terça-feira, 5 de setembro de 2017

Identidade Carmelitana

Carissimos irmãos!
A Comissão de Formação OCDS, vem a partir de agora, semanalmente, nos preparar para nosso XXXIII Congresso ocds-2017. E com esse intuito faremos juntos momentos de conhecimento e busca em nos aprofundar um pouco mais sobre o Tema de nossa Identidade. Teremos textos formativos e reflexivos.
BOA LEITURA!
Pela comissão: Rose Lemos Piotto, ocds





“Viver em obséquio de Jesus”.


J.E. Manfredini,ocds


 1 - O CARMELO ABRAÇANDO SUA ESSÊNCIA
“Todos os homens são chamados a participar na caridade da única santidade de Deus: "Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai Celestial"(Mt 5,48).  
O seguimento de Cristo é o caminho para chegar à perfeição que o batismo abriu a todo cristão. Por ele se participa da tríplice missão de Jesus: real, sacerdotal e profética. A primeira o compromete na transformação do mundo, segundo o projeto de Deus. Pela segunda, se oferece e oferece toda criação ao Pai com Cristo e guiado pelo Espírito. Como profeta anuncia o plano de Deus sobre a humanidade e denuncia tudo o que se opôe a ele [1].   
A grande família do Carmelo Teresiano está presente no mundo de muitas formas. Seu núcleo é a Ordem dos Carmelitas Descalços, formada pelos frades, as monjas de clausura e os seculares.  É uma só Ordem com o mesmo carisma.  Esta se nutre da larga tradição histórica do Carmelo, recolhida na Regra de Santo Alberto e na doutrina dos doutores carmelitas da Igreja e de outros santos e santas da Ordem. (Const. OCDS, Proemio)
Essência do Evangelho: Reino de Deus já presente em Jesus
“Cristo é o centro da vida e da experiência cristã (Cl 1,15-29); (Ef 2,20). Ele, Filho de Deus, encarna-se para revelar-nos o desígnio do Pai e para comunicar-nos uma vida nova (Jo 1,1-18), a verdade de Deus e a nossa, Deus que se comunica conosco, nós que somos filhos, chamados à união com Ele.” (Cap. Geral OCD 2003, Voltar ao essencial, 18).
Essência da Igreja: Vivência e anúncio do Evangelho do Reino: dom de felicidade e de libertação para todos, especialmente os últimos da sociedade.
Essência de um carisma da uma família Religiosa na Igreja: atualização de um aspecto do Evangelho do Reino para uma época;
“A consagração é, em última análise, uma expressão de fé num Deus pessoal, único e absoluto, a quem devemos obediência amorosa; a comunhão é um meio apoiado na caridade que nos leva a formar uma família reunida em nome do Senhor. A missão é anúncio e testemunho do Evangelho com suas consequências e exigências sociais, é vocação de todo cristão. O consagrado quer, por sua vez, sublinhá-lo com um compromisso de esperança ativa ao dedicar-se completamente ao serviço dos demais” (Voltar ao essencial 32).
As Constituições da OCDS, no n. 9, apresentam uma síntese dos ideais do Carmelo teresiano laical:
“Tendo em conta as origens do Carmelo e o carisma teresiano, se pode sintetizar assim os elementos primordiais da vocação de leigos carmelitas teresianos:
      a) viver em obséquio de Jesus Cristo, apoiando-se na imitação e no patrocínio da Santíssima Virgem, cuja forma de vida constitui, para o Carmelo, um modelo de configuração com Cristo; 
      b) buscar a “misteriosa união com Deus” pelo caminho da contemplação e da atividade apostólica, indisoluvelmente irmanadas, ao serviço da Igreja;
           c) dar uma importância particular à oração que, alimentada com a escuta da Palavra de     Deus e com a liturgia, possa conduzir ao trato de amizade com Deus, não apenas quando se ora, senão quando se vive. Comprometer-se nesta vida deoração exige nutrir-se da fé, esperança e, sobretudo, da caridade, para viver na presença e no mistério de Deus vivo[14];
          d) penetrar de zelo apostólico a oração e a vida em um clima de comunidade humana e cristã;           
           e) viver a abnegação evangélica apartir de uma perspectiva teologal;
           f) dar importância no compromisso evangelizador à partoral da espiritualidade como colaboração peculiar da Ordem Secular, fiel à sua identidade carmelitano-teresiana. 

