sábado, 4 de julho de 2020

NOVENA DE SANTA TERESA DE LOS ANDES.



(Centenário 1920-2020)

Província São José do Sudeste do Brasil

De 04 a 12 de julho de 2020.

#ComissãoDeEspiritualidade
#EstelaDaPaz.

Rezemos ao longo de nove dias, com Santa Teresa de Los Andes, meditando em sua vida e seus escritos, a fim de crescermos no Amor a Deus e à Virgem Maria. Através da espiritualidade desta santa carmelita chilena, que apesar de ter vivido como carmelita num período tão breve, viveu comprometida desde cedo com as verdades da fé. Dirá frei Patrício Sciadini, OCD: “No Carmelo (Santa Teresa de Los Andes) é a Santa mais jovem, com menos tempo de vida na clausura, uma jovem comprometida com Deus e com os outros, uma jovem que escutou a voz do Senhor e soube colocá-la em prática abandonando uma vida confortável, um afeto familiar, e uma “roda de amigas e amigos”, que a amavam de verdade”.


Oração inicial: (Todos os dias)

Sinal da cruz.
Pai Nosso.
Ave-Maria.
Glória ao Pai.

Senhor Deus, a vós nos confiamos com a intercessão de santa Teresa de Los Andes que viveu e testemunhou o vosso Amor, e em vós encontrou o ápice de sua “Alegria”. Acolhei os nossos propósitos, unidos a esta jovem carmelita que aprendeu e viveu, em sua tenra idade, a felicidade evangélica. “Em Jesus, encontro tudo o que posso aspirar", "minha única felicidade é morar sozinho com Jesus" (C 157), "estou feliz por Jesus ser Ele (Deus), o dono absoluto do meu ser, por ter lhe dado tudo até a minha vontade.” Aprecio a felicidade completa "pertencendo completamente a Jesus" (C 161), "todos os dias fico mais feliz por ser toda de Nosso Senhor" (C 150). Teresa de Los Andes, claramente, configura uma espiritualidade fortemente evangélica, transmitindo as boas novas de Deus como uma fonte inesgotável de alegria: "Deus é alegria infinita" (C 101). (Santa Teresa de Los Andes)


Oração Final: (Todos os dias)

Deus misericordioso, alegria dos santos, que inflamaste o coração jovem de Santa Teresa com o fogo do amor virginal a Cristo e a sua Igreja, e fizeste de sua vida um testemunho alegre do amor, mesmo em meio a tantos sofrimentos, concede-nos a graça (...........) por sua intercessão que, inundados da docilidade do Vosso Espírito, proclamemos no mundo, por palavras e obras, o Evangelho do Amor. Amém.



1º Dia – Contrição perfeita.


"Para minha maior humilhação vou contar uma raiva que me tornou furiosa. Parecia enlouquecida. A causa foi que minha irmã Lucita e minha prima não quiseram tomar banho comigo e Rebeca. Chamaram-me de pequena e fiquei chateada a ponto de não querer tomar banho com elas, mas nos obrigaram. Quando estávamos nos vestindo, chegaram as meninas para nos chamar... Minha mãe interveio, mas foi inútil. Eu queria continuar a tomar banho. Minha mãe continuou a vestir-me enquanto eu chorava: estava furiosa. Quando tudo estava pronto, arrependi-me de tudo o que tinha feito. Quis pedir perdão à minha mãe, que estava muito triste e dizia que queria voltar para Santiago para não ficar com uma filha tão raivosa. Ela não me perdoou e eu fiquei desconsolada. Mandou-me embora do seu quarto e eu me escondo para chorar livremente. Chegou a hora do lanche e eu não quis participar. Mas, me obrigaram a ir. Tinha muita vergonha e não queria ver ninguém, porque tinha dado mal exemplo. Não sei quantas vezes pedi perdão. No fim da tarde, minha mãe me perdoou, mas me advertiu de que iria observar como eu me comportaria no futuro. Creio que tive a contrição perfeita desse pecado, porque não sei quantas vezes chorei, e todas as vezes que me lembro disso fico triste por ter sido ingrata com Nosso Senhor, que acabara de restituir-me a vida". (D 9)

(Caráter e desejo de conversão. Depois da cirurgia aos 14 anos. Apendicite.)


