terça-feira, 8 de abril de 2008

ENTREVISTA: IRMÃ MARIA TERESA - CARMELO IMACULADA CONCEIÇÃO (BRAGA-PORTUGAL)


Escutar o chamamento de Deus «é complicado… mas não é impossível»
Carmelita explica opção pela vida contemplativa
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Jornal Diário do Minho - Diocese de Braga (08/04/2008)

Tinha 13 anos, quando ouviu falar do Carmelo. Motivada pela leitura da Autobiografia de Santa Teresinha, quis visitar um… E lá foi, levada pela mãe, a pessoa que mais a ajudou na escolha vocacional – ser Carmelita! A Irmã Maria Teresa vive, actualmente, no Carmelo da Imaculada Conceição, situado perto do Bom Jesus, em Braga. «Para um(a) jovem escutar o chamamento de Deus e perceber, no meio deste turbilhão de atractivos e ofertas que a sociedade de consumo lhe apresenta, e ser capaz de responder generosamente a esse apelo divino, é muito complicado… mas não é impossível!», diz a religiosa nesta entrevista ao Diário do Minho, a propósito da Semana de Oração pelas Vocações (6-13 de Abril). Amanhã, apresentamos um discípulo de São Bento (que vive em Singeverga) e publicamos um texto de um missionário da Sociedade do Verbo Divino, com presença em Guimarães.
DM – Como compreendeu que Deus a chamou a esta vocação? Quais foram os lugares e pessoas que a ajudaram a fazer esta escolha vocacional?
MT – Começo a responder a esta pergunta partindo da segunda questão que nela está contida; ou seja: os lugares e pessoas que me ajudaram a fazer esta escolha vocacional. Não posso esquecer de modo nenhum, como pessoa que mais me ajudou, a minha mãe. A este respeito, sempre mantive com ela uma relação de abertura e diálogo, até porque, quando ouvi falar do Carmelo, eu só tinha 13 anos! Foi ela que me levou pela primeira vez a um Carmelo, a pedido meu. Nessa altura, eu estava a ler a História de uma alma, autobiografia de Santa Teresinha. Também me ajudaram neste processo de discernimento algumas Carmelitas com quem mantive uma forte relação de amizade e, a partir dos meus 17 anos, o meu director espiritual, também Carmelita Descalço. Estas pessoas foram muito importantes para mim porque, apesar de ter conhecido congregações religiosas de vida activa, portanto com outra finalidade, outra base espiritual e outra forma de estar, ajudaram a formar em mim a hipótese de vir a optar pela vida contemplativa no Carmelo. Estas ajudas foram preciosas, mas o principal “obreiro“ de tudo isto foi o Espírito Santo que colocou no meu coração o desejo da solidão, da oração, do louvor, do sacrifício, do trabalho humilde e da fraternidade. Da minha parte, eu fui procurando estar atenta aos sinais divinos, que muitas vezes passavam pela mediação humana, e manter-me em atitude de escuta, procura e obediência. Até que um dia chegou a decisão final. Foi uma escolha livre, absolutamente livre, sem me ter sentido influenciada por ninguém; apenas obedeci ao apelo divino como o jovem Samuel: «Eis-me aqui, Senhor, pois me chamastes», e como a Virgem Maria: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra ». E fez-se!...
DM – Qual o lugar da vocação contemplativa no “concerto” das vocações na Igreja?
MT – Se pensarmos que os vários carismas que o Espírito Santo suscita na Igreja resultam num “concerto” maravilhoso, cheio de sons e timbres diversos, intuímos que, nesta harmonia divina, também são importantes os silêncios… Os silêncios ou pausas, também são música; é a música calada de que fala São João da Cruz. Realçam e embelezam os sons que a seguir se produzem. Assim acontece com a vida contemplativa que cultiva a vida silenciosa através da oração e solidão. Uma outra imagem, muito bela, que pode ilustrar o lugar que a vida contemplativa ocupa nesta diversidade de carismas na Igreja, é a da árvore com muitos ramos, flores e frutos, sustentada pela raiz que se encontra debaixo da terra e mantém viva e verdejante toda a árvore. Podemos pensar ainda na bela intuição que teve Santa Teresinha que, aliás, foi também a minha, ao descobrir que nesta orgânica tão complexa, semelhante a um corpo humano, nenhum órgão funciona por si mesmo, todos dependem uns dos outros e se entreajudam, recebendo estímulos que os fazem agir, mas a “seiva” que circula em todo o corpo humano, e sem a qual nada funciona, encontra-se no coração. Deste pequeno órgão é que surge toda a actividade humana. E no entanto é um órgão interno, “invisível”, mas importantíssimo. Então, eu exclamo como Santa Teresinha: «A minha vocação é o Amor!»
DM – De que forma reconhece que a vida contemplativa está ao serviço da Igreja?
MT – A meu ver, esta pergunta completa a anterior. O serviço que a vida contemplativa presta à Igreja é importantíssimo – sem menosprezo de todos os outros –, porque daqui vem o “combustível” para alimentar e revigorar os membros deste imenso corpo, porventura cansados e abatidos, restituindo-lhes a vitalidade e a frescura de que precisam para edificar o Reino de Deus no mundo. Sabemos que a Igreja confia e espera muito das nossas orações e isso responsabiliza-nos e faz-nos viver de uma forma empenhada e comprometida com os nossos irmãos que lutam no campo de batalha que é o mundo. Um dia, Jesus, dirigindo-Se aos apóstolos, exclamou: «Vós sois o sal da terra e a luz do mundo. Se o sal perder o sabor, com que se há-de salgar?» (Mt 5, 13-14). E Santa Teresinha, referindo-se a este versículo do Evangelho, afirma: «Como é bela a vocação que tem por finalidade conservar o sal destinado às almas! Esta é a vocação do Carmelo» (Ms. A, 56r). Por isso, rezamos especialmente por todos os evangelizadores: missionários, sacerdotes, todos os que se dedicam à educação, ao serviço social e caritativo, etc. Todos esses são as nossas mãos e os nossos pés. E nós somos para eles o coração!
DM – Na nossa realidade, quais as dificuldades que um jovem pode encontrar para escutar o chamamento de Deus? Que propostas a Igreja pode fazer para que cada pessoa compreenda a sua vocação?
MT – A nossa realidade social, cultural e religiosa é muito complexa! Os valores cristãos e morais jazem por terra, enquanto que a anarquia social, o indiferentismo religioso e cultural imperam. Por isso, para um(a) jovem escutar o chamamento de Deus e perceber, no meio deste turbilhão de atractivos e ofertas que a sociedade de consumo lhe apresenta, e ser capaz de responder generosamente a esse apelo divino, é muito complicado… mas não é impossível! Aqui, a Igreja como Mãe que é, deve estar atenta aos sinais dos tempos, a estas rápidas e constantes mutações a todos os níveis da sociedade humana e abrir caminhos de esperança para um mundo desiludido e sem rumo, acolhendo todos os seus filhos, com as suas dilacerações e anseios. Quando falo de Igreja, não me refiro só e exclusivamente aos bispos e sacerdotes, mas a todos os cristãos baptizados, a todos aqueles que são chamados filhos de Deus, que devem viver no mundo como sinal de contradição e, pelo seu testemunho de vida, levar os irmãos à salvação. No que se refere aos bispos e sacerdotes, pastores do Povo de Deus, penso que é importante darem a conhecer as diversas missões e carismas existentes na Igreja, através de catequeses, preparando agentes que trabalhem na pastoral vocacional, etc., porque na Casa de Deus há lugar para todos os Seus filhos, e todos têm o direito de ocupar o seu… no Coração de Deus!
DM – Toda a vocação é promessa de vida feliz! Para si, onde está a felicidade?
MT– «Para mim a felicidade é estar junto de Deus, buscar no Senhor o meu refúgio» (Salmo 72) e «habitar na casa do Senhor para todo o sempre» (Salmo 22). Mas, como uma carmelita não vive para si mesma, mas para que outros tenham vida em abundância, a minha maior felicidade consiste em que todos os meus irmãos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade e todos juntos glorifiquemos para sempre a Santíssima Trindade. Que todos sejam um!
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Fonte: Agência Ecclesia

