quinta-feira, 1 de outubro de 2020

01/10 - Santa Teresa do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja

 


SANTA TERESINHA E A MISERICÓRDIA

O mistério do Amor Misericordioso de Deus se revela às almas simples e humildes, despojadas e abandonas à sua vontade. Esse mistério divino Jesus nos apresenta em sua pedagogia das Bem aventuranças ao dizer aos seus discípulos: "Bem aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!" (Mt 5,3) "Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão miseri­córdia!" (MT 5,7) “A Misericórdia é fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado. Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai.” (Misericordiae Vultus)

A vida de Santa Teresinha é marcada pela Misericórdia de Deus, e se plenifica em sua pequenez, em sua alma humilde, confiante e abandonada, traçando com a pequena Teresa sua “sendazinha” – uma “Pequena Via”, Jesus derramará sua Misericórdia que é infinita. Ela dirá no início dos seus escritos: “Eis o mistério de minha vocação, de minha vida inteira, e, sobretudo, o mistério dos privilégios dispensados por Jesus à minha alma... Não chama os que são dignos, mas quem Ele quer, ou, como diz São Paulo: "Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia; terei compaixão de quem eu tiver compaixão. Desta forma, a escolha não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas da misericórdia de Deus" (Rm 9,15-16). (MA) A santa traça a "Pequena Via", fundamentada no reconhecimento de sua realidade humana e necessitada da graça divina. O reconhecimento de nossas misérias, ensina-nos Teresinha, não nos deve abater e desanimar, mas, pelo contrário, deve antes nos levar a Deus (CT.109; OR.7), que conhece toda nossa fraqueza. Não se trata de decepção e alienação, pois, apesar de toda nossa miséria, devemos sempre voltarmo-nos para Deus (MB. 5r). Na verdade, o que Deus quer de nós é nosso amor e, por isso, ele chega mesmo a se esquecer de nossas misérias (PN. 28,3). Até os santos, que passaram pelos nossos mesmos sacrifícios e conheceram a fadiga e o peso de nossa fraqueza, até eles, no céu, compreendem e têm compaixão de nós, por causa de nossas misérias terrenas (CT. 263).

A vida humana, envolvida em perdas e ganhos, vive em busca de tamanha força que somente encontrará na Misericórdia de Deus, o salmista repete freqüentemente aos corações que se abrem ao Senhor: “Eterna é a sua misericórdia”... Tal é o refrão que aparece em cada versículo do Salmo 136, ao mesmo tempo que se narra a história da revelação de Deus. Em virtude da misericórdia, todos os acontecimentos do Antigo Testamento aparecem cheios dum valor salvífico profundo. Não é por acaso que o povo de Israel tenha querido inserir este Salmo – o “grande hallel”, como lhe chamam – nas festas litúrgicas mais importantes (MV). Diante do reconhecimento de suas misérias Teresa dirá: “Aliás só quero fazer uma coisa: Começar a cantar o que devo repetir eternamente:- ‘As Misericórdias do Senhor"!!!... (MA.2r). E, a gradecida por tamanhos bem a ela dispensados pelo Bom Deus irá declara à Irmã Inês: “Após tantas graças, não posso eu cantar com o salmista: ‘Como o Senhor é bom, sua misericórdia é eterna"? (MA.83v) 

Uma prova disso é que, enquanto muitos se oferecem como vítimas à Justiça divina, poucos se lembram do amor misericordioso de Deus. Mas será que esse amor misericordioso também não merece algumas vítimas? (MA.84r). É verdade que a misericórdia divina sabe esperar (MC.20v-21r), mas, como Teresa, aproveitemos nosso tempo e não tenhamos medo de nos oferecer como vítimas a esse amor misericordioso tão terno e tão generoso (OR.6), que conosco é sumamente previdente e preveniente, livrando-nos de tantos males só por sua pura bondade (MC.36v-37r). Sintamo-nos felizes por precisar, neste mundo, desse amor misericordioso de Deus, sobretudo por causa da nossa fraqueza e pobreza, sobretudo diante da morte (CA.29. 7.3). Em tudo vejamos a misericórdia divina, mesmo no sofrimento e nas provações (MC.7v). 

Em “História de uma alma”, encontramos uma das maiores experiências, senão a maior experiência de entrega e abandono à Misericórdia divina feita por Santa Teresinha, que aconteceu na primavera de 1895, sabendo-se já gravemente enferma, ela não só intui, mas tem a certeza de que só o Amor de Deus pode levar à perfeição, e rapidamente, a obra que nela iniciou. São estes os aspectos presentes na alma de Teresinha quando, em 8/6/1895, chegou ao Carmelo de Lisieux a carta circular com as notícias necrológicas de Irmã Maria de Jesus, carmelita de Luçon. Ela, como tantas outras carmelitas falecidas no curto período de 1894 - 1895 - cerca de uma centena -, oferecera-se como vítima à Justiça divina, a fim de desviar e atrair sobre si os castigos reservados aos pecadores. Sua agonia é aí descrita de maneira impressionante, como cheia de sofrimentos e angústias: "Recai sobre mim os rigores da Justiça divina... a Justiça divina!.. a Justiça divina!... Não tenho méritos suficientes; é preciso adquiri-los!" No dia 9 de junho, festa da Santíssima Trindade, Teresinha, durante a missa, sente-se imbuída a se oferecer, não à Justiça divina, mas ao Amor Misericordioso de Deus. O oferecimento do dia 9 foi feito num impulso interior, com poucas palavras, sem uma fórmula composta. Ofereçamo-nos ao Amor Misericordioso do Senhor, em união à Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, com a inclusão dos textos bíblicos que nos ajudarão a aprofundar no Mistério de Amor divino. 

