domingo, 7 de junho de 2015

BEATA ANA DE SÃO BARTOLOMEU, Virgem de nossa Ordem. Secretária de Santa Madre Teresa de Jesus.








Ana de São Bartolomeu foi companheira inseparável e confidente de Santa Teresa de Jesus, que morreu em seus braços.

Nascida a 01 de Outubro de 1549, em Almendral, aldeia pertencente à diocese de Ávila, na Velha Castela, era filha de ricos lavradores, modelos de vida cristã, caridosos para com a pobreza e altamente piedosos.

Órfã aos dez anos, para ganhar a vida fez-se pastora, o que a impediu de estudar. Embora os irmãos se opusessem, Ana, aos 2 de Novembro de 1570, procurou o convento das carmelitas descalças, que Santa Teresa fundara em Ávila. Primeira postulante conversa, Ana foi humilde, profundamente humilde, obedientíssima e serviçal. E a afeição que se estabeleceu entre Ana de São Bartolomeu e Santa Teresa foi rápida e profunda, afeição que havia de durar até a morte, sem que jamais sofresse o mínimo declínio.

Ana principiou a profissão a 15 de Agosto de 1570. Pouco depois, teve uma visão, na qual Nosso Senhor lhe mostrou as devastações que o calvinismo fazia na França. Sequiosa de salvar almas, impressionada, entrou a praticar severas mortificações.

No Natal de 1577, Deus concedeu-lhe uma grande delicadeza: Santa Teresa quebrara o braço, e Ana, desolada por ver a Madre impossibilitada de responder a imensa correspondência, trabalho estafante que era, obteve, miraculosamente, a graça de saber escrever; desde aquela época, tronou-se secretária oficial da santa fundadora. E, de 1579 a 1582, ano em que Santa Teresa faleceu, foi companheira inseparável nas viagens que a venerável Santa teve que empreender, no curso dos trabalhos que exigia o estabelecimento da reforma do Carmelo.

"Às vezes – escreveu a Beata Ana de São Bartolomeu – ela viajava dias inteiros sob a chuva e a neve, não encontrando aldeia alguma por muitas e muitas léguas, não fazendo outra coisa senão tremer até os ossos. À noite, nas hospedarias, não havia fogo, nem meios de o entreter, nem coisa alguma para comer. Os alojamentos eram tais que, das camas, podia-se perceber o céu, e a chuva caía cômodo adentro, Muitas vezes, o hábito de nossa Santa Madre encontrava-se gelado" ...

Alquebrada pela idade (naquela época era raro uma mulher viver além dos 60 anos) pelos duros trabalhos e a oposição dos adversários, faleceu Santa Teresa no mosteiro de Alba de Tormes, a 15 de Outubro de 1582, nos braços da bem-amada filha Ana que jamais lhe negou amais terna afeição.

Considerada a herdeira espiritual da santa fundadora, Ana exerceu no Carmelo uma profunda influência. O Carmelo reformado, foi Ana enviada a Madri e, depois, à fundação de Ocaña, na região de Toledo.

Ali, Nosso Senhor revelou-lhe, pela primeira vez, o desejo de que fosse para a França, então assolada pelo protestantismo. Na França, quando se dirigiu às religiosas, falou-lhes na língua natal, porque só conhecia a língua materna, mas todas a entenderam perfeitamente, como se tivesse expressado no melhor francês: era o milagre do Pentecostes que se renovava. E Ana de São Bartolomeu exprimia-se tão apropriadamente que ninguém duvidava de que o Espírito Santo estivesse falando por sua boca.

Fundadora do mosteiro de Tours, depois de ter sido priora de Paris, sofreu toda sorte de opressão. Invencível, porém sempre confiando em Deus, continuou a combater para manter a reforma francesa no espírito de Santa Teresa.

Vencida – que a luta fora desigual –, tomou o caminho da Bélgica, refugiando-se no mosteiro de Mons. Escolhida, pouco mais tarde, para governar o mosteiro de Anvers, fundado pelo arquiduque Alberto e a arquiduquesa Isabel, ali encontrou verdadeiro paraíso na terra.

"Deus – escreveria depois – ali concedeu-me uma paz e uma consolação inefáveis. Minha oração era mais intensa e mais eficaz. Era mais ardorosa pelo ofício divino que na minha juventude".

Simples e humilde, no convento exercia os ofícios mais pequenos. E as mais altas personalidades do tempo, contritas, procuravam-na para aconselhar-se. Henrique IV venerava-a, e Maria de Médicis e a infanta Isabel amavam-na sobremodo.

Quando o arquiduque Carlos partiu para a expedição de Breda, foi vê-la, com a bem-aventurada palestrando durante muitas horas.

Suportando com imensa paciência as cruéis enfermidades todas que a acometeram no fim da vida, faleceu santamente no dia 07 de Junho de 1626, na festa da Santa Trindade, com setenta e seis anos, sendo enterrada no Carmelo de Anvers. Bento XV beatificou-a no dia 6 de Maio de 1917. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume X, p. 138 a 141).

sexta-feira, 5 de junho de 2015

VI ENCONTRO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL


O VI Encontro Nacional do Laicato do Brasil teve inicio nesta quinta-feira dia 04/06 no Cntro Mariápolis Gineta, em Vargem Grande Paulista -SP, com o tema: "Agir a partir dos Sinais dos Tempos na força do Espírito Santo".

Entrada do banner da OCDS 


A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares está sendo representada nesse importante evento pelo seu Presidente Luciano Dídimo, pela Vice-Presidente Rose Lemos Piotto, pelas conselheiras provinciais Haidê Zakaib, Maria Cantanhede Cantanhede e Íris Gomes, bem como pela secretária provincial Ruth Leite Vieira.

