sexta-feira, 19 de março de 2021

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA

 


ANO SANTO DE SÃO JOSÉ (2020-2021)
É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo!
História de São José no Carmelo

“Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José». Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo”. (PP. Francisco, Patris Corde) “A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento”. (Carta à família Carmelitana)

É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo! Neste dia da Solenidade de São José, com alegria e louvor a Deus, queremos agradecer por nos ter concedido tão casto patrono e intercessor, celebrando com fé e amor, esperança e unidade o Ano Santo a ele dedicado. O Papa Francisco partilhou conosco da “abundância do seu coração” (Mt 12,34), “algumas reflexões pessoais” sobre a figura extraordinária de São José, que se apresenta sempre “tão próxima da condição humana de cada um de nós”, através de sua Carta Apostólica (08/12/2020). Sabemos que “a grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. E, que “para os Carmelitas o interesse pela figura de São José foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem... Devoção que no Carmelo remonta ao início de sua história, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística”.

Nossa proposta aqui será analisarmos a História de São José no Carmelo, tomando por base a Carta dos Superiores à Família Carmelitana em 2020, e avançando nos detalhes, auxiliados obviamente pelas imperativas e interpelativas palavras da Santa Madre Teresa de Jesus, para assim darmos força e empenho à nossa devoção ao Glorioso pai e patrono do Carmelo, que ao lado da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, Irmã e Rainha, honra e bendiz ao seu Divino Filho, e intercede por nós. 

Autores antigos consideraram que o culto a São José na Igreja América Latina teria originado dos eremitas Carmelitas que para cá imigraram. Esta convicção atualmente contestada, foi expressa também pelo papa Bento XIV que faz  remontar a prática do culto litúrgico em honra a São José ao Carmelo.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ COMPROVADA NA LITURGIA CARMELITA

SÉCULOS XIV E XV

"Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe presta particulares favores, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque aproveita de grande modo às almas que a ele se encomendam". (Vida 6,7) 



A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento. Sem uma precisão exata do início das celebrações da festa de São José nas igrejas carmelitanas, apenas a probabilidade de já serem celebradas durante o século XIV, ainda que em caráter local. Sabe-se que já no século XV a devoção de São José já estava mais difundida. Inclusive, se tem notícias de que nos breviários e Missais Carmelitanos da segunda metade do século XV, aparecem normalmente a Missa e Ofício próprios de São José e o carmelita flamingo Arnoldo Bostio (em 1476) - testemunhando que os Carmelitas celebram sua festa com culto solene.

Os historiadores e liturgistas consideram como o primeiro monumento na Igreja Latina em honra de São José a liturgia própria da Ordem Carmelitana. A liturgia antiga celebrava São José como:

São José, o primeiro a ser escolhido pela Divina Providência. Entre seus contemporâneos em Nazaré, José foi escolhido para esposo da Virgem, a fim de que o Filho de Deus pudesse entrar no mundo de forma honrada e escondida. O Verbo encarnou no ventre de Maria. E, em José, através da contemplação – 5 sonhos. Pregadores carmelitas afirmam: assim como Maria concebeu o Verbo no seu seio por obra do Espírito Santo, assim São José por obra do Espírito Santo concebeu na contemplação o Cristo na sua alma, tornando-se  pai de Jesus sobre esta terra. 

São José, protetor da virgindade de Maria. A liturgia celebrava também a união nupcial de José com a Virgem e o contemplava como protetor de sua virgindade e da vida do Filho de Deus encarnado. Com a sensibilidade típica do carisma contemplativo do Carmelo, a liturgia daquele tempo celebrava a pureza da Virgem e de São José em termos de disponibilidade a Deus, que torna possível a acolhida do mistério da Encarnação. 

São José, esposo virginal de Maria. Unido à Virgem Maria com um matrimônio verdadeiro, no qual a sua autoridade de esposo, protetor e pai manifesta-se no total serviço a ela. 

São José, contemplado por sua obediência. Por sua obediência a Deus, José foi admirado por ser um homem justo, o digno senhor da casa do seu Senhor a quem foi confiada a responsabilidade de dar o nome divino revelado pelo anjo ao Menino Jesus. Assim fazendo, São José é quem por primeiro proclama: no Menino de Nazaré Deus nos salva!

São José, espelho da vida mística do Carmelo. Em São José, o Carmelo encontra um compêndio de sua espiritualidade: A pureza de coração (puritas cordis) que torna possível a visão de Deus; a união com Maria;  e a fruição da vida mística apresentada em termos de concebimento e nascimento do Verbo Encarnado na alma pura. Por isso, São José é celebrado como o espelho da vida mística carmelitana em Deus.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ, A PARTIR DE SANTA TERESA

SÉCULO XVI

O encontro de Santa Teresa com São José ocorreu num dos períodos mais difíceis de sua vida, por volta dos 25 anos de idade, em sofreu uma longa e penosa enfermidade que permaneceu paralisada e esgotada, física e psicologicamente. 

