segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

PROMESSAS DEFINITIVAS E TEMPORÁRIAS, RENOVAÇÃO DE PROMESSAS TEMPORÁRIAS E ADMISSÕES - 24/01/2021.

 


GRUPO SÃO JOSÉ - Diocese de Petrópolis, RJ.

"Cristo  é  o  centro  da  vida  e  da  experiência  cristãs.  Os  membros  da  Ordem Secular  são  chamados  a  viver  as  exigências  de  seu  seguimento  em  comunhão com  ele,  aceitando  seus  ensinamentos  e  entregando-se  a  sua  pessoa.  Seguir  Jesus é  participar  em  sua  missão  salvífica  de  proclamar  a  Boa  Nova  e  de  instaurar  o Reino  de  Deus  (Mt  4,18-19)"... "No  dinamismo  interior  do  seguimento  de  Jesus,  o  Carmelo  tem contemplado  Maria  como  Mãe  e  Irmã,  como  “modelo  acabado  do  discípulo  do Senhor”  e,  portanto,  modelo  da  vida  dos  membros  da  Ordem". (Const. OCDS 10.29)


Assim traduzimos a experiência do Grupo São José neste domingo 24/01/2021, quando, pela primeira vez,  teve as três primeiras Promessas Definitivas de seus membros, a saber:

1. Edison da Silva Santos – Edison de Santa Teresinha.
2. Estela Márcia da Paz Moreira de Araújo – Estela Maria Teresa de Jesus.
3. Jullia Márcia da Paz Moreira Faustino – Jullia Maria de Jesus.




Outras três Promessas Temporárias:

1. Helenilda da Silva Matos Costa – Helenilda Maria do Menino Jesus e da Santa Cruz, OCDS.
2. Maria Aparecida Mariano Rocha – Maria Teresa da Cruz, OCDS.
3. Maria Luisa Werneck Albuquerque Franklin – Maria Luisa Teresa de Jesus, OCDS.




Uma Renovação de Promessas Temporárias:
1. Michele Cristina de Amorim - Michele Cristina da Sagrada Face, OCDS.

E, o acolhimento de mais duas Admissões. Sendo elas:
1. Larissa Ferreira Medauar dos Santos.
2. Maria Carla Coelho Domingos.

Neste dia de alegria que o Senhor Deus fez para nós, dedicamos nosso agradecimento ao Bom Deus, com a Santíssima Virgem do Carmo, Esplendor e Formosura do Carmelo, que com São José e os nossos pais, Teresa de Jesus e João da Cruz, e Santa Teresinha do Menino Jesus, vêm nos sustentando nesta íngreme subida ao Monte que é Cristo.

Reiteramos os agradecimentos ao frei Wilson Gomes, nosso Delegado Provincial, por sua disponibilidade e dedicação ao nosso Grupo. E, através dele, todos os frades e o "Centro da Ordem" OCD, ao nosso Superior Provincial,  frei Emerson, e à OCDS, na pessoa da Rose e da Marisa pelo apoio de sempre, e da Andreia, nossa Conselheira, por toda formação a nós destinada pela Ordem, sobretudo no amor fraterno como base da doutrina do Carmelo Teresiano, contida nos pilares da doutrina de Santa Teresa, nossa mãe. Agradecemos na sua pessoa, como nosso Delegado Provincial deste triênio (2020-2022), aos nossos "Superiores  religiosos" por nos garantir a concreta da assistência  espiritual apropriada [cf. 6]*, para que aqui chegássemos. *Ref. ASSISTÊNCIA  PASTORAL  À OCDS. De 14 de dezembro de 2006.

Neste tempo em que o Grupo São José, após quase 9 anos de fundação trouxe à sua presença a primeira turma de membros para Promessas Definitivas, foi imensa a gratidão  e a alegria estampada nos rostos e nos corações de cada um de nós.

Pedimos ao Bom Deus e à Rainha do Carmelo, que possam confirmar a cada dia nossa vocação...
Ao glorioso São José, nosso pai e patrono,  o patrocínio na obediência e na perseverança...
À Santa Teresa, nossa Mãe, uma determinada determinação na fidelidade à Igreja e ao Carmelo,
A São João da Cruz, no Pai, as virtudes da fé, esperança e caridade, para a subida ao Monte,
E a Santa Teresinha do Menino Jesus, a humildade, a confiança e o abandono à Misericórdia do Senhor.

Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.
Encarregada da Formação. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Escola de Formação Edith Stein - IV Módulo - Dimensão Espiritualidade

As inscrições para o IV Módulo da Escola de Formação Edith Stein, Dimensão Espiritualidade, estão abertas e vão até o dia 31 de janeiro de 2021.

Veja como se inscrever, conograma e palestrantes clicando na figura abaixo.



segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Revista Virtual Monte Carmelo nº 172 (novembro-dezembro/2020)

 


(clique na imagem acima para acessar a Revista)

Caros leitores,

Nesses meses de novembro e dezembro a província continuou a realizar diversos eventos virtuais, como o XXVI Congresso Provincial e o tríduo de São João da Cruz.

Nas colunas fixas de nossa revista, trazemos o Espaço Literário Carmelitano, com Wallace Bertolli, Artur Viana com o Diário de um Carmelita Secular em Ávila, e o Santo do Mês, por Giovani Carvalho Mendes.

Confira ainda as notícias das Comunidades e da Igreja, além da entrevista com nosso delegado provincial, frei Wilson Gomes e as mensagens de fim de ano do nosso Delegado Geral, frei Alzinir Debastiani, do nosso provincial Frei Emerson dos Santos e da nossa presidente provincial Rose Lemos.

Uma excelente leitura a todos!


Luciano Dídimo

Coordenador da Comissão de Comunicação da OCDS

domingo, 10 de janeiro de 2021

PRIMEIRA REUNIÃO DO CONSELHO OCDS DE 20121

 




Nosso conselho se reuniu no dia 09/01 de 2021 . contado com a participação de todos os conselheiros, nossa secretaria e também de nosso delegado provincial frei Luciano Henrique.

Nossa pauta de interesses da  provincia foi :

- agenda do CNLB ( Conselho Nacional dos Leigos do Brasil)  e nossa participação em seus eventos.

_retiro de São José

-definir data do fórum SÃO JOSÉ

- Definir datas de nossos Congressos ocds

-agenda geral 

- Criação de uma comissão de  avaliação dos Estatutos ocds;

- Ata da assembleia geral de 2019.


conforme nossa reunião algumas mudanças foram feiras em nossa agenda anual.

confira!!


AGENDA 2021

Fevereiro

ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN - Módulo IV - Dimensão Espiritual (Modo Virtual)

(Todo o mês de fevereiro, às segundas, quartas e sextas)

 

Março

19,20,21-RETIRO DE SÃO JOSÉ (Modo Virtual)

 

Maio

20 a 23 – FORUM DE SÃO JOSÉ (Modo Virtual)

 

Julho

13 a 15 - Tríduo de Nossa Senhora do Carmo (Modo Virtual)

 

Agosto

  ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN - Módulo I - Dimensão Humana (Modo Virtual)

(Todo o mês  AGOSTO  nas segundas, quartas e sextas)

 

Setembro

28 a 30 -Tríduo de Santa Teresinha (Modo Virtual)

 

 

Outubro

12 a 14 - Tríduo de Santa Teresa (Modo Virtual)

 

Novembro

12 a 15 - XXXV Congresso Provincial OCDS

 

Dezembro

11 a 13 - Tríduo de São João Da Cruz (Modo Virtual)

 

15 a 23 - Novena de Natal (Modo Virtual)

 

 

 

Observação: este calendário está sujeito a modificações no decorrer do ano, caso seja necessário.

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS


DIA MUNDIAL DA PAZ 

Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela do Mar e Mãe da Esperança” - Papa Francisco. 

O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968 pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano. A solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e 54º Dia Mundial da Paz 2021, traz como tema: “A cultura do cuidado como percurso de paz”. Dia em que rezamos o Te Deum.

Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós Vos louvamos [como] Deus“. Trata-se da primeira afirmação de um hino católico do Ofício de Leituras da Liturgia das Horas e entoado em eventos solenes de ação de graças. O hino ficou conhecido pelas duas primeiras palavras do primeiro verso: “Te Deum“, mantido como título inclusive na maioria das traduções para os diversos idiomas.

