segunda-feira, 28 de março de 2016

CARTA DO PADRE GERAL DA ORDEM, FREI SAVÉRIO CANNISTRÀ (especialmente dirigida aos seculares) - 27 de março de 2016.






Roma, 27 de março de 2016


Aos queridos irmãos da Ordem Secular, provinciais OCD, delegados provinciais e assistentes da OCDS:

A paz e a alegria de Cristo Ressuscitado esteja com todos vocês! 

Dirijo-me a vós com afeto fraterno neste dia de Páscoa, dia da vitória do amor de Deus Pai, o qual, “em sua grande misericórdia nos regenerou mediante a ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva” (I Pedro 1, 3).
No mês de maio do ano passado, como sabeis, teve lugar em Ávila nosso Capítulo Geral, no qual a OCDS participou com alguns representantes e com alguns representantes e com vossas respostas ao questionário enviado pela Secretaria Geral da OCDS em setembro de 2014. Quero, antes de mais nada, dar-vos graças por vossas expressões de gratidão e vossas orações, bem como também pelas sugestões dirigidas aos capitulares.
Com esta carta queria aprofundar algumas questões postas de manifesto em vossas respostas e apresentar algumas sugestões, dado que durante o Capítulo não tivemos o tempo necessário para discuti-las e dar-lhes uma contestação.

1.         Em primeiro lugar, a respeito da criação de um “Conselho Internacional da OCDS”, temos recebido uma variedade de respostas: tanto aquelas que manifestavam entusiasmo pela ideia quanto aquelas que a ela se opunham. Certamente não houve um consenso claro e majoritário, que aconselhasse instituir rapidamente o Conselho. As muitas dúvidas a cerca da utilidade ou oportunidade de tal conselho, seu funcionamento, assim como as dificuldades de comunicação por causa das diversas línguas e os custos econômicos que traria consigo, nos convidam a realizar uma reflexão mais profunda. Diante dessa situação, pensamos que é melhor fortalecer o papel dos Conselhos Provinciais nas diversas circunscrições. Segundo as Constituições OCDS (nº 57-58) e os estatutos de cada Província, toca a eles o dever de organizar cursos de formação, iniciativas de animação da vida e de promoção do apostolado das Comunidades, em diálogo e colaboração com os religiosos. Nesse sentido, os animo a prosseguir neste caminho, superando, inclusive, os confins da própria circunscrição para abri-los a uma colaboração interprovincial e nacional.

2.         Outro tema que considero fundamental é o da formação. Desejo, antes de tudo, exortar a nossos religiosos a dedicarem-se com sempre maior esforço à formação de nossos leigos, para que cresçam na própria identidade laical e possam testemunhar a espiritualidade da Ordem em sua vida cotidiana. Esta tarefa, no tocante ao acompanhamento dos indivíduos e das comunidades, pode ser cumprida também aproveitando as possibilidades oferecidas pelos novos meios de comunicação.

