sexta-feira, 29 de março de 2019

"Quaresma com Nossa Senhora da Saudade" História e Oração. 
101 Anos da devoção no Carmelo de São José, de Petrópolis - RJ.
(30.03.1918 - 30.03.2019)
#ComissãoDeMemória
#AlmaCarmelita 



NOSSA SENHORA DA SAUDADE é uma devoção especial do Carmelo São José de Petrópolis, local onde a Senhora do Céu foi a inspiração do anjo de Deus à monja formadora daquele Carmelo - Irmã Ignez do Coração de Jesus, no início do século XX. 
A devoção da chamada "Coroa de Saudades da Rainha dos Mártires", encontrou na simplicidade de uma serva de Deus e Nossa Senhora a confirmação por se tratar de uma oração já inspirada por Deus a São Bernardo de Claraval que viveu nos anos de 1090-1153.  A oração foi indulgenciada em 300 dias pelo Papa Pio IX 11/12/1846. Vale a pena conhecer a história dessa inspiração. 

A Quaresma, como tempo forte de conversão, nos convida à meditação do mistério da "Paixão e Morte" de Nosso Senhor Jesus Cristo. Através de suas agudíssimas dores e de seus lancinantes sofrimentos, contemplamos tamanho mistério de amor.

"Ora, depois de Jesus, é Maria Santíssima a mais sublime dignificação dos sentimentos nobres e puros. Sofreu portanto todas essas dores, numa intensidade imensuravelmente acima de tudo o que de mais lancinante possa torturar os mais ternos corações, porquanto a perfeição incomparável de sua incomparável alma excede em delicadezas as de todas as mais perfeitas naturezas. Demais, o Filho que Ela chorava era também o Deus da sua adoração. Consideremos, pois, a espada de lucidante gume que o amor lhe cravou no peito, ao fechar o túmulo onde sepultada ficava a sua Vida...
Naquele instante solene, a Mãe dos homens encarnou a Dor, e como que corporificou em bulidade sagrada a Saudade que Ela personificou" - Irmã Ignez do Sagrado Coração de Jesus, OCD (1943).



"O Sonho da Irmã Ignez do Sagrado Coração de Jesus"
Na noite de 30 de março de 1918, Sábado Santo, então chamado de Sábado de Aleluia, Irmã Inês do Sagrado Coração de Jesus, uma das fundadoras do Carmelo de são José em Petrópolis teve um sonho, por ela mesma relatado em documento.


"Sonhei que estava no leito, exatamente como então me encontrava e costumo passar as noites: meio sentada, recostada sobre travesseiros altos. a minha direita, um ser invisível, de quem vi apenas a mão formosa e alvíssima, estendida a pouca altura dos meus olhos, mostrava-me uma coroa de contas, enfeitadas a maneira do Rosário. E ao mesmo tempo, ouvi mentalmente as seguintes palavras: 'É uma devoção a Nossa Senhora, muito eficaz. Compõe-se de 3 Padres Nossos e 36 Lembrai-vos". E despertei inebriada de paz e de suavíssima consolação; mas ignorando que fosse o ser invisível que me trazia aquele segredo do Céu, porquanto só lhe vi a mão diáfana. Ficou-me a persuasão de ter sido o meu Anjo da Guarda o doce mensageiro da preciosa jóia de que o rei, meu Senhor, se dignara de encher-me as mãos, para exornar as vestimentas da Rainha, sua mãe. Mas não entendi absolutamente a significação dos 36 "Lembrai-vos". Passei o dia inteiro de Sábado de Aleluia presa ao misterioso sonho, que de tanto bálsamo me ungira a alma; mas de modo algum consegui interpretar a razão do número 36, nem tão pouco a finalidade da nova devoção. Pela tarde, a hora da oração, no coro recolhida, ouvi no meu íntimo, dentro do meu coração, esta voz clara, distinta: 'A devoção que recebeste em seu sonho é para honrar as saudades que Nossa Senhora sofreu de Jesus, durante as 36 horas em que esteve sepultado o corpo do Salvador'. Oh! Que abalo senti! Que estremeço de júbilo me sacudiu a alma ao receber a explicação do que até aquele momento era um enigma indecifrável! Que festa para o espírito quando se encontra a chave de um problema que não podia resolver!"

 E anos depois, nosso excelso mestre (Padre João Gualberto - Capelão do Carmelo), encontrou, no corpo da Suma Teológica de Santo Tomás, a confirmação desse número de horas. Narrei o fato a nossa Priora, que então era minha estremecida Madre Antonieta. No dia seguinte, Domingo da Ressurreição, apenas acabei de narrá-lo a minha querida Madre Natividade, tive a inspiração de dar à Santa Mãe dos meus enlevos, um 'Nome Novo', o de NOSSA SENHORA DA SAUDADE, e intitular a nova devoção por Coroa de Saudades da Rainha dos Mártires."