O Te Deum é um hino muito antigo, alguns atribuem até a Santo Ambrósio e Santo Agostinho, mas já no século VI, São Bento fez menção a este hino. Trata-se de um hino de louvor a Deus, de ação de graças. É iniciado com as palavras “Te Deum laudamos” (“a vós, ó Deus, louvamos”), tem um sentido trinitário porque menciona três pessoas, fazendo com que nós nos unamos aos anjos quando dizem: “A Ti aclamam todos os Anjos, os céus, todas as potestades, os querubins e os serafins”. Assim, nós nos unimos a esta aclamação dos anjos a Deus, dizendo “Santo, Santo, Santo”, como na Missa. Com este canto, também pedimos a Deus que venha em socorro dos seus servos.

“O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da covid-19, que se transformou num fenômeno plurissetorial e global, agravando fortemente outras crises interrelacionadas como a climática, alimentar, econômica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incômodos... Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela do Mar e Mãe da Esperança” - Papa Francisco. 

Te Deum
(A VÓS, Ó DEUS, LOUVAMOS)

A vós, ó Deus, louvamos,
a vós, Senhor, cantamos.
A vós, Eterno Pai,
adora toda a terra.

A vós cantam os anjos,
os céus e seus poderes:
Sois Santo, Santo, Santo,
Senhor, Deus do universo!

Proclamam céus e terra
a vossa imensa glória.
A vós celebra o coro
glorioso dos Apóstolos,

Vos louva dos Profetas
a nobre multidão
e o luminoso exército
dos vossos santos Mártires.

A vós por toda a terra
proclama a Santa Igreja,
ó Pai onipotente,
de imensa majestade,

e adora juntamente
o vosso Filho único,
Deus vivo e verdadeiro,
e ao vosso Santo Espírito.

Ó Cristo, Rei da glória,
do Pai eterno Filho,
nascestes duma Virgem,
a fim de nos salvar.

Sofrendo vós a morte,
da morte triunfastes,
abrindo aos que têm fé
dos céus o reino eterno.

Sentastes à direita
de Deus, do Pai na glória.
Nós cremos que de novo
vireis como juiz.

Portanto, vos pedimos:
salvai os vossos servos,
que vós, Senhor, remistes
com sangue precioso.

Fazei-nos ser contados,
Senhor, vos suplicamos,
em meio a vossos santos
na vossa eterna glória.

(A parte que se segue pode ser omitida, se for oportuno).

Salvai o vosso povo.
Senhor, abençoai-o.
Regei-nos e guardai-nos
até a vida eterna.

Senhor, em cada dia,
fiéis, vos bendizemos,
louvamos vosso nome
agora e pelos séculos.

Dignai-vos, neste dia,
guardar-nos do pecado.
Senhor, tende piedade
de nós, que a vós clamamos.

Que desça sobre nós,
Senhor, a vossa graça,
porque em vós pusemos
a nossa confiança.

Fazei que eu, para sempre,
não seja envergonhado:
Em vós, Senhor, confio,
sois vós minha esperança!

 Oração
Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


Estela da Paz, OCDS.
Comissão de Espiritualidade

Fonte:
www.cnbb.org.br
Ofício das Leituras 

INDULGÊNCIAS PARA O ANO SANTO DE SÃO JOSÉ.


(De 08/12/2020 - 08/12/2021)

*Conf. Penitenciária Apostólica, aos 8 de dezembro de 2020. 


Santa Teresa reconheceu em São José o protetor de todas as circunstâncias da vida: “Parece aos outros que o Senhor lhes deu graça para ajudar em uma necessidade; tenho a experiência deste glorioso Santo que ajuda em todos” [Livro da Vida 6,6]. Mais recentemente, São João Paulo II reiterou que a figura de São José adquire "uma renovada relevância para a Igreja de nosso tempo, em relação ao novo milênio cristão" [Redemptoris Custos, 1989] . 

O Magistério da Igreja continua a descobrir velhas e novas grandezas neste tesouro que é São José, como o pai do Evangelho de Mateus "que tira do seu tesouro coisas novas e velhas" (Mt 13,52). 

Conforme o DECRETO DAS INDULGÊNCIAS ESPECIAIS concedido por ocasião do Ano de São José, convocado pelo Papa Francisco para celebrar o 150º aniversário da proclamação de São José como patrono da Igreja universal, marcando o 150º aniversário do decreto  Quemadmodum Deus,  pelo qual o Beato Pio IX, comovido pelas circunstâncias graves e lamentosas em que uma Igreja foi hostilizada pela hostilidade dos homens, declarou São José o Padroeiro da Igreja Católica, o Papa Francisco estabeleceu no dia 08/12/2020 - no aniversário do decreto desta proclamação -, no dia consagrado à Virgem Imaculada e esposa do casto José, um ano especial de São José, no qual cada fiel, seguindo o seu exemplo, pode fortalecer diariamente sua vida de fé na plena realização da vontade de Deus, comprometendo-se com orações e boas obras para obter, com a ajuda de São José, chefe da celeste Família de Nazaré, Custodiante do Redentor, o consolo e alívio das graves tribulações humanas e sociais que afligem o mundo contemporâneo. 

Para isso o fiel católico poderá lucrar Indulgências para a perfeita realização do fim almejado, conforne a Penitenciária Apostólica, mediante o decreto emitido de acordo com a vontade do Papa Francisco. 

A indulgência plenária é concedida nas condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre) aos fiéis que, com o espírito desapegado de qualquer pecado, participem do Ano de São José nas ocasiões e da maneira indicado por esta Penitenciária Apostólica. 


1 - MEDITAÇÃO DO PAI-NOSSO POR PELO MENOS 3O MINUTOS:

- a. São José, autêntico homem de fé, convida-nos a redescobrir a nossa relação filial com o Pai, a renovar a nossa fidelidade à oração, a escutar e responder com profundo discernimento à vontade de Deus. A Indulgência plenária é concedida a quem medite por pelo menos 30 minutos sobre o Pai Nosso, ou que participe de um retiro espiritual de pelo menos um dia que inclua uma meditação sobre São José; 


2 - REALIZAR OBRA DE MISERICÓRDIA CPRPORAL OU ESPIRITUAL.

- b. O Evangelho atribui a São José o título de "homem justo" (cf. Mt 1,19): ele, guardião do "segredo íntimo que se encontra no fundo do coração e da alma", depositário do mistério de Deus e, portanto, patrono ideal do foro interior, exorta-nos a redescobrir o valor do silêncio, da prudência e da lealdade no cumprimento dos nossos deveres. A virtude da justiça praticada de forma exemplar por José é a plena adesão à lei divina, que é a lei da misericórdia, “porque é precisamente a misericórdia de Deus que faz fruir a verdadeira justiça”. Portanto, aqueles que, a exemplo de São José, realizam um trabalho de misericórdia corporal ou espiritual, também poderão obter o dom da Indulgência plenária; 


3 - RECITAÇÃO DO ROSÁRIO NA FAMÍLIA OU ENTRE NOIVOS.

- c. O aspecto principal da vocação de José era ser guardião da Sagrada Família de Nazaré, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai legal de Jesus. Para que todas as famílias cristãs sejam encorajadas a recriar o mesmo ambiente de íntima comunhão, amor e oração vivido na Sagrada Família, a Indulgência Plenária é concedida para a recitação do Santo Rosário nas famílias e entre os noivos. 


4 - INVOCAR COM SUA ORAÇÃO A INTERCESSÃO DO TRABALHADOR DE NAZARÉ - 1° DE MAIO.

- d. No dia 1º de maio de 1955, o Servo de Deus Pio XII instituiu a festa de São José Operário, “com o propósito de  que todos reconheçam a dignidade do trabalho e que este inspire a vida social e as leis fundadas na distribuição eqüitativa dos direitos. e deveres ”. Portanto, todos aqueles que diariamente confiam seu trabalho à proteção de São José e todos os fiéis que invocam com sua oração a intercessão do trabalhador de Nazaré, para que possam obter a indulgência plenária. Quem procura trabalho encontre-o e o trabalho de todos é mais digno. 


5 - REZAR A LADAINHA OU AKATHISTOS DE SÃO JOSÉ PARA O ALÍVIO DE TODOS OS CRISTÃOS QUE SOFREM TODAS AS FORMAS DE PERSEGUIÇÃO.

- e. A fuga da Sagrada Família para o Egipto «mostra-nos que Deus está onde o homem corre perigo, onde o homem sofre, onde foge, onde experimenta rejeição e abandono». A indulgência plenária é concedida ao fiéis que rezam a ladainha de São José (pela tradição latina), ou o Akathistos a São José, na íntegra ou pelo menos em parte (pela tradição bizantina), ou alguma outra oração a São José, típica da outras tradições litúrgicas, em favor da Igreja perseguida "ad intra e ad extra" e para o alívio de todos os cristãos que sofrem todas as formas de perseguição. 