2  NATUREZA DA ORDEM
A Ordem Carmelita Secular da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (historicamente conhecida como Ordem Terceira) é uma associação principalmente de pessoas leigas. Seus membros, respondendo a um chamado especial de Deus, se comprometem livremente e deliberadamente a viver no seguimento de Jesus Cristo, de acordo com as tradições e o espírito do Carmelo Teresiano.
A espiritualidade carmelitana acentua a pureza de coração e o esvaziamento do ego, de tal forma, que Deus possa ser nosso tudo. O Carmelita Secular é chamado a buscar a Deus, nas circunstâncias normais da vida cotidiana, levando amor, flor brotada das raízes do Carmelo, a todos, como os quais convive, ou trabalha.
Os membros da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços pertencem plenamente à família carmelitana, são filhos da mesma Ordem, na comunhão fraterna dos mesmos bens espirituais e na participação da mesma vocação de santidade e da mesma missão da Igreja, que é de viver a mensagem do Evangelho e levar Jesus Cristo a outras pessoas.
Um padre diocesano pode ser admitido na Ordem Carmelita Descalça Secular, adaptando seu estado de vida, com a espiritualidade carmelitana.
O membro da Ordem Carmelita Secular será chamado de: “Carmelita Secular”.
A comunidade formada pelos seus membros chamar-se-á, por exemplo: “Comunidade Santa Teresa de Jesus”, ou “Comunidade Rainha do Carmelo”, etc.

Propósito da Ordem
A proposta da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços é oferecer ao leigo um ambiente em fraternidade, onde se viva o Evangelho e a espiritualidade carmelitana de buscar o Senhor em oração contemplativa, numa comunhão de fé, esperança e amor; e num espírito de serviço para Deus e à humanidade.
A família carmelitana é inspirada nas vidas da Bem-Aventurada Virgem Maria e do profeta Santo Elias. Maria é nossa Rainha, Mãe e Irmã. Uma comprovação da influência de Maria em nossas vidas é determinada pela declaração “Carmelus totus marianus est” (o Carmelo é eminentemente Mariano). Nela, nós achamos o modelo de tudo aquilo que desejamos e esperamos ser.
Elias é o profeta do Monte Carmelo e nosso pai na fé. Com um desejo ardente voltado para o Deus vivo e verdadeiro, ele passou a vida inteira a testemunhar a presença de Iahweh no mundo.
Este modo de viver o Evangelho deve ser buscado pelo Carmelita Secular, numa vida de oração contemplativa e numa comunhão permanente com os irmãos. Em resumo, vivendo verdadeiramente o amor. Este amor foi alegremente declarado por Santa Teresinha do Menino Jesus, quando descobriu sua vocação, exclamando: “ó Jesus, meu amor... minha vocação, afinal eu a encontrei... minha vocação é o amor !”.
O Chamado à Oração
O desafio do Carmelita Secular é buscar a presença de Deus na oração, mesmo tendo uma vida ativa e ocupada no meio do mundo. Esta era a situação enfrentada pelos primeiros eremitas Carmelitas que migraram para a Europa. Estes homens viviam uma vida de oração na solidão e foram chamados para ser envolvidos em um ministério ativo. Oração e serviço são os companheiros mútuos de acordo com nossas tradições. A oração desenvolve de forma concreta uma fé que alcança generosamente os que estão ao nosso redor, enquanto este envolvimento com os outros gera frutos de amadurecimento e crescimento na oração. É uma tentativa de viver esta vida de oração no mundo agitado de hoje. Esta é a forma como a Igreja tem agido durante séculos.
Os Sacramentos da Igreja devem estar no centro do coração de um Carmelita Secular.
A Liturgia das Horas santifica o nosso dia e nos une à oração da Igreja. O leigo Carmelita deve ser fiel à oração litúrgica e às devoções marianas, especialmente o terço diário. Se possível, a Missa diária, como forma mais perfeita de crescimento espiritual.
Nos momentos livres de nossa vida diária, somos chamados pela Regra Carmelita a ler e escutar a Palavra de Deus, no intuito de edificar e trazer quietude ao nosso coração. Esta quietude e reflexão da Sagrada Escritura nos conduzem a uma oração contemplativa, aos moldes de Maria, nossa Mãe, que “guardava todas estas coisas e refletia em seu coração (Lc 2,19)”.
Através destes esforços, as Comunidades de Carmelitas Seculares tornar-se-ão modelos de comunidades orantes, dentro da Igreja.