 A oração do "Lembrai-vos", ou melhor, a "Coroa de Saudades da Rainha dos Mártires", é remédio para a alma abatida pelo pecado, pela dor e pelo sofrimento. São Bernardo, fervoroso servo de Maria, a Igreja o honra e o invoca universalmente como padroeiro das causas mais difíceis visto dirigir a Maria todo o seu fervor. Assim peça à Maria que venha pedir por você e os seus a Jesus. Implore, do seu especial privilégio diante de Deus, que Maria possa trazer o benefício visível e rápido a essa causa que lhe faz desesperar-se. Clame que a Senhora lhe venha assistir. Apresente-se a ela com as dificuldades e necessidades que o consolo e a ajuda lhe virão para amenizar as tribulações e sofrimentos.

Segue, abaixo, a oração da "Coroa de Saudade da Rainha dos Martires", e as meditações das dozenas escritas pela Irmã Ignez no ano de 1943, durante os 25 anos da devoção.

"Coroa de Saudades da Rainha dos Mártires":
(3 Pai Nossos/ 36 Lembrai-vos)

1. Na primeira dozena, contemplamos as saudades que Nossa Senhora sofreu de seu Divino Filho, desde o instante em que a pedra do Santo Sepulcro velou aos seus maternos olhos o Corpo de Jesus.

2. Na segunda dozena, contemplamos as saudades de Nossa Senhora, que, na residência de São João, não pôde abrigar-se na solidão, refúgio onde menos dessangram chagas mortais.

3. Na terceira dozena, contemplamos as saudades de Nossa Mãe adorada, quando voltou ao Calvário, onde renovou o seu sacrifício de Co-redentora da humanidade, oferecendo por nós a Deus o Filho que ela chorava.

“Lembrai-vos, ó misericordiosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que nenhum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho; e gemendo com o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não rejeiteis as minhas súplicas, ó Mãe do Divino Verbo humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.” 
(Indulgência de 300 dias cada vez que se recitar esta oração, e plenária, uma vez por mês. Pio IX, 11 de dezembro de 1846)

Ao final, na medalha de Nossa Senhora termina a Coroa, rezando-se três Ave Marias e a seguinte súplica: 
“Lembrai-vos, ó Rainha dos Mártires, das saudades cruciantes que atormentaram o vosso Imaculado Coração durante as 36 horas de sepultura do vosso Divino Filho. Pelas dores acerbíssimas da vossa saudade, oh! acendei-nos n’alma o desejo de ver a Deus no Céu, e alcançai-nos, um dia, a eterna Bem-aventurança. Enquanto, porém, neste desterro peregrinamos, obtende-nos as graças que nos são necessárias para amarmos e servirmos a Jesus com fidelidade até à morte; e, se for da sua vontade adorável, impetrai-nos (ou impetrai-me) o merecimento que vos imploramos (ou imploro) com inteira confiança. Amém.” 
(Indulgência de 50 dias concedida a esta oração pelo Exmo. e Revmo. Sr. Bispo de Niterói).

NOSSA SENHORA DA SAUDADE, Rainha dos Mártires, rogai por nós! 

Estela Márcia da Paz Moreira de Araújo. 
Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.

Obs.: Aquisição do Devocionário de Nossa Senhora da Saudade.
Carmelo São José de Petrópolis/Endereço: Avenida Barão do Rio Branco, 1164  Petrópolis - RJ, 25680-150
(0xx)24 2242-3434






quinta-feira, 28 de março de 2019


NASCIMENTO DE SANTA TERESA DE JESUS - Doutora da Igreja e nossa Mãe no Carmelo Descalço.
(28/03/1515 - 04/10/1582)





Marcos biográficos de Santa Teresa de Jesus, três grandes jornadas.

Seu nome de família foi Teresa de Ahumada. Filha de Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz de Ahumada. Ele era de Toledo, ela de Olmedo. Instalados em Ávila, onde Teresa nasceu em 28 de março de 1515. Família numerosa: “Éramos três irmãs e nove irmãos”, lembra ela (Vida 1, 3). Ambiente familiar sensível às letras e à cultura, Teresa aprende a ler e escrever em idade muito precoce, talvez em torno dos “seis ou sete anos” (V. 1, 1). Vivaz e com olhos espreitadores, é impossível que ela não observasse por essa mesma época o nervosismo provocado em casa pelo pleito de fidalguia iniciado por seu pai e tios na chancelaria de Valladolid, e que certo dia se muda para Ávila, quase às portas da casa, com o inevitável acossamento de escrivães, juízes e testemunhas. Na vida de Teresa se sucedem três grandes jornadas. Vive na casa paterna até os 20 anos: Teresa menina, adolescente e jovem assiste sucessivamente à morte de sua mãe, à partida de vários irmãos rumo às Índias e ao processo de lenta dissolução do lar. Aos 20 anos opta pela vida religiosa, muito a contragosto de seu pai. Foge de casa numa manhã de outono – 1.11.1535 – e entra no mosteiro das carmelitas da Encarnação, fora dos muros da cidade. Viverá nele 27 anos, numa comunidade monástica numerosa – cerca de 180 monjas –, suportando e superando o trauma de uma enfermidade grave, que marca seu físico para toda a vida e, sobretudo, entrando no alto-mar da vida espiritual. Em torno dos 40 anos de idade, Teresa sente que é introduzida numa zona de experiência mística, que não só muda o rumo de sua vida, mas também a define e dá espessura humana e cristã à sua pessoa. Aos 47 anos de idade, Teresa inicia sua terceira jornada: sai da Encarnação, funda o Carmelo de São José e, pouco depois, empreende sua tarefa de fundadora andarilha. Viaja de carroça ou em lombo de mula até Medina e Valladolid, até Alba de Tormes e Salamanca, até Beas e Sevilha em Andaluzia, até Soria e Burgos... Para descansar finalmente em seu leito de morte em Alba de Tormes (4 de outubro de 1582). É nestes últimos anos que se dilata seu horizonte visual e espiritual. Não só graças ao emaranhado geográfico de suas correrias de fundadora, mas também por sua renascida sensibilidade para com os problemas da Europa e das Índias Ocidentais, seu vivo interesse pelas coisas da cristandade e da Igreja, seu conhecimento dos estratos sociais daquela Espanha, mistura de glória e de misérias. São os anos em que Teresa estabelece inúmeras amizades e relações humanas em todos os níveis e estamentos da sociedade. Para sua obra de reforma e para seu magistério espiritual, Teresa tem a sorte de associar-se à pessoa e à sabedoria de frei João da Cruz, ao mesmo tempo “filho e pai de sua alma”. 

