sexta-feira, 8 de maio de 2015

Visita à Assunção, santuário de Chiquitunga! Por Hercílio Martelli, ocds

 “Não tive o prazer de conhecer Teresa de Jesus, mas pelas filhas e obras literárias vejo a grandeza da mãe.”
Frei Luís de León (1527-1591)


Em cada ser humano, Deus coloca sua identidade e sua espiritualidade de forma personalizada, única, sem repetição, mesmo entre os gêmeos uni ou bivitelinos. No arco-íris da família teresiana, encontra-se diferentes nuances e tonalidades, refletidas pelos seus diferentes chamados e vocações, seja refletido nos seculares, seja refletido nos religiosos (monjas e frades).
Neste amplo espectro de riqueza e diversidade, a história nos foi apresentando alguns modelos, sejam explícitos, sejam mais ocultos, no silêncio e na discrição, como é próprio do Carmelo teresiano. Neste cenário espiritual, a Igreja nos apresenta homens e mulheres que foram outorgados com o título de Veneráveis, Beatos e Santos.
No último dia 28 de abril, o Carmelo do Paraguai se lembrou de modo especial, os 56 anos de falecimento de uma filha querida e especial, que encerrou sua missão terrena aos 34 anos, exatamente na madrugada de 28 de abril. Estamos fazendo menção, a Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado, carinhosamente chamada de Chiquitunga (o correspondente para o nosso“pequerrucha”).
Exemplo de filha, modelo de jovem e doação ao projeto de Deus no serviço aos irmãos foram características desta jovem leiga e carmelita paraguaia.
Desta breve, mas fecunda e ativa vida, Chiquitunga exerceu diversas missões na Ação Católica do Paraguai, entre os 16 e 30 anos, quando Deus a conduziu aos umbrais do recém-fundado, Carmelo de Assunção. Como é habitual e corrente no Carmelo em Assunção, celebram-se todos os dias 28 de cada mês, uma Eucaristia solene e em memória desta jovem. E no dia 28 de abril de cada ano uma solenidade especial em recordação desta filha do Carmelo teresiano.
Neste dia 28 de abril, o Carmelo de Assunção presenteou a Igreja e todos os fiéis com a inauguração do espaço da nova Tumba de Chiquitunga, adjacente a lateral da Capela das Carmelitas Descalças, onde os fiéis poderão estar mais “próximos” e em oração, com a presença da urna contendo os restos mortais e o relicário com o cérebro incorrupto da Venerável Serva de Deus.
Faremos um breve relato desta experiência vivenciada recentemente. Não faremos menção neste espaço à biografia ou literatura desta jovem que nasceu em Villa Rica, no interior do Paraguai e que merece ter sua vida e trajetória conhecida e admirada.
A Celebração Eucarística estava marcada para as 18h30minh na Capela do Carmelo e na sequência a benção do novo espaço mencionado. Porém, bem antes das 14h já se observava a presença de um expressivo número de fiéis nos arredores do Mosteiro e no interior da Capela. Assim, ao som da harpa paraguaia e com canções baseadas nos escritos de Chiquitunga, as pessoas iam chegando.
De forma cuidadosa, observava-se no exterior do Mosteiro, pelo menos em duas quadras anexas, a presença de um número amplo de cadeiras e de telões dispostos para todos poderem acompanhar a Celebração da Santa Missa. Um pouco antes das 18h e 30 min com mais de mil pessoas presentes, destacando-se a presenças dos Seculares do Carmelo paraguaio e familiares de Chiquitunga, foi recitado o rosário permeado com pensamentos e lembranças da vida da Serva de Deus.
A Celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Assunção, Edmundo Valenzuela Mellid, tendo a presença de diversos padres concelebrantes. Estava também presente à celebração, Pastor Cuquejo, Arcebispo Emérito de Assunção. Aqui, cabe abrir um parêntese. Este mesmo religioso, quando tinha por volta de 10 anos de idade, aluno da Escola Paroquial do Perpétuo Socorro, em Assunção, pode cruzar diversas vezes nos corredores como uma professora sorridente e amigável que o saudava de forma bastante cordial. Esta professora era Maria Felícia. Os planos de Deus permitiram que aquele menino, torne-se um missionário Redentorista e, anos depois, como Arcebispo de Assunção, participasse do Processo para Canonização da jovem Chiquitunga.
