quarta-feira, 31 de outubro de 2018


"NOVENA DE SANTA ELISABETH DA TRINDADE"

Rezando pelo Centenário da OCDS no Brasil, a fim de que possamos ser um "louvor de Glória" à Santíssima Trindade.
(30 de outubro a 07 de novembro)
#AlmaCarmelita
#ComissãoDeEspiritualidade



. Sinal da Cruz.
. Vinde Espírito Santo.

1° Dia: (30.10.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

"Agendo contra - Combate a si mesmo".

“Hoje, tive a alegria de oferecer a Jesus muitos sacrifícios para vencer o meu defeito maior. Quanto me custou! ... Ouvia-lhe a voz no fundo do coração, e então estava disposta a tudo suportar por seu amor.” (Diário 30/01/1899)

"Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo..." (Ef 1,3)
. Intenções particulares: (__________)

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2° Dia: (31.10.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Quotidiae Morior” – Morro cada dia - Renúncia e Desapego.

“Jesus, meu Amor, minha Vida, ajudai-me; é Preciso absolutamente que eu consiga fazer sempre e em tudo o contrário de minha vontade... Nem sempre é tão fácil; mas convosco, ó Jesus, minha força, minha Vida, a vitória não será, porventura, certa?” (Diário 24/02/1899)

"Bendito seja Deus... Que nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos". (Conf. Ef 1,1.4)
. Intenções particulares: (_________)

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3° Dia: (01.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“O Céu na Fé” - Confiança e Abandono.

“Ao abandonado, Deus prepara uma casa”. (Sl 67,7) “Permaneçamos ali em silêncio, para escutar Aquele que tem tanto para nos comunicar”. (Carta 140)

"Bendito seja Deus... Que no seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado". (Conf. Ef 1,1.5-6)
. Intenções particulares: (_________)

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4° Dia: (02.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Divinum Siletium” - Silêncio e Solidão.

“O silêncio é a linguagem da alma para conversar com Deus.”
“Dentro de mim existe uma solidão onde Cristo mora, que ninguém poderá tirar de mim.”
“Parece-me que nada nos pode distrair Dele, quando só agimos por ele, sempre em sua santa presença, sob o olhar divino que penetra até o mais íntimo da alma; mesmo no meio do mundo, pode-se ouví-Lo no silêncio do coração que só quer pertencer a Ele”. (Carta 38)

"Bendito seja Deus... Que no Seu Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência".
(Conf. Ef 1,1.7-8)
. Intenções particulares: (_________)

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5° Dia: (03.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Hóspede Divino” - Adoração - Jesus Eucaristia.

“A Eucaristia é a plenitude transbordante do Amor Divino. Nela, Jesus não nos dá apenas os seus méritos e as suas dores, mas nos dá plenamente a si mesmo.”

"Bendito seja Deus... Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos - desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra". (Conf. Ef 1,1.9-10)
. Intenções particulares: (_________)

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6° Dia: (04.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Janua Coeli” - A Santíssima Virgem.

“O Rosário é a corrente que nos une a Maria. Com a prática da recitação do rosário, Maria dirige a nossa barquinha sobre as ondas agitadas desta vida... E temos a certeza de que chegaremos ao porto da salvação eterna.” (Diário – 23/03/1899)

"Bendito seja Deus... Através de Seu Filho fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade". (Conf. Ef 1,1.11)
. Intenções particulares: (__________)

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7° Dia: (05.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Casa de Deus”- Inabitação da Santíssima Trindade.

“Todo o meu exercício consiste em entrar dentro de mim, e perder-me naqueles que aí estão.” (Carta 179)

"Bendito seja Deus... Através de Seu Filho fomos escolhidos, para servirmos à celebração de sua glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo". (Conf. Ef 1,1.11-12)
. Intenções particulares: (__________)

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8° Dia: (06.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Conformidade com Cristo” - Sofrimento/Redenção.

“O sofrimento é coisa tão grande, tão divina! Parece-me que, se no Céu os bem-aventurados pudessem ambicionar alguma coisa, seria este tesouro”. (Carta 207)

"Bendito seja Deus... Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido". (Conf. Ef 1,1.13)
. Intenções particulares: (__________)

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9° Dia: (07.11.2018)
Unidos à Santa Elisabeth da Trindade, apóstola do Céu na terra, como uniu-se a São Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso", rezamos e desejamos "aos que crêem em Jesus Cristo... graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo", nesta NOVENA, rezando pelo chamado e vocação ao Carmelo de todos os irmãos, frades e monjas - todos os religiosos carmelitas, e a nós seculares que celebramos nosso Centenário no Carmelo do Brasil.
(Conf. Ef 1,1-2)

“Laudem Gloriae” - Louvor de Glória.

Foi em São Paulo que Elisabeth encontrou o que chamou de “sua vocação”, o “nome novo” que o Senhor prometeu aqueles que vencerem:
“Vivo no Céu da fé, no centro da minha alma, e procuro tornar o meu Mestre feliz, sendo desde esta vida o louvor da sua glória”. (Carta 274)

"Bendito seja Deus... que no Espírito de Cristo, que é o penhor da nossa herança, esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória". (Conf. Ef 1,1.13-14)

. Intenções particulares: (__________)

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ORAÇÃO FINAL (Todos os dias):
Rezemos à Santíssima Trindade, com Santa Elisabeth da Trindade, unidos à Santíssima Virgem Maria e São José.

"Elevação à Santíssima Trindade"
Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa tirar a minha paz, nem me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que a cada instante eu me adentre mais na profundidade do Vosso Mistério.

Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e lugar de vosso repouso. Que eu jamais Vos deixe Só, mas que aí esteja toda inteira, completamente desperta em minha fé, completamente entregue a Vossa Ação Criadora.

Ó meu Cristo Amado, Crucificado por amor, quisera ser uma esposa para Vosso Coração. Quisera cobrir-vos de glória, amar-vos ...até morrer de amor. Sinto, porém minha impotência, e peço revestir-me de Vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da Vossa, substituir-me, invadir-me, subtrair-me para que minha vida seja uma irradiação da Vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador.

Ó Verbo Eterno, Palavra de meu Deus, quisera passar minha vida a escutar-Vos; quisera ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. E depois de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter os olhos sempre fixos em Vós, e ficar sobre Vossa Grande Luz. Ó meu Astro Amado, fascinai-me, para que não me seja mais possível sair de Vossa Irradiação.

Ó Fogo Devorador, Espírito de Amor, “vinde a mim” para que se opere em mim como que uma Encarnação do Verbo; que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo onde Ele renove todo o Seu Mistério. E Vós, ó Pai, olhai para vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com Vossa Sombra, vendo nela somente Vosso Bem-Amado, no qual pusestes todas as Vossas complacências.

Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão Infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós como uma presa. Sepultai-Vos em mim para que eu me sepulte em Vós, até que possa contemplar em Vossa Luz, o abismo de Vossas grandezas.
(21 de novembro de 1904)
. Santa Elisabeth da Trindade, roga por nós!