A escritora singular 

Se não é excepcional, é absolutamente singular em sua época a entrada de Teresa na constelação de grandes mestres da escrita. Leitora apaixonada desde seus anos juvenis, Teresa é um bom exemplar de escritora autodidata. Desde as leituras edificantes do Flos sanctorum, passa para as fantasiosas novelas de cavalaria e destas para os “bons livros” – como ela diz. “Bons livros” eram as obras de escritores espirituais, felizmente bons mestres da pluma, cinzeladores do bom romance na nascente literatura castelhana. Teresa lê traduções da patrística: Cartas de São Jerônimo, Morais de São Gregório, Confissões de Santo Agostinho. Lê livros da última época medieval: A imitação de Cristo de Tomás de Kempis e as Meditações da vida de Cristo do cartuxo Landulfo de Saxônia. Lê também obras dos melhores escritores do seu tempo: Luís de Granada, Pedro de Alcântara, Juan de Ávila, Francisco de Osuna, Bernardino de Laredo, Bernabé de Palma... Apartada da Universidade, será esse florão de bons mestres que se converterá em claustro universitário da futura doutora. A eles Teresa deverá a sua preparação remota para a tarefa literária e doutrinal que enfrentará na última terça parte de sua vida, a partir de 1560, quando já está com 45 anos. Ao mesmo tempo em que escreve, contará neste mesmo período com o assessoramento imediato de letrados, teólogos e mestres espirituais, entre os mais representativos de seu tempo. Teresa é escritora desde os 45 anos até os 67. As últimas páginas, transbordantes de frescor e elegância de estilo juvenil, ela escreve alguns meses antes de morrer: capítulo 31 do Livro das fundações, no qual conta a acidentada fundação do Carmelo de Burgos.

Seus escritos, suas experiências

Cronologicamente, não é fácil fixar o ponto de partida da produção literária de Teresa. Sabemos que, muito jovem ainda, pelos seus 14-15 anos, estreou com uma precoce pequena novela de cavalaria, que, obviamente, teve de terminar no fogo para evitar a reação de Dom Alonso. Mais tarde, nos albores de sua vida mística, Teresa redigiu uma ou várias “confissões gerais” de sua vida para os primeiros exigentes assessores de seu espírito. Páginas escritas por volta dos seus 40-43 anos de idade. Também perdidas. Seu primeiro escrito consistente que chegou até nós é, provavelmente, um poema, que começa: “Ó formosura que excedeis / a todas as formosuras...”, escrito por volta de 1560. Ou talvez antes. Mais ou menos coetâneo dele é o primeiro escrito introspectivo de Teresa: sua Relação 1a., datada de 1560. 

Grande mulher, grandes obras

Na primavera de 1562, nasce sua obra mestra, o livro da Vida, que será reelaborado em forma definitiva três anos mais tarde, em 1565. Com ele, a escritora chegava ao pleno domínio da escrita, tocando inesperadamente o zênite de sua inspiração literária. No ano seguinte, 1566, escreve o Caminho de Perfeição e, sucessivamente, as outras obras maiores: as Fundações, a partir de 1573; o Castelo interior, em 1577; e várias peças menores das quais ignoramos a data de composições: Exclamações, Conceitos e muitos de seus poemas. Só pelo fim de sua vida, Teresa pensou em “publicar”. Até esse momento, seus escritos eram divulgados no abrigo da intimidade, copiados pelas monjas de seus Carmelos, com uma tênue onda de expansão entre leitores e teólogos amigos. Inclusive entre leitoras amigas e inimigas, como Dona Maria de Mendoza e a princesa de Eboli. Entre os senhores da Inquisição, como Dom Gaspar de Quiroga. Em 1579 Teresa envia uma cópia do Caminho ao seu amigo Dom Teutônio de Bragança para que o publique nas prensas de Évora (Portugal). A impressão se chocará com numerosas dificuldades e só verá a luz em 1583, alguns meses após a morte da autora. A grande fortuna editorial chegou para seus escritos em 1588, quando o mestre agostiniano frei Luís de León preparou a sua edição; ele fez a sua apresentação à sociedade com uma maravilhosa carta-prólogo. Com a edição de frei Luís, feita em Salamanca, na tipografia de G. Fóquel, Madre Teresa e suas obras ingressavam definitivamente no patrimônio cultural do Ocidente.