Luciano Dídimo com Marilza Schuina e Laudelino Azevedo, presidente e vice-presidente do CNLB 

Assembleia na oração da manhã 



quinta-feira, 4 de junho de 2015

SACRÁRIOS




Adoro-Te, Senhor, 
devotamente
nos sacrários dourados, cintilantes 
que nossas mãos fizeram para Ti, 
onde ficas - Hóstia Sagrada! 
- pacientemente, silenciosamente, 
misteriosamente à espera de mim. 

Contemplo-te, Senhor, 
também, em eloqüente, adorante silêncio 
nos seres humanos - outros sacrários! 
- que tuas mãos divinas fizeram para Ti. 
Adoro-Te neles, 
mesmo sujos e humilhados, 
empobrecidos e famintos, 
onde ficas misteriosamente e realmente 
- Carne viva, Hóstia viva! - 
rejeitado por muitos e também esquecido. 

Adoro-Te, Senhor, 
na sarjeta, 
nas hóstias caídas à beira da estrada, 
nunca perdidas; 
na carne viva da humanidade esquecida, 
por Ti para sempre assumida 
e em Ti, por amor, redimida. 

Jesus se manifesta e se esconde em todas as partes. Nós o encontramos nos sacrários dos templos e nos homens-sacrários. Ali, Ele nos espera para ser nossa luz e nosso sustento; aqui, nos homens-sacrários, nos irmãos que passam e vivem ao nosso lado, também nos espera; a única resposta válida e digna que lhe podemos dar é o Amor, pois Ele, por amor, se fez Hóstia e Hóstia viva. 

Frei Pierino Orlandini, O.C.D.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A ORAÇÃO É UM ENCONTRO COM DEUS