6 - ORAÇÃO OU ATO DE PIEDADE A SÃO JOSÉ NOS DIA 19 DE CADA MÊS E EM TOFAS AS QUARTAS-FEIRAS. 

Para reafirmar a universalidade do padroado da Igreja por São José, além das citadas ocasiões, a Penitenciária Apostólica concede indulgência plenária aos fiéis que rezem qualquer oração legalmente aprovada ou ato de piedade em homenagem a São José, por exemplo "A ti, ó beato José ", especialmente nos dias 19 de março e 1 de maio, festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, o Domingo de São José (segundo a tradição bizantina), o 19 de todos os meses e todas as quartas-feiras, um dia dedicado à memória do Santo segundo a tradição latina. 


7 - REZAR UM ATO DE PIEDADE EM HONRA DE SÃO JOSÉ, CONSOLAÇÃO DOS ENFERMOS E PATRONO DA BOA MORTE.

No atual contexto de urgência sanitária, o dom da indulgência plenária estende-se particularmente aos idosos, aos enfermos, aos moribundos e a todos aqueles que por motivos legítimos não podem sair de casa, os quais, com o espírito desapegado de qualquer pecado e com o intuito de cumprir, o mais cedo possível, as três condições habituais, na sua própria casa ou onde quer que o impedimento o prenda, reze um ato de piedade em honra de São José, consolação dos enfermos e patrono da boa morte, oferecendo com confiança a Deus as dores e as dificuldades da sua vida. 


Para que a realização da graça divina pelo poder das Chaves seja facilitada pastoralmente, esta Penitenciária implora fervorosamente que todos os sacerdotes com as faculdades apropriadas se ofereçam de boa vontade e generosamente para a celebração do Sacramento da Penitência e administrem a A Sagrada Comunhão aos enfermos com freqüência. 


Estela da Paz, OCDS.

Grupo São José - Petrópolis/RJ.

Comissão de Espiritualidade. 


Ref.: DECRETO. O dom das indulgências especiais é concedido por ocasião do Ano de São José, convocado pelo Papa Francisco para celebrar o 150º aniversário da proclamação de São José como Padroeiro da Igreja universal.

Dado em Roma, pela Sede da Penitenciária Apostólica, aos 8 de dezembro de 2020.

Mauro Card. Maior da penitenciária de Piacenza

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ - ANO SANTO 2020/2021.



Amado Deus, neste Ano Santo dedicado a São José, agradecemos por ter-nos dado tão casto patrono e intercessor, e nos unimos ao Papa Francisco, à toda a Igreja e ao Carmelo, como filhos de Teresa de Jesus e de João da Cruz, para caminharmos de olhos fixos na subida ao Monte que é Cristo. 

Unidos ao glorioso São José e à Santíssima Virgem Maria, nos apresentamos, pessoal e comunitariamente, pedindo que renove a nossa fé, aumente a nossa esperança e nos faça prosseguir com amor e perseverança, nos confiando ao seu patrocínio. 

Ó amabilíssimo São José, suplicamos que nos ensineis a acolher a vontade de Deus nas inúmeras situações da vida, amando e adorando o vosso Divino Filho, guardando o ditoso silêncio que nos permita ouvir a voz do Espírito Santo, e a seguir com amor os maternais cuidados da Virgem Maria. 

Ó obedientíssimo São José, suplicamos ainda, que nos ensineis a testemunhar o nosso batismo e nossa vocação, meditando dia e noite a Palavra de Deus, crescendo na virtude da escuta e do silêncio, para vivermos uma fé íntima, mas operosa. 

Por fim, ó fidelíssimo São José, esposo da Virgem Maria, pai nutrício de Jesus, amantíssimo senhor da Sagrada Família de Nazaré, volvei vosso olhar paterno para nós e para nossas famílias humanas e religiosas, a fim de que alcancemos do céu a graça da fidelidade ao Plano da Salvação! 


Pai Nosso...

Ave Maria...

Glória ao Pai... 


São José, ditoso esposo da Virgem Maria, pai amantíssimo de Jesus, rogai por nós!

São José, nosso pai e patrono, interdedei por nós!

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO

 

Carta dos Superiores Gerais O.Carm. e O.C.D. à família Carmelitana, 

por ocasião do 150º aniversário da proclamação do patronato de São José na Igreja 


A festa de São José deste ano 2020 celebramos no auge da pandemia que nos obrigou a permanecer fechados em nossas casas. Mas foi próprio nestes momentos que sentimos ainda mais forte a necessidade de voltar-nos àquele homem justo e fiel que conheceu a fadiga, o exílio, a preocupação pelo amanhã sem perder o ânimo, continuando a crer e esperar em Deus que lhe havia confiado uma missão singular: custodiar Jesus e Maria, a família de Nazaré e rebento da nova família que Deus doava ao mundo. O Papa Francisco na sua homilia em S. Marta recordou-nos as qualidades de São José: homem da concretude, capaz de desenvolver seu trabalho com precisão e profissionalismo, mas ao mesmo tempo um homem que entra no mistério de Deus, para além de seu conhecimento e controle e diante do qual prostra-se em adoração1. 

Faz-nos bem pensar novamente em São José, meditar sobre quem a nossa tradição reconheceu como patrono e modelo da vida carmelitana. Queremos fazê- lo juntos como família carmelitana O.Carm. e O.C.D., pois no culto a São José e no constante referimento a ele encontramos um dos elementos mais preciosos de nossa comum herança histórica e espiritual. Este ano convida-nos a isso também por causa de um aniversário significativo: o da proclamação de São José como patrono de toda a Igreja há 150 anos, dia 8 de dezembro de 1870, por vontade do beato Pio IX. 


O culto a São José no Carmelo 


O culto a São José faz parte de nossa formação cristã, de nossa tradição e cultura. Somos habituados a colocar São José ao lado de Jesus e de Maria, ao ponto de pensar que a Igreja sempre tributou a este santo que viveu em estreita intimidade com o mistério da Encarnação, a dignidade e a honra com os quais estamos acostumados. Mas na realidade, não foi assim. No primeiro milênio são raríssimos os traços de uma reflexão teológica sobre São José, sobretudo de particular veneração a ele. Foi somente com o florescimento das Ordens Mendicantes que a devoção a São José irá desenvolver-se. Além do teólogo francês Jean Gerson, uma contribuição particularmente determinante foi a dos Franciscanos e Carmelitas. 

Para os Carmelitas o interesse pela figura de São José foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem. Todos os familiares de Maria (os pais Sant’Ana e São Joaquim como protetores secundários do Carmelo; até mesmo as supostas suas irmãs Maria de Tiago e Maria de Salomé) receberam uma honra particular no Carmelo. Não podia faltar o esposo de Maria! Lendas pias medievais narram visitas da Sagrada Família de Nazaré ao Monte Carmelo para conversar com os Filhos dos Profetas (descendentes do Profeta Elias) e afirmar a ligação peculiar da Ordem com a Sagrada Família de Jesus, Maria e José; talvez tenham se inspirado no Evangelho apócrifo de Pseudo Mateus. Outros falam de uma suposta parada da Sagrada Família no Monte Carmelo na viagem de volta do Egito2. Esta ligação com a Ordem deve ter transparecido tão fortemente que autores antigos, como o beneditino Iohannes Trithemius, considerava que o culto a São José na Igreja Latina teria sido levado para a Europa pelos eremitas Carmelitas quando emigraram para lá3. Esta convicção atualmente contestada, foi expressa também pelo papa Bento XIV que faz remontar a prática do culto litúrgico em honra a São José ao Carmelo4. 

O que temos certeza é que a devoção a São José no Carmelo foi desde o início marcada pelo culto litúrgico. Sucessivamente desenvolver-se-á até os nossos tempos uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento. 

Na verdade, é impossível dizer quando exatamente tiveram início as celebrações da festa de São José nas igrejas carmelitanas. Com toda probabilidade já durante o século XIV devia ser apenas difundido localmente. Porém no século XV a devoção a São José vemos difundida mais amplamente. Nos breviários e missais Carmelitanos da segunda metade do século XV, aparecem normalmente a missa e ofício próprios de São José e o carmelita flamingo Arnoldo Bostio (em 1476), testemunha que os Carmelitas celebram sua festa com culto solene5. Os historiadores e liturgistas consideram como o primeiro monumento na Igreja Latina em honra de São José a liturgia própria da Ordem Carmelitana. 

