quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Apresentação da obra A ROSA MARROM (textos de Luciano Dídimo | fotografias de André Fachetti)

 

AOS IRMÃOS DA OCDS – Província São José:

         Uma das missões da Ordem Secular é, a par de sustentar-se com a espiritualidade própria do Carmelo Descalço, também apresentar ao mundo a possibilidade de enxergar a vida a partir de uma espiritualidade baseada na riqueza carmelitana.

Toda expressão de cristandade tem lugar no Reino de Deus. A arte, sem dúvida, é das que chegam mais rápido e mais diretamente aos corações: para os alegres, justifica e extravasa a alegria própria dos que passam pelos caminhos saltando e cantando salmos de agradecimento; para os amargurados, alimenta a chama do Espírito Santo que talvez esteja encoberta de cinzas resfriadas, esperando para se reaquecerem.

É assim que tenho a alegria de lhes apresentar – e a todos a quem chegar esta mensagem – a obra do nosso irmão de Carmelo Descalço Secular, poeta cearense, LUCIANO DÍDIMO, que nos apresenta seu novo livro de poemas: A ROSA MARROM (Ed.Sagrada Família, 2020):

São 72 poemas oracionais de espiritualidade carmelitana, para os quais Luciano convidou o nosso também irmão de Ordem Secular, André Fachetti (ES), a fim de ilustrar com suas fotografias cada expressão de arte que brotou do tempo e do coração carmelitano do nosso conhecido e querido Dídimo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o imprimatur e posfácio de Dom Rubens Sevilha OCD e prefácios de Frei Patrício Sciadini ocd, Ir. Elizabeth da Trindade ocd (Passos-MG), Frei Davi Maria o.carm. e meu, vejo a união da Igreja e da família do Carmelo, e assim, fico à vontade e sinto-me inspirada a levar a cada grupo e comunidade da OCDS a alegria dessa apresentação.

Assim, convido-os na medida de suas possibilidades, a contribuírem na aquisição da obra A ROSA MARROM, que é, entre muitas, uma singela forma de ajudar a “tapetear o mundo de Carmelo”, como nos ensina e nos convida Frei Patrício, e a inspirar os carmelitas a expressarem seus dons em favor da evangelização para o Reino de Deus.*

Agora, pois, é tempo de semear brotos de Rosa Marrom, Brasil e mundo afora.

Com meu carinho e novos votos de um 2021 rosa de alegria e marrom de Carmelo, deixo-os com a Paz do Senhor.

Fraternalmente,

 ROSE LEMOS

Presidente OCDS - Província São José | Triênio 2019-2022

*A obra pode ser adquirida diretamente com o autor, Luciano Dídimo (lucianodidimo@gmail.com), ou com o fotógrafo, André Fachetti (contato@andrefachetti.com).

 

 

 

Mensagem de Frei Emérson dos Santos , provincial da OCD - Província São José

Estimados irmãos,

proponho-lhes encerrar esse primeiro ano do triênio com o coração em Belém, agradecendo a Deus por todos os desafios que juntos enfrentamos e por vivermos “esperando dias melhores, dias de PAZ, dias que não deixaremos para trás”.  

Em Belém, conhecemos “dias melhores”, dias que Deus reservou para nós! Em Belém, podemos viver uma daquelas experiências que não queremos deixar para trás, experiência que muda a vida, experiência que nos faz querer esperar de novo! Em Belém, examinemos os movimentos do nosso coração e, em tudo, queiramos ver só a Deus! Reconduzamos a nossa vontade a uma absoluta submissão a Ele! Nele estão nossos dias de PAZ!

No despojamento de Belém, aprendamos que o que dá simplicidade à nossa vida, o que dá paz ao nosso coração, é o abandono de nós mesmos a Deus.  Somos propriedade de Deus: todas as vezes que procuramos ordenar a nossa vida e as nossas ocupações por nós mesmos, dispomos de uma propriedade que é de Deus e, inevitavelmente, perdemos os seus dons e as suas graças.

No despojamento de Belém, aprendamos: a falta do absoluto e total abandono é o único e verdadeiro obstáculo entre nós e Nosso Senhor. Ainda examinando os movimentos do nosso coração, podemos perguntar-nos, diante de Deus: “Quando estarei despojado de tudo? Quando me abandonarei sem reserva alguma à Vossa vontade? Quando Vos servirei com espírito puro, humilde e pacífico? Quando me lançarei em Vós com terno e ardente desejo? Quando será minha tibieza absorvida na imensidade de Vosso amor?”