(Adaptação)
#ComissãoDeMemória 
#AlmaCarmelita 

Estela Márcia da Paz Moreira de Araújo. 
Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.

terça-feira, 26 de março de 2019

Carmelo de Franca/SP

Divulgamos a todos os nossos irmãos OCD, OCDS e demais visitantes de nosso blog, o site e canal do Carmelo de Franca / SP. 

Site:


Canal Youtube:

Admissão e Promessas na Comunidade Santa Teresa de Jesus e Nossa Senhora do Carmo / SP




No domingo que antecedeu a Festa da Anunciação e, assim como o anjo Gabriel anunciou o nascimento de Nosso Senhor, nossa humilde comunidade da OCDS pode anunciar e comemorar o nascimento e os próximos passos de seis irmãs e um irmão nosso.

Reunidos na Paróquia Santa Teresinha, no bairro de Higienópolis, a Comunidade Santa Teresa de Jesus e Nossa Senhora do Carmo, apresentou à Virgem os novos membros (o casal Donizeti e Priscila) e confirmou nas promessas temporárias três valorosas irmãs, Maria Aparecida, Vera Aparecida e Juliana. Também tivemos alegria de presentear a padroeira local com duas rosas para seu Carmelo: nossas irmãs Silvia Maria e Maria Regina, que realizaram suas promessas definitivas! Tanto a admissão quanto as promessas foram presididas pelo Frei Pierino Orlandini, OCD, na paróquia Santa Teresinha. As primeiras foram realizadas em uma singela celebração da palavra na capela, na parte da manhã. As promessas aconteceram na Santa Missa, ao meio dia, no templo principal.

Assim como nossa comunidade é simples e sincera, também são essas almas que aceitaram a missão de viver o Caminho de Perfeição Teresiano. Sermos perfeitos, “assim como o Senhor é perfeito (Mt 5;48)“ é a nossa meta, mas percorrer esse caminho com humildade é nossa prática. Pois em um mundo onde “tudo passa” , terminar um dia sendo melhores do que éramos é a nossa vitória.

* Matéria enviada pela Comunidade Santa Teresa de Jesus e Nossa Senhora do Carmo.


III Encontro de Espiritualidade Carmelitana / RJ.


“A espiritualidade do Carmelo desperta no Secular o desejo de um compromisso apostólico maior.” 
(Constituições OCDS 25) 

Com muita alegria em responder à esse apelo divino em nossos corações, no último dia 24 de março, nós da Comunidade Santa Teresa de Jesus – RJ, realizamos o 3° Encontro de Espiritualidade Carmelitana com o lema: “Como fermento na massa”, apresentando a vida de Santa Teresa de Jesus “dos Andes”. 

Trata-se de um evento voltado aos leigos, com o objetivo de apresentar nosso estilo de vida, nossos santos e como é estruturada a Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares. 

Nesta última versão, tivemos cerca de 60 participantes, muitos vindos de outras cidades. Começamos com a recitação das Laudes, seguida da santa Missa. Foram colocações, grupos de partilha, almoço, e não poderia faltar: um animado recreio carmelitano. Ao final sorteamos para os participantes livros da nossa Santa Chilena e encerramos com as Vésperas. A santa Teresa latino-americana esteve presente com uma relíquia da túnica de seu hábito. 

Todo o encontro foi organizado por nossa Comunidade: cada irmão teve sua função e pode colaborar para que Nosso Senhor fosse servido em cada participante. Com o apoio das monjas do Carmelo São José (Jacarepaguá), tivemos a oportunidade de mostrar a beleza e o grande dom da vocação laical ao carmelo teresiano.

*Matéria enviada por Ana Cláudia 
(Encarregada da Formação da Comunidade Santa Teresa de Jesus/RJ).