A liturgia antiga celebrava São José como o primeiro entre seus contemporâneos em Nazaré a ser escolhido pela divina Providência para esposo da Virgem, a fim de que o Filho de Deus pudesse entrar no mundo de forma honrada e escondida. Pregadores carmelitas afirmam: assim como Maria concebeu o Verbo no seu seio por obra do Espírito Santo, assim São José por obra do Espírito Santo concebeu na contemplação o Cristo na sua alma, tornando-se pai de Jesus sobre esta terra6. A liturgia celebrava também a união nupcial de José com a Virgem e o contemplava como protetor de sua virgindade e da vida do Filho de Deus encarnado. 

Com a sensibilidade típica do carisma contemplativo do Carmelo, a liturgia daquele tempo celebrava a pureza da Virgem e de São José em termos de disponibilidade a Deus, que torna possível a acolhida do mistério da Encarnação. Envolta nesta espiritualidade litúrgica, santa Maria Madalena de’ Pazzi considerará a proteção de São José uma consequência da virtude da pureza: “A pureza de São José encontra com aquela de Maria no paraíso, onde o reflexo do esplendor que fazem um ao outro, parece fazer com que a pureza de José faça aparecer a da Virgem ainda mais resplendente e gloriosa. São José está em meio a Jesus e Maria como uma estrela resplandecente e tem um cuidado particular do nosso mosteiro, porque nós estamos sob a custódia da Virgem Maria”7. 

São José é ainda apresentado na liturgia antiga do Carmelo como o esposo virginal de Maria, unido a ela com um matrimônio verdadeiro, no qual a sua autoridade de esposo, protetor e pai manifesta-se no total serviço a ela. Além disso São José é contemplado na sua obediência a Deus; Ele é o homem justo, o digno senhor da casa do seu Senhor a quem foi confiada a responsabilidade de dar o nome divino revelado pelo anjo ao Menino Jesus. Assim fazendo, São José é quem por primeiro proclama: no Menino de Nazaré Deus nos salva! 

Em síntese, na liturgia antiga da Ordem sob a figura de São José encontramos um compêndio da espiritualidade do Carmelo: 1) A puritas cordis que torna possível a visão de Deus; 2) a união com Maria; e 3) a fruição da vida mística apresentada em termos de concebimento e nascimento do Verbo Encarnado na alma pura. São José por isso é celebrado como o espelho da vida mística carmelitana em Deus. 


Santa Teresa e São José 

Herdeira de um culto intenso e da devoção josefina do Carmelo, Santa Teresa de Jesus ampliará esta tradição trazendo um grande proveito para todo o Carmelo e para a Igreja universal. É inegável que mais do que nenhum outro Teresa de Jesus fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo. 

O encontro com São José ocorreu num dos períodos mais difíceis de sua vida. Teresa está com cerca de 25 anos, sofreu uma longa e penosa enfermidade e as curas dos médicos da terra resultaram não só ineficazes, mas também prejudiciais: permaneceu paralisada e esgotada fisicamente e psicologicamente. Sente que não tem ajuda válida de ninguém que esteja a seu lado e é neste momento que impulsionada por uma intuição interior, apela a São José como seu “pai e senhor” (Vida 6, 6; 33, 12). De fato, ele se mostrará tal para com Teresa o resto de sua vida. Não existirá necessidade da qual ele não a libertará, exercitando para com ela e sua obra a função de custódio e protetor. 

Da sua experiência a devoção a São José tornar-se-á um traço distintivo da reforma teresiana, centrada na amizade com Jesus Cristo. Como José vigiou sobre Maria e Jesus, defendendo-os dos perigos externos e cuidando da casa, igualmente ele se compromete a vigiar sobre os Carmelos, que como a Família de Nazaré querem ser um lugar onde se acolhe a humanidade de Jesus e vive-se somente para ela e com ela. Por isso José não é somente o patrono, mas também o mestre daqueles que praticam a oração (Vida 6, 8): nenhum mais do que ele sabe como viver em intimidade com Jesus e Maria, tendo passado tantos anos com eles e tornado possível a existência mesma da Família de Nazaré. Não surpreende portanto, que dez dos quinze mosteiros fundados diretamente por Teresa sejam dedicados a São José! 

O santo é tão presente na atividade fundacional de Teresa, que em suas viagens ela leva sempre uma imagem de São José e recebe o título de “fundador do Carmelo teresiano”8. Evidentemente este apelativo deve ser entendido pela presença de São José na vida de Teresa e em sua atividade de fundadora dos Carmelos reformados. É certo, porém que ao lado da figura tradicional do santo Pai Elias coloca-se agora o Santo Pai José. Isto gerou uma incerteza sobre qual dos dois deveria ser considerado o principal patrono e fundador depois da Virgem Maria9. 

É significativo que Teresa, numa carta ao P. Gracián, a respeito do nome que os Carmelitas Descalços deveriam dar a um convento que estavam fundando em Salamanca, escreve: “Seria muito justo dar a este convento o nome de São José” (carta de 22 de maio de 1578); mas o convento será intitulado Santo Elias. O ano seguinte, em 1579, são João da Cruz deu o título a São José na fundação de Baeza. O Colégio de Baeza foi assim a primeira fundação carmelitana masculina dedicado a São José. O título perdurou somente dois anos: a partir de março de 1581 o colégio aparece sob o título do célebre padre da Igreja São Basílio. 

Isto significa que ainda existia naquele tempo muita incerteza sobre o papel que se deveria atribuir na Ordem ao carpinteiro de Nazaré. 25 anos mais tarde esta incerteza aparece definitivamente resolvida. Na Instrução aos noviços (1605) do P. João de Jesus Maria, a veneração a São José é precedida somente pelo culto à Virgem Maria e é seguida pela devoção aos santos profetas Elias e Eliseu, “fundadores da nossa Ordem” (Instrução aos noviços, III, cap. 4, 29-30). 


O patrocínio de São José 

Uma das opiniões características de Teresa é: enquanto os outros santos são destinados por Deus a socorrer em certas necessidades específicas, São José possui uma espécie de mandato universal e pode vir em ajuda de qualquer necessidade, tanto como ajuda material e espiritual (Vida 6, 6). Esta convicção é o fundamento da festa de São José tipicamente carmelitana, a do patrocínio. 

Já em 1628 o Capítulo Geral intermediário dos Carmelitas Descalços da Congregação Espanhola havia declarado São José “patrono principal” da Ordem. A iniciativa de celebrar a festa do patrocínio de São José deve-se ao Carmelita Descalço Juan de la Concepción (1625-1700), que antes fora Provincial da Província da Catalunha e depois Prepósito Geral da Congregação espanhola. Ele obtém do Capítulo Geral de 1679 a aprovação da festa do patrocínio de São José, cujos textos litúrgicos foram elaborados por outro Carmelita Descalço catalão, o P. Juan de San José (1642-1718). A Congregação dos Ritos, após uma verdadeira reelaboração dos textos por obra do card. G. Casanate, os aprovou no dia 6 de abril de 1680. A festa patrocínio ficou estabelecida para o terceiro domingo depois da Páscoa, dia em que normalmente eram convocados os Capítulos Gerais e provinciais.

Logo a festa passou também aos Carmelitas, cujo Capítulo Geral de 1680 havia declarado unanimemente São José protetor primário da Ordem dos Carmelitas e a festa era celebrada com o título ‘De Patrocinio S. Joseph Confessoris, Protectoris, et Patroni nostrae Religionis’.10 Já fazia tempo que se usavam os termos “protetor” e/ou “patrono” para designar São José. Rapidamente esta celebração estendeu-se a muitas Ordens e Congregações religiosas, até a proclamação do patrocínio sobre a Igreja universal. 

O contexto da proclamação e celebração litúrgica do patrocínio de São José sobre todo o Carmelo é o de grandes tribulações e provas, seja por questões internas, seja pelos acontecimentos e ataques provenientes das circunstâncias históricas, eclesiais e políticas. Naqueles tempos o Carmelo atravessava grandes dificuldades na busca de preservar a identidade e os valores próprios. Devemos notar que nos movimentos de renovamento no interior do Carmelo, encontramos uma proliferação de textos devocionais dirigidos a São José, como uma forma particular de manifestação de piedade afetiva, que aquece o coração e afervora a vida espiritual. Não são poucos os autores e pregadores Carmelitas que trabalham incansavelmente para propagar a devoção a São José e promover o seu patrocínio. Digno de menção é Rafael, o Bávaro, que publicou uma História de São José em 1723. O P. Rafael exorta àqueles que amam Jesus e Maria a amar quem pelos dois é amado11. O Mestre P. José Maria Sardi pode ser considerado como o grande propagador do patrocínio de São José, não somente na Ordem, mas também para os pais cristãos e outros, que encontram nele um modelo de santidade12. Não é sem sentido que São José seja invocado no Carmelo como educator optime e proposto como protetor e patrono, especialmente para aqueles que se sentem cansados, estacionados ou mesmo perdidos no seguimento a Cristo. 

