sábado, 11 de janeiro de 2014

A VERDADEIRA ORAÇÃO (trecho de carta de Santa Madre Teresa de Jesus ao padre Jerônimo Gracián)




“O fato é que, nestas coisas interiores de espírito, a oração mais aceita e segura é a que deixa melhores efeitos. Não me refiro a inspirar logo muitos desejos, pois estes, embora apreciáveis, nem sempre são como os pinta aos nossos olhos o amor-próprio. Chamo efeitos quando são confirmados por obras, e os desejos da honra de Deus se traduzem em trabalhar por ela muito deveras e empregar a memória e o entendimento em investigar os meios de agradar ao Senhor e mostrar-lhe melhor o grande amor que se lhe tem.

Oh! É esta a verdadeira oração, e não uns gostos que só servem para nosso deleite e nada mais, pois quando se oferecem as ocasiões de que falei, há logo muita frouxidão, temores e susto de que nos faltem com a estima. Outra oração não quisera eu, fora da que me fizesse crescer nas virtudes. Se fosse acompanhada de grandes tentações, securas e tribulações, porém, me deixasse mais humilde, a essa teria eu por boa, pois consideraria mais oração aquilo que mais agradasse a Deus.
Ninguém pense que não está orando aquele que padece: já que se o está oferecendo a Deus, ora incomparavelmente melhor, muitas vezes, do que outro na solidão, a quebrar a cabeça, imaginando ter oração quando consegue espremer algumas lágrimas.”

Trecho da carta de Santa Teresa de Jesus ao P. Jeronimo Gracián, 23 de outubro de 1576.


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