sexta-feira, 26 de março de 2021

Pão Cristo

 Frei Pierino Orlandine, ocd



Os homens,

caminham pelo mundo

cansados, lembrando Emaús...!,   

entristecidos,

sem sonhos, decepcionados,

sem norte, sem direção.

Sem ressurreição.

“Nós esperávamos...! Mas, nada...! ”

“O que aconteceu? ”. Os homens, também hoje, não sabem.

Roubaram-lhes a esperança.

Roubaram-lhe a vida,

roubaram-lhes Cristo, Verdade, Ressurreição e Vida.

E não o encontrarão nos livros,

nem nos espaços etéreos.

Mas Ele, O VIVENTE, se deixa encontrar de bom gosto.

Nos irmãos e na mesa bem posta.

É seu intento.

No gesto reconhecido de benção,

o gesto do pão partido, repartido

que une os homens perdidos,

 no sacramento de amor, da vida e do altar,

no Pão, seu Corpo,

nos outros corpos humanos,  carne de Cristo.

É o meu pão e o nosso pão.

 Este nosso pão se transforma,

Transubstancia-se no seu Corpo, no seu sangue,

sacramentados pelo pão repartido e doado.



Mistério de real comunhão. É o Pão sacramento. É Vida prefigurada, transfigurada, realmente participada. É Cristo, nova e eterna Aliança, no pão partido e partilhado, comungado.

 

 

 

 

 

 

sábado, 20 de março de 2021

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A oração de São José

 A oração de São José

 (tradução do italiano por frei Pierino)


São José – como todos sabemos – em todos os Evangelhos não diz uma palavra sequer. Podemos, porém, imaginar sua oração e, com um pouco de fantasia, interpretar o dialogo dele com Deus. 

Talvez São José rezasse assim:


“Chegará outra noite, ó Deus,

E talvez outro sonho, ou uma visão,

E tu me pedirás de fugir longe, 

Ou de voltar para casa,

Ou de permanecer ali onde estou,

Porque assim te apraz.


Despertarei ao raiar da aurora, como sempre,

E farei como me dizes, tu o sabes.

O doce peso da Mãe e do Menino

Carregarei sobre meu coração enamorado,

E será novamente como tu queres,

Amanhã e depois de amanhã,

Ano atrás de ano,

Até a última curva da estrada.


Dir-te-ei ainda SIM, sem palavras,

Dir-te-ei SIM com um olhar.

E cantarei feliz, sem voz,

Com o coração que explode de alegria.