Um segundo aspecto da formação, a mim me parecer o mais importante, é o que compromete diretamente a cada uma das Comunidades e, em particular, ao Conselho da Comunidade. Sua tarefa principal é promover a “formação e o amadurecimento cristão dos membros da Comunidade”, preparando a pessoa a “viver o carisma e a espiritualidade do Carmelo, no seguimento de Cristo, a serviço da missão” (Const. OCDS 46.32). Quanto a este aspecto, os programas formativos de cada Província devem atualizar-se constantemente segundo uma pedagogia adaptada aos nossos tempos e aos jovens, que facilite a compreensão do carisma segundo a mentalidade de hoje e clarifique a identidade do membro da Ordem Secular. Ademais, a promoção das vocações, seu discernimento, sua acolhida e acompanhamento são cruciais para a sobrevivência da mesma Comunidade. Todas estas atividades serão eficazes somente se vão unidas ao bom testemunho de vida fraterna nas Comunidades, segundo o estilo teresiano. Esta é a terra fecunda que permite viver e contagiar aos outros a vida que provém de serem ramos unidos à única Vida que é Cristo. Somente assim, será possível vencer as tentações de divisão e afrontar aos muitos desafios que o mundo apresenta.
Finalmente, um terceiro pensamento (ou aspecto) sobre a formação tem que tudo a ver com a dimensão missionária: cada vocação na Igreja é chamada à missão. Por isso, hoje, mais do que nunca, temos necessidade de uma formação sólida. Dar testemunho dos valores do Evangelho em meio a um mundo pluralista, às vezes até hostil e em tantos lugares anticristãos, exige o valor (a coragem) do martírio e a fortaleza que nos vem somente do Espírito prometido por Jesus (cf. Lucas 12, 11-12), como também de uma vida de oração e amizade com Ele. Essa adesão vital a Cristo é fundamental para levar a mensagem de salvação do Evangelho precisamente ao lugar de vossa santificação e, assim, responder às diversas necessidades da sociedade e da Igreja em cada país, segundo nosso carisma. Temos recebido um tesouro e devemos compartilhá-lo indo ao encontro das pessoas para dizer-lhes que Deus quer empreender um caminho de amizade na oração com cada ser humano, amado por Ele infinitamente. Partindo deste núcleo central de nosso carisma, somos chamados a colaborar ativamente com a missão da Ordem.
Por outro lado, a Igreja mesma nos oferece indicações atuais e seguras sobre a evangelização em seus documentos , em particular em um dos mais recentes: “Evangelii Gaudium”. A evangelização encontra raízes na amizade com o Senhor Jesus, em contemplá-lo amorosamente a partir do Evangelho (cf. EG 264). Graças a esta relação de amizade, podemos descobri-lo presente no contexto de nossa vida cotidiana, assim como também nas pessoas que encontramos. Modelo desta atitude é a Virgem Maria, que meditava em seu coração os acontecimentos da história.
Certamente, para sermos bons discípulos-missionários, temos necessidade de uma boa formação doutrinal e carmelitana. A este respeito, quero agradecer às Províncias e Comunidades que ajudam a outras com o envio de livros ou materiais de formação.
De outra parte, recordo algumas interessantes iniciativas da parte de algumas Províncias que envolvem a leigos, religiosos e especialistas em cursos oferecidos periodicamente com este objetivo. Como sabeis, a Ordem tem centros de formação internacional em Roma e em Ávila e pensamos continuar organizando também neste sextênio cursos de formação bíblico-carmelitana na Terra Santa em distintas línguas. São âmbitos abertos a todos e, ainda que suponham um esforço desde o ponto de vista da disponibilidade de tempo e de meios econômicos, são certamente muito importantes.

3.          Haveis manifestado também o desejo de uma maior comunicação entre os frades, monjas e leigos. A este propósito, uma das iniciativas empreendidas pelo centro da Ordem são as cartas do Definitório, que depois de cada sessão são enviadas aos Padres Provinciais, para que as transmitam também às monjas e aos leigos. Vos informamos que está em precesso de reestruturação a página oficial da Ordem na internet (http://www.carmelitasdescalzos.com). Temos também perfis no Facebook com o nome da Curia Generalizia Carmelitani Scalzi (https://www.facebook.com/Curia-Generalizia-Carmelitani-Scalzi-658766940887784/?ref=aymt_homepage_panel) e no Twitter: @ocdcuria, para a comunicação cotidiana, todos eles oficiais da Casa Geral OCD em Roma.
Para uma maior colaboração nas formações, vos pedimos que envieis vossas notícias de caráter provincial (congressos, encontros, etc) ao correio eletrônico do Secretário para a informação: ocdinform@gmail.com. No que se refere às Províncias e aos Mosteiros das monjas, a comunicação se deve realizar de acordo com as possibilidades e meios disponíveis. É um serviço importante e frutífero que requer a colaboração de todos na Província.


4.         Antes de terminar, quero dar-vos graças e fazer uma chamada aos Capítulos Provinciais dos Frades que se celebrarão no primeiro semestre do ano de 2017. Dar-vos graças por tantos e bonitos testemunhos de apostolado e solidariedade que nos haveis dado; agradeço também a ajuda econômica que muitos de vós dais às nossas monjas e aos frades e à Casa Geral da Ordem.
A chamada que dirijo aos Conselhos Provinciais das Províncias OCD é a de convidar aos representantes da OCDS aos Capítulos Provinciais, com o fim de poder avaliar com eles o caminho realizado e projetar iniciativas pastorais comuns para o futuro. Deste diálogo e colaboração surgirão sem dúvida bons frutos.
Ao mesmo tempo, dirijo uma palavra de agradecimento aos Provinciais, aos Delegados provinciais para a OCDS e aos Assistentes das Comunidades: vosso ministério é importante enquanto ajuda, ao reconhecer a dignidade dos leigos da Ordem, chamados a viver a mesma vocação à santidade segundo o carisma do Carmelo Teresiano em meio ao mundo.  

Que a Virgem do Carmo e São José seu Esposo intercedam por cada um de vós, por vossas famílias e pelas Comunidades. O Senhor vos abençoe em vossa missão neste Ano Santo da Misericórdia, para que sejais sinais da Presença do Reino.

Fraternalmente

Frei Saverio Cannistrà, OCD.

Prepósito Geral

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