terça-feira, 20 de abril de 2021

Promoção do Grupo São José à Comunidade

Província São José - OCDS

COMUNIDADE SÃO JOSÉ – PETRÓPOLIS/RJ.

(22/09/2021 – 05/04/2021)

Queremos compartilhar a alegria da "promoção" do Grupo São José de Petrópolis à COMUNIDADE SÃO JOSÉ, através da Carta enviada por nossa Presidente Provincial da OCDS, Rose Lemos, na tarde do Sábado Santo, passando a contar a partir do dia 05 de abril de 2021. Esta “promoção” ocorreu após comprovado cumprimento de um caminho “estável, dentro dos preceitos normativos OCDS”, por um período que já contam oito anos e seis meses desde a sua fundação (22/09/2012), dentre eles, sete anos como grupo a partir do ingresso na Província São José, em 27 de abril de 2014, o Grupo São José veio desenvolvendo as dimensões das etapas da formação sejam elas: espiritual, da vida de oração; carmelita, do conhecimento da OCDS; doutrinal, da vida cristã; e humana, no que diz respeito às relações fraternas e humanas entre seus membros.


Dentro do que o Decreto Diocesano está nos permitindo, realizamos alguns momentos celebrativos.

 Santa Missa em Ação de Graças – 18/04/2021.

Ação de Graças na Missa do último domingo, dia 18 de abril de 2021, na comunidade paroquial de Santa Catarina de Alexandria, mas permanecemos aguardando a oportunidade para celebrar também com nossa Ordem (com o Delegado Provincial, frei Wilson).



"Dirige e oferece a Deus cada uma de tuas obras e pede-lhe que  seja para sua honra e glória".

(Santa Teresa - Aviso 23)

Durante a preparação para o “Aceite” de Comunidade, nosso Conselho local, decidiu em partilhas com nossa Presidente e nossa Conselheira provincial, a Andrea, agendar com nosso Bispo diocesano uma visita para lhe dar conhecimento deste momento, por duas motivações: a primeira, pela proximidade que ele, D. Gregório Paixão, OSB, tem com todos em seu pastoreio na Diocese de Petrópolis; a segunda, nos baseando no apoio oficial exigido para o momento de ereção canônica. Algo que queremos também registrar neste espaço de partilhas e ação de graças. 

Em profunda ação de graças, registraremos aqui os momentos fraternos de nosso Conselho e de nossa Comunidade. As visitas que fizemos para compartilhar este momento de alegria. A visita ao nosso Bispo diocesano, e a visita às irmãs de nosso Carmelo de São José de Petrópolis – estas que durante a pandemia não estamos tendo muitos contatos.

Na Mitra Diocesana de Petrópolis/RJ.


Por nosso Bispo D. Gregório, fomos acolhidos com a mesma amizade e atenção que lhe são próprias. Tivemos o momento de apresentação de nosso Conselho local, e apresentação também do carisma Teresiano e da identidade do Carmelita Secular, além de nossa história e missão em nossas paróquias tão bem conhecidas por ele; e reiteramos nossa disponibilidade a serviço da Igreja Particular (a Diocese). Partilhamos sobre a importância de São José para a Igreja e o Carmelo. Como cuidadoso pastor, nos deixou seu aconselhamento para a vivência em COMUNIDADE, levando em consideração os "Sete olhares"... E, explicou-nos um a um.

 É comum encontrar na vida em comunidade "sete olhares": do porco, do urubu e da iena; Como, também, da borboleta, da abelha e da águia. E um sétimo olhar.

Os três primeiros são os olhares negativos: Aquele que gosta das sobras, vê tudo para sua vantagem, este é o olhar de porco; Aquele que adora carniça, vê problema em tudo, este é o olhar do urubu; Aquele que ironiza tudo, mas tudo que vê quer copiar, este é olhar da iena. Os outros três, são os olhares positivos: Aquele que gosta do que é bonito e colorido, e vê sempre o lado bom das coisas, este é o olhar da borboleta; Aquele que gosta do que é doce, gosta de adocicar as situações, este é o olhar da abelha; Aquele que vê longe planeja e idealiza, este é o olhar da águia.

Percebemos que todos os olhares, mesmo os olhares positivos, são limitados e incompletos. Numa comunidade, não pode faltar Aquele “sétimo olhar”, da misericórdia e da caridade, que é o único olhar perfeito, que é o olhar de Deus, e que tem que prevalecer. Concluiu com uma bênção especial para nosso conselho.

No Carmelo de São José de Petrópolis/RJ.

 Com a Madre Cristiana. Muitas partilhas das realidades vocacionais de ambos os ramos - monjas e seculares, encerrando com a ORAÇÃO DE SÃO JOSÉ DO ANO SANTO. Com a Irmã Bernadete, a Irmã "madrinha" do Grupo São José, de quem partiu a iniciativa de formação do Grupo São José em 2012.  Muitas partilhas e recordações. Alegria de ambas as partes com esta promoção à COMUNIDADE. Encerramos cantando a Salve Regina. 




Ação de Graças de nosso Conselho Local

Recreio Carmelitano de nosso Conselho – 07/04/2021.

"Ainda que escolha a muitos Santos por advogados, tenha sempre particular devoção a São José, que  muito alcança de Deus". (Santa Teresa - Aviso 65)

Reunião Fraterna da COMUNIDADE SÃO JOSÉ – 18/04/2021.