NO MÊS DE MAIO O GRUPO SÃO JOSE RECEBEU COM MUITA ALEGRIA A VISITA DO NOSSO DELEGADO PROVINCIAL FREI PIERINO QUE NOS PRESENTEOU FALANDO-NOS SOBRE O TEMA ORAÇÃO. COMPARTILHO COM VOCÊS  ALGUNS PONTOS DA FORMAÇÃO:
v  A ORAÇÃO É UM ENCONTRO COM DEUS. O DIALOGO SE EXPRESSA DE VÁRIOS MODOS E DE VÁRIAS MANEIRAS, OU COM PALAVRAS, OU COM O CANTO, OU COM O SILÊNCIO, OU COM ATITUDES, MAS O IMPORTANTE ESTÁ A ORAR NO ENCONTRO.
v  SE NOSSA ORAÇÃO ESTÁ EM CRISE, A NOSSA VIDA ESPIRITUAL ENTRA EM DECADÊNCIA, NÃO SOMENTE A VIDA PESSOAL, A VIDA FAMILIAR, A VIDA DE COMUNIDADE, OU SEJA, TUDO VAI CAINDO.
v  O CAMINHO DA ORAÇÃO CARMELITA ESTÁ BEM CLARO NO LIVRO ADMISSÃO- FORMAÇÃO DA OCDS.
v  O DOCUMENTO NOVO MILLENIO INEUNTE, DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II, É UM DOCUMENTO PASTORAL, MAS QUE REFLETE MUITO SOBRE OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DA VIDA ESPIRITUAL.  COMO A SANTIDADE QUE É META DE TODO CRISTÃO E OS MEIOS PARA CONSEGUIR-LA: ORAÇÃO, EUCARISTIA, OS SACRAMENTOS DA RECONCIALIAÇÃO E DO PERDÃO, A ESPIRITUALIDADE DE COMUNHÃO.
v  O LIVRO QUE NOS ORIENTA PARA A SANTIDADE DE SANTA MADRE TERESA É O CAMINHO DA PERFEIÇÃO QUE PODERÍAMOS CHAMAR TAMBÉM DE CAMINHO DA SANTIDADE.
v  NESTE CAMINHO DA PERFEIÇÃO A SANTA MADRE NOS ENSINA COMO DEVEMOS ESTÁ UNIDOS A DEUS. É UM LIVRO SOBRE ORAÇÃO, MAS QUE INSISTE TAMBÉM SOBRE AS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA QUE POSSAMOS INSTAURAR UM ENCONTRO COM DEUS. VIRTUDES COMO: HUMILDADE, DESAPEGO, AMOR FRATERNO, A DETERMINAÇÃO EM SEGUIR O CAMINHO DE JESUS, A RETA INTENÇÃO, ISTO É TER BONS PROPÓSITOS E BONS DESEJOS.QUEM NOS TORNA SANTO É O PRÓPRIO DEUS, ELE É SANTO. MAS DEUS NÃO FAZ NADA EM NOSSA VIDA SEM QUE NOS QUEIRAMOS. DEUS NOS TORNA SANTO QUANDO NOS QUEREMOS E EMPREENDEMOS O CAMINHO DA SANTIDADE. O ELEMENTO ESSENCIAL PARA ESTE CAMINHO É A ORAÇÃO.
v  JOÃO PAULO II FALA DE ARTE DE ORAÇÃO, NECESSITA-SE UM CRISTIANISMO QUE SE DESTAQUE PRINCIPALMENTE PELA ARTE DA ORAÇÃO.  ARTE É ALGO QUE SE APRENDE, É UM DOM DE DEUS, PORQUE NO FUNDO É A EXPERIENCIA DE FÉ, DE CONFIANÇA, DE ESPERANÇA E DE AMOR. A ORAÇÃO É DOM DE DEUS.
v  É NECESSÁRIO APRENDER A REZAR, VOLTAR SEMPRE DE NOVO A CONHECER ESTA ARTE DOS PRÓPRIOS LÁBIOS DE JESUS. COMO OS PRIMEIROS DISCÍPULOS FIZERAM “SENHOR ENSINAR-NOS A ORAR”. TEMOS QUE PEDI CONSTANTEMENTE A JESUS, O DIVINO MESTRE, QUE NOS ENSINE A ORAR. E QUEM ENSINA REALMENTE A ORAR É O ESPÍRITO SANTO QUE ESTÁ EM NÓS. O ESPÍRITO SANTO NOS DÁ PALAVRAS CERTAS E INFUNDE NO NOSSO CORAÇÃO SENTIMENTOS CERTOS PARA QUE NOS POSSAMOS INSTAURAR ESTE DIÁLOGO COM JESUS, QUE FEZ DE NÓS SEUS AMIGOS ÍNTIMOS. DEUS NOS CHAMA E NOS FAZ AMIGOS, AMIGOS DE DEUS.
v  PERMANECEI EM MIM E EU PERMANECEREI EM VÓS... É NESTE ENCONTRO QUE CONSISTE  A VIDA DE  ORAÇÃO. A VIDA DE ORAÇÃO É DEUS PERMANECENDO EM NÓS PELO SEU AMOR E NÓS PERMANECENDO NELE TAMBÉM ATRAVÉS DO AMOR. QUANDO NOS VIVEMOS O AMOR DE DEUS, NOS ESTAMOS COM ELE. QUANTO MAIS AMAMOS MAIS PERMANECEMOS. FICAR É ESTÁ POR ALGUM TEMPO, PERMANECER É ESTÁ COM ELE PARA SEMPRE. NOSSA ORAÇÃO É UM DIALOGO COM AQUELE QUE PERMANECE EM NÓS, DEUS. NESSA PERMANÊNCIA RECIPROCA ESTÁ A VERDADEIRA ORAÇÃO.
v  SANTA MADRE TERESA DÁ MUITA IMPORTÂNCIA AOS MOMENTOS DE ORAÇÃO, QUE DEVEM SER MOMENTOS PROFUNDOS E EXCLUSIVOS DE DIÁLOGO COM DEUS. MAS IMPORTÂNCIA MAIOR ELA DÁ A VIDA DE ORAÇÃO. A NOSSA VIDA DEVE TORNAR ORAÇÃO.  ISTO É NA NOSSA VIDA CONCRETA NOS TEMOS QUE ENCONTRARMOS COM DEUS E NA NOSSA VIDA CONCRETA DEUS SE ENCONTRA CONOSCO QUANDO TEMOS CLARO EM NOSSA MENTE O CONCEITO DE VIVER A PRESENÇA DE DEUS.
v  ELIAS DIZIA “VIVE O SENHOR EM CUJA PRESENÇA ESTOU”. SANTA TERESA TEM UMA EXPRESSÃO SEMELHANTE, ELA FALA “ESTÁ TODO MOMENTO COM DEUS”. MAS DEPOIS ELA VIU QUE ERA QUASE IMPOSSÍVEL ESTÁ TODO MOMENTO COM DEUS, SOMOS DISTRAÍDOS NA VIDA POR TANTAS COISAS, ENTÃO ELA MUDOU UM POUCO A EXPRESSÃO “QUERER ESTÁ COM DEUS”, PORQUE AO QUERER JÁ ESTAMOS AMANDO. A VERDADEIRA ORAÇÃO DEFINE ENCONTRO COM DEUS. SE NÃO TIVER ENCONTRO NÃO TEM ORAÇÃO. SE NÃO NOS ENCONTRARMOS NUM ENCONTRO DE FÉ, DE ESPERANÇA E DE AMOR, NÓS NÃO ENCONTRAMOS COM DEUS. NÓS PODEMOS FALAR MUITAS COISAS, MAS NÃO SEREMOS PESSOAS ORANTES. E ESTA ORAÇÃO NÃO TRANSFORMA NOSSA VIDA.