No despojamento de Belém, aprendamos a assumir nossa fraqueza. Deus escolhe fracos e débeis, para que nenhuma carne se glorie na Sua presença. A nossa miséria, reconhecida e confessada, atrai as liberalidades de Deus: “somos ricos, ricos em enfermidades, e se quiséssemos apoiar-nos só em Jesus, fazendo tudo, sofrendo tudo em união com Ele e em seu nome, Ele tornar-nos-ia cada vez mais agradáveis ao Pai”. Quanto mais pobres formos, mais as inefáveis riquezas de Cristo encontrarão lugar em nós.   

No despojamento de Belém, proponho-lhes repetir a oração que a Deus dirigimos em todas as sessões do Conselho Plenário de nossa Província: “Senhor, olhando nossas misérias, e a promessa da cura, logo respondemos: eis-nos diante de Vós, fomos chamados e eis-nos aqui diante de Vós. Tendo prometido ser vossos, não nos submetemos a nenhum outro fora de vós, e dizemos: porque Vós, Senhor, sois nosso Deus, nenhuma outra coisa divinizamos nem adoramos como Deus. Vós, ó Deus, acima de todos estais, por todos, em todos, e nós estamos ligados pela caridade que a Vós nos une. Sim, a caridade nos une a Deus. Dizemos ainda: eis-nos aqui diante de Vós, porque, Senhor, sois nosso Deus”. 

Por essa oração, a frágil Criança de Belém pode curar-nos, pode restaurar a nossa esperança. E nós podemos proclamar a Sua divindade, render-lhe a nossa adoração e, submetendo-nos inteiramente a Ele, para além das nossas dúvidas, caminharemos na certeza de “dias melhores, dias de PAZ, dias que não deixaremos para trás”.

Obrigado por dar vida à nossa Província, assumindo CADA DIA a missão que lhe foi confiada por Deus!     

Feliz e Santo Natal!

Frei Emerson dos Santos, ocd

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Mensagem do Delegado Geral da OCDS, Frei Alzinir Debastiani, ocd

 J M + J T

Caros irmãos e irmãs no Carmelo Teresiano


Estamos em um ano - já no final - em que nossos planos viraram de ponta cabeça e fomos obrigados a parar tudo por causa da pandemia; muitos adoeceram, perderam familiares e amigos, passam por dificuldades econômicas, etc…. Mesmo assim e apesar de tudo, chegamos às festas de final de ano: sem a habitual corrida consumista, com os reduzidos encontros festivos com família e amigos, sem viagens e, para muitos, na solidão e na dor. Vivemos na incerteza, muitas vezes com medo e experimentamos uma certa impotência. Somos como em uma noite coletiva dos sentidos, na qual parece que Deus não existe.

No entanto, as celebrações litúrgicas do final do ano dizem que Ele está aí e é o Emanuel. Para ele, «a noite é tão brilhante como o dia e as trevas são como a luz» (cf. Sl 139,12). Uma luz que «na plenitude dos tempos» revelou a Glória de Deus aos pastores que velavam pelo seus rebanhos durante a noite e os leva a ver Aquele que é a «luz das nações», a alegria dos que esperam a salvação (cf. Lc. 2,1-15,32). Com efeito, no Menino Jesus, «o Verbo se fez carne» (Jo 1,14) para «nos trazer luz e vida; ... ele era a Vida e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas e as trevas não a venceram ”(Jo 1,4-5). Tal Presença nas trevas faz com que a liturgia afirme que Deus está na noite, como por exemplo na antífona ao Magnificat de 26 de dezembro: «Enquanto o silêncio envolvia tudo e a noite ia pela metade, a tua Palavra onipotente, Senhor, saiu do trono real, aleluia»(cf. Sb 18,14).

Mais perto de nós, a espiritualidade da Ordem nos ensina a entrar na noite guiados por uma certeza: nada do que acontece está fora do Amor e da vontade de Deus. Em particular, o Santo Padre João da Cruz afirma ser necessário sair de si mesmo e das coisas e entrar "numa noite escura, com ânsias em amores inflamado", até chegar a "um despojamento total de todas as coisas criadas" e "uma mortificação profunda" simbolizada "pelo manto que se retira do esposa e pelas feridas que recebe na noite em que sai em busca do Amado” (2 Noite 24,3-4). E parece que a pandemia está a fazendo isso, mesmo contra a nossa vontade ... Por isso reconhecer com atitude de fé, esperança e caridade que este é um tempo de graça - um kairós -, nos levará a descobrir os valores do Evangelho e da vida nova trazidos a nós por Jesus.

