domingo, 20 de janeiro de 2008

COMO DEUS ME CHAMOU AO CARMELO - Beatriz Zahn


É, não houve um ponto “x”, porém algumas circunstâncias especiais. Desde pequena, sempre me chamava a atenção as formas de oração que via em casa com a família e os vizinhos: eram terços e ladainhas. Ficávamos eu e meus irmãos menores rindo a valer por detrás da cortina da sala. Tinha que ver! Na Igreja, a missa “passava batido” mesmo, era em latim e o que eu mais gostava era o missalzinho com capa de madrepérola (presente da primeira eucaristia) e os vestidos novos. Seguia as procissões com muita curiosidade e olhava todas aquelas pessoas circunspectas, pensativas... Aqueles semblantes ficavam dias na minha cabeça. Na juventude, ai Deus meu! Rock"n roll e bilisquete, com direito a luz estroboscópica. É... minha hora me pegou adulta, casada, mãe de 3 filhos e imersa numa espessa escuridão. Sem Deus total! Tudo era nada. Quanta confusão! Por algum motivo, bati à porta do Carmelo num "daqueles dias" e... não deu mais pra sair. Dei um enorme trabalho às Monjas. Nem acredito quando olho para atrás. Penso que foi por causa delas que o Senhor não desistiu de mim. Paciência de anjo. Puro amor doação. Quando cheguei até São João da Cruz e Santa Teresa, tive respostas a todas as minhas indagações, inclusive existenciais. E aí tudo se aquietou...

Beatriz Zahn
Três Pontas - MG

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