domingo, 21 de dezembro de 2014

O SONO DO MENINO JESUS...


Sumário: O sono do Menino Jesus era muito diferente do das outras crianças. Enquanto dormia seu Corpo, a Alma, unida à Pessoa do Verbo, velava. Desde então pensava nas penas que devia depois sofrer por nosso amor. Roguemos ao Santo Menino, pelo merecimento daquele bendito sono, que nos livre do sono mortal dos pecadores e, em vez disso, nos conceda o sono dos justos, pelo qual a alma perde a lembrança de todas as coisas terrestres.


O sono de Jesus Menino foi demasiadamente breve e doloroso. Servia-Lhe de berço uma manjedoura, a palha de colchão e de travesseiro. Assim o sono de Jesus foi muitas vezes interrompido pela dureza daquela caminha excessivamente dura e molesta, e pelo rigor do frio que reinava na gruta.
De vez em quando, porém, a natureza sucumbia à necessidade e o Menino querido adormecia. Mas o sono de Jesus foi muito diferente do das outras crianças. O sono destas é útil à conservação da vida; não, porém, quanto às operações da alma, porque esta, privada do uso dos sentidos, fica reduzida à inatividade. Não foi assim o sono de Jesus Cristo: Ego dormio et cor meum vigilat. O Corpo repousava; velava, porém, a Alma, que em Jesus era unida à Pessoa do Verbo, que não podia dormir nem ficar sopitada pela inatividade dos sentidos.
Dormia, pois, o Santo Menino, mas enquanto dormia, pensava em todos os padecimentos que teria de sofrer por nosso amor, no correr de toda a sua vida e na hora da sua morte. Pensava nos trabalhos pelos quais havia de passar no Egito e em Nazaré, levando uma vida extremamente pobre e desprezada. Pensava particularmente nos açoites, nos espinhos, nas injúrias, na agonia e na morte desolada, que afinal devia padecer sobre a Cruz. Tudo isso Jesus oferecia ao Pai Eterno enquanto estava dormindo, a fim de obter para nós o perdão e a salvação. Assim, nosso Salvador, durante o sono, estava merecendo por nós, reconciliava conosco seu Pai e alcançava-nos graças.



Roguemos agora a Jesus que, pelos merecimentos de seu beatíssimo sono, nos livre do sono mortal dos pecadores, que dormem miseravelmente na morte do pecado, esquecidos de Deus e do seu amor. Peçamos-Lhe que nos dê, ao contrário, o sono feliz da sagrada Esposa, da qual dizia: “Eu vos conjuro (...) que não perturbeis à minha amada o seu descanso, nem a façais despertar, até que ela mesma queira”. É este o sono que Deus dá às almas suas diletas, e que, no dizer de São Basílio, não é senão o supremo olvido de todas as coisas - summa verum omnium oblivio. Então a alma olvida todas as coisas terrestres, para só pensar em Deus e nos interesses da glória divina.



Ó meu querido e Santo Menino, Vós estais dormindo, mas esse vosso sono como me abrasa em amor! Para nós o sono é figura da morte; mas em Vós é símbolo de vida eterna, porque, enquanto repousais, estais merecendo para mim a eterna salvação. Estais dormindo, porém o vosso coração não dorme, senão pensa em padecer e morrer por mim. Durante o vosso sono rogais por mim e me impetrais de Deus o descanso eterno do Paraíso. Mas enquanto não me levardes, como espero, para repousar junto de Vós no Céu, quero que repouseis sempre em minha alma.