Oremos:
Senhor, nosso Deus e Pai, nós te louvamos e bendizemos porque suscitastes na tua Igreja e no Carmelo a Santa Elisabeth da Trindade, para que nos ajudasse a descobrir-nos cada vez mais habitação eterna do Amor Trinitário. Senhor, que toda alma que sofre de solidão, depressão e tristeza possa buscar em Elisabeth um modelo de comunhão e de intimidade com o mistério Trinitário. Saber-nos amados, habitados pela Trindade Santa, é motivo para sermos desde já sempre felizes e o céu, o paraíso sem fim. Que Maria, habitação da Trindade e Porta do Céu nos abençoe. É o que te pedimos, por Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sábado, 27 de outubro de 2018

7º Dia - I Semana Missionária da OCDS


CRISTÃOS LEIGOS, SUJEITOS DA MISSÃO!
27/10


Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,1-2)

Caros irmãos carmelitas seculares, estamos hoje finalizando nossa I Semana Missionária da OCDS abordando o tema: CRISTÃOS LEIGOS, SUJEITOS DA MISSÃO!

A semana missionária tem por finalidade reavivar a nossa missão recebida no batismo, pois todo batizado é missionário. Que o Espírito Santo nos ilumine e nos acompanhe não só nesta semana missionária, mas em todos os dias de nossas vidas para sermos verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil instituiu o Ano Nacional do Laicato de 26/11/2017 a 25/11/2018 sob a luz do pedido do Papa Francisco de fazer crescer “a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja”. Por ocasião de sua abertura o papa Francisco encaminhou ao Brasil uma carta pela qual pede que todos os leigos brasileiros se sintam animados a dar continuidade ao que chama de nova saída missionária. Convida os católicos para que não fiquem confinados, mas levem a palavra do Evangelho a todo o mundo. Não se trata simplesmente de abrir a porta para que venham participar, mas de ir ao encontro dos afastados. O papa se mostra atento ao atual momento da história do Brasil, e pede que os cristãos assumam a responsabilidade de ser o fermento de uma sociedade renovada, onde a corrupção e a desigualdade deem lugar à justiça e à solidariedade.1

O Ano do Laicato é uma ocasião para toda a Igreja no Brasil vivenciar intensamente esse tempo por meio de orações, celebrações e reflexões, além de motivar uma participação maior dos leigos e leigas na vida da Igreja e da sociedade. O tema do Ano é “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema “Sal da terra e luz do mundo”.

Desde o Concílio do Vaticano II a Igreja vem afirmando e reafirmando a dignidade e a missão fundamental dos leigos como sujeitos eclesiais, ou seja, protagonistas em sua ação evangelizadora, uma vez que, como batizados, não apenas estão na Igreja, mas são Igreja, fazendo parte do Corpo Místico de Cristo juntamente com os demais sujeitos eclesiais (religiosos, diáconos, presbíteros e bispos), sendo portanto participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, assumindo na Igreja e no mundo a parte que lhes toca naquilo que é a missão de todo o povo de Deus.2

Assim, todo cristão tem uma função como membro do Corpo Místico de Cristo e cabe a nós, como leigos, atendendo ao apelo do Ano Nacional do Laicato, tomarmos consciência de nosso identidade e assumirmos com amor a nossa missão. Dessa forma, estaremos mais fortalecidos para responder, com fidelidade, ao chamado de Cristo, e trabalhar por um mundo mais humano e fraterno. 

O Catecismo da Igreja Católica, citando Santa Teresinha, explica que é o amor que faz agir todos os membros do Corpo Místico e que é ele que nos conduz à santidade:

826. A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»(302): «Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue... Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares ... numa palavra, que ele é Eterno» (303).3

A missão do leigo, de fato, não é nada fácil, como não é a missão de nenhum cristão. Entretanto, temos Santa Teresinha como modelo e a sua doutrina é um valioso suporte para bem cumprirmos o nosso chamado. A sua mensagem, muitas vezes sintetizada na chamada «pequena via», não é senão a via evangélica da santidade para todos.4

Assim, a exemplo de Santa Teresinha, devemos procurar buscar sempre ouvir e realizar a vontade de Deus em nossas vidas, para assim sermos agentes transformadores do mundo! Mesmo levando uma vida contemplativa na clausura de seu mosteiro, ela foi proclamada padroeira das missões pelo Papa Pio XI em 14 de dezembro de 1927, porque desejando ardentemente ser missionária, cumpriu com fidelidade a missão a que foi chamada, sendo missionária pela oração!

Como cristãos leigos, devemos procurar sempre estar bem formados, conscientes de nossa vocação e missão, atualizados com os documentos da Igreja e da Ordem, para assim podermos enfrentar com mais segurança os desafios da evangelização no mundo de hoje!

Fazendo com amor as coisas ordinárias do dia a dia em nossa família, em nosso ambiente de estudo e de trabalho e na sociedade, estaremos vivendo a “pequena via” ensinada por Santa Teresinha. Se estivermos unidos a Deus, unidos como Comunidade, Paróquia ou Diocese, e em unidade com a Igreja, conseguiremos cumprir com fidelidade nossa missão e realizar as Obras a que somos chamados!

A missão do leigo, de fato, não é nada fácil, como não é a missão de nenhum cristão. Entretanto, como carmelitas seculares, temos nosso carisma e nossa espiritualidade que são o nosso suporte para bem cumprirmos o nosso chamado. Se procurarmos buscar sempre ouvir e realizar a vontade de Deus em nossas vidas, seremos agentes transformadores do mundo!

Como carmelitas seculares, conscientes de nossa identidade laical, fazemos parte oficialmente da Ordem religiosa, participando do carisma e da espiritualidade do Carmelo Teresiano. Assim afirmam as Constituições da OCDS em seu art. 2º: 

Art. 2. A pertença à Ordem tem suas origens na relação que se estabeleceu entre os leigos e os membros das Ordens religiosas nascidas na Idade Média. Progressivamente essas relações adquiriram um caráter oficial, em vista de uma participação no carisma e na espiritualidade do Instituto religioso, fazendo parte do mesmo. À luz da nova teologia do laicato da Igreja, os Seculares vivem essa pertença a partir de uma clara identidade laical.


Toda essa tomada de consciência sobre a responsabilidade do leigo na missão da Igreja que o Ano Nacional do Laicato vem buscar, reafirma o que as nossas Constituições já há muito nos interpelam, conforme se constata nos seguintes artigos:


Art. 35: A formação para o apostolado se baseia na teologia da Igreja sobre a responsabilidade dos leigos e a compreensão do papel dos seculares no apostolado da Ordem ajuda a tomar consciência do lugar que tem a Ordem Secular na Igreja e no Carmelo e oferece uma forma prática para compartilhar as graças recebidas pela vocação carmelitana.

Art. 26. A vocação da Ordem Secular é verdadeiramente eclesial.

