segunda-feira, 24 de agosto de 2015

TERESA, INSTRUMENTO DA GLÓRIA DE DEUS: OS 453 ANOS DA FUNDAÇÃO DO MOSTEIRO DE SÃO JOSÉ DE ÁVILA.

O santo mosteiro onde Santa Madre Teresa deu início ao Carmelo Descalço. 


No livro de sua Vida, narra Teresa de Jesus a conclusão do início de uma história que já se prolonga por 453 anos:

“Por fim, estando tudo pronto, foi o Senhor servido que, no dia de São Bartolomeu, algumas religiosas tomassem hábito. Pôs-se o Santíssimo Sacramento, e o novo mosteiro do glorioso pai nosso São José foi fundado, cumpridas todas as formalidades requeridas e obtidas as devidas autorizações, no ano de 1562 (...) Para mim, foi como que antegozar a glória ver instalado o Santíssimo Sa­cramento. Vi então realizada, de acordo com os meus desejos, uma obra que eu sabia ser para o serviço do Senhor e para a honra de sua gloriosa Mãe. Deu-me também grande consolo ter feito o que Deus tanto me recomendara e ter dado a esta localidade mais uma igreja, dedicada ao meu glorioso pai São José; não que eu julgasse ter feito alguma coisa para isso, o que nunca me parecia nem parece (sempre entendo que era o Senhor quem o fazia, e aquilo que eu fazia tinha tantas imperfeições que eu devia antes me culpar do que merecer agradecimentos). Mas me alegrava muito ver que Sua Majestade me tomara por instrumento — embora eu fosse tão ruim — para obra tão grande(S. Teresa de Jesus, Vida, 36, 6-7).

No V Centenário de seu nascimento, este testemunho de Teresa recorda-nos seu grande amor a Cristo presente na Igreja e na Eucaristia, pelo qual ela desdobra-se nesta que será a primeira de suas fundações.

Seu reconhecimento pela ação de Deus em sua vida chama-nos a atenção: o mosteiro é obra Dele para o serviço de sua honra e glória. Teresa é consciente de estar colaborando com seu pouco para isso. É instrumento dócil e humilde e em suas mãos. Por isso ela pode dizer: Vossa sou, para Vós nasci, o quê mandais fazer de mim?

Ela parece convidar-nos hoje, quando recordamos o início da Reforma do Carmelo teresiano, a viver nossa vocação e missão com o sentido maior que é a glorificação da Trindade e do qual fala Papa Francisco na exortação apostólica Alegria do Evangelho:


      “Unidos a Jesus, procuramos o que Ele procura, amamos o que Ele ama. Em última instância, o que procuramos é a glória do Pai, vivemos e agimos «para que seja prestado louvor à glória da sua graça» (Efésios 1, 6). Se queremos entregar-nos a sério e com perseverança, esta motivação deve superar toda e qualquer outra. O movente definitivo, o mais profundo, o maior, a razão e o sentido último de tudo o resto é este: a glória do Pai que Jesus procurou durante toda a sua existência. Ele é o Filho eternamente feliz, com todo o seu ser «no seio do Pai» (João 1, 18). Se somos missionários, antes de tudo é porque Jesus nos disse: «A glória do meu Pai [consiste] em que deis muito fruto» (João 15, 8). Independentemente de que nos convenha, interesse, aproveite ou não, para além dos estreitos limites dos nossos desejos, da nossa compreensão e das nossas motivações, evangelizamos para a maior glória do Pai que nos ama” (267).

Possamos este dia agradecer ao Pai pelo carisma de Teresa na Igreja e perguntar-nos: a minha ação é para a glória de Deus e para o louvor da Virgem Maria e de São José? 


Boa festa a todos!

Frei Alzinir F. Debastiani, ocd.




Algumas belas fotos  do Mosteiro de São José, em Ávila:

Fachada externa (foto atual)

Capela conventual

Claustro

Cela de la Santa 

Refeitório antigo


Foto antiga, antes da reforma atual da fachada e calçadas externas. 



Detalhe da imagem do glorioso São José, com o Menino Jesus. 

Pátio interno do mosteiro.



O glorioso São José: "patrocinador" da obra teresiana. 

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