertar na humanidade os seus melhores sentimentos para se refazerem mais humanos à Sua imagem, que passou a vida fazendo o bem.
Peço a permissão de meus irmãos e amigos para propor que juntos recebamos o ensinamento recente do Papa Francisco que nos puxa ainda mais para o concreto das nossas mazelas do cotidiano, e sugere um propósito de mudança bem natalina:

88. O ideal cristão convidará sempre a superar a suspeita, a desconfiança permanente, o medo de sermos invadidos, as atitudes defensivas que nos impõe o mundo actual. Muitos tentam escapar dos outros fechando-se na sua privacidade confortável ou no círculo reduzido dos mais íntimos, e renunciam ao realismo da dimensão social do Evangelho. Porque, assim como alguns quiseram um Cristo puramente espiritual, sem carne nem cruz, também se pretendem relações interpessoais mediadas apenas por sofisticados aparatos, por ecrãs e sistemas que se podem acender e apagar à vontade. Entretanto o Evangelho convida-nos sempre a abraçar o risco do encontro com o rosto do outro, com a sua presença física que interpela, com o seu sofrimentos e suas reivindicações, com a sua alegria contagiosa permanecendo lado a lado. A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação com a carne dos outros. Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura.

Gustavo Castro
Comunidade Santa Teresinha (Camarabige-PE)

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