v  A ORAÇÃO VERDADEIRA TRANSFORMA NOSSA VIDA. ANTES OU DEPOIS NÓS VAMOS MUDANDO. PORQUE É IMPOSSÍVEL ENCONTRARMOS COM DEUS NA VERDADE DAQUILO QUE ELE É E DAQUILO QUE NÓS SOMOS, SEM MUDAR, ISTO É SEM NOS ASSEMELHARMOS UM POUCO MAIS A JESUS.
v  A ORAÇÃO DE SÚPLICA É NECESSÁRIA, JESUS MESMO NOS MANDA PEDI... PEDI, E VOS SERÁ CONCEDIDO; BUSCAI E ENCONTRAREIS; BATEI E A PORTA SERÁ ABERTA PARA VÓS. Lc 11,9.
v  MAS NOSSA ORAÇÃO NÃO PODE SER SÓ DE PEDIDO, MAS DE ADORAÇÃO, DE LOUVOR, DE AGRADECIMENTO E SOBRETUDO A NOSSA ORAÇÃO É UM DIÁLOGO COM O PRÓPRIO DEUS QUE ESTÁ SEMPRE EM NÓS.
v  DEUS ESTÁ SEMPRE PRESENTE EM NÓS, PORQUE NOS AMA SEMPRE. ESTÁ PRESENTE MESMO QUANDO NÓS NÃO ESTAMOS PRESENTES NELE. NÓS NOS AFASTAMOS, MAS DEUS NÃO SE AFASTA DE NÓS.
v  PERMANECER É MUITO MAIS DO QUE FICAR SUPERFICIALMENTE UM MOMENTO, É ESTABELECER UM ENCONTRO FEITO DE CONHECIMENTO MÚTUO. DEUS NOS CONHECE E NÓS QUEREMOS CONHECER-LO. CONHECER NESTE CASO QUER DIZER FAZER UMA EXPERIÊNCIA DO SEU AMOR, ESSA É A ORAÇÃO. ESSA RECIPROCIDADE CONSTITUI PRECISAMENTE A SUBSTÂNCIA A ALMA DA VIDA CRISTÃ E A CONDIÇÃO DE TODA VIDA PASTORAL AUTÊNTICA. SEM A PRESENÇA DE DEUS NÓS SOMOS COMO GALHOS SEPARADOS DA VIDEIRA.
É NECESSÁRIO PERMANECER UNIDOS A JESUS, SUGANDO A MESMA SEIVA, ISTO É A GRAÇA DE DEUS É QUE NOS SUSTENTA. SEPARADOS NÃO PODEMOS FAZER NADA.
SANTO AGOSTINHO DIZIA “OU NÓS SOMOS VIDEIRA OU NÓS SOMOS FOGO”.
v  D. PEDRO CASALDÁLIGA NOS DIZ QUE NÃO HÁ EVANGELIZAÇÃO FECUNDA SEM TEMPOS FORTES DE ORAÇÃO. ”TUDO É ORAÇÃO, A LUTA TAMBÉM É ORAÇÃO”. NÃO, A LUTA NÃO É. ORAÇÃO. NEM MESMO A LUTA PELA LIBERTAÇÃO. A LUTA É A LUTA E A ORAÇÃO É ORAÇÃO. É EVIDENTE QUE MUITOS IRMÃOS NA LUTA, NA AÇÃO, NO COMPROMISSO COM OS IRMÃOS, TAMBÉM ESTÃO REZANDO. ABERTOS EXPLICITAMENTE A DEUS, ÁS VEZES FORMULANDO UMA ORAÇÃO EXPLICITA – TUDO ISTO É ORAÇÃO. O QUE QUERO DIZER É QUE NÃO CAIAMOS NO SIMPLISMO CÔMODO DE DIZER QUE TUDO É ORAÇÃO, ARA JUSTIFICAR O FATO DE NÃO FAZERMOS ORAÇÃO EXPLICITAMENTE. A ORAÇÃO EXIGE TAMBÉM SUA HORA, SEU TEMPO, SEU LUGAR.
v  UMA CITAÇÃO DE SÃO JOÃO PAULO II QUE PARECE SER UMA RESSONÂNCIA DO QUE SÃO JOÃO DA CRUZ FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DO AMOR EM NOSSA VIDA.
NUM DISCURSO AOS SUPERIORES GERAIS, JOÃO PAULO II FALA “QUE UMA PAUSA DE VERDADEIRA ADORAÇÃO TEM MAIOR VALOR E FRUTO ESPIRITUAL DO QUE A MAIS INTENSA ATIVIDADE, MESMO QUE SEJA ATIVIDADE APOSTÓLICA. AS VOSSAS CASAS DEVEM SER, SOBRETUDO CENTROS DE ORAÇÃO, DE RECOLHIMENTO, DE DIÁLOGO — PESSOAL E COMUNITÁRIO — COM AQUELE QUE É E DEVE CONTINUAR A SER O PRIMEIRO E PRINCIPAL INTERLOCUTOR NA SEQUÊNCIA OPEROSA DOS VOSSOS DIAS”, ISSO VALE PARA TODOS NÓS.
A CITAÇÃO DE SÃO JOÃO DA CRUZ FALA “É MAIS PRECIOSO DIANTE DE DEUS E DA ALMA UM POUQUINHO DE PURO AMOR, E DE MAIOR PROVEITO A IGREJA, EMBORA PAREÇA NADA FAZER A ALMA, DO QUE TODAS AS DEMAIS OBRAS JUNTAS.”.
v  QUEREMOS FAZER TANTAS COISAS E NÃO TRANSMITIMOS AQUILO QUE NOS DEVEMOS TRANSMITIR COMO DISCÍPULOS DE JESUS. NÓS NOS TORNAMOS PROTOGONISTAS DE NÓS MESMOS. NÃO ANUNCIANDO O PRÓPRIO DEUS COM O QUAL NOS DEVEMOS TER UMA PROFUNDA CONVIVÊNCIA E CONHECIMENTO SOBRETUDO ATRAVÉS DA ORAÇÃO, ACABAMOS EM ANUNCIAR A NÓS MESMOS.
JESUS DISSE A OBRA MAIS IMPORTANTE É QUE VOS ACREDITEIS. ESSA É A OBRA, UMA FÉ QUE QUE SE TRADUZ E EM OBRA DE CARIDADE E DE AMOR. PARA TERMOS OLHARES ATENTOS E PERCEBERMOS A SUA PRESENÇA É NECESSÁRIO QUE NOS NO NOSSO DIA A DIA ENCONTREMOS UM TEMPO TENSO E INTENSO COM DEUS.
v  O PAPA JOÃO PAULO II FALA SE TODOS SOUBEREM ALIMENTAR ESTE CLIMA DE INTENSA E AMOROSA COMUNHÃO COM DEUS, CERTAMENTE LEVARÃO PARA FRENTE O TRABALHO DE RENOVAÇÃO QUE O CONCILIO II PRESCREVIA MESMO ORANDO.
v  SANTA TERESINHA FALA QUE A ORAÇÃO É UM DESABAFO DO CORAÇÃO. UM SIMPLES OLHAR PARA O CÉU. UM GRITO DE RECONHECIMENTO DE AMOR TANTO NO MEIO DA DOR, DAS TRIBULAÇÕES, COMO NOS MOMENTOS DE ALEGRIA.
v  SANTA TERESA NOS REVELA UMA DESCRIÇÃO MAIS BELA E SIMPLES DA ORAÇÃO, “A ORAÇÃO É UM TRATAR DE AMIZADE, ESTANDO, MUITAS VEZES, A SÓS, COM QUEM SABEMOS QUE NOS AMA”. ESTE TRATAR DE AMIZADE INTIMAMENTE SUPÕE E CRIA AO MESMO TEMPO AMIZADE, DIÁLOGO, ENCONTRO CONFIDENCIAL COM DEUS. ISTO É CRIAR PRESENÇA, DEUS ESTÁ PRESENTE E NÓS NOS TORNAMOS PRESENTES.
v  É O AMOR QUE CRIA PRESENÇA. DEUS ESTÁ PRESENTE EM NÓS PORQUE NOS AMA. E A ORAÇÃO É UM ENCONTRO DE PESSOAS, DEUS E O SER HUMANO. ISTO É UM CONCEITO ESSENCIAL, UM ENCONTRO DE PESSOAS, DEUS SE ENCONTRA COMIGO E EU QUERO ENCONTRAR COM ELE MUITAS VEZES, CONTINUIDADE NO TRATO. PORQUE QUEM AMA PROCURA AQUELE QUE AMA FREQUENTEMENTE.
