segunda-feira, 3 de agosto de 2020

CARMELO DESCALÇO SECULAR – CONTEMPLAÇÃO E AÇÃO NA HISTÓRIA - Parte 1


Gustavo Graciano de Santa Teresa de Jesus, ocds
Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus 
e da Santa Face – Camaragibe, PE



Jesus denuncia a dicotomia entre o saber e o amor: “porque dizem mas não fazem”. (Mt 23,3)

Justificativa do estudo

Ao longo dos últimos dois ou três anos tem-se agudizado desconfortos em vários nossos Grupos e Comunidades, provocados por membros novos e também pelos antigos na Ocds, por assumirem atitudes em defesa de temas ou posicionamentos não conformes com as orientações do Magistério da Igreja no âmbito social. Mais até, chegando a não aceitar abertamente ações de colegiado episcopal - a CNBB - constituído pelo Papa para encaminhar a pastoral evangelizadora em nosso Brasil.

            Tais atitudes são disseminadas por pessoas de diversas orientações, de fora da Igreja e até de dentro, posicionamentos encontrados nas redes sociais. Não bastante isso, – observa-se – que tais posicionamentos repercutem e não raro encontram uma certa guarida dentro dos Grupos e Comunidades, quer por ignorância dos assuntos, por curiosidade ou por inércia em esclarecê-los, quer porque, para evitar de expandir-se o mal-estar, acaba-se acolhendo-o, e acontecem discussões indesejáveis ou até rupturas irreparáveis ao tecido comunitário por si só já tão frágil e sem consistência. Em todo o caso, tais ideias e atitudes trazem insegurança para os mais fracos, e sua difusão, sem dúvida, distorcem a visão e a prática dos objetivos da existência dos Grupos e Comunidades conforme estão propostos pela própria Ordem do Carmelo Descalço Secular, e estabelecidos em suas Constituições. Ao fim e ao cabo, distorcem a Palavra de Deus e afetam a fé católica.

            Além disso, nessas ocasiões se percebe as fragilidades do nosso processo formativo, desde os primeiros contatos com pessoas interessadas, quando lhes expomos a identidade da Ordem Secular, seguido do período de aproximação, e até pelo que percebem de incoerência na prática cristã nos antigos membros, de inconformidade com as Constituições, que dizemos aceitar e querer viver.


DO QUE SE TRATA, AFINAL?

Desta não-corformidade se tratará aqui em busca de uma renovação, pois todos somos responsáveis de servir de alicerce para os que virão depois, no dizer da Santa Madre Teresa de Jesus. Em particular, se trata de católicos em geral e membros da Ordem Secular que estranham ou até rejeitam a dimensão social da evangelização como doutrina da Igreja. Para esses a vida espiritual se resume a uma relação espiritual - da chamada “vida interior” - de forma e conteúdo religioso, pela oração, meditação pessoal, leitura de assuntos religiosos, por exemplo. Para esses, até aí a Igreja caminha bem, mas não se imiscua no âmbito social, econômico, muito menos no campo político.

            O querido Frei Patrício Sciadini ocd, no seu precioso livro “O mundo é o meu Carmelo”1, - já a partir do título e do próprio índice de matérias - em sua nova edição (2018), resume de várias maneiras a identidade do carmelita descalço leigo. Igualmente preciosa é a Apresentação escrita na mesma edição pelo nosso Delegado Geral para o Carmelo Secular, Frei Alzinir Francisco Debastiani ocd.

Logo de início, o Frei Patrício deixa claro:

            “O Carmelo Descalço Secular não é uma piedosa associação que se reúne somente para rezar ou ler os escritos dos místicos do Carmelo. Nos encontros de meditação e oração, traça um projeto de compromisso de vida, na vivência do Evangelho. O carmelita, seja qual for a sua pertença à Ordem: frade, monja, leigos, não tem medo da conflitividade da vida, nem vive desinteressado dos problemas que afligem os mais pobres.”

            Continua o Frei Patrício:

            “Sem oração, silêncio e “deserto”, não teremos profetas corajosos, mas todo profeta sabe que, depois de estar no deserto, é chamado a descer do monte2 e estar presente na cidade, nas ocupações ordinárias da vida: na política, economia, trabalho, na família e na estrada para dar testemunho de Jesus.” E cita a Exortação do Papa Francisco3 “Gaudéte et Exsultáte” 144,148-149 (op.cit. p.13-14).