Celebrar o Natal em tempos de pandemia significa renovar a confiança no Senhor que conduz a história na qual Ele inseriu-se com a sua Encarnação. Foi o que aconteceu com Maria SS. e São José. O Concílio afirma que «a Virgem Maria avançou na peregrinação da fé e manteve fielmente a sua união com o Filho até à cruz» (LG 58). São José cumpriu fielmente a missão que o Senhor lhe confiou, cuidando de Maria e do Menino. “A felicidade de José ... está no dom de si mesmo. A frustração nunca é percebida neste homem, mas apenas a confiança. Seu silêncio persistente… contempla… gestos sempre concretos de confiança ”(Francisco, Carta Patris corde).

Assim também nós guiados pelos seus exemplos, contemplando o mistério da Encarnação no silêncio e na oração, aprendemos da Sagrada Família a guardar e a viver o essencial: ouvir a Palavra do Senhor e agir como eles no meio da noite (cf. Mt 2, 13-14 ). E isso com ânsias e em amores inflamados, fazendo o que for possível com coragem, confiança e criatividade, certos de que nestes tempos de escuridão somos iluminados por aquela "Luz que não tem noite, e sendo sempre luz, nada pode perturbá-la", como testemunhou Santa Teresa (Vida 28,5).

E apesar da distância física que a tantos separa, sabemos que somos traídos pela mesma e única Luz verdadeira; por isso somos chamados a manter os laços fraternos de comunhão e a caminhar unidos numa santa cumplicidade, como aconteceu no nascimento de Jesus, com “Maria, José, os pastores, os magos e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, ofereceram a sua fraternidade, a sua amizade para que o Verbo que se fez carne pudesse ser acolhido nas trevas da história (cf. Jo 1, 14) »(Francisco, Discurso à Cúria Romana, 21 de dezembro, nº 4).

A cada um de vocês, seus familiares, Comunidades e Províncias, peço que a Luz eterna do Menino Jesus chegue a cada um de vocês onde quer que estejam, os ilumine, aqueça seus corações e os fortaleça na confiança Nele, levando-lhes a verdadeira alegria que só Ele pode dar. Com esses dons do Natal, desejo a vocês um Santo 2021!

Com a minha oração fraterna e bênção, envio-lhes também minha saudação.


Fr. Alzinir Francisco Debastiani OCD

Roma, Santo Natal de 2020


 

TRÍDUO EM HONRA A SÃO JOÃO DA CRUZ - 2020

De 11 a 14 de dezembro, às 20h  -  CANAL OCDS Província São José YOUTUBE

 

Acesse todos os dias do

Tríduo no canal YouTube da Província São José, AQUI!

 

 Oremos: Rompei, ó Deus, por sua infinita misericórdia, cada espessa ou fina tela que separa nosso coração do vosso amantíssimo coração, e na inspiração e pela intercessão de nosso pai São João da Cruz, fazei-nos voltar ao Tudo do teu amor que sempre vence o nada da nossa finitude.

 

    Concluindo as atividades OCDS – Província São José em 2021, o Tríduo de São João da Cruz confirmou a alegria dos novos meios e a excelência que a evangelização pelos caminhos digitais pode alcançar:

     Em três dias de encontros on-line e a Santa Missa da Solenidade no dia 14 de dezembro presidida pelo Frei Cesar Cardoso OCD, a Província São José – que viu florescer neste ano um mecanismo eficaz de levar a espiritualidade carmelitana – já conseguiu encontrar o amadurecimento de seu sistema de transmissão de eventos, com oração, formação e partilha de ponta a ponta do Brasil – e alcançando até o exterior.

     Organizado pela Comissão de Espiritualidade e com apresentação de André Fachetti (Cachoeiro-ES), o tríduo contou com as seguintes participações:

 

11.12  Primeiro Dia

Tema: A Samaritana esqueceu a água e o cântaro pela doçura das palavras de Deus

Lema: As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.

Maria Inês Vasques Ayres Bernardes ocds  (Itapetininga-SP)

Carmelita Secular de amplo trabalho de apostolado social e dedicação literária (com obras próprias e em coautoria com Frei Patrício Sciadini ocd, entre outros), Maria Inês traduziu com suavidade a alegria do diálogo de Jesus com a Samaritana:

 

Em São João da Cruz, apresentou a dinâmica da mulher à beira do poço como a consciência de si e o abandono absoluto pelo conhecimento do Cristo – e a certeza de que a entrega pessoal não é sinal de lástima, mas de reencontro com a alegria verdadeira.

 

12.11  Segundo Dia

Tema: As três pessoas da Santíssima Trindade

Lema: O espiritual julga todas as coisas e por ninguém é julgado

Frei Cesar Cardoso, OCD (Belo Horizonte-MG | Rio de Janeiro-RJ)

 



    Fazendo sua participação excepcionalmente a partir do Rio de Janeiro (tendo residência atual em Belo Horizonte), Frei Cesar OCD fez um passeio profundo e elegante pelas maiores obras de João de Yepes para falar de um dos temas mais densos de toda a Teologia: a Santíssima Trindade.