"É coisa de espantar os grandes merecimentos que Deus me têm feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra - pois como tinha nome de pai, embora sendo apoio, O podia mandar -, assim no Céu faz quanto Lhe pede". ( Vida 6,6)


Santa Teresa de Jesus ampliará esta tradição trazendo um grande proveito para todo o Carmelo e para a Igreja universal. Por isso se afirma que ser ela a “herdeira de um culto intenso e da devoção  josefina  do  Carmelo”. É inegável que mais do que nenhum outro Teresa de Jesus fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo.

São José e Santo Elias. Presença de São José na vida de Teresa e em sua atividade de fundadora dos Carmelos reformados ao lado da figura tradicional do santo Pai Elias coloca-se agora o Santo Pai José.

São José e Santo Elias. Em carta ao P. Gracián,  a  respeito  do  nome  que os  Carmelitas  Descalços  deveriam  dar  a  um  convento  que  estavam  fundando  em Salamanca,  escreve:  “Seria  muito  justo  dar  a  este  convento  o  nome  de  São  José”  (carta de  22  de  maio  de  1578);  mas  o  convento  será  intitulado  Santo  Elias. 

 

SÃO JOSÉ É PRECEDIDO APENAS POR NOSSA SENHORA

SÉCULO XVII

Mais tarde esta incerteza aparece definitivamente resolvida. Na Instrução aos noviços (1605) do P. João de Jesus Maria, a veneração a São José é precedida somente pelo culto à Virgem Maria e é seguida pela  devoção  aos  santos  profetas  Elias  e  Eliseu,  “fundadores  da  nossa  Ordem” (Instrução aos noviços, III, cap. 4, 29-30).

FESTA DO PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO

SÉCULO XVII E XVIII 

 São José é declarado “patrono principal” da Ordem em 1628.

O Capítulo Geral intermediário dos Carmelitas Descalços da Congregação Espanhola havia declarado São José “patrono principal” da Ordem. 

  1. Festa do Patrocínio de São José (1625-1700). A iniciativa deve-se ao Carmelita Descalço Juan de la Concepción,  que antes fora Provincial da  Província da Catalunha e depois Prepósito Geral da Congregação espanhola. 
  2. Festa do Patrocínio, aprovada no Capitulo Geral de 1679.
  3. Os textos litúrgicos foram elaborados, entre 1642-1718. Por outro padre Carmelita Descalço catalão, o P. Juan de San José.
  4.  Festa do Patrocínio de São José, reelaboração litúrgica, em 06/04/1680 – 3º Domingo da Páscoa. A Congregação dos Ritos aprovou a reelaboração dos textos litúrgicos da Festa do Patrocínio. A mesma ficou estabelecida para o terceiro domingo depois da Páscoa, dia em que normalmente eram convocados os Capítulos Gerais e provinciais.
  5. Primeiro Histórico de São José, em 1723. Rafael, o Bávaro, publicou uma História de São José. O P. Rafael exorta àqueles que amam Jesus e Maria a amar quem pelos dois é amado.
  6. Propagação do Patrocínio de São José. A propagação do Patrocínio de são José deveu-se ao Mestre P. José Maria Sardi, não somente na Ordem, mas também para os cristãos, que encontram nele um modelo de santidade. Invocado no Carmelo como educator optime e proposto como protetor e patrono, especialmente para aqueles que se sentem cansados, estacionados ou mesmo perdidos no seguimento a Cristo.

 

PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NA IGREJA

SÉCULO XIX

APÓS O CONCÍLIO VATICANO I, O PP. PIO IX ESTENDEU À IGREJA

Patrocínio de São José na Igreja. A 10 de setembro de 1847, com o decreto da Congregação dos Ritos  Inclytus Patriarcha  Joseph, o papa Pio IX, em tempos de fortes tribulações, estendeu para toda a Igreja a festa do Patrocínio de São José, a ser celebrada no terceiro domingo de Páscoa.

Os textos litúrgicos para a Missa e o Ofício foram adotados os que eram utilizados pelos Carmelitas, feitas algumas adaptações. Esta foi a primeira intervenção em favor do culto a São José por Pio IX, quando apenas havia passado um ano do início do seu pontificado, o qual foi caracterizado por uma grande devoção ao pai de Jesus. Por ocasião da convocação do Concílio Vaticano I, chegaram ao papa numerosos pedidos para que se aprimorasse ainda mais o culto a São José,  particularmente  com  a  proclamação de  patrono  da  Igreja  universal. O Concílio não chegou a atender tal pedido, pois foi interrompido bruscamente em setembro de 1870. Assim, a 08 de dezembro do mesmo ano, Pio IX procedeu à solene proclamação com o Decreto da Congregação dos Ritos Quemadmodum Deus.