            Essa aparente antinomia entre a “fé e vida” – veremos ser falsa – como trata frei Patrício no capítulo intitulado “O Carmelo é ser ou fazer”. É falsa “e tem provocado tantos desentendimentos ao longo da história e tantas crises de identidade, não tem razão de existir nem na Igreja nem no Carmelo. Todo ser autêntico leva a agir, e todo agir que seja iluminado pela força de Deus leva à oração... No dizer da Santa Madre Teresa não há dicotomia entre “Marta e Maria” (Lc 10,38-42), mas sim um profunda unidade.”

            E o citado livrinho, entre as características do carmelita descalço secular –  depois de tratar da busca de Deus, e viver no seguimento de Jesus Cristo, meditando “dia e noite” a Palavra de Deus – logo explicita:

“Escuta a voz do Espírito que lhe pergunta como a Elias na gruta: ‘Que fazes tu aqui, Elias?’ – Ele sabe que é necessário voltar para ‘Damasco’, sinônimo de compromisso com a cidade onde deverá dar o seu testemunho de vida nos novos areópagos da descrença (item 8).” Também, noutra característica semelhante (item 5), acrescenta: “Cada comunidade dos carmelitas descalços seculares deve procurar realizar um trabalho socio-religioso ao serviço dos mais pobres e necessitados. A opção preferencial pelos pobres, feita pela Igreja e pela Ordem, deve ser assumida pelo mesmo Carmelo Secular.”

São tais posicionamentos que trazem o desconforto que acima referimos. Trazem também desencontros, resistências e, por vezes, discussões dentro de reuniões dos Grupos e Comunidades, Congressos, Cursos.

Precisamos entrar no assunto, aprofundá-lo para compreendê-lo e buscar caminhos de solução. Ele assume formas diversas e leva a atitudes pessoais e eclesiais por vezes bem distantes do Evangelho, no seio dos cristãos em geral. Também acontece na Ordem Secular. Em outros escritos já indiquei várias ocorrências nesta linha. O próprio Conselho Provincial já teve que tomar atitudes corretivas aqui e ali. O 5º Módulo da Escola “Edith Stein”, sobre a Doutrina Social da Igreja, foi criado em 2019 para acudir às lacunas sentidas. Parece não ter tido um resultado compensatório.

Recentemente, no XV Congresso N/Ne da Ordem Secular (11-14 junho 2020), realizado virtualmente por causa da pandemia de Covid-19 – após a palestra do Frei Patrício, foi oferecida a oportunidade aos participantes de formularem perguntas. Logo a 1ª questão apresentada já revelava o “incômodo” que aqui a referida dicotomia provoca:

Participante: “Frei Patrício, como o Sr. vê o Carmelo diante dessas Pastorais Sociais? Nossa proposta de vida de oração, como fica?”

Frei Patrício: “Ah! É o meu sonho! Isto é a evangelização no mundo de hoje.”

Minha observação: A pergunta revela o rechaço da ação social por católicos, como imprópria à sua vida eclesial. Não deve ter agradado a resposta dada pelo Frei Patrício, muito menos sua continuação:

Frei Patrício: “Não são duas pastorais. Irmãs não brigam o dia todo. Além do que, nossa Santa Madre nos pede ‘obras quer o Senhor!’ (5Moradas 3,9-11; C.P. 15,6). Ainda “Se há amor, logo aparecem obras” (Carta 37: 2,7).”

Continua o Frei Patrício: “É preciso ter consciência da realidade de hoje. Isto já é compromisso político do cristão; não quer dizer político partidário. O Papa João Paulo II nos urge a trabalhar pela cultura da vida. Em resumo, Pastorais Sociais e oração não são inimigas. Para Santa Teresa, Marta e Maria, do Evangelho, andam juntas.”

Vamos, pois aprofundar estes assuntos para melhor chegarmos juntos a ter clareza da nossa identidade como cristãos carmelitas teresianos seculares, sem confusão nem ambiguidades. Para isto, consideraremos os seguintes pontos, a saber:

1º Ponto – A dicotomia entre “fé e vida” – raízes e consequências.

2º Ponto – Nossa identidade como cristãos.

3º Ponto – Em Santa Teresa, a unidade de vida.

4º Ponto – O Carmelo com a Igreja nos quer leigos presentes à história e à vida – para

                  implantar o Reino de Deus.

5º Ponto – Voltando à questão da dicotomia “fé e vida” – o que indicam os principais

                  textos normativos do Carmelo Secular?

6º Ponto – Os desafios e cuidados da formação na Ordem Secular.

7º Ponto – Em busca de conclusão.