Pascuela e Ação de Graças - Meditando a perseverança na Oração em Santa Teresa.

 "Digo que muito importa, sobretudo, ter uma grande e muito determinada determinação de não parar enquanto não alcançar a meta, surja o que surgir,  aconteça o que acontecer, sofra-se o que se sofrer, murmure quem murmurar, mesmo que não se tenha força para prosseguir, mesmo que se morra no caminho ou não se suportem os padecimentos que nele há,  ainda que o mundo venha abaixo". (Santa Teresa de Jesus - C 21,2)

  

Vida Fraterna

(Estela da Paz, Ocds)

O amor ao próximo se alimenta

com toda santa conversação

Teresa nossa mãe nos ensina

sacrificar a própria satisfação

 

Excelente doutrina será aquela

expressa no amor do próximo

que no amor humano natural

revela o de Deus sobrenatural

 

Boa coisa é mostrar-se sensível

às penas que dos outros vemos

revelando o Deus que não vemos

 

Teresa ainda ensina que do próximo

Não podendo desculpar suas ações

precisamos desculpar as intenções.


Agradecimentos

Agradecemos, na pessoa do frei Emerson Oliveira Santos, a todos os Provinciais, Delegados e Assistentes OCD, bem como a todos os frades e monjas de nossa Província e de nossa Ordem, que de alguma forma nos tem auxiliado nestes quase nove anos de caminhada. Bem como, na pessoa de nossa presidente Rose Lemos e da vice-presidente Marisa Ribeiro, agradecemos aos ex-presidentes e vice-presidentes. E na pessoa da Andrea Nascimento de Souza, agradecemos aos Conselheiros que nos auxiliaram neste processo, e que continuam conosco nesta subida ao Monte, que é Cristo. 

Agradecemos ao nosso Bispo Diocesano, D. Gregório por seu pastoreio e apoio de sempre ao Carmelo, ao Carmelo de São José de Petrópolis, na pessoa da Irmã Cristiana, Priora deste triênio que está encerrando, aos sacerdotes de nossas paróquias, que nos acolhem e orientam quando necessário, contribuindo com o nosso crescimento cristão, e possibilitando nosso testemunho carmelita secular, como também, aos irmãos de nossas Paróquias que conosco caminham.

Agradecemos às nossas famílias, conjuge, filhos, pais e irmãos, que nos têm apoiado neste chamado vocacional, e que nos possibilitam responder com prontidão a nossa vocação. A cada um, nosso muito obrigado. 

Por fim, nos unimos em oração a todas as Comunidades e Grupos da OCDS, rezando ao Bom Deus, unidos à nossa Mãe, Irmã e Rainha do Carmelo, com a intercessão do Glorioso São José, pela vida nova que se inicia para nós como COMUNIDADE SÃO JOSÉ da OCDS. Sempre pautando nossa vida e formação sob a intercessão de Santa Madre Teresa de Jesus, Santo Padre João da Cruz, Santa Teresinha, e os santos do Carmelo!

Recebam as nossas orações! Rezem por nós! 

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ - ANO SANTO 2020/2021.

 Amado Deus, neste Ano Santo dedicado a São José, agradecemos por ter-nos dado tão casto patrono e intercessor, e nos unimos ao Papa Francisco, à toda a Igreja e ao Carmelo, como filhos de Teresa de Jesus e de João da Cruz, para caminharmos de olhos fixos na subida ao Monte que é Cristo.

Unidos ao glorioso São José e à Santíssima Virgem Maria, nos apresentamos, pessoal e comunitariamente, pedindo que renove a nossa fé, aumente a nossa esperança e nos faça prosseguir com amor e perseverança, nos confiando ao seu patrocínio.

Ó amabilíssimo São José, suplicamos que nos ensineis a acolher a vontade de Deus nas inúmeras situações da vida, amando e adorando o vosso Divino Filho, guardando o ditoso silêncio que nos permita ouvir a voz do Espírito Santo, e a seguir com amor os maternais cuidados da Virgem Maria.

Ó obedientíssimo São José, suplicamos ainda, que nos ensineis a testemunhar o nosso batismo e nossa vocação, meditando dia e noite a Palavra de Deus, crescendo na virtude da escuta e do silêncio, para vivermos uma fé íntima, mas operosa.

Por fim, ó fidelíssimo São José, esposo da Virgem Maria, pai nutrício de Jesus, amantíssimo senhor da Sagrada Família de Nazaré, volvei vosso olhar paterno para nós e para nossas famílias humanas e religiosas, a fim de que alcancemos do céu a graça da fidelidade ao Plano da Salvação!

 Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

São José, ditoso esposo da Virgem Maria, pai amantíssimo de Jesus, rogai por nós!

São José, fiel ao Plano de Deus, intercedei por nós!

 NOSSA SENHORA DO CARMO, ROGA POR NÓS!



Observação: Para celebrar este momento, obedecemos o Decreto de nossa Diocese de Petrópolis, com os devidos cuidados e critérios sanitários. 


"A minha vida é um só instante, uma hora passageira. A minha vida é um só dia que me escapa e me foge. Tu sabes, ó meu Deus! Para amar-Te na terra. Só tenho o dia de hoje!"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)


Por: Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS.




quarta-feira, 14 de abril de 2021

Revista Virtual Monte Carmelo nº 173 (janeiro-fevereiro-março/2021)

 

(clique na imagem acima para abrir a Revista)


Caros leitores, 

A partir deste ano de 2021 retornaremos a editar nossa revista trimestralmente, sendo esta, portanto, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março. Nesse período, tivemos alguns eventos virtuais aqui noticiados, como a realização do Módulo IV da Escola de Formação Edith Stein (Dimensão Espiritual), bem como a Novena e o Retiro de São José. 

