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| VIRGEM DEL CARMEN |
Santuário da "Virgen del Carmen" - Monte Carmelo, em Haifa (Israel).
Unidos à Bem-Aventurada
Virgem Maria do Monte Carmelo, com São José!
Ao celebrarmos neste dia a Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, trazemos em nós a certeza de seu lugar bem preciso no plano da salvação, porque, “ao chegar à plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob a Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que nós recebêssemos a adoção de filhos. E porque vós sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá! Pai!” (Gl 4, 4-6). Esta "plenitude" indica o momento, fixado desde toda a eternidade, em que o Pai enviou o seu Filho, "para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Ela designa o momento abençoado em que "o Verbo, que estava junto de Deus, se fez carne e habitou entre nós" (cf. Jo 1,1.14), fazendo-se nosso irmão. Esta "plenitude" marca o momento em que o Espírito Santo que já tinha infundido a plenitude de graça em Maria de Nazaré, plasmou no seu seio virginal a natureza humana de Cristo. A mesma "plenitude" denota aquele momento, em que, pelo ingresso do eterno no tempo, do divino no humano, o próprio tempo foi redimido e, tendo sido preenchido pelo mistério de Cristo, se torna definitivamente "tempo de salvação". Ela assinala, ainda, o início arcano da caminhada da Igreja. (cf. S. J. Paulo II, 1889)
Com a Virgem Maria nos colocamos num permanente caminho de subida ao Monte que é Cristo, subida que vai além deste tempo, subida que acontece através da oração, da escuta atenta da Palavra de Deus, sobretudo, uma subida que conduz à eternidade. É uma verdadeira “peregrinação da fé”. O Concílio sublinha que a Mãe de Deus já é a realização escatológica da Igreja: "na Santíssima Virgem ela já atingiu aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Et 5, 27)" - e, simultaneamente, que "os fiéis ainda têm de envidar esforços para debelar o pecado e crescer na santidade; e, por isso, eles levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a comunidade dos eleitos". A peregrinação da fé é algo que já não pertence à Genetriz do Filho de Deus: glorificada nos céus ao lado do próprio Filho, a sua união com o mesmo Deus já transpôs o limiar entre a fé e a visão "face-a-face" (1 Cor 13, 12). Ao mesmo tempo, porém, nesta realização escatológica, Maria não cessa de ser a "estrela do mar" (Maris Stella) para todos aqueles que ainda percorrem o caminho da fé. Se levantam os olhos para Ela nos diversos lugares onde se desenrola a sua existência terrena, fazem-no porque Ela "deu à luz o Filho, que Deus estabeleceu como primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8, 29) e também porque "Ela coopera com amor de mãe" para "a regeneração e educação" destes irmãos e irmãs. (cf. S. J. Paulo II, 1889)

Como “filhos da Igreja” e irmãos no Carmelo Descalço, reconhecemos na figura da Virgem Maria as prerrogativas no modelo de escuta e de fidelidade ao Senhor e de serviço aos irmãos; “modelo perfeito desta vida espiritual e apostólica”; rainha dos Apóstolos e nossa: levando, na terra, uma vida semelhante a de todos, que em dos os momentos se manteve unida a seu Filho e de modo singular cooperou na obra do Salvador” (cf. AA 4). É ela também, modelo de oração e abnegação para o caminho da fé, e modelo de docilidade aos impulsos do Espírito Santo. (cf. Est. OCDS I) Intimamente unida à ação do Espírito Santo, está a ação da Virgem Maria. Mãe de Cristo e nossa Mãe, ela está envolvida com a vida espiritual de cada um, mas, especialmente com a daquele que é chamado à vida no Carmelo. Sob sua proteção, evidenciada no Carmelo pelo escapulário, todos