Santo Afonso Maria de Ligório, "Meditações para todos os dias do ano" 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Grupo São João da Cruz em Ibiapina /Ce realiza missa de admissão e promessas temporárias




 A cidade de Ibiapina localizada na Serra da Ibiapaba também conhecida como Serra Grande localizada no Noroeste do Ceará cercada por uma linda vegetação e clima ameno parece que foi especialmente projetada para quem procura paz e espiritualidade.Nessa região nasceu em 2008 o Grupo São João da Cruz.Jovens que reunidos estudavam os escritos de Santa Teresinha do Menino Jesus que resolveu dar passos maiores .Procuraram no carmelo de Fortaleza  e receberam da Madre Bernadete orientação de como participar da Ordem dos Carmelitas  Descalços Seculares .Foram orientados a procurar a sra.Efigênia Barbosa então Presidente da Comunidade Rainha do Carmelo,O Espírito Santo sopra onde quer !O jovem Paulo Gautielle juntamente com a atual coordenadora Mila Firmo e os membros Marcia Chaves e dona Ana iniciaram então o Grupo São João da Cruz que nasceu extamente no dia 14 de dezembro dia dedicado ao Pai do Carmelo descalço.
Paulo Gautielle fundador do grupo São João da Cruz e atual Formador 

Membro admitido no Grupo São João da Cruz
 Mário

Membro promessas temporárias
Cléber

Membro Promessa temporária
Márcia

Membro Promessa temporária Eveline



A celebração Eucaristica foi presidida pelo delegado para Ocds  Norte e Nordeste Frei André Severo e a participaçao  fraterna do Conselheiro da Comunidade Rainha do Carmelo Giovani Carvalho e Danielle Cabral membro da Comissão Jovem.
Dona Ana,Frei André Severo,Danielle e Giovani

Grupo São João da Cruz coordenadora Milla Firmo no centro com frei André







segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

PAPA FRANCISCO E OS ANIMAIS



Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva


Ridículos! Os jornais escolheram ser ridículos, e de modo obstinado.


Nos últimos dias, uma notícia explodiu no mundo inteiro, sendo replicada presumivelmente respeitáveis órgãos de comunicação: o Papa Francisco teria ensinado que os animais vão ao céu. Pronto!, as sociedades protetoras dos animais celebram, os naturalistas regozijam, os eco-teólogos brindam-nos com páginas de solenes elucubrações doutrinais acerca da nova aporia… Um circo de horrores.


Acontece que o Papa nunca disse tal coisa, e o repetido episódio do menino que chora pela morte de seu cãozinho simplesmente não aconteceu.


A origem de toda a confusão é um artigo publicado no jornal italiano “Corriere della Sera”, que interpretou imbecilmente as palavras do Santo Padre na Audiência Geral de 26 de novembro de 2014 e reporta o tal conto da criança em luto canino, que seria atribuído mitologicamente a Paulo VI. Não sei se atribuo o quiproquó à maldade dos jornalistas ou à uma sua eventual dificuldade de interpretação de texto, causada talvez pela pressa em ler, comum nas redações de jornal… Em todo caso, as palavras de Francisco foram as seguintes:


“A Sagrada Escritura ensina-nos que o cumprimento deste desígnio maravilhoso não pode deixar de abranger também tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do Coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma-o de forma explícita, quando diz que ‘também ela (a criação, será) libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus’ (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do ‘novo céu’ e da ‘nova terra’ (cf. 2 Pd 3, 13; Ap 21, 1), no sentido que o universo inteiro será renovado e libertado de uma vez para sempre de todos os vestígios de mal e da própria morte. Por conseguinte, aquela que se prepara como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em ação a partir da morte e ressurreição de Cristo, é uma nova criação; portanto, não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza” (FRANCISCO, S.S., Audiência Geral, 26.11.2014).


Esta doutrina é bíblica e unanimemente presente na tradição eclesial. O universo será renovado, recapitulado, repatriado. Os Padres, Doutores e Escritores Eclesiásticos são unânimes quanto à matéria, não o são, contudo, quanto ao modo em que se dará tal renovação, e tampouco o Papa se posiciona a respeito.De fato, este é um debate teológico de altíssimo nível.