Davide Caldirola

sexta-feira, 19 de março de 2021

Carta de Frei Alzinir Debastiani - Dia de São José - 2021

SÃO JOSÉ E O ANO DA FAMÍLIA AMORIS LAETITIA
19 DE MARÇO DE 2021 - 26 DE JUNHO DE 2022 


Caros irmãos/ãs da OCDS, Este ano, na festa de São José, recordamos os 5 anos de publicação da exortação apostólica Amoris laetitia, sobre a beleza e a alegria do amor familiar; neste mesmo dia iniciamos o Ano da Família Amoris laetitia anunciado pelo Papa Francisco, que se encerrará dia 26 de junho de 2022 com o X Encontro da Famílias em Roma. Este é também um ano em que estamos vivendo uma situação muito particular em todo o mundo, por causa da pandemia do Covid 19, com as suas inúmeras consequências na sociedade e na Igreja. Em particular, é nas famílias que o drama se vive mais de perto, muitas vezes agravado pela perda de entes queridos, pelas dificuldades de trabalho e econômicas. E perante a todo este sofrimento, é mais importante do que nunca olhar no testemunho de fé de nossos Pais e Mães na fé, encontrando neste testemunho a força e a coragem para viver a vida quotidiana na confiança em Deus ... Por isso, gostaria de recordar, na proximidade da festa de São José, algumas de suas atitudes nos ajudem a viver os inúmeros desafios de hoje, enfrentando-os com firme confiança em Deus, no dom de nós mesmos, como São José, que viveu num “silêncio persistente [que] não contempla reclamações, mas gestos concretos de confiança” (Patris corde 7). Sabemos que José passou por momentos difíceis em sua vida, como quando pensou em deixar Maria em segredo (Mt 1,19), assim que soube de sua gravidez. Mas sendo um "homem justo" que medita na lei do Senhor (Sl 1), reconheceu o desígnio do Pai e que o que aconteceu à sua amada Esposa foi "obra do Espírito Santo" (Mt 1,18,20). Então ele a recebe em sua casa, cuidando dela e do Menino. Mas pensemos ainda quando, atento aos acontecimentos ao seu redor, José vê que a violência de Herodes ameaça a vida de Nossa Senhora e do Menino Jesus e avisado pelo anjo, foge para o Egito, salvando assim suas vidas. Ou pensemos como viveu o árduo trabalho de sustentá-los ... Estes são apenas alguns dos acontecimentos da sua vida, como companheiro e peregrino na fé com Maria (cf. LG 58) que nos inspiram a viver a nossa fé hoje no amor providente do Pai. Como José, sabemos que Deus conduz a história por caminhos muitas vezes incompreensíveis para nós. E ainda mais, José sabe que a missão de Maria e sua própria missão são únicas na história. Assim colabora docilmente com os desígnios de Deus, oferecendo a seu serviço, a sua pessoa e as suas capacidades a este plano divino. Com esta atitude, São José testemunha-nos que “ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele também pode agir através dos nossos medos, das nossas fragilidades, das nossas fraquezas. E nos ensina que, em meio às tormentas da vida, não devemos ter medo de deixar o leme do nosso barco nas mãos de Deus” (Patris corde 2).
Nestes tempos de tribulação, ao celebrar a festa de São José no Ano Josefino e viver o Ano da família Amoris Laetitia, é importante lembrar que José junto com Maria, na Sagrada Família de Nazaré, tal como aparece no Evangelho é um “homem justo, trabalhador, forte”; nele vemos também «uma grande ternura, que não é própria dos fracos, mas dos verdadeiramente fortes, atentos à realidade para amar e servir com humildade» (Laudato si' 242). Ele inspira especialmente as famílias a enfrentar os desafios atuais com aquele coração de pai, atento, trabalhador, silencioso, pronto a obedecer aos planos do Pai celeste e a executá-los com criatividade corajosa. Também nós o podemos fazer nossa parte hoje, se e como ele cultivarmos o silêncio interior que nos permite escutar a voz de Deus na sua Palavra, para estar assim atentos aos outros que vivem à nossa volta, acolhendo-os como um dom de Deus e agir com criatividade, como nos lembra o Papa Francisco na Patris corde, à luz da paternidade criativa de São José (n. 5): “às vezes são precisamente as dificuldades que tiram de cada um de nós recursos que nunca pensamos de ter” . O segredo? Confiança no amor fiel e misericordioso do Pai celeste e uma vida em proximidade com Jesus, Maria e José. Na sua companhia, como nos ensinou Santa Madre Teresa de Jesus, encontraremos a força e a coragem para viver com fidelidade a nossa vocação e missão hoje! Desejando-vos uma feliz festa de São José, peço a sua intercessão e a da sua Santíssima Esposa por todos vós e pelos vossos entes queridos. 


Fraternalmente, 

Fr. Alzinir Francisco Debastiani OCD.
Roma, 12 de março de 2021 - 399º aniversário da canonização da Santa Madre Teresa. 

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA

 


ANO SANTO DE SÃO JOSÉ (2020-2021)
É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo!
História de São José no Carmelo

“Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José». Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo”. (PP. Francisco, Patris Corde) “A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento”. (Carta à família Carmelitana)

É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo! Neste dia da Solenidade de São José, com alegria e louvor a Deus, queremos agradecer por nos ter concedido tão casto patrono e intercessor, celebrando com fé e amor, esperança e unidade o Ano Santo a ele dedicado. O Papa Francisco partilhou conosco da “abundância do seu coração” (Mt 12,34), “algumas reflexões pessoais” sobre a figura extraordinária de São José, que se apresenta sempre “tão próxima da condição humana de cada um de nós”, através de sua Carta Apostólica (08/12/2020). Sabemos que “a grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. E, que “para os Carmelitas o interesse pela figura de São José foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem... Devoção que no Carmelo remonta ao início de sua história, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística”.

Nossa proposta aqui será analisarmos a História de São José no Carmelo, tomando por base a Carta dos Superiores à Família Carmelitana em 2020, e avançando nos detalhes, auxiliados obviamente pelas imperativas e interpelativas palavras da Santa Madre Teresa de Jesus, para assim darmos força e empenho à nossa devoção ao Glorioso pai e patrono do Carmelo, que ao lado da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, Irmã e Rainha, honra e bendiz ao seu Divino Filho, e intercede por nós. 