     E o fez buscando, momento a momento, as contribuições do cofundador do Carmelo Descalço: ora em trechos explícitos e minuciosos sobre o mistério trinitário, ora em trechos sutis e de expressão implícita da alegria e das proezas do amor entre a Trindade santa.

 



 

13.12 Terceiro Dia

Tema: O Espírito Santo em São João da Cruz

Lema: Como a corça anseia pelas águas vivas, assim minha alma anseia por vós, ó meu Deus

Artur Viana ocds (Fortaleza-CE | Ávila, Espanha)

     Com sua participação acontecendo a partir das fontes carmelitanas, Artur Viana – que se encontra em estudos de especialização em Ávila, Espanha – partilhou páginas ricas de pneumatologia, no enfoque do Espírito Santo em João da Cruz:

 

     Construindo seu diálogo através das forças físicas que retratam o Espírito Santo na tradição da Igreja, Arthur buscou a identificação das mesmas imagens nas obras do Doutor do Tudo e Nada, revelando trechos e ideias constantes dos escritos sãojuanistas por vezes escondidos a muitos de seus leitores; a participação intensa do ruah na mística do doutor carmelitano.

 

     A Santa Missa na solenidade foi, enfim, presidida pelo Frei Cesar OCD e aconteceu a partir da Matriz da Paróquia N.S.Auxiliadora, em Belo Horizonte-MG.

 


 

 




 

por André Fachetti - Comissão de  Comunicação

Inicio do Noviciado dos Frades da Província São José

Desejosos de experimentar o modo de vida da nossa comunidade e de seguir a Cristo mais de perto, foram acolhidos na Ordem dos Irmãos Descalços da bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo dez jovens, sendo sete deles de nossa Província e os outros três das circunscrições do Paraguai, Argentina e Uruguai.

Receberam o hábito numa celebração privada na capela do convento São José, em Piedade de Caratinga, onde farão o noviciado. São eles: 
fray Gabriel de la Santa Cruz, 
frei Franz do Sagrado Coração de Jesus, 
frei Halan de Jesus Crucificado, 
frei Maximiliano da Virgem de Guadalupe, 
frei Elton Rafael da Virgem Auxiliadora,
frei Guilherme do Amor Divino,
fray Carlos de Jesús Mitãmi, 
frei Guilherme Francisco de Santa Teresinha do Menino Jesus, fray Nando de la Cruz e frei Jonathan do Santíssimo Sacramento.


Rezemos pela perseverança, fidelidade e vocação desses nossos irmãos. 

Bem vindos a família do Carmelo Descalço!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

AGENDA DA OCDS 2021


Fevereiro

⦁ ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN - Módulo IV - Dimensão Espiritual (Modo Virtual)

(Todo o mês de fevereiro, às segundas, quartas e sextas)

⦁ Curso Espiritualidade - Artur Viana

Março

⦁ 19 a 28  - FÓRUM DE SÃO JOSÉ (Modo Virtual)

Maio

⦁ 21 a 23 - Retiro De Espiritualidade Carmelitana (Modo Virtual)

Julho

⦁ 13 a 15 - Tríduo de Nossa Senhora do Carmo (Modo Virtual)

⦁  ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN - Módulo I - Dimensão Humana (Modo Virtual)

(Todo o mês de julho nas segundas, quartas e sextas)

Setembro

⦁ 28 a 30 -Tríduo de Santa Teresinha (Modo Virtual)

Outubro

⦁ 12 a 14 - Tríduo de Santa Teresa (Modo Virtual)

Novembro

⦁ 12 a 15 - XXXV Congresso Provincial OCDS

Dezembro

⦁ 11 a 13 - Tríduo de São João Da Cruz (Modo Virtual)

⦁ 15 a 23 - Novena de Natal (Modo Virtual)


Observação: este calendário está sujeito a modificações no decorrer do ano, caso seja necessário.




MENSAGEM DE FIM DE ANO DA PRESIDENTE PROVINCIAL ROSE LEMOS, OCDS

Rose Lemos, presidente provincial OCDS

Irmãos e irmãs,
no Carmelo Descalço Secular da Província São José


Este ano nos trouxe muitos desafios e muitas realizações também.

Fomos instigados a continuar a vida no Carmelo Descalço Secular e não deixar desanimar os grupos e comunidades que fazem parte deste grande jardim da Igreja. Estivemos juntos, mesmo separados por essa pandemia mundial, e infelizmente não temos grandes respostas e nem podemos fazer planos referentes a encontros presenciais.