“ATO DE OFERECIMENTO AO AMOR MISERICORDIOSO". 

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.” (Jo 14,2) 

"Oferecimento de mim mesma como Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus (Sb 3,6)" Oh, meu Deus! Bem-aventurada Trindade, desejo amar-vos e fazer que vos amem, trabalhar pela glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que estão na terra, e libertando as que sofrem no Purgatório. Desejo cumprir, perfeitamente, vossa vontade e alcançar o grau de glória que me preparastes em vosso reino. 

“Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16) 

Numa palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência, e peço-vos, oh, meu Deus, sede vós mesmo a minha Santidade! Já que me amastes a ponto de me dardes vosso Filho único (Jo 3,16) para ser meu Salvador e meu Esposo, são meus os infinitos tesouros de seus méritos. Com prazer, eu vo-los ofereço, suplicando-vos não olheis para mim senão através da Face de Jesus e dentro de seu Coração abrasado de Amor. 

"Tudo quanto pedirdes ao meu Pai em meu nome, ele vo-lo dará!". (Jo 16,32) 

Ofereço-vos também, todos os merecimentos dos Santos (que estão no Céu e na terra), seus atos de amor e aqueles dos Santos Anjos. Ofereço-vos, enfim, oh, Bem-aventurada Trindade, o amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha querida Mãe. E a ela que entrego minha oferenda,' pedindo-lhe que a apresente a vós. Seu divino Filho, meu Amado Esposo, nos disse nos dias de sua vida mortal .(Jo 16,32) Tenho, pois, certeza de que atendereis meus desejos; eu o sei, oh, meu Deus: quanto mais quereis dar, tanto mais impelis a desejar. Sinto em meu coração desejos imensos, e é com confiança que vos peço que venhais tomar posse de minha alma. Ah! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia... Quisera consolar-Vos da ingratidão dos perversos e vos suplico que me tireis a liberdade de vos ofender. Se alguma vez cair por fraqueza, vosso divino olhar purifique imediatamente minha alma, consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo transforma em si próprio todas as coisas...

“Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé” (Jo 20,27) “De ora em diante ninguém me moleste, porque trago em meu corpo as marcas de Jesus”. (Gl 6,17)

Agradeço-vos, oh, meu Deus, todas as graças que me concedestes, de modo particular a de me terdes feito passar pelo cadinho do sofrimento. É com alegria que vos contemplarei no último dia, a empunhar o cetro da Cruz; e, já que vos dignastes me dar como partilha esta Cruz tão preciosa, “espero, no Céu, me assemelhar a vós e ver brilhar em meu corpo glorificado os sagrados estigmas de vossa Paixão. Depois do exílio da terra, espero ir gozar de vós na Pátria. Mas, não quero ajuntar méritos para o Céu; quero trabalhar só por vosso Amor, com o único intuito de vos agradar, de consolar vosso Sagrado Coração," e de salvar almas que vos amem eternamente.

“Todos nós nos tornamos como homens impuros, nossas boas ações são como roupa manchada;como folhas todos nós murchamos, levados por nossos pecados como folhas pelo vento”. (Is 64,6) 

No entardecer desta vida, comparecerei diante de vós com mãos vazias, pois não vos peço, Senhor, que leveis em conta minhas obras. Todas as nossas justiças têm defeitos aos vossos olhos. Quero, pois, revestir-me de vossa própria Justiça, e receber de vosso Amor a eterna posse de vós mesmo. Não quero outro Trono nem outra Coroa senão vós mesmo, oh, meu Amado! 

“...porque mil anos, diante de vós, são como o dia de ontem que já passou, como uma só vigília da noite.” (Sl 89,4) 

Para vós, o tempo não é nada. Um único dia é como se fossem mil anos. Podeis, então, preparar-me num instante para comparecer diante de vós... A fim de viver num ato de perfeito Amor, ofereço-me como vítima de holocausto ao vosso Amor Misericordioso, pedindo-vos que me consumais sem cessar, e façais irromper em minha alma as torrentes de infinita ternura (Jo 7,38) que em vós se encerram assim me torne Mártir de vosso Amor, oh, meu Deus! 

“Antes que sopre a brisa do dia, e se estendam as sombras, irei ao monte da mirra, e à colina do incenso”. (Ct 4,6);“Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas,com madeira, ou com feno, ou com palha” (1Cor 3,12) 

Que esse martírio, depois de me ter preparado para comparecer diante de vós, me faça enfim morrer, e minha alma se lance sem demora ao eterno abraço de vosso Misericordioso Amor...

Quero, Amado meu, a cada batida do coração, renovar-vos este oferecimento um sem-número de vezes, até que, desfeitas as sombras, possa afiançar-vos meu Amor num eternal face a face!...”. (Maria Francisca Teresa do Menino Jesus e da Santa Face). (ORAÇÃO 6).

SANTA TERESA DO MENINO JESUS E DA SANTA FACE, Rogai por nós!



Estela da Paz, OCDS.
(Estela Maria Teresa de Jesus)
Comissão de História.
Comissão de Espiritualidade.

Ref.:

Obras Completas de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. Paulus.
CAVALCANTE. Monsenhor Pedro Teixeira. Santa Teresinha em Gotas.
Misericordiae Vultus. PP. Francisco, 2015-2016.

 






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