Rezemos sempre por nossos irmãos e amigos sacerdotes !

Em sua homilia, o pontífice fez uma reflexão sobre “o cansaço” dos sacerdotes, dizendo que nosso Senhor “sabe que a tarefa de ungir o povo fiel é dura e nos leva ao cansaço e à fadiga. Experimentamos isso em todas as suas formas: desde o cansaço costumeiro da tarefa apostólica cotidiana até o da doença e da morte, e, inclusive, até a consumação no martírio”.
“Penso muito e rogo com frequência, especialmente quando o cansado sou eu; e o nosso cansaço, queridos sacerdotes, é como o incenso que sobe silenciosamente ao céu. Nosso cansaço vai direto ao coração do Pai”.
“Quando sentimos o peso do trabalho pastoral, podemos sentir a tentação de descansar de qualquer maneira, como se o descanso não fosse uma coisa de Deus”. O bispo de Roma pediu que os padres não caiam nesta tentação: “Nossa fadiga é preciosa aos olhos de Jesus, que nos acolhe e nos coloca de pé”.
Francisco repassou as tarefas dos sacerdotes proclamadas hoje na liturgia: “Levar aos pobres a Boa Nova”, “anunciar a libertação aos cativos e a cura aos cegos”, “dar liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor”. Isaías agrega: “curar os de coração dolorido e consolar os aflitos”.
Não são tarefas fáceis: exigem “a nossa capacidade de compaixão”. Para os sacerdotes, “as histórias da nossa gente não são um noticiário: nós conhecemos o nosso povo, podemos adivinhar o que está acontecendo no seu coração; e o nosso coração, ao nos compadecermos (padecer com eles), vai se desgastando”.
Há vários tipos de cansaço, refletiu o papa.
Em primeiro lugar, “o cansaço das pessoas, das multidões”. Este cansaço é bom, cheio de frutos e de alegria. É o cansaço do sacerdote com cheiro de ovelha, mas com sorriso de pai que contempla os filhos e netos pequenos. O papa afirmou que não “podemos ser pastores com cara de vinagre, queixosos e, pior ainda, pastores entediados”.
O segundo cansaço é “o dos inimigos”. O papa observou que “o demônio e seus sequazes não dormem e, como os seus ouvidos não suportam a Palavra, trabalham incansavelmente para calá-la ou deturpá-la”. Francisco explicou que “não se trata só de fazer o bem, com toda a fadiga que isso envolve, mas de defender o rebanho e defender a si mesmo contra o mal”. Necessitamos da graça de aprender a neutralizar o mal.
Finalmente, o “cansaço de si mesmo”. Talvez seja o mais perigoso, o mais “autorreferente”, “a desilusão pessoal que não é encarada de frente com a alegria serena de quem se descobre pecador e necessitado de perdão: este pede ajuda e segue adiante”. Trata-se, antes de uma espécie de “paquera com a mundanidade espiritual”. No entanto, “só o amor nos descansa. Aquilo que não se ama cansa e cansa mal”.
Para terminar, o Santo Padre recordou que a imagem mais profunda e misteriosa de como nosso Senhor trata o cansaço pastoral é o lava-pés: “Nos pés podemos ver como é que anda todo o nosso corpo”.
Nosso Senhor, disse o papa, nos lava e purifica de tudo o que foi sendo acumulado em nossos pés por segui-lo – e isto é sagrado. Por último, Francisco nos convidou a pedir a graça de aprender a estar cansados, mas “bem cansados!”.