Trecho histórico: Nascida em 13 de julho de 1900, em uma família aristocrática, filha de Miguel Fernández Jaraquemada e de Lucia Solar Amstrong, em seu batismo recebeu o nome de Juana Enriqueta Josefina de Los Sagrados Corazones. Teve como irmãos Lucia, Miguel, Luis, Juana (que morreu poucas horas após o nascimento), Rebeca e Ignacio.


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2º Dia - Ele não tem olhado minha miséria.


“Compreendi que não nasci para as coisas da terra, mas para as coisas da eternidade. Para que o negar por mais tempo? Só em Deus meu coração tem descanso. Com Ele minha alma se sente plenamente satisfeita e de tal maneira que não desejo outra coisa neste mundo que lhe pertencer por completo. Meu queridíssimo papai: não se me oculta o grande favor que Deus me tem dispensado. A mim que sou a mais indigna de suas filhas, sem dúvida, o amor infinito de Deus vence o imenso abismo que fica entre Ele e sua pobre criatura. Ele desceu até mim para elevar-me à dignidade de esposa. Quem sou eu senão uma pobre criatura? Mas Ele não tem olhado minha miséria. Em sua infinita bondade e apesar de minha baixeza, me tem amado com infinito amor. Sim, papaizinho. Só em Deus tenho encontrado um amor eterno”. (Carta 73 – Ao seu pai. Santiago, 25 de março de 1919).


Trecho histórico: Durante sua adolescência padeceu de inúmeras enfermidades, que a deixaram muito debilitada, mas a ajudaram a descobrir sua vocação religiosa. No dia 11 de janeiro de 1919, ingressou no Mosteiro Carmelita de Los Andes, no Chile, para um período de experiência.



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3º Dia - Intimidade com o Cristo Crucificado.


Teresa dos Andes revela sua Intimidade com o Cristo Crucificado, meditando e acolhendo a doutrina de santa Madre Teresa e santo Padre João da Cruz ao compor o poema, que na realidade se traduz em uma profunda oração de sua intimidade divina.


"Agonizante atrás de ti
Subo o caminho do Calvário
começo a caminhar
para morrer na Cruz.

Sofrer é suave melodia
Da alma que te ama
E só deseja repousar em ti.
Oh Deus, desejo somente
O abandono da Cruz.

Aí, sem as criaturas,
Sem beber nem uma gota de consolação,
Quero beber o cálice da dor.
Ah, não negues à tua escrava,
Mesmo pobre e miserável,
O tesouro da Tua Cruz..."



Poema de Teresa dos Andes. Ref. Cap 31. “Beber o cálice da dor”, Frei Patrício Sciadini, OCD. Conceitos do Amor de Deus, 7. Chama Viva de Amor. Santa Teresa de Jesus e são João da Cruz, respectivamente.


Trecho histórico: No dia 3 de abril do mesmo ano de 1919, escreveu a seu pai, pedindo-lhe permissão para se tornar Carmelita. Vestiu o hábito no dia 14 de outubro, quando recebeu o nome de Teresa de Jesus. Desde então entregou-se intensamente à sua vocação.


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4º Dia - A Virgem Maria. Professora e confidente amorosa.


“Lucho, antes de partir, deixo-te como selo de nossa perpétua fraternidade a estátua da Santíssima Virgem, que tem sido minha companheira inseparável. Ela tem sido a confidente íntima desde os mais ternos anos de minha vida. Tem escutado a relação de minhas alegrias e tristezas. Tem confortado meu coração tantas vezes abatido pela dor. Lucho querido deixo-te para que me substituas perto de ti. Fala com Ela como fazes comigo, de coração a coração. Quando te sentires só, como eu muitas vezes tenho-me sentido, olha-a e verás que sorrindo te diz: "Tua Mãe jamais te deixa só." Quando, triste, e desolado, não tiveres com quem desabafar, corre a sua presença e o olhar choroso de tua Mãe dirá: "Não há dor semelhante a minha dor." Ela te confortará, pondo em tua alma a gota do consolo que cai de seu dolorido Coração”.

(Carta 81. Ao seu irmão Lucho. Cunaco, 14 de abril de 1919).