v  A ORAÇÃO TERESIANA EXIGE SILÊNCIO, RECOLHIMENTO, SOLIDÃO, EXCLUSIVIDADE. NAQUELE MOMENTO NÃO TEM QUE FAZER MAIS NADA, A NÃO SER ENCONTRAR COM O PRÓPRIO DEUS.
v  A ORAÇÃO É RESPOSTA DE AMOR QUE SE FUNDA NA FÉ E NA CONFIANÇA. É UMA RESPOSTA DE AMOR AO AMOR, QUE É O PRÓPRIO DEUS. ASSIM COMO O AMOR A ORAÇÃO ESTA AO ALCANCE DE TODOS. SANTA TERESA DIZIA NEM TODOS TEM FACILIDADE PARA PENSAR, TODOS A TEM PARA AMAR.
v  A ORAÇÃO COMO AMIZADE E COMO AMOR EXIGE E RELATIVIZA CONTEMPORANEAMENTE OS TEMPOS DE ORAÇÃO. DE UM LADO OS EXIGE, PORQUE QUEM AMA PROCURA SE ENCONTRAR. MAS DE OUTRO LADO RELATIVIZA PORQUE QUEM AMA E AMA EM QUALQUER LUGAR.
v  NA EXPRESSÃO DE SANTA TERESA “O VERDADEIRO AMANTE EM TODA A PARTE AMA E SEMPRE SE LEMBRA DO AMADO. TRISTE COISA SERIA QUE SÓ PELOS CANTOS DO MOSTEIRO SE PUDESSE FAZER ORAÇÃO.” ONDE HÁ AMOR, HÁ ENCONTRO DE AMIZADE. POR ISSO, CRESCIMENTO. “EM TODA PARTE”, NÃO SÓ “PELOS CANTOS”.
v  REFLETINDO SOBRE A DEFINIÇÃO TERESIANA DE ORAÇÃO COMO ENCONTRO PESSOAL DE AMIGOS, É UM ENCONTRO PESSOAL DE PESSOAS, DE AMIZADE COM DEUS. É CLARO QUE É UMA AMIZADE TEOLOGAL QUE TRANSCENDE A AMIZADE HUMANA. NEM SEMPRE SACIA E AQUETA A NOSSA PSICOLOGIA, É UMA AMIZADE DIFERENTE, TRANSCENDENTE. É POR ISSO QUE NÃO POSSO REZAR SÓ QUANDO ME SINTO BEM. É PRECISO FORÇA DE VONTADE. EXIGE DETERMINADA DETERMINAÇÃO. SANTA TERESINHA DIZIA: O AMOR SE ALIMENTA DE SACRIFÍCIO.
v    JESUS NOS AMOU ATÉ O FIM.  MAS A EXPRESSÃO MÁXIMA DO SEU AMOR FOI NA     CRUZ. A CRUZ É O SACRIFÍCIO ACEITO TOTALMENTE PELO PAI, QUE DEPOIS SE MANIFESTA NA RESSURREIÇÃO (MISTÉRIO PASCAL DE CRUZ E RESSURREIÇÃO). NINGUÉM TEM MAIOR AMOR DO QUE AQUELE QUE A VIDA PELOS SEUS AMIGOS.
A FORÇA DA DEFINIÇÃO TERESIANA CONSISTE EM QUE DEUS E O HOMEM AQUI E AGORA SE ENCONTREM, TRATEM-SE, COMUNIQUEM-SE, FAÇAM AMIZADE.
v  MUITAS PESSOAS PRATICANTES DE ORAÇÃO NÃO CHEGAM A SER PESSOAS ORANTES A ORAÇÃO FICA DA BOCA PARA FORA. SANTA TERESA DIZIA: “NÃO CHAMO ORAÇÃO MEXER COM OS LÁBIOS SEM PENSAR   NO QUE QUE DIZEMOS, NEM NO QUE PEDIMOS NEM QUEM SOMOS NÓS, NEM QUEM É AQUELE AO QUAL NOS DIRIGIMOS”.
v  A SANTA MADRE TEM UM CONCEITO MUITO SIMPLES DE ORAÇÃO. PENSAR É ENTENDER O QUE FALAMOS COM QUEM FALAMOS E QUEM SOMOS NÓS. ESTÁ PRESENTE AO AMIGO SUPÕE CONHECIMENTO E AMOR. UMA EXPRESSÃO PRÓPRIA DELA “OLHAR PARA QUEM NOS OLHA”. É UM OLHAR INTERIOR PARA QUEM NOS OLHA E DEUS NOS OLHA SEMPRE NO AMOR. E TUDO ISSO POR DENTRO DONDE SE REALIZA TODO ENCONTRO PESSOAL. ALI ONDE O HOMEM É MAIS ELE MESMO.
v  É O AMOR QUE CRIA O ENCONTRO, NÃO NOS ESQUEÇAMOS DISSO, DEUS ESTÁ PRESENTE EM NÓS PORQUE NOS AMA, É O AMOR QUE CRIA O ENCONTRO.  O AMOR QUE É A VERDADEIRA ORAÇÃO.
v  MAS TARDE TERESA DIRÁ “QUERER ESTÁ COM ELE, ACENTUANDO A FORÇA DA VONTADE, QUE APESAR DE TUDO QUER ORAR”.
v  AS DISTRAÇÕES E A ARIDEZ FAZEM PARTE TAMBÉM DE NOSSA ORAÇÃO. DEUS OLHA PARA OS NOSSOS BONS DESEJOS, PARA NOSSA RETA INTENÇÃO.
v  NOS MANDAMENTOS DA ORAÇÃO, UM DELES NOS DIZ: “E AS DISTRAÇÕES INVOLUNTÁRIAS? NÃO SE PREOCUPE: DEUS E O SOL BRONZEIAM SÓ PELO SIMPLES FATO DE ESTAR À SUA FRENTE”.
v  IGNÁCIO LARRAÑAGA DIZIA: “A ORAÇÃO TEM QUE SE APROFUNDAR, TEM QUE MERGULHAR FUNDO, ENQUANTO A GENTE NÃO EXPERIMENTA A PRESENÇA DE DEUS E O AMOR DE DEUS NÓS ESTAMOS NADANDO NA SUPERFÍCIE”.
A ORAÇÃO TEM QUE SE APROFUNDAR PORQUE A ORAÇÃO É COMO A SANTIDADE E O AMOR. O AMOR VAI SE APROFUNDANDO SEMPRE MAIS E TAMBÉM A SANTIDADE VAI CRESCENDO SEMPRE MAIS. TUDO ISSO COM A GRAÇA DE DEUS, NUNCA PENSAR QUE É OBRA NOSSA. É DEUS QUE VAI AGINDO EM NÓS, NA MEDIDA EM QUE NOS DEIXAMOS AMAR POR ELE.
v  SANTA TERESA É A SÍNTESE PERFEITA DE “MARIA E MARTA”. A DOUTRINA DELA É ESSA, TEM QUE ANDAR PERFEITAMENTE DE ACORDO COM MARIA E MARTA DO EVANGELHO.A ORAÇÃO É PARA AS OBRAS, PARA O AMOR FRATERNO. PARA QUE NOS AMEMOS MAIS.
AO FINAL FREI PIERINO LEU-NOS UM POEMA: FLOR DE PAZ- TERESA RENASCE ENTRE AS CHAMAS. UMA SÚPLICA DE FILHO PARA MÃE. POEMA ESSE EM FORMA DE ORAÇÃO QUE FALA SOBRE SANTA TERESA EMINENTEMENTE HUMANA E TODA DE DEUS.
APÓS ESSA PARTILHA PROPORCIONADA POR DEUS EM NOSSAS VIDAS, FICA AQUI TODA NOSSA GRATIDÃO EM NOME DO GRUPO SÃO JOSE AO NOSSO IRMÃO FREI PIERINO.




