domingo, 6 de abril de 2008

CONSAGRAÇÃO DE NOSSA ORDEM AO CORAÇÃO DE JESUS

Ó adorável Salvador, / verdadeiramente presente no santíssimo Sacramento, / nós, filhos de vossos amados e fiéis servos Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, / aqui prostrados (ou presentes), / queremos oferecer-vos homenagens e adorações sinceras. / Cheios de humildade, / ousamos, confiantes em vosso amor infinito, / renovar a aliança da Ordem Carmelita Descalça com o vosso sagrado Coração.
Nesta intenção, nós nos consagramos / e nos imolamos ao vosso divino Coração, / e o fazemos inteiramente e sem a menor reserva, / com tudo o que somos e possuímos. / Pública e solenemente, / do modo mais perfeito, a vós nos entregamos / e, conosco, a nossa fraternidade / e toda a Ordem Carmelita Descalça, / com seus membros e superiores. / Também vos consagramos nossa pessoa, / nossos pensamentos, palavras e obras, / nossas aflições e sofrimentos, / nosso coração com todas as sensações, / desejos e intenções. / A vós somente, / ó doce Coração de Jesus, / pertence nosso corpo e nossa alma, / nossa inteligência e vontade.
Consagrados vos são os nossos atos e as nossas forças; / em vosso sagrado Coração renovamos, ó Jesus, / todos os desejos e votos de nosso coração, / e prometemos servir-vos, de hora em diante, / guardando os mandamentos, / e cumprindo fielmente vossa divina vontade.
Com toda a força e ternura de nosso coração, / ó Coração divino, / desejamos santificar-nos e consagrar-nos a vós / irrevogavelmente e por toda a eternidade.
Não abandoneis, ó bom Jesus, / nosso fraco coração. / Vós, que desejais tão ardentemente o amor dos homens, / deixai repousar sobre nós o olhar de vosso amor, / cheio de graça e misericórdia.
Derramai sobre nós, / de acordo com vossas promessas, / as bênçãos do vosso Coração, / a fim de que o gozemos, pela unidade dos sentimentos, / pelos ornatos da virtude, / pela riqueza das boas obras, / conseguindo, conforme as vossas intenções/ e com todas as nossas forças, / estabelecer o reinado do vosso Coração nos corações dos homens.
Conservai e auxiliai, ó Jesus, / nossa fraternidade e toda a Ordem, / no zelo e na perfeição, / no espírito de humildade e de penitência. / Protegei, ó bom Jesus, / nossa fraternidade contra todos os inimigos visíveis e invisíveis; / afastai as dissensões, / a desordem e o escândalo, / a fim de que possamos servir-vos com justiça , / amor e paz, / conservando-nos fiéis ao vosso sagrado Coração.
Ó caro Salvador, / baixai também vosso olhar para toda a Ordem Carmelita Descalça, / conservai-a, protegei-a contra todos os inimigos.
Abençoai, enfim, / ó amável Salvador, / nos vos rogamos, / em nome e pelos méritos de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz / e por todos os santos bem-aventurados e eleitos da Família Carmelitana, / a vossa esposa querida, a santa Igreja Católica, / e o Santo Padre, vosso representante visível sobre a terra. / Acelerai o triunfo e a glória de vossa Igreja, / a fim de que vosso Nome seja conhecido, / respeitado, amado e glorificado sobre a terra. Amém.


(com aprovação eclesiástica, para uso particular)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

NOVAS CONGREGAÇÕES CARMELITAS

Duas novas congregações religiosas carmelitas
Nascidas no México e na Índia

ROMA, sexta-feira, 4 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Durante 2007, o Definitório Geral da Ordem Carmelita procedeu à agregação de duas Congregações de inspiração carmelita, informa a Cúria Carmelita.

A primeira se denomina «Aliadas Carmelitas Descalças da Santíssima Trindade». Tem a sede em Aguascalientes, México. Sua existência teve início em 16 de julho de 1986 e foi reconhecida como instituto religioso de direito diocesano em 4 de maio de 2001.

Seu carisma especial é a atenção à infância necessitada e órfã com problemas de saúde, a atenção a idosos desamparados com doenças contagiosas, atenção aos pobres em geral, dando-lhes calor humano.

Pretendem ser mensageiras do amor trinitário com a adoração eucarística, ocupando-se de sacerdotes idosos e enfermos. O Instituto conta também com colégios, centros de evangelização. Está composto de 307 membros com 23 casas no México e Itália.

A segunda se denomina «The Missionary Sisters of St. Therese of Infant Jesus». Sua casa geral está em Umayanallur, diocese de Quilon, estado de Kerala, na Índia.

O Instituto teve seu início em 22 de julho de 1953, conseguindo a aprovação diocesana em 22 de janeiro de 1959.

Cultivam uma especial devoção a Santa Teresinha, a Nossa Senhora do Carmo e a São José. Seu carisma é encarnar a presença de Cristo no povo, sobretudo entre pobres e todos os que não têm fé, comunicando-lhes o anúncio do Evangelho através do testemunho da própria vida. Contam com 144 religiosas professas em 21 casas.

FONTE:ZENIT-




Serviço diario - 04 de abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

V CONGRESSO NORTE / NORDESTE DA OCDS no Ceará - TERRA DA LUZ

A Comunidade Rainha do Carmelo, de Fortaleza-CE convida todos a participarem do V Congresso OCDS Norte/Nordeste, no período de 22 a 25 de maio de 2008. Este ano terá como tema: "EU SOU A LUZ DO MUNDO" e como lema: "Aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12), tendo como palestrantes:
* Frei Alzinir Debastiani
* Frei João Bonten
* Ana Maria Scarabelli (Caratinga)
* Ir. Bernadette (Fortaleza)
* Maria Efigênia (Fortaleza)
* Ana Stela (Fortaleza)
* Giovani Mendes (Fortaleza)
* Maria de Jesus (Teresina)
* Jovita Cordeiro (Belém)
* Eulálio (Macapá)

O evento é uma realização das Comunidades de Fortaleza - Teresina - São Luis - Belém e Macapá, mas não é restrito aos irmãos que fazem parte das comunidades do Norte e Nordeste, mas extensivo a todos os carmelitas seculares, tanto da Província Sul quanto Sudeste. O Congresso será realizado na Casa de Retiro Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza-CE (conheça o local através do site: http://www.casaderetirodoroteiasceara.org.br/). A taxa de inscrição será no valor de R$180,00.
Maiores informações e inscrições com Efigênia: maria.efigenia@uol.com.br - tel. (85) 3494 2681 cel. (85) 8851 2681.

CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA!

Escolhido postulador da causa de beatificação de Ir. Lúcia


Padre Ildefonso Moriones, postulador geral da Ordem dos Carmelitas Descalços

COIMBRA, segunda-feira, 31 de março de 2008
O bispo de Coimbra, Dom Albino Cleto, escolheu como postulador da causa de beatificação de Ir. Lúcia o padre Ildefonso Moriones, postulador geral da Ordem dos Carmelitas Descalços.
Segundo informa o Correio de Coimbra, informativo da diocese, a escolha feita pelo bispo está em consonância com o Carmelo de Coimbra e já foi oficialmente confirmada junto do Vaticano.
Para completar o Tribunal Eclesiástico que vai avaliar todas as questões relacionadas com o processo de beatificação, será nomeado em breve o vice-postulador.
Nesse caso, será um padre de Coimbra, a quem caberá fazer a recolha e uma primeira análise de todo o material.
O início do processo de beatificação só foi possível porque Bento XVI aceitou antecipar o prazo estipulado de cinco anos pelo Direito Canônico para iniciar a causa.
A dispensa do tempo de cinco anos após a morte para o início do processo de beatificação só havia sido concedida em dois outros casos: Madre Teresa Calcutá e João Paulo II.

Fonte: zenit.org

domingo, 30 de março de 2008

O PAI-NOSSO E A MISERICÓRIA DIVINA

(Segundo as palavras de João Paulo II no rito de canonização da Irmã Maria Faustina Kowalska)*

* PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS
1 SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
Louvai o Sonhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. (Sl 118,1) Assim canta a Igreja na Oitava da Páscoa, como que recolhendo dos lábios de Cristo estas palavras do Salmo, dos lábios de Cristo ressuscitado, que no Cenáculo traz o grande anúncio da misericórdia divina e confia aos apóstolos o seu ministério: (1)

2.VENHA A NÓS O VOSSO REINO
A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também eu vos envio a vós...Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. (Jo 20,21-23) (1)

3.SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Antes de pronunciar estas palavras, Jesus mostra as mãos e o lado. Isto é, indica as feridas da Paixão, sobretudo a chaga do coração, fonte onde nasce a grande onda de misericórdia que inunda a humanidade. Daquele Coração a Irmã Faustina Kowalska, a Beata que de agora em diante chamaremos Santa, verá partir dois fachos de luz que dominam o mundo. “Os dois raios, explicou-lhe certa vez o próprio Jesus representam o sangue e a água” (Diário, pág.132).(1)