segunda-feira, 25 de março de 2019

ENCONTRO VOCACIONAL DA OCDS EM CARATINGA - MG

Iniciamos com a santa missa presidida por Frei Luciano Henrique OCD às 7:00hs, em seguida tivemos um café, depois apresentação dos membros da OCDS e logo em seguida dos participantes. Frei Luciano Henrique OCD, nosso diretor espiritual deu início ao encontro com oração ao divino Espírito Santo.Tema desenvolvido foi consagrado ao Carmelo Secular.Tivemos um momento de oração, ele enfatizou quanto é grande o ser humano quando ajoelha pra orar, pois assim ele busca reconhecer a supremacia do Senhor. Fizemos uma viagem ao nosso castelo interior,pra esse encontro com o amado.Foi um momento forte de oração, uma verdadeira solidão povoada. A seguir Frei Wilson OCD, falou sobre as regras do Carmelo (Santo Alberto), e também sobre alguns elementos essenciais do Carmelo: Viver em obséquio de Cristo, vida de oração, silêncio.Lembrou-nos que o Carmelita deve ser discípulo e missionário , que voltemos nosso olhar  como primeiro exemplo a Virgem Maria,  e depois aos demais santos carmelitas, como nossa mãe Teresa de Jesus e nosso pai João da Cruz, entre outros.Ressaltou a vida de oração (liturgia das horas/lectio divina/missa/Eucaristia/direção espiritual e retiros).E pintou a importância de silenciarmos para ouvirmos e descobrirmos Deus e assim vivermos na espiritualidade do Carmelo a contemplação e a missão. Em seguida falou-nos Ana Maria OCDS formadora da comunidade, que repassou o perfil do Carmelita, enfatizando a importância de sermos fortes amigos de Deus.Tivemos também dois testemunhos de dois membros da OCDS, Cassius e Sônia Proença.Terminamos o encontro com a Salve Regina, pedindo a Virgem do Carmo a senhora do lugar, a Virgem do avental que interceda por santas vocações ao Carmelo secular.



















terça-feira, 12 de março de 2019

Comunicado de Falecimento

Maria do Socorro de Vasconcelos Neves 
* 08.12.1939 + 10.03.2019

A Comunidade Santa Teresa dos Andes  comunica o falecimento da Carmelita Secular Maria do Socorro de Vasconcelos Neves ocorrido hoje 10.03.2019 as 06:40 hs.  Iniciou sua caminhada na OCDS como membro da  Comunidade Santa Teresa dos Andes no ano de 2007 tendo feito as Promessas Definitivas no ano de 2014. A Comunidade é agradecida a Deus pelo tempo de convívio com essa irmã,  exemplar em sua Fé Cristã.  Viúva aos 30 anos de idade com 6 filhos menores entregou confiante sua família nas mãos de Deus e obteve a vitória, pois deixa filhos,  netos e bisnetos encaminhados na Fé Católica. Nossas orações pela alma de Socorro Neves e que do Céu ela reze por nós.

sábado, 9 de março de 2019


NOVENA A SÃO JOSÉ, 
ESPOSO DA VIRGEM MARIA. 
Tema: "AS VIRTUDES DO MISSIONÁRIO."
(De 10 a 18.03.2019) 



Oração Inicial (todos os dias):
Sinal da Cruz... 
Vinde Espírito Santo... 

1° Dia - 10.03.2019: Crer em Deus e no seu 'Plano de Salvação'.
Apresentemos a Deus o nosso chamado missionário, e aprender com São José a crer nesse projeto de amor com esperança. 

 "(...) fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar." (Mt 2,13b)
"Assim, tomei por advogado e senhor o glorioso São José, encomendando-me muito a ele." (V 6,6) 

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

 ×××××××

 2° Dia - 11.03.2019: Viver como servo de Deus. 
Apresentemos a Deus as nossas vidas e o compromisso de dedicação a sua Palavra, aprendendo com São José a melhor nos comprometer e servir...

"Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa." (Mt 1,24) 
"Vi com clareza que esse pai e senhor meu me salvou, fazendo mais do que eu podia pedir, tanto dessa necessidade como de outras maiores, referentes à honra e à perda da alma." (V 6,6) 

Oração para todos os dias:  
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo.  

 Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...  
 São José, rogai por nós!   

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!   

 ××××××× 

3° Dia - 12.03.2019: Desprendimento para a Missão. 
Apresentemos a Deus os nossos limites e fragilidades para a missão que Ele nos confia, e com São José aprender a nos desapegar e desprender daquilo que nos paraliza.

"Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito..." (Mt 2,13a)
"Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito." (V 6,6) 

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

 ××××××× 

4° Dia - 13.03.2019: Esperança na adversidade.
Apresentemos a Deus nossas dificuldades para testemunhá-lO nos ambientes de missão em que vivemos, e por meio de São José aprendamos a esperar unicamente no próprio Deus.

"Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar." (Mt 2,13) 
"Espantam-me muito os muitos favores que Deus me concedeu através desse bem-aventurado Santo, e os perigos, tanto do corpo como da alma, de que me livrou". (V 6,6)

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

 ××××××× 

5° Dia - 14.03.2019: Amor à família humana e religiosa a que pertencemos. 
Apresentar a Deus as nossas famílias, aprendendo com São José a amar e zelar pelo bem de nossas famílias em suas variadas realidades. 

"José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito." (Mt 2,14)
"Se a outros santos o Senhor parece ter concedido a graça de socorrer numa dada necessidade, a esse Santo glorioso..." (V 6,6)

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

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6° Dia - 15.03.2019: Caridade e proteção para com os que nos rodeiam.  
Apresentar a Deus aqueles que se recomendam ou que necessitam de nossos cuidados, e com São José aprender a missão do cuidado com o outro. 

"Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino." (Mt 2,20)
"(...) a minha experiência mostra que Deus permite socorrer em todas, querendo dar a entender, que São José, por ter-Lhe sido submisso na terra, na qualidade de pai adotivo, tem no céu todos os seus pedidos atendidos." (V 6,6) 

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

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7° Dia - 16.03.2019: Obediência à hierarquia. 
Apresentar a Deus as necessidades da Igreja e do Carmelo; as intenções do Santo Padre o Papa Francisco; do Padre Geral e de nossos superiores em nossa Ordem e/ou em nossas Paróquias, aprendendo com São José a sermos obedientes a Deus e ao seu projeto de amor para nós. 