Pudemos contar com a graça de viver virtualmente a formação, os congressos, as novenas e tríduos. Construímos também momentos de confraternização, recreios e partilhas. Geramos uma nova forma de viver “momentos carmelitas”. Fomos corajosos diante do desconhecido e do inexplicável e nos deparamos com desafios inimagináveis.

Uma epifania pessoal e comunitária!

A espiritualidade do Carmelo foi a nossa força e adquirimos experiência, paciência, coragem e a tão falada “determinada determinação”.

Este tempo nos chamou à solidariedade para com os irmãos da OCDS, frades e monjas e assim pudemos dar um pouquinho do que temos materialmente e do nosso amor.

Desde o começo de 2020, estamos trabalhando para que nossa Província tenha uma transparência e uma comunicação que possa fazer com que todos se sintam parte desta família, que é o Carmelo. Porém sabemos que nem tudo a que nos propomos, conseguimos realizar. Mas nosso empenho e nosso desejo é de que possamos na liberdade de irmãos, também contar com a colaboração de cada membro dos grupos e das comunidades que se sintam chamados a ajudar.

Ao nosso Provincial frei Emerson e ao seu conselho ocd, aos frades delegados provinciais a gratidão pelo interesse, presença, carinho e cuidado com o nosso trabalho e também pela participação dedicada nos nossos eventos durante o ano.

Ao Conselho Provincial ocds, a gratidão pelo empenho e comprometimento diário se esforçando e dando o melhor de si, em condições tão áridas de trabalho junto aos grupos e comunidades, na impossibilidade de visitas presenciais e tantas dificuldades do tempo presente.

Muito obrigada ao delegado Geral da OCDS, Frei Alzinir Debastiani. Sua ajuda e apoio vieram fortalecer e trabalhar nossas fragilidades, para nos habilitar numa ressignificação amorosa dos momentos difíceis.

À vice-presidente provincial Marisa Ribeiro, que com sua delicadeza e determinação esteve presente ativamente em todos os trabalhos das comissões, do Conselho e da Província sendo verdadeiro suporte, apoio e fortaleza evangélicos. Deus lhe pague!!!

A todas as comissões, a gratidão e o desejo de que continuem com a urgência e o amor latente pelo servir à Igreja e ao Carmelo.

A todas as comunidades e grupos, deixo aqui minhas orações e também meu muito obrigada por estarmos juntos durante todo o ano.

Feliz Natal e um ano cheio de novas possibilidades, saúde, paz e amor.


Rose Lemos, ocds

Presidente Provincial OCDS


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

SOLENIDADE DE SÃO JOÃO DA CRUZ, PRESBÍTERO, DOUTOR DA IGREJA E NOSSO PAI

 


A FÉ NA PRIMOROSA OBRA CHAMA VIVA

 Ao celebrar a festa de São João da Cruz, neste dia, queremos agradecer a Deus, que em sua suma bondade e amor nos concedeu a graça de termos como reformador do Carmelo Descalço, ao lado de santa madre Teresa de Jesus, este mestre na fé e na vida interior. Sobretudo, agradecermos e rogarmos que ele, o santo da Chama Viva de Amor, como pai na fé sempre nos inspire a buscar em suas inefáveis obras, a doutrina do caminho de subida ao Monte que é o próprio Jesus Cristo, Filho de Deus.

 Ao longo de nove dias, meditamos o “Mistério do Amor Trinitário”, deixando-nos conduzir para o sentido de retorno ao “essencial” de nossa vida cristã-carmelita, e à essência de nosso carisma. O intuito esteve e permanece sendo o fortalecer nossa identidade, para assim dar respostas concretas às motivações da doutrina que norteiam nossa fé e nosso chamado, “Vivemos numa época, que alguns compararam ao exílio. Como Israel, que nesse período de sua história se encontrou despojado de todas as suas seguranças: o templo, lugar da presença de Deus (...) ponto de referência de sua identidade como nação (...) também, perdemos muitos pontos de segurança que tínhamos num passado próximo. Deu-se lugar à busca, à incerteza, à pluriformidade, ao desconcerto”. (Voltar ao Essencial. Documento Capitular, 2003)