4.O PÃO NOSSO DE CADA DIA
NOS DAI HOJE
Sangue e água! O pensamento corre rumo ao testemunho do evangelista João que, quando um soldado no Calvário atingiu com a lança o lado de Cristo, vê jorrar ali “sangue e água” (cf Jo 19,34). E se o sangue evoca o sacrifício da cruz e o dom eucarístico, na simbologia joanina, recorda não só o batismo, mas também o dom do Espírito Santo (cf.Jo3,5; 4,14; 7,37-39).(2)

5.PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS
ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS
A QUEM NOS TEM OFENDIDO
A misericórdia divina atinge os homens através do Coração de Cristo crucificado.”Minha filha, dize que sou o Amor e a Misericórdia em pessoa”, pedirá Jesus à Irmã Faustina (Diário, pág.374). Cristo derrama esta misericórdia sobre a humanidade mediante o envio do Espírito que, na Trindade, é a Pessoa-Amor. E porventura não é a misericórdia o “segundo nome” do amor (Cf. Dives in misericórdia,7),cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perdão? (2)

6.E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
O que nos trarão os anos que estão diante de nós? Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio.
Assim como os Apóstolos outrora, é necessário porém que também a humanidade de hoje acolha no cenáculo da história Cristo ressuscitado, que mostra as feridas da sua crucifixão e repete: A paz seja convosco! É preciso que a humanidade se deixe atingir e penetrar pelo Espírito que Cristo ressuscitado lhe dá. É o Espírito que cura as feridas do coração, abate as barreiras que nos separam de Deus e nos dividem entre nós, restitui ao mesmo tempo a alegria do amor do Pai e da unidade fraterna. (3)

7.MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Esta mensagem consoladora dirige-se sobretudo a quem, afligido por uma provação particularmente dura ou esmagado pelo peso dos pecados cometidos, perdeu toda a confiança na vida e se sente tentado a ceder ao desespero. Apresenta-se-lhe o rosto suave de Cristo, chegando-lhe aqueles raios que partem do seu Coração e iluminam, aquecem e indicam o caminho, e infundem esperança. Quantas pessoas já foram consoladas pela invocação “Jesus, confio em Ti”, que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens e faz chegar um raio de luz à vida de cada um. (7)
Misericórdias Domini in aeternum cantabo (Sl88[89],2). À voz de Maria Santíssima, “Mãe da Misericórdia”, à voz desta nova Santa, que na Jerusalém celeste canta a misericórdia, juntamente com todos os amigos de Deus, unamos também nós, Igreja peregrinante, a nossa voz.
Jesus Cristo, confio em Ti!
“Jezu,ufam tobie!”(8)
Amém.

AS HARMONIAS DO PAI-NOSSO
Horácio Dídimo


* RITO DE CANONIZAÇÃO DE MARIA FAUSTINA KOWALSKA. Homilia do Papa João Paulo II na Concelebração Eucarística, 30 de abril de 2000, ( 1,2,3,7,8).

sábado, 22 de março de 2008

FELIZ PÁSCOA


'De tudo quanto vi no Carmelo, não há nada mais bonito que a Semana Santa e o dia de Páscoa.
Até me atreveria a dizer que é algo de único.'


Nova Ressurreição

[para 30 de março de 1902*]


Neste belo dia, nesta doce aurora,

Fujamos, minha Irmã, fujamos a seu túmulo89.

Quero vê-lo, este Mestre que eu adoro,

Este Bem-Amado, tão cativante, tão belo.

O que minha alma almeja, o que meu coração deseja

É seu primeiro olhar, seu primeiríssimo sorriso.

Mas eu creio que Ele me espera,

Minha irmã, neste momento

Vem comigo.

A fé tudo pode, Jesus mesmo o disse.

Corre então, minha Irmã, corre ante Ele.

Por mim eu sei que à pobre que Ele ama

Será dado vê-lo hoje.

O amor, esta palavra do céu e que eu não sei dizer,

É um não sei quê, que o prende e o atrai,

Casa do Deus90 do amor,

Eu posso cantar sempre:

Ele ama em mim.

De seu olhar eu quero ver a luz

Oh! Que esplendor deve brilhar em seus olhos!

Contemplando este Gerado do Pai

Terei os Três e terei todos os Céus!

Ele vai fazer brilhar sua luz em minha alma,

Ele vai-me purificar nas divinas chamas.

Senhor, em teu amor

Seja noite seja dia,

Consome-me!

Eu o feri, ó pura, ó doce embriaguez!

Que me pode recusar agora?

Ele não sabe resistir às carícias

Do pequeno coração que ele fez todo amante.

Vou contemplá-lo, visão radiosa,

Face a face divina, fusão bem aventurada.

Ó meu Verbo adorado,

Luminosa Beleza,

Olha-me...

Creio, minha irmã, que ele virá bem depressa,

Este Bem-Amado, tão oferente e tão bom.

Ele ama tanto suas queridas Carmelitas

E seu Carmelo onde se vive de abandono.

Senhor, não sabes, somos tuas noviças.

Vem ante nós, tu farás nossas delícias.

Tu me disseste que sempre

Cedias ao amor,

Lembra-te!

...........................................

Oh! Vem a mim, que eu seja a primeira

A contemplar Aquele que ama meu coração.

Eu quero ver-te92, ver-te em tua luz,

Todo radioso de glória e de esplendor!

Sustenta-me somente porque eu sou pequenina.

Talvez tua visão mate tua carmelita,

Mas isto não importa,

Ó minha Águia divina,

Leva-me!

....................................

Lembra-te que meu coração te deseja,

Que ele te reclama dia e noite.

Verbo adorado que me prendes e me atrais,

Que fazes então para não estar aqui?

Não te tardes em ver tua noiva,

Em dizer-lhe baixinho que é tua bem-amada,

Que no país do Amor

Tu a tomarás um dia

Pertinho de ti?

........................................

Beata Elisabete da Trindade

segunda-feira, 17 de março de 2008

Retiro "OS TRÊS BEIJOS: A teologia mística de São Bernardo", com Padre Bernardo Bonowitz


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Queridos amigos,
Encaminho os textos das conferências do retiro-Os Tres Beijos- com Padre Bernardo Bonowitz, ocorrido no Rio de Janeiro de 7 a 9 de Março de 2008, promovido pela Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton. Imperdivel.
Com afeto,

Fernando Alcici

Acessem o blog:http://retiro2008saftm.blogspot.com/

domingo, 16 de março de 2008

Notícias - Publicado estudo «O Carmelo Teresiano na História»

Um grande avanço na historiografia carmelita-teresiana

Por Nieves San Martín
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ROMA, quinta-feira, 13 de março de 2008 (ZENIT.org).-
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O Pe. Domingo A. Fernández de Mendiola acaba de publicar um monumental estudo em dois volumes: «O Carmelo Teresiano na História», informa o site da Cúria da Ordem Carmelita Descalça (OCD).
O volumoso estudo publicado pelo Institutum Historicum Teresianum tem o subtítulo: «Uma nova forma de vida contemplativa e apostólica».
O primeiro volume analisa o tema durante a vida de Santa Teresa de Jesus (1515-1582). E o segundo envolve o período de 1581 a 1597, «de província a ordem autônoma e crise de identidade».
«Em muitos aspectos, é uma contribuição nova à historiografia carmelita – afirma a Ordem Carmelita Descalça. Não se trata da história da Ordem. É, mais ainda, a análise de como foi considerado o Carmelo Teresiano na história.»
«Há mais de 25 anos – escreve o autor na apresentação –, iniciei este trabalho de reflexão histórica: acompanhar cronológica e sincronicamente o desenvolvimento do Carmelo Teresiano na história, segundo os documentos contemporâneos em cada momento.»
Ou seja, explica, «examinar não a doutrina evangélica espiritual de Teresa, da qual é uma mestra exímia reconhecida na Igreja, mas o que ela chamava de ‘sua obra’ – ‘obra de Deus’ antes de tudo –, a criação como carmelita de uma nova forma de vida contemplativa e apostólica, e sua vitalidade na história».
A reflexão e a documentação apresentada confirmam o projeto ao longo das páginas (750 e 544). A obra do Pe. Domingo Fernández de Mendiola é uma análise documentada sobre o tema.
O livro ajuda a conhecer o nascimento e primeiro desenvolvimento do Carmelo Teresiano. «É um aprofundamento excepcional sobre nosso carisma na Igreja», afirma a OCD.
Tema emergente nesta perspectiva é a vocação missionária do Carmelo «ex ventre» da Madre Teresa de Jesus.Uma nota a destacar, afirma a OCD, «é a redação serena, que nunca se detém em polêmicas. Não é um livro de consulta, mas de leitura integral para esclarecer idéias, para reforçar convicções que se refiram à nossa vocação».
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Fonte: Zenit

sábado, 1 de março de 2008

O Cristo de São João da Cruz



“O DESENHO DE CRISTO CRUCIFICADO”

Este pequeno desenho de Cristo Crucificado - seu tamanho é de 57 X 47 mm - pinto-o João da Cruz durante sua permanência em Ávila, sendo vigário e confessor do mosteiro da Encarnação, entre os anos de 1572 e 1577, onde ainda hoje é conservado. Por sua proximidade cronológica às que podemos considerar como primícias literárias do autor, ao menos entre as chegaram até nós, e sobretudo pela originalidade de sua perspectiva, pelo ponto de vista em que está realizado, este desenho constitui um expressivo pórtico a toda sua obra, além de um sinal chave para a compreensão de seu sistema místico.

