segunda-feira, 17 de julho de 2017

17/07 - Beata Teresa de Santo Agostinho e Companheiras


O mosteiro das carmelitas de Compiègne, França, vivia entregue ao espírito de oração, de silêncio e de renúncia, quando rebentou a Revolução Francesa. A 4 de agosto de 1790, os membros do diretório do distrito procederam ao inventário dos bens da comunidade. As religiosas foram convidadas a despir o hábito e a abandonar o mosteiro. Cinco dias mais tarde, a conselho da câmara, assinaram todas o juramento de Liberdade-Igualdade. Desde então, viveram dispersas.
Um século antes, uma irmã chamada Batista vira em sonho todas as religiosas do seu convento na glória, revestidas do manto branco e tendo uma palma na mão... Reservava-lhes o céu a honra do martírio? Durante o ano de 1792, fizeram um ato de consagração pelo qual se ofereceu a comunidade “em holocausto para apaziguar a ira de Deus e para que a divina paz, que o Seu querido Filho tinha vindo trazer ao mundo, fosse transmitida à Igreja e ao Estado”. E cada dia era renovada a consagração, mantendo uma chama que não devia extinguir-se em cada uma, senão sob o cutelo da guilhotina.
Todavia, mesmo dispersas, a regularidade da vida de cada grupo não passou despercebida aos jacobinos de Compiègne. Decidiram estes uma inspeção, durante a qual se apoderaram de vários elementos que lhes pareceram gravemente comprometedores: cartas de padres em que se tratava de novenas, escapulários e direção espiritual, um retrato de Luís XVI e imagens do Sagrado Coração. O grupo revolucionário, “considerando que as anteriormente religiosas, com desprezo das leis, viviam em comunidade”; que as correspondências provavam “que elas tramavam em segredo pelo restabelecimento da monarquia e pela aniquilação da república”, mandou deter as religiosas e mantê-las incomunicáveis.
A 22 de junho de 1794, foram encerradas no mosteiro da Visitação, transformado em cárcere. Lá, as reclusas retrataram o juramento feito de Liberdade-Igualdade, “preferindo mil vezes morrer a manterem-se culpadas de tal juramento”.
E julgaram-se felizes por terem retomado em comum os exercícios da Regra. Mas esta consolação depressa lhes seria tirada. A 12 de julho, chegava a Compiègne a ordem da Comissão de salvação pública, para serem levadas a Paris. Sem lhes ser permitido acabar a sua frugal refeição, nem mudar os vestuários molhados por causa duma barrela que faziam, meteram-nas todas em duas carroças, ficando elas com as mãos presas atrás das costas. O cortejo chegou à Paris no dia seguinte, pelas três horas da tarde, à Conciergerie, a prisão anexa ao palácio da justiça.
Uma religiosa octogenária e doente, com os membros entorpecidos por demorada imobilidade, não sabia como descer da carroça. Impacientes, os carreteiros pegaram nela e atiraram-na ao chão com brutalidade. Ergueu-se toda ensangüentada, mas contentou-se com dizer aos que a tinham tratado assim: “Acreditai que não vos quero mal por isto. Ao contrário, quero-vos muito bem porque não me matastes, pois, se eu tivesse morrido, teria perdido a felicidade e a glória do martírio”.
Na Conciergerie, como em Compiègne, prosseguiram as 16 carmelitas em observar a regra; testemunha digna de fé asseverou que “eram ouvidas todas as noites, às 2 da manhã, rezar o ofício”. A 16 de julho, celebraram a festa de Nossa Senhora do Carmo com tal entusiasmo que, segundo afirmou um preso, “a véspera da morte parecia para elas um dia de grande festa”.
À tarde foram avisadas que iriam comparecer, no dia seguinte, diante do tribunal revolucionário. Realmente, este conselho ouviu nesse dia o acusador público lançar contra as rés um requisitório dos mais violentos: “Embora separadas pelos domicílios, formavam conciliábulos de contra-revolução entre elas e outras, que a si reuniam. Viviam sob a obediência duma superiora e, quanto aos seus princípios e votos, bastava ler as cartas e os escritos delas”.
Depois de breve interrogatório e sem ouvir testemunhas, o tribunal condenou à morte as 16 carmelitas. E como, sem se perturbar, uma religiosa perguntasse ao presidente o que se devia entender pela palavra “fanático”, que figurava no texto do julgamento, recebeu esta confissão, que devia enchê-las de alegria inexprimível: “Entendo por essa palavra o vosso apego a essas crenças pueris, às vossas loucas práticas de religião”. Era isto que lhes merecia a palma do martírio!
Uma hora depois, subiram elas para as carroças que as levaram à Praça do Trono Derrubado (Praça da Nação). Enquanto, à passagem delas, uma multidão contraditória exprimia sentimentos diversos – desde gritos e injúrias até à admiração – elas, indiferentes e serenas, cantaram o Miserere e depois a Salve Rainha. Chegadas à base do cadafalso, entoam o Te Deum, o canto de ação de graças, a que juntam o Veni Creator. Depois, renovam as promessas do batismo e os votos de religião.
Mas eis que uma jovem noviça se ajoelha diante da prioresa. Com tanta simplicidade como fazia dentro das paredes do convento, pede-lhe a bênção e a licença de morrer. Em seguida, cantando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, sobe os degraus do cadafalso. Sucessivamente, as outras religiosas observam o mesmo cerimonial e vêm receber a bênção da Madre Teresa de Santo Agostinho. Esta, em último lugar, depois de ver todas as suas filhas dar a Deus a maior prova de amor, confia a sua cabeça aos algozes.
Assim pereceram, na tarde de 17 de julho de 1794. O sacrifício, das que se tinham generosamente oferecido em holocausto “pela paz da Igreja e da França”, não foi em vão. De fato, “somente dez dias após o suplício delas, cessava a tormenta que, ao longo de dois anos, tinha espalhado pelo solo da França o sangue dos filhos da França” (Decreto de declaração do martírio, 24 de junho de 1905). São Pio X, a 10 de dezembro de 1905, declarou “beatas” aquelas que “desde que foram expulsas, continuaram a viver como religiosas e a honrar, com muitas devoções, o Sagrado Coração”.