Autores antigos consideraram que o culto a São José na Igreja América Latina teria originado dos eremitas Carmelitas que para cá imigraram. Esta convicção atualmente contestada, foi expressa também pelo papa Bento XIV que faz  remontar a prática do culto litúrgico em honra a São José ao Carmelo.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ COMPROVADA NA LITURGIA CARMELITA

SÉCULOS XIV E XV

"Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe presta particulares favores, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque aproveita de grande modo às almas que a ele se encomendam". (Vida 6,7) 



A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento. Sem uma precisão exata do início das celebrações da festa de São José nas igrejas carmelitanas, apenas a probabilidade de já serem celebradas durante o século XIV, ainda que em caráter local. Sabe-se que já no século XV a devoção de São José já estava mais difundida. Inclusive, se tem notícias de que nos breviários e Missais Carmelitanos da segunda metade do século XV, aparecem normalmente a Missa e Ofício próprios de São José e o carmelita flamingo Arnoldo Bostio (em 1476) - testemunhando que os Carmelitas celebram sua festa com culto solene.

Os historiadores e liturgistas consideram como o primeiro monumento na Igreja Latina em honra de São José a liturgia própria da Ordem Carmelitana. A liturgia antiga celebrava São José como:

São José, o primeiro a ser escolhido pela Divina Providência. Entre seus contemporâneos em Nazaré, José foi escolhido para esposo da Virgem, a fim de que o Filho de Deus pudesse entrar no mundo de forma honrada e escondida. O Verbo encarnou no ventre de Maria. E, em José, através da contemplação – 5 sonhos. Pregadores carmelitas afirmam: assim como Maria concebeu o Verbo no seu seio por obra do Espírito Santo, assim São José por obra do Espírito Santo concebeu na contemplação o Cristo na sua alma, tornando-se  pai de Jesus sobre esta terra. 

São José, protetor da virgindade de Maria. A liturgia celebrava também a união nupcial de José com a Virgem e o contemplava como protetor de sua virgindade e da vida do Filho de Deus encarnado. Com a sensibilidade típica do carisma contemplativo do Carmelo, a liturgia daquele tempo celebrava a pureza da Virgem e de São José em termos de disponibilidade a Deus, que torna possível a acolhida do mistério da Encarnação. 

São José, esposo virginal de Maria. Unido à Virgem Maria com um matrimônio verdadeiro, no qual a sua autoridade de esposo, protetor e pai manifesta-se no total serviço a ela. 

São José, contemplado por sua obediência. Por sua obediência a Deus, José foi admirado por ser um homem justo, o digno senhor da casa do seu Senhor a quem foi confiada a responsabilidade de dar o nome divino revelado pelo anjo ao Menino Jesus. Assim fazendo, São José é quem por primeiro proclama: no Menino de Nazaré Deus nos salva!

São José, espelho da vida mística do Carmelo. Em São José, o Carmelo encontra um compêndio de sua espiritualidade: A pureza de coração (puritas cordis) que torna possível a visão de Deus; a união com Maria;  e a fruição da vida mística apresentada em termos de concebimento e nascimento do Verbo Encarnado na alma pura. Por isso, São José é celebrado como o espelho da vida mística carmelitana em Deus.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ, A PARTIR DE SANTA TERESA

SÉCULO XVI

O encontro de Santa Teresa com São José ocorreu num dos períodos mais difíceis de sua vida, por volta dos 25 anos de idade, em sofreu uma longa e penosa enfermidade que permaneceu paralisada e esgotada, física e psicologicamente. 

"É coisa de espantar os grandes merecimentos que Deus me têm feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra - pois como tinha nome de pai, embora sendo apoio, O podia mandar -, assim no Céu faz quanto Lhe pede". ( Vida 6,6)


Santa Teresa de Jesus ampliará esta tradição trazendo um grande proveito para todo o Carmelo e para a Igreja universal. Por isso se afirma que ser ela a “herdeira de um culto intenso e da devoção  josefina  do  Carmelo”. É inegável que mais do que nenhum outro Teresa de Jesus fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo.

São José e Santo Elias. Presença de São José na vida de Teresa e em sua atividade de fundadora dos Carmelos reformados ao lado da figura tradicional do santo Pai Elias coloca-se agora o Santo Pai José.