A 10 de setembro de 1847, com o decreto da Congregação dos Ritos Inclytus Patriarcha Joseph, o papa Pio IX, em tempos de fortes tribulações, estendeu para toda a Igreja a festa do patrocínio de São José, a ser celebrada no terceiro domingo de Páscoa. Os textos litúrgicos para a Missa e o ofício foram adotados os que eram utilizados pelos Carmelitas, feitas algumas adaptações. Esta foi a primeira intervenção em favor do culto a São José por Pio IX, quando apenas havia passado um ano do início do seu pontificado, o qual foi caracterizado por uma grande devoção ao pai de Jesus. Por ocasião da convocação do Concilio Vaticano I, chegaram ao papa numerosos pedidos para que se aprimorasse ainda mais o culto a São José, particularmente com a proclamação de patrono da Igreja universal. O Concílio não chegou a atender tal pedido pois foi interrompido bruscamente em setembro de 1870. Assim, a 8 de dezembro do mesmo ano, Pio IX procedeu à solene proclamação com o decreto da Congregação dos Ritos Quemadmodum Deus. 

A festa do patrocínio de São José foi transferida em 1913 para a quarta-feira da terceira semana depois da Páscoa e em 1956 substituída pela memória de São José Operário no dia 1º de maio. No entanto, aos Carmelitas Descalços foi concedida com a aprovação do calendário litúrgico da Ordem em 1957 de continuar a celebrar a festa do patrocínio de São José “protetor e patrono da nossa Ordem”. 


São José patrono de todo o Carmelo 

A reforma litúrgica posterior ao Concilio Vaticano II trouxe, entre outras coisas, uma notável simplificação do calendário litúrgico. No calendário aprovado no dia 14 de fevereiro de 1969, o título “protetor da Igreja universal” desapareceu da festa principal de São José dia 19 de março. Naturalmente ele não foi abolido, mas considerou-se oportuno manter somente o título bíblico de “esposo da Virgem Maria”, deixando a cada conferência episcopal e às famílias religiosas a possibilidade de escolher outros apelativos. Seguindo a Instrução da Congregação do culto divino para os calendários particulares (29 de junho de 1969), a solenidade do patrocínio de São José foi abolida também do calendário do Carmelo Descalço. O Definitório Geral O.C.D. decidiu então transferir o título “protetor da nossa Ordem” para a solenidade de 19 de março. Analogamente, decidiu-se que a memória facultativa de São José operário fosse celebrada na Ordem toda13. 

Tais decisões parece que foram rapidamente esquecidas. Enquanto o título “protetor da Ordem” foi conservado nos textos litúrgicos dos Carmelitas da antiga observância, este desapareceu logo nos textos dos Carmelitas Descalços, não sendo incluído no calendário particular da Ordem nem na solenidade, nem na memória de São José. No entanto, as Constituições pós-conciliares de ambas as Ordens continuam referindo-se a São José como seu “protetor” (Const. O.Carm., 91; Const. O.C.D., 52). Nisso podemos reconhecer um importante elemento de unidade de toda a família carmelitana, que talvez não tenhamos valorizado suficientemente. 

O mundo de hoje 

Vivemos num período no qual a Igreja não pensa muito em defender-se de um inimigo externo, mas busca reconhecer sua missão de testemunhar autenticamente a verdade do Evangelho. Desta forma, num mundo que necessita da concreteza e do sentido do mistério14, num mundo no qual tendemos a fugir de vínculos e de relacionamentos e compromissos estáveis para fechar-se num estéril narcisismo, José nos indica o caminho da renúncia a nós mesmos, da responsabilidade quotidiana, do agir silencioso para que a família viva e cresça. 

Um pai de família busca cuidar das feridas de sua casa. O nosso patrono nos coloca diante da necessidade de sanar as feridas da humanidade e as feridas ao interno da Igreja mesma. Não existe Igreja, não existe Carmelo sem pessoas que esquecendo-se de si mesmas trabalham dia e noite para dar aos outros uma base segura na qual poder apoiar-se. Trabalhando na obscuridade, levando no coração as próprias ânsias e fadigas, muitas vezes sem ver os frutos nem entrever a meta, confiando somente Naquele do qual vem toda paternidade e desta toma nome (cfr. Ef 3,15). Pessoas assim poderão encontrar sempre em São José o seu patrono e modelo, o seu “pai e senhor”. 

A Palavra chegou a José em sonho, que podemos interpretar como a nossa oração, a interioridade. Poder-se-ia dizer que cada Carmelo é um lugar de sonhos: a oração é como um sonho que contém uma mensagem secreta. A comunidade carmelitana é um grupo de pessoas que sonham em fazer da própria casa uma nova Jerusalém; pessoas que partilham o sonho do profeta por um mundo melhor; pessoas que se deixam capturar cada dia pelo sonho da salvação! 

Escutando cada dia a Palavra de salvação nos configuramos com Cristo em sua obediência e sua vontade de servir, Ele que não veio para ser servido, mas para servir, Ele que encontrava numa criança pequena o exemplo de como devemos ser se desejamos entrar no reino de Deus. Os Carmelitas como São José, conhecem o sonho e mantém a luz da esperança, que brilha e aponta para aquele mundo novo prometido àqueles que estão atentos à Palavra de Deus, porque Deus fará novas todas as coisas. 

São José custodia o Carmelo, não somente porque o protege “das ciladas do Inimigo e de toda adversidade”15, mas porque o mantém firme em sua identidade simples e profunda. Com ser um homem justo nos indica a estrada, a percorre e indica a meta para a qual caminhar. Neste sentido, não há dúvida que o culto a São José não é somente uma devoção ou uma prática pia, mas um programa de vida que é parte do patrimônio carismático do Carmelo. 

Junto a Maria, José é o ícone do Evangelho no qual nós Carmelitas podemos ler e compreender o que quer dizer de verdade “viver em obséquio de Jesus Cristo”. Portanto e justamente, continuaremos a dirigir-nos a ele como nosso pai e patrono, mas também como amigo fiel e guia seguro para caminhar nos passos de Jesus. 

Enquanto o mundo busca enfrentar o Covid-19, nos unimos em oração pelos médicos e enfermeiros, pelos pesquisadores, pelos que caíram vítimas do vírus e pelas famílias que hoje choram a perda dos seus caros. Possa o nosso protetor José proteger também cada um de nós e que com o terno amor de Deus, difunda a sua proteção sobre todo o mundo. 

Fraternalmente no Carmelo, 


P. Míċeál O’Neill O.Carm. 
Prior Geral


P. Saverio Cannistrà O.C.D. 
Prepósito Geral


1 Papa Francisco, Homilia em Santa Marta, 19 de março de 2020. 

2 Estas lendas pias inspiraram obras de arte de grande importância, como por exemplo os quadros do fim do século XV, hoje no Dom Museum de Frankfurt. 

3 LEONE DI SAN GIOACCHINO, Il culto di São José e l’Ordine del Carmelo, Barcellona 1905, 48. Para a história de seu desenvolvimento, cfr. E.BOAGA, O.Carm., ‘Giuseppe, santo e sposo della B.V.M.’, in Dizionario Carmelitano, ed. E.BOAGA e L.BORRIELLO, Città Nuova, Roma 2008, 443-446. 

4 De servorum Dei beatificatione et beatorum canonizatione, I/iv, 11; I/xx, 17. 

5 Cfr. B. M. XIBERTA, O.Carm., Flores josefinas en la liturgia carmelitana antigua, “Estudios Josefinos” 18, 1963-1964, 301-319. 

6 CHRISTOVAL DE AVENDAÑO, Tomo primero sobre los evangelios de la quaresma, predicados en la corte de Madrid..., Sebastian y Iayme Matevad, Barcelona 1630, 158-159. 

7 SANTA MARIA MADDALENA DE PAZZI, ‘Vigesimo secondo colloquio’, in I Colloqui: Tutte le opere... dai manoscritti originali a cura di C. Catena, Nardoni, Firenze 1961, 237-238. 