 

SÃO JOSÉ NA IGREJA E NO CARMELO

SÉCULO XX

Patrocínio de São José – Para São José Operário. 

Em 1913, a Festa do Patrocínio de São José foi transferida para a quarta-feira da terceira semana depois da Páscoa.

Em 1956, a Festa do Patrocínio de São José foi substituída pela memória de São José Operário no dia 1º de maio.

Em 1957, aos Carmelitas Descalços foi concedida a aprovação do calendário litúrgico da Ordem podendo continuar a celebrar a festa do patrocínio de São José “protetor e patrono da nossa Ordem”.

 

SÃO JOSÉ – DEVOÇÃO APÓS O CONCÍLIO VATICANO II

SÉCULO XX

A reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II. 

A reforma litúrgica posterior ao Concílio trouxe, entre outras coisas, uma notável simplificação do calendário litúrgico.

Em 14/02/1969, do título “protetor da Igreja universal” para “esposo da Virgem Maria”. O título “protetor da Igreja universal” desapareceu da festa principal de São José dia 19 de março. Considerou-se oportuno manter somente o título bíblico de “esposo da Virgem Maria”, deixando a cada conferência episcopal  e às famílias religiosas a possibilidade de escolher outros apelativos. 

Em 29/06/1969, foi abolida a Solenidade do Patrocínio de São José na Igreja e no Carmelo Descalço. Seguindo a Instrução da Congregação do culto divino para os calendários particulares, a Solenidade do Patrocínio de São José foi abolida também do calendário do Carmelo Descalço. 

São José, “Protetor de nossa Ordem”. A Solenidade de São José se mantém, como “protetor da Ordem” no dia 19 de março, para a Ordem. O Definitório Geral O.C.D. decidiu então transferir o título “protetor da nossa Ordem”, para a Solenidade de 19 de março. E memória facultativa de São José operário fosse celebrada na Ordem toda. No entanto, as Constituições pós-conciliares de ambas as Ordens continuam referindo-se a São José como seu “protetor” (Const. O.Carm., 91; Const. O.C.D., 52). Nisso podemos reconhecer um importante elemento de unidade de toda a família carmelitana, que talvez não tenhamos valorizado suficientemente.

Rezemos pedindo a proteção de São José para nossa Ordem, para nossa Província OCD e OCDS, nossas Comunidades e Grupos, por nossas famílias e pelo fim desta Pandemia:

 


ORAÇÃO A SÃO JOSÉ - ANO SANTO 2020/2021.

Amado Deus, neste Ano Santo dedicado a São José, agradecemos por ter-nos dado tão casto patrono e intercessor, e nos unimos ao Papa Francisco, à toda a Igreja e ao Carmelo, como filhos de Teresa de Jesus e de João da Cruz, para caminharmos de olhos fixos na subida ao Monte que é Cristo.

Unidos ao glorioso São José e à Santíssima Virgem Maria, nos apresentamos, pessoal e comunitariamente, pedindo que renove a nossa fé, aumente a nossa esperança e nos faça prosseguir com amor e perseverança, nos confiando ao seu patrocínio.

Ó amabilíssimo São José, suplicamos que nos ensineis a acolher a vontade de Deus nas inúmeras situações da vida, amando e adorando o vosso Divino Filho, guardando o ditoso silêncio que nos permita ouvir a voz do Espírito Santo, e a seguir com amor os maternais cuidados da Virgem Maria.

Ó obedientíssimo São José, suplicamos ainda, que nos ensineis a testemunhar o nosso batismo e nossa vocação, meditando dia e noite a Palavra de Deus, crescendo na virtude da escuta e do silêncio, para vivermos uma fé íntima, mas operosa.

Por fim, ó fidelíssimo São José, esposo da Virgem Maria, pai nutrício de Jesus, amantíssimo senhor da Sagrada Família de Nazaré, volvei vosso olhar paterno para nós e para nossas famílias humanas e religiosas, a fim de que alcancemos do céu a graça da fidelidade ao Plano da Salvação! 

Pai Nosso...

Ave Maria...

Glória ao Pai... 

São José, ditoso esposo da Virgem Maria,

 pai amantíssimo de Jesus, rogai por nós!

São José nosso pai e patrono, 

intercedei por nós!

 

 

Estela da Paz, OCDS.

Comissão de História

Comissão de Espiritualidade 

Ref.:

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO. Carta dos Superiores Gerais O.Carm. e O.C.D. à família Carmelitana, por ocasião do 150º aniversário da proclamação do patronato de São José na Igreja. Ano 2020.

PATRIS CORDE. Carta Apostólica do Papa Francisco, de 08/12/2021. Por ocasião do 15º Aniversário da Declaração de são José como Padroeiro Universal da Igreja.

Livro da Vida, de santa Teresa de Jesus.


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