São José e Santo Elias. Em carta ao P. Gracián,  a  respeito  do  nome  que os  Carmelitas  Descalços  deveriam  dar  a  um  convento  que  estavam  fundando  em Salamanca,  escreve:  “Seria  muito  justo  dar  a  este  convento  o  nome  de  São  José”  (carta de  22  de  maio  de  1578);  mas  o  convento  será  intitulado  Santo  Elias. 

 

SÃO JOSÉ É PRECEDIDO APENAS POR NOSSA SENHORA

SÉCULO XVII

Mais tarde esta incerteza aparece definitivamente resolvida. Na Instrução aos noviços (1605) do P. João de Jesus Maria, a veneração a São José é precedida somente pelo culto à Virgem Maria e é seguida pela  devoção  aos  santos  profetas  Elias  e  Eliseu,  “fundadores  da  nossa  Ordem” (Instrução aos noviços, III, cap. 4, 29-30).

FESTA DO PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO

SÉCULO XVII E XVIII 

 São José é declarado “patrono principal” da Ordem em 1628.

O Capítulo Geral intermediário dos Carmelitas Descalços da Congregação Espanhola havia declarado São José “patrono principal” da Ordem. 

  1. Festa do Patrocínio de São José (1625-1700). A iniciativa deve-se ao Carmelita Descalço Juan de la Concepción,  que antes fora Provincial da  Província da Catalunha e depois Prepósito Geral da Congregação espanhola. 
  2. Festa do Patrocínio, aprovada no Capitulo Geral de 1679.
  3. Os textos litúrgicos foram elaborados, entre 1642-1718. Por outro padre Carmelita Descalço catalão, o P. Juan de San José.
  4.  Festa do Patrocínio de São José, reelaboração litúrgica, em 06/04/1680 – 3º Domingo da Páscoa. A Congregação dos Ritos aprovou a reelaboração dos textos litúrgicos da Festa do Patrocínio. A mesma ficou estabelecida para o terceiro domingo depois da Páscoa, dia em que normalmente eram convocados os Capítulos Gerais e provinciais.
  5. Primeiro Histórico de São José, em 1723. Rafael, o Bávaro, publicou uma História de São José. O P. Rafael exorta àqueles que amam Jesus e Maria a amar quem pelos dois é amado.
  6. Propagação do Patrocínio de São José. A propagação do Patrocínio de são José deveu-se ao Mestre P. José Maria Sardi, não somente na Ordem, mas também para os cristãos, que encontram nele um modelo de santidade. Invocado no Carmelo como educator optime e proposto como protetor e patrono, especialmente para aqueles que se sentem cansados, estacionados ou mesmo perdidos no seguimento a Cristo.

 

PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NA IGREJA

SÉCULO XIX

APÓS O CONCÍLIO VATICANO I, O PP. PIO IX ESTENDEU À IGREJA

Patrocínio de São José na Igreja. A 10 de setembro de 1847, com o decreto da Congregação dos Ritos  Inclytus Patriarcha  Joseph, o papa Pio IX, em tempos de fortes tribulações, estendeu para toda a Igreja a festa do Patrocínio de São José, a ser celebrada no terceiro domingo de Páscoa.

Os textos litúrgicos para a Missa e o Ofício foram adotados os que eram utilizados pelos Carmelitas, feitas algumas adaptações. Esta foi a primeira intervenção em favor do culto a São José por Pio IX, quando apenas havia passado um ano do início do seu pontificado, o qual foi caracterizado por uma grande devoção ao pai de Jesus. Por ocasião da convocação do Concílio Vaticano I, chegaram ao papa numerosos pedidos para que se aprimorasse ainda mais o culto a São José,  particularmente  com  a  proclamação de  patrono  da  Igreja  universal. O Concílio não chegou a atender tal pedido, pois foi interrompido bruscamente em setembro de 1870. Assim, a 08 de dezembro do mesmo ano, Pio IX procedeu à solene proclamação com o Decreto da Congregação dos Ritos Quemadmodum Deus.

 

SÃO JOSÉ NA IGREJA E NO CARMELO

SÉCULO XX

Patrocínio de São José – Para São José Operário. 

Em 1913, a Festa do Patrocínio de São José foi transferida para a quarta-feira da terceira semana depois da Páscoa.

Em 1956, a Festa do Patrocínio de São José foi substituída pela memória de São José Operário no dia 1º de maio.

Em 1957, aos Carmelitas Descalços foi concedida a aprovação do calendário litúrgico da Ordem podendo continuar a celebrar a festa do patrocínio de São José “protetor e patrono da nossa Ordem”.