Nas colunas fixas de nossa revista, trazemos o Espaço Literário Carmelitano, com Wallace Bertolli; o Santo do Mês, por Giovani Carvalho Mendes; Artur Viana, com o artigo “Teresa: antes de tudo, mulher!”, homenageando as mulheres pela passagem do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março; e a entrevista com Sônia Gomes de Oliveira, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil. 

Confira ainda a Carta-reflexão dos presidentes das duas províncias OCDS no Brasil, Rose Lemos e Carlos Eduardo Vargas, sobre a Campanha da Fraternidade 2021, bem como a mensagem sobre São José e o Ano da Família Amoris Laetitia, de nosso delegado geral, frei Alzinir Debastiani, além das notícias de nossas Comunidades. 

Uma excelente leitura a todos!

Luciano Dídimo
Coordenador da Comissão de Comunicação da OCDS - Província São José

sábado, 3 de abril de 2021

506 ANOS DO NATALÍCIO DE SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA, NOSSA MÃE (28/03/1515 - 2021)

 

"Santa Madre Teresa, atualiza para nós a força de sua fé"

"O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás". (Isaías 50,4-5)

Celebramos hoje os 506 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe e Fundadora. É impossível celebrarmos o natalício de alguém sem que pensemos nos traços marcantes de sua vida, especialmente, em se tratando de alguém que respondeu ao chamado de Deus com total entrega, alcançando os cumes da experiência divina em sua vida, e se tornando Mestra de vida espiritual de tantas, e tantas outras pessoas.

Santa Teresa como mulher e religiosa, escritora e letrada, sobretudo, fiel discípula de Jesus Cristo, deixa-nos marcos importantes, para que neste dia celebremos o dom precioso de sua vida. Plenamente inserida na história da Igreja e do Carmelo, ela é um exemplo luminoso para os nossos dias. Estamos adentrando a Semana Santa, peçamos a Santa Teresa, que tendo vivido em seu tempo luzes e de sombras, como este que vivemos hoje - há um ano com a pandemia -, que permaneçamos unidos ao Crucificado, a fim de nos manter firmes na fé e na esperança da ressurreição, buscando ouvir o Mestre "com ouvido de discípulo", sempre unidos à Santíssima Virgem Maria e ao Glorioso São José.

Todo o santo deve ser visto e compreendido no seu contexto histórico e eclesial, para melhor dar a compreender os seus valores e os seus limites, para colher o sentido da sua mensagem, se todo santo é um mensageiro de Deus, é uma palavra dita ao mundo, um fragmento do Evangelho de Jesus Cristo, assim desenvolvemos um olhar ordenado para a figura de Santa Teresa e Jesus, para através dela buscarmos a santidade, e podermos ser, viver e "morrer como filhos da Igreja".

A liturgia da Igreja resume sua vida ao dizer: "Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em 04 de outubro, em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582". (Ofício das Leituras)

"A minha aliança... foi um pacto de vida e prosperidade e também de temor, a fim de que ele temesse o meu nome; e ele temeu-me e sempre teve reverência por meu nome; sua boca ensinou a verdade, e não se encontrou perversidade nos seus lábios. Andou comigo na paz e na retidão, e afastou do mal grande número de homens" (Malaquias 2,5-6)

Olhando para a vida e obra de Santa Teresa vemos uma mulher com uma personalidade "polifacética", no dizer do frei Cervera, que reúne características muito próprias em sua personalidade. Ele dirá que Teresa "é uma mulher (com uma pitada de feminista para os seus tempos); é uma escritora letrada e espiritual, bem colocada e reconhecida na literatura espiritual e na literatura do século de ouro da Espanha, uma clássica na linguagem castelhana; é uma mestra-fundadora, na Igreja e na família carmelitana; é uma cristã que viveu até o fim a vocação batismal; é uma mística, testemunha do mistério cristão; este é o seu carisma e função na Igreja".

A vida de Teresa desenvolve-se entre 1515 e 1582, como dissemos acima, no século de ouro da Espanha, com as suas conquistas no exterior, guerras, esplendor literário, reforma religiosa na qual intervêm o Papa e o Rei com notáveis conflitos jurisdicionais. Diante do chamado à aliança com Deus, Santa Teresa viveu 67 anos, dentre eles vinte de intensa atividade como fundadora, escritora, contemplativa e caminheira de pelas terras da Espanha do século XVI, com o testemunho de quem experimentara sua bondade. Em sua vida experimentou um verdadeiro pacto de vida, prosperidade e de profundo temor. Escreveu sua autobiografia com pleno sentido de testemunho pessoal. Demonstrará sempre nos seus escritos a experiência de alguém que viveu em extremo desejo de ser agradável a Deus, portanto, sempre lutando por viver a verdade de si para com Deus, e a Ele responder com simplicidade e abertura de coração, não sem esforço humano por se achar "tão ruim".