Art. 27: O Carmelita Secular está chamado a viver e testemunhar o carisma do Carmelo Teresiano na Igreja particular, parte do povo de Deus na qual se faz presente e atua a Igreja de Cristo. Cada um procure ser testemunho vivo da presença de Deus e se responsabilize pela necessidade de ajudar a Igreja na pastoral de conjunto, em sua missão evangelizadora, sob a direção do bispo. Por esta razão, cada um tem um apostolado, seja em colaboração com outros na comunidade, seja individualmente.

28. Em seu compromisso apostólico, levará a riqueza de sua espiritualidade, com os matizes que confere a todos os campos da evangelização: missões, paróquias, casas de oração, Institutos de espiritualidade, grupos de oração, pastoral da espiritualidade. Com seu aporte peculiar como leigos carmelitas, poderão oferecer ao Carmelo Teresiano impulsos renovados para “encontrar válidas indicações para novos dinamismos apostólicos”, com fidelidade criativa a sua missão na Igreja.

Nosso Padre Geral, Frei Savério Canistrà, em sua carta enviada à OCDS em 19 de março de 2018, já nos admoestava à tomada de consciência da nossa identidade, ou seja, termos consciência de que somos membros da Igreja, leigos, vinculados à Ordem Carmelita compartilhando o mesmo carisma com os frades e as monjas, que temos personalidade jurídica com direitos e deveres, que temos autonomia no governo e na formação e que somos chamados a viver em colaboração com a missão da Igreja e da Ordem:

Ter clareza da própria identidade e de seus elementos fundamentais permite enfrentar a realidade interna e externa com valentia e parresía, e torna possível viver o chamado à OCDS com a determinação profética de quem caminha com decisão para "o alto do Monte, que é Cristo", como "testemunhas da presença de Deus" (CC 25) em meio ao seu povo.

2. Um elemento comum, fundamental na compreensão da identidade de todos os membros da Ordens é a consciência de ser membro da Igreja, povo de Deus e mistério de comunhão (cf. LG cap. II; ChL 8).

Como católicos e carmelitas, somos chamados a viver "em obséquio de Cristo" (Regra 2), graças à pertença eclesial, fundada no Batismo e na Confirmação e alimentada constantemente pela Eucaristia e pela graça dos demais sacramentos.

Mais especificamente ainda, a vocação de vocês como cristãos leigos no Carmelo teresiano é caracterizada pela "secularidade". E o chamado a seguir Jesus no meio do mundo, a viver e testemunhar aí os valores do Evangelho em "amizade com Aquele que sabemos que nos ama" (V 8, 5), servindo a Igreja e ordenando as realidades temporais segundo a vontade de Deus (cf. LG 31; ChL 15; CC 3).

Desenvolver com atitude de fé, esperança e caridade as tarefas diárias na família, no trabalho e em outras realidades culturais e sociais permite que vocês vivam a constante união com Deus e, portanto, santifiquem-se. Isso é possível, recordamos, graças à participação nos três ofícios de Cristo sacerdote, profeta e rei (cf. LG IO. 34.36; ChL 14; cf. CC Proêmio; 1).

3. Em segundo lugar, dentro da Ordem dos Carmelitas Descalços, o Carmelo Secular tem um vínculo histórico com os religiosos (cf. CC 2). O reconhecimento desse vínculo por parte do Magistério confere-lhe estabilidade do ponto de vista jurídico. As Constituições OCDS afirmam que vocês fazem parte do núcleo da Ordem, junto com as monjas e os frades: "são filhos e filhas da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo e de Santa Teresa de Jesus" e "compartilham com os religiosos o mesmo carisma" (CC Proêmio; l).

Além disso, a OCDS foi reconhecida e aprovada pela Igreja como associação pública de fiéis (cf. CC 37; CIC can. 303), em virtude da qual vocês têm personalidade jurídica, que os constitui sujeitos com direitos e deveres na Igreja (CC 40; CIC cân. 116. 113. 301-315).

Embora dependam juridicamente dos frades carmelitas descalços (CC 41), vocês gozam de autonomia no governo e na formação, tal como foi estabelecido pelos documentos que regem a OCDS.

Por último, como recordei na carta que lhes dirigi ano passado, vocês são chamados a viver em colaboração com a missão da Igreja e da Ordem em suas diversas expressões, especialmente no campo da promoção da vida espiritual (cf. CC 25-28).

Queremos vivenciar assim o Ano Nacional do Laicato de forma consciente e comprometida, correspondendo aos objetivos propostos pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e pelo CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), bem como ao que preconiza nossas Constituições: Assim, com seu testemunho de comunhão fraterna conforme o carisma teresiano, a Comunidade do Carmelo Secular coopera com a missão evangelizadora da Igreja no mundo (Constituições da OCDS, art. 24-d). Como Seculares, filhos e filhas de Teresa de Jesus e João da Cruz, estão chamados a “ser perante o mundo testemunhas da ressurreição e vida do Senhor Jesus e sinal do Deus vivo”, mediante uma vida de oração, de um serviço evangelizador e por meio do testemunho de uma comunidade cristã e carmelitana (Constituições da OCDS, Epílogo).

Entretanto, devemos sempre lembrar que não fazemos nada por nossas próprias forças, mas somos instrumentos nas mãos de Deus que se utiliza de nós, capacitando-nos e iluminando-nos mesmo na nossa fraqueza e miséria, para que Sua Graça se manifeste em nós e através de nós! “O elevador que deve elevar-me até o Céu”, dizia Teresinha, “são vossos braços, ó Jesus” (Manuscrito B, 3v).

Que neste Ano Nacional do Laicato Santa Teresinha, Padroeira das Missões, e todos os santos do Carmelo intercedam por cada um de nós, cristãos leigos, para que, conscientes de nossa identidade e do nosso papel na Igreja, possamos ser verdadeiramente carmelitas descalços seculares missionários, enriquecendo a Igreja e a sociedade com a nossa secularidade e assim cumprir nossa missão de ser sal e luz no mundo!


Luciano Dídimo Camurça Vieira
Luciano de São José, ocds
Presidente Provincial da OCDS (2016-2019)


"A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, 

eu também envio vocês" (1Jo, 20, 21)

Oração do Mês Missionário
Deus Pai, Filho e Espírito Santo, nós Vos louvamos e bendizemos pela Vossa comunhão, princípio e fonte da missão. Ajudai-nos, à luz do Evangelho da paz, testemunhar com esperança, um mundo de justiça e diálogo, de honestidade e verdade, sem ódio e sem violência. Ajudai-nos a sermos todos irmãos e irmãs, seguindo Jesus Cristo rumo ao Reino definitivo. Amém.