Trecho histórico: No dia 2 de abril de 1920, quinta-feira santa, fica gravemente enferma. No dia 6 faz sua profissão religiosa. Falece santamente no dia 12 de abril, às 19h15’. Contava 19 anos e nove meses de vida e apenas onze meses como Carmelita.


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5º Dia - Levar a cruz com amor e alegria.

"A história da minha alma é resumida em duas palavras: "Sofra e ame". Aqui está toda a minha vida desde que eu percebi tudo” (D 1). Devemos dizer, no entanto, que gradualmente aumentando sua intimidade com o Senhor, ele também aprofundou o valor redentor do sofrimento. Mas não estamos surpresos com a velocidade com que o íngreme pico da “União com Deus” aumentou, pois desde o início ela tinha o próprio Jesus como Mestre, ela se relaciona com a sinceridade de seus curtos anos: “Jesus me ensinou a sofrer no silêncio e desabafar com Ele meu pobre coraçãozinho. Você entende, mãe, que o caminho que Jesus me mostrou, desde pequeno, foi o caminho que eu amei”. (D 1). Juanita, por essa razão, era uma menina extremamente sensível e afetuosa, poderia capturar amorosamente o caminho mais curto que Jesus propôs, o da Cruz. E essa caminhada foi adquirindo diferentes nuances. Primeiro Jesus a ensinou a "sofrer em silêncio", depois: "Jesus me disse que queria que eu sofresse com alegria... que subira ao Calvário e deitava na cruz com alegria pela salvação dos homens. Não é você quem está me procurando e quer se parecer comigo? Então venha comigo e leve a cruz com amor e alegria”. (D 15).


Trecho histórico: A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe.


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6º Dia - Apóstola da Eucaristia. Ser uma hóstia para a Hóstia.


O ponto marcante da vida e da intimidade de Teresa dos Andes ocorreu em sua Primeira Eucaristia. Seus textos mais bonitos e intensos de sua caneta são dedicados a explicar a esse Mistério do Amor. Na Primeira Comunhão, houve uma mudança radical nela, ela mudou completamente de caráter, foi algo como sua "primeira conversão". Sua mãe nos diz: “Ele se preparou para a Primeira Comunhão cerca de um ano, e ele dedicou todo o seu cuidado a essa preparação fazendo sacrifícios que anotou e também registrou suas vitórias. Na tarde anterior à Primeira Comunhão, ele pediu desculpas a todos em casa”. E seu irmão Lucho ratifica: “Desde a Primeira Comunhão houve uma mudança no comportamento de Juanita, que até então havia revelado algumas falhas: um personagem um tanto irritado e difícil de obedecer. O contato diário com o Senhor em comunhão a transformou. Seu caráter se tornou suave e prestativo. A partir de agora receberá comunhão com freqüência e se tornará uma "Apóstola da Eucaristia". Já no Carmelo, seu ideal era ser "anfitriã do Anfitrião". Ou seja, transformar-se em Jesus que se entrega ao Pai por amor aos irmãos. Assim, em seu momento de amor, ela pergunta ao padre Colom: “Ofereça sua carmelita uma vez na Santa Missa como anfitrião. Quero ser um hóstia para Hóstia” (C 116)


Trecho histórico: Foi beatificada em Santiago do Chile, por Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 3 de Abril de 1987. Sua canonização ocorreu no Vaticano em 21 de março de 1993, também pelo Santo Papa João Paulo II.


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7º Dia - No Sagrado Coração de Jesus. Meu centro e minha morada.


Foi também através de uma figura do Sagrado Coração, que Jesus comunicou sua vontade: "Ele me disse que me queria por Ele. Que Ele queria que eu fosse carmelita". Mais tarde, no Carmelo, apenas dois meses após sua morte, ela descobre a “vocação de sua mãe dentro da vocação”, dizendo-lhe: “Mamãezinha, entendi aqui no Carmelo minha vocação. Entendi como nunca antes que havia um Coração que eu não conhecia nem honrava. Mas Ele agora me iluminou. Nesse coração divino é onde encontrei meu centro e minha morada. Minha vocação é o fruto de seu amor misericordioso” (C 162). Teresa incentivou sua amiga Elisa: “Que todos os nossos louvores e adorações saiam do coração de nosso Jesus, aperfeiçoados e unidos aos dele. Assim, viveremos unidos à Humanidade de Nosso Senhor e mergulhados ​​na sua Divindade” (C 109).