 Aqui pretendemos adentrar na primorosa obra do santo, que é Chama Viva de Amor, por acreditar que também São João da Cruz alegrava-se intimamente lendo-a, também por perceber que nesta, como também no Cântico Espiritual, está a mais límpida e clara retratação de sua alma; talvez porque eram os livros espirituais que mais bem lhe faziam, que melhor podia pô-lo mais em contato com Deus, como aquelas páginas de seu espírito. São João realizou esta redação nos últimos anos de sua vida, quando mais do que nunca era "celestial e divino", redação dedicada a sua filha espiritual Dona Ana de Peñalosa. Ao ler esta última obra de São João da Cruz, podemos pensar que estamos presenciando a glorificação de sua alma divinizada. O céu parece abrir-se e vislumbramos a glória de que será inundada na outra vida, face a face com a Santíssima Trindade, a alma que aqui amou a Deus sobre todas as coisas. Poderíamos dizer que a "Chama" é a epifania desse mistério sobrenatural, que os olhos não podem ver, nem ouvidos ouvir e que só o coração sente e conhece: o mistério da transformação da alma na Santíssima Trindade. O Senhor generosamente o antecipa a quem, como São João da Cruz, renunciando a tudo, Sabe esperar tudo do Tudo.

 “Não é para admirar faça Deus, tão altas e peregrinas mercês, às almas que lhe apraz regalar. Na verdade, se considerarmos que é Deus, e que as concede como Deus, com infinito amor e bondade, não nos há de parecer fora de razão”. Suas próprias palavras nos afirmam que se alguém o amar, o Pai, o Filho e o Espírito Santo virão fazer nele sua morada (Jo 16,23).  

(Prólogo2)

 A Trindade é um mistério de fé em sentido estrito, um dos «mistérios ocultos em Deus, que não podem ser conhecidos se não forem revelados lá do alto». Os cristãos são batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Batizados «em nome» do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não «nos nomes» deles porque não há senão um só Deus – o Pai Omnipotente, o Seu Filho Unigênito e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade - centralidade mistérica da fé e da vida cristã, sendo o mistério de Deus em si mesmo, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé». (Cf. CEC 237.232-234).

 A concepção de Deus expressa em Chama viva de amor assume o sentido trinitário. Enquanto em Cântico espiritual, insiste-se na união com o Verbo, Filho de Deus e em Subida do Monte Carmelo, na imitação de Cristo, Chama viva de amor se centra na atuação da Santíssima Trindade junto à alma em seu processo de união mística: “Não havemos de considerar inacreditável que a uma alma já examinada, provada e purificada no fogo das tribulações e trabalhos, e por grande variedade de tentações, e achada fiel no amor, seja recusado nesta vida o cumprimento da promessa feita pelo Filho de Deus quando disse: se alguém o amasse, a este viria a Santíssima Trindade para estabelecer nele a sua morada (Jo 14,23). E isto significa para a alma ter o entendimento divinamente ilustrado na sabedoria do Filho, a vontade inebriada de deleite no Espírito Santo, absorvendo-a o Pai, forte e poderosamente, no abraço e abismo de sua doçura. (Ch 1,15). Portanto, achamos em Chama Viva de Amor muitos elementos doutrinais repetidos, ou resumidos de Subida e de Noite Escura; também, a doutrina da noite, a doutrina da passagem da meditação para a contemplação. Isto acontece principalmente em Chama 3.

 

"Oh! Lâmpadas de fogo

Em cujos resplendores

As profundas cavernas do sentido,

que estava escuro e cego,

Com estranhos primores

Calor e luz dão junto a seu Querido!"

(Canção 3)

 

A partir dos estudos de Karol Wojtyla, nosso São João Paulo II, em Chama 3 pretendemos reconhecer pontos importantes sobre a fé na primorosa obra do santo padre João da Cruz. Pois, através desta obra torna-se fácil reencontrar a profunda teologia sanjoanista da fé. Por exemplo, em Chama 3,48 nos diz: "Deus, a quem o entendimento se encaminha, excede ao próprio entendimento; e assim é incompreensível e inacessível ao entendimento; portanto, quando o entendimento vai entendendo, não vai se aproximando de Deus, antes vai se afastando. E assim, antes se há de afastar o entendimento de si mesmo e de sua inteligência para se aproximar de Deus, caminhando na fé, crendo e não entendendo. E dessa forma o entendimento chega à perfeição, porque pela fé e não por outro meio se une a Deus [...]. E o ir adiante o entendimento é caminhar cada vez mais na fé, e assim é caminhar mais na obscuridade, porque a fé é trevas para o entendimento". E, portanto, é necessário "que não se empregue em inteligências distintas". 

O DOM DE DEUS: "DÁ A DEUS O PRÓPRIO DEUS EM DEUS". 

