sábado, 8 de novembro de 2014

BEATA ELISABETE DA TRINDADE,OCD


Beata Elizabete da Trindade
                                                     
1879-1897

26 anos de vida- 5 no Carmelo

 um presente para o Carmelo e para a Igreja.
            Viveu só 26 anos, sendo que os últimos cinco anos no Carmelo, mas neste curto período, podemos admirar o reflexo de seu coração, o segredo de sua vida e a manifestação de seu intenso amor.
            Seus escritos, impregnados da Presença de Deus não envelhecem e a cada leitura sentimos o aleito divino chegando até nós, o sopro do Espírito Santo nos animando.
            Elisabete celebra a vida em suas cores e dores; por meio de suas palavras reconhecemos que a Palavra de Deus é convertida em substância do seu ser. O exame grafológico de sua escrita mostra com as palavras “amor” e “Deus”  alcançam as fibras mais profundas de sua personalidade.
            Nasceu Elisabete Catez em 18/07/1880 no campo militar de Avor- França e foi batizada no dia 22/07 (festa de Santa Maria Madalena).
escritos.
            Elisabete da Trindade morreu no Carmelo de Dijon (atualmente Flavignerot) no dia 09/11/1906.
            Em 1984, no dia 25/11 foi beatificada por João Paulo II. Sua comemoração litúrgica foi fixada a oito de novembro.






        No seu coração, a jovem sonhava receber no Carmelo o nome de Elisabete de Jesus . Não sem sacrifício ela aceita o de  Elisabete da Trindade que a Priora lhe propõe em memória de uma Carmelita de Beaune.
        A 01 de julho de 1900, encontramos este nome pela primeira vez numa carta dirigida a uma outra aspirante do Carmelo, Margarida Gollot. Pouco antes, Elisabete encontrou pela primeira vez o Padre Vallée, Prior dos Dominicanos de Dijon, orador apreciadíssimo do Carmelo.. A longa conversa com este Padre, que ela verá ainda várias vezes antes da sua entrada, encorajou-a intensamente a crer no Deus “todo Amor” que nela habita, o que ela sabe tão bem. O religioso lhe dá asas para continuar sua rápida carreira. Não que ele tenha revelado a realidade da inabitação de Deus em sua alma, da qual ela já vivia. Mas é seguramente enriquecida daquilo que o Padre Vallée lhe dizia sobre o amor que, não somente Jesus, mas também Deus, Pai, verbo e Espírito Santo lhe têm. Como ela deveu beber estas palavras, ela que escrevera dois anos antes, no dia de Pentecostes de 1898, ao falar do Espírito Santo que ela “invoca a cada dia” e de quem espera a dilatação de todos os seus desejos:
                        Espírito Santo, Bondade, Beleza suprema!
                        Ó tu que eu adoro, ó tu que eu amo!
                        Consome por tuas divinas chamas,
                        Este corpo, e este coração, e esta alma!
                        Esta esposa [da] Trindade
                        Que não aspira senão à sua vontade!...(P 54)

        Durante o verão de 1900 esta “esposa da trindade” faz o seu grande adeus ao mundo durante o percurso de uma viagem de três meses. Uma última vez, os encontros e as soirées são retomados em Dijon, mas também o apostolado ao qual ela se dedica nas paróquias de São Miguel e São Pedro: o patronato para as filhas dos operários da fábrica de tabacos, a catequese às crianças que se preparam para a primeira Comunhão, as visitas a seus pais e aos doentes, o coro de canto...
        O tempo passa depressa, seus vinte e um anos e sua entrada no Carmelo já se aproximam. Elisabete atravessa um período de aridez na sua busca de Deus. Ela sofre. Sofre mais ainda “por fazer sofrer os  outros”: sua mãe e sua irmã contam os dias que lhes resta com sua Sabete. “Minhas pobres queridas que eu crucifico”, ela geme. Mais tarde o Cônego Angles evocará os “dois amores” que, como uma trave vertical e uma horizontal, formam uma cruz no coração de Elisabete: “o amor de Deus e o amor de sua mãe eu ela amava apaixonadamente”. Mas a filha do oficial não recua diante dos sacrifícios por maiores que eles fossem para responder ao Amor maior.
        Maria de Jesus conhece o valor de sua jovem postulante e decide leva-la consigo para a nova fundação de Paray-le-Monial. As malas de Elisabete já se encontravam lá quando, no último momento, se consente em deixa-la no Carmelo de Dijon em  consideração para com a Senhora Catez.
        São horas dilacerantes, a última tarde, a última noite juntas...
        Mas a 2 de agosto de 1901 traz também para Elisabete a paz profunda de poder, enfim, dizer sim a Jesus que a quer no Carmelo. Nesta mesma manhã ela escreve ao Cônego Angles: “Nós comungaremos na Missa das oito horas e, depois disto, quando Ele estiver no meu coração, mamãe me conduzirá à porta da clausura!”.
        Quando Ele estiver no meu coração... Ela termina :”Eu sinto que sou toda sua, que não reservo nada, lanço-me nos seus braços como uma criancinha”.
        Antes de deixar para sempre a casa da Rua Prieur-de-la- Cote-d’Or, ela se ajoelha diante do retrato de seu pai e lhe pede uma última bênção.
        Na entrada da clausura, a Sub Priora, Germana de Jesus, e algumas Irmãs acolhem a jovem que entra para o Carmelo. Ela sobe até a sua cela para se revestir com a veste de postulante, com a capinha e o véu negro.
        É neste traje que nós a vemos numa foto da Comunidade feita três dias depois. O rosto trai o sofrimento dos últimos dias, mas também sua decisão de ir em frente. No dia seguinte, Irmã Teresa de Jesus envia diversas fotos ao Carmelo de Lisieux (à Irmã Genoveva, a irmã de Teresa) e no seu longo comentário encontramos esta frase assombrosa:”...uma postulante de três dias mas que aspira ao Carmelo desde a idade de sete anos, Irmã Elisabete da Trindade, que dará uma Santa porque já possui disposições notáveis”. Com efeito, ela surpreende as Irmãs por suas virtudes e seu recolhimento, mas algumas se perguntam se não seria belo demais para ser verdade...

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