De um lado, temos por exemplo, a contribuição do Bem-aventurado João Duns Escoto, franciscano, cuja teologia do “primado do amor” tende a considerar que Deus ama todas as criaturas por si mesmas, de modo que o ato criador, de certo modo, implicaria qualquer definitividade, da qual estaria prenhe toda a obra da criação, para Deus orientada. Entretanto, não é fácil entender o Beato Escoto, e não é atoa que a tradição lhe atribui o título de “doctor dubtilis” e na análise de seus textos abundam os advérbios de dúvida e de intensidade. Por exemplo, em sentenças suas como esta: “Tu és a bondade sem limites e irradias os raios de grande generosidade por toda parte. A Ti, ápice de toda amabilidade, recorrem, a sua maneira, todas as criaturas como a seu último fim” (JOÃO DUNS ESCOTO, B., De primo principio, c.4., n 10), não se pode depreender nenhuma eco-teologia.


De outro lado, porém, a clareza de São Tomás de Aquino apresenta outra contribuição para o debate. Comentando as Sentenças de Pedro Lombardo, afirma o Aquinate:


“Porque a renovação do mundo acontecerá para o homem, é necessário que esta seja adequada à renovação do homem. Ora, renovando-se, o homem passará do estado de corrupção para o estado de incorruptibilidade e de quietude perpétua, segundo as palavras de São Paulo: ‘é necessário que o corpo corruptível seja revestido de incorruptibilidade’, por isso, o mundo será renovado de modo que permaneça em quietude perpétua, depois de ter perdido toda incorruptibilidade; por isso, nada que não estiver ordenado àquela incorruptibilidade pode ser ordenado à renovação do mundo. Ora, os seres a isto destinados são os corpos celestes, os elementos e os homens. Os corpos celestes, de fato, são incorruptíveis por sua própria natureza, seja em sua totalidade como em suas partes. Os elementos, ao contrário, são corruptíveis nas suas partes, mas não em sua totalidade. Os homens, enfim, são corruptíveis seja na sua totalidade quanto em suas partes: isto, porém, segundo a matéria, não segundo a forma, isto é, segundo a alma racional, que permanece incorrupta depois da destruição do corpo. Ao contrário, os animais, os vegetais e os minerais e todos os corpos mistos se corrompem, seja em sua totalidade que em suas partes, tanto segundo a matéria, quando perde a sua forma, quanto segundo à forma, que não permanece em ato. Portanto, estes seres não são ordenados à incorruptibilidade e, assim, não permanecerão na renovação final, diversamente das criaturas acima mencionadas” (TOMÁS DE AQUINO, S., In 4 Setentiarum, Dist. 48, q. 2, a. 5, Solutio. Cf. IDEM, Quæstiones Quodlibetales 10, q. 4., a. 2).


Alguém poderia concluir, portanto, que, para o Doutor Angélico, o universo não será repatriado na nova criação, pois os entes inferiores ficariam excluídos dela, mas esta interpretação é equivocada. Com efeito, no comentário a Rm 8,22, “sabemos, de fato, que toda a criação geme e sofre as dores de parto etc”, diz claramente:


“Se isto for entendido como referido aos homens, então a criatura humana é chamada de ‘toda criatura’, porque participa de todas as criaturas: nas espirituais, quanto ao intelecto; nas animais, quanto à animação do corpo; nas corporais, quanto ao corpo. Por isso, esta criatura, ou seja, o homem, ‘geme’, em parte por causa dos males que sofre e em parte por causa dos bens que espera, que ainda estão distantes” (TOMÁS DE AQUINO, S., Super Epistolam ad Romanos Lectura, L. 4, n. 673). É neste sentido que toda a criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus!E, comentando Ef 1,10, “recapitular todas as coisas em Cristo etc”, diz:


“De fato, todas as coisas foram criadas para o homem, por este motivo diz que serão recapituladas. (…) ‘As da terra’, enquanto as realidades celestes trazem a paz também àquelas terrestres” (TOMÁS DE AQUINO, S., Super Epistolam ad Ephesios Lectura, L. 3, n. 29).


Traduzindo-o em poucas palavras, sendo o homem um microcosmos, que participa de toda a criação, visível e invisível, pelo mistério da encarnação, salvando o homem, Cristo recapitula, nele em Si, toda a criação.