Trecho histórico: Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho reto para Deus.


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8º Dia - Vocação. Cativada nas redes amorosas do Divino Pescador.


“Acredite-me, Rebeca, que aos 14 e 15 anos alguém compreende sua vocação. Sente-se uma voz e uma luz que lhe mostra a rota de sua vida. Esse farol brilhou para mim aos 14 anos. Mudei de rumo e me propus o caminho que devia seguir e hoje venho fazer-te confidências dos projetos ideais que forjei (...) Em poucas palavras te confiarei o segredo de minha vida. Logo no separaremos e esse desejo que sempre abrigamos em nossa infância de viver sempre unidas vai ser logo frustrado por outro ideal mais alto de nossa juventude. Temos de seguir diferentes caminhos na vida. A mim tocou a melhor parte, o mesmo que a Madalena. O Divino Mestre compadeceu-se de mim. Aproximando-se, disse-me baixinho: "Deixa teu pai e tua mãe e tudo quanto tens e segue-me" (Mc 10,7) Quem poderá recusar a mão do Todo-poderoso que se abaixa à mais indigna de suas criaturas? Como sou feliz, irmãzinha querida! Fui cativada nas redes amorosas do Divino Pescador”.

(Carta 8 - À sua irmã Rebeca. 15 de abril de 1916).

Trecho histórico: Santa Teresa de Jesus dos Andes é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Ávila, de Florença e de Lisieux.


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9º Dia - Ao Bom Pastor. Implorar à infinita Misericórdia.

Em sua consciência de pecado, Teresa se reconhece ingrata por tamanhos bens experimentados no “palpitar de seu coração”, pede perdão e implora à misericórdia divina por sua indignidade.

"Sou um nada criminal!"

(Oração - Teresa de Jesus dos Andes, OCD)


Tu que me criaste, salva-me.
Sou indigna de pronunciar o teu nome dulcíssimo.
Que seria para mim um grande conforto.
Aniquilada, ouso implorar a tua Infinita Misericórdia.
Sim, sou ingrata, eu o reconheço.
Sou como pó levantado, um nada criminal!

Mas, tu não és por acaso o Bom Pastor?
Não saíste à procura da samaritana para dar-lhe a vida eterna?
Não és tu que defendeste a mulher adúltera, e que enxugaste as lágrimas de Maria, a pecadora?
É verdade que elas souberam corresponder ao teu olhar de ternura;
Elas acolheram as Tuas Palavras de vida.
Eu, quantas vezes fui ferida pelo teu amor...
Quantas vezes, escutei o palpitar do teu coração no meu, escutando o teu melodioso canto!

Mas, perdoai-me sou um nada criminal, que sabe só pecar.
Oh, meu adorado Jesus, pelo teu coração divino, esquece as minhas ingratidões.
E, toma-me completamente.
Isola-me de Tudo o que possa acontecer ao meu redor,
Que eu viva contemplando-te sempre,
Que eu viva mergulhada no teu amor,
para que isso consuma o meu ser miserável, e me converta em ti".


Trecho histórico: A essência de sua espiritualidade: que estejamos dispostos a deixar tudo para seguir Jesus Cristo; que nossos maiores amores sejam Jesus e Maria; que nossa família não seja obstáculo, mas um meio para seguirmos Jesus; que amemos com toda a alma a Ordem do Carmo.



Estela da Paz, OCDS.
Comissão de Espiritualidade.
Comissão de História.



Referências:
Uma jovem apaixonada por Deus – Frei Patrício Sciadini, OCD.
Santa Teresa de Jesus de Los Andes, Diário e Cartas – Frei Patrício Sciadini, OCD.
Revista do Santuário de Santa Teresa de Los Andes. Ano Jubilar 2020.


"Entendia ser para serviço do Senhor e honra do hábito de sua gloriosa Mãe, que estas eram minhas ânsias..."
(Santa Teresa de Jesus V 36,6)

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