 

1º PONTO – A DICOTOMIA ENTRE “FÉ E VIDA” – RAÍZES E CONSEQUÊNCIAS



            Na realidade concreta, a verdadeira contemplação é inseparável da vida e do dinamismo da vida – que inclui, família, trabalho, produção econômica, lazer, política, enfim tudo. É errado imaginar que para se levar a vida espiritual seja preciso abster-se de toda espécie de ação que não seja religiosa.

            Não se deve pensar que a vida de oração como uma área separada da vida, isolada de todos os demais interesses e necessidades do homem. Além disso, quem pensa assim entra num campo ilusório pois a contemplação é a própria plenitude de uma vida cristã inteiramente integrada. O problema como se coloca, faz o ser humano dividido como que em compartimentos separados entre o “sagrado” e o “profano” – o que é uma divisão simplista. É uma infeliz ruptura, inaceitável.

Essa dicotomia “fé e vida” tem raízes filosóficas históricas, dentro e fora da Igreja. Em certos momentos assume ares de ideologia a marcar comportamentos pessoais e sociais, inclusive; chega a estruturar sociedades políticas, com separação de classes e rígida hierarquia, pela distribuição de tarefas entre aqueles que “pensam, organizam ideias e mandam” e os que devem “trabalhar com as próprias mãos” e devem obedecer aos primeiros. Dentro da Igreja, ao longo dos séculos deixou suas marcas. Por exemplo, a Ordem Franciscana fundada por São Francisco no século XIII, chamou-se – e guarda até hoje o nome – de Ordem dos Frades (irmãos) Menores. Menores por que? Porque não tinham propriedades, nem títulos de valor social. Porque não tinham direitos na sociedade, como os pobres operários da época. Os senhores feudais eram chamados “os maiores” e não trabalhavam; e os comerciantes, manufatureiros, remediados, ficavam pelo meio da pirâmide social, os “medíocres”. Outro exemplo, até o século V houve bispos negros na África, como Sto. Agostinho de Hipona, São Cirilo de Alexandria. Depois não mais até o Papa Bento XV (por volta de 1917), que resolveu ordenar um. Nem vamos aqui trazer a questão dos argumentos que “justificaram” a bula papal autorizando a escravidão de negros africanos durante a colonização do Novo Mundo. Passamos por tais aberrações anti-evangélicas; que não sejam justificadas, mas procuradas correções à luz do Evangelho de Cristo.

            Voltemos às raízes da dicotomia.

A citada influência da língua e cultura grega nos primeiros quatro séculos da Igreja nos deixaram seus ranços e visões. Influenciaram uma compreensão distorcida1 de espiritualidade, com desprezo de tudo o que se referisse à vida material, ao corpo, diferentemente da compreensão bíblica, pois segundo esta tradição, a “vida segundo o espírito”, “vida espiritual”, não se contrapõe à “vida material”, “vida corporal”, distinção essa estabelecida pelo dualismo corpo-alma da cultura grega. Segundo a Bíblia, que tem, portanto, a sua origem na cultura hebraica, a vida espiritual é a vida do ser humano todo inteiro.

É pena que, já nos primeiros séculos, o Cristianismo em seu diálogo com a cultura do tempo se tenha deixado contaminar por certa maneira de pensar que estava bem distante da Bíblia.

A partir disto, então, veio o resto de distorções para dentro da nossa vida eclesial.

Um pano de fundo para se analisar o assunto trata da unidade do ser humano (corpo, espírito – alma, mente), integralmente homem e mulher.

Esta unidade do ser humano, trazida pela reflexão aristotélica, assentará as bases do axioma aristotélico-tomista segundo o qual – na sua formulação latina – ‘nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensibus’ – nada existe no ‘espírito’ do homem que não tenha passado pelos sentidos de alguma forma. Depois disso, sim, o homem é capaz de associar, deduzir, concluir, chegar a algo mais na sua compreensão da realidade, sendo ela própria a base segura do processo de seu desenvolvimento.