Trata-se, efetivamente, de um desenho único e genial que representa a imagem de Cristo morto na cruz, no momento mesmo de entregar seu espírito; daí seu evidente patetismo e essa impressão acolhedora de seus membros desconjuntados, com as mãos rasgadas na abertura dos cravos pelo peso do corpo inerte que cai para frente, como que delineando; a cabeça abatida sobre o peito, o que faz com que o rosto apenas seja visível; a cintura, estreitíssima. e as pernas encolhidas pelo peso do corpo que já não podem sustentá-lo. E todo ele visto de lado, em esboço, em perspectiva cônica oblíqua, a partir de um ponto de vista que está situado no ângulo superior direito, e que é sem dúvida, o mais atrativo e original de desenho, pois sua perspectiva oblíqua e esse ponto de vista obrigam ao pintor a romper os cânones da estética e dar à imagem esboçada umas novas proporções ( dos pés ao extremo do braço esquerdo, em linha reta, há 20 mm, enquanto até ao direito há 60 mm), resultando assim imagem única, completamente insólita.

Os escassos testemunhos a respeito (duas referências nas declarações processuais para a beatificação: a do carmelita calçado João de São José, confessor da Irmã Ana Maria de Jesus, a religiosa, a quem o santo deu de presente o desenho, e a do padre Alonso da Mãe de Deus procurador da causa de beatificação; mais outras duas alusões nas hagiografias posteriores: a do mesmo Padre Alonso e a do Padre Jerônimo de São José) não esclarecem muito, que digamos sobre a origem e circunstâncias de semelhante desenho: todos o atribuem sem mais a “uma aparição maravilhosa uma visão recebida pelo místico enquanto estava em oração; o que é muito dizer e às vezes não dizer nada, mesmo que algum mais explícito, ou mais ocorrente - caso do padre Jerônimo - chegue a supor que “para que assim lhe visse, é fácil considerar e crer estaria o servo de Deus em alguma janela ou tribuna, que nas igrejas de conventos acostuma haver ao lado do altar mor, no meio do qual se considera haver - lhe aparecido, voltado diretamente ao povo. Mas, por que assim e não voltado ao venerável padre? Poder-se-ia crer haver sido para representar com aquele esboço a seus olhos figura mais lastimosa e desconjuntada do que pareceria diretamente”.

Porém este suposto da janela ou tribuna na lateral do altar maior é o primeiro que haveria que demonstrar e não supor, e que além de não existir nada disso na igreja da Encarnação, a imagem refletida no desenho tampouco tem algo a ver com uma visão no sentido estrito , com uma percepção dimensional, posto que o “artifício do desenho”, o efeito estético de sua perspectiva, isso é sinal de outra coisa e está apontando para outro local, não já em sentido físico, mas metafórico. E é que não há que se esquecer que no caso de João da Cruz tudo está visto e dito em sentido metafórico, como corresponde a um verdadeiro poeta místico que escreve, não a partir de si mesmo, senão a partir da perspectiva de Deus, que fala dele. Pois bem, esse é o motivo que explica a perspectiva do desenho e o lugar desde o qual está vista a imagem de Cristo crucificado, não já a partir da posição do pintor, mas a partir da direita mesma de Deus Pai, um lugar mais além de todo lugar e só a partir do qual se pode contemplar precisamente o sentido último da morte de Cristo, como “a maior obra que em toda sua vida com milagres e obras havia feito, nem na terra nem no céu, que foi reconciliar e unir ao gênero humano por Graça com Deus; e isto foi, como digo, ao tempo e ponto que este Senhor esteve mais aniquilado em tudo. . . , ficando assim aniquilado assim como em nada (Subida II, 7, 11).

O desenho, portanto, é toda sua metáfora estética que tenta expressar graficamente o inexplicável com palavras e que convida a contemplar essa figura a partir de outro ponto de vista, de outra maneira, pretendendo “deixar voar a alma do pintado a Deus vivo” (Subida III, 15,2) para compreender a partir daí o amor de Deus manifestado em seu Filho Jesus Cristo. “Tanto amou Deus ao mundo que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,16) que, “não se reservou nem a seu Filho, antes bem, o entregou por nós” (Rm 8,32). O Desenho não passa simplesmente uma imagem de caráter devocional, como queria o Padre Jerônimo de São José, senão mística, no sentido mais rico da palavra, pois se refere diretamente ao “mysterion” da revelação divina essa “sabedoria de Deus” da qual já o apóstolo Paulo falava nestes termos: “Falamos uma sabedoria que não é deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que ficam desvanecidos, senão que ensinamos uma sabedoria divina, misteriosa, escondida, predestinada por Deus antes dos séculos para nossa glória; nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu, pois se a houvesse conhecido nunca haveriam crucificado ao Senhor da Glória; senão, como está escrito (aludindo a Is 64,3) nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem o homem pode pensar o que Deus preparou para os que o amam” Cor 2, 6-9; Rm 5, 1-5; Fl 2, 6-11; Cl 1, 15-20). E isto mesmo é o que em linguagem de João da Cruz se chama “a mística teologia, que quer dizer sabedoria de Deus secreta e escondida, na qual, sem ruído de palavras e sem ajuda de algum sentido corporal nem espiritual, como em silêncio e quietude, ensina Deus ocultíssima e secretíssimamente à alma sem ela saber como; o que alguns espiritualistas chamam entender não entendendo” (Cântico B 39,12; Noite II, 5,1; Chama B 3,48).

O mistério dessa sabedoria divina, mistério essencialmente TRINITÁRIO e ao mesmo tempo CRISTOCÊNTRICO, é o que João da Cruz conheceu e saboreou em sua experiência mística como “uma das mais altas obras de Deus e mais saborosa para a alma”, entendendo “de raiz essas profundas vias e mistérios que são parte de sua bem-aventurança” C B 23, 1; 37,1). E isso é justamente, o que vai cantar em seus poemas. Daí que este desenho seja para nós uma expressão fundamental a não perder de vista, o pórtico de entrada a toda sua obra e à referência chave para compreender seu sistema místico. Porque, além de uma mestra inequívoca de como “a pessoa devota de verdade, no invisível principalmente põe sua devoção, e faz-se mister poucas imagens e de poucas usa, e daquelas que mais se confortam com o divino que com o humano, porque a viva imagem busca dentro de si, que é Cristo Crucificado” (S III, 35,3). esta imagem representa, antes de tudo, o “desenho de amor” de Deus à alma, “desejando que se acabe de figurar com a figura de cujo desenho é o Esposo, o Verbo Filho de Deus, porque esta figura aqui entende a alma que se deseja transfigurar por amor.


Assim pois, em virtude desse sentido metafórico, razão última de sua perspectiva foi motivo de inspiração a outros artistas modernos e induziu a estudar diversos especialistas, este desenho expressa em última instância a mesma beleza dos versos finais do poema Partorzinho e corresponde, além do mais, com o que o mesmo João da Cruz lhe faz dizer a Deus no capítulo central da Subida do Monte Carmelo: “ o que agora quisesse perguntar a Deus, ou querer alguma visão ou revelação, não só faria uma necedade senão faria um agravo a Deus, não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade. Porque poderia lhe responder Deus desta maneira, dizendo: ‘Se te tenho faladas todas as coisas em MINHA PALAVRA, que é meu Filho, e não tenho outra, que te posso eu agora responder ou revelar que seja mais que isso? Ponha os olhos somente nele, porque nele tenho dito tudo e revelado, e acharás nele ainda mais do que pedes e desejas . . . Se quiseres que te respondesse eu alguma palavra de consolo, olhe para meu Filho, sujeito a mim e sujeitado por meu amor e afligido, e verás quantas te responde. Se quisesse que te declare eu algumas coisas ocultas ou casos, ponha os olhos nele, e acharás ocultíssimos mistérios, sabedoria e maravilhas de Deus, que estão encerradas nele’ ...” (S II, 22, 5-6)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

