A vocação, como diz o Papa Francisco: “Não
nasce em nós e sim no coração de Deus”, e esse presente é depositado em
nossos corações despertando o desejo e a alegria de melhor servi-lo, de
estarmos atentos à sua voz que se faz conhecer pela linguagem do amor. “Tudo
pode despertar a vocação: um encontro, uma palavra amiga, um livro, um momento
alegre ou doloso da vida. Deus serve-se de meios humanos para chegar ao coração
do homem e conquistá-lo para o serviço do Reino”.
Santa Teresa refere vocação como o “chamamento”:
“Imagino
o que poderia fazer por Deus, pensei que a primeira coisa era seguir o
chamamento que Sua Majestade me fizera para ser religiosa, respeitando a minha
Regra com a maior perfeição possível”. (Vida 32, 9). Assim como Santa Madre
procurou seguir o chamamento com perfeição, também nós Carmelitas Seculares,
inspirados por ela, procuramos o Reino de Deus conforme nossas realidades
temporais e organizando-as segundo os ensinamentos de Cristo: “A
eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades
temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas
segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor”. (Lumen Gentium, 31).
Vivemos no mundo praticando diversas atividades,
no seio de uma família, na rotina de um emprego, em comunidade, no convívio
social; é aí, nesses lugares e a cada momento que somos tocados por Deus para
dar uma dimensão prática às nossas orações e meditações diárias, por meio de
nossas ações concretas do nosso cotidiano. Darmos o melhor, pois Ele nos
convida a fazer diferente na execução de nosso ofício com fidelidade ao
Evangelho; “Amá-lo e torna-lo amado”.
Abraçamos o nosso dia e o entregamos ao Pai tudo o que irá acontecer,
evangelizando e testemunhando com a própria vida e vida santa, o amor grandioso
de Jesus para santificação do mundo. Pois “para sermos santos é que fomos
chamados”.
Consta em nosso documento, “Ratio Institutionis”, no item “Discernimento da Vocação ao Carmelo
Secular”: “Certas qualidades que indicam conformidade da pessoa para a vocação ao
Carmelo Secular (...)”, visando o aspecto humano, “o âmbito da vida cristã e a
relação ao carisma teresiano (...)”. No entanto o que mais se espera no
discernimento da vocação é: “a predisposição para essas qualidades e um
amadurecimento gradual nelas”. Porém é certo que: “um Carmelita Secular é: membro
praticante da Igreja Católica que, sob a proteção de Nossa Senhora do Monte
Carmelo, e inspirado por Santa Teresa de Jesus e São João
da Cruz se compromete com a Ordem para buscar o rosto de Deus na oração e no
serviço para o bem da Igreja e para as necessidades do mundo”. (Cf. Ratio Institutionis, 63 a 69).
Somos cidadãos de Deus no meio do mundo, o “ser”
Carmelita Secular, nossa maneira de agir, enriquece a evangelização com o odor
de flores diversas e com frutos preciosos para a Igreja.
Regina Lúcia Barbosa
Grêgo (Regina da Divina Graça, ocds)
Comunidade Rainha do
Carmelo, ocds – Fortaleza-CE
*Texto enviado pela Comissão Vocacional OCDS

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