 

SÃO JOSÉ – DEVOÇÃO APÓS O CONCÍLIO VATICANO II

SÉCULO XX

A reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II. 

A reforma litúrgica posterior ao Concílio trouxe, entre outras coisas, uma notável simplificação do calendário litúrgico.

Em 14/02/1969, do título “protetor da Igreja universal” para “esposo da Virgem Maria”. O título “protetor da Igreja universal” desapareceu da festa principal de São José dia 19 de março. Considerou-se oportuno manter somente o título bíblico de “esposo da Virgem Maria”, deixando a cada conferência episcopal  e às famílias religiosas a possibilidade de escolher outros apelativos. 

Em 29/06/1969, foi abolida a Solenidade do Patrocínio de São José na Igreja e no Carmelo Descalço. Seguindo a Instrução da Congregação do culto divino para os calendários particulares, a Solenidade do Patrocínio de São José foi abolida também do calendário do Carmelo Descalço. 

São José, “Protetor de nossa Ordem”. A Solenidade de São José se mantém, como “protetor da Ordem” no dia 19 de março, para a Ordem. O Definitório Geral O.C.D. decidiu então transferir o título “protetor da nossa Ordem”, para a Solenidade de 19 de março. E memória facultativa de São José operário fosse celebrada na Ordem toda. No entanto, as Constituições pós-conciliares de ambas as Ordens continuam referindo-se a São José como seu “protetor” (Const. O.Carm., 91; Const. O.C.D., 52). Nisso podemos reconhecer um importante elemento de unidade de toda a família carmelitana, que talvez não tenhamos valorizado suficientemente.

Rezemos pedindo a proteção de São José para nossa Ordem, para nossa Província OCD e OCDS, nossas Comunidades e Grupos, por nossas famílias e pelo fim desta Pandemia:

 


ORAÇÃO A SÃO JOSÉ - ANO SANTO 2020/2021.

Amado Deus, neste Ano Santo dedicado a São José, agradecemos por ter-nos dado tão casto patrono e intercessor, e nos unimos ao Papa Francisco, à toda a Igreja e ao Carmelo, como filhos de Teresa de Jesus e de João da Cruz, para caminharmos de olhos fixos na subida ao Monte que é Cristo.

Unidos ao glorioso São José e à Santíssima Virgem Maria, nos apresentamos, pessoal e comunitariamente, pedindo que renove a nossa fé, aumente a nossa esperança e nos faça prosseguir com amor e perseverança, nos confiando ao seu patrocínio.

Ó amabilíssimo São José, suplicamos que nos ensineis a acolher a vontade de Deus nas inúmeras situações da vida, amando e adorando o vosso Divino Filho, guardando o ditoso silêncio que nos permita ouvir a voz do Espírito Santo, e a seguir com amor os maternais cuidados da Virgem Maria.

Ó obedientíssimo São José, suplicamos ainda, que nos ensineis a testemunhar o nosso batismo e nossa vocação, meditando dia e noite a Palavra de Deus, crescendo na virtude da escuta e do silêncio, para vivermos uma fé íntima, mas operosa.

Por fim, ó fidelíssimo São José, esposo da Virgem Maria, pai nutrício de Jesus, amantíssimo senhor da Sagrada Família de Nazaré, volvei vosso olhar paterno para nós e para nossas famílias humanas e religiosas, a fim de que alcancemos do céu a graça da fidelidade ao Plano da Salvação! 

Pai Nosso...

Ave Maria...

Glória ao Pai... 

São José, ditoso esposo da Virgem Maria,

 pai amantíssimo de Jesus, rogai por nós!

São José nosso pai e patrono, 

intercedei por nós!

 

 

Estela da Paz, OCDS.

Comissão de História

Comissão de Espiritualidade 

Ref.:

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO. Carta dos Superiores Gerais O.Carm. e O.C.D. à família Carmelitana, por ocasião do 150º aniversário da proclamação do patronato de São José na Igreja. Ano 2020.

PATRIS CORDE. Carta Apostólica do Papa Francisco, de 08/12/2021. Por ocasião do 15º Aniversário da Declaração de são José como Padroeiro Universal da Igreja.

Livro da Vida, de santa Teresa de Jesus.


quinta-feira, 18 de março de 2021

9º DIA - NOVENA DE SÃO JOSÉ - 2021




“A grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. (Patris Corde) “Para os Carmelitas o interesse pela figura de São José

foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem”.