João da Cruz, o cantor das luzes e das noites

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Nos primeiros momentos do dia 14 de dezembro de 1591, no convento de Ubeda, Espanha, morria escutando o Cântico dos Cânticos frei João da Cruz, o místico da união com Deus, o cantor revolucionário dos caminhos que levam ao cimo do monte onde está escrito: “aqui reina a glória e honra de Deus. Para o justo não há lei”. Palavras sábias que mostram que a única liberdade é encontrar a Deus e viver o amor na sua dimensão transcendente e humana. Só assim temos a certeza que “no fim da vida seremos julgados sobre o amor”.
A vida de João da Cruz é simples, mas buscadora. Uma procura angustiante dos valores infinitos dentro de uma sociedade muitas vezes hipócrita e uma vida religiosa de “fachada” mais que de radical seguimento de Jesus Cristo. João da Cruz é o cantor das noites tormentosas da fé onde não se enxerga mais nada e nos guiamos somente pela virtude da fé que, como guia, nos leva pelo caminho desconhecido. Ele, depois de ter passado momentos de profunda tristeza e desilusões enquanto pensa de deixar o Carmelo e se refugiar na Cartuxa, encontra a Madre Teresa que o contagia com seu sonho de novo Carmelo.
João da Cruz não é radical nas suas idéias, inamovível, ele busca a verdade e o bem, e quando os encontra, sabe se deixar conduzir por outros. Seria triste que um mestre do espírito do quilate de João da Cruz não soubesse assumir conselhos e orientações de pessoas sábias como era Teresa de Ávila. Entre estes dois santos iniciaria uma amizade espiritual autêntica, onde um acolhe o outro e os dois vivem em harmonia a vontade de Deus.
João da Cruz canta as noites difíceis do espírito que é necessário percorrer para possuir a Deus. Traça caminho, mas com uma alegria impressionante, não é rigorista e nem também macera-se a si mesmo e nem quer que outros se macerem por penitências corporais exageradas e sem sentido. A noite é caminho que se faz luz. João da Cruz diz sem meios termos que Deus “coloca na noite” os que querem introduzir na contemplação. A noite será luminosa e o caminho aventuroso e bendito.
Quem sabe se ainda haja muita gente que lê mal os livros de São João da Cruz e tem medo deste santo do “nada”. Parece duro, intransigente, mas é a exigência do amor, a firmeza dos que ama e quer ver os seus dirigidos e dirigidas chegarem ao cimo do monte.
Subir o monte exige desprendimento de si e ternura e misericórdia consigo mesmo. É noite, mas depois quando estivermos no cimo nos é dada a alegria de descortinar a planície toda, é o que canta no Cântico, e nos será dado o dom de unos unir a Deus como uma chama viva de amor.
Se você nunca leu nada de São João da Cruz não tenha medo deste Santo. Ele é de uma ternura impressionante, de uma amor misericordioso. Vamos meditar três estrofes das poesias dele:

Oh! noite que me guiaste,
Oh! noite mais amável que a alvorada!
Oh! noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!(Noite 5)

No Amado acho as montanhas,
Os vales solitários, nemorosos,
As ilhas mais estranhas,
Os rios rumorosos,
E o sussurro dos ares amorosos(Cântico 13)

Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
- que estava escuro e cego, -
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!(Chama 3)


Cantar a noite, cantar a luz para que o caminho não se faça pesado.
Santo Agostinho dizia: “canta no caminho e o caminhar será mais leve”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Notícias - Convento em Fátima para o Séc. XXI - Carmelitas descalças dedicam capela aos pastorinhos

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Um convento para o Séc. XXI foi inaugurado em Fátima.

No dia em que a Carmelitas dedicaram a Capela do Carmelo aos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, foi apresentado, numa iniciativa excepcional, o interior de um convento de clausura.
O novo convento das Carmelitas Descalças é uma aposta nas soluções amigas do ambiente.
Painéis termodinâmicos permitem captar energia, o que equivale a “anular praticamente os gastos em gás”, explica à Agência ECCLESIA a Irmã Cristina Maria, Superiora do Carmelo em Fátima.
As águas sanitárias e águas quentes são todas alimentadas a partir dos painéis. O projecto do convento inclui algumas cisternas para guardar água da chuva para reutilizar nos autoclismos das casa de banho. A casa foi toda revestida de forma a aproveitar a energia e até as lâmpadas são economizadoras.
As soluções ecológicas foram sempre privilegiadas pelas religiosas, habituadas a reciclar tudo.
Alexandra Cantante, arquitecta que concebeu o projecto explica que este foi um trabalho conjunto entre as religiosas do Carmelo e as propostas apresentou. O resultado é um conjunto arquitectónico moderno, de linhas sóbrias, sem muros altos à volta do convento, com uma arquitectura moderna. Este é um convento de clausura aberto ao mundo.
As irmãs fazem a sua vida dentro das paredes do convento. “As janelas viradas para a rua são pequenas e situadas a um metro e setenta de altura”, descreve a arquitecta. A vivência das religiosas no espaço foi a base para a concepção do projecto a que se somou depois a parte estética.
As irmãs vivem para dentro do seu espaço, daí a necessidade de privilegiar a luz e o jardim. “O contacto com a natureza é importante para quem vive a sua vida inteira dentro de um edifício”, explica a arquitecta.
Alexandra Cantante afirma que as pessoas que actualmente vivem num convento não são as mesmas que o habitaram há 100 anos atrás. “Temos que adequar o espaço ao tempo actual sem perder de vista a sua função”.
O processo do projecto foi “fascinante”, explica a arquitecta. “Reunir semanalmente com pessoas assim é um privilégio muito grande”. Não houve restrições, foi “um projecto em grupo”.

Financiamento do projecto...

A falta de condições de uma habitação construída no início do Séc. XX, em estado de grande deterioração, ditou a necessidade de construir um convento de raiz.
Numa casa onde a congregação estava presente há cerca de 70 anos, “fomo-nos habituando à ideia de mudar para uma nova”, explica a Madre Superiora.
A casa antiga, fundada por irmãs belgas, tinha na porta de cada cela o nome de um santo e também de um benfeitor. A Ir. Cristina Maria explica que decidiram, como forma de financiamento, continuar com essa modalidade.
A campanha de financiamento, via Internet que as religiosas desenvolveram, tinha como objectivo informar as pessoas para onde ia o contributo.
Assim, as contribuições destinaram-se às celas ou aos puxadores das portas, por exemplo. Neste novo Carmelo, à semelhança do que acontecia na antiga casa, as celas vão ter nas portas o nome do benfeitor inscrito, “como forma de quem a ocupa, saber quem foi e rezar por ele”.

...na primeira pessoa

Gonçalo Correia de Oliveira, benfeitor, recusa falar em valores. Prefere dizer que a sua doação correspondeu “àquilo que considerei poder dar, tendo em conta as responsabilidade familiares”.
Servita de Nossa Senhora de Fátima há 29 anos, Gonçalo Oliveira manifesta uma grande proximidade com o Carmelo de Fátima.
“Tenho dentro do convento boas e grandes amigas”, explica. Razão suficiente para se disponibilizar e manifestar interesse em contribuir.
O benfeitor explica que “não é fácil no mundo de hoje compreender o que é um mosteiro de monjas contemplativas”. O mundo exige um retorno “óbvio e imediato para o que se faz ou dá”.
Num mosteiro de contemplação “é mais difícil perceber esse retorno directo”, mas, garante Gonçalo Oliveira, “ele é enorme em oração”.
O benfeitor assume que a sua relação com o Carmelo cresce todos os dias. “A amizade permanece e o meu contributo a esta casa enaltece a minha ligação”.
Juntamente com a sua família, Gonçalo Oliveira visitou as instalações do Carmelo, pouco depois de pronto. “Sempre que permanecemos no luctório, marca-me a alegria tremenda destas mulheres que entregaram a sua vida a Deus”. A obra é importante, mas Gonçalo Oliveira prefere enaltecer o que se vive dentro dela.