Nada mais incompatível com a doutrina censurada do jesuíta Teillard Chardin e da gnose panenteísta, que entende haver uma partícula divina inviscerada em cada criatura. Obviamente, os partidários destas opiniões se servem da confusão para promoverem suas teses.


Em todo caso, o cãozinho do menino não ressuscitará e, se alguém quiser dizer que os cachorros permanecerão de algum modo no céu deve dizê-lo apenas de forma virtual, enquanto todas as coisas inferiores tendem ao homem e são recapituladas de algum modo em Deus, mediante o homem, na mediação sacerdotal de Cristo.


Por isso, acho que seria muito melhor que os jornalistas e as sociedades protetoras dos animais se ocupassem de seus próprios assuntos, cuidassem dos animaizinhos, e deixassem a nós o cuidado da teologia, ao invés de tentarem animalizá-la, aliás, talvez à sua própria imagem e semelhança.


(Pe. José Eduardo pertence à Diocese de Osasco/SP).

Solenidade de São João da Cruz

Neste terceiro domingo de advento, denominado domingo da alegria, celebramos com gratidão fervor nosso Pai São João da Cruz.Nos unimos como carmelitas rendendo graças a Deus por Frei Victor e Frei Guilherme que fizeram sua 1ª profissão religiosa . Também com nossos irmãos frades que renovaram sua profissão.Deus seja louvado pela espiritualidade que nos une e nos faz irmãos.
Nosso Provincial Frei Cleber  fez uma rica e profunda homilia ressaltando o valor da consagração.
Após a celebração em Piedade de Caratinga, fomos para o Noviciado S. José onde foi servido um saboroso  almoço de confraternização.Deus abençoe a cada um e nos faça tão simples, tão capazes de amar profundamente como Cristo, a Cristo por intercessão de nosso Pai S. João da Cruz.Rezemos pelos noviços OCD que amanhã  receberão o hábito e pela convivência que se inicia aqui em Caratinga entre aspirantes,  vocacionados e frades.  Como família carmelitana, nós seculares estamos juntos com orações e presença nestas celebrações e partilha.
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus- Caratinga- MG




domingo, 14 de dezembro de 2014

14 de dezembro de 2014: VIVA SÃO JOÃO DA CRUZ, NOSSO PAI!