Voltando a Celebração, particularmente a homília, o celebrante discorreu sobre as funções de um Santo ou uma Santa. O que fizeram enquanto seres humanos para merecerem tal nomenclatura? Que ações sobrenaturais ou místicas realizaram? Talvez tenhamos que entender tais perguntas com um olhar simples e singelo. E o Arcebispo comentou sobre três parâmetros comuns a todos estes bem aventurados. O primeiro, a graça de serem modelos pelo que fizeram e plantaram e cultivaram durante suas vidas e não de uma hora para outra e nem num único momento. Também se lembrou da ação intercessora que os mesmos devem ter para conosco. E finalmente recordou da missão protetora que estes amigos de Deus devem ter para com os fiéis.
Assim, cabe-nos destacar que a Ir. Maria Felícia não somente durante sua vida, mas nestas mais de cinco décadas pós-morte enquadra-se inteiramente nestas narrativas. Esta jovem que imolou sua vida pelos pobres, pelos jovens e anciãos, pelos sacerdotes e acima de tudo em servir ao semelhante deve ser lembrada e venerada.
Após a celebração, foi realizada a benção do espaço inaugurado, contendo, além da urna com os restos mortais e o relicário com o tecido cerebral da Ir. Maria Felícia, conhecida também como o jasmim paraguaio.
Se buscarmos a etimologia do nome da planta jasmim, encontraremos que são folhas simples, com pétalas patentes, raramente excedendo dois centímetros de diâmetro e quase sempre perfumadas. A grande maioria possui flores brancas. Nesta definição, uma vez mais se encontram aspectos comuns à Chiquitunga, ou seja: a simplicidade, o perfume religioso e a discrição.
Após a Celebração, os mais de mil fiéis de forma ordenada, visitaram o espaço inaugurado e conheceram este presente de Deus à Igreja paraguaia.
Se ao final de sua vida terrena, Chiquitunga já no seu leito de morte, misticamente recebe a visita da Santa Madre Teresa e de Teresa do Menino Jesus, faz-nos pedir, sobretudo neste ano dedicado a Vida Consagrada, que esta jovem seja mais um modelo para a Igreja paraguaia e universal e intercessora de todos os jovens e daquelas comunidades seculares e de religiosos.
O Papa Francisco em sua Carta Apostólica para Proclamação do Ano da Vida Consagrada nos diz: Juntos, damos graças ao Pai, que nos chamou para seguir Jesus na plena adesão ao seu Evangelho e no serviço da Igreja e derramou nos nossos corações o Espírito Santo que nos dá alegria e nos faz dar testemunho ao mundo inteiro do seu amor e da sua misericórdia. Este breve trecho da Carta Apostólica nos possibilita ainda mais a aproximarmos da Serva de Deus, sobretudo pelo amor e a alegria que consumiram sua vida pelo semelhante. E como profetizou seu querido amigo, Sauá, todo bem que ela fez na terra será pouco perante o que fará no céu.
Ao encerrar este breve relato, faz-nos justiça mencionar, além da presença de inúmeros seculares e religiosos que se esforçam por levar o perfume do jasmim paraguaio para além-fronteiras, a perseverança das Carmelitas Descalças de Assunção e do Irmão Restituto Palmero Rodrígues, também se destaca a incansável busca e esforços para tornar Chiquitunga mais conhecida, realizadas durante anos pelo Padre Julio Félix Barco.(in memorian)
A Beata Elisabete da Trindade escreveu: “Ó Astro Amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair de vossa irradiação”. E de fato, isto foi feito em toda vida da Ir. Maria Felícia de Jesus Sacramentado.
E suas últimas palavras foram: “Jesus, te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!.
Que a Serva de Deus Chiquitunga, continue sendo este modelo para os leigo e para os consagrados em suas caminhadas.

Professor Hercílio Martelli Júnior
(Comunidade Beata Elisabete da Trindade, OCDS
Montes Claros, Minas Gerais)




Presbitério da capela do mosteiro. 


Visão externa da tumba inaugurada


Visão externa do Carmelo. Local preparado para 
acolher os fiéis participantes da celebração Eucarística. 

Arcebispo Metropolitano de Assunção, D. Edmundo Valenzuela Mellid,  com diversos padres concelebrantes. À esquerda do arcebispo,  assentado sob a imagem de Santa Madre Teresa, encontra-se D. Pastor Cuquejo,  arcebispo emérito de Assunção. 


Relicário que contém a precioso cérebro incorrupto de Chiquitunga.


Imagens da Venerável Serva de Deus Maria Felícia de Jesus Sacramentado. 


Uma das máximas vividas por Chiquitunga. 
Irmão Restituto Palmero

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