Dentro desse contexto greco-cristão, o padre carmelita tcheco Vojtech Kodet4, O.Carm, desenvolve sua pesquisa sobre a interpretação errônea formulada por um autor cristão do século III, Orígenes (185-253dC), seguido de outros, sobre o texto evangélico que narra o encontro de Jesus com Marta e Maria na sua casa em Betânia (Lucas 10,38-42). Assim, teve início um processo interpretativo com distorções graves pelas consequências sócio-eclesiais e pastorais que marcaram a Igreja por séculos e ainda estão fortemente presentes, apesar das correções assumidas no século passado pelo Concílio, pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Bento XVI. Tais interpretações explicarão as dificuldades referentes à sua vida de oração, assinaladas mais acima, sentidas por cristãos leigos no cotidiano de suas vidas de trabalho, de sociedade. Convém se realizar uma leitura do texto evangélico para facilitar a compreensão do que se vai indicar a seguir, sobre as consequências dessas interpretações errôneas na elaboração de verdadeiras ideologias, distanciadas ou desprovidas de todo de base evangélica, por seu conjunto.

Portanto, a partir do aspecto ideológico elaborou-se um antagonismo entre as duas irmãs da cena evangélica em Betânia.

Uma série de deduções errôneas foram tiradas, como:

a) a superioridade de Maria sobre Marta, e então, de cristãos mais dignos que outros.

b) a superioridade do trabalho intelectual, espiritual, sobre o trabalho braçal, servil.

c) a estruturação de dois diferentes modos de vida de cristãos: o monacal (monges nos mosteiros) e o laical (demais cristãos que vivem no mundo, por vezes, inclusive, o clero secular). E pior: os primeiros, vistos como cristãos mais perfeitos, verdadeiros e santos. Suposta superioridade da “vida contemplativa” sobre a “vida ativa”.

d) ainda criando-se como que duas classes de cristãos - quer dizer, compreendidos como ascetas e não-ascetas (monges ‘versus’ leigos) seriam diferentes em natureza: os monges viviam uma vida sobrenatural porque a eles não se admitia o matrimônio, a geração de filhos, a posse de bens e riquezas.

e) daí não demorou muito para o matrimônio não ser concebido como uma circunstância para se viver uma experiência do amor de Deus através do amor humano, nem como espaço para colaboração com Deus. Passou apenas a ser como que tolerado, ambiguamente, porque permitido a atender a necessidade de procriação.

f) no rastro disso, se gerou além da oposição ‘espírito x corpo’ chega-se a pensar a matéria e tudo que for do mundo material como inferior e marcado pela negatividade, conduzindo ao pecado, como sendo contra Deus.

g) a desvalorização do corpo humano: sob várias formas, como, as ‘mortificações’ de todos os prazeres e das necessidades corporais... até o exaltar o abandono das relações (espirituais) familiares, frequentemente; a exaltar a renúncia à própria vontade e chegou-se até a exigir a renúncia da instrução de leigos, considerada sabedoria mundana; (e por que não, também a catequética e espiritual, quando o acesso às fontes da revelação esteve por séculos restrito a poucos, senão vedado de todo, pela barreira do latim ou do gênero?). O celibato e a virgindade foram considerados como o ideal maior da vida cristã, identificação essa distante do evangelho.

h) daí, a necessidade de desprender-se de todo o material, de negar o corpo “como atitude de amor a Deus”, “mortificar-se” para se viver as “coisas do espírito”, assim ditas; isto influencia até nossos dias o conceito da “prática da penitência”... restrita a atos externos sem correspondência com uma mudança da mente e das atitudes.

i) foi se desenvolvendo uma espiritualidade intensamente repressora do corpo, dos prazeres corporais e materiais, uma desvalorização do trabalho humano, o desprezo das realidades do mundo, considerando-se, por vezes, até a família como um obstáculo e, pior ainda, particularmente a sexualidade humana; a incentivar a deixar-se a família para servir a Deus.

j) também não escapou a compreensão do sentido do trabalho humano, visto como “penitência”, quando não até como um castigo imposto por Deus e não como ocasião de participação na obra da Criação do Senhor, nem como instrumento de transformação do mundo e da sociedade conforme o plano divino, ou como meio importante e até necessário para o ser humano se autorrealizar enquanto coparticipante do Projeto do Universo.

k) no rastro dessa interpretação equivocada da referida cena evangélica de “Marta e Maria”, desenvolveu-se também, sobretudo a partir do IV século a mentalidade de “fuga do mundo” (latim, ‘fuga mundi’), apresentado como uma virtude  -  traindo certa medida de desprezo do mundo (latim, ‘contémptus mundi’)  -  que, em geral, desestimulou cristãos de assumirem suas responsabilidades para com o mundo. Por outro lado, esse desprezo fez com que se desse as costas ao encontro com Deus no cotidiano da vida comum, fora de uma atividade expressamente ‘religiosa’, o sagrado restrito apenas aos ritos religiosos, o resto da vida seria ‘profano’, ausente de Deus. Não se via que Jesus “veio ao mundo (para salvá-lo), não fugiu do mundo; apenas dos movimentos e barulhos dele retirava-se de vez em quando para orar em solidão (cf. Lc 5,16). Muito pelo contrário, Jesus queria que seus discípulos ficassem no meio do mundo (Jo 17,11.14.-15) no lugar onde foram chamados à fé (1Cor 7,20).

