sábado, 3 de abril de 2021

506 ANOS DO NATALÍCIO DE SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA, NOSSA MÃE (28/03/1515 - 2021)

 

"Santa Madre Teresa, atualiza para nós a força de sua fé"

"O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás". (Isaías 50,4-5)

Celebramos hoje os 506 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe e Fundadora. É impossível celebrarmos o natalício de alguém sem que pensemos nos traços marcantes de sua vida, especialmente, em se tratando de alguém que respondeu ao chamado de Deus com total entrega, alcançando os cumes da experiência divina em sua vida, e se tornando Mestra de vida espiritual de tantas, e tantas outras pessoas.

Santa Teresa como mulher e religiosa, escritora e letrada, sobretudo, fiel discípula de Jesus Cristo, deixa-nos marcos importantes, para que neste dia celebremos o dom precioso de sua vida. Plenamente inserida na história da Igreja e do Carmelo, ela é um exemplo luminoso para os nossos dias. Estamos adentrando a Semana Santa, peçamos a Santa Teresa, que tendo vivido em seu tempo luzes e de sombras, como este que vivemos hoje - há um ano com a pandemia -, que permaneçamos unidos ao Crucificado, a fim de nos manter firmes na fé e na esperança da ressurreição, buscando ouvir o Mestre "com ouvido de discípulo", sempre unidos à Santíssima Virgem Maria e ao Glorioso São José.

Todo o santo deve ser visto e compreendido no seu contexto histórico e eclesial, para melhor dar a compreender os seus valores e os seus limites, para colher o sentido da sua mensagem, se todo santo é um mensageiro de Deus, é uma palavra dita ao mundo, um fragmento do Evangelho de Jesus Cristo, assim desenvolvemos um olhar ordenado para a figura de Santa Teresa e Jesus, para através dela buscarmos a santidade, e podermos ser, viver e "morrer como filhos da Igreja".

A liturgia da Igreja resume sua vida ao dizer: "Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em 04 de outubro, em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582". (Ofício das Leituras)

"A minha aliança... foi um pacto de vida e prosperidade e também de temor, a fim de que ele temesse o meu nome; e ele temeu-me e sempre teve reverência por meu nome; sua boca ensinou a verdade, e não se encontrou perversidade nos seus lábios. Andou comigo na paz e na retidão, e afastou do mal grande número de homens" (Malaquias 2,5-6)

Olhando para a vida e obra de Santa Teresa vemos uma mulher com uma personalidade "polifacética", no dizer do frei Cervera, que reúne características muito próprias em sua personalidade. Ele dirá que Teresa "é uma mulher (com uma pitada de feminista para os seus tempos); é uma escritora letrada e espiritual, bem colocada e reconhecida na literatura espiritual e na literatura do século de ouro da Espanha, uma clássica na linguagem castelhana; é uma mestra-fundadora, na Igreja e na família carmelitana; é uma cristã que viveu até o fim a vocação batismal; é uma mística, testemunha do mistério cristão; este é o seu carisma e função na Igreja".

A vida de Teresa desenvolve-se entre 1515 e 1582, como dissemos acima, no século de ouro da Espanha, com as suas conquistas no exterior, guerras, esplendor literário, reforma religiosa na qual intervêm o Papa e o Rei com notáveis conflitos jurisdicionais. Diante do chamado à aliança com Deus, Santa Teresa viveu 67 anos, dentre eles vinte de intensa atividade como fundadora, escritora, contemplativa e caminheira de pelas terras da Espanha do século XVI, com o testemunho de quem experimentara sua bondade. Em sua vida experimentou um verdadeiro pacto de vida, prosperidade e de profundo temor. Escreveu sua autobiografia com pleno sentido de testemunho pessoal. Demonstrará sempre nos seus escritos a experiência de alguém que viveu em extremo desejo de ser agradável a Deus, portanto, sempre lutando por viver a verdade de si para com Deus, e a Ele responder com simplicidade e abertura de coração, não sem esforço humano por se achar "tão ruim".