8 O P. Gracián, numa passagem famosa de sua obra Josefina (1597), chega a afirmar que “[aqueles que professam a regra dos Carmelitas Descalços] reconhecem como fundador desta reforma o glorioso são José, tendo-a fundada a madre Teresa, por meio da devoção a ele, assim como a Ordem do Carmelo reconhece como fundadora a Santíssima Virgem Maria, a devoção da qual o profeta Elias deu início à vida religiosa dos profetas no Monte Carmelo” (l. V, cap. 4; ed. Silverio, 476). 


9 Cfr. FORTUNATO DE JESÚS SACRAMENTADO, O.C.D., San José en el Carmen Descalzo español en su primer siglo, “Estudios Josefinos” 18, 1963-1964, 367. 

10 Veja-se por exemplo: Missale Fratrum Ordinis Beatissimae Virginis Mariae de Monte Carmelo, Roma 1759, 350. 

11 RAFFAELE MARIA BAVARO, Istoria di San Giuseppe, Antonio Abri, Napoli, 1723, 612; Vita di San Giuseppe o sia Ristretto della sua Istoria ed Esercizi di Devozione per fruttuosamente venerare il medesimo Santo..., Antonio Abri, Napoli 1724. 

12 GIUSEPPE MARIA SARDI (Veneto), ‘Discorso sopra il Padrocinio di san Giuseppe Sposo di Maria’, in Sermoni, Lorenzo Rivan Monti, Venezia 1742, 213-221. 

13 Cfr. ‘Normae de calendario liturgico O.C.D. pro anno 1970’ (aprovadas na sessão 128 do Definitorio Geral, 18 de julho de 1969), in Ordo Divini Officii recitandi missaeque celebrandae iuxta calendarium romanum ac proprium Carmelitarum Discalceatorum […] pro anno Domini 1970, [Casa generalizia O.C.D.] 1969, 29-32. 

14 Papa Francisco, Homilia em Santa Marta, 19 de março de 2020. 

15 Oração a São José, de Leão XIII no fim da encíclica Quamquam pluries. 

DECRETO DAS INDULGÊNCIAS - ANO DE SÃO JOSÉ

O dom das indulgências especiais é concedido por ocasião do Ano de São José, convocado pelo Papa Francisco para celebrar o 150º aniversário da proclamação de São José como Padroeiro da Igreja universal


O dom das indulgências especiais é concedido por ocasião do Ano de São José, convocado pelo Papa Francisco para celebrar o 150º aniversário da proclamação de São José como patrono da Igreja universal.

Hoje marca o 150º aniversário do decreto Quemadmodum Deus, pelo qual o Beato Pio IX, comovido pelas circunstâncias graves e lamentosas em que uma Igreja foi hostilizada pela hostilidade dos homens, declarou São José o Padroeiro da Igreja Católica .

Para perpetuar a dedicação de toda a Igreja ao poderoso mecenato do Custodiante de Jesus, o Papa Francisco estabeleceu que, a partir de hoje, o aniversário do decreto de proclamação, bem como o dia consagrado à Virgem Imaculada e esposa do casto José, até aos 8 Celebra-se em dezembro de 2021, um ano especial de São José, no qual cada fiel, seguindo o seu exemplo, pode fortalecer diariamente sua vida de fé na plena realização da vontade de Deus.

Todos os fiéis terão assim a oportunidade de se comprometer, com orações e boas obras, a obter, com a ajuda de São José, chefe da celeste Família de Nazaré, consolo e alívio das graves tribulações humanas e sociais que afligem o mundo contemporâneo.

A devoção ao Custodiante do Redentor desenvolveu-se amplamente ao longo da história da Igreja, que não só lhe atribui um dos mais elevados culto depois do da Mãe de Deus, sua esposa, mas também lhe concedeu muitos patrocínios.

O Magistério da Igreja continua a descobrir velhas e novas grandezas neste tesouro que é São José, como o pai do Evangelho de Mateus "que tira do seu tesouro coisas novas e velhas" (Mt 13,52).

De grande proveito para a perfeita realização do fim almejado será o presente das Indulgências que a Penitenciária Apostólica, por meio deste decreto emitido de acordo com a vontade do Papa Francisco, graciosamente concede durante o Ano de São José.

A indulgência plenária é concedida nas condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre) aos fiéis que, com o espírito desapegado de qualquer pecado, participem do Ano de São José nas ocasiões e da maneira. indicado por esta Penitenciária Apostólica.

- para. São José, autêntico homem de fé, convida-nos a redescobrir a nossa relação filial com o Pai, a renovar a nossa fidelidade à oração, a escutar e responder com profundo discernimento à vontade de Deus. A Indulgência plenária é concedida a quem medite por pelo menos 30 minutos sobre o Pai Nosso, ou que participe de um retiro espiritual de pelo menos um dia que inclua uma meditação sobre São José;

- b. O Evangelho atribui a São José o título de "homem justo" (cf. Mt 1,19): ele, guardião do "segredo íntimo que se encontra no fundo do coração e da alma" [1] , depositário do mistério de Deus e, portanto, patrono ideal do foro interno, ele nos incita a redescobrir o valor do silêncio, da prudência e da lealdade no cumprimento de nossos deveres. A virtude da justiça praticada de forma exemplar por José é a plena adesão à lei divina, que é a lei da misericórdia, “porque é precisamente a misericórdia de Deus que faz fruir a verdadeira justiça” [2] . Portanto, aqueles que, a exemplo de São José, realizam um trabalho de misericórdia corporal ou espiritual, também poderão obter o dom da Indulgência plenária;

- c. O aspecto principal da vocação de José era ser guardião da Sagrada Família de Nazaré, marido da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai legal de Jesus. Para que todas as famílias cristãs sejam encorajadas a recriar o mesmo ambiente de íntima comunhão, amor e oração vivido na Sagrada Família, a Indulgência Plenária é concedida para a recitação do Santo Rosário nas famílias e entre os noivos.

- d. No dia 1º de maio de 1955, o Servo de Deus Pio XII instituiu a festa de São José Operário, “com o propósito de que todos reconheçam a dignidade do trabalho e que este inspire a vida social e as leis fundadas na distribuição eqüitativa dos direitos. e deveres ”. [3] Portanto, todos aqueles que diariamente confiam seu trabalho à proteção de São José e todos os fiéis que invocam com sua oração a intercessão do trabalhador de Nazaré, para que possam obter a indulgência plenária. quem procura trabalho encontre-o e o trabalho de todos é mais digno.

- e. A fuga da Sagrada Família para o Egipto «mostra-nos que Deus está onde o homem corre perigo, onde o homem sofre, onde foge, onde experimenta rejeição e abandono» [4] . A indulgência plenária é concedida ao fiéis que rezam a ladainha de São José (pela tradição latina), ou o Akathistos a São José, na íntegra ou pelo menos em parte (pela tradição bizantina), ou alguma outra oração a São José, típica da outras tradições litúrgicas, em favor da Igreja perseguida ad intra e ad extra e para o alívio de todos os cristãos que sofrem todas as formas de perseguição.

Santa Teresa d'Ávila reconheceu em São José o protetor de todas as circunstâncias da vida: “Parece aos outros que o Senhor lhes deu graça para ajudar em uma necessidade; tenho a experiência deste glorioso Santo que ajuda em todos” [5] . Mais recentemente, São João Paulo II reiterou que a figura de São José adquire "uma renovada relevância para a Igreja de nosso tempo, em relação ao novo milênio cristão" [6] .

Para reafirmar a universalidade do padroado da Igreja por São José, além das citadas ocasiões, a Penitenciária Apostólica concede indulgência plenária aos fiéis que rezem qualquer oração legalmente aprovada ou ato de piedade em homenagem a São José, por exemplo "A ti", ó beato José ", especialmente nos dias 19 de março e 1 de maio, festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, o Domingo de São José (segundo a tradição bizantina), o 19 de todos os meses e todas as quartas-feiras, um dia dedicado à memória do Santo segundo a tradição latina.

No actual contexto de emergência sanitária, o dom da indulgência plenária estende-se particularmente aos idosos, aos enfermos, aos moribundos e a todos aqueles que por motivos legítimos não podem sair de casa, que, com o espírito desapegado de qualquer pecado e com o intuito de cumprir, o mais cedo possível, as três condições habituais, na sua própria casa ou onde quer que o impedimento o prenda, reze um acto de piedade em honra de São José, consolação dos enfermos e patrono do bem morte, oferecendo com confiança a Deus as dores e as dificuldades da sua vida.

Para que a realização da graça divina pelo poder das Chaves seja facilitada pastoralmente, esta Penitenciária implora fervorosamente que todos os sacerdotes com as faculdades apropriadas se ofereçam de boa vontade e generosamente para a celebração do Sacramento da Penitência e administrem a A Sagrada Comunhão aos enfermos com freqüência.