Percebemos em suas narrativas que foi educada com esmero, diante da vida cristã e era formada pela leitura da vida dos santos mártires, feita por seus pais, a quem atribui "muitas virtudes". Dirá a própria Teresa atribuindo aos seus pais sua boa formação, narrando em sua autobiografia: "Ter pais virtuosos e tementes a Deus - se eu não fosse tão ruim - me bastaria, com o que o Senhor me favorecia, para ser boa. Era meu pai afeiçoado a ler bons livros e assim os tinha em vernáculo para que, seus filhos os lessem. Isto, com o cuidado que minha mãe tinha em fazer-nos rezar e sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns Santos, fez-me despertar - segundo me parece - na idade de seis ou sete anos. Ajudava-me o não ver em meus pais favor senão para a virtude. Tinham muitas". (Vida 1,1)

"...temeu-me e sempre teve reverência por meu nome; sua boca ensinou a verdade, e não se encontrou perversidade nos seus lábios. Andou comigo na paz e na retidão, e afastou do mal grande número de homens" (Ml 2,6)

Quando escreve sua autobiografia, por volta dos 50 anos, Teresa já tinha experimentado décadas de "intensa e tormentosa vida mística", portanto, em plena consciência de seu chamado em Deus, e das lutas para ser de Deus, o demonstrará com humildade até mesmo quando apresenta sua família: "Éramos três irmãs e nove irmãos. Por bondade de Deus, todos se pareceram com os pais, em ser virtuosos, menos eu, embora fosse a mais querida de meu pai. E, antes que eu começasse a ofender a Deus, parece que tinha alguma razão para isso; mas, quando me recordo das boas inclinações que o Senhor me tinha dado, lastimo o mal que eu delas me soube aproveitar". (Vida 1,3)

Desde a infância, o contexto cristão em que vivia, a impulsionou "querer ver a Deus", e também a desenvolver "devoções" que levará por toda a sua vida. Além de sua profunda vida interior, experimentará e crescerá em sua vida, a devoção a Nossa Senhora e a São José. Dirá: "Comecei a fazer devoções de Missas e coisas muito aprovadas de orações, pois nunca fui amiga doutras devoções que fazem algumas pessoas - em especial mulheres - com cerimônia que eu não podia suportar e a elas lhes fazia devoção. Depois tem-se dado a entender não convirem; eram superstições" (V 6,6) No querer "ver a Deus", temos conhecimento através das suas narrativas de que aos 07 anos Teresa sente a necessidade de fugir para a terra dos mouros, com seu irmão, Rodrigo. Fuga frustrada, algo que torna-se o seu horizonte de vida.

Da devoção a Nossa Senhora, Santa Teresa nos diz que foi logo após a morte de sua mãe: "Recordo-me que, quando morreu minha mãe, fiquei da idade de doze anos, pouco menos. Quando comecei a perceber o que tinha perdido, fui-me, aflita, a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-Lhe, com muitas lágrimas, que fosse minha Mãe. Embora o fizesse com simplicidade, parece-me que me tem valido; porque conhecidamente tenho encontrado esta Virgem soberana, sempre que, me tenho encomendado a, Ela, e, enfim, tornou-me a Si". (Vida 1,7)

De sua devoção a São José: "Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, tanto desta necessidade como de outras maiores de honra e perda de alma, este Pai e Senhor meu me tirou com maior bem do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo até agora de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer... Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe presta particulares obséquios, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque aproveita de grande modo às almas que a ele se encomendam... Só peço, por amor de Deus, que faça a prova quem não me acreditar e verá, por experiência, o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção... É que não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos - no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus - sem que se dê graças a São José pelo muito que então Os ajudou... Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome a este glorioso Santo por mestre e não errará no caminho". (Vida 6,6-8)

Nesta comemoração do natalício de Santa Teresa de Jesus, em que estamos adentrando a Semana Santa com a entrada de Jesus em Jerusalém, invoquemos sua intercessão, para a Igreja, para o Carmelo e para o mundo inteiro, a fim de que este tempo forte de oração produza em todos nós a verdadeira conversão de vida, e a esperança na ressurreição.

Sempre unidos à Santíssima Virgem Maria e ao Glorioso São José, peçamos que a força de sua fé e de seus ensinamentos, nos ensine a nos configurar com a Humanidade de Jesus Cristo que se oferece ao Pai por nossos pecados.

V. Rogai por nós, Santa Madre Teresa de Jesus!

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Parabéns, Santa Madre!


Estela da Paz, OCDS.
Comissão de Espiritualidade
Comissão de História


Ref.
Oração das Horas. Ofício das Leituras.
Livro da Vida, de Santa Teresa de Jesus. Obras completas. 1995.
Cervera, OCD. Frei Jesus Castellano. Teresa de Jesus, Mestra de vida Espiritual.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Pão Cristo

 Frei Pierino Orlandine, ocd



Os homens,

caminham pelo mundo

cansados, lembrando Emaús...!,   

entristecidos,

sem sonhos, decepcionados,

sem norte, sem direção.

Sem ressurreição.

“Nós esperávamos...! Mas, nada...! ”

“O que aconteceu? ”. Os homens, também hoje, não sabem.

Roubaram-lhes a esperança.

Roubaram-lhe a vida,

roubaram-lhes Cristo, Verdade, Ressurreição e Vida.

E não o encontrarão nos livros,

nem nos espaços etéreos.

Mas Ele, O VIVENTE, se deixa encontrar de bom gosto.

Nos irmãos e na mesa bem posta.

É seu intento.