Na “fuga mundi” se estimularia o abandono do serviço comunitário e se enfatizaria o individualismo no ‘processo salvífico’.

l) além da oposição ‘espírito versus corpo’ chega-se a pensar a matéria e tudo que for do mundo material como inferior e marcado pela negatividade, conduzindo ao pecado, como sendo contra Deus.

A consequência inevitável de tal compreensão entre “aqueles que escolhiam a melhor parte” era de que eram superiores aos outros. E aos demais leigos sobrava um complexo de inferioridade, porque vivendo no mundo eram considerados cristãos de segunda categoria.

Isto, ainda mais constrangia as pessoas e marcavam suas consciências porque esteve estruturado em costumes, leis eclesiásticas e civis, num período cultural europeu conhecido como regime de “Cristandade”.

Através da Idade Média e toda a Escolástica até a teologia dos Conselhos Evangélicos para os ‘eleitos’ e o privilégio absoluto atribuído ao celibato e à virgindade, tudo isso esteve e de certa forma persiste assim até meados do século XX, e ainda hoje. Não raro escutamos padres e até alguns bispos trazerem tais comentários sobretudo em sermões de consagração de religiosos(as).

O cristão que vivia no mundo (chamado de leigo em contraposição ao clérigo), foi considerado como um débil pois havia escolhido a mediocridade, a sujeição à carne, ou, quando muito, contentando-se em viver na modernidade “com o coração dividido”.


(Continua...)


Referências Bibliográficas (ordenadas conforme sequência no texto)

            * Título: Constituições Ocds, III-A 

1.       PATRÍCIO SCIADINI, Frei, ocd. “O Mundo é meu Carmelo”. Edç.OCDS, 2ª Ed., SP, 2018.

2.      BASÍLIO MAGNO, São, (330-379). Natural da Capadócia. Doutor da Igreja do Oriente, monge e bispo. “Regras Monásticas”. Edt. Vozes, Petrópolis, RJ, 1973. Uma de suas características é o serviço do próximo em obras de caridade fora do mosteiro.

3.       FRANCISCO, Papa. “A Chamada à Santidade no Mundo Atual” (“Gaudéte et Exsultáte”. Exortação Apostólica publicada na Festa de São José, em 19 de março de 2013. Edç.Paulinas, SP, 2013.

4.       VOJTECH KODET, Frei, O.Carm. - Distorções essas pesquisadas pelo padre carmelita tcheco, doutor em espiritualidade pela Universidade “Theresianum” de Roma. Escreveu uma preciosa obra sobre isto que estamos tratando aqui, referente a vida espiritual dos leigos na Igreja. O livro intitula-se “Marta e Maria” e tem como subtítulo “Uma leitura um pouco diferente da ação e da contemplação”, Edt. Vozes, Petrópolis, RJ,  2010.

5.       Mensagem do Papa Francisco ao Card. Rylko, Prsidente do Pontifício Conselho para os Leigos, por ocasião do cinquentenário do Decreto Conciliar “Apostolicam Actuositatem”, Roma, 22-10-2015.

6.       FRANCISCO, Papa.  “Alegria do Evangelho: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual”. (“Evangélii Gáudium”). Exortação Apostólica publicada na Festa de Cristo Rei, em 24 novembro de 2013, 1º ano do pontificado). Edç. Paulinas, SP, 2013.

7.       MADELEINE DELBREL, leiga (24.10.2004-13.10.1964). “Nós, Gente das Ruas”, “A Conversão do Coração”, “Alcide: Guia Simples para Simples Cristãos”, “Cidade Marxista (Paris), Terra de Missão”, “Comunidade Segundo o Evangelho”.

8.       PUEBLA – Conclusões da III Conferência Episcopal da América Latina: “Evangelização no Presente e no Futuro da América Latina”. Edç.Paulinas, SP, 1979.

9.       PAULO VI, Papa. “A Evangelização no Mundo Contemporâneo”: (“Evangelii Nuntiandi”). Exortação pós-sinodal, do Sínodo de 1974, em 8 de dezembro de 1975. Edç. Loyola, SP, 1976 (2ª ed., com introdução e notas do Pe. João Batista Libânio, SJ).