Este decreto é válido para o Ano de São José, sem prejuízo de disposição em contrário.

Dado em Roma, pela Sede da Penitenciária Apostólica, aos 8 de dezembro de 2020.

Mauro Card. Maior da penitenciária de Piacenza


Krzysztof Nykiel
Regent

L. + S.

Prot. No. 866/20 / I

[1] Pio XI, Discurso por ocasião da proclamação das virtudes heróicas da Serva de Deus Emilia de Vialar in " L'Osservatore Romano ", ano LXXV, n.67, março de 1935.

[2] Francis, Audiência Geral (3 de fevereiro de 2016)[3] Pio XII, Discurso por ocasião da Solenidade de São José Operário, ( 1 de maio de 1955) em Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santitá Pio XII, XVII 71-76.

[4] Francisco, Angelus (29 de dezembro de 2013)

[5] Teresa de Ávila, Livro da Vida, VI, 6.

[6] João Paulo II, Exortação Apostólica Redemptoris Custos , sobre a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja (15 de agosto de 1989).




Fonte: https://www.vatican.va/roman_curia/tribunals/apost_penit/documents/rc_trib_appen_pro_20201208_decreto-indulgenze-sangiuseppe_sp.html#

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE DO PAPA FRANCISCO

A Santa Sé 

CARTA APOSTÓLICA 

PATRIS CORDE 

DO PAPA FRANCISCO 

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ 

COMO PADROEIRO UNIVESAL DA IGREJA 




Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José».[1] 

Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o género de pai que era e a missão que a Providência lhe confiou. 

Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um «homem justo» (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39) e através de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer num estábulo, «por não haver lugar para eles» (Lc 2, 7) noutro sítio. Foi testemunha da adoração dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pagãos. 

Teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: dar-Lhe-ás «o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significava conseguir um título de pertença, como fez Adão na narração do Génesis (cf. 2, 19-20). 

No Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – juntamente com a mãe – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e Maria (cf. Lc 2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf. Mt 2, 13- 18). Regressado à pátria, viveu no recôndito da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia – donde (dizia-se) «não sairá nenhum profeta» (Jo 7, 52), nem «poderá vir alguma coisa boa» (Jo 1, 46) –, longe de Belém, a sua cidade natal, e de Jerusalém, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (tinha ele doze anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontrá-Lo três dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-50). 

Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: o Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica»,[2] o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»;[3] e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor».[4] O povo invoca-o como «padroeiro da boa morte».[5] 

Assim ao completarem-se 150 anos da sua declaração como Padroeiro da Igreja Católica, feita pelo Beato Pio IX a 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar «a boca – como diz Jesus – falar da abundância do coração» (Mt 12, 34), para partilhar convosco algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. Tal desejo foi crescendo ao longo destes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que «as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. (…) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos».[6] Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida 

– um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão. 


1. Pai amado 

A grandeza de São José consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Como tal, afirma São João Crisóstomo, «colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico».[7] 

São Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da encarnação e à conjunta missão redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Família para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua vocação humana ao amor doméstico na oblação sobre-humana de si mesmo, do seu coração e de todas as capacidades no amor colocado ao serviço do Messias nascido na sua casa».[8] 

Por este seu papel na história da salvação, São José é um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, como prova o facto de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, há séculos, se realizarem em sua honra várias representações sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de Ávila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a São José e recebendo todas as graças que lhe pedia; animada pela própria experiência, a Santa persuadia os outros a serem igualmente devotos dele.[9] 

Em todo o manual de orações, há sempre alguma a São José. São-lhe dirigidas invocações especiais todas as quartas-feiras e, de forma particular, durante o mês de março inteiro, tradicionalmente dedicado a ele.[10] 

A confiança do povo em São José está contida na expressão «ite ad Joseph», que faz referência ao período de carestia no Egito, quando o povo pedia pão ao Faraó e ele respondia: «Ide ter com José; fazei o que ele vos disser» (Gn 41, 55). Tratava-se de José, filho de Jacob, que acabara vendido, vítima da inveja dos seus irmãos (cf. Gn 37, 11-28); e posteriormente – segundo a narração bíblica – tornou-se vice-rei do Egito (cf. Gn 41, 41-44). 

Enquanto descendente de David (cf. Mt 1, 16.20), de cuja raiz deveria nascer Jesus segundo a promessa feita ao rei pelo profeta Natan (cf. 2 Sam 7), e como esposo de Maria de Nazaré, São José constitui a dobradiça que une o Antigo e o Novo Testamento. 


2. Pai na ternura 

Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava- se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4). 

Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor  Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13). 

Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura,[11] que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9). 

A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a São Paulo dizer: «Para que não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir, a fim de que não me orgulhasse. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza”» (2 Cor 12, 7- 9). 

Se esta é a perspetiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.[12] 

O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um juízo negativo, ao passo que o Espírito trá-la à luz com ternura. A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10). Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura. Paradoxalmente, também o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, é para nos condenar. Entretanto nós sabemos que a Verdade vinda de Deus não nos condena, mas acolhe- nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24). 

A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe. 


3. Pai na obediência 

De forma análoga a quanto fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, também revelou a José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua vontade.[13] 

José sente uma angústia imensa com a gravidez incompreensível de Maria: mas não quer «difamá-la»,[14] e decide «deixá-la secretamente» (Mt 1, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a resolver o seu grave dilema: «Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). A sua resposta foi imediata: «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo» (Mt 1, 24). Com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria. 

No segundo sonho, o anjo dá esta ordem a José: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt 2, 13). José não hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades que encontraria: «E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15). 

No Egito, com confiança e paciência, José esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu país. Logo que o mensageiro divino, num terceiro sonho – depois de o informar que tinham morrido aqueles que procuravam matar o menino –, lhe ordena que se levante, tome consigo o menino e sua mãe e regresse à terra de Israel (cf. Mt 2, 19-20), de novo obedece sem hesitar: 

«Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel» (Mt 2, 21). 

Durante a viagem de regresso, porém, «tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Então advertido em sonhos – e é a quarta vez que acontece – retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré» (Mt 2, 22-23). 

Por sua vez, o evangelista Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém, devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Império, como todos os outros meninos. 

São Lucas, de modo particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescrições da Lei: os ritos da circuncisão de Jesus, da purificação de Maria depois do parto, da oferta do primogénito a Deus (cf. 2, 21-24).[15] 

Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat», como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani. 

Na sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf. Ex 20, 12). 

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua,[16] fazendo- Se «obediente até à morte (…) de cruz» (Flp 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por aquilo que sofreu» (5, 8). 

Vê-se, a partir de todas estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».[17] 

4. Pai no acolhimento 

José acolhe Maria, sem colocar condições prévias. Confia nas palavras do anjo. «Anobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento».[18] 

Na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado não entendemos. E a nossa primeira reação, frequentemente, é de desilusão e revolta. Diversamente, José deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história. Se não nos reconciliarmos com a nossa história, não conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre reféns das nossas expectativas e consequentes desilusões. 

A vida espiritual que José nos mostra, não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Só a partir deste acolhimento, desta reconciliação, é possível intuir também uma história mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe está a acontecer, responde: «Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?» (Job 2, 10). 

José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor nos pode dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões. 

A vinda de Jesus ao nosso meio é um dom do Pai, para que cada um se reconcilie com a carne da sua história, mesmo quando não a compreende totalmente. 

O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!» É necessário deixar de lado a ira e a desilusão para 

– movidos não por qualquer resignação mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperança – dar lugar àquilo que não escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de nós pode recomeçar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E não importa se tudo parece ter tomado já uma direção errada, e se algumas coisas já são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso coração nos censure de qualquer coisa, Ele «é maior que o nosso coração e conhece tudo» (1 Jo 3, 20). 

Reaparece aqui o realismo cristão, que não deita fora nada do que existe. A realidade, na sua misteriosa persistência e complexidade, é portadora dum sentido da existência com as suas luzes e sombras. É isto que leva o apóstolo Paulo a dizer: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). E Santo Agostinho acrescenta: tudo, «incluindo aquilo que é chamado mal».[19] Nesta perspetiva global, a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes. 

Assim, longe de nós pensar que crer signifique encontrar fáceis soluções consoladoras. Antes, pelo contrário, a fé que Cristo nos ensinou é a que vemos em São José, que não procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso. 

O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27), é «pai dos órfãos e defensor das viúvas» (Sal 68, 6) e manda amar o forasteiro.[20] Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32). 

5. Pai com coragem criativa 

Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo àquilo que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra caraterística importante: a coragem criativa. Esta vem ao de cima sobretudo quando se encontram dificuldades. Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo. Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter. 

Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância», apetece-nos perguntar por que motivo Deus não interveio de forma direta e clara. Porque Deus intervém por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14). 

Numa leitura superficial destas narrações, a impressão que se tem é a de que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, não obstante a arrogância e a violência dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência. 

Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar. 

Trata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paralítico que, desejando levá-lo à presença de Jesus, fizeram-no descer pelo teto (cf. Lc 5, 17-26). A dificuldade não deteve a audácia e obstinação daqueles amigos. Estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, «não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao teto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. Vendo a fé daqueles homens, disse: “Homem, os teus pecados estão perdoados”» (5, 19-20). Jesus reconhece a fé criativa com que aqueles homens procuram trazer-Lhe o seu amigo doente. 

O Evangelho não dá informações relativas ao tempo que Maria, José e o Menino permaneceram no Egito. Mas certamente tiveram de comer, encontrar uma casa, um emprego. Não é preciso muita imaginação para colmatar o silêncio do Evangelho a tal respeito. A Sagrada Família teve que enfrentar problemas concretos, como todas as outras famílias, como muitos dos nossos irmãos migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Neste sentido, creio que São José seja verdadeiramente um padroeiro especial para quantos têm que deixar a sua terra por causa das guerras, do ódio, da perseguição e da miséria. 

No fim de cada acontecimento que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou (cf. Mt 1, 24; 2, 14.21). Com efeito, Jesus e Maria, sua mãe, são o tesouro mais precioso da nossa fé.[21] 

No plano da salvação, o Filho não pode ser separado da Mãe, d’Aquela que «avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz».[22] 

Sempre nos devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas forças Jesus e Maria, que misteriosamente estão confiados à nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, à nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José aquele que não só Lhe quer salvar a vida, mas sempre A sustentará a Ela e ao Menino. Neste sentido, São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história e ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria.[23] José, continuando a proteger a Igreja, continua a proteger o Menino e sua mãe; e também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua mãe. 

Este Menino é Aquele que dirá: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Assim, todo o necessitado, pobre, atribulado, moribundo, forasteiro, recluso, doente são «o Menino» que José continua a guardar. Por isso mesmo, São José é invocado como protetor dos miseráveis, necessitados, exilados, aflitos, pobres, moribundos. E pela mesma razão a Igreja não pode deixar de amar em primeiro lugar os últimos, porque Jesus conferiu-lhes a preferência ao identificar-Se pessoalmente com eles. De José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua mãe. 

6. Pai trabalhador 

Um aspeto que carateriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho. 

Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo. 

O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. 

Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos por que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento? 

A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. 

Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho! 

7. Pai na sombra 

O escritor polaco Jan Dobraczyński, no seu livro A Sombra do Pai,[24] narrou a vida de São José em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de José, que é, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele. Lembra o que Moisés dizia a Israel: «Neste deserto (…) vistes o Senhor, vosso Deus, conduzir-vos como um pai conduz o seu filho, durante toda a caminhada que fizeste até chegar a este lugar» (Dt 1, 31). Assim José exerceu a paternidade durante toda a sua vida.[25] 

Não se nasce pai, torna-se tal... E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito. 

Na sociedade atual, muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai. A própria Igreja de hoje precisa de pais. Continua atual a advertência dirigida por São Paulo aos Coríntios: «Ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais» (1 Cor 4, 15); e cada sacerdote ou bispo deveria poder acrescentar como o Apóstolo: «Fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho» (4, 15). E aos Gálatas diz: «Meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós!» (Gl 4, 19). 

Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradição, referindo-se a José, ao lado do apelido de pai colocou também o de «castíssimo». Não se trata duma indicação meramente afetiva, mas é a síntese duma atitude que exprime o contrário da posse. A castidade é a liberdade da posse em todos os campos da vida. 

Um amor só é verdadeiramente tal, quando é casto. O amor que quer possuir, acaba sempre por se tornar perigoso: prende, sufoca, torna infeliz. O próprio Deus amou o homem com amor casto, deixando-o livre inclusive de errar e opor-se a Ele. A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade, e José soube amar de maneira extraordinariamente livre. Nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida. 

A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança. O seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança. O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição. Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração. 

A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou «inútil», quando vê que o filho se torna autónomo e caminha sozinho pelas sendas da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que aquele Menino não era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados. No fundo, é isto mesmo que dá a entender Jesus quando afirma: «Na terra, a ninguém chameis “Pai”, porque um só é o vosso “Pai”, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9). 

Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar- nos que nunca é exercício de posse, mas «sinal» que remete para uma paternidade mais alta. 

Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que «faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 45); e sombra que acompanha o Filho. 

* * * 

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José. 

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo. 

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão[26] e Moisés,[27] como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34). 

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado».[28] A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho. 

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16).[29] O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente. 

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!»[30] 

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão. Dirijamos-lhe a nossa oração: 

Salve, guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria! 

A vós, Deus confiou o seu Filho; 

em vós, Maria depositou a sua confiança; convosco, Cristo tornou-Se homem. 

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós e guiai-nos no caminho da vida. 

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem, e defendei-nos de todo o mal. Amém. 


Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado. 


Francisco 

[1] Lucas4, 22; João 6, 42; cf. Mateus 13, 55; Marcos 6, 3. 

[2] Sacra Congr. dos Ritos, Quemadmodum Deus (8 de dezembro de 1870): ASS 6 (1870-71), 194. 

[3] Cf. Discurso às Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (ACLI) por ocasião da Solenidade de São José Operário (1 de maio de 1955): AAS 47 (1955), 406. 

[4] Cf. Exort. ap. Redemptoris custos (15 de agosto de 1989): AAS 82 (1990), 5-34. 


[6] Francisco, Meditação em tempo de pandemia (27 de março de 2020): L’Osservatore Romano (29/III/2020), 10. 

[7] Homiliæ in Matthæum, V, 3: PG 57, 58. 

[8] Homilia (19 de março de 1966): Insegnamenti di Paolo VI, IV (1966), 110. 

[9] Cf. Livro da Vida, 6, 6-8. 

[10]Todos os dias, há mais de quarenta anos, depois das Laudes, recito uma oração a São José tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria, que expressa devoção, confiança e um certo desafio a São José: «Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que Vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amen». 

[11] Cf. Deuteronómio4, 31; Salmo 69, 17; 78, 38; 86, 5; 111, 4; 116, 5; Jeremias 31, 20. 

[12] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 88; 288: AAS 105 (2013) 1057; 1136-1137. 

[13] Cf. Génesis 20, 3; 28, 12; 31, 11.24; 40, 8; 41, 1-32; Números 12, 6; I Samuel 3, 3-10; Daniel 2; 4; Job 33, 15. 

[14] Também nestes casos, estava prevista a lapidação (cf. Deuteronómio 22, 20-21). 

[15] Cf. Levítico 12, 1-8; Êxodo 13, 2. 

[16] Cf. Mateus 26, 39; Marcos 14, 36; Lucas 22, 42. 

[17] São João Paulo II, Exort. ap.Redemptoris custos (15 de agosto de 1989), 8: AAS 82 (1990), 14. 

[18] Francisco, Homilia na Santa Missa com Beatificações (Villavicencio – Colômbia, 8 de setembro de 2017): AAS 109 (2017), 1061. 

[19] «… etiam illud quod malum dicitur», in Enchiridion de fide, spe et caritate, 3.11: PL 40, 236. 

[20] Cf. Deuteronómio 10, 19; Êxodo 22, 20-22; Lucas 10, 29-37. 

[21] Cf.Sacra Congr. dos Ritos, Quemadmodum Deus (8 de dezembro de 1870): ASS 6 (1870- 71), 193; Beato Pio IX, Carta ap. Inclytum Patriarcham (7 de julho de 1871): ASS 6 (1870-71), 324-327. 

[22] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 58. 

[23] Cf. Catecismo da Igreja Católica, 963-970. 

[24] Edição original: Cień Ojca (Varsóvia 1977). 

[25] Cf. São João Paulo II, Exort. ap. Redemptoris custos (15 de agosto de 1989), 7-8: AAS 82 (1990), 12-16. 

[26] Cf. Génesis 18, 23-32. 

[27] Cf. Êxodo17, 8-13; 32, 30-35. 

[28] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 42. 

[29] Cf. I Coríntios 11, 1; Filipenses 3, 17; I Tessalonicenses 1, 6. 

[30] Confissões, 8,11,17; 10,27,38: PL 32, 761; 795.

 

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