* * *
Os nomes das Beatas são os seguintes:
- Anne-Marie Madeleine Thouret (Irmã Carlota da Ressurreição) + em Mouy, 16/9/1715, professou 19/8/1740, sub-priora em 1764 e 1778. Sacristã da capela do Convento.
- Anne Petras (Irmã Maria Enriqueta da Providência) + em Carjarc, 17/6/1760, professou em 22/10/1786
- Marie-Geneviève Meunier (Irmã Constance) + em Saint Denis, 28/5/1765, noviça, tomou o hábito em 16/12/1788 (ela sobe os degraus do cadafalso cantando o Salmo Laudate Dominum omnes gentes)
- Rose-Chrétien de la Neuville (Irmã Julia Luisa de Jesús) + Evreux, 1741, casou-se jovem, enviuvou, entrou para o Carmelo e professou em 1777
- Marie Claude Cyprienne Brard ou Catherine Charlotte Brard (Irmã Euphrasia da Imaculada Conceição) + 1736 em Bourth, professou em 1757
- Madeleine-Claudine Ledoine (Madre Teresa de Santo Agostinho), priora, + em Paris, 22/9/1752, professou em 16 ou 17/5/1775
- Marie-Anne (ou Antoinette) Brideau (Madre São Luís), sub-priora, + em Belfort, 7/12/1752, professou em 3/9/1771
- Marie-Anne Piedcourt (Irmã de Jesus Crucificado), religiosa do coro, + 1715, professou 1737; ao subir no cadafalso ela disse: "Eu perdôo vocês do mesmo modo como desejo que Deus me perdoe".
- Marie-Antoniette ou Anne Hanisset (Irmã Teresa do Sagrado Coração de Maria) + em Rheims, 1740 ou 1742, professou em 1764
- Marie-Françoise Gabrielle de Croissy (Madre Henriette de Jesus), + em Paris, 18/6/1745, professou 22/2/1764, priora de 1779 a 1785
- Marie-Gabrielle Trézel (Irmã Teresa de Sto. Inácio), religiosa do coro, + em Compiègne, 4/4/1743, professou 12/12/1771


Havia ainda três irmãs leigas:
- Angélique Roussel (Irmã Maria do Espírito Santo) + em Fresnes, 4/8/1742, professou em 14/5/1769
- Julie ou Juliette Vérolot (Irmã São Francisco Xavier) + em Laignes ou Lignières, 11/1/1764, professou 12/1/1789
- Marie Dufour (Irmã Santa Marta) + em Beaume, 1 ou 2/10/1742, entrou na comunidade em 1771


E duas serventes que não eram Carmelitas, mas ocupavam-se dos trabalhos na comunidade:
- Catherine Soiron, + 2/2/1742 em Compiègne
- Teresa Soiron, + 23/1/1748 em Compiègne

Fonte: http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2012/07/beata-teresa-de-sto-agostinho-e-comp.html

* Texto enviado pela Comissão de Espiritualidade da OCDS.

domingo, 16 de julho de 2017

16/07 - Solenidade Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo



Os Carmelitas contemplam aquela que é o ideal de vida carmelita, a Virgem Maria, a quem invocamos com o doce título de Senhora do Carmo; recordando o Monte do Carmo, sítio privilegiado onde a nossa família nasceu. 