No gesto reconhecido de benção,

o gesto do pão partido, repartido

que une os homens perdidos,

 no sacramento de amor, da vida e do altar,

no Pão, seu Corpo,

nos outros corpos humanos,  carne de Cristo.

É o meu pão e o nosso pão.

 Este nosso pão se transforma,

Transubstancia-se no seu Corpo, no seu sangue,

sacramentados pelo pão repartido e doado.



Mistério de real comunhão. É o Pão sacramento. É Vida prefigurada, transfigurada, realmente participada. É Cristo, nova e eterna Aliança, no pão partido e partilhado, comungado.

 

 

 

 

 

 

sábado, 20 de março de 2021

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A oração de São José

 A oração de São José

 (tradução do italiano por frei Pierino)


São José – como todos sabemos – em todos os Evangelhos não diz uma palavra sequer. Podemos, porém, imaginar sua oração e, com um pouco de fantasia, interpretar o dialogo dele com Deus. 

Talvez São José rezasse assim:


“Chegará outra noite, ó Deus,

E talvez outro sonho, ou uma visão,

E tu me pedirás de fugir longe, 

Ou de voltar para casa,

Ou de permanecer ali onde estou,

Porque assim te apraz.


Despertarei ao raiar da aurora, como sempre,

E farei como me dizes, tu o sabes.

O doce peso da Mãe e do Menino

Carregarei sobre meu coração enamorado,

E será novamente como tu queres,

Amanhã e depois de amanhã,

Ano atrás de ano,

Até a última curva da estrada.


Dir-te-ei ainda SIM, sem palavras,

Dir-te-ei SIM com um olhar.

E cantarei feliz, sem voz,

Com o coração que explode de alegria.


Davide Caldirola

sexta-feira, 19 de março de 2021

Carta de Frei Alzinir Debastiani - Dia de São José - 2021

SÃO JOSÉ E O ANO DA FAMÍLIA AMORIS LAETITIA
19 DE MARÇO DE 2021 - 26 DE JUNHO DE 2022 


Caros irmãos/ãs da OCDS, Este ano, na festa de São José, recordamos os 5 anos de publicação da exortação apostólica Amoris laetitia, sobre a beleza e a alegria do amor familiar; neste mesmo dia iniciamos o Ano da Família Amoris laetitia anunciado pelo Papa Francisco, que se encerrará dia 26 de junho de 2022 com o X Encontro da Famílias em Roma. Este é também um ano em que estamos vivendo uma situação muito particular em todo o mundo, por causa da pandemia do Covid 19, com as suas inúmeras consequências na sociedade e na Igreja. Em particular, é nas famílias que o drama se vive mais de perto, muitas vezes agravado pela perda de entes queridos, pelas dificuldades de trabalho e econômicas. E perante a todo este sofrimento, é mais importante do que nunca olhar no testemunho de fé de nossos Pais e Mães na fé, encontrando neste testemunho a força e a coragem para viver a vida quotidiana na confiança em Deus ... Por isso, gostaria de recordar, na proximidade da festa de São José, algumas de suas atitudes nos ajudem a viver os inúmeros desafios de hoje, enfrentando-os com firme confiança em Deus, no dom de nós mesmos, como São José, que viveu num “silêncio persistente [que] não contempla reclamações, mas gestos concretos de confiança” (Patris corde 7). Sabemos que José passou por momentos difíceis em sua vida, como quando pensou em deixar Maria em segredo (Mt 1,19), assim que soube de sua gravidez. Mas sendo um "homem justo" que medita na lei do Senhor (Sl 1), reconheceu o desígnio do Pai e que o que aconteceu à sua amada Esposa foi "obra do Espírito Santo" (Mt 1,18,20). Então ele a recebe em sua casa, cuidando dela e do Menino. Mas pensemos ainda quando, atento aos acontecimentos ao seu redor, José vê que a violência de Herodes ameaça a vida de Nossa Senhora e do Menino Jesus e avisado pelo anjo, foge para o Egito, salvando assim suas vidas. Ou pensemos como viveu o árduo trabalho de sustentá-los ... Estes são apenas alguns dos acontecimentos da sua vida, como companheiro e peregrino na fé com Maria (cf. LG 58) que nos inspiram a viver a nossa fé hoje no amor providente do Pai. Como José, sabemos que Deus conduz a história por caminhos muitas vezes incompreensíveis para nós. E ainda mais, José sabe que a missão de Maria e sua própria missão são únicas na história. Assim colabora docilmente com os desígnios de Deus, oferecendo a seu serviço, a sua pessoa e as suas capacidades a este plano divino. Com esta atitude, São José testemunha-nos que “ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele também pode agir através dos nossos medos, das nossas fragilidades, das nossas fraquezas. E nos ensina que, em meio às tormentas da vida, não devemos ter medo de deixar o leme do nosso barco nas mãos de Deus” (Patris corde 2).
Nestes tempos de tribulação, ao celebrar a festa de São José no Ano Josefino e viver o Ano da família Amoris Laetitia, é importante lembrar que José junto com Maria, na Sagrada Família de Nazaré, tal como aparece no Evangelho é um “homem justo, trabalhador, forte”; nele vemos também «uma grande ternura, que não é própria dos fracos, mas dos verdadeiramente fortes, atentos à realidade para amar e servir com humildade» (Laudato si' 242). Ele inspira especialmente as famílias a enfrentar os desafios atuais com aquele coração de pai, atento, trabalhador, silencioso, pronto a obedecer aos planos do Pai celeste e a executá-los com criatividade corajosa. Também nós o podemos fazer nossa parte hoje, se e como ele cultivarmos o silêncio interior que nos permite escutar a voz de Deus na sua Palavra, para estar assim atentos aos outros que vivem à nossa volta, acolhendo-os como um dom de Deus e agir com criatividade, como nos lembra o Papa Francisco na Patris corde, à luz da paternidade criativa de São José (n. 5): “às vezes são precisamente as dificuldades que tiram de cada um de nós recursos que nunca pensamos de ter” . O segredo? Confiança no amor fiel e misericordioso do Pai celeste e uma vida em proximidade com Jesus, Maria e José. Na sua companhia, como nos ensinou Santa Madre Teresa de Jesus, encontraremos a força e a coragem para viver com fidelidade a nossa vocação e missão hoje! Desejando-vos uma feliz festa de São José, peço a sua intercessão e a da sua Santíssima Esposa por todos vós e pelos vossos entes queridos. 