"Vim ao mundo trazer fogo...
Quem me dera que eu pudesse
ateá-lo em toda a terra"! 
Hoje, dia 14 de dezembro, há quatrocentos e vinte e três anos atrás, após uma curta, porém, riquíssima vida, partia para a “Chama de Amor Viva”, nosso amado pai São João da Cruz!
Quando penso na possibilidade de nosso amado pai ter sido um santo “famoso”, isto é, cheio de dioceses, paróquias, colégios ou hospitais que o tivessem como patrono, me pergunto: o que nós, carmelitas descalços, fizemos ou deixamos de fazer para que ele não ter tido a mesma fama de um “São Francisco”, de um “Santo Antônio” ou de uma “Santa Teresinha”?
Parecem pensamentos muito simplórios, mas, perdoem-me se os tenho. Gostaria muito que São João da Cruz, no dia 14 de dezembro, fosse reverenciado por todos! Que procissões, quermesses e muitas festas fossem feitas em centenas, quiçá, milhares de paróquias pelo mundo inteiro! Porém, isso não acontece. Ele é lembrado, sim, nos mosteiros das monjas, nos conventos e paróquias dos frades e nas comunidades dos seculares...
"Quem me dera que vocês, 
meus filhos e filhas, 
O amassem como eu O amei"... 
Faltou propaganda? Faltou algum incentivo? Ou fizemos a propaganda de forma errada? Será que nosso pai ficou no “imaginário” como um santo “impossível” ou “esquisito”, que possa ter causado até mesmo certa estranheza em muitos corações? Será que a austeridade de nosso pai fez com que achássemos que ele, lá no Céu, não precisaria de tanta festa aqui na terra? Não sei...
Lembro a todos que São Francisco, por exemplo, não foi também um “santo bonitinho” ou “engraçadinho”, mas, que também se enquadraria no rol dos santos austeros, penitentes, que viveram radicalmente a pobreza e o desapego evangélicos, que se vestiam com rudes e pobres hábitos, que faziam jejuns rigorosos, que amavam a cruz, que faziam sacrifícios duríssimos, etc.. Porém, “alguém”, soube “vender” muito bem o “peixe” de São Francisco...
Talvez – falo isso até com bom humor – se nós descalços tivéssemos “contratado” essa pessoa (a que fez muito bem a propaganda de São Francisco ou de Santo Antônio, por exemplo), nosso Santo Padre seria muito, mas, muito mais famoso... Quem sabe? Muitos abririam a boca para dizerem que leram seus escritos, que adoraram a leitura “daquele livro” que fala de sua vida, que assistiram emocionados “aquele filme” ou “aquele seriado” que narram os anos e acontecimentos maravilhosos de sua passagem pela terra... Quem sabe os milagres hoje em dia, narrados pelos milhares de romeiros que visitassem seus santuários, seriam muito, muito mais abundantes... Não sei...
"No meu tempo, lutei contra muitos
demônios... Quais são os 'demônios'
que hoje vocês deverão enfrentar"?
Acredito sim, que os tempos atuais, tão sedentos de Deus, clamam por um São João da Cruz! Acredito que chegou o momento, que está chegando a hora de nós carmelitas, sairmos de nosso comodismo e, finalmente, pregarmos mais sobre ele bem como sobre nossa amada mãe Teresa... Quantos não se beneficiariam!
Quantos sofredores não encontrariam em seus escritos e palavras o refrigério que necessitam! Quantos trabalhadores, que de sol a sol saem diariamente para os campos, fábricas, oficinas, colégios, ruas e hospitais, não encontrariam no exemplo de trabalho de nosso pai a luz que precisam para responderem a seus “porquês” e “para quês”... Quantas pessoas verdadeiramente “crucificadas” na depressão, na doença, nas perdas, nos lutos e no “vazio” de suas existências, não encontrariam nesse santo irmão um companheiro de caminhada que os animassem e sarassem suas feridas? Quantos evangelizadores, agentes de pastoral, catequistas e missionários não teriam sua força apostólica revigorada e iluminada pelos escritos de nosso pai? Ah! Que sonho!
"Em minha vida busquei
somente a Deus. Foquei no
essencial. Deus era minha
única meta e meu único amor.
Sejam felizes como eu fui"...
Estamos em pleno século XXI. O século do relativismo, do secularismo, do ateísmo, do egoísmo, da busca desenfreada pelo prazer, pelo ter e pelo poder. O século no qual termos como “mística”, “religiosidade” ou “meditação”, são interpretados de forma completamente errônea e fantasiosa. Um novo “pelagianismo” e um novo “maniqueísmo” dominam as mentes e consciências, mesmo a de gente muito boa... Até, pasmem, de muitos católicos! “Anjos cabalísticos”, previsões astrológicas, “forças cósmicas”, “energias positivas”, “chacras” ou “mentalizações” são cada vez mais invocados e utilizados para curar corações, corpos e mentes feridos...


"Deixei tantos escritos,
meus filhos e filhas...
Tantos  avisos, conselhos e
recomendações... Saiam
de seu egoísmo e ponham
o olhar e o coração no Amado"!
Chegou a hora, irmãos e irmãs! Chegou a hora... Vamos “arregaçar as mangas”. Mãos à obra. Os meios de evangelização estão aí ao nosso dispor. A tecnologia poderá ser usada a nosso favor. Temos que sair de nosso “mundinho feliz” e partir intrepidamente para o “campo de batalha”. Chegou a hora de evangelizarmos com o que temos. De adaptarmos aos tempos hodiernos e às necessidades do homem e da mulher modernos o que ensinam o “Noite Escura da Alma”, a “Subida do Monte Carmelo” ou o “Cântico Espiritual”. Chegou a hora de gritar ao mundo o amor de Deus com a mesma ênfase que nosso pai o fez quando falava da “da Chama de Amor viva que ternamente fere”, de dizer ao mundo que o essencial é Deus, que Ele é tudo! Que nós, sem Ele, somos nada...


