segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

“SOB A PROTEÇÃO DE MARIA”



A festa da Imaculada Conceição celebrada no tempo do Advento recorda-nos a índole mariana deste tempo litúrgico. Maria, preservada de toda a culpa faz parte da antiga tradição da Igreja, embora o dogma somente tenha sido proclamado em 1854. De fato a constante tradição da Igreja sempre viu a Virgem de Nazaré como a “Toda Pura”. Maria então, concluindo toda a esperança do antigo povo de Israel, preparada pela graça de Deus para ser a mãe do Messias, abre um novo tempo quando aceita o convite para ser a Mãe do Filho de Deus, que no final de sua missão, aos pés da Cruz dele recebe como testamento o  ser Mãe dos discípulos do Filho.

Tal maternidade espiritual da mãe de Jesus esteve sempre na consciência dos fiéis. E assim floresceram muitas orações e invocações a Maria ao longo dos séculos, elevadas sobretudo nos momentos de dificuldade e provações.

Porém, a mais antiga oração mariana fora do Novo Testamento é certamente esta que chegou a nós em latim: 

Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genitrix;
nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus;
sed a periculis cuntis libera nos semper,
Virgo gloriosa et benedicta.

Traduzida ao português:

Sob a tua proteção nos refugiamos santa Mãe de Deus:
Não desprezes as nossas súplicas em nossas necessidades:
E livra-nos sempre de todos os perigos,
Virgem gloriosa e Bendita.

Esta oração tem origem no séc. III d. C., no Egito e foi escrita em copto. Foi usada na liturgias de quase todos os ritos litúrgicos do Oriente e do Ocidente. Recentemente a versão latina foi  confirmada pela  descoberta de antigos papiros que atestam seu uso nos ritos Copta e Bizantino no Oriente Médio e no Egito.

Inspirando-se em textos bíblicos,  evoca a imagem do refúgio  à sombra das asas de Deus, símbolo da proteção divina,  cuja palavra praesidium traduz bem a ideia de se estar em um lugar seguro, protegido como por um destacamento de soldados. Ao mesmo tempo evoca os salmos individuais de pedido de socorro a Deus diante das necessidades ou doenças ou perseguições.

A Virgem Maria é  invocada com confiança, porque atende e intercede junto ao Filho pelas necessidades do fiel, tal como o fizeram os mártires cristãos do III século no norte da África, os quais durante a perseguição do imperador romano Decio (249-251 d. C.), teriam com toda probabilidade elevado esta oração  à Virgem Maria.

O Beato Paulo VI escreveu na Marialis cultus: "Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo; por este seu dom de graça sem igual ela ultrapassa, de longe, todas as outras criaturas, celestes e terrestres" (LG 53); a sua cooperação nos momentos decisivos da obra da Salvação, realizada pelo Filho; a sua santidade, já plena na Conceição imaculada e, não obstante, sempre crescente, a medida que ela aderia à vontade do Pai e ia percorrendo a via do sofrimento (cf. Lc 2, 25-35;2,41-52; e Jo 19,25-27) e ia progredindo constantemente na fé, na esperança e na caridade; a sua missão e condição única no Povo de Deus, do qual é, ao mesmo tempo, membro sobreeminente, modelo limpidíssimo e Mãe amorosíssima; a sua incessante e eficaz intercessão, em virtude da qual, embora assumida ao céu, continua muito perto dos fiéis que a imploram, e até mesmo daqueles que ignoram ser seus filhos; a sua glória, enfim, que enobrece todo o gênero humano... Maria, de fato, é da nossa estirpe, verdadeira filha de Eva, ... nossa verdadeira irmã, que compartilhou plenamente ... a nossa condição” (n. 66).

Possamos nós, revestidos do Escapulário, sinal de consagração e proteção de Maria, acorrer a Ela e elevar com confiança esta venerável oração da tradição cristã e como Ela viver o Advento na espera vigilante e alegre do Senhor que vem!

Frei Alzinir, OCD

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