Quando em 1191, Ricardo I reconquista a Terra Santa, um sem número de cristãos esquecendo a Europa fixa-se nos Lugares Santos, sobretudo em locais de tradição bíblica. O Monte Carmelo com o seu silêncio, as suas águas vivas, o encanto da vegetação, a vista deliciosa sobre o mar, a solidão que apelava para Deus atraíram muitos desses homens para a beleza deste Monte. 
Recordavam-se daquela frase do profeta Jeremias que dizia: “Levar-vos-ei ao Carmo onde saboreareis os seus deliciosos frutos”. Recordavam-se do profeta Elias e da nuvenzinha pequenina e frágil que ele vira subir do mar, como símbolo de Maria. E resolveram construir uma capela em honra de Nossa Senhora que passou a ser conhecida, desde o início, como a Senhora do Carmo. 
Carmo quer dizer “jardim de Deus”, “vinha de Deus”. Os carmelitas eram as flores do jardim cuidado e protegido por Maria, eram vinha preciosa que Maria diligente trabalhava para dar frutos apetecíveis. 
No ano de 1251, já na Europa, a família do Carmo, é alvo de perseguições de várias proveniências, de dentro e fora da Igreja. S. Simão Stock, VI Geral da Ordem, reza com todos os carmelitas a Maria para que ela lhes acuda. 
No dia 16 de Julho, enquanto o Geral reza a oração do Flos Carmeli, vê a Virgem que o anima e lhe promete ajuda, enquanto lhe entrega o Escapulário do Carmo, convidando todos a usá-lo para terem a sua proteção. A partir desta data a devoção “Mãe e Irmã dos carmelitas aumentou dentro e fora da Ordem. 


Em Lourdes, Bernardete viu Nossa Senhora várias vezes; a última aparição foi no dia de Nossa Senhora do Carmo, 16 de Julho de 1858. Bernardete declara ter visto nesse dia a Virgem “tão bela e gloriosa como nunca”. 
Em Fátima, a última apariçãoo, no dia 13 de Outubro de 1917, foi de Nossa Senhora do Carmo. A Ir. Lúcia diz que por fim lhes apareceu Nossa Senhora do Carmo a abençoar o mundo  e imediatamente se deu o início do milagre do sol. 
Muitos santos, depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo se quiseram revestir do escapulário ou da medalha para melhor manifestarem o seu amor a Maria e assim serem por Ela protegidos: S. Cláudio de la Colombire, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo Antônio Maria Claret, o Santo Cura d’Ars, Santa Bernardete, S. João Bosco, S. Domingos Sávio, S. Gabriel das Dores e um inumerável número de santos. Para já não falar de todos os santos e santas carmelitas, sobretudo Santa Teresa de Jesus e S. João da Cruz que sentiam a maior glória em usar o hábito carmelita da Ordem de Nossa Senhora do Carmo. 

Também os papas manifestaram o seu amor ao Escapulário do Carmo. João XXII, no séc. XIV promoveu esta devoção. Nos nossos dias, Leão XIII, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II têm manifestado entusiasticamente o seu amor pelo Escapulário e pela devoção a Nossa Senhora do Carmo. 
Também os nossos reis, sobretudo os da IV Dinastia, de quem há documentação, usaram o Escapulário e amavam Nossa Senhora do Carmo, a quem tinham muita devoção. 


PROPOSTA DE VIGÍLIA DE NOSSA SENHORA DO CARMO 



Cântico: 



AVE MARIA, GRATIA PLENA 
DOMINUS TECUM 
BENEDICTA TU! 



Neste dia te oferecemos 
Temos confiança 
Nosso amor e alegria. 
no que o Teu amor deixou 
Toma, Senhora, a nossa vida, 
Olha por nós, Mãe de Jesus, 
Ave Maria! 
Contigo agora estou. 