os que estão em formação na Ordem são protegidos e formados espiritualmente. Maria, a Mãe dos que crêem, é para nós um modelo de contemplação comprometida e profética. Ela, com um discernimento iluminado acolheu a Boa Nova e empreendeu prontamente suas demandas. Ela velou a Palavra, meditando-a em seu devotado coração, proclamou-a livre e corajosamente no Magnificat. Este seu exemplo contemplativo-apostólico deve ser realçado no percurso da formação, para ajudar os que estão em formação a entender e praticar o que realmente significa seguir a Jesus Cristo. Maria é modelo perfeito de um discípulo do Senhor. (cf. Ratio Instituitiones 17)
É da máxima conveniência, antes de mais nada, que os exercícios de piedade para com a Virgem Maria exprimam, de maneira clara, a característica trinitária e cristológica que lhes é intrínseca e essencial. O culto cristão, de fato, é por sua natureza, culto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ou, conforme se expressa a Liturgia, ao Pai por Cristo no Espírito. Nesta perspectiva, torna-se ele extensivo, legitimamente, se bem que de maneira substancialmente diversa, em primeiro lugar e de modo singular, à Mãe do Senhor, e depois aos Santos, nos quais a Igreja proclama o Mistério Pascal, por isso mesmo que eles sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados. (PP. Paulo VI, 02/02/1974). Neste culto de louvor à Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, unimo-nos, portanto, para reconhecer o aspecto da oração de Nossa Senhora particularmente considerado e amado pelo Carmelo é o que assumiu aos pés da cruz, quando Jesus agonizante a proclama Mãe dos homens, dizendo a João, e nele a todos os homens: "Eis tua mãe" (Jo 19,27). Naquele momento atinge a oração de Maria o vértice da oferta sacrifical. Oferece ao Pai o amadíssimo Filho pela salvação dos novos filhos confiados ao seu amor materno. À oferta do Filho, une a sua, intimamente associada à paixão. Revivermos a oração de Maria significa acompanhar a nossa com o nosso sacrifício, até transformá-la em oblação de nossa pessoa unida à da Mãe bendita e do divino Filho. Eis a oração que, como a de Maria, atrai o Espírito Santo sobre a Igreja, obtém graça e salvação para toda a humanidade e dá glória a Deus. (Frei Gabriel de S. M. Madalena)

Nesta gloriosa festa da Rainha do Carmelo, damos destaque ao seu castíssimo esposo São José, como convidado especial. Ele que fora escolhido por Deus como chefe da modesta Família de Nazaré, na qual se deu o mistério da Encarnação do Verbo, que neste ano encontra um lugar indulgenciado nos festejos de toda a Igreja, celebrando os 150 Anos de seu patronato na Igreja Universal. Como filhos de Santa Teresa de Jesus no Carmelo Descalço, recordamos por assim dizer que as portas do Carmelo, bem como de nossos corações estarão sempre guardadas por Nossa Senhora e São José, tendo a Cristo caminhando conosco (Vida 32,11). Com a sensibilidade típica do carisma contemplativo do Carmelo, a antiga liturgia celebrava a pureza da Virgem e de São José em termos de disponibilidade a Deus, que torna possível a acolhida do mistério da Encarnação. São José, portanto, é considerado o protetor da virgindade de Maria, segundo a antiga liturgia do Carmelo, que celebrava também sua união nupcial. Nesta união, a fruição da vida mística apresentada em termos de concebimento e nascimento do Verbo Encarnado na alma pura na Mãe de Deus, São José é celebrado como o espelho da vida mística carmelitana em Deus. E nele o Carmelo encontra um compêndio de sua espiritualidade: A pureza de coração (puritas cordis) que torna possível a visão de Deus (Carta à família carmelitana, 2020).

Unidos à Bem-Aventurada
Virgem Maria, com São José!