segunda-feira, 1 de junho de 2015

Márcia Aparecida, de Itapetininga, ganhadora da "Ação Entre Amigos" promovida pelo Centro Teresiano de Espiritualidade.



Márcia Aparecida, a feliz ganhadora, também é conselheira provincial 
da Associação das Comunidades e Grupos da Província São José. 


Márcia Aparecida, da OCDS de Itapetininga, a contemplada na “Ação entre Amigos” do Centro Teresiano de Espiritualidade, recebendo o seu carro na Concessionária Aracaí.
Parabéns, Márcia! 

sábado, 30 de maio de 2015

Entrevista com Frei Savério Cannistrà, Prepósito Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços.





No último dia 07 de maio o Capítulo Geral o reelegeu como Prepósito Geral. O que sentiu na hora?

São Paulo diz que os desejos da carne estão em luta com os desejos do espírito. Vivi um pouco essa luta dentro de mim. Não escondo o desejo que tive de fugir do cansaço, o medo de não ter forças suficientes para outros seis anos de serviço, a tentação de retomar minha vida em minhas mãos. Mas prevaleceu antes de tudo uma lógica elementar: se há seis anos disse sim porque vi na escolha dos irmãos a expressão da vontade de Deus, não posso comportar-me de outro modo agora. De modo que acabei aceitando com muita paz esse novo chamado.

Após seis anos no governo da Ordem, imagino que encara esse desafio de maneira diferente daquela de seis anos atrás. Em que a experiência vivida pode ajudar?

Efetivamente, hoje vejo de outro modo o trabalho que me aguarda. Trata-se de continuar um trabalho já empreendido, conhecendo melhor as dificuldades que se apresentarão, como também as motivações que nos animam a prossegui-lo.


É evidente que não se pode fazer uma avaliação global da Ordem sem levar em conta as características de cada circunscrição, mas, se me permite, quero pedir-lhe que fale da Ordem em termos gerais. Como ela está?

A Ordem está viva e possui uma riqueza e uma fecundidade da qual talvez não somos totalmente conscientes. Poderia responder à pergunta com as palavras de Jesus no evangelho de João: a Ordem dá fruto, mas exatamente por isso precisa ser podada e cultivada para que dê mais fruto.



A crise vocacional é um desafio na velha Europa. Como o Carmelo Descalço encara esse problema?

Naturalmente, há reações diferentes diante da crise. Em minha opinião, a reação mais sadia seria trabalhar no que depende de nós, como dizia Santa Teresa: fazer o pouco que depende de nós, que na verdade não é pouca coisa, já que se trata de viver em profundidade, nas circunstâncias do mundo de hoje, nossa vocação de comunidades orantes e fraternas. Estou certo que, à medida que somos capazes de fazer esse trabalho em nós, também seremos capazes de enfrentar e superar a crise que a vida religiosa atravessa no mundo ocidental.


Sem dúvida, a mensagem dos santos carmelitas é uma ajuda nesse sentido.

Sim, nossa “atualidade”, quer dizer, nossa relevância diante do mundo depende, na realidade, precisamente do específico de nosso carisma. A releitura dos escritos de Santa Teresa nos fez descobrir – acredito – que muitos de nossos problemas encontram resposta na experiência de uma mulher que viveu há cinco séculos. Não são respostas prontas, são originais, que nos obrigam a mergulhar dentro de nós e no modo de viver como indivíduos e como comunidades.


Ao contrário, a Ordem está crescendo em outros lugares...