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1 Novena Campanha Missionária 2018 das Pontifícias Obras Missionárias
2 Catecismo da Igreja Católica, 873
3 Catecismo da Igreja Católica, 826
4 Carta Apostólica «Divini Amoris Scientia» de João Paulo II, 2

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

6º DIA - I Semana Missionária da OCDS



SUPERAÇÃO DAS VIOLÊNCIAS E CULTURA DE PAZ
26/10/18


Uma “Igreja em saída”, que se faz luz na superação da violência e na construção da cultura da paz

Ruth Leite Vieira, ocds


O tema deste sexto dia da semana missionária da OCDS constitui-se em imenso desafio, principalmente diante do contexto político que vivemos e da iminência da eleição presidencial que traz consigo a idolatria de ideologias extremistas. Neste momento não vamos nos deter na violência disseminada nesta guerra de extremos. Vamos fixar nossos olhos em Cristo e inundar o coração com os valores do Evangelho!

O texto bíblico sugerido para esta reflexão é Mc 8, 30-38:

“Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito. Então ele começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse. Ele falou claramente a esse respeito. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo. Jesus, porém, voltou-se, olhou para os seus discípulos e repreendeu Pedro, dizendo: "Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens". Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma? Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos".

Vivemos no Brasil um tempo de muita violência e de “muitas violências”. Não obstante o momento de cegueira onde se propaga a violência para combater as violências, vamos refletir sobre as causas da violência. Sabemos que toda forma de violência nasce de uma necessidade (moral, psicológica, física etc) não atendida, ou seja, nasce da miséria humana, das periferias institucionais ou existenciais.



Em contraposição, o Evangelho nos interpela a seguir a Cristo com coragem, renunciando a si mesmo, tomando a cruz e seguindo o Amor para a construção do Reino de Deus. No Reino de Deus não há violência, pois as necessidades de todos são atendidas. O seguimento autêntico de Cristo, necessariamente, nos leva a romper as barreiras da indiferença, então poderemos chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram. No entanto, primeiro, precisamos renunciar a si mesmos e abraçar a cruz. Somente depois veremos o Reino de Deus e a superação das violências.

Nesta semana missionária precisamos nos questionar:

O que precisamos renunciar para que as necessidades das pessoas que nos rodeiam possam ser atendidas e, assim, superarmos as violências e construirmos a paz?

Qual a cruz, o sacrifício, que devemos abraçar para essa construção?

Essa reflexão deve ser feita de forma individual, comunitária e também em nível macro. O que devemos renunciar pelo Brasil? Qual sacrifício podemos fazer para construção da paz em nosso País? Neste momento sensível que vivemos de nada vai adiantar colocar nossa responsabilidade nas “costas” dos políticos, sejam de extrema esquerda ou de extrema direita. A superação das violências e a construção da paz serão sempre responsabilidade da sociedade. A postura dos políticos é reflexo das nossas atitudes.


Neste contexto vamos refletir então qual a responsabilidade da OCDS na superação das violências e construção de uma cultura de paz, individualmente e comunitariamente. Que os ensinamentos dos nossos santos nos indiquem essa responsabilidade nos tempos de hoje. Que Nossa Senhora do Carmo nos ensine pela contemplação a servir ao próximo. Que a Eucaristia nos dê força para enfrentarmos nós mesmos, nosso egoísmo. Vamos cessar de procurar culpados por esse estado de violência generalizada! Somos nós! Somos nós que ainda não vivemos e testemunhamos o Evangelho como cristãos coerentes.

Uma Igreja que se faz luz na superação das violências e na construção da cultura de paz pela ação missionária de seus membros é sobretudo um grande testemunho do Amor de Cristo. Sendo assim, rezemos e imploremos ao Senhor que nos conceda alcançar Sua estatura para a cada dia construirmos Seu Reino de Amor e Paz! Afinal, somos cartas de amor, enviadas por Deus para um mundo de dor.


A Missão do Carmelita Secular

Garimpeiro do Verbo,
o leigo carmelita
anuncia o Evangelho
com a sua própria vida

Apóstolo de Cristo,
das sementes, o plantador
jardineiro missionário,
do pomar, o regador

Afinal, quem somos nós?
Somos cartas de amor
Enviadas por Deus
Para o mundo de dor

Luciano Dídimo

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

5º DIA - I Semana Missionária da OCDS



CASA COMUM E CULTURAS
25/10/18


Em se tratando de nossa vocação no âmbito da nossa casa comum e das culturas logo nos vem a memória o documento do Vaticano II a Dei Verbum já nele a Igreja reconhece a semente do verbo em todas as culturas, e após 50 anos o Papa Francisco nos exorta através de sua Encíclica, Laudato si, para o cuidado com a casa comum, pois é a sementes do verbo uma vez germinada que nos faz acolher o dom de termos uma casa comunitária. 

Assim, como podemos olhar para nossa vocação de carmelitas e nos darmos contas que a presença do nosso carisma está presente nos cinco continentes desta grande casa comum? Como nossa vocação saiu da Espanha e se espalhou? Como que nossa espiritualidade foi atraindo pessoas de diversas culturas, línguas, raças e nações? Pessoas que uma vez tendo encontrado Jesus não hesita em partir, com coragem, ousadia e destemor ousaram ir para além do conhecido, estabelecer em outras terras nossa espiritualidade. 



E o que encontramos nas culturas diversas? Várias formas de se manifestarem, formas diferentes de viverem, a cultura é uma marca indelével de um povo, marcado por suas tradições, conhecimentos, habilidades dentre tantas outras características. 

Nossa fé abraâmica nos revela um Deus criador e no cumprimento salvifico Jesus nos diz que Esse Deus é Pai, não Pai de alguns, mas de todos, de modo que o Deus Pai Criador criou-nos e nos pôs numa “casa” que podemos chamar de Casa Comum como afirma o documento Laudato Si. Uma falsa esperança depositada numa confiabilidade econômica chamada de globalização baseada em interesses particulares, nos distanciou e de alguma forma nos deixou entorpecidos tomando um caminho de destruição do dom de Deus. 

A ideia de casa nos remete a uma família. É a casa comum, sim reflexo também de nossa casa, de nosso grupo e de nossa comunidade. Formada por pessoas diversas que necessitam saber que são acolhidas e que o que desejamos é uma vivência plena com a dignidade de filhos de Deus. 

Um carmelita não fecha os seus olhos para o mundo da cultura, o carmelita é um homem e uma mulher que em tudo ver a oportunidade de falar do seu amor por Jesus. Termos um compromisso com o valor integral da pessoa humana. E que faz parte também uma boa formação, por isso que nossos documentos nos fala de uma formação Humana, Doutrinal, Espiritual e Carmelitana. 

Olhando para nos nossos santos quanta riqueza humana temos: Poetas, Dramaturgos, Escritores, Pintores, Artesãos, Ensaístas. Ser santo é viver bem nossa humanidade. Nossa mãe Teresa nos dá o exemplo, com sua castanhola trasborda de alegria a vida comunitária, Santa Madre neste último mês foi declarada patrona dos jogadores de xadrez. E o que dizer de Santa Teresinha com todo seu envolvimento nas peças teatrais dos recreios comunitários, No âmbito de nossa comunidade o que nós temos feito para levar cultura para nossos irmãos? 