Fraternalmente, 

Fr. Alzinir Francisco Debastiani OCD.
Roma, 12 de março de 2021 - 399º aniversário da canonização da Santa Madre Teresa. 

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA

 


ANO SANTO DE SÃO JOSÉ (2020-2021)
É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo!
História de São José no Carmelo

“Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José». Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo”. (PP. Francisco, Patris Corde) “A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento”. (Carta à família Carmelitana)

É Festa no Céu, na Igreja e no Carmelo! Neste dia da Solenidade de São José, com alegria e louvor a Deus, queremos agradecer por nos ter concedido tão casto patrono e intercessor, celebrando com fé e amor, esperança e unidade o Ano Santo a ele dedicado. O Papa Francisco partilhou conosco da “abundância do seu coração” (Mt 12,34), “algumas reflexões pessoais” sobre a figura extraordinária de São José, que se apresenta sempre “tão próxima da condição humana de cada um de nós”, através de sua Carta Apostólica (08/12/2020). Sabemos que “a grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. E, que “para os Carmelitas o interesse pela figura de São José foi um desenvolvimento natural da inspiração mariana da Ordem... Devoção que no Carmelo remonta ao início de sua história, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística”.

Nossa proposta aqui será analisarmos a História de São José no Carmelo, tomando por base a Carta dos Superiores à Família Carmelitana em 2020, e avançando nos detalhes, auxiliados obviamente pelas imperativas e interpelativas palavras da Santa Madre Teresa de Jesus, para assim darmos força e empenho à nossa devoção ao Glorioso pai e patrono do Carmelo, que ao lado da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, Irmã e Rainha, honra e bendiz ao seu Divino Filho, e intercede por nós. 

Autores antigos consideraram que o culto a São José na Igreja América Latina teria originado dos eremitas Carmelitas que para cá imigraram. Esta convicção atualmente contestada, foi expressa também pelo papa Bento XIV que faz  remontar a prática do culto litúrgico em honra a São José ao Carmelo.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ COMPROVADA NA LITURGIA CARMELITA

SÉCULOS XIV E XV

"Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe presta particulares favores, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque aproveita de grande modo às almas que a ele se encomendam". (Vida 6,7) 



A devoção a São José no Carmelo foi desde o início, marcada pelo culto litúrgico, que se desenvolveu até os nossos dias com uma impostação também eucarística na devoção a São José, apresentando-o como aquele que tem na mão o pão da salvação, nosso alimento. Sem uma precisão exata do início das celebrações da festa de São José nas igrejas carmelitanas, apenas a probabilidade de já serem celebradas durante o século XIV, ainda que em caráter local. Sabe-se que já no século XV a devoção de São José já estava mais difundida. Inclusive, se tem notícias de que nos breviários e Missais Carmelitanos da segunda metade do século XV, aparecem normalmente a Missa e Ofício próprios de São José e o carmelita flamingo Arnoldo Bostio (em 1476) - testemunhando que os Carmelitas celebram sua festa com culto solene.

Os historiadores e liturgistas consideram como o primeiro monumento na Igreja Latina em honra de São José a liturgia própria da Ordem Carmelitana. A liturgia antiga celebrava São José como:

São José, o primeiro a ser escolhido pela Divina Providência. Entre seus contemporâneos em Nazaré, José foi escolhido para esposo da Virgem, a fim de que o Filho de Deus pudesse entrar no mundo de forma honrada e escondida. O Verbo encarnou no ventre de Maria. E, em José, através da contemplação – 5 sonhos. Pregadores carmelitas afirmam: assim como Maria concebeu o Verbo no seu seio por obra do Espírito Santo, assim São José por obra do Espírito Santo concebeu na contemplação o Cristo na sua alma, tornando-se  pai de Jesus sobre esta terra. 

São José, protetor da virgindade de Maria. A liturgia celebrava também a união nupcial de José com a Virgem e o contemplava como protetor de sua virgindade e da vida do Filho de Deus encarnado. Com a sensibilidade típica do carisma contemplativo do Carmelo, a liturgia daquele tempo celebrava a pureza da Virgem e de São José em termos de disponibilidade a Deus, que torna possível a acolhida do mistério da Encarnação. 

São José, esposo virginal de Maria. Unido à Virgem Maria com um matrimônio verdadeiro, no qual a sua autoridade de esposo, protetor e pai manifesta-se no total serviço a ela. 