Dedicação da Capela

A Igreja do novo Carmelo é dedicada a Jacinta e Francisco Marto. É por isso a primeira Igreja em Fátima dedicada aos pastorinhos. A Superiora explica que o Carmelo é de São José e assim vai continuar a ser.
A Primeira Pedra da capela veio do muro do Ano Santo de 1975, da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma e o pergaminho da Bênção foi assinado por João Paulo II, em 16 de Outubro de 2003. Ambas as peças estarão expostas no espaço da nova Capela.
A dedicação aos pastorinhos foi uma sugestão do Pe. Kondor, que as Carmelitas acederam.
“Fazemos parte da mensagem de Fátima”, explica a Superiora. Mais tarde ou mais cedo “a Ir. Lúcia ficará ao pé dos pastorinhos e ficará a capela dos três pastorinhos”.
A Irmã Cristina Maria explica que se sentem “no coração do Santuário”. A forma de vida baseia-se na mensagem de Nossa Senhora em Fátima, por isso “esta relação entre o Carmelo e os pastorinhos faz todo o sentido”.
Esta opinião é também partilhada por D. António Marto, Bispo de Leiria Fátima, que presidiu à Eucaristia de dedicação da nova Igreja do Carmelo.
“O Carmelo faz parte não só do perímetro do Santuário, mas está no coração do santuário”, assume o Bispo.
O carisma das religiosas de clausura dá, segundo D. António Marto, visibilidade a duas grandes dimensão do Santuário. Enquanto monjas contemplativas “exprime a resposta ao apelo feito por Nossa Senhora de reconduzir a adoração para a vida da Igreja e do mundo”.
No entanto, o Carmelo significa também “misericórdia, oração e contemplação, que são dons para o mundo”, uma vez que as irmãs acolhem as intenções de todas as pessoas que acorrem ao Carmelo, mas também do mundo inteiro.
A vida contemplativa, presente no Carmelo de Fátima é “uma fonte de misericórdia para o mundo de hoje no meio de tantas angústias”, aponta o Bispo de Leiria Fátima, pois “o mosteiro é um convite a repousar”. D. António Marto só lamenta que os peregrinos não acorram mais ao Carmelo, “mesmo através da Igreja”, uma vez que o convento é de clausura.
Fátima tornou-se num “centro internacional”. A ordem do Carmelo é “iminentemente mariana”, traduz o Bispo de Leiria – Fátima. O Carmelo assume um “lugar único para irradiar a espiritualidade própria da congregação e enriquecer o Santuário”.
De Fátima para o mundo
O Pe. Pedro Ferreira, Provincial dos Carmelitas, assume que a Ordem está apostada em reavivar o carisma em Fátima. A ordem do Carmelo está a investir em Fátima “possivelmente também pela Irmã Lúcia, pois sentimos como responsabilidade moral manter viva a resposta à mensagem de Fátima”, numa perspectiva de oração, através das Irmãs mas também da pastoral de oração, através do padres.
O Pe. Luigi Gaetani, Definidor Geral da Ordem, presente na dedicação da Igreja explica que a Ordem viu a necessidade de neste momento ter uma forte presença, com respostas espirituais, como é o caso da Domus Carmeli e o Carmelo das Irmãs.
A aposta deve-se à necessidade de partilhar a beleza do carisma carmelita hoje, através da criação de lugares de fronteira, “fronteira entre o céu e a terra”, que se traduzem em lugares de cultura, “onde é possível encontrar crentes e não crentes que se encontram a partir das experiências de Deus, não tanto a partir das palavras”, explica o Definidor Geral da Ordem.
O Carmelo deseja uma solidão, mas não de uma forma triste, antes “plena”, explica. Mas também possibilita a vivência de experiências em comum.
“Neste tempo globalizado mas onde se vive de forma aguda a solidão, nós queremos propor um sistema de vida, onde a companhia e a alegria de viver em comum são experiências profundas”.
A proposta é radical, mas o Definidor Geral da Ordem não acredita que seja difícil. Prova disso é a lotação quase esgotada das celas do Carmelo.
“Queremos mostrar o essencial da vida, das coisas que procuramos verdadeiramente e a felicidade profunda”. Por isso mesmo o Carmelo encontra-se dentro de uma cidade, não fora, “mas no meio das pessoas”.
Fonte: Agência Ecclesia

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Notícias - Inauguração do Carmelo de Fátima

- As Irmãs Carmelitas Descalças de Fátima inauguram o seu novo Carmelo no dia 20 de Fevereiro, dia dos Beatos Francisco e Jacinta, com a Celebração Eucarística, pelas 15h30, presidida por D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima.
A Ir. Cristina de S. José revela no site oficial dos Carmelitas em Portugal que “quando pensámos fazer obras de fundo no antigo convento de 1935, nunca imaginámos que viríamos a ter que construir um novo. Mas estava tão deteriorado e a forma de construção era tão antiga, que vários engenheiros nos garantiram que ficava muito mais caro restaurar do que fazer um novo edifício. E foi isso que fizemos”.
“Do nosso novo Convento também faz parte uma Capela. Esta será a primeira, em Fátima, dedicada aos Pastorinhos, os Beatos Francisco e Jacinta Marto. É uma Capela querida pelo saudoso Papa João Paulo II”, acrescenta.
A Primeira Pedra veio do muro do Ano Santo de 1975, da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma e o pergaminho da Bênção está assinado pelo próprio punho do Santo Padre, em 16 de Outubro de 2003, pouco mais de um ano antes do seu falecimento. Ambas as peças estarão expostas no espaço da nossa nova Capela.
“Vendemos uma parte do nosso terreno aos nossos Padres Carmelitas Descalços, onde está agora construída a Domus Carmeli e com esse dinheiro e mais algum que a Comunidade já possuía custeámos a primeira fase da obra e o início da segunda”, diz ainda.

Fonte: Agência Ecclesia

Poesia - Em Busca de Deus

- (clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Visita Fraterna ao Grupo OCDS de Mococa-SP


Fomos a Mococa: Marcelo Piotto, Frei Afonso e eu (Rose), a fim de entrarmos em contato e saber das necessidades de acompanhamento desse grupo que caminha desde 2006 se reunindo em Mococa, e freqüentando em dias alternados as reuniões da Comunidade Secular de São João da Boa Vista.

Encontramos um grupo heterogêneo nas características de seus membros.

O grupo tem 14 pessoas perseverando nas reuniões de formação e nos trabalhos de divulgação da espiritualidade carmelitana (como novenas de Nossa senhora do Carmo, apresentações da vida de Santa Teresinha, etc.), contando com a colaboração e apoio do pároco Padre Anderson D. Lopes e também o Diácono Donato Fidanza Filho, diocesanos, que estiveram conosco durante parte do tempo.

A coordenadora: Adriana Silva Valença de Oliveira e o formador: Mario Eduardo de Oliveira são casados há 10 anos. Caminham na escola Teresiana com muita perserverança.

Agradecemos aqui a acolhida carinhosa que nos deram todos do grupo e seu Pároco e Diacono, nos recebendo em sua casa, nos tratando como familia.

V ENCONTRO DE JOVENS E INICIANTES DA OCDS

“Estar à sós com Aquele que sabemos que nos ama”
Oração: Trato de amizade com Deus.

“ Seja o teu desejo contemplar a Deus; teu temor, perde-lo; tua dor, não estar ainda com Ele; tua alegria, a de que possa conduzir-te até Ele. Então viveras em grande paz.”

Queridos Irmãos das Comunidades OCDS,
É com esta alegria e disposição de vivermos com Ele em grande paz, que anunciamos o V Encontro de Jovens e Iniciantes da OCDS.
Como já é de conhecimento de todos, os nossos encontros são abertos, não só para jovens, pois não somos uma comissão exclusivamente para jovens, mas sim aberta a todos e principalmente aos Iniciantes da OCDS.
A nossa comissão tem a responsabilidade de apresentar a espiritualidade carmelitana de forma alegre, dinâmica e espontânea, sem perder o nosso carisma e o essencial que é a oração.
Este ano, nos propusemos a trabalhar com os ensinamentos de Santa Teresa, O Trato de amizade com Deus, através da Oração. Grandes surpresas nos aguardam e para isso, contamos com a presença de vocês, em nosso encontro, que acontecerá juntamente com o Encontro de Presidentes e Mestres, proporcionando assim, alguns momentos em comum.
A casa onde acontecerá o Encontro é a casa da Santíssima Trindade, em Belo Horizonte, dos dias 18 à 21 de abril, de 2.008. Temos assim, neste ano, o diferencial de um dia a mais de encontro por causa do feriado.
É necessário que levem, além dos objetos pessoais, roupa de cama e banho. A leitura prévia deve ser A quarta parte do Catecismo da Igreja Católica, que fala de Oração e algum livro, resumo, história de Santa Teresa.
O encontro terá inicio às 16:30 horas do dia 18/04/08 e encerramento às 13:30 horas do dia 21/04/08.


Casa Santíssima Trindade
Filhas de Jesus
Rua Madre Cândida, 241 Vila Paris, 30.380-690. Belo Horizonte – MG.
E-mail: ssmarecp@terra.com.br/ http://www.filhasdejesus.org.br/


A taxa de inscrição é de R$ 170,00 ( Cento e setenta reais ).
Pedimos que seja feito um depósito antecipado no valor de R$ 85,00 ( oitenta e cinco reais ), afim de garantir a sua vaga. Nosso encontro é aberto, mas por ser junto, as vagas são limitadas por causa da capacidade de hospedagem da casa.
Deverá ser enviado junto com a inscrição uma cópia do comprovante de depósito. Não se esqueça de levar o comprovante original no dia do encontro para evitar qualquer imprevisto.


