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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Comentário ao Evangelho do dia feito por São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja Cântico Espiritual, 20




Mateus 16,24-28.
Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie
a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida
por minha causa, há-de encontrá-la.
Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que
poderá dar o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos,
e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento.
Em verdade vos digo: alguns dos que estão aqui presentes não hão-de
experimentar a morte, antes de terem visto chegar o Filho do Homem com o
seu Reino.»


Da Bíblia Sagrada



«Quem perder a sua vida por Minha causa, há-de encontrá-la»

«Quis perder-me e assim fui ganha»

Aquele que está abrasado do amor de Deus não ambiciona outra coisa, não
procura ganho nem recompensa, não aspira senão a tudo perder e a perder-se
a si mesmo, no que se refere à vontade, por amor do seu Deus. A seus olhos,
está aí o verdadeiro ganho. De facto assim é, de acordo com a palavra de
São Paulo: «morrer é uma vantagem» (Fil 1, 21), isto é, a minha morte por
Cristo é o meu ganho; morrer espiritualmente para todas as coisas e para
mim mesmo é o meu ganho. É por esse motivo que, neste verso do poema, a
alma se serve daquela expressão: «Fui ganha». Com efeito, o que não sabe
perder-se não se ganha; perde-se, de acordo com esta palavra de nosso
Senhor no Evangelho: «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas,
quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la».

Se quisermos compreender este verso de maneira mais espiritual [...],
diremos isto: quando uma alma chegou, no seu caminho espiritual, ao ponto
de perder todas as vias e todas as formas naturais de lidar com Deus;
quando já não O procura pelas reflexões ou pelas imagens, nem pelo
sentimento, nem por qualquer meio derivado dos sentidos e das coisas
criadas; mas, ultrapassando tudo isso, deixando toda a maneira pessoal e
toda a mediação, seja ela qual for, se relaciona com Deus e Dele goza pela
fé e pelo amor, pode dizer-se então que encontrou verdadeiramente a Deus,
porque na verdade perdeu tudo o que não é Deus e ela própria se perdeu
verdadeiramente.

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