Introdução: 



MARIA, MÃE DO CARMELO 



Estamos a celebrar a festa de Nossa Senhora do Carmo. A devoção mariana do Carmelo não consiste em alguns exercícios de piedade particulares, mas sim num modo de viver, numa forma de ser, numa vivência espiritual, que tem influência em todas as nossas ações. 
O Carmelo considera a Virgem Maria como a sua flor e supremo esplendor. É impossível falar de devoção mariana no Carmelo, sem mencionar o Escapulário. Este é o símbolo de toda a riqueza da devoção a Maria Santíssima. 
Este símbolo das cores da Padroeira do Carmelo, é também símbolo da união com Maria, da consagração a Maria. Maria convida-nos hoje, a saber, meditar no nosso interior o Mistério de Deus e saber dizer um SIM” como Ela. 

Maria vem cada um com sede no coração. Temos muitas coisas, mas nada nos enche totalmente. 
Tu, que sempre foste luz para aqueles que procuram a Deus, conduz os nossos passos na sua direção. 


Presidente: 



Sejamos, pois filhos de Maria e que todos os nossos atos tenham um objetivo, além da glorificação de Deus, a glorificação da Virgem Maria. Procuremos imitá-la o mais possível, ela que é a Virgem sem pecado e imploremos o seu auxílio e ofereçamos tudo a Deus por intermédio de Maria. 
Comecemos por invocar a ajuda do Espírito Santo para que venha sobre nós tal como fez sobre Maria. 



ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO 
(As frases ou palavras em maiúsculas são declamadas por todos.) 



QUEM ÉS TU que me falas sem palavras? 
QUEM ÉS TU que me guias sem freio? 
QUEM ÉS TU Espírito que me habitas? 
NÃO TE OUÇO com os meus ouvidos, 
NÃO TE VEJO com os meus olhos, 
mas se me abro à tua essência, Tu me recrias plenamente. 
VEM, abrigo protetor! 
VEM, amigo constante! 
VEM, silêncio fecundo! 
VEM, força dos meus dias, 
guia dos meus passos, construtor do meu ser! 
VEM, e abre a minha casa à tua presença infinita! 



Cântico: 



Inunda o meu ser. 
Inunda o meu ser. 
Espírito, inunda o meu ser. 
Em ondas de amor, 
Oh, vem sobre mim! 
Espírito inunda o meu ser. 


Quando deixamos a Maria um espaço no nosso coração, ela aproveita para comunicar o muito que nos ama. Ela fá-lo a sua maneira, dialogando conosco, como o fez no dia em que se apresentou o Anjo do Senhor para anunciar-lhe de que o Filho de Deus ia encarnar no seu ventre e no seu coração. 
Maria convida-nos a escutar-nos a Palavra de Deus e a abrir o nosso coração. 


DO EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS (Lc 1, 26-38) 


Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”
Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.


Palavra da Salvação


SILÊNCIO 




PRIMEIRA AVE MARIA: 
COMO SERÁ ISSO SE EU NÃO CONHEÇO HOMEM? 



Quando chegou a plenitude dos tempos, querendo Deus enviar ao mundo o seu Filho feito homem, enviou primeiro Gabriel, como seu mensageiro, a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem chamada Maria, que estava noiva de José. Maria ficou perplexa com o convite de Deus para ser mãe do seu Filho. E a Virgem com toda a humildade, mas também com toda vontade pergunta ao Anjo: 
-Como será isso se eu não conheço homem? 
É Virgem eleita de Deus, escolhida desde toda a eternidade! Vós não vos estranhastes por ver um anjo, mas Vos sobressaltastes por serdes escolhidas para Mãe do Filho do Altíssimo. Acompanhai-nos, nos caminhos da fé, e quando as dúvidas da incerteza e as noites escuras nos assaltarem recordai-nos que é na oração e no diálogo com Deus e com os irmãos que todas as dúvidas se esfumam. 



Cântico: 



Nossa Senhora do Sim 
maravilha Virgem Mãe 
Cuida Maria de mim 
e que eu diga sim també



Chamou o Anjo de Deus 
Maria não tenhas medo 
Serás Mãe do Filho Eterno 

eis revelado o Segredo 


SEGUNDA AVE MARIA: 
FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A VOSSA PALAVRA! 



O Anjo respondeu à Virgem que o Espírito Santo viria sobre Ela e que a força do Altíssimo estenderia sobre si a Sua sombra. Por essa razão, o filho que dela haveria de nascer seria chamado Filho de Deus. Diante do esclarecimento prestado pelo Anjo a Virgem respondeu com a sua entrega incondicional ao plano divino que, desde sempre, a tinha escolhido para esta missão: 
- Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra, foram as palavras da Virgem. E o maior mistério da história da humanidade teve lugar no seu seio. 