(Carta à família Carmelitana)

 

ORAÇÃO INICIAL: (Todos os dias)

 

“É inegável que mais do que nenhum outro santo, Teresa de Jesus, fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo”. Rezemos pedindo a São José que interceda ao seu Divino Filho, ao longo destes nove dias, por nossas intenções pessoais e familiares, carmelitas e eclesiais, pelos enfermos e pelas diversas necessidades do mundo inteiro, a fim de que possamos, crescer nas virtudes por ele praticadas.

 

Senhor Jesus Cristo, os Carmelitas como São José, conhecem o sonho e mantém a luz da esperança, que brilha e aponta para aquele mundo novo prometido àqueles que estão atentos à Palavra de Deus, crendo que Deus fará novas, todas as coisas. Senhor, com o Pai e o Espírito Santo, suplicamos que acolheis com bondade, as intenções que apresentamos nesta novena (..............), sob a intercessão deste castíssimo pai e patrono, unidos à Virgem Maria, vossa Mãe, e sob a intercessão de Santa Madre Teresa de Jesus.

 

Pai-Nosso. Ave-Maria. Glória ao Pai.

São José, Esposo da Virgem Maria,

Rogai por nós!

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9º DIA – 18/03/2021.

Tema: São José, esposo da Virgem Maria.

Existe uma estreita analogia entre a “Anunciação” do texto de São Mateus e a do texto de São Lucas. O mensageiro divino introduz José no mistério da maternidade de Maria. Aquela que, segundo a lei, é a sua ‘esposa”, permanecendo virgem, tornou-se mãe pela virtude do Espírito Santo. E quando o Filho que Maria traz no seio vier ao mundo há-de receber o nome de Jesus. Este nome era bem conhecido entre os Israelitas; e, por vezes, era por eles posto aos filhos. Neste caso, porém, trata-se de um Filho que - segundo a promessa divina - realizará plenamente o que este nome significa: Jesus - Yehosua, que quer dizer «Deus salva». José, seu esposo, sendo justo e não a querendo expor à infâmia, resolveu desvincular-se dela secretamente' (Mt 1, 19). Ele não sabia como comportar-se perante a “surpreendente” maternidade de Maria. Buscava, certamente, uma resposta para essa interrogação inquietante; mas procurava, sobretudo, uma maneira airosa de sair daquela situação difícil para ele. Enquanto andava «a pensar nisto, apareceu-lhe, em sonho, um anjo do Senhor, que lhe disse: "José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1, 20-21). Percebemos, portanto, que a grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. São Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da encarnação e à conjunta missão redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Família para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua vocação humana ao amor doméstico na oblação sobre-humana de si mesmo, do seu coração e de todas as capacidades no amor colocado ao serviço do Messias nascido na sua casa”.

História: São José no Carmelo.

É certo, porém, que ao lado da figura tradicional do santo Pai Elias coloca-se agora o Santo Pai José. Isto gerou uma incerteza sobre qual dos dois deveria ser considerado o principal. O P. Gracián, numa passagem famosa de sua obra Josefina (1597), chega a afirmar que “aqueles que professam a regra dos Carmelitas Descalços reconhecem como fundador desta reforma o glorioso São José, tendo-a fundada a madre Teresa, por meio da devoção a ele, assim como a Ordem do Carmelo reconhece como fundadora a Santíssima Virgem Maria, a devoção da qual o profeta Elias deu início à vida religiosa dos profetas no Monte Carmelo” (l. V, cap. 4; ed. Silverio, 476).

 

" Eu com grandíssimo deleite e glória, logo me pareceu Nossa Senhora pegar-me nas mãos. Disse-me que Lhe dava muito gosto sendo devota do glorioso S. José; que tivesse por certo que, o que eu pretendia do mosteiro, se havia de fazer e nele se serviria muito o Senhor e a eles ambos; que não temesse que nisto houvesse jamais quebra, embora a obediência que dava não fosse a meu gosto, porque Eles nos guardariam e já Seu Filho nos tinha prometido andar conosco". (Santa Teresa de Jesus - Vida 33,14)

Encomendar a São José: A prática da MISERICÓRDIA.

Propósito do dia: A virtude do SERVIR.

ORAÇÃO FINAL.

