
Carmelo, que significa graça e fertilidade, nasceu numa cadeia de colinas, que se elevam entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Ali,frente ao mar entre bosques e planícies,perfumadas pelas flores aromáticas que enfeitam a paisagem, também serviram de inspiração a Salomão para expressar a beleza da esposa do Cântico dos Cânticos “ Tua cabeça sobre ti é tão linda quanto o Carmelo e teus cabelos como a púrpura “(ct7,5).
Eis o Carmelo, lugar da manifestação de Deus, que conserva sua origem Eliana (Santo Elias) e sua dedicação a Maria. São os dois sinais fortes que abrem, continuam e fecharão a história, a tradição e a espiritualidade do Carmelo.
O Carmelo hoje, apresenta à humanidade sua espiritualidade, que aprofunda suas raízes na espiritualidade bíblica,atendendo o apelo da Regra de “ Meditar dia e noite na lei do Senhor e vigiar em oração “, ser palavra encarnada, acolhida na leitura Orante, capaz de transformar toda a nossa vida,num clima de espiritualidade, chamado por S. João da Cruz de: solidão sonora.
Através do Carmelo descobre-se a presença e ação de Deus que vai ao encontro de pessoa humana e a convida a uma comunhão através da noite purificadora e transformadora, a Oração, a mais íntima relação de amor com o Senhor : Eis a porta para entrar em si e conhecer-se “Conhecer-se: para seguramente amar a Deus e aos irmãos (5 M 3,8)". Na escola da espiritualidade carmelitana, Santa Madre Teresa, fiel discípula e amante de Jesus encarnado, muito insiste em conhecer-se para humanizar-se e humanizar-se para santificar-se.
Na busca desse caminho de Santidade que nos conduz à perfeição da vida cristã, fundamentamos nossa experiência: oração, fraternidade, apostolado, baseados no Evangelho e na devoção a N. Senhora do Carmo, numa comunhão cada vez maior com o Cristo e com a Virgem Mãe de Deus e dos homens; não é apenas um modelo a imitar, mas também uma doce presença de Mãe e Irmã na qual se confia.Por isso mesmo exortava S. Teresa de Jesus “ Imitai Maria e considerai qual não deve ter sido a grandeza desta senhora e o bem que nos advém de a termos como Padroeira.” (Castelo interior III,1,3).
Assim, a grande família do Carmelo Teresiano está presente no mundo, sob muitas formas. Seu núcleo é a Ordem dos Carmelitas Descalços, formada pelos frades, as monjas de clausura e os seculares.É uma só Ordem com o mesmo carisma,que se nutre da longa tradição histórica do Carmelo, recolhida na Regra de Santo Alberto, escrita para leigos que se reuniram no Monte Carmelo para viver uma vida dedicada a meditação da Palavra de Deus, sob a proteção da Virgem e na doutrina dos carmelitas doutores da Igreja e de outras santas e santos da Ordem. “Os seculares trazem para a Ordem a riqueza própria de sua secularidade” const. I, 1. As Constituições da Ordem Secular foram elaboradas para consolidar o projeto de Vida de seus membros que são parte da Ordem do Carmelo Teresiano. Eles são chamados a dar testemunho de como a fé cristã seja a única resposta válida para os problemas e as esperanças que a vida põe a cada homem e a cada sociedade.Isto os realizarão como seculares, se a partir de uma contemplação comprometida, conseguirem testemunhar em vida familiar e social de cada dia a unidade de uma vida que no Evangelho encontra força e inspiração para se realizar em plenitude.
Na celebração do XXV Congresso Provincial OCDS, precisamos ver florescer nosso Carmelo, como florescem as plantas depois do inverno, revigorar, reavivar, viver de novo, mobilizar, incentivar novas vocações para dar continuidade ao que recebemos no Monte Carmelo, como filhos e filhas de Teresa de Jesus e João da Cruz, num salto de maturidade e responsabilidade em nossos compromissos da vida cristã e da nossa consagração carmelitana expressa no compromisso batismal, de onde brota o contínuo desejo da nossa vocação a santidade. Sim, queremos celebrar, louvar e agradecer a Deus pelo nosso ‘sim”.
Eudinalva Aparecidade
(Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora – Jundiaí-SP)
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