Virgem digna de todo o louvor! Por esta vossa palavra se consuma em Vós o mais feliz momento da história humana. No vosso seio virgem o céu abraça a terra, e a terra abre-se à grandeza de Deus. Eis a feliz notícia: o Filho do Altíssimo faz-se carne da nossa carne! Ajudai-nos a tomar sempre consciência de que Deus também vive em nós, comungando as nossas alegrias e dores, os nossos anseios e esperanças. Que convosco e como Vós saibamos adorar este santo mistério. 


Cântico: 



Nossa Senhora do Sim 
maravilha Virgem Mãe 
Cuida Maria de mim 
e que eu diga sim também 



Com ela a Igreja toda 
responde que sim a Deus 
E com Maria proclame 
nova terra e novos céus 



TERCEIRA AVE MARIA: MAGNIFICAT 



Na Anunciação Maria ficou também, a saber, que a sua velha prima Isabel se encontrava grávida por graça de Deus. Depois da Encarnação, Maria dirigiu-se apressadamente para casa da sua prima, que ficava numa cidade das montanhas de Judá. Quando as primas se saudaram, Isabel declarou-a bendita entre as mulheres e bendito o fruto do seu ventre. Contrastando com o seu habitual silêncio Maria prorrompeu num maravilhoso cântico de ação de graças. 
Cantemos com Maria: 



Magnificat, Magnificat, Magnificat 
Anima mea dominum. 
Magnificat, Magnificat, Magnificat 
Anima mea. 



A minha alma glorifica ao Senhor 
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: 
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 
A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. 
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 
Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, 
a Abraão e à sua descendência para sempre. 




QUARTA AVE MARIA: 
FILHO, PORQUE PROCEDESTE ASSIM CONOSCO? 



Quando o Menino Jesus fez os doze anos seus pais levaram-n 'O a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Terminada a festa, no regresso, o Menino, sem eles saberem, ficou em Jerusalém. Quando disso se aperceberam regressaram apressadamente à Cidade Santa. E passados três dias de sofrimento encontraram o Menino Jesus no Templo, entre os doutores da Lei, ora perguntando ora respondendo. A Mãe quando viu Jesus sentado entre os sábios e estranhando vê-lo assim, perguntou aflita: 
-Filho, porque nos fizeste isto? 
Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura. 
É Virgem Mãe das Dores! Quantos sofrimentos Vos causou a fidelidade à Palavra de Deus? Sofreste por causa da desconfiança de José; com os incômodos da viagem para Belém; com a ausência de lugar na hospedaria quando se aproximava o nascimento do Redentor; com a profecia do Santo Velho Simeão anunciando-vos uma espada de dor que vos atravessaria a alma; com a fuga noturna para o Egito; com a matança dos Santos Inocentes; com a perda do vosso Menino em Jerusalém; com a vida pública de vosso Filho; e, sobretudo, com a Sua dolorosa Paixão com que nos salvou. Mãe da esperança volva a nós os vossos olhos misericordiosos quando por Vós suspiramos neste vale de lágrimas. 



Cântico: Salve Rainha, 




QUINTA AVE MARIA: NÃO TEM VINHO! 



No terceiro dia da vida pública de Jesus houve um casamento em Caná da Galileia. Maria estava presente, Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. No meio da festa faltou o vinho. Maria como mãe atenta apercebeu-se do embaraço e consequente vergonha dos noivos. Procurando remediar a situação aproximou-se de Jesus e disse-Lhe: 
-Não tem vinho! 
Rainha da Paz contemplai o nosso mundo onde falta o vinho de Deus, vinho de amor e de alegria, vinho de paz e de justiça, vinho de compreensão e de entendimento, vinho de pão e de verdade para todos! Vosso Filho encarnou em Vós e veio a este mundo trazer-nos o vinho do céu, para transformar a nossa terra numa vinha nova. Ajudai-nos, ó Maria, a construirmos com Jesus e convosco os novos céus e a nova terra que a Santíssima Trindade quer instaurar no mundo. 



Cântico: Maria de Nazaré



SEXTA AVE MARIA: FAZEI O QUE ELE VOS DISSER. 



Jesus ouviu a intercessão da Mãe e respondeu que nem Ela nem Ele tinham a ver com a falta de vinho na boda. Depois destas palavras que parecem desinteresse pelas preocupações humanas, Jesus justificou-se dizendo que ainda não era chegada a Sua hora. Maria percebeu tudo. Não mais se preocupou nem se alterou. Tudo estava nas mãos de Jesus. Porém, porque bem conhecia o seu Filho, aproximou-se dos serventes e disse-lhes com simplicidade e confiança: 
-Fazei o que Ele vos disser! 
Perfeita discípula de Jesus! A intercessora da humanidade! A vossa glória não é ser Mãe de Deus, mas discípula cumpridora da Palavra. Ensinai-nos também hoje o mesmo conselho que destes aos serventes de Caná, e ajudai-nos a oferecer a água da disponibilidade para com Cristo servirmos o vinho da alegria ao nosso mundo. 