Um Chamado para a Comunidade
A Ordem Carmelita oferece aos membros da Ordem Secular os meios necessários à vivência do Evangelho e a fidelidade aos compromissos assumidos no Batismo. Este chamado para a comunidade é evidenciado profundamente na Regra do Carmelo, escrita por Santo Alberto de Jerusalém, capítulos 7 a 11, que determina que os carmelitas vivam em comunidade, celebrem juntos a Eucaristia, frequentemente se encontrem para encorajar um ao outro, tenham sempre um espírito de pobre e encontrem na oração contemplativa o caminho de um encontro profundo com o Senhor. Os membros da Ordem Secular devem dar testemunho de cristãos, sendo “um só coração e uma só mente, vivendo em comum, na partilha do pão e da oração (Atos 2, 42-47; 4, 32)”.
Este relacionamento mútuo de amor, no entanto, difícil de alcançar fortalece os corações dos membros, num espírito de cooperação amorosa e ativa, para estabelecer o Reino de Deus, em um mundo frequentemente secularizado e hostil. Este espírito de amor não deve se estender somente aos Carmelitas, mas a todos e, principalmente, aos pobres e marginalizados, num esforço de se estabelecer a paz e justiça neste mundo injusto e sem paz.
Viver como membro de uma Comunidade Carmelita, implica também, não negligenciar nos deveres; de acordo com seu estado de vida, pessoa casada ou solteira.
As Comunidades de Carmelitas Descalços Seculares devem ser testemunhas da espiritualidade do Carmelo teresiano na comunidade, dentro da Igreja particular e no mundo da família, do trabalho e demais relações sociais.
O Chamado para o Ministério
Os Carmelitas Seculares, como todas as pessoas batizadas, são chamados a se envolver profundamente na missão da Igreja. Submersos no mundo como eles estão, deverão refletir um espírito cristão, nas suas famílias, no ambiente de trabalho, nas responsabilidades sociais, nas relações com outros e em todos os momentos do dia.
Eles encontrarão na pessoa de Elias inspiração e testemunho. Foi ele quem disse: “Eu me consumo de ardente zelo por Iahweh dos Exércitos” (I Reis 19, 10). Em luta com os falsos profetas de seu tempo, Elias proclamou o Reino de Deus e trabalhou arduamente para seu estabelecimento. Um Carmelita Secular no mesmo espírito de Elias é chamado a criticar os valores, ações, sistemas e metas que são hostis ao Evangelho.
Nossa Mãe Maria, é também um maravilhoso exemplo de Ministério, caminhando com Jesus em todos os momentos da sua vida, até mesmo ao pé da cruz.
O Ministério em nossos dias envolve um sacrifício de tempo, talento e dedicação por parte do indivíduo. Um Carmelita Secular aceita o sofrimento e estima o convite do Senhor de renunciar a si mesmo e levar sua cruz diariamente no seguimento do Senhor (Mc 8, 34).
Qualquer ministério exercido individualmente, ou pela comunidade, deve fluir de nossa herança Carmelita e deve provocar a santificação de nossas famílias, do nosso trabalho e da sociedade. Ou seja, os ministérios devem ser integrados com as outras áreas da vida de um Carmelita. Orar pelos outros é um ministério bastante válido, como é tão bem exemplificado e executado, na Ordem Carmelita Descalça, pelas monjas que vivem nas clausuras do mundo inteiro e sustentam o mundo com suas orações.