Associação das Comunidades Carmelitas Descalços
Conta - 33895-2 Agencia – 3162 Banco Itaú.

Inscrições com Micheline de Faria Silva
R. Grafite, 80. Padre Eustáquio. Cep. 35.680- 162. Ituana - MG.
michelinefariasilva@gmail.com Telefone: (031) 37 9986 9075

As inscrições devem ser feitas até o dia 31/03/08 para que possamos ter noção da quantidade de pessoas que farão o encontro.

“ Deus se encontra na alma como se encontra no céu. Por isso mesmo a própria alma é outro céu, no qual se pode entrar pela Oração.”

Comissão de Jovens e Iniciantes na OCDS.


Outras informações e ficha de inscrição com Sérgio Lopes de Queiroz


slqueiroz@oi.com.br


(031) 3772 0436 ou 9861 0436

Notícias - Carmelitas: Centro Mariano Internacional vai dinamizar pastoral de oração

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Os carmelitas inauguraram o Centro Mariano Internacional «Domus Carmeli». Um espaço que, apostando na pastoral de oração, desenvolve a vocação carmelita a nível internacional.
Este Centro, um local há muito sonhado, vem de encontro ao desafio que o governo geral da congregação lançou – “uma casa em Fátima, adequada à renovação do carisma mariano”explica à Agência ECCLESIA o Pe. Pedro Ferreira, Provincial dos Carmelitas.
O Centro inaugura também a presença da Ordem na Europa, pois “não tínhamos ainda uma casa desta dimensão”.
A inauguração é recente, mas várias actividades estão já pensadas. Congressos e encontros de periodicidade anual, de “nível médio e superior”, conforme explica o Provincial.
Cinco temáticas estão já pensadas para os congressos, que se querem internacionais. «Mariologia», «A Irmã Lúcia», «Grandes orantes», «A oração nas grandes religiões monotaístas» e «A mística cristã» são temas a desenvolver com a UCP “como parceira na organização destes congressos”.
Mas há outras propostas ainda, em forma de encontros. Com a oração como tema dominante, será depois, reflectido a partir de várias dimensões.
Especialmente dedicado a artistas, o Pe. Pedro Ferreira dá conta do tema “A iconografia e o espaço litúrgico”. Para arquitectos e engenheiros, vai ser agendado o encontro sobre “Os espaços orantes”.
«A oração na comunicação social» é outra proposta pois, segu8ndo explica o Provincial “actualmente há muitas pessoas que rezam a partir da televisão ou da rádio” e os media “devem proporcionar um bom serviço”.
«A oração e as novas tecnologias» é outra proposta. “Existem sítios na Internet dedicados à oração”, explica o Pe. Pedro Ferreira. “Queremos saber como funcionam e ajudar quer as pessoas que fazem os sítios quer também quem os utiliza”.
Esta diversidade de propostas quer dar resposta à vocação carmelita. Fazer uma escola de oração e “trabalhar esta dimensão”, aponta o Pe. Pedro Ferreira, pois, segundo o mesmo “a partir daqui muita coisa se pode fazer”.
A inauguração do Centro Mariano Internacional e a dedicação da Igreja contou com a presença do Geral da Ordem, Pe. Luis Arostegui, do Definidor Geral, Pe. Luigi Gaetani e de vários provinciais carmelitas de outros países.
O Pe. Pedro Ferreira explica que esta presença demonstra o apreço que manifestam pelo Centro, mas também o objectivo de trabalhar em conjunto”, afirma, pois, “as fronteiras estão cada vez mais esbatidas”.
Este Centro Mariano, inaugurado no dia em que se assinalaram três anos da morte da Irmã Lúcia, fez parte do sonho da Vidente de Fátima.
“A Irmã Lúcia sempre se empenhou na divulgação da mensagem de Fátima, em especial pela oração”, explica o Pe. Pedro Ferreira.
Por coincidência o nascimento e construção deste centro “esteve sempre ligado à Ir. Lúcia”, pessoa que “acarinhou o projecto no final da sua vida”.
No dia em que a Irmã Lúcia foi sepultada em Fátima, 19 de Fevereiro de 2006, foi benzida a primeira pedra do Centro. A 28 de Março de 2007, centenário do nascimento de Irmã Lúcia, “começamos a habitar a casa”, explica o Pe. Pedro Ferreira. A inauguração decorreu simultaneamente no dia em que a Santa Sé antecipou a abertura do processo de beatificação da vidente, no passado dia 13.
O Pe. Pedro Ferreira dá conta ainda que o auditório do Centro, com capacidade para 250 pessoas, será dedicado à Irmã Lúcia.
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Fonte: Agência Ecclesia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Notícias - Apresentado em Roma «Dicionário Carmelita»


Fruto de 10 anos de trabalho.

Foi apresentado, na Faculdade de Teologia «Teresianum» de Roma, o «Dicionário Carmelita». O fato tem especial relevância por ser o fruto da colaboração durante dez anos dos dois grandes ramos carmelitas.
A apresentação foi assistida pelos superiores gerais da Ordem do Carmo (Carmelitas da Antiga Observância), Fernando Milán, e do Carmelo Teresiano (Ordem dos Carmelitas Descalços), Luís Aróstegui.
Intervieram na apresentação, em 11 de fevereiro, o Pe. Camilo Maccise que, sendo superior geral dos carmelitas descalços, alentou e sustentou esta empresa e os diretores executivos da obra, Emanuele Boaga, ocarm., e Luigi Borriello, ocd, um de cada Ordem.
A obra de 1.031 páginas, até agora publicada só em italiano, foi projetada e programada há 10 anos pelos Definidores Gerais de ambos os ramos carmelitas e foi qualificada como modelo de colaboração entre famílias religiosas.
Os quase 125 autores que colaboraram no Dicionário «ajudam a tomar consciência das origens; a ter uma visão da evolução histórica da família do Carmelo», assinala o Pe. Camilo Maccise, na apresentação do volume.
Seguindo as características próprias de uma obra deste estilo, o dicionário é um compêndio de nomes, figuras importantes ou notáveis, vida e realizações, autores, livros, história, teologia, ciência, espiritualidade, artes, aspectos jurídicos em relação à vida, ação e doutrina do Carmelo.
«Os elementos soltos – escreve o Pe. Maccise na apresentação – ajudam a tomar consciência das origens; a ter uma visão da evolução histórica da família do Carmelo». Acrescenta também que nosso carisma «se reveste de matizes próprios com Santa Teresa e São João da Cruz».
«É um grande acontecimento para toda a família carmelita, porque significa um trabalho conjunto para dar à família carmelita um instrumento para aprofundar em nossa espiritualidade, em nossa história, em nossa realidade», manifestou o prior geral da Ordem do Carmo, que avaliou a obra pelo que significa para conhecer «diferentes setores da família carmelita» e «como instrumento muito útil para os que, não sendo carmelitas, aproximam-se da nossa espiritualidade, nossa história e nossos personagens».
O livro, segundo informa o site dos carmelitas descalços, «oferece um instrumento de uso imediato para muitas primeiras consultas ou informação de início, para elaboração de temas, para conhecimento próprio de tantas questões carmelitas, tratadas por especialistas, às vezes de forma extremamente detalhada. Há informação bem fundida com a oportuna biografia sobre tantos temas carmelitas. É um dos livros mais práticos que o Carmelo já publicou nos últimos tempos».
A editora «Città Nuova» de Roma, acrescenta, «conseguiu uma apresentação clara e harmônica do volume bem encadernado, que se folheia facilmente. Temos de felicitar-nos e agradecer aos dois tenazes diretores por nos oferecer um instrumento de trabalho prático, concreto, imediato, essencial e sempre suficiente».


ROMA, quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Fonte: (ZENIT.org).-

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O PAI-NOSSO E PRINCÍPIOS DA VIDA CARMELITANA

PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS
1. SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
Ser diligentes na meditação da lei do Senhor.

2.VENHA A NÓS O VOSSO REINO
Participar na liturgia da Igreja, tanto na Eucaristia como na Liturgia das Horas.

3. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Viver em obséquio de Jesus Cristo, servindo à Igreja.

4. O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE
Dar tempo à leitura espiritual.

5. PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO
Interessar-se peloas necessidades e o bem dos demais na comunidade.

6. E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
Usar prudente discrição em tudo que fazemos.
Aprofundar o compromisso cristão recebido no batismo debaixo da proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

7. MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Armar-se com a prática das virtudes ao mesmo tempo que se vive uma vida intensa de fé, esperança e caridade.