Feliz dia de São João da Cruz!  

(Giovani Carvalho Mendes, ocds) 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mensagem de envio e bênção do nosso Provincial Frei Cléber dos Santos

Nosso Provincial Frei Cléber dos Santos profere uma belíssima mensagem para a OCDS no encerramento do XVI Encontro de Presidentes, Conselheiros e Encarregados de Formação, no dia 23/11/2014 no Centro Teresiano de Espiritualidade, em São Roque-SP. Ao final, profere a bênção juntamente com nossos delegados provinciais para a OCDS Frei Pierino Orlandini (Sudeste e Centro-Oeste) e Frei André Severo (Norte e Nordeste).

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Santa Teresa, uma religiosa inquieta

Superior Carmelita no Egito faz uma série de reflexões para Zenit sobre Santa Teresa de Ávila
Por Frei Patrício Sciadini

CAIRO, 09 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) - 

Estamos celebrando o V centenário do nascimento de Santa Teresa de Ávila(1515-1582) e é uma grande graça de Deus que este ano se celebre também,  por desejo do Papa Francisco, o ano da Vida Consagrada. Teresa teria exultado de alegria diante da carta que o Papa tem enviado a todos os  consagrados e consagradas do mundo. Uma carta que abre o coração dos que  olham o passado com gratidão, vivem com paixão o presente, sabe ver novos horizontes  diante de si e tem no coração um grande amor pela Igreja.  Hoje em dia o Papa tenta com todos os meios de “acordar-nos” do nosso sono de mediocridade que nos impede de viver com entusiasmo renovado a nossa fidelidade à missão que nos é confiada. E preciso abrir os olhos e colocar os óculos das bem-aventuranças para ver que uma nova vida  consagrada está surgindo  com nova modalidade e com uma força que nem sempre sabemos acolher nos nossos corações endurecidos.

Numa série de reflexões que quero escrever  para Zenit sobre Santa Teresa de Ávila, gostaria de tocar vários temas  que fazem desta mulher uma pessoa de qualidades raras  e que soube de verdade colocar a frutificar os talentos que recebeu de Deus. Não  foi enterrá-los, mas os fez frutificar, indo contra todas as  correntes de seu tempo.  Não teve medo. E sabemos como nos momentos mais difíceis de sua vida, quando também a ela as noites, os desertos e os medos  a torturavam por dentro,  diante das dificuldades para realizar a obra  das fundações dos Carmelos, normalmente sentia a voz do Senhor  que lhe dizia: “por que você tem medo, de que tem medo? Te deixei alguma vez sozinha? Os teus negócios são os meus negócios. Não tenhas medo!” Estas palavras lhe infundiam uma coragem nova e era capaz de enfrentar numa maneira “feminina e teresiana” qualquer pessoa. Sabia entrar na amizade e sabia falar de Deus e dos projetos de Deus com uma força única, que mesmo os mais  adversos inimigos não podiam resistir-lhe.

APROVADO PELO PAPA FRANCISCO O MILAGRE PARA A CANONIZAÇÃO DA BEATA MARIA DE JESUS CRUCIFICADO!