Devoção Mariana
Desde seu começo, toda a Família Carmelitana tem tido uma dedicação especial pela Santíssima Virgem Maria. Realmente, os Carmelitas, em todos os tempos, têm sido conhecidos como: “Irmãos e Irmãs de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Então, toda a Ordem Secular deverá honrar Nossa Senhora com especial amor e devoção. Ela é um modelo de tudo aquilo que nós desejamos e esperamos ser, tal como nos recorda o documento do Concilio Vaticano II, AA 4: “O modelo perfeito desta vida espiritual e apostólica é a bem-aventurada Virgem Maria, rainha dos Apóstolos: levando, na terra, uma vida semelhante à a todo o momento se mantinha unida a seu Filho e de modo singular cooperou na obra do Salvador; agora, elevada ao céu, «cuida com amor materno dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, peregrinam ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada». Prestem-lhe todos um culto cheio de devoção e confiem à sua solicitude materna a própria vida e apostolado”.
Os Carmelitas sempre se colocaram sob os cuidados maternos de Nossa Senhora, chamando-A de Mãe. A Ordem desfruta de Sua ajuda especial. O Escapulário marrom é um sinal de sua proteção, é um símbolo também da vida interior da pessoa que tem devoção por Nossa Senhora.

A Ordem Carmelita Descalça Secular nos tempos atuais
A OCDS pertence ao “tronco” do Carmelo Descalço. Somos perfeita e plenamente unidos aos Frades Carmelitas Descalços e às Monjas Carmelitas Descalças. Cada uma desses grandes ramos, que na verdade formam uma única família, possui seu carisma próprio, seu “modo” de ser e de agir no mundo e na Igreja. Cada vez mais cresce no meio dos membros da OCDS a consciência de nossa grande responsabilidade eclesial, apostólica e missionária: sermos verdadeiros carmelitas, no espírito e carisma de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz, porém vivendo inseridos no mundo secular, na sociedade.
Para isso devemos estar muito bem preparados. Não é fácil, em nosso mundo secularizado, que esqueceu valores humanos e cristãos básicos, sermos legítimos carmelitas. Temos que nos “encher” do Carmelo para vivermos o carisma carmelitano em nossas vidas e famílias e, depois, levarmos esse carisma para o mundo. Falei que não é fácil, porém, não é impossível. Através da oração, da leitura e vivência da Palavra de Deus, de nossa união com a Igreja (sua doutrina, ensinamentos, sacramentos e missão), com o Carmelo Descalço (seu carisma e apostolado) e por meio de um consciente e generoso “sim” à causa do Reino de Deus, é possível ser um verdadeiro carmelita vivendo no mundo.

Assim é a OCDS: uma sociedade de fiéis leigos que se apaixonaram por Cristo através dessa “ótica” ensinada por nossos santos e santas: sermos plenamente d’Ele, de corpo e alma, amando-O com um amor puro e desprendido, cheios de zelo por Sua glória e desejosos de que todos O amem como Ele merece ser amado.


BIBLIOGRAFIA: Mesters, Carlos, Ao Redor da Fonte -
 Encontros de presidentes, Formadores e Conselheiros OCDS, 1999 a 200 – OCDS – Província São José. Ed. Carmelitanas./Constituições da OCDS
LIVRO DE FORMAÇÃO I -ADMISSÃO–PROVICNCIA SÃO JOSE OCDS

Um comentário:

Gustavo Graciano de Santa Teresa, ocds disse...

Excelente ideia, Rose,Comissao. Excelente texto que ajudara' muito a preparacao do Congresso. Achei importante Manfredini resgatar aqui o texto "Voltar ao essencial" do Encontro Geral de 2003 e, claro, o livro de Mesters " Ao redor da fonte". Ambos sublinham exatamente nossa identidade carmelitana e teresiana.

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