Cântico: Quero ser como tu 



Quero ser como tu, como tu Maria 
Como tu, um dia, como tu Maria 



Quero aprender a amar, como tu Maria 
Como tu, um dia, como tu Maria 



SÉTIMA AVE MARIA: 
O SILÊNCIO, AS PALAVRAS QUE MARIA NÃO DISSE 



Segundo os Evangelhos, Maria, como vimos, falou palavras de vida humana, de aceitação da sua missão, de louvor a Deus, de incompreensão pela atitude do Menino, de intercessão e de conselho. Deve ter falado, outras vezes, palavras que os Evangelhos não guardaram. Porém, nos momentos cruciais da nossa salvção Maria é apresentada em atitude silenciosa. 
S. Lucas refere-nos duas vezes o silêncio de Maria: logo a seguir ao Nascimento Maria meditava silenciosamente em seu coração, sobre quanto diziam os pastores acerca do Menino; e depois do encontro no Templo, quando se diz que Ela guardava e meditava tudo em seu coração. Esta foi a vivência de Maria durante toda a sua vida. Assim mesmo a encontramos junto à cruz de Jesus, silenciosamente co-redentora. 
Virgem fiel em cuja vida silenciosamente ressoava a Palavra de Deus! Eis a vossa vida: oração e silêncio. Assim Vos contempla e imita a Ordem do Carmo. Nós Vos contemplamos orante e silenciosa diante do mistério da cruz. Nós Vos contemplamos orante e silenciosa diante do sepulcro do vosso Filho. Nós Vos contemplamos radiosa e jubilosa na Ressurreição e na Ascenção de Cristo. Nós Vos contemplamos no Cenáculo com os discípulos de Jesus. Ali, sois oração e sois silêncio. lntercedei por nós para que as nossas palavras, silêncios e orações sejam sempre para maior honra e glória da Santíssima Trindade. 



Cântico: Maria do silêncio 



Maria, o teu silêncio 
não é desinteresse. 
Estás identificada 
com Deus Criador. 
Deus está em ti 
e tu estás em Deus. (BIS) 



MARIA, FAZ-NOS ENTENDER 
QUE, APESAR DO TEU SILÊNCIO, 
TU ESTÁS SEMPRE PRESENTE 
EM CADA UM DE NÓS. 



Maria, dá-nos o teu silêncio, 
dá-nos tua mão, 
pois foste a primeira a entender 
que só é possível 
amar a Deus 
sem o coração disperso. (BIS) 


SALMO 89 (88) 


Hei-de cantar para sempre o amor do Senhor; 
a todas as gerações anunciarei a sua fidelidade. 



Proclamarei que o teu amor é para sempre, 
e que a tua fidelidade é eterna como o céu. 



Fiz uma aliança com o meu eleito, 
jurei a David, meu servo: 



Estabelecerei a tua descendência para sempre 
e o teu trono há-de manter-se eternamente  



Os céus celebram as tuas maravilhas, Senhor, 
e a assembleia dos santos, a tua fidelidade. 



Quem, nos céus, poderá comparar-se ao Senhor? 
Quem, entre os deuses, se lhe poderá igualar? 



 Senhor, Deus do universo, quem é como Tu? 
Estás rodeado de firmeza e fidelidade. 



Tu dominas a fúria dos mares 
e amainas as suas ondas embravecidas. 



Esmagaste Raab como um cadáver, 
dispersaste os inimigos com o teu braço poderoso. 



O céu é teu, e tua é a terra; 
formaste o mundo e tudo o que ele contem. 



Tu criaste o Norte e o Sul; 
o Tabor e o Hermon cantam o teu nome. 



O teu braço é poderoso; a tua mão, robusta; 
excelsa é a tua mão direita. 



A retidão e a justiça são a base do teu trono; 
o amor e a fidelidade caminham à tua frente. 



Feliz da nação que sabe louvar-te, Senhor, 
que sabe caminhar na luz do teu rosto. 



Em teu nome rejubila a toda a hora 
e se gloria com a tua justiça. 



Na verdade, Tu és a nossa honra e a nossa força; 
com o teu favor alcançaremos a vitória. 



O nosso escudo é o Senhor; 
o nosso rei é o Santo de Israel! 



