Frei Patrício Sciadini, ocd
JOÃO DA CRUZ é um místico de quem
não podemos duvidar. Ele diz que a saúde da alma é ser totalmente “ferida”
pelos desejos da felicidade de Deus. Buscar a felicidade é o desejo mais
profundo do ser humano. Não podemos viver sem ela. Nós a buscamos com todos os
modos e por todos os caminhos. A felicidade não pode ser somente interior mas
deve ser total, de todo o nosso ser.
Aqui
do Egito vi noticias alarmantes no amado Brasil e na amada São Paulo. O povo,
os jovens, “indignados, insatisfeitos” por tantas coisas que acontecem por aí.
É verdade que em todas as manifestações se intrometem baderneiros que gostam de
ver “o circo pegar fogo” e andam sempre “com uma garrafa de gasolina e com
fósforo” para que as chamas sejam maiores. Eu quando era mais jovem, o que mais
gostava era de polêmica, de desentender-me com os outros..agora com 69 anos
mais ou menos bem vividos a serviço dos outros e de Deus, prefiro a vocação de
ser bombeiro. Apagar o fogo para acalmar os ânimos.
Mas é
necessário reconhecer que a vida não pode ser madrasta, deve ser mãe que cuida
de nós. Em tudo. Como se pode ser feliz sem pão na mesa? Sem recursos na
doença? Sem uma casinha onde se pode dizer “este pedacinho de terra é meu”. Ou
sem ter como pagar as coisas e poder estar capacitado a acompanhar os aumentos
em todos os setores? Os governantes tem o dever não de piorar a vida mas de
melhorá-la. Não é só no Brasil, o movimento dos chamados “indignados” está se
alastrando por todos os países, desde a Espanha, a Itália, a África, a Índia, o
Japão...a América Latina, o Brasil.
Colocar
um freio? Sem duvida é possível mas não com a violência e a forca. Mas com leis
que favoreçam o bem estar do povo. Que se “desinche” o bolso de quem tem mais
para dar um pouco a quem não tem nada. Jesus não pregou nem a riqueza nem a
miséria e nem a pobreza; pregou a justiça e disse: quem “gratuitamente recebeu,
gratuitamente a deve dar”. E quem tem duas túnicas reparte com quem não tem
nada. O caminho não é a violência nem do lado dos indignados e nem do lado do
poder; o caminho é sentar juntos, olhos nos olhos e encontrar saídas que sejam
dignas e respeitosas do ser humano nas suas necessidades básicas.

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