sábado, 12 de setembro de 2015

MENSAGEM DO FREI SAVERIO CANNISTRÀ - Prepósito Geral - Fórum 500 STJ



Roma, 3 de setembro de 2015




Aos

Participantes do Fórum por ocasião dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus

Aparecida (SP – Brasil), 4 a 7 de setembro de 2015



                                Jesus!



Em muitas de suas Cartas a Santa Madre inicia assim, invocando o nome de Jesus.

Como ela, também eu me dirijo a vocês com esta breve mensagem, respondendo ao convite de Fr. Cléber. Faço votos que a alegria, a paz e a esperança em Jesus Ressuscitado estejam com cada um de vocês e com todo o povo brasileiro, que dia 7 próximo celebra sua festa Nacional!

Em Jesus, Teresa encontrou a plenitude de seu ser; por Ele ela foi associada à sua missão; por Ele ela empreendeu a reforma do Carmelo e consumiu suas forças pelo bem da Igreja! Por isso seu testemunho de vida e de experiência com Cristo deixou-nos em herança um carisma rico de conteúdos doutrinais e espirituais sempre válidos. Seus escritos são uma fonte incomparável de espiritualidade e de pedagogia e da mística cristã; são uma riqueza para a humanidade, para a Igreja e para a Ordem!

Apaixonada buscadora da Verdade, esta luz que dá sentido e valor à caridade” (Bento XVI), Teresa descobre ser infinitamente amada por Ele; por graça também descobre que Deus é a Suma Verdade (Vida 40,3-4) contida na Bíblia e percebe que «todo o mal do mundo deriva de não se conhecerem claramente as verdades da Sagrada Escritura» (V 40,1). Por isso faz da verdade e de sua busca uma pessoal condição para a vida de oração e de amizade com Deus e com os demais (Vida 13,16; 6 Moradas 10,6). Na Pessoa de Jesus, Livro vivo (Vida 26,5) onde vê as Verdades; Ele é Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6), a plenitude do Deus encarnado, divino e humano (6 Moradas 7,9) que quis permanecer conosco na Eucaristia e ser sustento e Modelo (Vida 15,13; 22,6) para os que seguem seus passos e fazem a vontade do Pai (Caminho 34,27).

Ferida pelo amor de Jesus Cristo, seu Esposo divino (Vida 36,26) Teresa vai adentrando pela porta da oração e consideração (1 Morada 1,7) e pela prática das virtudes à descoberta das muitas riquezas de seu interior. Morada após morada, constrói em si mesma uma casa na qual Jesus possa morar (5 Moradas 2,2). E Ele, vendo a firmeza e o desejo grande de Teresa de segui-Lo e que lhe diz: Juntos andemos Senhor, por onde fordes, irei ... (Caminho 26,6), a tomará pela mão e a introduzirá na comunhão com a Trindade SS., na sétima Morada onde Ele se lhe revela e faz presente. Da profundeza desta união, Teresa diz a cada um/a de nós que o Deus infinitamente bom está nos aguardando para comunicar-nos a sua misericórdia infinita e a sua amizade incondicional (7 Moradas 1,1). Ela funda a inalienável dignidade de cada pessoa humana chamada à comunhão com Deus que ali vive e com quem ele se deleita (1 Morada 1,1). É assim que Teresa se faz testemunha de que uma autêntica vida de oração humaniza e a leva à plenitude de si mesma e ao mesmo tempo afável no relacionamento com os outros (Caminho 40,7). 


Teresa descobriu também após muitas lutas e desencontros, que o caminho para a amizade estável e definitiva com Deus é graça Dele. A esta graça não se chega somente com as próprias forças ou sozinho, mas é resposta confiante no amor primeiro e definitivo do Deus-Amor. Nele, “todos fomos criados” para aquilo que “o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno” (EG 265). Valorizando a amizade vivida em comunidade, Teresa recupera um outro aspecto essencial do Evangelho, a vida em comunidade. Desta forma, aqueles/as que buscam ser amigos fortes no amor de Cristo para o sustento dos fracos (Vida 15,5; 16,7) podem apoiar-se mutuamente na vida espiritual (2 Morada 1,6). Do realismo Teresiano aprendemos que o amor é comprovado pelas virtudes e em meio aos trabalhos da vida, no relacionamento com os outros (Fundações 5,15). Na vida fraterna autêntica aprende-se a conhecer-se mutuamente e a caminhar na verdade-humildade, pois somente quando se reconhecem os limites próprios e se tira a trave do próprio olho (Mt 7,3) é que se pode deixar ajudar e ajudar os outros a deixar para trás as coisas e/ou atitudes que não agradam a Deus e o ofendem. Assim, se hoje o individualismo, a luta pelo poder, pelo ter, pelo prazer sacodem e fragmentam a Igreja e nossas comunidades, Teresa recorda-nos que a essência de cada pessoa humana, à imagem do  amor da SS. Trindade, está no sair de si para  viver o amor ao outro, como fez Jesus, o Capitão do Amor (Caminho 6,9); e o amor e a misericórdia vividos para com o próximo são sinais certos do amor para com Deus (5 Moradas 3,8-9), assim como a verdadeira riqueza é haver a única riqueza, Deus e o poder é serviço humilde, gratuito e desinteressado (Mt 20,28; Caminho 8,1; 17,1).  


Enfim, Teresa é testemunha da fecundidade apostólica que brota da união com Deus. Nos últimos 20 anos de sua vida (1562-1582) ela escreve, funda Mosteiros, vive repartindo os frutos de sua vida em união com Cristo (Vida 19,3; 20,19) de muitas formas e conforme o amor lhe sugere. Impulsionada pela salvação dos muitos que se perdem sem conhecer a Cristo (Caminho 1,2; Fundações 1,7), quer que os membros de suas comunidades sejam tais como ela deseja (Caminho 1,1-3), imbuídos do seu mesmo ardor pelo bem da Igreja e pela salvação das almas, seja pela oração ou pelo trabalho apostólico. E vemos que Teresa não se paralisa pelo medo diante dos desafios ou dos trabalhos e sofrimentos com as fundações de Mosteiros; elas são obra de Deus (Fundações 18,4; 14,12; 25,12) e por Ele e sua SS. Mãe ela dá sua vida e sua honra (Relação 18; 53; Poesia 2). Podemos assim dizer que Teresa é a discípula-missionária que tem “a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus” (EG 127) e quer ver seus filhos/as imbuídos deste seu mesmo ardor! E diante dos desafios, perigos, cansaços e tentações que atravessarmos, Teresa continua dizendo a nós, à Igreja: Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa... Deus não muda; a paciência tudo alcança. SÓ DEUS BASTA!


Caríssimos, concluindo esta mensagem, ao mesmo tempo que me congratulo com todos da família do Carmelo – Frades, Monjas, Ordem Secular – e Institutos de inspiração teresiana e cada um/a de vocês por ocasião do Fórum Teresiano, agradeço por todo empenho e serviço dos organizadores e palestrantes. Que o Bom Deus abençoe a todos e a Virgem Aparecida, em cuja Casa vocês se encontram, os ampare e proteja, juntamente com seu Esposo S. José, assim como a suas Famílias e Comunidades.  Faço votos que estes dias do Fórum possam fortalecê-los com o testemunho e exemplo da Santa Madre Teresa, para caminharem com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé (Hb 12, 2) e colaborarem fazendo o pouco ao alcance (Vida 32,9; Caminho 1,3) para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.



Fraternalmente,





Fr. Saverio Cannistrà OCD

Prepósito Geral

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...