Beata Maria de Jesus
Crucificado, futura santa. 
Nossa Família Carmelitana está em festa! No último sábado, dia 06 de dezembro, Sua Santidade, o Papa Francisco, aprovou o milagre que faltava para a canonização da Beata Maria de Jesus Crucificado (Mariam Baouardy), ocd, a "pequena árabe", o "pequeno nada" carmelita. Em breve teremos mais uma santa elevada à glória dos altares para toda a Igreja Católica. 
Neste momento, no qual nossa fé católica vem sendo brutalmente atacada, em especial por facções radicais e fanáticas do islamismo, recordemos a Beata Maria de Jesus Crucificado que teve uma vida impressionante, sendo relatada na mesma, inclusive, sua decapitação (milagrosamente curada por Nossa Senhora) por não aceitar se converter ao Islã. 
Essa pequena árabe cresceu mais e mais na Graça de Deus, fazendo-se posteriormente carmelita descalça e recebendo dEle extraordinários dons e carismas (dom da profecia, conhecimento dos espíritos, levitação, êxtases, estigmas, possessão angélica e até demoníaca - não por merecer, mas, como forma de sofrimento e expiação pelos pecados do mundo, etc), alguns raramente encontrados em outros santos e outros somente manifestados nela. 
Vivia constantemente absorta em Deus e em profunda humildade, silêncio e em oração. Tudo fazia, tudo aceitava e sofria por amor a Ele e em comunhão com Ele, tornando-se uma imagem viva do próprio Senhor na terra. 
Foi responsável pela fundação do primeiro carmelo descalço de monjas na Terra Santa. 
Que a canonização da Beata Mariam Baouardy, em 2015, no V Centenário de nossa Santa Madre Teresa, anime cada vez mais nossos frades, monjas e seculares a se entregarem totalmente à vontade de Deus, em espírito de profunda humildade e abandono total. Que a Igreja e o Carmelo na Terra Santa e países árabes possa viver e crescer em paz, livre da intolerância religiosa, e que aqueles que são chamados ao testemunho da fé, mesmo através do martírio, encontrem em Deus, na Virgem Maria e na intercessão de nossos santos, a força, a coragem e a paz necessárias. 
Amém! 

Beata Maria de Jesus Crucificado, futura santa de nossa Ordem e da Igreja, rogai por todos nós! 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Confraternização OCDS e OCD Caratinga

No sábado dia 29-11, reunimos e unimos como família carmelitana para a confraternização de fim de ano.
Um OSCARMELITANO cheio de alegria e vivacidade Teresiana.
Uma  acolhida formidável  de nosso presidente Adriano , com sua esposa Aparecida.
Os preparativos foram organizados por Silvana e Cia OCDS.
Muita música, partilha, amigo- oração, dança, e o suculento  Buffett da Fátima,  e as deliciosas tortas do noviciado e aspirantado OCD. Hum... quanta coisa!
Fantásticos foram os  famosos trajes que demonstraram a  criatividade de cada um.
Agradecemos a presença e envolvimento de todos que fizeram unidos fizeram esta festa acontecer.
    


Partilhando em família - reacendendo a vela do encontro de formação



Ontem, 07/12/2014, em reunião diante do SSmo Sacramento na capela interna do Convento- aspirantado Nsra do Carmo, reacendemos a vela do encontro nos unindo às decisões e projetos de nossa Província .


Rico momento de oração, partilha e avaliação de nosso caminho como carmelitas seculares.


Motivados pelas reflexões do advento  enviadas por Fr Alzinir e por Luciano Dídimo fomos impulsionados a experienciar este tempo de fé.


"Dos profetas a Teresa- um caminho a seguir", conscientes de que necessitamos continuar o caminho, prossigamos com os olhos Nele.

Nossa gratidão a comunidade do aspirantado OCD na pessoa de Frei Jorge que abriu o convento a nós com amor fraterno.


                             Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus- Caratinga-MG

Eleito Novo Conselho OCDS Campinas

Novo Conselho da nossa Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus:

Presidente: Maria Cristovina Derevtsoff
Formadora: Gardênia Martins de Sousa
Conselheiros:
                       Ilda Vitti Novaes
                       Lygia Terezinha de Araújo Linardi
                       Mari Elza Gomes Narciso
Secretária: Mari Elza Gomes Narciso
Tesoureira: Ana Alice Giacomelli Vazquez
 
Deus seja louvado! 