Sim, a Ordem registra um crescimento vertiginoso, especialmente na África e em algumas regiões da Ásia. E em outras regiões nota-se, de todos os modos, um bom clima e uma certa estabilidade.



Um desafio é, sem dúvida, entrar em conexão com os jovens. Como fazer isso numa sociedade em que eles devem atender a tantos apelos?

Penso que a primeira coisa a ser feita é escutar com atenção os jovens, escutá-los em profundidade, superando as primeiras impressões superficiais que seu modo de falar ou comunicar suscitam em nós, mais avançados em idade. Vejo com clareza que quando um religioso ou uma religiosa tem essa capacidade de “empatia”, os jovens percebem e respondem com maior interesse e abertura.

Presença de monjas carmelitas descalças no Capítulo Geral,


Mudemos de tema. A relação com as carmelitas descalças esteve no centro de várias jornadas de trabalho do Capítulo Geral. O senhor dedicou vários documentos a esse assunto no último sexênio. Que passos serão dados no próximo sexênio?

A presença de nossas irmãs carmelitas no Capítulo durante dois dias foi não só um ato de cortesia, mas um autêntico encontro que deu lugar a um verdadeiro diálogo, no qual saíram à luz convergências e divergências. Ao final, as irmãs nos convidaram a continuar esse intercâmbio, sobretudo diante de um trabalho conjunto para a formação permanente, que é – em minha opinião – um dos desafios mais importantes para a vida contemplativa.



Do mesmo modo que as carmelitas descalças, também os leigos foram escutados no Capítulo. Outro desafio para este sexênio...

Dedicamos um dia do Capítulo à OCDS, com a presença de alguns membros procedentes de diversas nações. A realidade do laicato carmelita é muito variada. Ser membros da Ordem Secular tem implicações bastante diferentes segundo as regiões e as culturas. Acredito, porém, que em todas se apresenta o desafio de assumir com seriedade as responsabilidades próprias como leigos membros da família do Carmelo. É preciso que os leigos encontrem seu modo próprio e específico de viver as diferentes dimensões do carisma carmelitano, que é obviamente diferente do modo com que uma comunidade de frades ou de monjas o vive.


Dia da OCDS no Capítulo Geral da Ordem.

Falávamos anteriormente sobre como chegar aos jovens leigos. Pergunto-lhe agora sobre os formandos. De modo concreto, sobre a importância da etapa formativa.

Temos que insistir muito na formação humana e cristã se não quisermos que a formação carmelitana seja uma espécie de verniz externo. É preciso, de certo modo, encontrar o estilo  carmelitano-teresiano de formar humanamente e cristãmente a pessoa. Estou convencido de que o patrimônio carismático do Carmelo teresiano tem elementos suficientes para conceber esse processo de maturação em nível de conhecimento pessoal, de relação com Jesus – o Senhor – e para assumir os compromissos próprios da vida religiosa.


Não me esqueço da formação contínua. Também há um caminho a percorrer nesse sentido.

Temos que distinguir entre formação permanente e atualização. Com frequência confundimos as duas coisas. A formação permanente é o que eu prefiro chamar de “cuidado” de nós mesmos, cuidar da própria vocação, da própria alma, do próprio ser. Seu contrário é a acídia, que etimologicamente significa descuidar de si mesmo. Nesse sentido, a formação permanente é um compromisso pessoal que se realiza dia a dia, nas ocasiões que nossa experiência de vida ordinária proporciona (oração, comunidade, trabalho). Outra coisa é a atualização, que implica um compromisso de estudo, de leitura, de informação. No sexênio passado começamos iniciativas desse tipo, organizando cursos de formação bíblico-espiritual em Stella Maris (Haifa) e cursos de formação para formadores, animadores de comunidade e diretores espirituais na Índia. O Capítulo pediu que essas iniciativas continuem também durante este sexênio.


Centramo-nos agora no Capítulo Geral. Seu documento conclusivo – “É tempo de caminhar”– nos convida a uma releitura das Constituições. Em resumo, qual é o objetivo principal dessa releitura?

Decidimos empreender a releitura de nossas Constituições para dar continuidade ao caminho feito no sexênio passado com a leitura das obras de Santa Teresa. Não queremos virar a página. Antes, queremos continuar fazendo-nos a pergunta sobre “qué tales hemos de ser”, como filhos de Santa Teresa. Daí que a releitura das Constituições tem como objetivo comparar nossa experiência de vida atual com o modelo que nos foi proposto nas Constituições. Por um lado, isso significa examinar nossa vida à luz das Constituições; por outro, trata-se de revisar as Constituições à luz da experiência vivida pelos religiosos e as comunidades nos últimos trinta, quarenta anos. Houve muitas mudanças. Parece-nos ter chegado o momento de tentar responder a muitas perguntas que tais mudanças nos apresentam.


Durante o Capítulo também se falou muito das missões OCD. O espírito missionário de Santa Teresa continua vivo. Nos próximos seis anos, como será canalizada a ajuda às missões a partir da Casa Geral?

Temos que trabalhar em vários níveis. Antes de tudo, esclarecer melhor o que entendemos por missão para sentir-nos todos implicados nesse compromisso missionário e de evangelização, que faz parte de nosso “ser carmelitas teresianos”. O Papa Francisco está exortando com força toda a Igreja a sair de si mesma, evitando o risco de fechar-se e da autorreferencialidade.
Depois, há um problema muito concreto, que diz respeito ao apoio econômico às novas missões. Estou muito contente que o Capítulo tenha feito uma opção de “comunhão de bens”, optando pela criação de um fundo de ajuda às missões, que será administrado pela Casa Generalícia. Espero que assim possamos responder, mesmo que seja em parte, aos muitos pedidos de ajuda que recebemos.


Outro aspecto importante é o da comunicação. Em sua intervenção sobre o estado da Ordem, o senhor utilizou muitas vezes a palavra “comunicar”. O que nos falta nessa matéria e como podemos caminhar juntos para melhorar?