Como nossa província é rica de talentos, temos: poetas, atores e atrizes, cantores, compositores, músicos, artesãs, escritores, sapateadores, bailarina, quanta coisa podemos fazer. Que nossas comunidades e grupos possam se abrir ao mundo das artes e favorecer oportunidades de num recreio comunitário irmos ao Teatro, vermos uma boa peça; Visitar um museu e conhecermos um pouco mais de nossa história; Um sarau literário, o amor é criativo. 


Edith Stein, quando fala da relação entre pessoas, nos aponta o caminho concreto da construção de uma vivência comunitária, que se baseia na abertura para acolher o diferente numa relação empática, que não tem nada a ver com ser simpático, e que sem deixar de sermos quem somos em nossa pessoalidade, sabemos deixar de lado nosso ponto de vista tendo como fim o bem comum. 

É necessário que nossas comunidades e grupos sejam espaços da vivência empática revelando assim uma casa comum, uma vocação comum, e àqueles que Deus chamou para essa vocação se sentirão em casa. Sem angelicalismos espiritualizantes. A nossa vida que em si já é uma bela missão é marcada por todas as realidades humanas fraquezas, fracassos, conflitos, mas também esforços, lutas e vitórias. Assim também, nossas comunidades serão marcadas bem como as culturas. 

Precisamos amadurecer o entendimento de nossa vocação missionária que deve ser abrir as mais diversas culturas, compreendendo o sentido de casa comum. O Carmelo é uma grande “casa comum”, e com perdão da expressão não é a “casa da mãe Joana” nós sabemos que existe uma Mãe e que é Maria, a Senhora do lugar, aquela que ordena, que põe a casa em ordem. A missão nos faz declinar de nosso coração fechado no egoísmo e nos faz abre os olhos para as diversas necessidades dos nossos irmãos, também os de dentro de nossas comunidades e grupos. 

Por fim, que essa semana missionária possa nos animar a darmos o primeiro passo, a ousar fazer diferente, e pedir luzes do Espirito Santo para que possamos com ousadia e destemor pela força do Espirito renovar a face da terra que é dom de Deus e nossa casa comum rumo à casa definitiva onde seremos um “Louvor de glória” e “cantaremos as misericórdias do senhor” no Carmelo triunfante um eterno “Laudato Si” . 

Moisés da Cruz, OCDS.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Comunidades e Grupos compartilham suas atividades nas redes sociais


Comunidade São José  em reunião no Carmelo Santa Teresinha em Aparecida/SP, com as relíquias Santos Luís e Zélia Martin.


Membros da Comunidade São José participam de missa em honra a Nossa Senhora do Rosário, celebrada pelo Neo-sacerdote João Batista  e concelebrada pelo padre Guilhermo.


Minicurso sobre São João da Cruz promovido pela Comunidade Santa Teresa de Jesus/RJ com o apoio das nossas queridas monjas no Carmelo São José ministrado por nosso querido Frei Claudiano.


Reunião do Grupo OCDS de Elói Mendes, fruto  da visita das relíquias de Santa Zelia e São Luis Martin nesta cidade levada pela Comunidade OCDS de Varginha. Sua fundação vai ser dia 26 de janeiro de 2019 com a presença do provincial Frei João de Deus e de nossa Conselheira Marisa.


4º DIA - I Semana Missionária da OCDS



COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO
24/10/18




Neste quarto dia da semana missionária da OCDS meditaremos aspectos da Comunicação e Educação, esferas tão importantes para nós seculares. Em meio a tanta informação (e desinformação) somos chamados a reconhecer nosso papel de anunciadores e reafirmar nossa missão em comunicar Jesus Cristo: Caminho, Verdade e Vida. 

A palavra Comunicação deriva do latim communicare, que significa “tornar comum”, “partilhar”, “conferenciar”. A comunicação pressupõe, deste modo, que algo passe do individual ao coletivo, embora não se esgote nesta noção, uma vez que é possível a um ser humano comunicar consigo mesmo. 

O Papa Francisco afirma que “no projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão [...] e que o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo”. O compartilhamento de experiências, sensações e emoções, quando realizado na perspectiva da comunhão fraterna, é um ato comunicativo que desperta o amor entre os irmãos, educa para a fé e revela o rosto misericordioso de Deus. A comunicação e a educação deve nos levar à busca da Verdade e à construção do bem. 

A Igreja, e em especial nós carmelitas, tem em Santa Madre Teresa de Jesus o perfeito exemplo de alguém que soube comunicar o que se passava em seu interior de forma a ajudar os outros a também buscarem a Verdade. 

Nos dizeres do Padre Francisco Javier Sancho, Santa Teresa foi “uma grande comunicadora no século XVI e que permanece, ainda hoje, tocando muitos corações com seus escritos”. Falando de suas experiências espirituais, embora nem sempre tenha desejado deixar claro que se referiam a ela, Santa Teresa soube comunicar e ensinar sobre a oração, a humildade, o amor fraterno e o serviço à Igreja. Portanto, é comunicadora e mestra. 

Mesmo com muitas dificuldades, Santa Teresa escreveu bastante... comunicou-se por meio de muitas cartas e a mensagem contida nelas, bem como nos seus outros escritos, sobrevivem às barreiras do tempo e espaço apresentando uma atualidade impressionante. 


Observemos que os escritos de Santa Teresa são frutos da obediência e da necessidade de comunicar em meio a uma realidade hostil, marcada por certa ignorância, que impede o homem de entrar em si mesmo para encontrar Deus. Ela viveu e compartilhou sua vida mística, transformando sua experiência pessoal em auxílio para tantos homens e mulheres sedentos da Verdade. 

Desse modo, nesta semana em que somos chamados a refletir nossa missão como Carmelitas Seculares, precisamos também ser “conscientes da necessidade que tem o mundo do testemunho da presença de Deus “ para “comprometer-nos com a sociedade humana vivendo nosso próprio carisma”. Neste sentido, e considerando a comunicação e educação em sentido mais amplo, faz-se necessário estreitarmos nossa comunicação com Deus, com o outro e com o mundo, para que possamos irradiar o Deus amigo nas realidades seculares que vivemos. 

A comunicação com Deus (oração) traduzida para nós carmelitas como um “trato de amizade”, é alimentada na escuta da Palavra de Deus, na leitura espiritual e na vivência dos sacramentos, que favorece a contemplação: o reconhecimento de Deus sempre e em todo lugar. Por isso, devemos primar pelos tempos fortes de oração que nos conduzirá ao encontro pessoal e íntimo com Nosso Senhor. Somente a partir disso, poderemos testemunhá-Lo e comunicar a esperança no meio em que vivemos. 

Por vivermos em comunidade, temos a graça de exercitarmos cotidianamente a comunicação com o outro, ou seja, de “interessar-se pelas necessidades e pelo bem dos demais nas comunidades”. A comunidade OCDS é o local para “viver e promover a comunhão pessoal e comunitária com Deus em Cristo no Espírito e com os irmãos, conforme o carisma carmelitano”. A escuta, a oração uns pelos outros, a participação nos momentos de lazer, a solicitude fraterna e o diálogo promovem a comunicação entre os irmãos que buscam um crescimento humano e espiritual com base na comunhão fraterna. 