Unidos à Bem-Aventurada Virgem Maria, com São José, que soube desempenhar com fidelidade o seu papel de guarda e administrador do mistério da salvação, como um verdadeiro servidor de Jesus, todo Carmelita Secular deverá nutrir devoção filial a São José, e a ele fará orações diante dos desafios vivenciais diários, tendo-o como modelo de esposo, de pai e de trabalhador em meio à realidade secular. (cf. Estatuto OCDS I). Com este pensamento, realçamos abaixo, pontos doutrinários e históricos para a Igreja, para o Carmelo e para todo cristão, a respeito da intrínseca relação da Virgem Maria, com São José, neste mistério de salvação merecida por Jesus Cristo.
Depois da Virgem Mãe de Deus,
roguemos a São José!
“Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como pão descido dos céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis. (PP. Pio IX, 08/12/1870)
Deus ouve as nossas orações, por meio da Virgem Mãe de Deus e São José!
"Para que Deus seja mais favorável às nossas orações, e para que venha misericordiosa e prontamente em auxílio da sua Igreja, Julgamo-nos de profunda utilidade para o povo cristão, para invocar continuamente com grande piedade e confiança, juntamente com o Virgem-Mãe de Deus, sua casta Esposa, a São José; e temos plena certeza de que isso será para o maior prazer da própria Virgem”. (PP. Leão XIII, 15/08/1889)
“O culto à Sagrada Família”
“Com o florescimento da devoção dos fiéis a São José, aumentará ao mesmo tempo, como necessária conseqüência, o culto à Sagrada Família de Nazaré, da qual ele foi o augusto chefe, brotando estas duas devoções uma da outra espontaneamente, dado que por São José nós vamos diretamente a Maria, e por Maria à fonte de toda santidade, Jesus Cristo, o qual consagrou as virtudes domésticas com a sua obediência para com São José e Maria”. (PP. Bento XV, 25/07/ 1920)
“A serviço da Santa Igreja”
“Que vosso espírito interior de paz, de silêncio, de bom trabalho e de oração, a serviço da Santa Igreja, nos vivifique sempre e nos alegre em união com vossa santa Esposa, nossa dulcíssima Mãe Imaculada, num fortíssimo e suave amor a Jesus, Rei glorioso e imortal dos séculos e dos povos". Assim seja. (PP. S. João XXIII. Devoção a São José, Padroeiro do Concílio Vaticano II)
“A participação do Esposo de Maria
no mistério divino”
“A participação do Esposo de Maria no mistério divino permitirá à Igreja, na sua caminhada para o futuro juntamente com toda a humanidade, reencontrar continuamente a própria identidade, no âmbito deste desígnio redentor, que tem o seu fundamento no mistério da Encarnação... José de Nazaré «participou» como nenhuma outra pessoa humana, com exceção de Maria, a Mãe do Verbo Encarnado. Ele participou em tal mistério simultaneamente com Maria, envolvido na realidade do mesmo evento salvífico, e foi depositário do mesmo amor, em virtude do qual o eterno Pai «nos predestinou a sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo» (Ef 1, 5)”. (S. J. Paulo II, 15/08/1989)
NOSSA SENHORA DO CARMO,
Esplendor e Formosura do Carmelo,
Intercedei por nós!
GLORIOSO SÃO JOSÉ,
Rogai por nós!
Por Estela da Paz, OCDS.
(Com. São José, Petrópolis/RJ)
Comissão de História,
de Espiritualidade
e de Formação.
Referências:
Carta à família carmelitana, 2020.
QUEMADMODUM DEUS - Decreto de S.S. o Papa Pio IX. Proclamando São José como Patrono da Igreja, 08/12/1870.
CARTA ENCÍCLICA QUAMQUAM PLURIES, SOBRE A DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ. do PP. LEÃO XIII, 15/08/1889.
BONUM SANE - Carta Encíclica de S.S. o Papa Bento XV, 25/07/1920.
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA REDEMPTORIS CUSTOS. S. JOÃO PAULO II - SOBRE A FIGURA E A MISSÃO DE SÃO JOSÉ NA VIDA DE CRISTO E DA IGREJA. Em, 15 de Agosto de 1989.