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ORAÇÃO FINAL: (Todos os dias)

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho. À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente. (Patris Corde 7)

 

Dirijamos-lhe a nossa oração:

 

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal. Amém.

(Patris Corde – 8/12/2020. PP. Francisco)

 

Estela da Paz.

Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.

Comissão de Espiritualidade.

Comissão de História.

 

Referência:

Bíblia Sagrada - Evangelhos.

Catecismo da Igreja Católica.

Exortação apostólica Redemptoris Custos. S. João Paulo II, 15/08/1889.

Carta Apostólica Patris Corde. Papa Francisco, 08/12/2020.

Carta dos Superiores, O.Carm e OCD. 2020.

Livro da Vida, de Santa Teresa de Jesus.

 

quarta-feira, 17 de março de 2021

8º DIA - NOVENA DE SÃO JOSÉ - 2021


“A grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. (Patris Corde) “Para os Carmelitas o interesse pela figura de São José

foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem”.

(Carta à família Carmelitana)

 

ORAÇÃO INICIAL: (Todos os dias)

 

“É inegável que mais do que nenhum outro santo, Teresa de Jesus, fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo”. Rezemos pedindo a São José que interceda ao seu Divino Filho, ao longo destes nove dias, por nossas intenções pessoais e familiares, carmelitas e eclesiais, pelos enfermos e pelas diversas necessidades do mundo inteiro, a fim de que possamos, crescer nas virtudes por ele praticadas.

 

Senhor Jesus Cristo, os Carmelitas como São José, conhecem o sonho e mantém a luz da esperança, que brilha e aponta para aquele mundo novo prometido àqueles que estão atentos à Palavra de Deus, crendo que Deus fará novas, todas as coisas. Senhor, com o Pai e o Espírito Santo, suplicamos que acolheis com bondade, as intenções que apresentamos nesta novena (..............), sob a intercessão deste castíssimo pai e patrono, unidos à Virgem Maria, vossa Mãe, e sob a intercessão de Santa Madre Teresa de Jesus.

 

Pai-Nosso. Ave-Maria. Glória ao Pai.

São José, Esposo da Virgem Maria,

Rogai por nós!

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8º DIA – 17/03/2021.

Tema: São José, nosso fiel intercessor.

“Levanta-te, toma o menino e sua mãe” (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José. Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão e Moisés, como faz Jesus, “único mediador” (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), “vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]” (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34). Os Santos ajudam todos os fiéis “a tender à santidade e perfeição do próprio estado”. A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho. À semelhança de Jesus que disse: “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: “Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores” (1 Cor 4, 16). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloqüente. Junto a Maria, José é o ícone do Evangelho no qual nós Carmelitas podemos ler e compreender o que quer dizer de verdade “viver em obséquio de Jesus Cristo”. Portanto e justamente, continuaremos a dirigir-nos a ele como nosso pai e patrono, mas também como amigo fiel e guia seguro para caminhar nos passos de Jesus.

 

História: São José no Carmelo.

Nenhum mais do que ele sabe como viver em intimidade com Jesus e Maria, tendo passado tantos anos com eles e tornado possível a existência mesma da Família de Nazaré. Não surpreende, portanto, que dez dos quinze mosteiros fundados diretamente por Teresa sejam dedicados a São José! O santo é tão presente na atividade fundacional de Teresa, que em suas viagens ela leva sempre uma imagem de São José e recebe o título de “fundador do Carmelo teresiano”. Evidentemente este apelativo deve ser entendido pela presença de São José na vida de Teresa e em sua atividade de fundadora dos Carmelos reformados.

 

"Tendo eu um dia comungado, Sua Majestade mandou-me instantemente que o procurasse realizar com todas as minhas forças, fazendo-me grandes promessas de que o mosteiro não se deixaria de fazer, e nele se serviria muito a Deus, e que lhe pusesse o nome de S. José: ele nos guardaria a uma das portas e Nossa Senhora à outra e Cristo andaria conosco". (Santa Teresa de Jesus -Vida 32,11)

Encomendar a São José: A prática da MANSIDÃO.

Propósito do dia: A virtude do AMOR FRATERNO.

ORAÇÃO FINAL: (Todos os dias)

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho. À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente. (Patris Corde 7)

 

Dirijamos-lhe a nossa oração:

 

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal. Amém.

(Patris Corde – 8/12/2020. PP. Francisco)

 

Estela da Paz.

Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.

Comissão de Espiritualidade.

Comissão de História.

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