Percebemos em suas narrativas que foi educada com esmero, diante da vida cristã e era formada pela leitura da vida dos santos mártires, feita por seus pais, a quem atribui "muitas virtudes". Dirá a própria Teresa atribuindo aos seus pais sua boa formação, narrando em sua autobiografia: "Ter pais virtuosos e tementes a Deus - se eu não fosse tão ruim - me bastaria, com o que o Senhor me favorecia, para ser boa. Era meu pai afeiçoado a ler bons livros e assim os tinha em vernáculo para que, seus filhos os lessem. Isto, com o cuidado que minha mãe tinha em fazer-nos rezar e sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns Santos, fez-me despertar - segundo me parece - na idade de seis ou sete anos. Ajudava-me o não ver em meus pais favor senão para a virtude. Tinham muitas". (Vida 1,1)

"...temeu-me e sempre teve reverência por meu nome; sua boca ensinou a verdade, e não se encontrou perversidade nos seus lábios. Andou comigo na paz e na retidão, e afastou do mal grande número de homens" (Ml 2,6)

Quando escreve sua autobiografia, por volta dos 50 anos, Teresa já tinha experimentado décadas de "intensa e tormentosa vida mística", portanto, em plena consciência de seu chamado em Deus, e das lutas para ser de Deus, o demonstrará com humildade até mesmo quando apresenta sua família: "Éramos três irmãs e nove irmãos. Por bondade de Deus, todos se pareceram com os pais, em ser virtuosos, menos eu, embora fosse a mais querida de meu pai. E, antes que eu começasse a ofender a Deus, parece que tinha alguma razão para isso; mas, quando me recordo das boas inclinações que o Senhor me tinha dado, lastimo o mal que eu delas me soube aproveitar". (Vida 1,3)

Desde a infância, o contexto cristão em que vivia, a impulsionou "querer ver a Deus", e também a desenvolver "devoções" que levará por toda a sua vida. Além de sua profunda vida interior, experimentará e crescerá em sua vida, a devoção a Nossa Senhora e a São José. Dirá: "Comecei a fazer devoções de Missas e coisas muito aprovadas de orações, pois nunca fui amiga doutras devoções que fazem algumas pessoas - em especial mulheres - com cerimônia que eu não podia suportar e a elas lhes fazia devoção. Depois tem-se dado a entender não convirem; eram superstições" (V 6,6) No querer "ver a Deus", temos conhecimento através das suas narrativas de que aos 07 anos Teresa sente a necessidade de fugir para a terra dos mouros, com seu irmão, Rodrigo. Fuga frustrada, algo que torna-se o seu horizonte de vida.

Da devoção a Nossa Senhora, Santa Teresa nos diz que foi logo após a morte de sua mãe: "Recordo-me que, quando morreu minha mãe, fiquei da idade de doze anos, pouco menos. Quando comecei a perceber o que tinha perdido, fui-me, aflita, a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-Lhe, com muitas lágrimas, que fosse minha Mãe. Embora o fizesse com simplicidade, parece-me que me tem valido; porque conhecidamente tenho encontrado esta Virgem soberana, sempre que, me tenho encomendado a, Ela, e, enfim, tornou-me a Si". (Vida 1,7)

De sua devoção a São José: "Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, tanto desta necessidade como de outras maiores de honra e perda de alma, este Pai e Senhor meu me tirou com maior bem do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo até agora de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer... Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe presta particulares obséquios, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque aproveita de grande modo às almas que a ele se encomendam... Só peço, por amor de Deus, que faça a prova quem não me acreditar e verá, por experiência, o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção... É que não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos - no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus - sem que se dê graças a São José pelo muito que então Os ajudou... Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome a este glorioso Santo por mestre e não errará no caminho". (Vida 6,6-8)

Nesta comemoração do natalício de Santa Teresa de Jesus, em que estamos adentrando a Semana Santa com a entrada de Jesus em Jerusalém, invoquemos sua intercessão, para a Igreja, para o Carmelo e para o mundo inteiro, a fim de que este tempo forte de oração produza em todos nós a verdadeira conversão de vida, e a esperança na ressurreição.

Sempre unidos à Santíssima Virgem Maria e ao Glorioso São José, peçamos que a força de sua fé e de seus ensinamentos, nos ensine a nos configurar com a Humanidade de Jesus Cristo que se oferece ao Pai por nossos pecados.

V. Rogai por nós, Santa Madre Teresa de Jesus!

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Parabéns, Santa Madre!


Estela da Paz, OCDS.
Comissão de Espiritualidade
Comissão de História


Ref.
Oração das Horas. Ofício das Leituras.
Livro da Vida, de Santa Teresa de Jesus. Obras completas. 1995.
Cervera, OCD. Frei Jesus Castellano. Teresa de Jesus, Mestra de vida Espiritual.

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