segunda-feira, 28 de novembro de 2016

28/11/1568 - Início da Reforma de Santa Teresa entre os Frades



Apesar de este dia não estar contemplado no calendário litúrgico da Ordem, nós, os carmelitas descalços, não podemos esquecê-lo, porque foi neste dia, no ano de 1568, que São João da Cruz, primeiro carmelita descalço, juntamente com Frei Antônio de Jesus e Frei José de Cristo, iniciou na pobre, desconhecida e isolada aldeia de Duruelo, a vida de carmelitas descalços que desde então a nossa família tem vivido.

Meditemos no que nos conta daqueles primeiros tempos Santa Madre Teresa de Jesus, que visitou o local do futuro convento e, mais tarde ali voltou, dizendo: 
« Eu tinha visto aquela casita, que pouco antes nela não se podia viver, e via agora a simplicidade em toda ela. Para onde quer que se olhasse, tinha eu muito com que me santificar. E percebi na maneira como viviam os primeiros descalços, e com a mortificação e a oração e o bom exemplo que davam, que se havia começado algo que muito proveito daria à nossa Ordem no serviço a Nosso Senhor. E por isso, eu não me cansava de dar graças a Nosso Senhor, com uma grandíssima alegria interior».

Nunca S. João da Cruz revelou nada acerca daqueles tempos primeiros. Quando em Úbeda, estando já às portas da morte, e Madre Teresa já tinha entrado na Vida sem fim, foi visitado por Frei Antônio de Jesus, que lhe recordou aqueles tempos sossegados que soavam a algo tão transcendental quanto indescritível, o Santo retorquiu: « Recorde-me, Padre, os meus pecados e não isso». E Frei Antônio, edificado, respondeu renovando a descrição daqueles feitos nunca ditos, dos tempos do primeiro convento da Ordem masculina, das pregações apostólicas, da oração e da vida simples e serena do pequeno conventinho. 
Ao que o Santo, com visível embaraço, perguntou: « Padre, não tínhamos dado a palavra, um ao outro, de nunca falarmos disso?».

Mas Frei Antônio não podia conter os rios da alma, pois bem viam seus olhos que o Santo se finava, pelo que, não se contendo, ia recordando maravilhado e com saudade os pormenores daquela vida santa e sacrificada levada em Duruelo, enquanto Deus lhe ia permitindo a companhia de tão santo homem, ao que o S. João da Cruz rematou contrafeito e desconsolado: « ele vai, a pouco a pouco, contar tudo!» João da Cruz não queria que alguém soubesse o que se tinha passado, sofrido e vivido, nos tempos do primeiro convento da Ordem, pois como um dia disse: « Nas coisas que faço por Deus, não quero recompensa de ninguém. Só d'Ele!»


Por: Giovani Carvalho Mendes

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