A alma age "em Deus por Deus do mesmo modo que Ele age nela por si mesmo, do modo que Ele age, porque a vontade dos dois é uma só, e assim a operação de Deus e a dela é uma só". (Ch 3,78) São João nos esclarece: "[...] sendo ela sombra de Deus por meio desta transformação substancial, age ela em Deus por Deus do mesmo modo que Ele age nela por si mesmo, do modo que Ele age, porque a vontade dos dois é uma só, e assim a operação de Deus e a dela é uma só. Logo, como Deus se dá a ela com livre e graciosa vontade, assim também ela, tendo a vontade tanto mais livre e generosa quanto mais unida a Deus, faz o dom de Deus ao mesmo Deus em Deus, e esta dádiva da alma a Deus é total e verdadeira. Porque a alma vê então que Deus verdadeiramente é seu, e que ela o possui com possessão hereditária, com direito de propriedade, como filha adotiva de Deus, pela graça concedida por Ele ao dar-se a si mesmo a ela, e que, como coisa sua, o pode dar e comunicar a quem ela quiser, por sua livre vontade; assim a alma o dá a seu querido, que é o mesmo Deus que se deu a ela, e nisto paga a Deus tudo o que lhe deve, porquanto voluntariamente lhe dá tanto quanto dele recebe". (Ch 3,78) Toda esta concepção relacional se fundamenta sempre em um duplo elemento: a comunicação da graça e a força do amor. A alma se faz "Deus por participação", e então possui participativamente a Deus, e retribui à vontade, em recíproco amor, o que do Amado recebeu: o dom de Deus: "dá a Deus o próprio Deus em Deus". O sopro do Espírito Santo é quase contínuo no estado de transformação. 

O DOM DE DEUS: "DÁ A DEUS O PRÓPRIO DEUS EM DEUS". 

Que dá a alma a Deus? Responde-nos o santo: "[...] sendo ela sombra de Deus por meio desta transformação substancial, age ela em Deus por Deus do mesmo modo que Ele age nela por si mesmo, do modo que Ele age, porque a vontade dos dois é uma só, e assim a operação de Deus e a dela é uma só. Logo, como Deus se dá a ela com livre e graciosa vontade, assim também ela, tendo a vontade tanto mais livre e generosa quanto mais unida a Deus, faz o dom de Deus ao mesmo Deus em Deus, e esta dádiva da alma a Deus é total e verdadeira. Porque a alma vê então que Deus verdadeiramente é seu, e que ela o possui com possessão hereditária, com direito de propriedade, como filha adotiva de Deus, pela graça concedida por Ele ao dar-se a si mesmo a ela, e que, como coisa sua, o pode dar e comunicar a quem ela quiser, por sua livre vontade; assim a alma o dá a seu querido, que é o mesmo Deus que se deu a ela, e nisto paga a Deus tudo o que lhe deve, porquanto voluntariamente lhe dá tanto quanto dele recebe". (Ch 3,78) 

"A COMUNICAÇÃO DA GRAÇA E A FORÇA DO AMOR" 

Na concepção relacional, filial e conjugal ao mesmo tempo, se fundamenta sempre em um duplo elemento: a comunicação da graça e a força do amor. A alma se faz "Deus por participação", e então possui participativamente a Deus, e retribui à vontade, em recíproco amor, o que do Amado recebeu: o dom de Deus: "da a Deus o próprio Deus em Deus". O sopro do Espírito Santo é quase contínuo no estado de transformação. De fato, quem dá é a alma, incendiada pelo sumo amor; já unida a Deus plenamente, não pode fazer outra coisa senão aquilo que faz a vontade divina. Por conseguinte, por todo seu ser não corre mais do que amor, e só se ocupa em amar uma vez que chegou à perfeição de união transformadora, igual à vontade divina; amar a Deus, devolvendo-lhe amor por amor - o amor participado ou recebido - de modo divino, sob a moção do Espírito Santo. Estamos dentro da mística 'trinitária', que já havíamos vislumbrado em Cântico: "[...] o Espírito Santo [...] com aquela sua aspiração divina levanta a alma com grande sublimidade e a informa e habilita para que ela aspire em Deus a mesma aspiração de amor que o Pai aspira no Filho, e o Filho no Pai, e esta aspiração é o próprio Espírito Santo que também aspira a alma, no Pai e no Filho, na dita transformação, para uni-la consigo". (Cântico 39, 3) 

TRANSFORMAÇÃO DO ENTENDIMENTO, VONTADE E MEMÓRIA EM CHAMA. 

As frases transcritas foram tiradas do texto maior, no qual descreve detalhadamente a união, consumada na transformação do entendimento, vontade e memória. Conserva aqui a divisão tripartida que já conhecemos. Mas, se compararmos este texto com o de Noite Escura II 4,2, que já submetemos a análise, o de Chama é muito mais forte e expressivo; na realidade, anuncia a união consumada e não só sua dolorosa preparação através da noite purificadora. Porém, estamos ainda no caminho, e por isso na área da fé. Devemos recordar para não perder de vista as suculentíssimas palavras: "pela união seu entendimento e o de Deus é todo um só". E talvez não seja supérfluo recordar também o que diz me Subida II 29,6 acerca da moção do Espírito Santo e o que declara em Cântico sobre a "substância apreendida", que o entendimento possível experimenta e na qual goza e descansa.