Luciano Dídimo

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Carmelitas inauguram centro mariano em Fátima

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A Província Portuguesa dos Carmelitas Descalços vive um momento alto da sua história ao inaugurar no dia 13 de Fevereiro, às 15h00, o Centro Mariano Internacional, «Domus Carmeli», em Fátima.
Esta data foi escolhida por ser o terceiro aniversário da morte da Irmã Lúcia, que ainda na terra se alegrou com a iniciativa e agora no céu intercede por ela.
Este acto contará com a presença do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto; do Geral da Ordem, Pe. Luis Arostegui; do Definidor Geral, Pe. Luigi Gaetani, de vários provinciais carmelitas de outros países e de muitos amigos da família carmelita.
Este Centro Mariano Internacional contém espaços para uma comunidade de frades residentes e tem capacidade para acolher cerca de 100 pessoas.

Fonte: Agencia Ecclesia

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

FREI, SERÁ QUE AINDA SOU CATÓLICO?

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Não faz muito tempo uma pessoa mais ou menos amiga me procurou para conversar um pouco. Fazia tempo que se dizia estranha a si mesma e aos outros, desencontrada com a própria consciência e tomada de medo que lhe pareciam escrúpulos. Na verdade desde criança tinha sido educada na fé, os pais lhe tinham ensinado a viver os mandamentos da Igreja, tinham insistido para que se casasse na igreja, batizasse os filhos, e antes de morrerem, tanto o pai quanto a mãe lhe tinham pedido que não fizesse a besteira de se separar de sua esposa, de abandonar os filhos e ser uma “desonra” na família, fora da Igreja.
Ele me dizia que se perguntava se podia considerar-se ainda católico ou devia se considerar fora da igreja e sem espaço nenhum dentro da mesma igreja que, na sua maneira, tinha amado. Preferi não dar-lhe resposta pronta, mas usar o método de Jesus; deixar falar, como ele fez com o samaritano, contar-lhe uma pequena parábola, ou dar-lhe o espaço necessário para que pudesse transbordar tudo o que se passava no seu coração agitado como o oceano em dia de grande tempestade. Preferi deixá-lo falar somente, lhe fiz uma pergunta: por que você acha que não é mais católico e se considera fora da igreja que você diz a ter amado e procurado seguir?
“- Veja, Frei Patrício, eu era católico de missa diária, depois passei a missa dominical, depois a missa pascal e depois a missa nenhuma. Os problemas foram aparecendo na minha vida. Casei-me com alguém que eu achei que amava apaixonadamente, tivemos dois filhos, mas lentamente começou a entrar em nós uma antipatia cordial e não conseguimos mais ter um diálogo, éramos em casa dois estranhos e os filhos percebiam que não havia nenhum clima a não ser “briga sobre briga”; nos separamos. E depois de uma pouco de tempo os dois estávamos já com outra pessoa. Achávamos que tínhamos encontrado a árvore e fonte da felicidade, os filhos eram como mercadoria que nos fins de semana eram “descarregados” na porta da casa de um e da outra. Não havia mais interesse a não ser o dever judicial de pagar a pensão e nada mais. Também a segunda união foi passageira e assim foi.
O trabalho começou a ser pouco e o dinheiro sempre mais curto. Enveredei pelo caminho da desonestidade e muitas vezes fui à beira do desespero pelas atitudes incorretas econômica e socialmente. Percorri caminhos tortuosos, criei ao meu redor inimigos enganosos e sobre enganos tentei construir o futuro que se revelou cada vez mais frágil e sem sentido.
Bebida, drogas, más companhias que me levaram longe de todos os princípios morais da vida. A Igreja, o evangelho para mim não valem mais nada. O que tem valor é a aparência, a projeção e o status que não posso perder. Tudo isto se leva para frente quando se está junto dos outros, mas no silêncio da noite, quando sou obrigado a me confrontar comigo mesmo, a descer no âmago do meu ser, as coisas se fazem inferno. Sinto uma mordida violenta na minha consciência, um desejo de voltar atrás, de recomeçar, mas como?
Vejo que algumas pessoas que se tinham afastado da Igreja voltaram. Tinham tomado caminhos errados e retornaram e reassumiram a vida. Sinto-me torturado por dentro.”
A conversa foi longe difícil, dura. Aí perguntei para ele: “- você, assim como vive, se sente ainda católico?” “- Não”, foi a sua resposta. Eu fui obrigado a dizer-lhe assim: “- na verdade você não é nem católico e daqui a pouco nem gente?” “- O que devo fazer?” “- Vai e faça a mesma coisa daqueles teus amigos que se converteram e voltaram a ser católicos.”
Hoje este meu amigo voltou a ser católico, recomeçou o caminho. Está só, a mulher não quis acolhê-lo de novo, mas vive com os filhos, feliz, continua a ser pobre, mas feliz por ter reencontrado Deus no seu caminho e a Igreja como lugar de encontro e de amor.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

FLORZINHA...


Eu quero ser Teresa
Eu quero ser Teresinha
Na caminhada espiritual
ser comparada a uma florzinha...

Florzinha que até
inspira cuidados
mas também inspira
sabedoria!

Ser grande não é tão importante
porque ser pequeno me transforma
em uma coisinha...

Coisinha que Deus ama
independente da altura
ama porque é Deus
e não escolhe a criatura!


Maria Luíza Batista
(OCDS de Fortaleza-CE)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

COMO DEUS ME CHAMOU AO CARMELO - ROSE PIOTTO


SEDUZISTE-ME SENHOR E EU ME DEIXEI SEDUZIR

Por muito tempo meu coração viveu inquieto. Não sabia o que buscava e pensava que encontraria no mundo, nas coisas, nos lugares, em outras religiões, nas ilusões . Mas eu buscava porque dentro de mim tinha um vazio que nada disso preenchia.

Um dia vi uma reportagem no fantástico (1983) sobre as Monjas Carmelitas Descalças. Quando vi as entrevistas, fiquei chocada, eu não podia conceber a idéia de que mulheres nos dias de hoje vivessem trancadas, fosse qual fosse o motivo. Eu morava em Vila Velha no Espírito Santo. Fiquei dias com a palavra Carmelo na minha cabeça, aquilo era sinônimo de prisão. O Tempo passou e esqueci. Daí dois anos me mudei para Passos, em Minas Gerais por causa do trabalho de meu pai.

Um dia minha irmã me convidou pra conhecer uma freira. Eu fui e quando cheguei no convento, me disseram que era o CARMELO. Aquilo foi um choque de novo: eu iria visitar uma mulher trancada numa clausura. Quando entrei foi uma visão diferente da que eu tinha imaginado. Ir, Wilza, que hoje é nossa Madre , estava entrando como noviça e era feliz e radiante. Nada daquelas coisas que eu imaginava. Depois daquele dia comecei a freqüentar o Carmelo, primeiro nas missas, depois eu procurei fazer amizade com elas. Tinha uma coisa que me fazia estar a cada dia mais desejosa de esta lá. Minha intimidade com Deus foi saindo da superficialidade e fui me colocando diante d’Ele. Eu queria Ouvi-lo, como elas diziam que ouviam. Uma luta interior e exterior começou em mim e durou três anos. Eu estava noiva e queria terminar o noivado para ser monja. Me sentia atraída e sabia que era O Carmelo o meu lugar. Com 19 anos desisti de ser monja, continuei a trabalhar, estudar e buscar na espiritualidade do Carmelo o que me alimentava a alma, Lendo Santa Teresinha, Santa Teresa, Elizabete, S. João da Cruz..o Carmelo ainda me facinava.

O tempo foi passando e descobri que tinha a Ordem Secular. Uma amiga que trabalhava na mesma escola que eu e mãe de um amigo me convidou para participar já que estava sendo fundada uma comunidade em nossa cidade. E foi assim que Deus começou a me presentear, me atraindo. Começamos na Comunidade em 1986 e de lá pra cá venho sendo agraciada com as riquezas do Carmelo.

Descobri as delicadezas de Deus misericordioso e amoroso, me seduzindo para viver com Ele um grande amor, como Carmelita Secular no jardim da sua casa. Sou imensamente feliz como Carmelita Secular.

Na OCDS descobri minha vocação verdadeira.

Pude perceber que mesmo sendo mãe e esposa eu poderia viver a espiritualidade e beber desta fonte que jorra no “coração da igreja”.

Sempre me marcaram muito as palavras de Elizabete da Trindade:

“ Se alguém procura e saboreia Deus em tudo, nada o impede de permanecer solitário no meio da maior multidão. Não se deixe vencer pelas coisas que o rodeiam. Tem o olhar simples e inalterável diante das imagens mutáveis, porquanto passa com o olhar fixo em Deus”

Rosemeire Lemos Piotto, ocds

Casada, 3 Filhos.

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