"José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo." (Mt 1,20) 
"(...) não sei como se pensar na Rainha dos Anjos, no tempo em que tanta angústia passou com o Menino Jesus, sem se dar graças a São José pela ajua que lhe prestou." (V 6,8)

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
São José, rogai por nós! 

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

 ××××××××× 

 8° Dia - 17.03.2019: Fidelidade ao carisma. 
Apresentar a Deus o nosso chamado ao carisma carmelita-teresiano, e com São José aprender a ser fiel à oração em tudo oferecendo por amor a Deus e aos irmãos. 

"Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino." (Mt 2,19-20) 
"Quem não encontrar Mestre que ensine a rezar tome por Mestre esse glorioso Santo, e não errará o caminho." (V 6,8) 

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

 ××××××××× 

 9° Dia - 18.03.2019: Confiar em Deus. 
Apresentar a Deus os bens do corpo e da alma de que necessitamos para bem servi-lO e amá-lO, apendendo com São José a entregar-se e confiar-se unicamente a Deus.  

"José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel." (Mt 2,21) 
"Quem não me crê o experimente, vendo por experiência o grande bem que é encomendar-se a esse glorioso patriarca e ter-lhe devoção." (V 6,8) 

Oração para todos os dias: 
Recebei, Senhor Deus Uno e Trino, as intenções e propósitos que trazemos a vossa presença por meio de São José, e fazei-nos dignos de as praticar confiantes na sua paternal intercessão como nos ensina Santa Madre Teresa de Jesus, filha amada de vossa Igreja, e em união com a Virgem Maria, Rainha do Carmelo. 

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 
São José, rogai por nós!  

Oração: Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!   


#ComissãoDeEspiritualidade 
#AlmaCarmelita  

Continuação do Estudo dos Dez Mandamentos na Formação da OCDS Camaragibe/PE

Neste sábado, 09, a OCDS Camaragibe/PE, seguindo seu Calendário-Programa de Formação 2019, continuou o estudo sobre os Dez Mandamentos.

O encarregado da Formação, Roberval, juntamente com Mônica e Stênio, repassaram para os presentes, respectivamente, os três primeiros mandamentos do Decálogo:

- Amar a Deus sobre todas as coisas. 
- Não tomar seu Santo Nome em vão. 
- Guardar os domingos e festas de guarda.

A participação da Comunidade ocorreu com a partilha dos presentes a cada tema abordado, e ainda contamos com a presença de dois postulantes à Ordem. 





quarta-feira, 6 de março de 2019

O CARMELITA SECULAR E A VIVÊNCIA DA QUARESMA





“Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto." (Catecismo da Igreja Católica, nº 540).

A palavra Quaresma vem do latim, quadragésima, e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecede a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência e conversão.

De acordo com a Carta Apostólica do Papa Paulo VI, aprovando o Novo Calendário Romano Geral, página 28, o tempo da quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira da Semana Santa (até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive – Diretório da Liturgia – CNBB). Tradicionalmente, a Quaresma era contada da Quarta-Feira de Cinzas até o Sábado de Aleluia, somando-se 46 dias. Excluindo-se os seis domingos que não são dias com caráter penitencial, tem-se o número de 40 dias.

Conforme o Catecismo da Igreja Católica, no nº 1438, “os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira, em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias, como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)”.

O Catecismo da Igreja Católica, em seu nº 1434, indica-nos as formas que o católico pode praticar seus atos de penitência:

CIC, nº 1434: “A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Batismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados» (1 Pe 4, 8)."

Todos os católicos devem cumprir os cinco preceitos da Igreja, os quais têm por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável do espírito de oração, da vida sacramental, do empenho moral e do crescimento do amor de Deus e do próximo. (Compêndio do Catecismo, 431). O quarto preceito da Igreja consiste em guardar a abstinência e jejuar nos dias marcados pela Igreja (Compêndio do Catecismo, 432).

Dessa forma, o Código de Direito Canônico assim estabelece os dias de penitência:

Cân. 1249 — Todos os fiéis, cada qual a seu modo, por lei divina têm obrigação de fazer penitência; para que todos se unam entre si em alguma observância comum de penitência, prescrevem-se os dias de penitência em que os fiéis de modo especial se dediquem à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, se abneguem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e sobretudo observando o jejum e a abstinência, segundo as normas dos cânones seguintes.

Cân. 1250 — Os dias e tempos de penitência na Igreja universal são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma.

Cân. 1251 — Guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Cân. 1252 — Estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze anos de idade; à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abstinência e do jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência.

Cân. 1253 — A Conferência episcopal pode determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo ou em parte, pela abstinência ou jejum.

Com referência ao cânon 1251, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou comutar a carne por um outro alimento.

O cânon é bem claro ao afirmar que todos são obrigados a jejuar, pois compreende a idade de 18 a 60 anos. Porém, desde os catorze anos os adolescentes já podem fazer algum tipo de abstinência.