Sendo seculares, precisamos também vivenciar uma efetiva comunicação com o mundo. E para isso, de maneira responsável, devemos utilizar os diversos canais de comunicação que atualmente dispomos. Segundo o Papa Francisco, “a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz”. 

Ao nos comunicarmos com Deus, com o outro e com o mundo, na perspectiva da vivência das bem-aventuranças na vida cotidiana, seremos testemunho de vida evangélica como membro da Igreja e da Ordem e, por este testemunho, convidaremos o mundo a seguir a Cristo: Caminho, Verdade e Vida (Jo 14, 6). 

Maria, nossa mãe, modelo de fidelidade, escuta e serviço a Deus e aos outros nos ajude e interceda por nossa caminhada. 

João Paulo Matias Paiva 
(João Paulo de Santa Teresa de Jesus) 
Comunidade Flor do Carmelo de Santa Teresinha 
Fortaleza/CE

terça-feira, 23 de outubro de 2018

3º DIA - I Semana Missionária da OCDS



POLÍTICA E POLÍTICAS PÚBLICAS
NOVOS CAMPOS DE MISSÃO PARA OS LEIGOS
23/10/18


Partimos da realidade da vocação que assumimos, de sermos cristãos que vivem no mundo, “somos gente das ruas” no dizer de Madeleine Delbrel (defensora dos espaços dos leigos na Igreja à época do Concílio).

Estamos envolvidos com a múltipla e complexa realidade que nos circunda. Não podemos fugir disto e aí está a vocação e a missão de nossas vidas. Viver Igreja não nos separa do mundo, pelo contrário, o Evangelho e nossa responsabilidade como cristãos nos impele a, dentro dele, sermos sal, luz e fermento (Mt 5,13-14; 13,33).

Comecemos do início. Nossa identidade como cristãos refere-se ao chamado que recebemos para ir ao Encontro com Jesus Cristo (Jo 1,41). São graças fundantes:

= “para que ficássemos com Ele...” (Jo 1,39);
= “para, na sua convivência, nos ensinar Seu jeito de ser e Suas atitudes”(Jo 1,40);
= “para nos enviar a ‘pregar’ a Boa Nova do Reino e a instaurá-lo”(Mt 28,19-20);
= e nos indicando a viver em comunidade para levar esta Boa Nova a todos, através dos muitos carismas e ministérios suscitados pelo Espírito Santo na Igreja para este fim (At 1,6-8.12-14; 2,1).

O Concílio Vaticano II sublinhou intensamente que todos os batizados são chamados à perfeição da vida cristã: sejam clérigos, religiosos ou leigos, cada um segundo o seu próprio carisma e sua própria vocação específica. O chamado à santidade é posto a todos e passa pelo seguimento de Cristo.

“Cristo é o centro da vida e da experiência cristãs”, e os membros da Ordem Secular “são chamados a viver as exigências de seu seguimento em comunhão com ele, aceitando seus ensinamentos e entregando-se a sua pessoa. Seguir Jesus Cristo é participar em sua missão salvífica de proclamar a Boa Nova e de instaurar o Reino de Deus (Mt 4,18-19; cf. Constituições Ocds, cap.II)”.

Tocamos assim no ponto saliente do assunto que se trata aqui – de anunciar a Boa Nova do Reino e de instaurá-lo”(Mt 28,19-20) -, assunto que necessitamos esclarecer, apagar supostas contradições e dicotomias ultrapassadas que tanto nos incomodam a vida cristã porque nunca resolvidas, qual seja, em síntese:

A vocação do Carmelo Teresiano, enquanto leigos, não é viver separados, mas no meio do mundo com toda a complexidade da vida em nossas realidades, com nossos compromissos de família, de trabalho, de sociedade, etc. E aí manter um diálogo existencial com Deus.

Com efeito, o Concílio deu grande atenção ao papel dos fiéis leigos dedicando-lhes atenção na Constituição Dogmática “Lúmen Géntium” (intitulada “Luz dos Povos”, cap.IV), que trata sobre a Igreja, para definir a vocação e missão dos cristãos leigos, assim: “arraigadas no Batismo e na Confirmação, e orientadas a “buscar o Reino de Deus tratando e ordenando, segundo Deus, os assuntos temporais” - (LG 31).


Para orientar isto, o Concílio (LG 33) ressalta que

1º) “os leigos são chamados de modo especial a tornar presente e operante a Igreja naqueles lugares e circunstâncias, onde só por meio deles pode vir a ‘ser sal da terra’ (Mt 5,13). Assim todos os leigos devem ser testemunhas e instrumentos da mesma missão da Igreja nesses campos missionários que lhes são próprios.

Exerçam aí, então, sua “função régia” para dilatar o Reino de Deus (LG 36; e 5) nas estruturas humanas “através das atividades propriamente seculares, de modo que o mundo se impregne do espírito de Cristo e atinja o seu fim na justiça, na caridade e na paz” (LG 36).

2º) “Além desse apostolado, [...] podem ser chamados, sabemos, a uma colaboração mais imediata com o apostolado dos pastores (cf. Flp 4,3; Rm 16,3ss)...”.

3º) E ainda o encargo de trabalhar para que o plano divino da salvação atinja cada vez mais todos os homens, em quaisquer tempos e lugares.

A “Lúmen Géntium” passa, então, a indicar alguns dos diversos critérios de ação, nas estruturas humanas de modo geral – um verdadeiro programa de vida cristã para o leigo:

- para que os bens criados se explorem em benefício de todos os homens;
- sejam melhor distribuídos segundo a ordem do Criador;
- grande valor é se considerar sempre o bem comum;
- para tanto, se cuide do trabalho humano, o uso da técnica postos a serviço de todos;
- que as normas e condições de vida sejam pautadas pela justiça, progresso de todos e a liberdade;
- agindo desta maneira, impregnarão de valor moral a cultura e as atividades humanas;
- aprendam, como membros da sociedade civil, seus direitos e obrigações;
- busquem orientar pela consciência cristã toda a ocupação temporal, pois nenhuma atividade humana, nem sequer na ordem temporal, pode subtrair-se ao império de Deus.

Além da ação e do testemunho individual, o Concílio insiste na importância do apostolado organizado dos leigos, necessário para influenciar a mentalidade geral, nas condições sociais, nas instituições e nos ambientes (cf. AA 18). E ainda, insiste, que haja sua formação para o apostolado.

Depois do “Doc. de Aparecida”(2007), os bispos brasileiros em documento recente trazem orientações práticas sobre esse assunto. É intitulado, “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz no Mundo (Mt 5,13-14)”, (Doc. Cnbb, n.105, azul, 2016).