Bendito seja o Senhor para sempre! 
Amem! 



SILÊNCIO 



Desde muito cedo a devoção a virgem Maria passa a ser, como outros aspectos da vida da Santa, uma experiência dos seus mistérios, quando Deus faz entrar Santa Teresa em contacto com o mistério de Cristo de tudo o que a Ele pertence. 



Na experiência mística teresiana do mistério da Virgem há como uma progressiva contemplação e experiência dos momentos mais importantes da vida da Virgem, segundo a narração evangélica. 
Vamos agora escutar o que nos diz a Santa Teresa de Jesus nos Conceitos do Amor de Deus (Cap. 6, 7), sobre a Virgem Maria. 



SANTA TERESA DE JESUS FALA-NOS DE MARIA. 



Oh segredos de Deus! Aqui não há senão render entendimentos e pensar que para entender as grandezas de Deus, não valem nada. 
Aqui vem a propósito ajoelharmo-nos como fez a Virgem Nossa Senhora com toda a sabedoria que Deus lhe deu, que perguntou ao anjo quando A saudou: Como se fará isto? Em lhe dizendo: O Espírito Santo sobrevirá em ti, e a virtude do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra, não tratou de mais disputas. 
Como quem tinha grande fé e sabedoria, entendeu logo que, intervindo estas duas coisas, não havia mais que saber nem que duvidar.



(Conceitos do Amor de Deus, Cap. 6,7) 



Pai-Nosso 



Oração Final: 



Deus todo-poderoso, que, segundo o que anunciaste pelo anjo, quisestes que o teu Filho se encarnara no seio da Virgem Maria, escuta as nossas súplicas e faz que sintamos a proteção da Virgem Maria os que a proclamamos com firmeza Mãe de Deus. 



Cântico: 



Flos Carmeli, 
vitis florigera, 
splendor caeli, 
Virgo puerpera 
singularis. 



Mater mitis, 
sed viri nescia, 
Carmelitis, 
esto propitia, 
Stella maris. 


Fonte: http://www.carmelitas.pt/site/santos/santos_ver.php?cod_santo=22 
http://www.liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/NSCarmo.html

* Texto enviado pela Comissão de Espiritualidade da OCDS


quinta-feira, 13 de julho de 2017

13 de julho - Santa Teresa de Jesus dos Andes


Virgem
Carmelita Descalça 
 

A jovem que hoje a Igreja glorifica com o titulo de Santa é um profeta de Deus para os homens e mulheres do nosso tempo. Teresa de Jesus dos Andes põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, encarnado até às últimas exigências na sua própria vida.
Ela é, para a humanidade, prova indiscutível de que a chamada de Cristo à santidade é actual, possível e verdadeira. Ela ergue-se diante de nós para demonstrar que a radicalidade do seguimento de Cristo é o único que vale a pena e o único capaz de fazer-nos felizes.
Teresa dos Andes, com a eloquência duma vida intensamente vivida, confirma-nos que Deus existe, que Deus é amor e alegria, que é a nossa plenitude.

Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Baptismo foi-lhe dado o nome de Joana Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Familiarmente era conhecida, e é-o ainda hoje, pelo nome de Juanita.

Viveu uma infância normal no seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucia Solar; três irmãos e duas irmãs; o avô materno, tios, tias e primos.

A família gozava de boa posição económica e guardava fielmente a fé cristã que vivia com sinceridade e constância.

Joana recebeu a sua formação escolar no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Uma curta e intensa história passada entre a família e o colégio. Aos catorze anos, movida por Deus, já ela se decidiu a consagrar-se a Ele como religiosa, em concreto, como carmelita descalça.


Este seu desejo veio a realizar-se a 7 de Maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, a cerca de 90 kms de Santiago.

Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus.

Tinha intuído, havia muito, que morreria jovem. Melhor, o Senhor tinha-lho revelado, como comunicou ao confessor um mês antes da sua partida para Ele.

Assumiu este anúncio com alegria, serenidade e confiança, certa de que na eternidade continuaria a sua missão de fazer conhecer e amar a Deus.

Após muitas tribulações interiores e indizíveis padecimentos fisicos, causados por um violento ataque de tifo que lhe consumiu a vida, passou deste mundo para o Pai no entardecer do dia 12 de Abril de 1920. Tinha recebido com sumo fervor os santos sacramentos da Igreja e no dia 7 de Abril fez a profissão religiosa em artigo de morte. Faltavam-lhe ainda três meses para completar os 20 anos de idade e 6 para terminar o noviciado canónico e poder emitir juridicamente os votos religiosos. Morreu, portanto, sendo noviça carmelita descalça.