Portanto, o quarto mandamento da Lei da Igreja está plenamente em vigor. A maioria dos católicos é obrigada a cumprir esse preceito, que não deve ser encarado como uma imposição, um sacríficio, mas sim, como meio de seguro de responder ao apelo de Jesus à conversão do coração.



Desde os primórdios da nossa Ordem, a Regra de Santo Alberto já previa o jejum e a abstinência para os primeiros carmelitas, eremitas no Monte Carmelo:

15. Jejuai todos os dias, menos aos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o dia da Ressurreição do Senhor, a não ser que enfermidade ou debilidade física ou outra causa razoável aconselhe sua dispensa, pois a necessidade não está sujeita à Lei.

16. Observai a abstinência de carne, a menos que a tomeis como remédio em caso de enfermidade ou debilidade. E já que pelas viagens, tereis que mendigar, amiúde, para vosso sustento, fora de casa podeis comer legumes preparados com carne, a fim privar de moléstias a quem vos hospedar. Porém, fica autorizada a comida de carne em viagens.



Para os carmelitas seculares, as Constituições da OCDS recomendam as práticas de abnegação evangélica e a observância da penitência conforme o calendário litúrgico:

Constituições OCDS, art. 22: O caminho da oração cristã exige viver a abnegação evangélica (Lc 9,23) no cumprimento da própria vocação e missão, já que “oração e vida cômoda são incompatíveis” [20]. O secular assumirá a partir da perspectiva da fé, da esperança e do amor, os trabalhos e sofrimentos de cada dia, as preocupações familiares, a incerteza e as limitações da vida humana, a enfermidade, a incompreensão e tudo aquilo que constitui o tecido de nossa existência terrena. Procurará, ao mesmo tempo, fazer de tudo isso matéria para seu diálogo com Deus, para crescer numa atitude de louvor e agradecimento ao Senhor. Para viver autenticamente a simplicidade, o desapego, a humildade e a completa confiança no Senhor, a Ordem Secular observa as práticas de abnegação evangélica recomendadas pela Igreja. De particular importância são aqueles dias e períodos do calendário litúrgico que têm caráter penitencial.

Em nossa Província São José, também o Estatuto Particular da OCDS, recomenda para a vivência espiritual do carmelita secular a penitência e a mortificação:

Estatuto Particular da OCDS – Província São José, art. 4º: A vida de oração, fundamento e exercício primordial do Carmelo, será cultivada pelo Carmelita Secular com o uso dos meios que a Ordem para isto determina, conforme a seguir elencados:

(...)
X – A PENITÊNCIA E MORTIFICAÇÃO - Porque a vida de oração e de união com Deus exige “manter o dinamismo permanente de conversão”. O Carmelita Secular cultivará o espírito de penitência e de mortificação, segundo as indicações que se seguem:
(...)

b) praticará algum exercício de penitência, segundo a tradição da Ordem, especialmente nas sextas-feiras do Advento e Quaresma, e em preparação às festas da Ordem, e quando possível o jejum e abstinência na Vigília da festa de Nossa Senhora do Carmo.

Entretanto, devemos estar muito atentos para não praticarmos penitências exageradas, conforme muito bem nos advertem nossos pais Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz:

“Como já sabeis, não aprovo penitências excessivas, que, se forem feitas sem discernimento, pode provocar malefícios à saúde” (Santa Teresa de Jesus – Caminho de Perfeição 15, 3).

“Sobrecarregam-se de penitências excessivas e outras muitas práticas extraordinárias, de todo arbitrárias, e imaginam que somente isto basta para chegar à união com a Sabedoria divina, sem a mortificação dos seus apetites desordenados” (São João da Cruz 1S, 4).

Portanto, de nada adianta qualquer prática de penitência, se esta não nos levar à conversão do coração. “Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras” (CIC, 1430).

O Papa Francisco, em sua Mensagem para a Quaresma de 2019, nos indica que o caminho para a verdadeira conversão é abandono do egoísmo, fazendo-nos próximos das pessoas em dificuldade, através da partilha de nossos bens materiais e espirituais:

“Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que ‘será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus’. Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais”” (Papa Francisco – Mensagem para a Quaresma de 2019).

Na mensagem para a Quaresma de 2017, o Papa Francisco nos estimulou a participar das Campanhas de Quaresma:

“Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.” (Papa Francisco – Mensagem para a Quaresma de 2017).

No Brasil, anualmente no tempo da Quaresma é realizada a Campanha da Fraternidade, que é uma das maiores campanhas de solidariedade do mundo cristão. A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, como lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. (Is 1,27), e tem como objetivo geral: Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade.

Seguem abaixo, informações retiradas do site da CNBB, onde constam informações importantes sobre o que é a Campanha da Fraternidade, como surgiu, e qual a sua relação com Quaresma:

O QUE É A CAMPANHA DA FRATERNIDADE?

A Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem, na prática, a transformação da sociedade a partir de um problema específico, que exige a participação de todos na sua solução. Ela tornou-se tão especial por provocar a renovação da vida da Igreja e ao mesmo tempo resolver problemas reais.

Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor: exigência central do Evangelho. Renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária.

Os temas escolhidos são sempre aspectos da realidade sócio-econômico-política do país, marcada pela injustiça, pela exclusão, por índices sempre mais altos de miséria. Os problemas que a Campanha visa ajudar a resolver, se encontram com a fraternidade ferida, e a fé, tem o compromisso de restabelecê-la. A partir do início dos encontros nacionais sobre a CF, em 1971, a escolha de seus temas vem tendo sempre mais ampla participação dos 16 Regionais da CNBB que recolhem sugestões das Dioceses e estas das paróquias e comunidades.

COMO COMEÇOU A CAMPANHA DA FRATERNIDADE?

Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal-RN, com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País.

Este projeto se tornou nacional no dia 26 de dezembro de 1963, com uma resolução do Concílio Vaticano II, a maior e mais importante reunião da igreja católica. O projeto realizou-se pela primeira vez na quaresma de 1964. Ao longo de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um, os Bispos ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões do Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências. Nesse contexto, nasceu e cresceu a Campanha da Fraternidade.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE CAMPANHA DA FRATERNIDADE E A QUARESMA?

A Campanha da Fraternidade é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando a transformação das injustiças sociais.

Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.




QUAL O OBJETIVO DO TEMA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2019?

Conforme o presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, em seu pronunciamento durante cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade 2019, “um dos principais objetivos da CF é contribuir para o conhecimento da importância do tema e promover uma participação maior na elaboração de políticas públicas nos diversos âmbitos da vida social (saúde, educação, segurança pública, meio ambiente…) temas já trabalhados em temas anteriores. De tal modo, que esta Campanha, com um tema de caráter mais abrangente, retoma e dá continuidade a outras que tiveram temas mais específicos. Ela estimula o exercício consciente e responsável da cidadania, despertando o interesse pelas políticas públicas, tema exigente e ainda pouco conhecido. Durante o tempo quaresmal, teremos a ocasião especial para conhecer melhor o tema desta Campanha. É importante refletir sobre o tema por meio de encontros de formação, palestras, debates e rodas de conversa. Há diversos modos de participar da vida política, muito além da militância em partidos políticos, como participação em conselhos paritários, em audiências públicas, em movimentos sociais e tantas outras iniciativas de cidadania responsável. as políticas públicas devem assegurar e efetivar direitos fundamentais da população, a começar dos mais pobres e vulneráveis. O bem dos pequenos e fragilizados é critério para assegurar se a política está efetivamente a serviço do bem comum. Os pobres e excluídos não podem ser esquecidos; ao contrário, devem ser considerados com especial atenção e elaboração de políticas públicas. O lema ‘serás libertado pelo direito e pela justiça’, extraído do Profeta Isaías (Is 1,27) ilumina e anima esta Campanha, orientando as nossas ações. Mais uma vez, a Igreja não pretende oferecer soluções técnicas para os problemas sociais, nem se deixa guiar por ideologias ou partidos. Cumpre a sua missão profética nas condições concretas da história, oferecendo aquilo que tem de mais precioso: a luz da fé, a Palavra de Deus, os valores do Evangelho. A Igreja oferece critérios, princípios, valores éticos, a serem acolhidos na ação político partidária e demais iniciativas no âmbito político, tendo como grandes fontes a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja“. (Confira a notícia: http://www.cnbb.org.br/cardeal-sergio-da-rocha-sabemos-que-uma-das-principais-exigencias-da-espiritualidade-quaresmal-e-a-fraternidade/)

O papa Francisco enviou mensagem para a Igreja do Brasil sobre a Campanha da Fraternidade 2019. Para ele os cristãos devem buscar a participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. Aos que se dedicam na construção de políticas públicas – governos e gestores públicos, o papa Francisco exortou a que vivam “com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu atos e da sua cultura, solidários com o seus sofrimentos e esperanças”. Para o Santo Padre, citando mensagem ao Congresso organizado pela CAL-CELAM, 1/XII/2017, é necessário que tenhamos “políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”. (Confira a mensagem completa: http://www.cnbb.org.br/papa-francisco-envia-mensagem-a-abertura-da-campanha-da-fraternidade-no-brasil/)

Portanto nós, carmelitas descalços seculares, devemos procurar viver com amor tudo o que os preceitos da Igreja nos determinam e os documentos de nossa Ordem nos indicam para este tempo da Quaresma, fazendo nossos atos de penitência com simplicidade e discrição, celebrando o que a Liturgia da Igreja nos oferece (Ofício próprio para a Quaresma), e participando da Campanha da Fraternidade proposta pela CNBB, tudo com a finalidade de buscar a conversão de nossos corações para, com a graça e a misericórdia de Deus, chegarmos um dia ao topo do Monte, como fizeram nossos santos do Carmelo!

“O amor prova-se por feitos, então como posso provar meu amor? Grandes feitos estão fora do meu alcance. A única forma de provar meu amor é espalhando flores e estas flores são todos os pequenos sacrifícios, cada olhar, cada palavra e cada pequeno ato de amor.” (Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face).

Luciano Dídimo, ocds


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