METÁFORA DAS CAVERNAS. Citemos, por último, a seguinte passagem, que nos explica a metáfora das 'cavernas': "Estas cavernas - diz - são as potências da alma: memória entendimento e vontade; as quais são tanto mais profundas quanto mais capazes são de grandes bens, pois não se enchem com menos que o infinito. Pelo que elas padecem quando estão vazias, podemos avaliar, de certo modo, quanto gozam e se deleitam quando estão cheias de Deus, pois por um contrário se esclarece o outro. Quanto ao primeiro, notemos que estas cavernas das potências, quando não estão vazias, e purificadas, e limpas de toda afeição de criatura, não sentem o grande vazio de sua profunda capacidade". (Ch 3,18) 

"A ABERTURA DA ALMA AO INFINITO" 

Que profundidades do espírito humano! Capacidade imensa das potências superiores, capacidade do infinito: eis aí a raiz e o fundamento metafísico que serve de sustento às virtudes teologais! Porém é necessário, para que se dê essa união com o Infinito, que primeiro a almas e purifique e se despoje de todo o finito, limitado, particular e distinto. A abertura da alma ao Infinito constitui a tarefa peculiar das virtudes teologais que, ao mesmo tempo, enchem a alma da Divindade participada. A doutrina fundamental do Doutor Místico sobre as virtudes teologais, exposta em Subida II 6, corresponde a este conceito das potências: devem se pôr em 'vazio e trevas' para unir a alma a Deus. A purificação se ordena à união. E nela está se personificando o princípio da Subida I 4, que afirma a impossibilidade de que duas formas totalmente diferentes coexistam ao mesmo tempo em um sujeito. O entendimento é abismo profundo, "caverna" sedenta: " [...] seu vazio é sede de Deus, e esta é tão grande quando o entendimento está disposto, que Davi a compara à do cervo [...]; e esta sede é das águas da sabedoria de Deus, que é o objeto do entendimento". (Ch 3,19) 

Já dissemos em outro momento, e voltamos a repetir que, Chama Viva é a epifania do mistério sobrenatural escrito e inspirado a São João da Cruz, que os olhos não podem ver, nem ouvidos podem ouvir, e que só o coração sente e conhece (cf. Is 64,4), que é o mistério da transformação da alma na Santíssima Trindade. O Senhor generosamente o antecipa a quem, como São João da Cruz, renunciando a tudo, sabe esperar tudo do Tudo. Que do vale de nossa miséria, sintamos a atração dos altos cumes, por onde passeia o espírito do místico carmelita, encerrando e fazendo de nossa oração o poema de São João da Cruz:

 

Canção I

Oh! Chama de amor viva

que ternamente feres

De minha alma no mais profundo centro!

Pois não és mais esquiva,

Acaba já, se queres,

Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

 

Canção II

Oh! Cautério suave!

Oh! Regalada chaga!

Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado

Que a vida eterna sabe,

E paga toda dívida!

Matando, a morte em vida me hás trocado.

 

Canção III

Oh! Lâmpadas de fogo

Em cujos resplendores

As profundas cavernas do sentido,

que estava escuro e cego,

Com estranhos primores

Calor e luz dão junto a seu Querido!

 

Canção IV

Oh! Quão manso e amoroso

Despertas em meu seio

Onde tu só secretamente moras:

Nesse aspirar gostoso,

De bens e glória cheio,

Quão delicadamente me enamoras!”

 

Oração: Ó Deus, que inspirastes ao presbítero são João da Cruz, nosso pai, extraordinário amor pelo Cristo e total desapego de si mesmo, fazei que, imitando sempre seu exemplo, cheguemos à contemplação da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

 SANTO PADRE JOÃO DA CRUZ,

 intercedei por nós!

 

 

Estela da Paz.

(Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS)

Comissão de História

Comissão de Espiritualidade

 

 Ref.:

Karol Wojtyla A DOUTRINA DA FÉ SEGUNDO SÃO JOÃO DA CRUZ. Tese: L.2, C.2.

Catecismo da Igreja Católica.

Bíblia Sagrada.

“Ser carmelitas Descalços hoje”. Declaração carismática, 2019.

CAPÍTULO GERAL DOS CARMELITAS DESCALÇOS. ÁVILA – 17 de maio de 2003. "Em Marcha com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz". Voltar ao Essencial. Documento Capitular. 

 

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