São José, contemplado por sua obediência. Por sua obediência a Deus, José foi admirado por ser um homem justo, o digno senhor da casa do seu Senhor a quem foi confiada a responsabilidade de dar o nome divino revelado pelo anjo ao Menino Jesus. Assim fazendo, São José é quem por primeiro proclama: no Menino de Nazaré Deus nos salva!

São José, espelho da vida mística do Carmelo. Em São José, o Carmelo encontra um compêndio de sua espiritualidade: A pureza de coração (puritas cordis) que torna possível a visão de Deus; a união com Maria;  e a fruição da vida mística apresentada em termos de concebimento e nascimento do Verbo Encarnado na alma pura. Por isso, São José é celebrado como o espelho da vida mística carmelitana em Deus.

 

DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ, A PARTIR DE SANTA TERESA

SÉCULO XVI

O encontro de Santa Teresa com São José ocorreu num dos períodos mais difíceis de sua vida, por volta dos 25 anos de idade, em sofreu uma longa e penosa enfermidade que permaneceu paralisada e esgotada, física e psicologicamente. 

"É coisa de espantar os grandes merecimentos que Deus me têm feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra - pois como tinha nome de pai, embora sendo apoio, O podia mandar -, assim no Céu faz quanto Lhe pede". ( Vida 6,6)


Santa Teresa de Jesus ampliará esta tradição trazendo um grande proveito para todo o Carmelo e para a Igreja universal. Por isso se afirma que ser ela a “herdeira de um culto intenso e da devoção  josefina  do  Carmelo”. É inegável que mais do que nenhum outro Teresa de Jesus fez do culto a São José um dos elementos característicos da piedade e da fisionomia espiritual do Carmelo.

São José e Santo Elias. Presença de São José na vida de Teresa e em sua atividade de fundadora dos Carmelos reformados ao lado da figura tradicional do santo Pai Elias coloca-se agora o Santo Pai José.

São José e Santo Elias. Em carta ao P. Gracián,  a  respeito  do  nome  que os  Carmelitas  Descalços  deveriam  dar  a  um  convento  que  estavam  fundando  em Salamanca,  escreve:  “Seria  muito  justo  dar  a  este  convento  o  nome  de  São  José”  (carta de  22  de  maio  de  1578);  mas  o  convento  será  intitulado  Santo  Elias. 

 

SÃO JOSÉ É PRECEDIDO APENAS POR NOSSA SENHORA

SÉCULO XVII

Mais tarde esta incerteza aparece definitivamente resolvida. Na Instrução aos noviços (1605) do P. João de Jesus Maria, a veneração a São José é precedida somente pelo culto à Virgem Maria e é seguida pela  devoção  aos  santos  profetas  Elias  e  Eliseu,  “fundadores  da  nossa  Ordem” (Instrução aos noviços, III, cap. 4, 29-30).

FESTA DO PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO

SÉCULO XVII E XVIII 

 São José é declarado “patrono principal” da Ordem em 1628.

O Capítulo Geral intermediário dos Carmelitas Descalços da Congregação Espanhola havia declarado São José “patrono principal” da Ordem. 

  1. Festa do Patrocínio de São José (1625-1700). A iniciativa deve-se ao Carmelita Descalço Juan de la Concepción,  que antes fora Provincial da  Província da Catalunha e depois Prepósito Geral da Congregação espanhola. 
  2. Festa do Patrocínio, aprovada no Capitulo Geral de 1679.
  3. Os textos litúrgicos foram elaborados, entre 1642-1718. Por outro padre Carmelita Descalço catalão, o P. Juan de San José.
  4.  Festa do Patrocínio de São José, reelaboração litúrgica, em 06/04/1680 – 3º Domingo da Páscoa. A Congregação dos Ritos aprovou a reelaboração dos textos litúrgicos da Festa do Patrocínio. A mesma ficou estabelecida para o terceiro domingo depois da Páscoa, dia em que normalmente eram convocados os Capítulos Gerais e provinciais.
  5. Primeiro Histórico de São José, em 1723. Rafael, o Bávaro, publicou uma História de São José. O P. Rafael exorta àqueles que amam Jesus e Maria a amar quem pelos dois é amado.
  6. Propagação do Patrocínio de São José. A propagação do Patrocínio de são José deveu-se ao Mestre P. José Maria Sardi, não somente na Ordem, mas também para os cristãos, que encontram nele um modelo de santidade. Invocado no Carmelo como educator optime e proposto como protetor e patrono, especialmente para aqueles que se sentem cansados, estacionados ou mesmo perdidos no seguimento a Cristo.

 

PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NA IGREJA

SÉCULO XIX

APÓS O CONCÍLIO VATICANO I, O PP. PIO IX ESTENDEU À IGREJA

Patrocínio de São José na Igreja. A 10 de setembro de 1847, com o decreto da Congregação dos Ritos  Inclytus Patriarcha  Joseph, o papa Pio IX, em tempos de fortes tribulações, estendeu para toda a Igreja a festa do Patrocínio de São José, a ser celebrada no terceiro domingo de Páscoa.