A comunicação é uma dimensão essencial da vida humana, e ainda mais que a vida comunitária. Às vezes, fazemos uma ideia um pouco espiritualista da comunidade. Falamos de comunhão e, com isso, nos eximimos do compromisso de encarnar o dom da comunhão em uma experiência concreta de comunicação. A comunicação é, antes de tudo, a que se vive com os irmãos que nos rodeiam. Hoje corremos o perigo de comunicar muito à distância, virtualmente, e pouco com quem está perto. Comunicar implica muitas coisas: capacidade de escutar, capacidade de expressar-se, confiança no outro, comprometer-se na relação. São todos valores que devemos colocar no centro se realmente queremos ser irmãos que se conhecem e são amigos, como queria Santa Teresa.


Encerramos esta entrevista, pedindo-lhe uma mensagem para toda a família do Carmelo Teresiano.


Não encontro melhor mensagem que a que escolhemos como título do documento capitular: “é tempo de caminhar”. Não podemos ficar quietos, não podemos deixar-nos bloquear pelos medos nem pelas falsas seguranças. Temos que fazer um caminho através da Igreja e do mundo de hoje, pondo nossa confiança e nossa esperança, não em nós mesmos, mas no Senhor que prometeu caminhar conosco. É tempo de caminhar, mas sabendo que “juntos andemos, Senhor”.


Que Dios te bendiga, Padre Savério Cannistrà!
Cuente con nuestras oraciones.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Liturgia da Memória da Beata Elias de São Clemente, Virgem (em 29 de maio).








29 de maio
BEATA ELIAS DE SÃO CLEMENTE, VIRGEM
 Memória facultativa

A Beata Elias de São Clemente nasceu em Bari (Italia) dia 17 de janeiro de 1901. Seus pais eram profundamente cristãos e ela foi batizada com o nome Teodora, dom de Deus. Tal nome verificou-se de fato no breve curso de sua vida terrena. Dia 8 de abril de 1920 (festa de S. Alberto então), entrou no Carmelo de S. José de Bari. Sua vestição religiosa deu-se dia 24 de novembro do mesmo ano, festa de S. João da Cruz naquele tempo. A 8 de dezembro de 1924 escreveu com seu sangue um ato de oferta total e definitiva ao Senhor, com voto de fazer sempre “o mais perfeito”. Morreu no dia do Natal de 1927. Bento XVI assinou o Decreto de beatificação dia 19 de dezembro de 2005 e ela foi proclamada Beata na Catedral de Bari dia 18 de março de 2006.

Do Comum das Virgens, com a salmodia do dia do saltério
ORAÇÃO
Ó Deus, a quem agradou a oblação de si a vós oferecida pela virgem, Beata Elias de São Clemente, por sua intercessão concede-nos, sustentados pelo Pão Eucarístico, cumprir fielmente vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus e vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amem.

Ofício das leituras

Segunda leitura
Dos escritos da B. Elias de São Clemente, Virgem. (ED. OCD 2001: pp. 282-295-322).
O desejo de perder-se em Deus e o zelo apostólico
Oh doce ocultamento, como amo passar os meus dias sob tua sombra e consumir assim minha existência, por amor do meu doce Senhor... às vezes, pensando nas eternas recompensas, infinitamente maiores que os leves sacrifícios desta vida, a minha alma fica maravilhada e tomada de uma ardente ânsia, eleva-se a Deus exclamando: “Oh meu bom Jesus, a qualquer preço quero atingir a meta, o porto da salvação. Não negue-me nada, concede-me de sofrer. Este seja o martírio interior do meu pobre coração, oculto a qualquer olhar humano; uma cruz despojada eu te peço. Estendida sobre ela, quero passar meus dias aqui”.
Quando se sofre unido a Jesus, o padecer é alegria; sofrer amando eu anelo, fora disto não quero mais nada.
Meu Dileto, quem poderá jamais separar-me de Ti? Quem será capaz de romper estas fortes correntes que amarram meu coração ao Teu? Será o abandono das criaturas? É próprio isto que une a alma ao seu Criador... talvez as tribulações, as penas, as cruzes? É nestes espinhos que o canto da alma que te ama é mais livre e leve. Talvez a morte? Mas esta não será outro que o princípio da verdadeira felicidade para a alma.... nada, nada poderá separar, nem mesmo por breves instantes esta alma de Ti. Ela foi criada por Ti e é fora do seu centro se não vive abandonada em Ti.
A minha vida é amor: este néctar suave me circunda, este amor misericordioso me penetra, me purifica, me renova e sinto que me consome. O grito deste meu coração é: “Amor do meu Deus, a Ti somente busca a minha alma. Alma minha, sofre e cala; ama e espera; imola-te e oculta a tua imolação sob um sorriso e, sempre avante... quero passar a minha vida num profundo silêncio para escutar no íntimo da alma a delicada voz do meu Doce Jesus.
Almas buscarei para lançá-las no mar do Amor misericordioso: almas de pecadores, mas sobretudo almas de sacerdotes e religiosos. Com esta meta a minha existência se apagará lentamente, consumindo-se como o óleo da lâmpada que vela junto ao Tabernáculo”. Sinto a vastidão da minha alma, a sua infinita grandeza, que não basta a vastidão deste mundo para preenchê-la: ela foi criada para perder-se em Ti, meu Deus, porque só tu és grande, infinito e por isso só Tu podes torná-la plenamente feliz.

Responsório
R.  A rocha do meu coração é Deus, é Deus a minha herança para sempre: * fora Dele, nada desejo da terra.
V./ Uma Virgem preocupa-se das cosias do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito:
R./ fora Dele, nada desejo da terra.

Ant. ao Benedictus: Como é suave, Senhor o teu amor! Perdida em Ti, vivo beata eternamente.

Ant. ao Magnificat:  O teu amor, oh Deus, como o fogo me consumiu na fornalha ardente do teu Coração. 
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