Esta é bem a espiritualidade cristã pedida a nós leigos carmelitas descalços seculares. Como me referi anteriormente, em nossos dias, mais e mais, novas situações humanas e sociais surgem e pedem uma atenção especial dos discípulos missionários leigos, 

– dilatando dessa forma os campos do seu apostolado, carecendo atitudes transformadoras para restaurá-las à luz dos valores do Reino de Deus.Trata (250-273) sobre a ação dos cristãos leigos e leigas nos “areópagos modernos”, assim chamados pelo Papa João Paulo II, e trata de alguns desses campos:
- a família: como areópago primordial, como âmbito inicial da vida dos cristãos (255);
- o mundo da política: “Os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política destinada a promover o bem comum” (261);
- o mundo do trabalho, o mundo da cultura, o mundo das comunicações; a questão ecológica, e tantos outros: grandes cidades, migrações, refugiados políticos, guerras, catástrofes naturais, a pobreza, empenho pela paz, promoção da mulher e da criança, a juventude, a escola, universidades, as pesquisas científicas, etc., e em especial,
- o mundo das políticas públicas: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019 sugerem aos leigos que colaborem e ajam em parceria com outras instituições privadas ou públicas, com os movimentos populares e entidades da sociedade civil, em favor da implantação e da execução de políticas públicas voltadas para a defesa e a promoção da vida e do bem comum (264; op.cit. nº 124).

São tantos campos missionários, numa “Igreja em saída”. Onde estiver, ouça o seu chamado!

Para qualificar tudo isso, o Papa Francisco nos propõe o Cap. IV da sua Exortação Apostólica “Evangélii Gáudium” (“A Alegria do Evangelho”), em 2013. Trata de “A dimensão social da evangelização”, talvez o tema mais central. Ele inicia com uma afirmação lapidar: “Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo”.

E explicita o Papa: “Desejo agora partilhar as minhas preocupações relacionadas com a dimensão social da evangelização precisamente porque, se esta dimensão não for devidamente explicitada, corre-se sempre o risco de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora” (EG 176).

Concentra-se sobre duas graves questões que são fundamentais neste momento da história (185). Afirma que elas “irão determinar o futuro da humanidade”, são: a inclusão social dos pobres (186-216) e a questão do bem comum e da paz e diálogo social (217-258).

Talvez alguém possa argumentar: Essas questões propostas não estão no alcance de nossas forças resolvê-las.

Sem dúvida! Contudo, o que se nos pede é caminhar nessa direção a partir do nosso pequeno ou amplo espaço de ação. Não deixar para depois, nem esperar que outro comece (em direções por vezes equivocadas, quando não inválidas e longe dos valores evangélicos), somar esforços com outros, contribuir com nosso pequeno “óbulo da viúva”, talvez.

Ser missionário em nossos dias significa bem mais do que anunciar com palavras a Boa Nova, mas exatamente isto, cuidar da saúde do povo – se esta for a minha área de atuação; cuidar da educação, das relações de trabalho, da Natureza ambiente, etc., pois tudo isso são campos de missão.

Para sermos verdadeiros discípulos missionários no meio da sociedade, nosso testemunho deve extravasar os muros eclesiais e nos misturarmos nos diversos ambientes, como o fermento na massa, com outros cristãos, não-cristãos, e com homens e mulheres de boa vontade independentemente de quaisquer diferenças, credo, raça e opinião, desde que concordes com um núcleo mínimo de valores, como, a verdade, a liberdade, a dignidade da pessoa humana, a justiça, a paz, a prevalência do bem comum, abertos à esperança de se criar um mundo novo com esses valores, em prol de uma civilização do amor. Tudo alicerçado sobre um denominador comum contido na proposta de Deus encontrada na chamada “Regra de Ouro”, como é apresentada pelo evangelista São Mateus (7,12):

“Tratai os outros assim como quereis que vos tratem. Nisso consistem a Lei e os Profetas”. É fundada sobre o alicerce do Decálogo: amor a Deus e amor ao próximo.

Gustavo Graciano de Santa Teresa de Jesus, ocds
Recife, 10 de outubro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

2º DIA - I Semana Missionária da OCDS



MUNDO DO TRABALHO
22/10/18

Caros irmãos de fé e de Carmelo Secular, saudações! Minha proposta de reflexão para este dia é antes uma abordagem sobre o ser cristão e carmelita do que uma dissertação sobre o lado social do trabalho.

Desejo caminhar com vocês dentro de nosso dia a dia de trabalho, seja como colaboradores, desempregados e ou como empregadores.

VALOR DO TRABALHO 
– O mandamento do Criador – 

Apesar do preconceito corrente, o trabalho não provem do pecado: antes da queda, Javé tomou o homem e o colocou no Jardim do Éden para que cultivasse e guardasse (Gn 2.15) Se o decálogo prescreve o sábado, é ao cabo de seis dias de trabalho (Ex. 20,8ss) A apresentação imaginosa da Criação em seis dias sublinha que o trabalho do homem corresponde à vontade divina, e o apresenta como reflexo da ação do Criador: o relato nos dá a entender que formando o homem à Sua Imagem (Gn 1,26) Deus quis associá-lo ao seu plano e que depois de ter estabelecido o universo Ele o entregou às mãos do homem com o poder de ocupar a Terra e de submetê-la (Gn 1, 28). Todos os que trabalham, mesmo os que “não brilhem nem pela cultura nem pelo discernimento” todos, não obstante, cada qual com seu oficio, “Sutem a criação” (Si 38,34 – Siracida / Bem Sirac, Eclesiástico) Por isso não é de admirar que a ação do Criador seja facilmente descrita com atos de operário, moldando o homem, (Gn 2,7) produzindo o céu “com (seus) dedos” e fixando as estrelas em seu lugar (Sl 8,4) inversamente o grande hino que canta o Deus criador descreve o homem saindo de manhã “para à sua obra, para realizar o seu trabalho até a tarde” (Sl 104,23 Cf Si 7,5). Esse trabalho do homem vem a ser o pleno florescimento da criação de Deus, a realização da sua vontade. (Consultar Vocabulário de teologia bíblica - I- O valor do trabalho)

Porém em Gen 3, 17 – 19 onde o Senhor, depois da constatação da desobediência, do pecado, o homem deixa de ser o centro da criação, lhe indicando de que modo serão os seus dias de trabalho e dor durante suas breves vidas! Vivemos hoje, outros tempos, do modernismo (SEC XVI) até o presente momento o homem voltou a ser o centro do universo. Não há de se negar que através de seu trabalho, realizou grandes conquistas nos campos da ciência, medicina, psicologia e da filosofia, mas seu mundo e forma de viver continua pequeno e seu grande obstáculo continua a ser seu ego, sua vaidade e soberba, os mesmos que o tiraram do paraíso, ou seja, os mesmos pecados que o afastaram de Deus! O trabalho hoje talvez seja o maior obstáculo para a humanidade, não o trabalho em si, mas o valor que a atual sociedade atribui a ele; uma sociedade hedonista, materialista e consumista que vê no lucro e no trabalho seu único fim!