10.    JOÃO PAULO II, Papa. Carta Apostólica “No Início do Novo Milênio” (6-1-2000): (“Novo Millennio Ineunte”). Edç. Loyola, SP, 2001.

11.    Noutro texto já analisei sumariamente as etapas da preparação dos programas anuais de formação, como foram desenvolvidos, dificuldades encontradas e seus resultados. Refletindo, então, sobre tais circunstâncias passei a adotar – como formador da comunidade e como conselheiro provincial - algumas atitudes no desenvolvimento do programa formativo, como ali expliquei.

12.    CAMILO MACCISE, Frei, ocd. “Deus Presente na História – Espiritualidade bíblica”. Edç.Paulinas, SP, 1986.

13.    Pierre Teilhard de Chardin, Pe., SJ, (1881-1955). “O Meio Divino”. Edt. Vozes, Petrópolis, RJ, 2010.

14.    Coleção CERIS. “Desafios do Catolicismo na Cidade – Pesquisa em regiões metropolitanas brasileiras”. Edt. Paulus. SP, 2002.

15.    Cadernos de Fé e Cultura Especial. “Dilemas e Desafios da Pastoral Urbana”. PUC-RIO, Centro Loyola de Fé e Cultura. Nº1, ago.2002.


 Obras consultadas

 16.    ALZINIR F. DEBASTIANI, Frei, ocd. “A Promessa e os Votos na OCDS”. Edição Ocds, Roma, 2019.

17.    CARLOS MESTERS, Frei, OCarm. “Ao Redor da Fonte – Círculos de oração e de meditação em torno da Regra do Carmo”. Edição particular. RJ, s/data.

18.    MERTON, Thomas, Pe., O.C.S.O. (Trapista), (1915-1968). “Poesia e Contemplação” (seu último livro publicado em vida). Edt. AGIR, Rio, 1972.

19.    SEGUNDO GALILEA, Pe. As Raízes da Espiritualidade Latino-Americana. Edç. Paulinas, SP, 1984.

20.    VALLE, Isac Isaías, Pe. Caminhos da Nova Evangelização: estratégias de ação para o terceiro milênio cristão. Edç. Loyola, SP, 1996.

21.    BASÍLIO MAGNO, Doutor da Igreja oriental, (330-379). “As Regras Monásticas”. Edt. Vozes, Petrópolis, RJ, 1983.

 

Siglas mais usadas (em ordem alfabética)

 AA – “Apostólicam Actuositátem” – documento do Concílio Vaticano II

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

CELAM – Conferência Episcopal Latino-Americana

C.P. – Caminho de Perfeição – Livro escrito por Santa Teresa d’Ávila

ChfL – “Christifidéles Láici” – Exortação Apostólica de João Paulo II, 1988

CIC – Catecismo da Igreja Católica

Dt – (Livro do Deuteronômio, AT)

Doc.Ap – Documento de Aparecida – Conclusões da V Conferência do CELAM, 2007

DGAE – Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (da Igreja no Brasil)

EG – “Evangélii Gáudium” – Exortação Apostólica do Papa Francisco, 2013

EN – “Evangélii Nuntiándi” - Exortação Apostólica do Papa Paulo VI, 1975

Ex – (Livro do Êxodo, AT)

Fl – (Carta de São Paulo aos Filipenses, NT)

GetE – “Gaudéte et Exsultáte” - Exortação Apostólica do Papa Francisco, 2018

Gl – (Carta de SãoPaulo aos Gálatas, NT)

GS – “Gáudium et Spés” – Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II

Jr – (livro do Profeta Jeremias)

LG – “Lúmen Géntium” - Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II

Lv – (Livro do Levítico, AT)

N/Ne – Norte/Nordeste

NMI – “Novo Millénnio ineúnte” – Exortação Apostólica do Papa João Paulo II, 6-1-2001

OCarm – Ordem do Carmo

OCD – Ordem do Carmelo Descalço

OCDS – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares

P. – Puebla – Conferência do CELAM realizada na cidade de Puebla de los Andes, México

RC – Regra do Carmelo

SC – “Sacrosánctum Concílium” - Constituição do Concílio Vaticano II

SCa – “Sacraméntum Caritátis” – Exortação Apostólica do Papa Bento XVI, fevereiro 2007

SJ – Congregação religiosa “Sociedade de Jesus” – Jesuítas

Tb – (Livro de Tobias, AT)

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