Os textos litúrgicos para a Missa e o Ofício foram adotados os que eram utilizados pelos Carmelitas, feitas algumas adaptações. Esta foi a primeira intervenção em favor do culto a São José por Pio IX, quando apenas havia passado um ano do início do seu pontificado, o qual foi caracterizado por uma grande devoção ao pai de Jesus. Por ocasião da convocação do Concílio Vaticano I, chegaram ao papa numerosos pedidos para que se aprimorasse ainda mais o culto a São José,  particularmente  com  a  proclamação de  patrono  da  Igreja  universal. O Concílio não chegou a atender tal pedido, pois foi interrompido bruscamente em setembro de 1870. Assim, a 08 de dezembro do mesmo ano, Pio IX procedeu à solene proclamação com o Decreto da Congregação dos Ritos Quemadmodum Deus.

 

SÃO JOSÉ NA IGREJA E NO CARMELO

SÉCULO XX

Patrocínio de São José – Para São José Operário. 

Em 1913, a Festa do Patrocínio de São José foi transferida para a quarta-feira da terceira semana depois da Páscoa.

Em 1956, a Festa do Patrocínio de São José foi substituída pela memória de São José Operário no dia 1º de maio.

Em 1957, aos Carmelitas Descalços foi concedida a aprovação do calendário litúrgico da Ordem podendo continuar a celebrar a festa do patrocínio de São José “protetor e patrono da nossa Ordem”.

 

SÃO JOSÉ – DEVOÇÃO APÓS O CONCÍLIO VATICANO II

SÉCULO XX

A reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II. 

A reforma litúrgica posterior ao Concílio trouxe, entre outras coisas, uma notável simplificação do calendário litúrgico.

Em 14/02/1969, do título “protetor da Igreja universal” para “esposo da Virgem Maria”. O título “protetor da Igreja universal” desapareceu da festa principal de São José dia 19 de março. Considerou-se oportuno manter somente o título bíblico de “esposo da Virgem Maria”, deixando a cada conferência episcopal  e às famílias religiosas a possibilidade de escolher outros apelativos. 

Em 29/06/1969, foi abolida a Solenidade do Patrocínio de São José na Igreja e no Carmelo Descalço. Seguindo a Instrução da Congregação do culto divino para os calendários particulares, a Solenidade do Patrocínio de São José foi abolida também do calendário do Carmelo Descalço. 

São José, “Protetor de nossa Ordem”. A Solenidade de São José se mantém, como “protetor da Ordem” no dia 19 de março, para a Ordem. O Definitório Geral O.C.D. decidiu então transferir o título “protetor da nossa Ordem”, para a Solenidade de 19 de março. E memória facultativa de São José operário fosse celebrada na Ordem toda. No entanto, as Constituições pós-conciliares de ambas as Ordens continuam referindo-se a São José como seu “protetor” (Const. O.Carm., 91; Const. O.C.D., 52). Nisso podemos reconhecer um importante elemento de unidade de toda a família carmelitana, que talvez não tenhamos valorizado suficientemente.

Rezemos pedindo a proteção de São José para nossa Ordem, para nossa Província OCD e OCDS, nossas Comunidades e Grupos, por nossas famílias e pelo fim desta Pandemia:

 


ORAÇÃO A SÃO JOSÉ - ANO SANTO 2020/2021.

Amado Deus, neste Ano Santo dedicado a São José, agradecemos por ter-nos dado tão casto patrono e intercessor, e nos unimos ao Papa Francisco, à toda a Igreja e ao Carmelo, como filhos de Teresa de Jesus e de João da Cruz, para caminharmos de olhos fixos na subida ao Monte que é Cristo.

Unidos ao glorioso São José e à Santíssima Virgem Maria, nos apresentamos, pessoal e comunitariamente, pedindo que renove a nossa fé, aumente a nossa esperança e nos faça prosseguir com amor e perseverança, nos confiando ao seu patrocínio.

Ó amabilíssimo São José, suplicamos que nos ensineis a acolher a vontade de Deus nas inúmeras situações da vida, amando e adorando o vosso Divino Filho, guardando o ditoso silêncio que nos permita ouvir a voz do Espírito Santo, e a seguir com amor os maternais cuidados da Virgem Maria.

Ó obedientíssimo São José, suplicamos ainda, que nos ensineis a testemunhar o nosso batismo e nossa vocação, meditando dia e noite a Palavra de Deus, crescendo na virtude da escuta e do silêncio, para vivermos uma fé íntima, mas operosa.

Por fim, ó fidelíssimo São José, esposo da Virgem Maria, pai nutrício de Jesus, amantíssimo senhor da Sagrada Família de Nazaré, volvei vosso olhar paterno para nós e para nossas famílias humanas e religiosas, a fim de que alcancemos do céu a graça da fidelidade ao Plano da Salvação! 

Pai Nosso...

Ave Maria...

Glória ao Pai... 

São José, ditoso esposo da Virgem Maria,

 pai amantíssimo de Jesus, rogai por nós!

São José nosso pai e patrono, 

intercedei por nós!

 

 

Estela da Paz, OCDS.

Comissão de História

Comissão de Espiritualidade 

Ref.:

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ NO CARMELO. Carta dos Superiores Gerais O.Carm. e O.C.D. à família Carmelitana, por ocasião do 150º aniversário da proclamação do patronato de São José na Igreja. Ano 2020.

PATRIS CORDE. Carta Apostólica do Papa Francisco, de 08/12/2021. Por ocasião do 15º Aniversário da Declaração de são José como Padroeiro Universal da Igreja.

Livro da Vida, de santa Teresa de Jesus.


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