Abraços, 

Mari Elza, ocds


 

“SOB A PROTEÇÃO DE MARIA”



A festa da Imaculada Conceição celebrada no tempo do Advento recorda-nos a índole mariana deste tempo litúrgico. Maria, preservada de toda a culpa faz parte da antiga tradição da Igreja, embora o dogma somente tenha sido proclamado em 1854. De fato a constante tradição da Igreja sempre viu a Virgem de Nazaré como a “Toda Pura”. Maria então, concluindo toda a esperança do antigo povo de Israel, preparada pela graça de Deus para ser a mãe do Messias, abre um novo tempo quando aceita o convite para ser a Mãe do Filho de Deus, que no final de sua missão, aos pés da Cruz dele recebe como testamento o  ser Mãe dos discípulos do Filho.

Tal maternidade espiritual da mãe de Jesus esteve sempre na consciência dos fiéis. E assim floresceram muitas orações e invocações a Maria ao longo dos séculos, elevadas sobretudo nos momentos de dificuldade e provações.

Porém, a mais antiga oração mariana fora do Novo Testamento é certamente esta que chegou a nós em latim: 

Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genitrix;
nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus;
sed a periculis cuntis libera nos semper,
Virgo gloriosa et benedicta.

Traduzida ao português:

Sob a tua proteção nos refugiamos santa Mãe de Deus:
Não desprezes as nossas súplicas em nossas necessidades:
E livra-nos sempre de todos os perigos,
Virgem gloriosa e Bendita.

Esta oração tem origem no séc. III d. C., no Egito e foi escrita em copto. Foi usada na liturgias de quase todos os ritos litúrgicos do Oriente e do Ocidente. Recentemente a versão latina foi  confirmada pela  descoberta de antigos papiros que atestam seu uso nos ritos Copta e Bizantino no Oriente Médio e no Egito.

Inspirando-se em textos bíblicos,  evoca a imagem do refúgio  à sombra das asas de Deus, símbolo da proteção divina,  cuja palavra praesidium traduz bem a ideia de se estar em um lugar seguro, protegido como por um destacamento de soldados. Ao mesmo tempo evoca os salmos individuais de pedido de socorro a Deus diante das necessidades ou doenças ou perseguições.

A Virgem Maria é  invocada com confiança, porque atende e intercede junto ao Filho pelas necessidades do fiel, tal como o fizeram os mártires cristãos do III século no norte da África, os quais durante a perseguição do imperador romano Decio (249-251 d. C.), teriam com toda probabilidade elevado esta oração  à Virgem Maria.

O Beato Paulo VI escreveu na Marialis cultus: "Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo; por este seu dom de graça sem igual ela ultrapassa, de longe, todas as outras criaturas, celestes e terrestres" (LG 53); a sua cooperação nos momentos decisivos da obra da Salvação, realizada pelo Filho; a sua santidade, já plena na Conceição imaculada e, não obstante, sempre crescente, a medida que ela aderia à vontade do Pai e ia percorrendo a via do sofrimento (cf. Lc 2, 25-35;2,41-52; e Jo 19,25-27) e ia progredindo constantemente na fé, na esperança e na caridade; a sua missão e condição única no Povo de Deus, do qual é, ao mesmo tempo, membro sobreeminente, modelo limpidíssimo e Mãe amorosíssima; a sua incessante e eficaz intercessão, em virtude da qual, embora assumida ao céu, continua muito perto dos fiéis que a imploram, e até mesmo daqueles que ignoram ser seus filhos; a sua glória, enfim, que enobrece todo o gênero humano... Maria, de fato, é da nossa estirpe, verdadeira filha de Eva, ... nossa verdadeira irmã, que compartilhou plenamente ... a nossa condição” (n. 66).

Possamos nós, revestidos do Escapulário, sinal de consagração e proteção de Maria, acorrer a Ela e elevar com confiança esta venerável oração da tradição cristã e como Ela viver o Advento na espera vigilante e alegre do Senhor que vem!

Frei Alzinir, OCD
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