Caros irmãos do Carmelo, acredito que um dos grandes obstáculos meus e da maioria dos carmelitas seculares seja o de administrar em nossas profissões esses conflitos todos. Nós, querendo ou não, somos filhos dessa mesma sociedade, que num dado momento de nossa existência ouviu o suave chamado da Graça de Deus e se pôs (como Abraão) na busca de nossa terra prometida; Porém, assim como Moisés, temos que fazer a travessia do deserto na busca dessa Terra onde corre leite e mel. Continuamos inseridos nela fisicamente, mas o Evangelho nos convida todos os momentos a não vivermos segundo ela.

O dia a dia do carmelita secular, homem como eu ou mulher, de nossos dias, tem uma carga horária de trabalho entre 08 e 10h, cinco ou 06 dias por semana, (fora os deslocamentos nas grande metrópoles invariavelmente de mais de horas). Portanto um tempo grande de nossas vidas. Com certeza somos frequentemente exigidos em nossos trabalhos em alguma atitude: de julgamento, de aceitação e renúncia e ou de provação diante das situações que nossos trabalhos exigem. O desafio que aceitamos está em buscarmos a fidelidade ao nosso compromisso carmelitano e ao Evangelho, e de sermos fiéis aos nossos contratos de trabalho.

Assim sendo, em nossos dias, acrescentando um período de sono necessário, nos restam durante os dias da semana algo entre 05 a 07 horas do dia para nossos afazeres particulares, convivência com a família e orações!

Considerando que quando do chamado para o Carmelo recebemos a formação e a missão de sermos “sal da terra e luz do mundo” no século, ou seja, aceitamos a missão de sermos carmelitas no ambiente que estivermos; o trabalho quotidiano nos coloca em contato com pessoas de várias idades e origens sociais e culturais, que convivendo conosco e nos observando, no convívio diário e ou eventual, são influenciados por nosso jeito de ser. Tenho um grande amigo há 20 anos, terapeuta de (PNL) que me ensinou que nosso corpo, ou seja, nossas expressões faciais e ou corporais, falam mais que nossas palavras. Portanto, seremos de alguma forma influenciadores dos que nos rodeiam, podemos estar passando por dificuldades pessoais e/ ou dores, podemos estar alegres e animados, os que nos rodeiam quotidianamente saberão sempre o porquê de nosso estado de ânimo ou de desânimo e os motivos que nos levaram a isso (ou seja quais os valores que nos movem). Se de nós sair expressões aborrecidas e palavras de desânimo, ou de alegria e otimismo, certamente influenciaremos os que estarão à nossa volta. Isso já a psicologia nos ensina há décadas. O que dizer de um testemunho de aceitação, de mansidão e perdão, não influenciará os que nos rodeiam. Isso vai além da psicologia. Alegria e mansidão nas dores físicas e/ou morais são uma manifestação da graça de Deus presente em nosso ser.


Valor positivo do trabalho – Por o trabalho em seu devido lugar, distinto de Deus, não é absolutamente desvalorizá-lo, é reconhecer seu valor na criação. Ora esse valor é muito elevado. Jesus não só vai buscar, como Javé no AT, títulos e comparações no mundo do trabalho: pastor, vinhateiro, médico, semeador (Jo 10,01ss; 15,1 Mc 2,17; 4,3) e isso sem o resquício de condescendência do Siracida, tão típica do intelectual, para com o trabalho manual, sua necessidade e seus limites (Si 38,32ss) Jesus não só apresenta o apostolado como um trabalho, o da ceifa, (Mt 9,37; Jo 4,38) ou da pesca (Mt 4,19); não só está atento à profissão dos que Ele escolhe (Mt 4,18) senão que supõe por seu comportamento, um mundo que trabalha: O lavrador em seu campo (Lc 9,62), a dona de casa com sua vassoura (15,8) e acha anormal deixar-se enterrado um talento sem fazê-lo render (Mt 25,14-30). Se acontece que Ele multiplique os pães – Pães cozidos em nossos fornos – Ele faz questão de mostrar que se trata de uma exceção e que Ele deixa aos homens o cuidado de fazer e cozer os seus pães. No mesmo espírito de leal adesão à condição humana, Paulo recomendará manter-se longe de qualquer irmão que vive na ociosidade sob o pretexto de que a Parusia está próxima (2Tl 3,6). (Vocabulário de teologia Bíblica)

Se dentro de um ambiente religioso “conventual” sabemos que as dificuldades de relacionamento são grandes, o que dizer de nós seculares em nossos ambientes de trabalho que às vezes perduram por 05, 10 anos ou mais. Tenho meditado faz tempo sobre essa realidade. Confesso que o trabalhar me é muito prazeroso. Gosto do que o Senhor me deu como ofício, mas confesso que tenho uma luta diária contra minha falta de entrega, confiança e mansidão; Nos resultados dos meus muitos esforços, diariamente nas minhas orações, preciso olhar para meu coração e admitir que invariavelmente sou muito preocupado e ansioso. Peço a Deus diariamente que me fortaleça e me guie em minhas ações e pensamentos!

Valor Cristão do Trabalho – O Novo Adão - Cristo possibilita a humanidade cumprir a missão de dominar o mundo (He 2,5ss; Ef 1,9ss) salvando o homem, ele dá ao trabalho seu pleno valor. Torna sua obrigação mais premente, fundamentando-a nas exigências concretas do Amor sobrenatural; revelando a vocação dos filhos de Deus. Ele mostra toda a dignidade do homem e do trabalho que está a seu serviço, estabelece uma hierarquia de valores que permite julgar e conduzir-se no trabalho instaurado, o Reino que não é deste mundo mas nele se encontra um fermento, ele devolve sua qualidade espiritual ao trabalhador, dá ao seu trabalho as dimensões da Caridade e fundamenta as relações engendradas pelo trabalho no princípio novo de fraternidade em Cristo. Em virtude de sua lei de amor (Jo 13,34) Ele obriga a reagir contra o egoísmo e a fazer tudo para diminuir o sofrimento dos homens no trabalho, contudo, introduzindo o cristão no mistério de sua morte e de seus sofrimentos. Ele dá um valor inestimável. (Vocabulário de Teologia Bíblica)

Assim meus irmãos de fé e de Carmelo, exorto-os a superarem os obstáculos e possíveis sofrimentos que a Santa Providência nos coloca em nossas vidas, com certeza a maioria delas em nossos ambientes de trabalho. Não digo que não se deva contestar as injustiças; porém um carmelita deve antes de qualquer reação de defesa, ouvir seu coração. Nosso advogado de defesa continua muito eloquente e forte, porém não buscamos a força do mundo, mas a força de Deus! Sinto na pele em meu trabalho, as mesmas dificuldades dos irmãos da Ordem quando nos falamos. Em minhas orações diárias peço ao Senhor por cada um de nós e pela vivência de nosso carisma e missão no mundo! Rezemos uns pelos outros!

José Luiz Rizzato, ocds. 
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus Doutora
Jundiaí - SP
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