Esta é a trajectória externa desta jovem chilena de Santiago. Desconcerta e desperta em nós uma grande interrogação: Mas, que fez ela de importante? Para tal pergunta, uma resposta igualmente desconcertante: viver, crer, amar.

Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o que deviam fazer para cumprir as obras de Deus, Ele respondeu: " A obra de Deus é que acrediteis n'Aquele que Ele enviou " (Jo. 6, 28-29). Portanto, para aperceber-nos do valor da vida de "Juanita", é necessário assomar-nos ao seu interior, ali onde o Reino de Deus está.

Ela abriu-se à vida da graça desde mui tenra idade. E ela mesma que nos assegura que aos 6 anos, movida pelo Senhor, conseguiu centrar n'Ele toda a riqueza da sua afectividade. "Quando se deu o terramoto de 1906, pouco depois, Jesus começou a apoderar-se do meu coração" (Diario, n. 3, p. 26). Juanita aliava uma enorme capacidade de amar e de ser amada a uma extraordinária inteligência. Deus fê-la experimentar a sua presença, cativou-a dando-se-lhe a conhecer e fê-la totalmente d'Ele, unindo-a ao sacrifício da cruz. Conhecendo-O, amou-O; e amando-O, entregou-se radicalmente a Ele.

Tinha compreendido, já desde pequena, que o amor se mostra mais com obras que com palavras. Por isso traduziu-o em todos os actos da própria vida, desde a sua motivação mais profunda. Olhou-se a si mesma de frente com olhos sinceros e sábios e compreendeu que, para ser de Deus, era necessário morrer para si mesma e para tudo o que não fosse Ele.

Por natureza era totalmente adversa às exigências do Evangelho: orgulhosa, egoísta, teimosa, com todos os defeitos que isto supõe. Como nos acontece a todos. Mas o que ela fez de diferente foi não esmorecer nunca na luta encarniçada contra todo o impulso não nascido do amor.

Aos 10 anos era uma nova pessoa. Motivava-a o sacramento da Eucaristia que ia receber.

Compreendeu que era Deus que ia morar dentro dela; e isso fê-la empenhar todo o esforço em ornar-se das virtudes que a fizessem menos indigna desta graça e conseguiu, em pouquíssimo tempo, transformar por completo o seu carácter.

Na celebração deste Sacramento recebeu de Deus graças místicas de falas interiores que persistiram ao longo de toda a vida. Desde então, a inclinação natural para Deus transformou-se nela em amizade, em vida de oração.

Quatro anos mais tarde recebeu interiormente a revelação que iria orientar definitivamente toda a sua vida: Jesus Cristo disse-lhe que a queria carmelita e que a sua meta tinha de ser a santidade.

Com abundante graça de Deus e a generosidade duma jovem apaixonada, entregou-se à oração, à aquisição das virtudes e à prática da vida segundo o Evangelho, de tal modo que em breves anos foi elevada a alto grau de união com Deus.

Cristo foi o seu ideal, o seu único ideal. Enamorou-se d'Ele e foi consequente até crucificar-se em cada momento por Ele. Invadiu-a O amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Quem a havia cativado. Assim, aos 15 anos fez voto de virgindade por nove dias, que renovou depois continuamente.

A santidade da sua vida resplandeceu nos actos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou.

Sendo jovem igual a todas as suas amigas, estas reconheciam-na diferente. Tomaram-na por modelo, apoio e conselheira. Juanita sofreu e gozou intensamente em Deus as penas e alegrias comuns a todas as pessoas.

Jovial, alegre, simpática, atraente, desportista, comunicativa. Adolescente ainda, alcançou perfeito equilíbrio psicológico e espiritual, como fruto de ascese e oração. A serenidade do seu rosto era o reflexo do Deus que nela vivia.

A sua vida no convento, de 7 de Maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada.

Bem depressa a Comunidade descobriu nela a passagem de Deus na sua própria história. No estilo de vida carmelitano-teresiano, a jovem encontrou plenamente o espaço por onde derramar, com a maior eficácia, a torrente de vida que ela queria oferecer à Igreja de Cristo. Era o mesmo estilo de vida que, a seu modo, vivera na família e a que se sentia chamada. A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe.

Foi beatificada em Santiago do Chile por Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 3 de Abril de 1987. Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho recto para Deus.

Santa Teresa de Jesus nos Andres é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Avila, de Florença e de Lisieux.

Fonte: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19930321_teresa-de-jesus_po.html

*Texto enviado pela Comissão de Espiritualidade OCDS
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